“O Brasil é dos brasileiros” é um caralho, senhor Lula! O Bra$il é dos banqueiros!!!

• Lucro dos quatro maiores bancos brasileiros atinge recorde nominal em 2024, com R$ 108,2 bilhões

Os quatro maiores bancos brasileiros listados na B3 registraram, em 2024, o maior lucro nominal de sua história. De acordo com dados compilados pela consultoria Elos Ayta, o lucro consolidado dessas instituições alcançou R$ 108,2 bilhões, um avanço de 18,6% em relação a 2023.

O Itaú Unibanco se destacou ao atingir um lucro líquido de R$ 40,2 bilhões no ano, o maior já registrado por um banco brasileiro. Com isso, a instituição retoma a liderança em lucratividade entre os gigantes do setor, posição que havia sido ocupada pelo Banco do Brasil nos dois anos anteriores (2022 e 2023).

Entre os quatro bancos analisados, o Banco do Brasil apresentou o menor crescimento percentual em 2024, com alta de 4,8% em relação ao ano anterior e atingiu R$ 35,4 bilhões. Já o Santander teve a maior expansão, com avanço de 50,2%, registrando lucro de R$ 12,4 bilhões, seguido pelo Bradesco, que cresceu 26,2%, com lucro de R$ 19 bilhões.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

Uma flor que cai –
Ao vê-la tornar ao galho,
Uma borboleta!

Arakida Moritake

[EUA] Leonard Peltier volta para casa — finalmente

por Ingrid Burke Friedman, JURISTA

Hoje estou finalmente livre.

Eles podem ter me aprisionado,

mas nunca levaram meu espírito.

–Leonard Peltier, 18 de fevereiro de 2025

O ativista nativo americano Leonard Peltier, um dos prisioneiros federais mais antigos da história dos EUA, foi libertado para prisão domiciliar na terça-feira após passar quase cinco décadas atrás das grades. Sua prisão decorre de uma controversa condenação de 1977 pelas mortes a tiros de dois agentes do FBI na Reserva Indígena Pine Ridge, em Dakota do Sul, um caso que tem sido duramente contestado entre ativistas e autoridades policiais por gerações.

A libertação de Peltier, agora com 80 anos e com a saúde debilitada, segue uma comutação de última hora pelo presidente Joe Biden no mês passado, marcando o ápice final em um caso que atraiu defesa sustentada de nações tribais, organizações de direitos humanos e até mesmo alguns ex-oficiais da lei envolvidos em seu processo. Os apoiadores de Peltier há muito sustentam que ele foi injustamente acusado em meio às convulsões sociais da época e documentaram a investida do FBI em movimentos de direitos civis e indígenas americanos. Seus detratores, incluindo o diretor do FBI de Biden, Christopher Wray, classificaram Peltier como um “assassino implacável que executou brutalmente dois dos nossos antes de embarcar em uma fuga violenta da justiça”.

Nesta explicação, exploraremos quem foi Peltier e por que seu caso se mostrou tão divisivo.

Quem é Leonard Peltier?

Peltier nasceu em 12 de setembro de 1944 na Reserva Indígena Turtle Mountain, em Dakota do Norte. Sua infância refletiu as duras realidades enfrentadas pelos nativos americanos na era pós-guerra: seu pai estava entre muitos outros homens nativos que serviram na Segunda Guerra Mundial, mas seu serviço fez pouco para melhorar as condições das comunidades indígenas nos Estados Unidos. A Reserva Turtle Mountain, onde Peltier cresceu, foi reduzida a apenas uma pequena fração de seu tamanho original por meio de ações do governo, deixando seus moradores com recursos e oportunidades limitados.

Aos nove anos, Peltier se tornou uma das milhares de crianças nativas removidas à força de suas famílias sob políticas federais de assimilação. Ele foi enviado para a Wahpeton Indian School, parte de um sistema projetado para apagar a cultura e a identidade indígenas. Essa separação traumática ocorreu no momento em que o Indian Relocation Act de 1956 (também conhecido como Public Law 959) estava entrando em vigor — uma lei que enfraqueceu ainda mais as comunidades de reserva ao cortar o financiamento federal para serviços básicos e pressionar os moradores a se mudarem para áreas urbanas.

Como adulto no início dos anos 1970, Peltier se tornou uma figura proeminente no American Indian Movement (AIM) durante um período de ativismo indígena sem precedentes. O AIM surgiu nesse momento em que os nativos americanos enfrentavam taxas de pobreza assustadoras, discriminação em áreas urbanas para onde muitos foram pressionados a se mudar e ameaças contínuas à soberania tribal. As atividades do movimento incluíram a marcha da Trilha dos Tratados Quebrados de 1972 em Washington e a ocupação de Wounded Knee em 1973 na Reserva Indígena Pine Ridge em Dakota do Sul — protestos que destacaram injustiças históricas e a crise contínua de violência contra os nativos americanos, que enfrentaram (e continuam enfrentando) taxas de homicídios muitas vezes maiores que a média nacional em algumas reservas.

