[Chile] Rede de Luta e Propaganda: O legado de Luisa Toledo se mantêm | Auto-organização e barricadas!

Na madrugada de sábado, 06 de julho, enquadrados em uma investigação sobre a colocação de artefatos explosivos, são invadidos vários domicílios em diversas comunas da região metropolitana, assim como também a rádio Villa Francia e o espaço comunitário Pablo Vergara Toledo. As invasões concluem com um saldo de 14 pessoas detidas, dando um golpe repressivo aos espaços autônomos e comunitários e como um claro gesto de perseguição e tentativa de amedrontamento à luta, se escolheu a data em que faleceu nossa amada e incansável companheira Luisa Toledo e onde esse mesmo dia, se realizaria sua comemoração em Villa Francia.

Desde um primeiro momento, individualidades solidárias se aproximaram do espaço comunitário Pablo Vergara Toledo, sem assustar-se com a numerosa e aparatosa presença da bastarda polícia. No espaço se encontrou com os destroços deixados pelos lacaios. Sua crueldade e indolência que nunca surpreende, mas que sempre indigna um pouco mais, chegou ao ponto de arrebentar a sede “os anos alegres” de vovozinhos que está localizada atrás do mesmo espaço, onde adultos idosos realizam atividades recreativas. O espaço alberga diversas iniciativas autogestionadas e comunitárias como o Comedor Popular Luisa Toledo, várias oficinas e sempre é sede de incontáveis atividades solidárias para a autogestão de muitas e diferentes instâncias, como com os presos anarquistas, subversivos e mapuche, sempre desde a autonomia. Este espaço foi um bastião fundamental no tecido social e na auto-organização que se manteve, apesar de todas as adversidades, ao longo do tempo em Villa Francia, território que carrega uma resiliente história, que se mantêm no fogo das barricadas a cada data combativa.

Esse dia, apesar de seu show policial/midiático, apesar da forte presença dos lacaios uniformizados e civis, se realizou uma bela atividade comemorando uma vez mais a cativante Luisa, gente de toda a região metropolitana, cruzou a forte instalação das forças da ordem, para aproximar-se do espaço. Esse dia apesar da raiva e da dor pelas pessoas detidas, o poder não pode dobrar a vontade rebelde, sua indolência não pode silenciar os que carregamos sangue nas veias. Na noite, e como a cada 6 de julho desde sua partida, ainda com o tenso ambiente desse dia, se realizou o cortejo, culminando em ataques com fogo e chumbo da polícia na avenida 5 de abril, terminando um zorrillo [veículo antidistúrbio] completamente em chamas, fatos que curiosamente não se nomeiam na mídia. Tratam de mostrar uma vitória quando não ganharam.

No dia de hoje fazemos um chamado a manterem-se firmes e atentos aos devires deste novo golpe, à solidariedade anticarcerária permanente com os detidos, e a manterem os laços e a presença nos espaços afetados pela repressão.

Com a memória de Pablo, Eduardo e Rafael!

Com o fogo de Luisa Toledo sempre ardendo em nossos corações!

Auto-organização, Luta e Ação Direta!

Rede de Luta e Propaganda

Julho de 2024

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/19/chile-cartas-da-prisao-dos-que-foram-detidos-recentemente-em-villa-francia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/16/chile-exigimos-a-libertacao-imediata-e-incondicional-dos-presos-do-caso-de-villa-francia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/09/chile-a-seguir-de-pe-frente-aos-fatos-registrados-em-6-de-julho/

agência de notícias anarquistas-ana

Uma libélula –
À frente da bicicleta
Onde quer que eu vá.

Shôko Inomori

Cinco Provocações Sobre a Inexistência de Deus

Abertamente inspirado pela releitura do livro Doze Provas da Inexistência de Deus, de Sebastien Faure, resolvi discorrer sintética e provocativamente, sobre as cinco provas da inexistência de qualquer entidade deísta – parodiando Tomás de Aquino e sua obra “Cinco Vias que Provam a Existência de Deus”.

De início, sabemos que a existência de Deus é um dos temas mais debatidos ao longo da história humana, com argumentos tanto a favor quanto contra sua existência. Nestas parcas linhas, abordaremos cinco provas da inexistência de Deus, explorando, sem qualquer intenção de esgotar o tema, algumas proposições que contestam a crença em uma entidade divina. Este exercício não visa desrespeitar crenças pessoais de ninguém, mas sim fornecer uma análise crítica com base em argumentos racionais e empíricos.

O Problema do Mal

O problema do mal é um dos argumentos mais antigos e debatidos contra a existência de Deus, questionando como um Deus onipotente, onisciente e benevolente pode aceitar a existência do mal no mundo. Pensadores como Epicuro e David Hume defendem que a presença do mal, seja moral (ações humanas) ou natural (desastres naturais), é incompatível com a existência de um Deus bom e todo-poderoso. Por consequência, se Deus fosse capaz de impedir o mal e quisesse fazê-lo, o mal não deveria existir.

A Incoerência dos Atributos Divinos

Esta ideia indica que os predicados tradicionalmente associados a Deus são logicamente incoerentes. Por exemplo, a onipotência (poder ilimitado) e a onisciência (conhecimento absoluto) podem entrar em conflito. Se Deus sabe tudo que vai acontecer, ele não pode mudar o futuro, o que limita sua onipotência. Filósofos como J.L. Mackie exploram sagazmente essas incoerências, questionando se um ser com esses atributos pode realmente existir.

A premissa da Causalidade

O argumento da causalidade, também conhecido como o argumento cosmológico (ou ainda argumento da causa primeira), afirma que tudo que existe tem uma causa. Todavia, este argumento pode ser usado também contra a existência de Deus, já que se tudo precisa de uma causa, Deus não escaparia dessa lógica e precisaria igualmente. Postular Deus como a “causa não causada” (defendida por Tomás de Aquino) cria uma exceção especial sem justificação. Richard Dawkins e outros ateus argumentam que a existência de Deus não resolve o problema da causalidade, mas apenas o adia furtivamente.

