[França] O anarquismo na democracia ou na ditadura

A razão deste texto é proporcionar algumas reflexões sobre o posicionamento dos anarquistas nos conflitos políticos atuais.

Começo lembrando que o ideal e o objetivo do anarquismo é possibilitar o surgimento de uma sociedade de liberdade; igualdade e fraternidade/sororidade funcionando horizontalmente e praticando o apoio mútuo com uma perspectiva internacionalista. Ideal e objetivo que não deve ser imposto, mas assumido livremente por vontade própria, de modo que tal sociedade seja o resultado das decisões e ações de todos.

Acrescento que tenho plena consciência de qual é a realidade do mundo atual e de como essa realidade está longe de nosso objetivo, de modo que não temos alternativa a não ser existir e agir dentro dela. Ou seja: continuar a defender o ideal e agir da forma mais consistente possível para que essa realidade possa evoluir para uma mais próxima do que queremos.

Bem, como a realidade atual do mundo é uma mistura de regimes que respeitam mais ou menos os chamados direitos humanos e regimes que não os respeitam, todos os conflitos políticos são enquadrados no contexto da democracia e da ditadura, em que o poder é sempre exercido verticalmente. Isso acontece mesmo que nas democracias se afirme que ele é exercido em nome do povo e nas ditaduras (supostamente de esquerda) se afirme que ele é exercido pelo povo.

É óbvio, então, que nós, anarquistas, não podemos, por consequência ideológica e pragmatismo, apoiar nenhum desses regimes, nem apoiar seus promotores. Mas tampouco podemos nos resignar a ser meras testemunhas passivas de seus conflitos, já que essa suposta neutralidade sempre acaba beneficiando um ou outro desses regimes.

O lógico é portanto continuar a defender nossas ideias e propostas em ambos os casos sempre que possível. Porque a coisa lógica e coerente a se fazer não é apenas aproveitar todas as possibilidades que se apresentam, mas também trabalhar para torná-las possíveis e tentar fortalecê-las.

Assim, por razões de utilidade e ética, devemos avaliar em qual desses dois regimes há mais brechas para passar nossa mensagem e melhores condições para fazê-los evoluir em uma direção cada vez mais democrática (com d minúsculo). Ou seja: cada vez mais horizontalmente e, consequentemente, de forma livre e igualitária.

Nesse sentido, tanto pelo que a história nos ensinou quanto pelo que vemos todos os dias, acho que não pode haver dúvidas sobre as possibilidades que podem ser aproveitadas nas democracias, em comparação com as possibilidades nulas que as ditaduras oferecem.

De fato, considerando que o capitalismo é hegemônico no mundo e que hoje não há outra opção a não ser viver na democracia ou na ditadura, é lógico e coerente preferir as democracias, pois nelas é possível reivindicar direitos sociais e inclusive humanos. As democracias também são mais propensas do que as ditaduras ao surgimento de movimentos sociais com objetivos emancipatórios. E isso é válido para todos os países e todas as épocas. Foi assim na Espanha, para sair da ditadura de Franco, e também será assim na Venezuela, para sair da ditadura de Maduro.

Sabe-se que, enquanto houver Estados, nós, anarquistas, teremos de continuar lutando.

Octavio Alberola

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/el-anarquismo-en-democracia-o-en-dictadura/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Estação de trem —
tantos lenços acenando
em meio à garoa

Regina Alonso

Convocatória para envio de desenhos, imagens, propostas para o cartaz da XII Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre 2024.

Data limite: 13 de outubro no e-mail: fla-poa2024@riseup.net

Para desafiar o poder e a autoridade, procurando fazer viver a anarquia, necessitamos vontade, ideias na cabeça e infinitas ferramentas nas mãos… uma caixa de fósforos, livros, sementes, uma pitada de veneno e dentre tantas outras coisas desenhos, artes gráficas, expressões que impulsionam a vontade de lutar e ser livre.

É nesse sentido que convocamos a todxs corações antiautoritários que com sua força criativa se expressem por desenhos, confecção de artes gráficas, nos enviem materiais para compormos o cartaz da FLA POA 2024 até o dia 13 de outubro.

A arte se transformará em serigrafia para impressão de camisetas e cartazes de difusão nas ruas.

Pela agitação anarquista um hurra a todxs que não votam e lutam!

feiradolivroanarquistapoa.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Este abacateiro
acende, ante a luz do luar,
suas suaves lâmpadas

Jorge Fonseca Júnior

Chamada Apresentação de Livros, publicações, oficinas, atividades e bancas XII Feira do Livro Anarquista Porto Alegre – 2024

A cada vez que alguém escolhe os caminhos anárquicos, o sistema perde um pouco.

A cada vez que alguém se decide a atacar o que ataca a terra, a devastação perde um aliado.

A cada vez que surge um encontro entre anarquistas, nos puxamos com dureza e carinho a seguir na luta pela autonomia, equidade, liberdade, dignidade e solidariedade.

A cada vez que nossas ideias e práticas são compartilhadas, expandimos a revolta contra a dominação e também nossas afinidades cúmplices.

Por isso tudo chamamos para apresentar todo tipo de iniciativas, práticas e ideias anárquicas que impulsionem a luta contra todas as opressões.

Receberemos as propostas até o 26 de outubro no e-mail: fla-poa2024@riseup.net

Morte ao Estado e Viva a Anarquia.

agência de notícias anarquistas-ana

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

Guilherme de Almeida

[Espanha] Comunicado do bloco libertário na manifestação antifascista de Santander 28S

COMUNICADO DO BLOCO LIBERTÁRIO 2024

O fascismo volta a sair na rua.

Queremos apelar à responsabilidade individual e coletiva, se as ruas não respondem a esta chamada, quem o fará?

A lei é uma ferramenta dos Estados para manter sua dominação sobre os oprimidos. Recorrer a ela como um instrumento que pode nos proteger do fascismo é recorrer ao próprio poder que precisa dele. O poder, entendido como o Estado e as classes dominantes, precisa do fascismo para repelir e sufocar as tentativas de revolta e insurreição no calor das ideias e propostas revolucionárias, que propõem uma ruptura e uma transformação social ou que são simplesmente um obstáculo à acumulação de capital pelas classes dominantes. É por isso que, insistimos, nenhum governo silenciará o fascismo.

O atual governo, por mais que seja chamado de “o mais progressista da história”, continua a promulgar leis sobre estrangeiros que servem à fortaleza Europa. O Estado espanhol continua a impedir os fluxos migratórios para a Europa. Ele é cúmplice de massacres como o de Tarajal, e nós sabemos disso. A Europa que é tão idolatrada e idealizada não pode se sustentar sem saquear e extrair recursos dos países do sul, muito mais empobrecidos. Nada de sua pretensa superioridade moral e de sua “sociedade” desenvolvida seria possível sem o colonialismo que ela exerce atualmente e que vem praticando há séculos.

Além disso, esse governo não revogou a lei da mordaça, uma ferramenta de repressão que dá grande poder à polícia. Uma polícia que, desde este mesmo mês, começou a treinar com a empresa Desokupa, especializada em ocupações ilegais, por meio de seu sindicato oficial.

A lei de crimes de ódio, que parecia ter nascido contra o ódio promovido por grupos neonazistas como Alfonso Primero e que nasceu no calor das mobilizações pelo assassinato da companheira Lucrecia e, mais tarde, foi revivida pelo assassinato do antifascista Carlos Palomino, tornou-se uma arma democrática contra as mobilizações e que muitas vezes protege o esquadrão fascista, colocando esses grupelhos no mesmo lugar que os antifascistas.