O que aconteceu em Pine Ridge?

Os eventos que levaram à prisão de Peltier se desenrolaram em 26 de junho de 1975, durante um período de tensão significativa na Reserva Pine Ridge. A reserva foi o local de vários conflitos entre membros tribais “tradicionais”, apoiados pelo AIM, e apoiadores do presidente tribal Dick Wilson, que foi acusado de corrupção e uso de táticas de intimidação contra oponentes políticos. Naquele dia fatídico, dois agentes do FBI – Jack Coler e Ronald Williams – entraram na reserva em busca de um suspeito de assalto. O que começou como uma investigação de rotina se transformou em um tiroteio que deixou os dois agentes mortos à queima-roupa. O membro do AIM Joseph Stuntz também foi morto no incidente.

Por que seu julgamento foi controverso?

Peltier, junto com outros membros do AIM, foi acusado dos assassinatos dos agentes. Enquanto dois outros réus, Dino Butler e Bob Robideau, foram absolvidos em um julgamento separado por legítima defesa, Peltier foi julgado separadamente em 1977 em Fargo, Dakota do Norte. Ele foi condenado a duas penas de prisão perpétua. Seu julgamento e condenação foram objeto de intenso escrutínio e crítica ao longo das décadas.

Críticos da acusação apontaram vários elementos controversos, incluindo o manuseio de evidências balísticas pelo FBI, depoimentos supostamente forçados de testemunhas que foram posteriormente retratados e a exclusão de evidências que poderiam ter apoiado a defesa de Peltier. Um dos desenvolvimentos mais significativos ocorreu quando documentos divulgados pelo Freedom of Information Act revelaram que o FBI havia retido evidências que poderiam ter ajudado na defesa de Peltier.

O que as autoridades policiais disseram sobre o julgamento e a condenação?

Enquanto isso, o FBI e os promotores federais têm mantido firmemente a legitimidade da condenação de Peltier ao longo das décadas. Eles apontam para várias evidências importantes, incluindo um estojo de bala .223 encontrado no porta-malas do carro do agente Coler que foi combinado com um rifle associado a Peltier, e depoimento afirmando que Peltier era a única pessoa carregando um rifle AR-15 capaz de disparar cartuchos .223 na cena.

Em uma carta de 2024 se opondo à liberdade condicional de Peltier, o diretor do FBI Christopher Wray enfatizou que 22 juízes federais avaliaram as evidências e mantiveram a condenação. Wray argumentou que, embora os apoiadores de Peltier tenham alegado má conduta do promotor, os tribunais examinaram e rejeitaram repetidamente esses argumentos. O FBI sustenta que as alegações sobre evidências balísticas problemáticas e uma suposta admissão do governo de ser incapaz de provar quem atirou nos agentes não resistiram a vários recursos.

As autoridades policiais também responderam às críticas ao processo de julgamento. Eles argumentam que Peltier recebeu recursos legais extraordinários para a época, incluindo cinco advogados pagos pelo governo de sua escolha, em vez do advogado mais usual nomeado pelo tribunal. O FBI observa que, além da condenação original, Peltier foi posteriormente condenado por uma fuga armada da prisão em 1979, durante a qual tiros foram disparados contra funcionários da prisão, adicionando uma sentença de sete anos à sua pena.

O FBI enfatizou que, para as famílias das vítimas, o caso continua profundamente pessoal. Como o diretor Wray escreveu em 2024, cada vez que Peltier busca a libertação, isso força os entes queridos dos agentes a “experimentar sua dor novamente”.

O que levou Biden a agir?

Ao longo dos anos, o apoio à libertação de Peltier se espalhou muito além de grupos de defesa dedicados. Nações tribais têm consistentemente pedido sua liberdade, vendo seu caso como emblemático das lutas mais amplas enfrentadas pelos povos indígenas no sistema de justiça dos EUA. Sua causa foi defendida por ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, dezenas de legisladores e organizações de direitos humanos em todo o mundo. Talvez o mais notável seja que ex-oficiais da lei, incluindo o ex-procurador dos EUA cujo escritório lidou com o processo e a apelação de Peltier, se juntaram aos pedidos de clemência.

A pressão pela libertação de Peltier ganhou urgência adicional à medida que sua saúde piorava nos últimos anos. Aos 80 anos, ele sofre de vários problemas de saúde graves, tendo passado quase meio século atrás das grades. Seus apoiadores argumentaram por muito tempo que sua prisão contínua não servia a nenhum propósito prático, principalmente devido à sua idade e enfermidade.