A Tese da Evidência Insuficiente

Bertrand Russell e outros críticos argumentam que não há evidências suficientes para justificar a crença em Deus, comparando, por exemplo, a crença em Deus com a crença em outras entidades não comprovadas, como o unicórnio ou o dragão invisível na garagem. A ausência de evidências tangíveis e verificáveis coloca a existência de Deus no mesmo campo das crenças infundadas e supersticiosas.

O Argumento do Naturalismo Científico

O naturalismo científico sustenta que tudo no universo pode ser explicado por leis naturais e fenômenos físicos, sem a necessidade de postular um ser sobrenatural. Avanços em cosmologia, biologia evolutiva e neurociência, apesar de estarem em sua maior parte embebidas de Capitalismo, ajudam a fornecer explicações naturais para a origem do universo, a diversidade da vida e a consciência humana. Cientistas, como o finado Stephen Hawking, argumentam que a ciência, gradualmente, elimina a necessidade de um Deus para explicar o mundo que nos cerca.

Concluindo…

As cinco provocações acima oferecem uma análise crítica (e que merece ser aprofundada pelo leitor) de algumas das razões para duvidar da existência de uma entidade divina. Embora esses argumentos não possam definitivamente provar a inexistência de Deus, eles levantam questões importantes e desafiam as crenças teístas, fornecendo material argumentativo para um debate necessário sobre a natureza da fé e da razão.

Recordo, derradeiramente, o inesquecível Mikhail Bakunin, para quem a existência em Deus implica necessariamente a escravidão de tudo abaixo dele. Ele dizia que se Deus existisse, só haveria um meio de servir à liberdade humana: seria o de deixar de existir.

Liberto Herrera

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/17/um-argumento-a-favor-do-ateismo/

agência de notícias anarquistas-ana

Algo de dança
nas algas,
quase canção dos corais.

Yeda Prates Bernis

 

[Espanha] Gênova 2001: Ninguém morre para sempre

Voltamos a recordar, um ano mais, a Carlo Giuliani em outro aniversário de seu assassinato nas mãos de um policial. De sua morte, no contexto da contra cúpula organizada pelo Movimento Antiglobalização por causa da reunião do G-8 na cidade italiana de Gênova, passaram já 23 anos.

Um jovenzinho Carlo, de tão somente 23 anos, se encontrava participando e colaborando nos protestos e mobilizações que se prepararam durante aqueles dias na cidade. Na sexta-feira, 20 de julho, Giuliani decidiu ir à manifestação (previamente autorizada) de “Os Desobedientes”. Em algum momento da mesma, e após horas de duros enfrentamentos com a polícia, os manifestantes decidiram entrar na zona “Rossa”, que estava cercada por ser o lugar mais próximo do qual ia dar o encontro nesse dia dos dirigentes dos países mais poderosos do mundo.

Aqueles enfrentamentos foram agudizando-se e deram lugar a momentos de muita tensão entre manifestantes e forças de repressão do Estado italiano. Em algum momento da tarde, e no transcurso daqueles distúrbios, justo na Rua Caffa e perto da Praça Alimonda, escutaram-se dois disparos que saíram de um veículo “land rover” militar.

Carlo estava no solo em um grande charco de sangue. Um policial lhe tinha disparado desde muito poucos metros na cabeça, ferindo-o de morte. Estando ainda no solo, seu condutor (outro policial) não duvidou em passar por cima dele até em duas ocasiões, produzindo mais dor e agonia. Carlo faleceu quase no ato. Seus companheiros e os médicos que o atenderam no mesmo lugar onde foi ferido não puderam fazer absolutamente nada para evitar aquele injusto final. A raiva era imensa e as imagens de seu corpo inerte no solo, com um lençol por cima, rodeado de policiais, deu a volta ao mundo.

A polícia teve, tem e sempre terá licença para assassinar e para seguir impunemente entre nós depois de fazê-lo. Mario Placanica, o carabineiro que assassinou Carlo Giuliani, foi absolvido por um tribunal que alegou que o agente “atuou em defesa própria ao enfrentar o manifestante e que não o matou de maneira premeditada, nem empregando uma força excessiva”. Mas as imagens daqueles momentos mostram outra realidade, e o crime contra o jovem anarquista genovês segue sem resolver-se.

No dia seguinte da morte de Carlo, a polícia entrou na Escola Díaz. Este era um espaço que tinha se habilitado pelos movimentos sociais para receber os ativistas que chegaram de diferentes partes do mundo, mas também acolheu a imprensa internacional. O que aconteceu na Escola Díaz durante umas horas daquela noite serviria perfeitamente para escrever qualquer filme de terror. As forças policiais italianas irromperam no edifício, arrasando literalmente tudo o que encontraram em seu caminho. Pegaram e torturaram a todas as pessoas que estavam dentro naqueles momentos, a maioria delas só dormiam, pelo que a resistência aos antidistúrbios foi nula. Ninguém teve a menor possibilidade de fugir, esconder-se ou defender-se.

Quem morre lutando vive para sempre. Por isso, todos os dias são 20 de julho.

A Carlo.

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/23/italia-carlo-giuliani/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/21/carlo-giuliani-presente/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/07/23/italia-video-genova-lembra-carlo-giuliani-15-anos-apos-sua-morte/

agência de notícias anarquistas-ana

Funazushi –
Sobre o castelo de Hikone
paira uma nuvem

Buson

Chamado à solidariedade com o Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA de Cuba.

Desde Cuba companheiras e companheiros do Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA nos manda mensagem para solicitar apoio solidário do anarquismo internacional para acondicionar seu local e poder seguir com suas atividades.

Não se pode omitir a importância de um centro social anarquista em plena ditadura, pelo que é de suma importância que nos solidarizemos na medida de nossas possibilidades.

Mensagem do Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA:

O Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA, único espaço explicitamente anarquista em Cuba vai completar 6 anos de adquirido e fundado, graças à solidariedade internacional anarquista. 

Nestes momentos algumas partes da casa de dois pisos estão sofrendo problemas de rachaduras e infiltrações, o qual necessita uma reparação para a qual não contamos com recursos próprios para realizar e para isso recorremos a vossa ajuda.”