Portanto, se o antifascismo se concentra em pedir aos partidos parlamentares que proíbam, e que seus quadros é quem que participem da questão, as proibições aos atos de rua mais uma vez se voltarão amanhã contra nossos próprios eventos organizados. Isso reforçará a falsa identidade rebelde que os fascistas estão tendo hoje e, finalmente, reforçará a falsa ideia de que o fascismo é o oposto da democracia capitalista e não um complemento necessário em determinados momentos históricos.

Como eles vão nos fazer crer que o fascismo tem algo a ver com a revolução social se ele está completamente em sintonia com os estados e o poder? Como é possível pensar que a corrente mais conservadora é algum tipo de objetivo transformador?

O fascismo é reacionário por definição e eles têm medo da mudança, da qual não há como voltar atrás. O mundo está mudando mais uma vez, as grandes verdades hegemônicas, como a de gênero, estão desmoronando diante de nossos olhos, e isso é imparável. Estamos nos emancipando do colorismo, do racismo e do capacitismo para prestar atenção à interseccionalidade e nos liberar por meio da definição de nossas vulnerabilidades.

O fascismo não é uma ameaça à democracia capitalista, mas funciona como segurança voluntária e militante para seu próprio status quo. É por isso que sempre insistiremos que não basta nos opormos ao fascismo e aos nazistas em sua versão mais violenta e de rua, mas que a raiz do problema está no sistema capitalista e em todas as formas de opressão. Não se trata de abstrações, estamos vendo isso nas moradias; como as empresas de despejo ampliam as manobras dos especuladores imobiliários, dos rentistas e da polícia para expulsar as pessoas das casas com todos os meios necessários. Estamos vendo isso no gerenciamento de fronteiras, já que a mídia aponta a imigração como o principal problema a ponto de influenciar a opinião pública dominante. Em um cenário de crise energética, o que podemos esperar? Bem, o óbvio, que os nazistas, mesmo que se apresentem como rebeldes, tomem para si a tarefa de perseguir e conter as minorias políticas e sociais que se colocam no caminho, enquanto o capitalismo continua a usar suas novas formas de extração e acumulação às custas de tudo e de todos.

O que fazer? Não temos a chave, mas consideramos importante não delegar às instituições a tarefa de fazer com que a expressão mais violenta desse sistema, os neonazistas, seja impedida de correr solta. Consideramos necessário que as ruas contra o fascismo não sejam apenas nós que estamos aqui hoje, mas o restante dos explorados, com toda a diversidade que isso implica.

As coisas estão difíceis, mas a organização desta manifestação e toda a preparação anterior é um exemplo pequeno, mas vivo, de que podemos nos organizar a partir de nossas diferentes posições e enfrentá-las, porque sim, o fascismo não é uma opinião e não se debate, se combate.

Para isso e muito mais, vamos nos organizar entre iguais, horizontalmente, sem delegar nossas vidas e nossas decisões a outros. Vamos usar a ação direta para enfrentar os conflitos cotidianos, como o fascismo nos dias de hoje. Vamos criar vínculos de solidariedade com os problemas e ataques que sofremos todos os dias por parte dos poderes constituídos, em todo o mundo. Não demos trégua ao fascismo, não demos trégua a qualquer forma de autoridade.

Fonte: https://www.briega.org/es/especial/comunicado-bloque-libertario-manifestacion-antifascista-santander-28s

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

A rede range
sob o peso do sono
e do almoço

Gustavo Alberto Correa Pinto

[França] A Terra, nosso planeta, pode desaparecer

Por Octavio Alberola

Especialistas da ONU alertam que a mudança climática é “uma ameaça ao bem-estar humano e à saúde do planeta” e que a “janela de oportunidade” que a humanidade tem para garantir “um futuro habitável e sustentável para todos” está “se fechando rapidamente”.

A civilização do Homo sapiens atual é o ponto culminante de um longo e prodigioso processo cósmico que provavelmente começou há 13,8 bilhões de anos com o Big Bang. Um processo que possibilitou a formação do espaço-tempo, que chamamos de Universo, e de tudo o que nele existe, bem como o surgimento da vida, há cerca de 3,5 bilhões de anos, em um dos cem bilhões a mil um trilhão de planetas do Universo.

Um planeta que chamamos de Terra e que, por girar em torno do Sol (uma das estimadas 300 trilhões de estrelas do Universo) a uma distância de 150.000. 000 quilômetros (cerca de 100 vezes o diâmetro do Sol) e por ter os seis elementos fundamentais para a vida – carbono, hidrogênio, nitrogênio, azoto, oxigênio, fósforo e enxofre – e uma atmosfera com uma camada de ozônio que filtra a radiação ultravioleta nociva do Sol, possibilitou que a vida evoluísse para a diversidade do que é hoje em suas cinco formas chamadas reinos: vegetal, animal, fúngico, protista e monera.

Uma evolução dos seres vivos, em grupos de organismos específicos chamados espécies, que, no caso do Homo sapiens, se formou há cerca de 120/100.000 anos com o início do desenvolvimento tecnológico, permitiu que ele desenvolvesse a autoconsciência com a linguagem e fosse capaz de inventar ferramentas (como alfabetos e escrita) para aprimorar o pensamento e enriquecer a expressão sensorial. Ferramentas com as quais, por meio da literatura, da arte e da ciência, foi capaz de perceber o que é cultura hoje e deixar como testemunho as obras que constituem o prodigioso patrimônio mundial da humanidade atual: as Grandes Pirâmides de Gizé, o sítio de Chichen Itza, o santuário histórico de Machu Picchu (Peru), as Linhas de Nazca e os geoglifos e Pampas de Jumana (Peru), a Ilha de Páscoa, a cidade pré-hispânica de Teotihuacan (México), a cidade histórica de Ayutthaya, o Coliseu, o Taj Mahal, o Mada’in Saleh na Arábia Saudita, as Ilhas Galápagos (Equador), a Ilíada de Homero, a Divina Comédia de Dante Alighieri, o Hamlet de Shakespeare, o Dom Quixote de Miguel de Cervantes ou, como testemunho da natureza maravilhosa, o Parque Nacional Yosemite, o Parque Nacional Los Glaciares (Argentina), o Parque Nacional Rapa Nui (Chile), o Parque Nacional Serengeti, etc.

Mas que, ao massacrar milhões de nossos semelhantes em guerras e genocídios, nossa civilização não só é a mais assassina de todos os tempos, como também, além desse delírio criminoso, já exterminou os principais insetos, animais selvagens e árvores de nosso planeta.

Um delírio de guerra e extermínio biológico que, além de ilógico e eticamente falido, nos obriga a nos perguntar por que os seres humanos, quando adultos, podem ser tão inconscientes ao querer matar uns aos outros e destruir os ecossistemas que tornaram e tornam possível a vida no planeta Terra.

Daí a urgência de sairmos dessa inconsciência coletiva para não sermos cúmplices de um crime tão absurdo e estúpido contra a inteligência e a dignidade humanas.

Tradução > Liberto

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Imóvel, o gato,
olha a flor de laranjeira.
Eu olho o gato.

Jorge Lescano

[Reino Unido] Feira de livros anarquistas em Londres | 12 de outubro de 2024

Richmix (35-47 Bethnal Green Rd.) & Freedom Bookshop (84B Whitechapel High St.) – Londres

A Anarchist Bookfair in London 2024 ocorrerá em vários locais, atualmente com dois confirmados.

As bancas da feira de livros estarão todas localizadas na Rich Mix e as bancas da feira de zines estarão na Freedom.

