[Espanha] GDQ lança música em apoio aos Seis de Zaragoza: “Punk para não esquecer o que não deveria se repetir”

Nesta quarta-feira, 16 de abril, completa-se um ano desde que quatro jovens antifascistas — Imad, Javitxu, Daniel e Adrián — conhecidos como os Seis de Zaragoza, começaram a cumprir pena. Em solidariedade, a banda punk aragonesa Guiñote de Qontaqto (GDQ) lançou a música “A los presos por su nombre”, inspirada nesse caso.

O grupo denuncia as irregularidades do processo, as acusações desproporcionais e o forte viés político do julgamento. Após cinco anos de trâmite judicial, os quatro jovens, cuja única comprovação foi a participação em uma manifestação contra a extrema direita em 2019, foram condenados pelo Supremo Tribunal da Espanha a quatro anos e nove meses de prisão por “desordem pública agravada”, “atentado” e “lesões”.

A canção, disponível no YouTube, Bandcamp e Spotify, é descrita como um grito musical contra a criminalização do protesto e um gesto de solidariedade com aqueles que enfrentam repressão por exercer seu direito à manifestação. Ela incorpora sons de manifestações e declarações, incluindo a celebração da prisão por parte de Alejandro Nolasco, líder do partido de extrema-direita Vox.

O caso gerou uma ampla rede de apoio social em Aragão e outras regiões, destacando o uso do Judiciário para reprimir a dissidência. Mais de 3 mil pessoas marcharam recentemente em Zaragoza exigindo liberdade para os jovens. GDQ pretende, com essa música, amplificar o clamor coletivo por justiça.

Mais informações sobre a campanha: libertad6dezaragoza.info

Fonte: AraInfo

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/04/02/espanha-marcha-ate-a-prisao-de-zuera-protesto-e-muito-mais/


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/04/01/espanha-700-metros-de-solidariedade-com-os-seis-antifascistas-de-zaragoza/


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Borboletas brincam
Entre os canteiros de flores
Manhã de Domingo

Luci Tiho Ikari

Lançamento: “Por uma economia libertária”, de Frédéric Antonini

A Biblioteca Terra Livre e o Centro de Cultura Libertária da Amazônia (Belém) têm o prazer de anunciar o lançamento do livro “Por uma economia libertária”, de Frédéric Antonini.

Para celebrar esta publicação receberemos o autor do livro, Frédéric Antonini, para conversar sobre o livro e a importância de pensar um outro modelo de economia para a sociedade hoje.

A conversa contará com tradução consecutiva do tradutor do livro, Xavier van Welden. Além deste teremos a presença de companheiros dos coletivos editores.

O evento será online, transmitido em nosso canal no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=EszGysssSGw

VENDA DO LIVRO

O livro está disponível para compra online por R$20:

https://livrariaterralivre.lojavirtuolpro.com/pre-venda-por-uma-economia-libertaria/p

Combo Por uma economia libertária + Sobre o Anarquismo (de R$40 por R$32):

https://livrariaterralivre.lojavirtuolpro.com/combo-por-uma-economia-libertaria/p

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Traçando os baralhos
confundo na noite o mundo
de alhos com bugalhos.

Luciano Maia

1° de Maio: para além do memorismo, combater a burocracia e o pacifismo com insurgência proletária

“(…) O que é certo para mim é que hoje já não há piores inimigos do povo do que os que procuram desviá-lo da revolução social, a única que pode lhe dar a verdadeira liberdade, a justiça e o bem estar, para o arrastar novamente para as experiências enganosas destas reformas ou destas revoluções exclusivamente políticas, das quais ele foi sempre o instrumento, a vítima e o papalvo.” Mikhail Bakunin

PANORAMA GERAL

O 1° de maio se aproxima, naturalmente, as organizações de esquerda reivindicam a data, desde o bloco democrático popular (PT e satélites), passando pelos partidos marxistas (PCBR, UP, PSTU, etc) até as organizações anarquistas (CAB, OSL e, claro, UNIPA), cada um à sua forma.

Os reformistas, naturalmente, apagam o conteúdo combativo do 1° de maio, enquanto os partidos marxistas buscam ofuscar a essência anarquista e sindicalista revolucionaria, com raras exceções. Por outro lado, as organizações anarquistas tendem a reivindicar a data como expressão da força do sindicalismo revolucionário e do anarquismo.

Entretanto, é evidente que, em grande medida, parte dos anarquistas resgatam a data numa perspectiva memorista, de forma isolada e desconectada com a luta proletária atual que se desenrola no Brasil e no mundo, de forma saudosista e distante.

Diferentemente, os bakuninistas devem articular as experiências passadas e os ensinamentos fundamentais históricos com a luta de classes presente, certamente associada diretamente com a reconstrução do sindicalismo revolucionário, por um lado, e do anarquismo disciplinado e militante no seio das organizações de massa por outro.