Para contribuir com o Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA enviar dinheiro para a seguinte conta no México:

Beneficiário: Felipe Matias Reyes

CLABE: 646069206840161874

Número de cartão: 5428780122809395

Instituição: STP

Pode se colaborar desde qualquer país, só pôr em referência “”Solidaridad” para ter um controle preciso do apoio solidário que se credite.

A solidariedade é nossa melhor arma.

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/25/cuba-a-repressao-aumenta-em-havana-centro-social-e-biblioteca-libertaria-abra-na-mira-da-policia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/05/12/abra-um-novo-empenho-autoemancipatorio-em-cuba/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/05/05/cuba-anarquia-em-festa-inauguracao-do-centro-social-e-biblioteca-libertaria-abra-ocorre-hoje-dia-5-de-maio-em-havana/

agência de notícias anarquistas-ana

Orquestra mágica
Balanço sussurrante das árvores
A maestria do vento.

Clície Pontes

[Colômbia-Venezuela] Inscreva-se no Festival de Cinema Anarquista 2024

Está sendo preparada a segunda versão do Festival de Cinema Anarquista, que será realizado em Medellín, Bogotá e Caracas.

Por isso, se você é apaixonado por cinema, estamos abrindo a chamada para cineastas que tenham documentários ou curtas-metragens com conteúdo relacionado ao anarquismo em geral.

Temas específicos como antifascismo, feminismo, antiautoritarismo, antiespecismo, entre outros, também podem participar.

Datas: O material será enviado para mentesendisturbio@gmail.com até 30 de setembro – Saiba mais em mentesendisturbio.com.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/01/argentina-o-que-sao-os-festivais-de-cinema-anarquista/

agência de notícias anarquistas-ana

um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

Flecheira Libertária 771 | “Não há política que prescinda da obediência dos súditos. Isso é a política.”

para os que clamam por direitos

No Caribe, na ilha que, um dia, foi o farol para muitos de esquerda na América Latina, assiste-se ao aumento do pauperismo no dia a dia. Uma situação similar a de localidades vizinhas, chamadas, ao longo do século XX, de “Terceiro Mundo”. Os velhacos pressupostos dos socialistas, com seus diagnósticos e projeções de futuro, foram para o bueiro, assim como muitas das experiências às quais defendiam com unhas e dentes. Isso pode ser constatado no cotidiano das pessoas que vivem na ilha. Para além da falta de alimentos, medicamentos, energia, combustível etc., companhias do setor açucareiro correm atrás de mão de obra – barata, é claro. Em mais um contexto no qual muitos ultrapassam, pelo mar, as arbitrárias fronteiras impostas pelas forças de segurança, burocratas do Estado convocam presos para trabalhar nas colheitas de açúcar. É o tal do direito ao emprego…

em direção ao bueiro

Há mais de 50 anos, os campos estavam repletos de pessoas cuja “esperança” era construir o paraíso terreno por meio da revolução. Hoje, as mesmas funções estão sendo executadas por algumas das inúmeras pessoas que, ao longo dos anos, foram encarceradas pelo Estado revolucionário, seja pela tal da “traição à pátria” ou quaisquer outras ações classificadas como criminosas. Para os que não sabem ou fingem ignorar, os revolucionários profissionais sempre gostaram de prender. Nisso, foram “eficientes”. E a “esperança”, não é novidade, também pode ir em direção ao bueiro ao lado das teorias de outrora.

algumas caricaturas

Nos próximos dias, em um país próximo e com grandes reservas de petróleo, caricaturas dos profissionais da revolução de outrora convocam o “povo” para o que chamam de um dos acontecimentos mais importantes da história da Venezuela: a eleição (sic). O caudilho de plantão, ao exercitar sua interminável retórica e seu caricato rebolado, pede mais empenho ao que restou de seu rebanho, mesclando reggaeton e homenagens a Simón Bolivar. Essa é à esquerda latino-americana do século XXI. Enquanto isso, muitos, provavelmente, buscam, como podem atravessar as fronteiras. Afinal, em situações como essa, cada um encontra os seus meios para sair das terras classificadas pelos Estados como território.

os que perderam o gps

Os progressistas funcionais ao crescimento dos reacionários se mostram preocupados diante do crescimento da ultradireita nos EUA. Após os tiros no comício Republicano, não hesitaram em se pronunciar em suas redes sociais em defesa da moderação, do repúdio à violência e da democracia. Enfim, trata-se do velhaco discurso político de sempre. Os de ultradireita, por sua vez, saíram melhor na foto, colocando-se como aqueles que travam uma batalha e colocam a vida em risco em prol do rebanho. Para os que se dedicam ao negócio da política, o importante, nesse caso, é se projetar como o melhor pastor possível. Como os candidatos a pastor do “progresso” não encontram o GPS, as ovelhas marcham em direção ao outro lado. No final das contas, não há política que prescinda da obediência dos súditos. Isso é a política.

lucratividade proibicionista

Sob a moral dos imbecis, a proibição às drogas permanece e o mercado é ampliado, cada vez mais lucrativo. Depois da heroína e do fentanil malhados, chega ao mercado livre ilegal governado pela polícia, o tribunal e a moral dos imbecis com imbecis, o opioide malhado mais-mais: NITAZENO.

Fonte: https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/07/flecheira771.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

a cigarra canta
enquanto orquídeas florescem:
cada um na sua

Gustavo Felicíssimo

[Alemanha] “Destruição ambiental, exploração, condições coloniais” – é isso que os cruzeiros significam

Em 7 de julho de 2024, ativistas do grupo de ação “Smash Cruiseshit” bloquearam dois navios de cruzeiro no Canal do Mar Báltico com caiaques. Há agora uma entrevista de rádio atual falando sobre isso.

No porto de Kiel, o navio de cruzeiro AIDA Bella foi impedido de zarpar por várias horas. Outros ativistas ficaram no telhado da usina de energia em terra. De acordo com os ativistas, o protesto faz parte de uma ação direta em toda a Europa contra a indústria de cruzeiros. Alguns dos manifestantes foram presos provisoriamente pela polícia.