É provável que os workshops sejam divididos entre vários locais e atualizaremos o site de acordo. Reserve um tempo para verificar a programação e planejar adequadamente. Se tiver necessidades de mobilidade e precisar de assistência extra para se deslocar entre os locais, entre em contato conosco e nos informe.

Uma celebração de tudo o que é anarquista.

A Bookfair existe para apoiar as lutas radicais contra o capitalismo, o patriarcado, o colonialismo e a destruição ecológica – e especialmente aquelas que lutam por uma Londres liberada, baseada na ajuda mútua e na liberdade para todos.

Este ano, teremos discussões, música, filmes, oficinas, mercadorias, compartilhamento de habilidades, comida, barracas de campanha, um espaço para crianças e, é claro, muitos e muitos livros adoráveis! Também não é apenas para anarquistas, todos* são bem-vindos para dar uma olhada. Quem sabe, você pode até sair de lá anarquista!

*exceto policiais, transfóbicos, etc.

https://anarchistbookfair.london/ 

Tradução > Contrafatual

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luz amarela no quarto dela
ali se espera
que um sonho entre pela janela

Alonso Alvarez Lopes

[Espanha] Primeira avaliação da CGT sobre a Greve Geral pela Palestina em 27 de setembro

A avaliação que fazemos de um dia como o de hoje é muito positiva. Acreditamos que o sindicalismo classista e militante, junto com centenas de organizações políticas e sociais, deu um exemplo de dignidade inabalável, de total solidariedade ao povo palestino. A avaliação do SP da CGT nesse sentido tem que começar agradecendo a todas as pessoas que participaram desse dia de luta para denunciar um terrível genocídio e exigir o rompimento total das relações entre nosso governo e o Estado fascista e assassino de Israel.

Com base nos dados que temos a esta hora, podemos dizer que cerca de 20.000 pessoas participaram de piquetes ou ações durante a manhã. As mobilizações em cidades como Barcelona, Granada, Valência, Zaragoza, Sevilha ou Madri, mas também em outras localidades como Soria, Bilbao, Ciudad Real, Valladolid, Burgos, A Coruña… Cerca de 150 localidades em toda a Espanha realizaram ações em apoio à convocação de uma Greve Geral. A rejeição do genocídio contra o povo palestino e a exigência de cortar as relações políticas, econômicas e culturais com o Estado de Israel tornaram-se visíveis na maioria das cidades da Espanha. Nas áreas rurais, foram realizadas ações de divulgação específicas e o impacto nas redes sociais, também em nível internacional, foi considerável. Os participantes variaram de trabalhadores de grandes, médias e pequenas empresas a autônomos, funcionários públicos e estudantes de escolas secundárias e universidades. Milhares de pessoas participaram de várias ações de protesto, deram voz às vítimas e se mobilizaram para deixar claro que esse crime não nos representa. Que o que o Estado de Israel está fazendo é puro fascismo, talvez o mais terrível exemplo de racismo e injustiça no mundo de hoje. Não é o único, mas é um exemplo de muitas das tiranias que existem no planeta. Armas e morte são a resposta em uma terra que está morrendo de sufocamento. Essa lógica também explica os desvios autoritários que estamos vivenciando na Europa. Israel está atualmente liderando as políticas mais regressivas e reacionárias que se possa imaginar, imerso em uma ofensiva de limpeza étnica que afeta toda a classe trabalhadora internacional, dissidentes e pessoas que se rebelam contra a injustiça.

Diante desse crime contra a humanidade, com uma comunidade internacional hipócrita e veemente, nós da CGT não podemos ficar de braços cruzados. Estamos cientes de que nossa contribuição é pequena e que também é cruelmente reprimida. Hoje, em Madri, cinco membros e simpatizantes do sindicato CNT-AIT foram presos durante uma ação de protesto em frente a um supermercado Carrefour. A esta hora, eles ainda estão nas celas da delegacia de polícia de Moratalaz. A partir daqui, queremos expressar nossa total solidariedade a eles. O Carrefour é uma empresa de capital francês que é parte ativa da colonização e do apartheid nos territórios ocupados da Cisjordânia e que, na frente de Gaza, dá comida aos soldados sionistas que participam do massacre com risadas e selfies. A prisão do denunciante é mais um exemplo da tirania de uma lei da mordaça que restringe nossa liberdade de expressão e nossa liberdade de associação. Israel e sua impunidade criminosa estão arrastando uma onda que chega até aqui, como vemos em casos como “Os 6 antifascistas de Zaragoza” ou “As 6 da Suíça em Gijón”.

O dia de hoje apontou os culpados por essa barbárie: as empresas que colaboram com o assassinato de milhares de crianças, de pessoas de todas as idades a quem é negado o direito de viver em suas terras desde 1948, sem que a comunidade internacional faça nada, sem que nosso governo “progressista” faça nada mais do que dizer palavras bonitas, mas sem romper acordos e acordos. O dia de hoje também retratou muitas instituições, universidades e empresas que impediram o livre exercício do sindicalismo. Essa mancha de sangue permanecerá para sempre em seus ternos. Assim como a de sindicatos como a UGT ou a CCOO, que não se solidarizam com a classe trabalhadora palestina, assassinada por balas e bombas fabricadas em nosso país, entre outros lugares. Provavelmente para engordar os bolsos dos fabricantes de armas que estão de olho em partidos que apoiam abertamente o sionismo, como o PP e o VOX, aves da morte que espalharam seu hálito com a guerra do Iraque. 20 anos depois dessa mentira, Netayahu é seu herói, o fascismo cheira a dinheiro em torno dos milhares de cadáveres que deixam em seu rastro na Palestina e no Líbano.

Neste momento, as manifestações desta tarde contaram com a participação de cerca de 150.000 mil pessoas, com uma participação extraordinária em toda a Catalunha, que mais uma vez ocuparam o centro de centenas de cidades para expressar nossa indignação com o que está acontecendo na Palestina. Porque sabemos que o que está acontecendo lá também tem a ver com nossas vidas, com nossa consciência de classe trabalhadora, com nossa própria liberdade. Durante todo o dia, também fomos lembrados da convocação de outro dia de luta para o fim de semana de 5 e 6 de outubro, onde já há mais de 30 cidades confirmadas para manifestações com o slogan: “1 ano de genocídio 76 anos de colonização israelense”. Por fim, o SP da CGT gostaria de agradecer à Confederación Sindical Solidaridad Obrera e aos outros sindicatos, coletivos e organizações que convocaram a greve por sua participação e papel de liderança nesse dia histórico. Nas palavras de Miguel Fadrique, secretário-geral da CGT, a greve geral de 27 de setembro de 2024: “Ela foi convocada para dar visibilidade ao que está acontecendo na Palestina e para pôr um fim ao genocídio. Alcançamos nosso objetivo, e tantas mobilizações pela manhã e à tarde comprovam isso. A ação de hoje foi além das questões trabalhistas, foi um compromisso social. Mostramos que podemos dar voz a muitas pessoas que são contra o que está acontecendo, que não querem ser cúmplices. Esperamos que os partidos do governo tomem nota, pois isso é um catalisador para muitas outras mobilizações”.

Liberdade para a Palestina! Parem o genocídio!

Acabem com as relações do governo espanhol com o Estado de Israel!

Do rio ao mar, a Palestina vencerá!

 Secretaria Permanente da Confederação Geral do Trabalho.