Nesse sentido, faz-se necessário uma análise da conjuntura brasileira para este 1° de maio que se aproxima, a fim de que os anarquistas tenham condições de orientar as organizações de massa (sindicalismo revolucionário) na direção correta.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2025/04/16/1o-de-maio-para-alem-do-memorismo-combater-a-burocracia-e-o-pacifismo-com-insurgencia-proletaria/

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casa fantasma
cheia de habitantes
feitos de plasma

Carlos Seabra

[Argentina] Vídeo | Armadilha da Baía de Pesca desmontada, centenas de peixes liberados

Em uma de nossas saídas de sabotagem da pesca (isto inclui todo dano que se possa fazer aos assassinos e seus pertences e, claro, entorpecer sua atividade de matar) nos cruzamos com uma cena aterrorizante nas margens do rio, pescadores da zona criaram uma armadilha para os peixes, fizeram um caminho para que os peixes acessem a margem, logo tampam o acesso e quando o rio baixa, os peixes ficam presos, desta forma pegam centenas de peixes, os que não lhes servem ou não lhes importam ficam mortos no lugar…

Quando chegamos vimos centenas, muitos na armadilha, muitos outros mortos, outros agonizando e desesperados em busca da escassa água que havia no pequeno canal que ia do rio à armadilha.

Não duvidamos em tratar de ajudar os peixes agonizantes e presos e, claro, romper a armadilha. Era um trabalho impossível e de corrida contra o tempo, nos dividimos na tarefa de devolver todos os peixes ao rio que ainda estavam com vida e cavar para tornar o canal mais profundo e que tenha maior vazão, mas era um trabalho sem fim resgatar todos os peixes encalhados.

Em um momento de nosso trabalho, se aproxima um grupo de especistas pescadores, buscando sangue para alimentar-se já que sua pesca não havia sido boa. Com um pouco de sagacidade lhes fizemos crer que esses peixes estavam envenenados que devíamos enviá-los ao rio para que as pessoas não se envenenem, por sorte para esses peixes, nos acreditaram e nos ajudaram a devolver muitos dos peixes ao rio.

Após eles irem, apareceram uns assassinos não tão crédulos, a quem não pudemos persuadir, levando várias bolsas com peixes tal qual se fossem um objeto. Nos alegramos de termos cruzado com tal cena, na qual pudemos ajudar centenas de peixes dos incontáveis que havia. Uma vez longe, como despedida do lugar, furamos os pneus de vários veículos de pescadores e riscamos seus carros.

Sabotadores da pesca

>> Veja o vídeo (1:22) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=hewaDeJy8Hc

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/23/internacional-proposta-para-sabotadores-da-pesca/

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Pé de mexerica
no pomar da vizinha
Os pássaros chegam.       

Akiko Koike

Anarquia | A Multidão Furiosa | Direito A Raiva

Por Carlos Pereira Junior
 
ANARQUIA
.
Anarquia é não mandar, / nunca servir ou obedecer. / É recusar toda expressão de poder.
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É fazer da liberdade um modo de vida / contra toda autoridade, / descobrindo, aqui e agora, / um mundo novo / na contramão de deus e do Estado.
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Anarquia é viver para autonomia, / é jamais colonizar o outro, / ser único, estar entre muitos, / questionar privilégios e hierarquias.
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A MULTIDÃO FURIOSA
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Algum dia uma multidão furiosa / de negros, quase negros, / indígenas, / inclassificáveis e desesperados, / há de fazer sentir sua fúria / sobre governos, ricos e supremacistas.
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Ela não será contida pela polícia, / por decretos ou falsas promessas de democracia.
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A multidão furiosa há de subverter a ordem. / Abolir privilégios e hierarquias, / criar autogestão, comunhão, / liberdade e anarquia.
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DIREITO A RAIVA
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Tenho direito a raiva, / a defesa agressiva da minha existência / frente qualquer situação de exclusão ou agressão.
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Toda ação gera uma reação. / Não esperem, portanto, / que eu fique passivo, submisso, / obediente e calado, / quando submetido a opressão.
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Tenho direito a raiva, / a rebelião. / É uma questão de sobrevivência / e não me interessa sua vã opinião.
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/03/nao-nos-iludimos-com-democracias/
 
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Sobre o varal
A cerejeira prepara
O amanhecer
 
Eugénia Tabosa

[Grécia] Vídeo | Exarchia sob cerco: os bastidores do motim de sábado que eles não querem que você entenda

É óbvio que o bairro de Exarchia está mudando de forma violenta, mas isso não se deve a tumultos ou protestos.

Na noite de sábado, 12 de abril de 2025, dezenas de anarquistas atacaram com molotovs as dezenas de policiais da tropa de choque que cercavam um show ao vivo que acontecia em Strefi Hill [Colina Strefi], em Exarchia, em apoio ao povo da Palestina. A discussão pública que se seguiu ao violento tumulto que se desenrolou e às ameaças feitas por membros do governo grego de esmagar o movimento anarquista no bairro foi sobre os eventos daquela noite, mas propositalmente evitou abordar os motivos que levaram a isso.

Exarchia sempre foi um lugar cercado e atacado. Mas, nos últimos anos, a transformação do bairro está ocorrendo por meio da violência sistêmica, tendo a gentrificação como arma. Antes um berço do pensamento radical e da resistência política, o bairro agora é o local do que muitos descrevem como uma ocupação [militar].