Em uma entrevista para a Radio Dreyeckland, um dos ativistas envolvidos na ação de 7 de julho forneceu informações sobre os motivos e o curso da ação de bloqueio.

>> Escute a entrevista aqui:

https://rdl.de/beitrag/umweltzerst-rung-ausbeutung-koloniale-verh-ltnisse-das-bedeuten-kreuzfahrten

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/24/franca-icone-dos-mares-simbolo-de-um-mundo-em-colapso/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/08/30/grecia-cruzeiros-a-exploracao-turistica-absoluta/

agência de notícias anarquistas-ana

O gato Nako
no telhado
namora a lua

Yara Darin

[Argentina] Atividade Anticarcerária em La Plata

Vamos tirar o companheiro Francisco Solar do isolamento!

Francisco Solar Domínguez, um prisioneiro anarquista condenado a 86 anos de prisão pelo Estado chileno por atacar aqueles que sustentam e gerenciam a repressão. Ele está atualmente sob um regime prisional excepcional que exacerba sua prisão.  O regime de isolamento dentro do confinamento é uma política repressiva por parte do Estado para separar os companheiros; e para atacar os setores organizados em lutas concretas, que hoje se manifesta no encarceramento em massa: prisioneiros da revolta, prisioneiros mapuches, anarquistas, subversivos e antiespecistas, somando os últimos 14 prisioneiros em Villa Francia.

Nessa situação, entendemos que o caso de Francisco não é isolado, é uma ação política definida por governos democráticos que utilizam as prisões como meio de repressão não só no Chile, mas também no território dominado pelo Estado argentino, que utiliza os mesmos mecanismos repressivos contra aqueles que se rebelam.  Por isso, desde a autonomia e do horizonte da ação política concreta em nosso território, propomos a discussão: “Prisão política, regime carcerário e a situação do companheiro anarquista Francisco Solar”, que posição tomamos quando um companheiro é preso, aqui e em outros territórios, o que entendemos por solidariedade?

O dia escolhido é sábado, 27 de julho, a partir das 15h00 (Consultar local por interno). Teremos uma pequena feira de livros e fanzines, uma mesa de difusão anticarcerária, cartazes e comida. Esperamos pontualidade, pois temos um limite de tempo com o espaço.

P r o g r a m a ç ã o

15h00 – Abertura e apresentação

16h00 – Apresentação do caso de Francisco Solar

Tópicos da conversa: Situação atual do caso de Francisco Solar, Prisão política no Chile: presos políticos mapuches, anarquistas, subversivos e antiespecistas, prisão política – prisão social, reflexões sobre solidariedade com os companheiros.

17h00 – Discussão “Prisão política, regime carcerário e a situação do companheiro Francisco Solar”

19h00 – Almoço e compartilhamento (se você puder trazer algo)

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/18/chile-poster-vamos-tirar-o-companheiro-francisco-solar-do-isolamento/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/19/chile-a-gendarmaria-quer-que-o-companheiro-francisco-solar-cumpra-sua-pena-em-um-regime-excepcional-de-seguranca-maxima/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/29/chile-poder-judiciario-ratifica-prisao-do-companheiro-anarquista-francisco-solar/

agência de notícias anarquistas-ana

Olho, alarmado;
E se a vida for
Do outro lado?

Milôr Fernandes

[Espanha] O Antipoliticismo Anarquista

Por Laura Vicente

Há poucos dias, tentei me distanciar dos conceitos de “libertário” e “anarquista” que a extrema direita usa com uma desfaçatez irritante. Tentei enquadrá-los em nossa genealogia, que nos custou sangue e fogo (sem querer soar transcendental ou intensa), nunca com intenção de propriedade. O anarquismo é movimento, e está longe de mim a ideia de que haja conceitos ou ideias imutáveis e graníticas, mas também não sou a favor da volatilidade e do “líquido” (como dizia Bauman), porque por trás de nós existem experiências, pessoas, propósitos e emoções que nos enraízam a um projeto que continua vivo, mudando e se adaptando aos novos tempos.

O antipoliticismo, entendido como rejeição à política institucional, à democracia liberal e neoliberal delegada e representativa que nos condena a cada quatro anos aos que nos abstemos sem nos preocupar, ou enviando as “forças da (des)ordem” quando exercemos outros direitos dos quais nunca fazem campanhas publicitárias, tem sido anarquista.

Não quero entrar no debate se é um desses traços invariáveis do anarquismo ou não, entendo que nossa rejeição à democracia delegada e representativa como elemento de dominação pelo Estado é uma posição que faz parte do compromisso ético de não fazer como “meio” o que se contradiz com os “fins” que pretendemos. Não podemos votar e defender, ao mesmo tempo, a democracia direta. Pode haver exceções, remendos, votar “contra” e não “a favor de”, confiar que é possível “assaltar os céus” a partir das instituições, etc. Quando essas exceções acabam se tornando cotidianas, é preciso pensar no que se está fazendo, reconsiderar…, ou não, cada um é muito livre.

Mas, enfim, não estou escrevendo estas linhas para fazer campanha pela abstenção ou para insistir que a política não é apenas política institucional, que a política é “a coisa pública” e disso o anarquismo sempre fez muito. Escrevo estas poucas linhas para mostrar minha estupefação porque agora a bandeira do antipoliticismo e das posições anti-sistema também é erguida pela extrema direita.

Não escolhem um momento ruim, as pessoas estão de saco cheio da política institucional que ficou despojada e com as vergonhas expostas num momento em que quase ninguém tem maiorias absolutas e se coligam direitas e esquerdas, supostamente irreconciliáveis, pelo bem da “democracia” e da estabilidade (e pode adicionar todos os eufemismos que essa política nos oferece continuamente). Dizer ou prometer algo e fazer o contrário é moeda corrente, pactuar com qualquer um que ofereça os votos necessários para governar também. A incomodidade e o mal-estar dos eleitores fiéis vão se espalhando e enraizando, algo que vemos no crescente voto da extrema direita que se posiciona como um farol orientador questionando o sistema e o “establishment”, ou seja, os grupos de poder profissionalizado que manipulam o sistema institucional.