27 de setembro de 2024

Fonte: https://cgt.org.es/primera-valoracion-de-cgt-sobre-huelga-general-por-palestina-del-27-de-septiembre/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

desacerto
entre nós
só etecéteras

Alice Ruiz

Rompamos o ciclo de violência sem fim!

As notícias sobre os recentes ataques israelenses, explodindo pagers e walkie-talkies, elevando a tensão entre Israel, Hamas e Hezbollah evidenciam, mais uma vez, como os conflitos armados entre Estados perpetuam ciclos de violência e destruição. A escalada de ações militares, seja por meio de ataques com drones ou manobras secretas, expõe a total incapacidade dos Estados de promover a paz e o bem-estar das populações envolvidas. Pelo contrário, o que se vê são decisões tomadas por elites políticas e militares que, sob a justificativa de segurança nacional, ignoram as vidas de milhões de pessoas comuns, mergulhando-as no caos e na insegurança. Esse ciclo de violência estatal demonstra que a paz, dentro da lógica do poder capitalista-centralizado- militarizado, é uma impossibilidade estrutural.

Esses conflitos são mantidos por interesses econômicos, políticos e territoriais que visam fortalecer o controle estatal sobre os povos e territórios, enquanto as populações civis sofrem com bombardeios, deslocamentos forçados e mortes. A forma como os Estados manipulam a guerra em seu próprio benefício deixa claro que não se trata de proteger vidas, mas de garantir a manutenção de um sistema baseado na dominação e exploração. A perpetuação da violência estatal, em última análise, serve para consolidar as estruturas de poder que beneficiam uma pequena elite, enquanto o povo permanece subjugado e à mercê de decisões que não controla.

Para romper com essa dinâmica de opressão e guerra, é imperativo que o povo construa sua própria autonomia fora dos mecanismos estatais. A autogestão, o apoio mútuo e o federalismo são caminhos viáveis para uma sociedade que rejeita a lógica do poder centralizado e militarizado. Quando as comunidades são organizadas a partir de uma base anticapitalista e horizontal, onde todas as decisões são tomadas de forma coletiva e igualitária, sem hierarquias, os interesses da população passam a ser, de fato, o centro das decisões políticas. O federalismo, enquanto princípio organizativo, permite que diferentes comunidades se associem livremente, de acordo com suas necessidades e interesses, sem a imposição de um poder central.

Além disso, a rejeição do capitalismo é fundamental para a construção de uma paz verdadeira. O sistema capitalista, ao concentrar a riqueza nas mãos de poucos e explorar a maioria, é intrinsecamente violento e injusto. Ele alimenta tanto os conflitos internos quanto os externos, pois o controle dos recursos naturais e a maximização dos lucros são um dos motores que impulsionam guerras e intervenções militares. Apenas uma sociedade organizada de forma anticapitalista, baseada na solidariedade e na justiça social, pode superar esses ciclos de exploração e violência, criando as condições para uma paz duradoura e real.

O Estado, em todas as suas formas, seja na versão puramente capitalista ou na versão militarizada, é incapaz de promover uma existência pacífica. A verdadeira paz só será possível quando as comunidades se organizarem de maneira autônoma, sem a interferência de elites políticas ou econômicas, e quando o povo assumir o controle de sua própria vida, por meio da autogestão, do apoio mútuo e da construção de uma sociedade livre do capitalismo e da opressão estatal. Somente assim será possível romper com a lógica da guerra e construir um mundo onde a justiça social e a paz sejam uma realidade concreta e cotidiana.

Larissa S.

Fonte: https://uafbr.noblogs.org/post/2024/09/20/rompamos-o-ciclo-de-violencia-sem-fim/

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sabiá quieto
o silêncio da tarde
pousa na antena

Camila Jabur

[Portugal] Eventos: A Lira Dileta e a Lira da Rebeldia

Foi recentemente publicada pela editora Opera Omnia a antologia poética do anarquista Joaquim Moreira da Silva, “A LIRA DILETA e A LIRA DA REBELDIA”. No próximo dia 3 de Outubro, pelas 18h, o Prof. Dr. Francisco Topa da Faculdade de Letras da Universidade do Porto irá fazer a sua apresentação pública na Casa Comum da U. do Porto. A iniciativa é da Comissão para as Comemorações dos 140 anos do Nascimento do “Poeta Carpinteiro” Joaquim Moreira da Silva. Sobre a vida e a obra do poeta vale a pena consultar a página que lhe é dedicada. Antologia será igualmente apresentada em Lisboa, pelo Prof. José Maria Carvalho Ferreira em data e local a anunciar brevemente.

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2024/09/25/eventos-a-lira-dileta-e-a-lira-da-rebeldia/

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Chuva impertinente…
Lá fora, escorregadio
O asfalto vazio

Fanny Luiza Dupré

[Espanha] Andrés Cabrera, o ‘youtuber’ anarquista: “Se sua vida é uma merda, não grite com um árbitro, grite com seu chefe”.

O jornalista, que deu uma guinada depois de ganhar meio milhão de seguidores como criador de conteúdo esportivo, publica seu primeiro romance, “Monrovia”, enquanto produz uma série de documentários sobre aldeias autogeridas

Por Jaime Lorite | Madri – 04 JUL 2024

Muitos graduados em jornalismo levam anos para encontrar, se é que conseguem, a estabilidade desejável na profissão para a qual foram treinados. Andrés Cabrera (Madri, 32 anos), logo após concluir seus estudos na Universidade Complutense, buscou seu espaço fora da mídia tradicional e se tornou um dos precursores do jornalismo esportivo on-line com canais como Campeones e Charlas de fútbol, ambos no YouTube, junto com Guillermo González e Juan Arroita. “Em três anos, foi um fenômeno no mundo de língua espanhola, alcançamos meio milhão de seguidores. É uma loucura poder viver disso, porque em uma situação como essa, muitas marcas estão procurando por você”. Mas Andrés, que evita os parâmetros da meritocracia e é rápido em apontar que “ganhar a vida com isso é a exceção e haverá pessoas que farão isso melhor sem serem bem-sucedidas”, reconhecendo que não estava feliz.

“Eu chegava em casa e me sentia vazio. Eu estava deprimido. Tínhamos que produzir mais vídeos, gerar mais visualizações, não podíamos nos dar ao luxo de parar. Com seus fins de semana “hipotecados” pelo futebol, o jornalista também viu sua vida pessoal reduzida a um círculo de contatos com os quais tinha pouco em comum. “Venho de uma família da classe trabalhadora. De repente, entre 2014 e 2016, eu estava indo muito bem no meu trabalho como jornalista e comunicador e me vi com pessoas com as quais eu não estava acostumado a lidar, até mesmo youtubers com conversas que não eram nada parecidas com as que eu tinha com meus colegas de toda a vida. Eu me sentia como alguém de fora”, lembra ele. “Também não tínhamos chefes, mas tínhamos reuniões com pessoas com códigos de que eu não gostava, muito falsos, que só queriam arrancar dinheiro de você e fingiam se preocupar com você. Um episódio ficou na minha memória: tomar um café com um empresário que deixou uma gorjeta de 10 euros, como uma demonstração absurda de poder, de olha como eu tenho dinheiro de sobra”.

Uma breve estadia em um centro social ocupado em Atenas, onde ele chegou por meio de amigos, é o ponto de não retorno que ele estabelece em seu processo de conscientização. “Eu estava em um momento completamente diferente da minha vida em Madri, mas meus amigos estavam passando por algo assim diariamente. Eu não esperava por isso. Vi coisas que nunca tinha visto antes, estruturas de poder violentas que me fizeram pensar. Comecei a ler certos textos, me identifiquei com eles e, em 2019, decidi deixar o jornalismo esportivo. Entrei para a CNT e participei de projetos como uma estação de rádio gratuita, uma horta coletiva e uma biblioteca social em Granada. Agora, Cabrera publicou seu primeiro romance, Monrovia (Distrito 93), no qual reflete indiretamente as questões, inseguranças e também contradições com as quais viveu nos últimos anos.