Em qualquer dia, a Praça Exarchia – o único espaço aberto comunitário da área – é cercada pela polícia de choque. Três cantos da praça são vigiados 24 horas por dia, sua presença é um lembrete constante da ameaça do Estado às pessoas da área. Desde 9 de agosto de 2022, quando começou a construção de uma nova estação de metrô sob a praça, essa postura militarizada só se aprofundou. O projeto foi recebido com oposição local intransigente, não apenas pela destruição do único espaço verde, mas pelo que ele simboliza: a determinação do Estado de refazer a Exarchia à sua própria imagem.

Sob o governo de direita da Nova Democracia [partido], Exarchia se tornou um símbolo de confronto ideológico. Todos os dias, a polícia marcha em formações regimentadas, mudando de turno com uma coreografia militar. Sua onipresença transformou a vida cotidiana em um tenso teatro de vigilância e intimidação. As pessoas frequentemente enfrentam detenções arbitrárias e, em muitos casos, força excessiva.

Essa não é simplesmente uma história sobre renovação urbana. É uma luta pela história, pela memória e pelo direito à dissidência.

Bulldozers e cassetetes: A violência da gentrificação

A construção da estação de metrô na praça Exarchia se tornou um ponto de inflexão – não apenas por motivos ambientais ou logísticos, mas porque é vista como a última frente de uma campanha de deslocamento. Para os críticos, isso é gentrificação com escudos antimotim.

Porque o objetivo é fechar por uma década o principal espaço livre onde as pessoas podem se reunir, quando há outros locais mais adequados ou úteis para uma estação de metrô, como perto do Museu Arqueológico Nacional, com mais de meio milhão de visitantes por ano, a apenas duas quadras da Praça Exarchia.

Os aluguéis aumentaram muito. Os preços saltaram de € 5,50 para € 8,50 por metro quadrado entre 2017 e 2022, enquanto as listagens recentes mostram taxas superiores a € 10, efetivamente dobrando.

Os residentes de longa data se veem sem saída, com seus contratos de aluguel encerrados para transformá-los em Airbnb. As empresas locais lutam para coexistir com cafés boutique, restaurantes finos e lojas hipster que falam um dialeto urbano diferente. O que se perde não é apenas a acessibilidade econômica, mas a identidade. A gentrificação é sempre violenta, mas aqui ela também é ideológica. Trata-se de apagar uma memória.

A armadilha turística da rebelião

Mesmo com a polícia de choque apertando o cerco, Exarchia está sendo comercializada para os visitantes como um enclave boêmio – corajoso, “autêntico” e pronto para o Instagram. Visitas guiadas convidam os turistas a “explorar o lado radical de Atenas”.

Os críticos argumentam que o turismo higieniza a própria história que busca mostrar, transformando locais de luta em espetáculos e transformando a resistência em marca.

Enquanto isso, a dissidência é punida com severidade. Todos os tipos de protestos ou reuniões políticas são geralmente enfrentados com gás lacrimogêneo e detenções. Os grafites desaparecem sob novas camadas de tinta. As okupações são despejadas. A tensão entre imagem e realidade é tão palpável quanto o cheiro de gás lacrimogêneo que às vezes permanece no ar.

A memória como um campo de batalha

A transformação urbana raramente é neutra. Em Exarchia, ela está intrinsecamente ligada a um esforço para reescrever uma versão específica da história – uma história na qual a resistência do bairro ao autoritarismo permanece central. Os canteiros de obras e os outdoors de imóveis têm uma função dupla: desenvolvimento físico e conquista simbólica. Alguns chamam isso de “limpeza urbana”.

A praça, que já foi um ponto de encontro de pessoas, agora é um canteiro de obras cercado e sob constante vigilância. Seu destino reflete o do próprio bairro – sob reforma, sob guarda e, muitos temem, sob apagamento.

No entanto, apesar da pressão, o espírito da Exarchia não se extingue facilmente. Os murais ainda florescem nas paredes dos becos. Cartazes políticos aparecem da noite para o dia. E todas as noites, quando o sol se põe atrás do Monte Licabeto, a pergunta persiste: como as pessoas devem reagir contra o assassino silencioso da gentrificação que um dia o encontra com suas malas à mão, forçando-o silenciosamente a deixar sua casa para sempre?

>> Assista o vídeo (2:24) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=rdJzOTp9a_Y

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/30/grecia-passeata-no-bairro-de-exarchia-atenas/

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Crisântemos brancos –
Tudo ao redor também
É graça e beleza.

Chora

[Espanha] Por que uma biblioteca em um espaço anarquista?

A biblioteca do espaço anarquista Magdalena completou 20 anos em 2023. Seu acervo está localizado na rua Dos Hermanas 11, no centro de Madrid, perto de Latina e Tirso de Molina.