A decisão de Biden de comutar a sentença de Peltier para prisão domiciliar parece representar uma resposta cuidadosamente calibrada a esses apelos por misericórdia. Embora não tenha chegado a um perdão total — a declaração presidencial observa explicitamente que a comutação “não o perdoará por seus crimes subjacentes” — a decisão reconhece tanto os aspectos humanitários do caso quanto o apoio substancial à sua libertação de todo o espectro político e social.

À medida que Peltier retorna para casa em Turtle Mountain, seu caso continua a levantar questões sobre justiça, reconciliação e o relacionamento entre o governo federal e as comunidades nativas americanas. Embora sua libertação possa encerrar um capítulo dessa longa saga, as discussões mais amplas que seu caso desencadeou sobre a reforma da justiça criminal e os direitos indígenas permanecem muito vivas.

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Esta história apareceu pela primeira vez em 18 de fevereiro no JURIST, sob o título “Native American Activist Leonard Peltier Released to Home Confinement After Decades Behind Bars”.

Foto: Peltier e família após sua libertação da USP Coleman, Flórida.

Crédito: AIM

Fonte: https://countervortex.org/leonard-peltier-heads-home-at-last/

Tradução >  Bianca Buch

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agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

[Argentina] Encontro Internacional de Práticas Anárquicas e Antiautoritárias Contra as Prisões

18 a 20 de julho de 2025 na Argentina. 

Convocatória 

A importância desse tipo de encontros que levam à agitação internacional e reproduzível é essencial para compartilhar nossas experiências na guerra contra o domínio. É por isso que, como continuação à iniciativa do Encontro Internacional de Práticas Anárquicas e Antiautoritárias Contra as Fronteiras realizado por companheirxs em Tijuana, México, retomamos essa iniciativa, desta vez convidando a refletir sobre nossas práticas em torno das Prisões, levando em conta a intensidade e as variadas formas em que as prisões nos habitam. Pois, como necessidade antiautoritária, é essencial ampliar a reflexão sobre as prisões e como elas não se concentram apenas em um espaço ou tempo determinado, mas também como se encarnam em nossa cotidianidade, chegando até a natureza e aos animais não humanos.

Extrativismo, especismo, patriarcado, urbanismo, corpos em castigo, coerção, cárceres, tecnologia, militarismo, colonialismo, autoritarismo etc. são algumas das práticas que se originam dentro das prisões. Por isso, convocamos toda individualidade, coletivx ou iniciativa a compartilhar o contínuo refletir/práticas antagônicas contra as prisões, conversas, projetos kontrakulturais, apresentações de material audiovisual-gráfico-cênico que gire em torno de um pensar/fazer contra as prisões. Com o propósito de mapear o papel em que atualmente se encontram as prisões em nosso imaginário, desde o coletivo até o individual. Acreditamos na necessidade de afiar nossas ideias/práticas, a partir da horizontalidade, cuidado mútuo, autogestão e autonomia, para enfrentar a hegemonia do poder, desde a multiformidade anárquica antiautoritária e o internacionalismo anticarcerário.

Informações e encerramento da convocatória serão atualizados.

Link de inscrição: http://bit.ly/encuentroar

Contato: encuentroanarquico@riseup.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O regato seca
E o salgueiro perde as folhas –
Pedras aqui e ali

Busson

[Grécia] Tessalônica: Faixa gigante na fachada da ocupação Libertatia para o crime capitalista de Estado de Tempe

Na sexta-feira (21/02), colocamos uma faixa gigante na fachada da ocupação Libertatia para divulgar a manifestação de greve de Tempe¹ em 28/02.

Em seguida, houve uma intervenção no mercado de Faliro com a distribuição do texto do coletivo.

NÃO FOI VONTADE DE DEUS OU O MAL TEMPO, OS LUCROS DELES SÃO NOSSOS MORTOS

TODOS NA MANIFESTAÇÃO DE GREVE EM 28/02, ÀS 10:00, NA KAMAPA (O Arco de Galério)

NÃO HÁ PAZ SEM JUSTIÇA

Libertatia, coletivo pelo comunismo libertário

Nota:

[1] Em 28/02/2023, uma terça-feira, dois trens, um de passageiros da Hellenic Train e outro comercial, colidiram em Tempe. Houve dezenas de mortos e feridos.

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agência de notícias anarquistas-ana

os fantasmas de cogumelos
viraram tinta:
pés nus no frio

Rod Willmot

[Espanha] Companheiro Ghespe detido e ingressado na prisão de Soto del Real aguardando extradição para a Itália

Nos últimos dias, ficamos sabendo pela mídia do regime que o anarquista Salvatore Vespertino (Ghespe) foi preso na Espanha, em Madri, no dia 15 de fevereiro, durante um controle policial. O companheiro foi levado para a prisão de Soto del Real em Madri e não se opôs à extradição para a Itália, que deve ocorrer em breve.