À maneira de um romance de ideias, Monrovia baseia-se essencialmente em uma série de diálogos entre uma jovem, Marta, seu pai Leo e seu amigo Marcos, enquanto, escondidos em um navio de contêineres, os três fogem de seu país, onde houve uma escalada do autoritarismo. Diversos episódios em flashback abordam esse contexto. Para tornar a história universal, o livro não especifica qual país está envolvido. “A Monróvia fala muito sobre contradições e eu me sinto muito orgulhoso, porque é importante saber que a consciência é uma coisa e as contradições são outra. Marta tem um discurso muito forte, mas ela se sente traidora de seus amigos e sua personalidade cansa as pessoas que não estão no mesmo ponto vital. Não podemos ser perfeitos como pessoas ou como revolucionários, o que temos de buscar são ferramentas coletivas. Duas mãos entre 47 milhões de habitantes é pouco, mas em sua aldeia ou bairro elas têm influência para impedir um despejo, organizar-se em uma assembleia ou em um sindicato”.

Embora admita ter colocado a maior parte de sua ideologia no personagem principal, o escritor dispersou suas preocupações e experiências em todos os seus personagens. Por exemplo, em Marcos, um professor que dirige um programa de música em uma estação de rádio local até começar a receber ameaças, há certos ecos de sua biografia. “Há um momento em que estou fazendo vídeos no YouTube que muitas pessoas assistem toda semana e começo a dar pequenas pílulas políticas. Isso faz com que eu receba alguns comentários ou e-mails ameaçadores. Talvez não sejam muitas pessoas, mas isso o coloca em alerta, porque não é irracional encontrar-se em um campo de futebol com a pessoa que lhe enviou a ameaça”, explica. “Com o livro, tento tornar compreensível a posição de Marcos, que sabe que o mundo é injusto, não consegue enfrentá-lo, passa o verão sem sair de casa e toma a decisão lógica de ir para longe. Em certos momentos de minha vida, já estive na situação de: eu penso assim politicamente, mas o mundo caga para mim, então é melhor eu não me envolver”.

Uma das inspirações claras que Andrés reconhece é a escritora e colunista Layla Martínez, cujo ensaio Utopia não é uma ilha (2020), uma jornada histórica por “vitórias amargas e fracassos gloriosos” por meio de experiências como sociedades piratas ou pan-africanismo, cita implicitamente no livro. “Muitas pessoas imaginam o fim do mundo antes do fim do capitalismo. Gostei muito da ideia de Layla de reivindicar e comemorar as vitórias, porque, caso contrário, não podemos pensar que algo pode ser alcançado”, reflete ela. “Se pensarmos apenas nas derrotas, acabaremos paralisados e desistindo. Temos a tendência de pensar que as utopias são inatingíveis, mas já vivemos em uma, a dos capitalistas. Eles imaginaram um mundo em que ninguém tocaria em seus órgãos de poder ou em sua propriedade privada, e conseguiram transformá-lo em realidade”.

Sobre o caminho de Labordeta

Descobrir como as mudanças são possíveis e como existem organizações sociais bem-sucedidas fora do capitalismo é precisamente o objetivo de Una utopía en la mochila, uma série de documentários informativos que Andrés Cabrera iniciou em 2023. No momento, ela consiste em dois episódios longos (mais de 90 minutos cada), o primeiro sobre um vilarejo autogerido em Huesca – que ele não identifica para evitar visitas inesperadas ou repressão como a sofrida por Sasé, também na província de Huesca, nos anos 90 – e o segundo sobre Almócita (Almeria), que segue um modelo de democracia participativa, com uma moeda social e uma cooperativa de energia. Embora sua narrativa seja orientada para o formato de podcast, os capítulos são apoiados pelo YouTube, quase sem mostrar rostos, para que o espectador possa ver com seus próprios olhos o funcionamento e a materialização desses projetos coletivos. Desde o título, uma alusão direta ao programa da TVE Un país en la mochila (1995-2000), até as músicas de abertura e encerramento (Somos e Canto a la libertad, respectivamente), Cabrera deixa explícita sua dívida com o cantor, compositor, escritor, político e professor aragonês José Antonio Labordeta.

“Labordeta era um grande comunicador e, como pessoa politicamente influente, eu o considero muito interessante. Em Un país en la mochila, ele deixou mensagens muito importantes, sem dizer a você o que fazer, apenas mostrando outros modos de vida e, é claro, se posicionando contra a injustiça”. Cabrera não hesita em descrever o escopo de sua série como “minoritário”, em comparação com a época em que ele comentava, analisava e informava sobre futebol. Mas ele não se importa. “Vindo do jornalismo esportivo, eu tinha uma amálgama bestial de seguidores e alguns não toleravam nada, como o refrão de não misturar futebol e política. Continuei nessa linha e foi por onde passei. Houve muitos que pararam de me seguir e outros que, tendo me seguido por dez anos por causa do futebol, continuaram assistindo ao que eu faço, porque gostam, entendem ou se interessam pelo assunto. Esses são os menos numerosos, claramente, a maioria deles foi embora. Mas agora, quando me posiciono com algo como as 6 de La Suíça, não recebo críticas ou ódio, porque as pessoas que me seguem esperam esse conteúdo e sabem quem eu sou. Sinto-me mais à vontade. Tomei uma boa decisão”.

Andres mantém um pequeno espaço profissional dedicado ao esporte, o podcast Koppola. “Começamos em 2018, quando eu já tinha alguma certeza de para onde queria levar minha vida, e é um espaço mais irreverente, com amigos de carreira para que eu pudesse falar o que quisesse e até criticar coisas do jornalismo esportivo que eu não poderia falar em outras áreas”, explica. Ele também esclarece que, embora tenha se distanciado, não compartilha “da visão elitista daqueles que dizem que o futebol é o ópio do povo ou que todos os que acompanham futebol são bezerros”. “Na vida, tem de haver espaço para o lazer, e se esse é o seu lazer, tudo bem. Mas você tem de ver as coisas como elas são. Já chorei pelo futebol, de alegria e de tristeza, e em que momento ele canalizou outras frustrações? O fato de sua vida ser péssima de segunda a sexta-feira não justifica gritar com um árbitro no sábado. Talvez você tenha que gritar com seu chefe.”

Profissionalmente, ele admite ter algumas lembranças ruins, como a “desumanização” que sofreu como estagiário ou o machismo de parte do setor: “Eu não gostava de redações esportivas. Em uma mídia em particular, não contratavam mulheres porque o chefe dizia que elas atrapalhavam”. Entretanto, seu amor pelo futebol e sua dedicação a ajudaram a desenvolver outros interesses. “Sempre me interessei pelo futebol como um fenômeno sociológico. Por meio da história, é possível entender muitas coisas sobre o futebol e vice-versa. Por exemplo, a guerra dos Bálcãs e os grupos ultras na antiga Iugoslávia”. Em 2020, ele lançou o ¡Menuda historia!, um podcast em que pôde dar vazão à leitura e à documentação sobre a história mundial que vinha cultivando há algum tempo.