É desnecessário dizer que a extrema direita não se dá mal com o “sistema” e que aspira criar outro “establishment” que assegure ainda mais seus privilégios e sua ordem tradicional sem fissuras: a masculinidade patriarcal, a branquitude, a heteronormatividade, a família tradicional, a sociedade de classes, o individualismo darwiniano, etc.

Ao âmbito anarquista, o que cabe fazer nestes momentos? Como focamos o descontentamento e a despolitização? Votando ou construindo antipoliticismo anarquista?

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/07/14/antipoliticismo-anarquista/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/03/espanha-a-direita-nos-rouba-os-moveis-anarquismo-e-libertario/

agência de notícias anarquistas-ana

serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

Chamada para a Semana Internacional de Solidariedade com os Prisioneiros Anarquistas 2024 // 23 – 30 de agosto

Drones militares zumbem entre as estrelas e as nuvens. A milhares de quilômetros de distância, um soldado procura alvos para matar, as emoções estão muito distantes das vidas que estão tirando. Um entorpecimento crescente em face da brutalidade atual e da propaganda estatal invocada em nossas telas. A água e a terra são objetos a serem depredados. Como o poço cavernoso da mina de carvão, estamos sendo esvaziados e escavados para sustentar a cultura do vazio do capital. A empatia, o cuidado e o amor que mantêm nossas comunidades unidas estão sendo atacados por uma vida individualizada sob o capitalismo, em que cada um cuida de si mesmo.

O que mudou desde o ano passado até o momento em que nos debruçamos sobre este texto?

Houve um aumento da vigilância, endurecimento da repressão e criminalização das comunicações criptografadas, nos apelos à guerra e ao genocídio, bem como na contínua profanação da Terra. O mundo assiste com uma mistura de horror e apatia ao aumento do número de mortos em Gaza, enquanto a invasão da Ucrânia entra em seu terceiro ano. Cerca de 10.000 prisioneiros palestinos são amarrados a camas, torturados e espancados até a morte, mantidos em condições brutais nas prisões israelenses. No Sudão, dezenas de milhares de pessoas estão mortas e milhões estão desabrigadas, enfrentando fome extrema à medida que a guerra civil entra em seu 16º mês. A resistência militante ao golpe militar em Mianmar, que na verdade foi bem-sucedido, está sendo transformada pelos militares em uma guerra civil com um número crescente de vítimas civis, à medida que as tropas do regime recorrem cada vez mais a táticas de terra arrasada.

Espera-se que aqueles de nós que vivem sob a fragilidade da “paz” neoliberal adotem posturas políticas desprovidas de sentimento humano ou ações significativas. Como romper esse véu artificial construído para fazer com que as “zonas de guerra” pareçam um mundo distante, quando os carregamentos de armas e as redes de diáspora contam uma história diferente? Como recuperar nossa humanidade e nossa capacidade de ação, compreendendo a urgência e deixando espaço para sentir, lamentar e agir, lado a lado, contra essa monstruosidade? E como manter esse tecido de resistência que desafia os ciclos de notícias e a política dos Estados-nação, reconhecendo as lutas pela sobrevivência e pela libertação contra a colonização e a extração contínua de recursos naturais que estão se materializando em todo o mundo fora dos holofotes das notícias?

O que deve ser feito? Essas são as perguntas. A empatia e a solidariedade são os remédios mais fortes contra as realidades atuais que enfrentamos. Empatia e solidariedade são as razões pelas quais estamos aqui: nossos corações abraçam essas palavras. Escolhemos compartilhar o peso da dor e entrar em ação nesta teia de resistência que foi tecida ao longo do tempo nesta Terra. Não é o nosso anseio pelas forças do cuidado, da criação e da destruição que nos reúne em torno de nossas fogueiras? Não é porque desejamos entender e saudar a dor dos outros e buscar a libertação da opressão que demonstramos solidariedade com nossos companheiros que carregam o duro fardo da repressão?

Há muitas atrocidades, muitos espíritos bonitos arrebatados deste mundo para que possamos chorar por todos eles. Em meio ao derramamento de sangue, vivem os espíritos daqueles que decidem resistir a essa ordem hegemônica, contra as engrenagens do genocídio e do colonialismo. Há pessoas em todo o giro da Terra que decidiram não ignorar as forças que atacam a vida livre. Muitos optaram por cumprimentar essas forças com os punhos cerrados e um sorriso na bochecha. Tenho certeza de que vocês também compartilham isso, talvez sem sorrir, mas estamos aqui novamente. Com o tempo, com força e paciência, aprofundaremos nossas constelações, fortaleceremos e teceremos novas teias, pois junto com os ciclos da Terra mudamos, crescemos e aprendemos.

Com força, fazemos este chamado à ação para uma semana de solidariedade com os prisioneiros anarquistas. Que nossas palavras não morram em nossas bocas, mas que nossas ideias e ações se tornem realidade.

Organize eventos de solidariedade, exibições de filmes, mostrar faixas, rodadas de discussão, ações diretas, programas de rádio, redação de cartas… seja criativo!

Vamos nos lembrar daqueles que lutaram contra essa injustiça e pagaram com suas vidas.

Não vamos nos esquecer de nossos companheiros presos e vamos mostrar o calor da solidariedade.

Ninguém será livre até que todos sejamos!

Envie-nos suas ações para tillallarefree@riseup.net

solidarity.international

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/21/convocatoria-para-a-semana-internacional-de-solidariedade-com-os-prisioneiros-anarquistas-2023-23-a-30-de-agosto/

agência de notícias anarquistas-ana

As cebolinhas
Lavadas e tão brancas —
Que frio!