Um pouco mais de três mil livros organizados em estantes constituem um refúgio do que, em outros tempos, foi uma prática comum dos movimentos sociais. As bibliotecas autogestionadas começaram a desaparecer de forma generalizada durante a segunda década deste século por múltiplas razões. Apesar de parecer que a combinação leitura/coletivo não combina muito bem com as vidas freneticamente aceleradas que levamos, a biblioteca resiste e continua abrindo suas portas semana após semana. Não vamos enganar ninguém, as massas não vêm, mas pessoas suficientes frequentam para que consideremos que o projeto faz sentido.

E por que faz sentido? O que nos faz acreditar que é relevante continuar envolvidos em um projeto como este?

O que segue são algumas notas frágeis que buscam responder a essa pergunta, um relato provisório de conversas informais que ocorreram nos últimos meses…

Uma biblioteca física oferece um lugar de encontro real em um contexto onde o virtual ganha cada vez mais espaço.

O anarquismo tem uma longa tradição de bibliotecas populares que vale a pena honrar.

Os livros são caros, compartilhá-los é um exercício de bom senso (e um prazer).

Os livros são necessários para pensar em outras formas de viver que não sejam aquela em que estamos imersos.

Os livros ocupam espaço (ocupam muito espaço), e vivemos em moradias que geralmente são pequenas e muitas vezes precárias.

Nosso acervo bibliográfico é uma ferramenta de aprendizado e, ao mesmo tempo, um recurso para diversas lutas.

As estantes cheias de livros estão vivas, mudam, crescem, se livram de pesos mortos, iniciam novas ramificações e exploram territórios desconhecidos.

A leitura estabelece alianças.

Pensar sozinho é complicado e, muitas vezes, não é recomendável; é melhor fazê-lo acompanhado.

Recomendar livros entre iguais é uma das coisas boas da vida.

Esta biblioteca é um lugar sempre em construção.

Precisamos de materiais que permitam superar a contração do pensamento incentivada pelas redes sociais (e pela sociedade em geral).

Acreditamos na formação como uma ferramenta emancipatória.

Apostamos no coletivo, em sustentar enquanto for possível tudo o que o promova e fortaleça. E uma biblioteca nos parece um exemplo disso.

localanarquistamagdalena.org

Tradução > Liberto

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nuvem de outono-
manchas alaranjadas
despedida do dia

Zunir Andrade

1º de Maio de 2025: Comunicado da Federação Anarquista Capixaba (FACA)

Companheiras, companheiros e companheires!

Federação Anarquista Capixaba (FACA) convoca a todas as pessoas insurgentes, trabalhadoras e lutadoras do Espírito Santo a se unirem para celebrar o Primeiro de Maio de 2025, data histórica de resistência e luta da classe trabalhadora internacional. Reafirmando nosso compromisso com a ação direta, a autonomia e a construção de um mundo livre de hierarquias, anunciamos que ocuparemos as ruas para denunciar a exploração capitalista, a opressão estatal e todas as formas de dominação.

O Primeiro de Maio não é um dia de festa patronal, mas de memória viva das rebeliões operárias e de reivindicação por direitos coletivos. Em 2025, transformaremos essa data em um espaço de agitação, solidariedade e organização popular. Em breve divulgaremos a programação completa, com debates, oficinas, intervenções culturais e ações de rua que reforçarão nossa luta por uma sociedade baseada na ajuda mútua, na justiça social e na liberdade radical.

Enquanto os poderosos tentam apagar o caráter combativo desta data, nós, anarquistas, reacendemos sua chama revolucionária. Convidamos coletivos, sindicatos autônomos, movimentos sociais e indivíduos insurgentes a somarem forças conosco.

Organizem suas bases, fortaleçam as redes de apoio e preparem-se para ocupar os espaços públicos com coragem e rebeldia!

A luta não se delega: se constrói nas ruas, nas ocupações, nas greves e na ação direta do povo.

Primeiro de Maio na Rua!
Pela emancipação de todxs!
Anarquia e Liberdade!

FEDERAÇÃO ANARQUISTA CAPIXABA (FACA)
Ação Direta e Autogestão!

federacaocapixaba.noblogs.org

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Ah, noite de outono —
Passeando com o cachorro
Em meio a lembranças.

Edson Kenji Iura

[Alemanha] Hamburgo: Quebra de vidros em bancos

“Precisa haver mais barulhos novamente”, escreveram companheiros de Bremen algumas semanas atrás.


Concordarmos com isso e, portanto, deixamos muitos cacos de vidro em dois bancos na Osterstraße na noite de 13 para 14 de abril de 2025.

Filiais do Deutsche Bank e do Targo Bank foram afetadas. Ambos têm se envolvido de forma relevante no comércio de armas e na exploração da natureza há muito tempo. Como tal, esses bancos representam um alvo significativo e importante para nós.

Desejamos a todos um maravilhoso Primeiro de Maio Preto e Vermelho (13h / Berliner Tor, Hamburgo) e saudamos especialmente nossos companheiros e companheiras na prisão e na clandestinidade. Libertem todos os Antifas!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/503090

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“Chegou o estorninho”—
É assim que todos me chamam
e como faz frio!