“Achei gratificante ver que muitas pessoas reconheceram meu trabalho, vindo do jornalismo esportivo, fazendo outro projeto e que também gostaram dele. Eu me martirizava bastante para ler, mas tudo bem, acho que é preciso continuar aprendendo mesmo quando se tem 80 anos. Quando você para de aprender, começa a ficar entediado. Andrés certamente não fica entediado. Ele conta que acabou de passar vários meses em um vilarejo autogerido, fala sobre a emoção que sentiu ao comer tomates que ele mesmo plantou e como se libertar do “medo de cometer erros” típico da iniciativa privada, “por causa das perdas ou das repreensões que isso poderia acarretar”, o ajudou a assimilar com entusiasmo o funcionamento da biblioteca social em que trabalhava em Granada. Aprender com a liberdade “de não olhar o mundo de forma capitalista”, ele enfatiza, sem ser guiado pelo lucro econômico em si. E depois, é claro, para disseminar o que ele aprendeu.

Fonte: https://elpais.com/icon/2024-07-04/andres-cabrera-el-twitcher-anarquista-si-tu-vida-es-una-mierda-no-grites-a-un-arbitro-grita-a-tu-jefe.html?ssm=TW_CC

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ufa! que parece
que a gente vai caminhando
com o sol às costas!…

Jorge Fonseca Jr.

[Reino Unido] Saiu o volume 4 da revista Wildfire!

O volume 4 da revista Wildfire chegou! Estamos muito empolgados por tê-la em nosso site e não poderíamos recomendá-la mais!

Mais de 60 páginas lindamente desenhadas sobre libertação animal, anarquismo, ação direta e apoio a prisioneiros em papel fosco, com artigos incríveis que vão desde como avaliar corvídeos antes de soltá-los das armadilhas, anarquismo no movimento de libertação animal e a história em quadrinhos “Blackmask” da Praxis para completar.

Estamos vendendo por £4 mais frete e enviamos para todo o mundo, portanto, adquira uma em nosso site e compartilhe com todos os seus camaradas!

O site @wildfire.zine distribui zines em todo o mundo, portanto, verifique com eles se você pode apoiar um grupo local comprando um exemplar nas proximidades e diga aos seus grupos locais para disponibilizarem o Wildfire também!

Esperamos que você goste da leitura, sempre em prol dos animais!

Compre aqui: https://unoffensiveanimal.is/product/wildfire-vol-iv/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Amigos no bar.
A chuva de primavera
estica a conversa.

Alberto Murata

[Portugal] Evento: Exposição revista A Ideia – 50 anos

Decorre entre 10 de Outubro e 14 de Dezembro de 2024 na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, a exposição comemorativa da revista de cultura libertária. A exposição é comissariada por António Cândido Franco e por João Freire com a colaboração de Jorge Rodolfo Ferreira e Mara Rosa.

O n.º 1 de A Ideia (edição de lançamento) encontrava-se numa tipografia de Paris em Abril de 1974, tendo apenas sido reescrito o seu editorial quando foi conhecida a revolução do 25 de Abril em Portugal. Sempre sob o impulso de João Freire, a revista prosseguiu depois a sua existência em Lisboa através de várias fases, em consonância com o quadro nacional e mundial envolvente: desde o inicial «Órgão anarquista específico de expressão portuguesa», de feição muito militante e artesanal; seguindo-se nos anos 80 a «Revista de cultura e pensamento anarquista» com um acentuado interesse nos novos campos sociais do feminismo, da ecologia e do pacifismo e contando já com a colaboração de Miguel Serras Pereira e Vasco Rosa que ajudaram a criar um muito considerável pendor literário e artístico; registou um certo apagamento nos anos 90 e um reaparecimento efetivo em 2001 como «Revista libertária»; até que, em 2013, sob a orientação do seu antigo colaborador António Cândido Franco, se assumiu como «Revista de cultura libertária». Mas sempre por mor da iniciativa de um pequeno grupo editor muito fraterno e independente.

A Exposição revista A Ideia – 50 anos desdobra-se por 3 áreas temáticas – Hoje e tempos iniciais; a sua Expansão cultural; e, ao fundo, Bem acompanhados por outros – mediante uma dezena de expositores horizontais com variadas espécies e algumas aposições verticais de maiores dimensões (cartazes, etc.). Designadamente, o visitante encontrará artefactos originais de:

  • Sucessivas edições da revista na sua evolução e diversidade gráfica (1974-2024);
  • Edições de livros (cooperativa Ed.ª Sementeira), folhetos, cartazes e outros materiais
    gráficos;
  • Fotografias de pessoas e atividades do grupo editor;
  • Correspondência ou documentos administrativos e objetos iconográficos relativos à revista;
  • Publicações libertárias portuguesas deste período, com destaque para o jornal A Batalha;
  • Publicações libertárias de diversos países com as quais A Ideia teve especial
    relacionamento;
  • Vídeo da autoria de Mara Rosa de entrevistas a protagonistas, correndo em contínuo
    em visualizador (extrato de Luz Negra).

Todas as peças expostas estão devidamente legendadas pelos organizadores. A sua proveniência é quase toda do Arquivo da Cultura Portuguesa Contemporânea/N61 (inicialmente Arquivo Histórico Social) da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), com algumas de coleções particulares, que ficarão doravante integradas naquele mesmo espólio da BNP.

Durante o período da exposição está prevista a realização de quatro iniciativas:

15 out. debate Heranças de Maio de 68 | Auditório | 17h30-19h30

19 nov. filme Luz Negra | Sala de Projeção | 17h30-19h30

3 dez. filme Memória Subversiva| Sala de Projeção | 17h30-19h30

14 dez. revista nº 104/106 A Ideia(2024) | Auditório | 15h30-17h30

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2024/09/25/evento-exposicao-revista-a-ideia-50-anos/

agência de notícias anarquistas-ana

Formigas carregam
uma de suas nas costas:
são todas viúvas.

Everton Lourenço Maximo

[São Paulo-SP] Veganasso Pré-Feira Anarquista ZL

Salve camaradas!

Saiu finalmente o cartaz do evento do dia 6 de outubro que estamos organizando com a Biblioteca Terra Livre em São Paulo em apoio a Feira Anarquista de São Paulo, só que desta vez vai ser em Ermelino Matarazzo no Espaço Vegano da Zona Leste.

Haverá algumas banquinhas para expor seu material, assim entre em contato o quanto antes.

O debate Existe Política Além do Voto será as 16 horas, então cheguem cedo para fortalecer.

Tocarão as bandas Ordinária Hit e também Mosca Negra. A entrada colaborativa será revertida para os artistas que se apresentarem.

Esperamos vocês neste dia!

agência de notícias anarquistas-ana

A noite caminha.
No negrume, o vaga-lume
acende a bundinha.

Flora Figueiredo

Nada é escolhido nas eleições

A GRANDE CELEBRAÇÃO DA DEMOCRACIA

Algum cretino teve a ideia de chamar as eleições de “a grande festa da democracia”, o que é verdade no sentido de que as eleições são o principal argumento de uma grande mentira que o capital celebra a cada 4 anos.

Nada é escolhido nas “eleições”, além de ratificar a gestão política de um modo de produção catastrófico (capitalismo) que está nos arrastando para a destruição.

Não escolhemos aumentar os preços, não escolhemos a política energética, não escolhemos o custo da moradia… nenhuma das questões que afetam nossa sobrevivência de um lado para o outro está fora do curso da economia política, essa engrenagem automática feita de exploração, guerra, miséria… e dedicada à acumulação de capital e ao lucro de uma minoria contra o empobrecimento da imensa maioria.

As eleições apenas mascaram essa realidade.