Bashô

[Espanha] Ato de Memória Histórica em Puerto Real

Organizado pelo Instituto Manuel de Falla de Puerto Real, com o qual colaboramos em várias ocasiões, ambos relacionados com a Memória Histórica, na quinta-feira, 18 de julho, realizaram dois significativos atos de evocação. O primeiro consistiu em um roteiro, para explicar e divulgar os fatos de alguns lugares do povoado que foram representativos do ocorrido naquele fatídico dia; como a prefeitura e o Comando Militar, as Igrejas, ou a praça onde estava a Prisão Municipal. O segundo realizado no Centro Cultural Municipal foi uma obra de teatro realizada de forma maravilhosa e emocionante pelos jovens do Instituto, dos quais, três deles, são descendentes diretos de perseguidos e assassinados. Ali denunciaram com grande conhecimento dos fatos históricos, o terror imposto pelos fascistas e militares. Um povoado onde mais de oitenta por cento dos perseguidos eram obreiros filiados e militantes da CNT-AIT. Seus familiares eram:

Gaspar Morales Peña, nascido em 1895 em Vejer. De profissão agricultor, militava na CNT desde 1912. Com tão somente 17 anos, já foi eleito Vogal da Sociedade de Viticultores e Similares “A Defensora” da que foi um de seus fundadores. Em 1932, ocupou a Secretaria do Sindicato de Agricultores e Viticultores pertencente ao Sindicato de Ofícios Vários da Confederação Nacional do Trabalho, até seu assassinato em setembro de 1936. Foi um dos organizadores da defesa de Puerto Real, estabelecendo as barricadas na entrada do município desde San Fernando.

Rosa Cuenca Gómez, nascida em Puerto Real em 11 de abril de 1887. Gestionava um posto na plaza de Abastos e pertencia ao Sindicato de Mulheres da CNT. O promotor do PSU-272/37 a acusou de alentar e participar na resistência ao golpe em julho de 1936 e pediu pena de morte para ela. Finalmente foi condenada a 20 anos de prisão. Seu filho, José Rueda Cuenca, e dois sobrinhos, Manuel Rodríguez Cuenca e José Puente Cuenca, foram assassinados pelos golpistas.

Rosario Prado Gutiérrez, nascida em Puerto Real em agosto de 1919. Filiada ao sindicato de Mulheres da CNT, o promotor do PSU-272/37 a acusou de participar na resistência em julho de 1936 e do saque da casa do cura, mas por ser menor de idade, ainda que maior de 16 anos, lhe pediram 12 anos de prisão aos quais foi condenada. Detida em setembro de 1937, esteve cumprindo pena na Prisão de Mulheres de Girona, onde faleceu em 1º de agosto de 1942 aos 23 anos.

As fotos se correspondem: A primeira mostra uma militante do Sindicato das Mulheres da CNT, agitando a bandeira e conclamando os trabalhadores a defender a cidade contra os golpistas; a segunda, o sobrinho-neto de Gaspar Morales dando vida ao seu bisavô; a próxima, à esquerda, um soldado prendendo e insultando a bisneta de Rosa Cuenca Gómez, que interpreta sua bisavó, e a bisneta de Rosario Prado Gutiérrez, que também interpreta sua bisavó, sendo presa e insultada pelo mesmo soldado. As imagens abaixo são do percurso: uma na Igreja Prioral e a outra onde ficava a Prisão Municipal.

Fonte: https://cntaitpuertoreal.blogspot.com/?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAAR3C0sCmTv2gTPiYo9TnW06w-1cD30-LZyIUuh2oRX-Xtr-uAgaujAbXY6k_aem_Z16oTkVJu2X-pS4CGWlomA

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

passeio campestre —
no vestido e nas sandálias
o aroma do mato

Leonilda Alfarrobinha

Putin, o tiraninho queridinho da esquerda, da direita…

Putin, o tiraninho queridinho da esquerda, da direita…

Putin, o tiraninho autocrata que é o queridinho da esquerda, da direita e dos bilionários oligarcas europeus.

Bug mental na militância pro Putin, afinal seria Putin de esquerda ou de direita, para saber se apoio ou não? Se você se perguntou sobre isso, não entendeu porra nenhuma.

O Putin apenas faz o jogo que lhe interessa. Ele não é puramente ideológico, ele abraça Trump/Orbán/Bolsonaro e ao mesmo tempo Maduro/Ortega/Lula, e ainda dá propulsão nos sonhos imperialistas da população invadindo os países vizinhos.

É um mestre da política, se perpetua no poder com os métodos stalinistas, e se mantém no luxo e na riqueza capitalista abraçado com os bilionários oligarcas, seus fieis sócios na partilha do Estado russo. Um verdadeiro malabarista, o melhor de todos os tempos.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/25/espanha-documentario-gulag-o-inferno-nas-prisoes-de-putin/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/04/05/russia-como-o-governo-de-putin-lida-com-os-anarquistas-russos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/11/02/finlandia-putin-suas-maos-estao-manchadas-de-sangue/

agência de notícias anarquistas-ana

O Tempo cochila
em tardes quentes de sol
no banco da praça.

Lena Jesus Ponte

[Chile] Atualização sobre a situação de isolamento do anarquista Francisco Solar (Julho 2024)

Desde julho de 2020 o companheiro anarquista Francisco Solar permanece em um regime de isolamento, primeiro na seção de Máxima Segurança no Cárcere de Alta Segurança em Santiago e logo no Módulo 2 de Máxima Segurança no Cárcere “La Gonzalina” de Rancagua.

No final de março de 2024, a Corte de Apelações ratificou sua condenação a 86 anos de prisão por diversos ataques a poderosos e repressores. O conduto regular por parte de gendarmeria assinalava que uma vez a condenação se encontre firme o companheiro deveria sair do isolamento e ingressar a outro tipo de módulo.

A razão de Estado transformada em uma vingança jurídica e penitenciária contra Francisco, pretende que o companheiro cumpra a totalidade de sua condenação neste macabro regime. Buscando algum pretexto, em abril de 2024 Francisco é sancionado por “insultar” a um funcionário durante uma busca. Desde então a gendarmeria assinalou – entre outros argumentos – que dita “falta” era um dos principais motivos para manter o isolamento.

Em meados de julho o tribunal eliminou a existência de dita “falta”, mas Francisco segue permanecendo em isolamento já por quatro anos. É de esperar que a gendarmeria tente criar outro pretexto legal para que permaneça nesse regime de castigo.