Issa

[Grécia] Tessalônica: Intervenções com quebras e tintas em três supermercados e uma imobiliária

Por quanto tempo mais toleraremos produtos caríssimos nas prateleiras dos supermercados de cabeça baixa? Por quanto tempo mais viveremos em casas podres, alugadas por valores equivalentes ao nosso salário-base?  Nossas perguntas são retóricas e nossas respostas são óbvias:

Não há mais paciência e tolerância para com as cicatrizes de nossas vidas. 26 de janeiro [greve geral] e 28 de fevereiro [greve geral] são duas datas que demonstraram exatamente isso. Enquanto os chamados se referiam ao crime capitalista de Tempe, grande parte do povo que foi às ruas expressou sua indignação com a miséria diária imposta pela burguesia e seus asseclas. Os assassinatos diários sofridos por pessoas de nossa classe nos campos de trabalho, nas fronteiras e nos trens-caixão permanecem na mente coletiva e passam a ser expressos pela antiviolência da base social. Assim como os chamados de massa anteriores, os próximos compromissos que estão por vir devem nos encontrar prontos para intensificar nosso confronto com as instituições do poder e ser capazes de capturar a raiva social que busca uma saída para se expressar.

Voltando à luta diária pela sobrevivência que enfrentamos, ficamos furiosos quando vemos a hipocrisia e o conforto que eles sentem em nos bombardear com mentiras. Anunciam o aumento do salário base para apenas 50 euros brutos (de 830 para 880) e apresentam-no como um feito que resolve os problemas das famílias, enquanto nós precisamos de pelo menos 500 euros por mês para ficarmos num buraco e não morrermos de frio no inverno. As redes de supermercados estão literalmente se enriquecendo às nossas custas, aumentando constantemente os preços de produtos básicos e nos vendendo desculpas baratas para uma crise econômica. Em toda essa situação, vivemos sob o medo diário de nos tornarmos bucha de canhão para a máquina de guerra, já que o estado grego vem demonstrando há anos sua boa vontade em participar ativamente de frentes de guerra abertas, mas também no genocídio em curso que o estado israelense assassino está cometendo contra o povo não escravizado da Palestina, reivindicando um pedaço do bolo no tabuleiro de xadrez global.

Respondemos à barbárie capitalista e ao terrorismo de estado com um ataque às suas estruturas de lucro. Por meio da luta de classes e antiestado, agimos em direção a outro mundo onde o lucro não terá lugar em nossos relacionamentos.

No sábado, 05 de abril, atacamos com martelos e tinta um supermercado Masoutis na área de Agios Pavlos e a agência imobiliária ΟΝΕΙΡΟ, na rua Ippodromiou, no centro da cidade. No domingo, 06 de abril, em dois supermercados (AB Vasilopoulos, Masoutis) na rua Kassandrou.

Essa imobiliária em particular, além do papel que desempenha nos altos aluguéis do centro, que está se tornando um ponto turístico cada vez maior, é de propriedade de um infrator que já foi denunciado no passado por seus clientes.

Anarquistas contra a escravidão salarial

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1634988/

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Melhor do que flores
É comer bolinhos –
Partem os gansos selvagens.

Matsunaga Teitoku

[Argentina] Por que os parasitas odeiam Osvaldo Bayer?

Por que denunciou com evidências que as famílias parasitas como os Bullrich, Anchorena, Paz, Alzaga, Roca, Martinez de Oz, Luro e Mitre, entre outras lacras, se tornaram ricas roubando terras, vendendo escravos, traficando crianças, explorando mulheres e mandando matar trabalhadores a cada vez que se organizavam para reivindicar um salário justo ou condições de trabalho dignas.

Por que expôs que suas fortunas não nasceram do trabalho nem do mérito, mas do sangue, da violência estatal e do silêncio cúmplice da história oficial e da imprensa corrupta.

Por que deixou claro que por trás de cada fortuna impune, há sangue de trabalhadores.

Quiseram destruir sua memória, mas não sabem que é semente que sempre nasce.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/31/argentina-documento-de-repudio-a-demolicao-do-monumento-a-osvaldo-bayer/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/27/argentina-osvaldo-bayer-voltara-ao-seu-lugar/

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portas batendo
fugindo da chuva
o vento

Alonso Alvarez

[Grécia] Cartaz | Patras | Liberdade para o prisioneiro anarquista K. K.

Na quinta-feira, 07/11, o companheiro K.K., de 17 anos, foi preso em Messolonghi, acusado de incendiar uma van da polícia, o que aconteceu em 11/10, quase um mês antes de sua prisão. As acusações que ele enfrenta incluem incêndio criminoso, explosão, fabricação e posse de explosivos e danos a propriedades. Em uma demonstração de poder do Estado, o companheiro foi levado com uma força policial colossal, detido e, em 13/11, transferido para a prisão juvenil de Cassavetes. Outra acusação frágil baseada em imagens de vídeo incompletas que capturaram uma figura em movimento nas ruas da cidade, outra acusação vingativa dos mafiosos da Polícia Nacional. A polícia segue arquitetando com o apoio do governo e do judiciário, dando continuidade à repressão estatal contra aqueles que resistem.