Não apenas não escolhemos nada realmente consistente, mas nada é elegível no reino da mercadoria. Se realmente nos pedissem para “votar” sobre o aumento ou não dos preços dos alimentos, a decisão da maioria (logicamente para baixá-los) não teria aplicação prática, a dinâmica econômica do capital se imporia por sua própria lógica ditatorial a qualquer “voluntarismo” bem-intencionado.

A “escolha democrática” é, na verdade, um processo de mão dupla:

  • Selecionar um bando (ou seja, o governo do dia) de oportunistas, cínicos e canalhas que, ao se colocarem em posições supostamente antagônicas (esquerda e direita), administrarão o curso criminoso da economia capitalista, de forma análoga uns aos outros.
  • Para sustentar, com um gesto vazio, um sistema que não pode ser “reformado”, que toda “reforma” torna mais forte e que só pode ser confrontado pela revolução mundial, sua organização e seu programa histórico.

DA PUNIÇÃO AO MAL MENOR

A abstenção costuma ser a rainha da festa, superando o partido com mais votos. Não estamos nos enganando, sabemos que a abstenção não significa um aumento da consciência crítica sobre o estado atual das coisas, embora signifique algo: a maioria sabe que, ao votar, nada muda, tudo permanece em sua podridão e continua seu curso. É a evidência de uma observação lógica: o cansaço de um circo sem graça.

Mas o sistema precisa de legitimidade, precisa fazer com que ele próprio e nós acreditemos que participamos dele, que acreditamos nele. Ele precisa que digamos repetidamente que, apesar de sua nudez óbvia, “o rei está vestido”, mesmo que ele esteja mal vestido, mesmo que ele seja brega.

E ele precisa que votemos (mesmo que apenas alguns), precisa de suas estatísticas e desse ato religioso e solitário, sem debate real, sem consciência real, que é jogar um pedaço de papel em uma espécie de aquário que sabemos estar cheio de tubarões. A maneira de “escolher” que o capital nos impõe representa graficamente sua essência mais cruel: atomizada, neurótica, absurda… escolher entre um punhado de mercadorias políticas que são substancialmente as mesmas e que, sem dúvida, servirão aos mesmos senhores.

Hoje, apenas duas motivações nos levam a votar:

  • Punir o governo que está saindo, por fazer tão mal (talvez até pior) quanto o planejado e contribuir para tornar nossa sobrevivência mais sufocante e mesquinha.
  • Escolher entre o ruim e o pior, como se tal chantagem pudesse ser chamada de “escolha”.

Essa segunda opção é o principal trunfo que será usado novamente nas próximas eleições para tentar aumentar o número de eleitores. Ou seja, considerar que o certamente corrupto PPeperos e seus parceiros corruptos da ultradireita representam uma ameaça maior do que uma esquerda que fez a política mais dura do capital, fazendo-a passar (como se fôssemos idiotas) por uma política de progresso e defesa dos interesses dos trabalhadores.

Para isso, eles recorrerão ao seu recurso habitual, convocando uma grande frente antifascista.

Pode-se argumentar, no entanto, que a presença das forças autodenominadas progressistas oferece a uma grande parte da população uma tábua de salvação muito necessária para enfrentar a já difícil vida dentro do capital. Mas, nesse caso, estaríamos caindo em sua mistificação ideológica, acreditando que temos o poder de decidir nosso destino dentro da estrutura estreita que o sistema nos oferece. Estaríamos dando a todo esse grupo de políticos habilidades que não lhes pertencem. Seus discursos e promessas, suas campanhas e mentiras oferecem apenas um vislumbre das tendências já evidentes nas ruas. E da mesma forma que os grupos mais conservadores não têm a capacidade de provocar regressões sociais, mas sim de ratificar os preconceitos racistas, patriarcais, lgtbifóbicos etc. existentes, os partidos de esquerda do capital não podem reverter as consequências devastadoras de uma crise cada vez mais aguda do capital.

Por trás de todas essas medidas sociais, tanto as aparentemente progressistas quanto as mais abertamente reacionárias, nada mais é revelado do que a impotência de um sistema partidário que tem uma estrutura de ação cada vez mais restrita; e, como bons marqueteiros, eles não têm escolha a não ser se adornar com um marketing impressionante que os diferencie do resto da concorrência.

Mas somos claros. Para o proletariado, o único campo de ação é a luta de classes.

O FRENTISMO COMO UMA DEFESA DO CAPITALISMO

Nada de novo sob o sol. Quando a esquerda do capital vê esgotada sua capacidade de recuperar a rejeição do mundo realmente existente e deixa claro que não está aqui para mudar nada, mas para manter tudo igual… então ela deve sacudir o fantoche do fascismo e tirar os mitos da guerra civil, das frentes populares e da luta antifascista da bota da memória.

Embora esses mitos nunca tenham existido e o cheiro de naftalina stalinista seja um pouco desagradável, há uma coisa que sempre funciona: o medo.

“Quando os bandidos vencerem, você vai descobrir”. É essa ameaça que exalta o medo e nos coloca em um futuro incerto e sombrio, no qual perderemos todos os nossos “direitos” e seremos subjugados por uma besta marrom. Nesse futuro, não poderemos manter nossa casa, a polícia virá para nos expulsar e, se você protestar, todo o peso de uma lei injusta e mordaz cairá sobre você; os jovens não poderão sair de casa, porque mesmo que tenham um emprego, os preços das moradias serão mais altos do que a lua; não conseguiremos pagar as contas, apesar de trabalharmos como animais em um, dois ou três empregos de merda; e isso no caso hipotético de ter um emprego, porque o normal será passar períodos mais ou menos longos de tempo desempregado; esqueça o lazer, esse espaço entre um dia e outro de exploração; e não tente cruzar a fronteira, pois policiais armados a guardarão dos dois lados e você será esmagado contra a cerca deles, sua morte será saudada por um ministro do interior “nazi-fascista”; e uma infinidade de outros horrores que esse futuro negro e tenebroso nos reserva… e tudo isso seria terrível, se não fosse pelo fato de que tudo isso foi e já é o equilíbrio rápido e na ponta dos pés dos últimos tempos e do governo mais progressista da história da Espanha. Como consequência lógica da política capitalista, o futuro (quem quer que governe) seguirá essa tendência e nenhuma outra. O pior é garantido por esse sistema e seu curso histórico, seja quem for o governante.

O fato de nos oferecerem a união e a luta em conjunto e em uníssono contra uma direita que nada mais é do que o outro lado da moeda da esquerda do capital é perverso. É vergonhoso que eles nos ofereçam para nos tornarmos um “cidadão” completo em defesa de sua democracia e de seus direitos de papel, que são o outro lado da moeda da exploração e do cansaço. O fato de eles finalmente quererem nos culpar se a direita vencer, o que é seu próprio reflexo não distorcido, é uma piada de mau gosto.

Ambos continuarão a nos pedir que eliminemos a vara com a qual o capital nos bate para substituí-la por outra vara que continuará a nos bater. Eles não pararão de gritar que os próximos criminosos que administrarão seus negócios cortarão nossas duas mãos, mantendo em silêncio que já cortaram uma (porque são o mal menor) e esperando a renovação da legislatura para cortar a outra.

Não existe uma escolha real entre esquerda e direita. Elas são as diferentes cores da mesma gestão cada vez mais catastrófica e perversa do capital. Não há mal menor. Não há melhoria real de nossas condições nesse sistema.

Nossa única opção é confrontá-lo, diretamente, globalmente, de fora e contra o Estado.