Tiremos o companheiro Francisco Solar do isolamento!

Fonte: Buskando La Kalle

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/18/chile-poster-vamos-tirar-o-companheiro-francisco-solar-do-isolamento/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/19/chile-a-gendarmaria-quer-que-o-companheiro-francisco-solar-cumpra-sua-pena-em-um-regime-excepcional-de-seguranca-maxima/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/29/chile-poder-judiciario-ratifica-prisao-do-companheiro-anarquista-francisco-solar/

agência de notícias anarquistas-ana

um gato dormita
sobre o tapete da sala –
noite de inverno.

Sidnei Olívio

[Espanha] “A sentença de La Suiza é um aviso claro e direto a todas as organizações sindicais”

Erika Conrado Arredondo avalia a sentença contra ‘As Seis de La Suiza’, que correm o risco de serem presas por participar em um piquete informativo. A secretária geral da CNT é clara: eles vão continuar nas ruas, “porque está no nosso DNA”, e recorrerão a Estrasburgo. 

A secretária-geral da CNT, Erika Conrado Arredondo, considera que a decisão do Tribunal Supremo espanhol de ratificar a condenação contra seis sindicalistas asturianas, no âmbito de um conflito trabalhista na Pastelaria La Suiza de Xixón, a faz temer “que estamos entrando em uma era em que a criminalização do sindicalismo e do ativismo social será nosso dia a dia”. Por isso, ela manifesta que vão continuar nas ruas, já que “sem sindicalismo, a classe trabalhadora não tem como fazer valer seus direitos”.

O que significa a condenação para as seis sindicalistas de La Suiza?

As implicações para as companheiras são múltiplas e diversas. Se, além da condenação, considerarmos a possibilidade de que tenham que entrar na prisão, podemos imaginar a hecatombe que pode implicar ter que fazer uma pausa na vida por uma decisão unilateral: questões familiares por ter pessoas sob sua responsabilidade, questões laborais, econômicas e formativas e, a partir daí, as implicações de ter uma condenação nas costas (dificuldades para se reintegrar no mercado de trabalho, questões econômicas decorrentes da falta de renda, estigma social… muito disso já foi discutido ao longo da história).

Se considerarmos a implicação dessa condenação, não apenas em nível particular, mas para o resto da sociedade, é um “cuidado com o que você diz e faz, estamos de olho”. De qualquer forma, diante da adversidade, consideramos que é uma oportunidade para unir a classe trabalhadora, que só se defende entre si.

Após sete anos de luta, temiam uma decisão do Supremo como essa?

 A aceitação do recurso pelo Supremo nos deu esperança. Certamente, em casos como esses, você deve contar com todas as variáveis, e estávamos plenamente cientes de que havia a possibilidade de ser rejeitado parcial ou totalmente. Por isso, desde praticamente um ano atrás, já estabelecemos contato com especialistas constitucionalistas para, caso ocorresse, como aconteceu, estarmos preparadas para enfrentar a situação. Sentimos esse conflito como algo nosso e estamos cientes de que a rejeição representa um antes e um depois para o sindicalismo.

Sua organização já apontou o papel desempenhado pelo juiz Lino Rubio e o fato de a empresa ser de uma família ligada à direita política.

Bem, é uma informação pública, está em todos os meios de comunicação e não é necessário um investigador particular para saber. A mídia está fazendo um trabalho muito importante neste momento, visibilizando e colocando as coisas em contexto; às vezes, sem essa informação, pode ser difícil entender o alcance desta situação.

O fato de as protagonistas da luta serem mulheres pode ter influenciado esse processo judicial?

Acreditamos que é uma questão meramente circunstancial. Certo é que quando a trabalhadora da época chegou ao sindicato, relatou situações que podem nos afetar a todas e nos empurram a tomar uma posição: uma ameaça de aborto após realizar tarefas pesadas, um tratamento reprovável por parte do empregador, a falta de pagamento de horas extras…

Não temos evidências, mas a realidade é que as mulheres, de um tempo para cá, estamos participando de maneira mais ativa e visível na vida política em geral. O sindicalismo é outra manifestação desse ativismo, sonho e desejo de revolução social. As mulheres nos posicionamos pela luta de nossos direitos, contra o patriarcado e o capitalismo. Isso desagrada, mas também não estamos aqui para agradar.

E o fato de a CNT ter liderado essa luta?

Está claro que não somos um sindicato convencional, que podemos ser considerados incômodos porque não agradamos a ninguém.

Para contextualizar o nascimento do conflito, é necessário remontar a 2017, quando a CNT Xixón estava em um processo de crescimento, especialmente no setor de hotelaria.

A patronal não gosta nem que ganhemos presença nas ruas, nem que respondamos às necessidades da classe trabalhadora, nem que os conflitos e abusos apareçam na mídia. A partir daqui, podemos tirar as conclusões…

Você declarou que esta sentença “é um golpe no sindicalismo”, como vocês vão enfrentar isso?

Primeiramente, acompanhando as companheiras afetadas, como temos feito há sete anos, estamos em contato constante com nosso Gabinete Técnico Confederal e advogados especialistas, porque não podemos fazer de conta que nada aconteceu.

Trabalhamos na linha jurídica e ponderando as possibilidades que temos à nossa frente. Vamos pedir a suspensão da condenação, não podemos esquecer que os três anos e meio de condenação são a soma de dois delitos, portanto, nenhum deles é superior a dois anos. A partir daqui, o que podemos adiantar é que vamos recorrer a todas as instâncias possíveis: Constitucional e, como já fizemos, a Estrasburgo, se necessário.

Vamos continuar nas ruas, porque está em nosso DNA. Vamos visibilizar a situação e explicar as consequências que uma sentença como essa tem para todas que levantam a voz, atos de autodefesa das trabalhadoras, aquelas que não têm uma carteira cheia, mas que têm muito mais dignidade. Somos muitas e vamos estar em contato com organizações semelhantes porque isso é por e para todas.