A guerra social está aqui e está se ampliando dia a dia, é nosso dever abrir as camaradagens e os valores da auto-organização. Pontos focais de luta em toda parte, de Messolonghi ao Chile, da teoria à prática e vice-versa. Nada está perdido, nada acabou, continuamos a marchar contra o Estado, o capital, o fascismo, o patriarcado, as relações de exploração até nosso último suspiro… por um mundo livre.”

TRAGAM TODOS OS PRISIONEIROS DE GUERRA DE VOLTA ÀS RUAS

LIBERDADE PARA O COMPANHEIRO K.K.

LUTA MULTIFORME PELA ANARQUIA

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os aloendros
em fila
nos separavam do mundo

Guimarães Rosa

[Chile] Preparação de julgamento contra os companheiros anarquistas Aldo e Lucas Hernández.

Durante a primeira semana de abril de 2025 se realizou a preparação do julgamento contra os companheiros Aldo e Lucas Hernández, que permanecem desde dezembro de 2022 encarcerados.

Esta instância é a antessala direta do julgamento que logo enfrentarão os companheiros. A inquisição democrática solicita penas de 90 anos de prisão contra Aldo e 26 anos contra Lucas, acusados de sua participação no atentado explosivo à Direção Nacional de Gendarmeria e de posse de armas respectivamente.

A Gendarmeria buscará saldar o orgulho ferido de seu quartel geral destroçado, enquanto que embriagada em altas condenações que conseguiu no último tempo contra companheiros anarquistas, a promotoria sul espera fazer deste julgamento uma nova celebração de vingança dos poderosos.

A aposta por parte do estado é clara: voltar a demonstrar que o caminho da ação anárquica ofensiva não só não tem sentido, mas que será combatido com todo o arsenal jurídico e penas abertamente desproporcionais.

E por nosso lado, qual é nossa aposta? O chamado é a permanecer atentos ao julgamento que se avizinha contra os companheiros e a gestar a solidariedade revolucionária nesta determinante instância.

Hoje Lucas permanece sequestrado no cárcere Santiago 1, enquanto que Aldo se encontra sob um severo regime de isolamento no cárcere La Gonzalina em Rancagua.

Façamos das ideias uma ameaça real!

Cumplicidade com os que golpeiam os repressores!

Solidariedade com Aldo e Lucas!

Tradução > Sol de Abril

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Um reflexo roxo
no céu todo poluído –
Paineira florida

Sergio Dal Maso

“Notas sobre as (im)possibilidades de uma abolição queer anti-colonial do mundo (carcerário)”, de Caia Maria Coelho e Alexandre Martins

Esse mundo deve ser abolido. A abolição anticolonial e queer é um projeto de fim do mundo como o conhecemos (Silva, 2007), estruturado pelas categorias de raça, gênero, sexualidade e classe. A partir de nossa formação Ladino Amefricana, refletimos sobre as relações e implicações entre movimentos queer, lutas anti-coloniais e horizontes abolicionistas.

Mundo é aqui entendido como um conjunto de coletividades organizadas de acordo com os interesses coloniais das sociedades imperialistas (por exemplo, na partilha da América do Sul entre os Europeus no Tratado de Madri). Nesse sentido, esse mundo é um símbolo colonial de diferença e hierarquia entre o homem e seus outros (Wynter 2003). Desde seu início, a ordem racial (Silva, 2007) disseminou a violência e a punição e impôs gêneros e sexualidades normativos, os únicos considerados possíveis neste mundo. Em vez de abordar o senso de coletividade em si, nosso objetivo é desmantelar a organização das coletividades conforme pensada pelo colonialismo. Abolir o mundo significa, portanto, retomar outros significados de coletividade.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://transanarquismo.noblogs.org/files/2025/04/Caia-Maria-Coelho-Alexandre-Martins-Notas-sobre-as-impossibilidades-de-uma-abolicao-queer-anti-colonial-do-mundo-carcerario.pdf

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É quase noite –
As cigarras cantam
Nas folhas escuras.

Paulo Franchetti

Sede da COP30, Belém prega sustentabilidade ‘pra gringo ver’

Por Benedito Emílio Ribeiro | 15/04/2025

Belém (PA) tornou-se um verdadeiro canteiro de obras para receber a COP 30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em novembro de 2025. Mas uma pergunta tem sido cada vez mais feita: para quem serão os legados urbanísticos do megaevento?

Para quem transita pela cidade, a resposta é simples: a sustentabilidade que se prega é “pra gringo ver”.

De um lado, o governo paraense tem prometido uma “modernização sustentável” com projetos como o Parque da Cidade, a Nova Doca e o Porto Futuro II, além da “revitalização” do centro histórico, a macrodrenagem de canais e melhorias em bairros nobres como Reduto, Marco e Nazaré.

Enquanto essas áreas passam a ser requalificadas, temos bairros periféricos – que concentram a maioria da população negra – seguindo em uma situação precária e sendo reféns da parte da moeda que ninguém quer ver.