Fonte: https://barbaria.net/2024/09/24/nada-e-escolhido-nas-eleicoes/

agência de notícias anarquistas-ana

sob a árvore imóvel,
silêncio de pássaros dormindo;
paz na noite.

Alaor Chaves

Lula Hipócrita Farsa Ambiental

[Grécia] Comunidade Yfanet: 20 anos resistindo e criando

Por Raúl Zibechi | 02/07/2024

“Yfanet é uma ocupação muito importante em Tessalônica, com 20 anos de história. Mas ela não representa todo o movimento. Ela passou por mudanças durante todos esses anos. A crise de 2010-12 e as intensas lutas sociais aproximaram muitas pessoas da realidade. Na mente das pessoas do movimento, a Yfanet está relacionada principalmente à luta contra o nacionalismo grego”[1], diz Nikos Nikolaides, ativista veterano de causas sociais na Grécia.

A Yfanet era uma enorme fábrica têxtil que empregava cerca de 900 mulheres e que deixou de funcionar em 1967. O espaço foi ocupado por centenas de pessoas por meio de decisões coletivas em 20 de março de 2004 e aberto na cidade após 36 anos de abandono.

Os coletivos e as pessoas que ocuparam o espaço de 19.500 metros quadrados participaram de todas as lutas no início deste século, em especial do levante de dezembro de 2008 (após a morte a tiros de Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, por um policial), juntamente com milhares de pessoas dos bairros populares.

Durante as “lutas contra a austeridade” (2010-2012) impostas pelo governo de direita e pela União Europeia, eles participaram de assembleias de bairro que surgiram junto com o “movimento das praças” e tentaram impedir a implementação das leis de austeridade recusando-se a pagar pela água, bloqueando os custos hospitalares e outros.

Em 2011, os ocupantes da Yfanet apoiaram a greve de fome de 300 trabalhadores migrantes pela legalização e fizeram parte da luta contra a construção de minas de ouro em Halkidiki. Em seu site, eles enfatizam que, nos últimos anos, “concentramos nossa ação contra a política anti-imigração do Estado (ilegalização, repulsão, centros de detenção) e tentamos erguer barreiras contra o crescimento do nacionalismo grego”. No interior da ocupação, muitas assembleias foram formadas em torno da opressão de gênero, das relações de trabalho precárias, da gentrificação da cidade e do turismo de massa.

Autonomia e organização

A fábrica ocupada organiza uma variedade de atividades sociais e culturais, como shows, apresentações teatrais, festivais, projeções, apresentações de livros, cozinhas coletivas, assembleias de movimento.

Uma lista das atividades realizadas nos primeiros anos, que eles registraram pontualmente, revela que uma média de duas ou três ocorreram todos os meses, dependendo das estações e da realidade política do momento. A Yfanet está aberta aos movimentos e às mais diversas atividades, o que tornou a ocupação um ponto de referência inescapável para a resistência ao sistema.

Em conversas com os membros da ocupação, percebe-se que o núcleo permanente é formado por cerca de 60 pessoas, mas há mais de cem que participam ativamente da vida cotidiana da Yfanet. Uma delas, Lazaros Il., explica que onze coletivos funcionam na ocupação: o coletivo Yfanet, que é a assembleia política; a biblioteca e a livraria; o arquivo; o parque de bicicletas BMX; o cinema; o estúdio de música; o coletivo que organiza concertos punk faça-você-mesmo; o “Submarino”, um coletivo sobre criatividade e arte; o grupo de poesia; o grupo da horta; a fotografia e “o coletivo de moradia que também funciona como um lugar para receber os companheiros que nos visitam”.

Lazaros continua explicando a organização interna: “Todas essas pessoas, juntamente com alguns companheiros individuais, constituem a Comunidade Yfanet, que é a assembleia que ocorre uma vez por mês e discute as questões da ocupação, algumas ações políticas e publica uma revista”. Ele enfatiza que eles são financiados pelos lucros dos shows e pelas contribuições dos membros da comunidade e que, “para publicar nossos livros, temos um fundo independente que é financiado pelas vendas anteriores. Tudo na Yfanet, desde as cervejas até os livros, é vendido com uma doação gratuita. Isso significa que não estabelecemos um preço, mas que todos são livres para doar o quanto quiserem ou puderem pagar.

Um bom exemplo de auto-organização e solidariedade é o trabalho que eles fizeram para consertar um prédio com mais de um século de idade. Se eles não seguissem esse caminho, a continuidade do projeto estaria em risco, pois a Yfanet foi comprada pelo Ministério da Cultura do Banco Nacional e declarada monumento do patrimônio industrial. O despejo é sempre possível, porque o capital privado quer demolir o prédio para continuar a gentrificação da cidade.

Nesse contexto, eles decidiram que “os trabalhos de manutenção do edifício adquirem um conteúdo político” para não dar vantagens ao estado e ao capital. Em março de 2022, eles arrecadaram milhares de euros e iniciaram os trabalhos de manutenção da estrutura, com o apoio de colegas trabalhadores da construção civil, engenheiros e arquitetos.

Rotatividade de gerações e de gênero

Um grande número de jovens e mulheres pode ser visto nas atividades da ocupação. Mas esse foi um longo processo de afirmação dos movimentos italianos, diz Nikos. “Na Grécia, na década de 1990 e até o levante de dezembro de 2008, todos estavam tentando copiar algo do exterior: o movimento okupa da década de 1970, a autonomia italiana, a autonomia alemã, o anarquismo insurrecional, o anarco-sindicalismo clássico, os situacionistas, o anarco-punk…”.

Quando a esquerda chegou ao governo, o Syriza, em 2015, a esperança era tão grande quanto a decepção subsequente, “quando o SYRIZA se tornou um partido neoliberal”. Nikos continua com seu estilete: “Depois de dois anos “fáceis” (2008-2010), passamos por 14 anos muito difíceis para o movimento. Esse foi um período de julgamento: você desapareceria se não fosse resistente, se não tivesse algo a oferecer, se não tivesse uma boa dinâmica interna e perspectivas de auto-organização. Portanto, se a Yfanet conseguiu se manter forte, isso obviamente vale alguma coisa! Em geral, muitos coletivos que conseguiram amadurecer saíram fortalecidos. Coletivos que não estavam ligados à política eleitoral, que tinham uma boa dinâmica de gênero, que estavam presentes em muitas lutas sociais, que podiam discutir de boa fé e respeitosamente com diferentes opiniões dentro do movimento, que não adoravam a violência, mas não se afastavam de situações em que havia violência, que tentavam ter coerência entre palavras e ações”.

Em sua opinião, que parece ser de senso comum entre as pessoas organizadas abaixo e à esquerda, “a Yfanet atende a esses critérios e, felizmente, muitos outros coletivos do movimento também o fazem. Eles não fazem tudo da mesma forma, muitas vezes discordam, mas todos esses coletivos chegaram à mesma conclusão: a coisa mais preciosa que temos é um ao outro”.

Link para o filme sobre a ocupação: https://www.youtube.com/watch?v=32RnWdM5hZg

[1] O nacionalismo grego e nos bálcãs é muito diferente do latino-americano, já que está vinculado a uma identidade excludente das diferenças e supremacias que com frequência provoca limpezas étnicas. Essa ideologia impôs o capitalismo e o saque neoliberal nos bálcãs e a exploração dos migrantes albaneses na Grécia.

Fonte: https://desinformemonos.org/comunidad-yfanet-grecia-20-anos-resistiendo-y-creando/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Não sei teus gestos
nem a cor do teu sorriso
mas pressinto os passos.

Eolo Yberê Libera