Coletivas de imprensa e mobilizações com os coletivos que nos estão mostrando seu apoio serão os próximos atos nos quais estamos trabalhando. Não temos datas planejadas, mas essas informações vamos transmitir de forma clara e direta para que todas participemos da denúncia desse atropelo.

Você acha que pode estabelecer um precedente perigoso em outras lutas semelhantes às das trabalhadoras dessa confeitaria de Xixón? Vai condicionar sua ação sindical?

Uma sentença como a proferida é um aviso claro e direto a todas as organizações sindicais.

Se entendermos que a ação sindical é um direito fundamental, conforme o artigo 28 da Constituição espanhola, e mesmo que tenha sido proferida essa sentença, não podemos deixar de fazer sindicalismo. Sem sindicalismo, a classe trabalhadora não tem como fazer valer seus direitos; não devemos esquecer que, graças às denúncias e reivindicações dos sindicalistas ao longo da história, foram obtidas melhorias trabalhistas. É a cidadania que impulsiona para conseguir as mudanças reais.

Vocês receberam algum tipo de apoio de outras organizações sindicais, políticas e sociais?

São muitas as organizações que demonstraram seu apoio e disponibilidade para realizar comunicados conjuntos e ações, tanto em nível nacional quanto internacional. Muitas delas manifestaram seu apoio publicamente, e outras nos contataram de maneira mais formal. Nosso funcionamento interno, baseado na tomada de decisões de maneira horizontal e por meio de assembleias, nos impõe um ritmo que, às vezes, nos obriga a destinar mais tempo que outras organizações; mas também nos oferece a possibilidade de avaliar e meditar qual será a estratégia mais adequada.

Estamos trabalhando na confluência porque a sentença proferida estabelece um precedente preocupante para todas; não apenas para as organizações sindicais, mas para a sociedade como um todo.

Fonte: https://www.naiz.eus/es/info/noticia/20240710/esta-sentencia-es-un-aviso-claro-y-directo-a-todas-las-organizaciones-sindicales

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/18/espanha-seis-condenadas-uma-sentenca-de-criminalizacao-e-um-ato-de-unidade/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/17/espanha-comunicado-de-apoio-as-6-de-la-suiza/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

Tarde de inverno:
Sobe do fundo dos vales
A sombra das montanhas.

Paulo Franchetti

[País Basco] 20 anos de prisão e 56.000 euros por acampar em Aroztegia

Sete participantes da acampada enfrentam essa pena após serem acusados de formar um grupo criminoso

Por Maite Uriarte | 16/07/2024

Cerca de 270 pessoas se reuniram nesta terça-feira à tarde em frente ao Palácio de Aroztegia, em Lekaroz, para mostrar sua solidariedade com as sete pessoas acusadas pela acampada realizada em 2021.

O objetivo desse acampamento, organizado pelo coletivo Aroztak, era paralisar o projeto promovido pelo Palácio de Arozteguía S.L., que contemplava a construção de 228 moradias, um hotel e um campo de golfe em Lekaroz.

Agora, segundo informaram, a esses sete acusados estão sendo pedidos um total de 20 anos de prisão e multas que somam 56.000 euros.

Na primavera de 2021, quando as máquinas apareceram para iniciar as obras em Aroztegia, um grupo de cidadãos decidiu acampar para impedir o avanço dos trabalhos. Como lembraram na coletiva de imprensa, por meio dessa acampada “colorida e desobediente” conseguiram paralisar uma obra que qualificam como uma “barbaridade”. “Enviamos o Palácio de Arozteguia SL, TEX e QUEIPO SL de volta para casa”.

Após contextualizar os eventos, os manifestantes denunciaram o “assédio judicial, policial e econômico” que sofreram “sistematicamente durante todos esses anos de luta, cruzando desta vez todas as linhas vermelhas”.

“Querem silenciar o povo”

“Agora nos coube a sete pessoas fazer parte desse circo de mau gosto. Querem silenciar o povo com 20 anos de prisão e multas de 56.000 euros. Nos acusam de ser uma organização criminosa e nos imputam um delito de coação por participar de um acampamento em Aroztegia”, explicaram, qualificando os acontecimentos como “vergonhosos”.

Com o apoio de uma multidão de baztandarras, os presentes continuaram sublinhando que, “por trás desse julgamento político” existe a intenção de “punir o compromisso que a cidadania tem com a defesa de sua terra”.

Além disso, destacaram que “essa é uma situação criada pelo próprio Governo de Navarra, que fez ouvidos surdos à população baztandarra e que a luta ainda não acabou: O abandono do PSIS e a devolução das terras roubadas aos agricultores e à Assembleia Geral do Vale de Baztan são responsabilidade deles”.

“Repressão”

Por fim, concluíram deixando claro que não vão aceitar essa tentativa de “criminalizar o direito à desobediência”. “Respondem com repressão aos movimentos que praticaram a desobediência civil na defesa da terra, da cultura, do idioma e da vida, mas não vamos permitir isso”.

Assim, fizeram um apelo “aos agentes e indivíduos dos sete territórios de Euskal Herria para responderem de forma solidária à repressão econômica que sofremos”, para o qual criaram o e-mail aroztegia_elkartasuna@ni.eus.

Fonte: https://www.noticiasdenavarra.com/navarra/2024/07/16/20-anos-carcel-56-000-8489015.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Água de cristal
Forma nuvens coloridas
No meu céu de sol.

Claudia Chermikoski

Evento antifascista em Vitória (ES) neste sábado, 27/07

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) convida todas e todos para a jornada antifascista, autogestionária e anarquista, neste sábado 27 de julho, em Vitória, Espírito Santo. Este evento, em parceria com a @caramelodiscos, é uma celebração da resistência, da liberdade e da solidariedade, trazendo artistas que se dedicam a promover uma sociedade mais justa e igualitária.

Venha compartilhar conosco essa noite de música, consciência e resistência!

Dia: 27/07/2024

Horário: 17 horas

Local: Caramelo Discos, na Rua Gama Rosa, 103, Centro, Vitória-ES.

federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

abelha na flor
a brisa nas árvores
eu com teu sabor

Carlos Seabra