Apesar dos discursos de sustentabilidade e inclusão social, essas obras têm um modus operandi pautado na manutenção de desigualdades em Belém. Por exemplo, a Vila da Barca, uma das maiores favelas de palafitas da América Latina, vai receber os resíduos do sistema de esgotamento sanitário da Nova Doca, no bairro do Reduto – um dos mais ricos da capital.

A vila também tem sido o local de descarte de detritos (lama e entulhos) das obras em curso na Doca. Os moradores reclamam do descaso, da falta de saneamento e infraestrutura na comunidade com mais de 7.000 habitantes.

Outro empreendimento controverso é a avenida Liberdade, ou “Eco Rodovia Liberdade”, que conecta a avenida Perimetral (Belém) e a Alça Viária (Marituba). A obra busca melhorar a mobilidade urbana na região metropolitana, mas o projeto impacta diretamente o Quilombo de Abacatal, no interior do município de Ananindeua – na rota de construção da avenida.

Os moradores falam da falta de diálogo com a comunidade e expressam a preocupação com os impactos socioambientais que serão sentidos com a abertura da estrada.

Essas obras estão atravessadas por ideais e práticas que produzem segregações sociorraciais no espaço urbano. Entre fins do século 19 e início do 20, por exemplo, já se observam marcas do urbanismo de gentrificação no Brasil, com alterações na paisagem que atualizavam mecanismos de controle de corpos e das hierarquias sociais. Um modus operandi na lógica de ordenamento das cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e outras.

Nesse contexto, Belém passou por transformações urbanas decorrentes da economia da borracha. Vivia-se a Belle Époque e a cidade precisava adequar-se ao modelo de civilidade burguesa da época, que era inspirado em Paris e Londres.

Os projetos de urbanização de Belém incluíam a ampliação de antigas ruas, o aterramento de áreas alagadiças, a construção de avenidas e boulevards, espaços culturais para usufruto da elite, com praças, cinema e o famoso Theatro da Paz, por exemplo.

A cidade recebeu luz elétrica e água encanada. Nessas áreas enobrecidas e embelezadas de Belém, a elite da borracha ergueu seus palacetes e casarões.

Essa nova Belém, civilizada e embranquecida, não comportava mais certos sujeitos e práticas cotidianas que manchavam sua imagem. Além de impactar a paisagem, as reformas da Belle Époque buscaram efetuar uma limpeza social na cidade.

Muitos cortiços foram desapropriados no centro e seus moradores passaram a ocupar zonas periféricas. Lavadeiras foram proibidas de usar praças e largos, e eram constrangidas ao se deslocarem pelo centro da cidade, como revela o jornal A República, de 1890.

Mas as tentativas de exclusão e controle social da Belle Époque não foram suficientes para tirar de cena gente negra e indígena, cuja presença revela as nuances históricas da formação de Belém.

Por exemplo, o jornal O Democrata de 1891 relata sobre “os batuques que dão-se todos os sábados na travessa dos Tupinambás”. Já a Folha do Norte, de 1897, retrata Tia Chica, mulher negra que organizava rodas de carimbó no quintal de sua casa, na estrada de São Brás. Experiências que exprimem nosso direito à cidade.

O ontem de hoje

Percebe-se que o interesse central segue sendo atender uma pequena parcela da população e seus espaços já confortáveis de moradia e lazer: as elites brancas. Resta aos negros e indígenas sempre o mínimo para sua sobrevivência.

Belém escancara em sua história facetas de um racismo ambiental e da sucessiva negação de direito à cidade para gente negra e indígena. Se vamos tratar sobre as mudanças climáticas, devemos falar também de justiça climática e de reparação. Não esqueçam que o futuro do planeta é ancestral. E, nós, negros/as e indígenas, já estamos falando e agindo há muito tempo!

Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/presenca-historica/2025/04/15/sede-da-cop30-belem-prega-sustentabilidade-pra-gringo-ver.htm

agência de notícias anarquistas-ana

estação vazia
no trem sozinho
um passarinho

Ricardo Portugal

Por que opor-se à COP30?

A COP30 (Conferência das Partes) é uma cúpula internacional organizada pelos Estados membros da ONU, a ser realizada no espaço do Governo da COP, em Belém do Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025. O número 30 significa que esta é a 30ª vez que a conferência será realizada. A COP30 trata das mudanças climáticas. Diversos eventos, fóruns e debates estão sendo organizados, e delegações de muitos países estarão presentes.

POR QUE OPOR-SE À COP?

Porque precisamos de uma mudança que a COP30 não pode proporcionar. A luta para proteger a biodiversidade e combater as mudanças climáticas é, sem dúvida, uma das questões mais importantes do nosso século. Os estudos científicos e o conhecimento indígena e dos povos tradicionais são muito claros: estamos vivenciando atualmente um declínio sem precedentes na biodiversidade. Nosso sistema econômico, o capitalismo, está na raiz desse problema: somente desafiando-o poderemos salvar o que ainda pode ser salvo. Obviamente, esse não é o objetivo da COP30. Na verdade, ela tem o objetivo oposto:

☀ Incentivar a livre iniciativa neoliberal e, ao mesmo tempo, alegar a proteção da biodiversidade. A COP30 tem como objetivo envolver ativamente o setor privado na formulação de acordos internacionais sobre biodiversidade. Em outras palavras, os responsáveis pela situação atual estão sendo envolvidos no processo de tomada de decisões. O lobo está no controle do galinheiro.

☀ Permitir que as empresas privatizem a matéria viva. A Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) e o Protocolo de Nagoya estabeleceram na legislação internacional a possibilidade de nacionalizar a propriedade de “recursos derivados de material genético”. Anteriormente, os recursos genéticos eram considerados parte do patrimônio comum da humanidade. Estamos testemunhando um aumento na privatização da matéria viva.

☀ Facilitar a exploração dos países do sul e das terras indígenas. O Protocolo de Nagoya exige um programa de “acesso e compartilhamento de benefícios”. Isso significa que se espera que os países com alta biodiversidade forneçam acesso a seus recursos naturais. Como resultado dessa pilhagem, está ocorrendo um compartilhamento desigual dos benefícios entre os estados do sul e as empresas, sem levar em conta as contribuições essenciais das comunidades indígenas e tradicionais para esse patrimônio comum da humanidade.

AGIR POR CONTA PRÓPRIA – NÓS POR NÓS

☀ Os governos e as empresas são os principais culpados pelo declínio da biodiversidade. Essas instituições trabalham, lado a lado, para subsidiar os projetos extrativistas das principais empresas de mineração, de exploração de madeira e de petróleo em bilhões de dólares. Os governos estão financiando projetos que estão destruindo ativamente a biodiversidade. Pense no governo brasileiro e seus projetos como a Ferrogrão, a exploração de petróleo na foz do Amazonas e a compra de créditos de carbono por grandes transnacionais. Além disso, quando a população não cede, a polícia e as forças armadas são enviadas para reprimir qualquer revolta e militarizam os territórios, criminalizando os movimentos sociais.

☀ Os responsáveis pelo desastre não nos salvarão. Que os ricos paguem a crise. Como acontece com qualquer avanço social, somente a mobilização popular pode fazer com que os governos se ajoelhem. A história do movimento ambientalista é a prova mais visível disso; sem nossa mobilização, os governos e as empresas, ainda, negariam a realidade de nossas descobertas. Há décadas, os governos e os capitalistas estão cientes das questões ecológicas em jogo e não fizeram nada para causar um impacto significativo. O simples fato de a COP sobre mudança climática estar agora em seu 30º ano – e a situação indo de mal a pior – nos mostra o que podemos esperar se dermos carta branca àqueles que estão nos levando direto para o desastre.

☀ Bloquear para avançar. Acreditamos que é hora de romper essa atmosfera de consenso brando dentro do movimento ambientalista; a colaboração com os estados e as corporações só levou a piora da situação. Nossa única chance é construir um movimento que rejeite as estruturas responsáveis pela catástrofe: o capitalismo e o Estado. Portanto, é importante atacar esses eventos, que foram criados para nos tranquilizar e desviar nossa atenção. Vamos mostrar a eles que não estamos sendo enganados.

COMO OPOR-SE À COP30?

❶ Participar das assembleias de luta contra a COP30

Unindo forças e construindo alternativas à realização dessa cúpula internacional, podemos ser a semente de um movimento ambientalista livre das garras dos Estados e dos interesses privados.

❷ Fazer greve e que os ricos paguem a crise

Para os estudantes e trabalhadores, a greve dá a oportunidade de fazer ouvir uma voz que não seja a das empresas petrolíferas, mineradoras, madeireiras, de crédito de carbono e dos governos. A greve envia uma mensagem clara de que estamos determinados a tomar medidas para mudar as coisas. A greve também libera tempo para participar do movimento ambiental por meio de manifestações, oficinas e discussões que ocorrerão ao mesmo tempo que a cúpula. A greve lembra ao Estado e aos capitalistas que, sem nós, eles não são nada, e nos lembra que, no final, nós produzimos tudo. Precisamos desse momento se quisermos um movimento ambiental capaz de enfrentar os desafios do momento. Chamamos as centrais e sindicatos para construir um movimento paredista poderoso durante o evento. Pela construção de uma greve geral durante a COP!

❸ Aprender e educar

A organização de uma contra-cúpula, contra a COP30 e a favor de um movimento ambiental radical e revolucionário, nos permite fazer com que nossa voz seja ouvida de uma forma diferente da desse movimento, que está colaborando com a “gestão” da crise ambiental capitalista. Temos que aprender com outras lutas e com a história do movimento social e não nos vermos como uma questão separada da do capitalismo ou do colonialismo.

❹ Ocupar o terreno, construir territórios

Por meio de manifestações de rua e outras ações, podemos mostrar que existe outro caminho e incentivar as pessoas a se juntarem a nós, ao mesmo tempo em que interrompemos a festinha delas no Palácio do Governo.

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Centro de Cultura Libertária da Amazônia – CCLA
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Alberto Murata