Ghespe, procurado desde 2023, havia sido condenado em grau de recurso na chamada Operação “Pânico” pela ação contra a livraria “Il Bargello” (Florença, 1º de janeiro de 2017), um espaço ligado à Casapound (espaço fascista). O dispositivo explodiu nas mãos de um policial desavisado, causando-lhe ferimentos graves, inclusive a perda de um olho e de grande parte de uma mão. A sentença de cassação de julho de 2023 confirmou as condenações em recurso, incluindo a sentença de oito anos para Ghespe, que já havia passado um longo período em prisão preventiva.

Solidariedade com o companheiro detido.

Seguiremos informando.

Salvatore Vespertino

Carretera M-609 Km 3,5

28791 Soto del Real (Madrid)

Espanha

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agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Hori Bakusui

Trabalhadores da educação e povos originários do Pará! A aliança classista que faz o Estado tremer!

Comunicado Nacional FOB

Em dezembro de 2024, o governo Helder Barbalho/MDB enviou um PL para a Assembleia Legislativa do Pará realizando um verdadeiro desmonte da educação e da cultura daquele estado. Entre as medidas, estava o aumento da hora aula de 45 mins para 60 mins, que representava mais de 6 horas a mais de trabalho docente por semana, além de outros ataques no Plano de Cargos Carreiras e Salários e em gratificações. Um completo absurdo com os docentes daquele estado. Tal ataque não ficou sem resposta, levando a categoria às ruas no dia 19 de dezembro, em um grande protesto que terminou com uma imensa violência policial contra a categoria.

Em janeiro, Helder Barbalho (MDB) iniciou um novo ataque com a promulgação da lei 10.820 que, dentre outras modificações, revogou leis anteriores que regulavam o Sistema de Organização Modular de Ensino Indígena – SOMEI. Sem essa regulação, o sistema poderia ser operado da forma que o governo de plantão decidir, dificultando a autodeterminação dos povos indígenas em relação a educação e precarizando o ensino. Como efeito, uma das possibilidades seria a diminuição de professores nos territórios indígenas e a implantação das “tele-aulas”. Um imenso retrocesso, pois, em que pese as dificuldades enfrentadas pelo ensino público hoje, as aulas presenciais possibilitam uma maior qualidade de ensino quando comparadas ao modelo EaD. Além disso, a proposta não se adequa à realidade de muitos territórios, que não possuem acesso à internet ou mesmo energia elétrica.

A resposta destes povos foi a ocupação da Seduc-PA. Tal ocupação vitoriosa durou 30 dias. Estes povos reivindicavam a derrubada desta lei e a queda de Rosieli Soares, secretário da educação do Pará, que trabalhou no governo Temer/MDB e apenas desocuparam a Seduc após a publicação da revogação desta lei em diário oficial.

No dia 05 de fevereiro de 2025, após 23 dias de ocupação, os ocupantes da assembleia conseguiram o compromisso do governo na revogação da lei 10.820, no entanto, continuam ocupando a Assembleia para garantir a formalização da revogação da referida lei.

Tal experiência já foi realizada noutros locais, como no Ceará, onde diversas etnias ocuparam a SEDUC em abril de 2024 reivindicando melhorias na educação indígena. Porém, o diferencial do caso paraense é a aliança entre os povos originários e a luta do movimento sindical da educação.

O povo unido é povo forte: a união dos professores indígenas e os demais professores da rede estadual do Pará

A luta dos Povos Indígenas em defesa de uma educação de qualidade semeou a solidariedade de classe, florescendo com a greve dos professores da rede estadual em solidariedade aos povos que ocupam a SEDUC, em defesa de uma educação de qualidade nos territórios.

A história do sindicalismo revolucionário é repleta de exemplos de greves em solidariedade como as Greve Geral de 1917 no Brasil que se expande em solidariedade com as trabalhadoras têxteis. Essa aliança, que para nós sindicalistas revolucionários é óbvia, é algo que remonta as greves na primeira metade do século XX, as greves de solidariedade.

No entanto, este fato político aparece em um momento em que o sindicalismo no Brasil cada vez mais se isola em corporativismo e em suas próprias pautas. Portanto, saudamos a aliança entre os professores no estado Pará, que sirva de exemplo para o conjunto de trabalhadores. Através da aliança e da unidade pela base, faremos os governantes e patrões temerem.

Conflito direção-base

Apesar da radicalidade na ação, os povos exigiram a presença da ministra de Estado, Sônia Guajajara. Após alguns dias, esta compareceu à Seduc para prestar solidariedade aos ocupantes, mas não abordou em sua fala a necessidade de revogar a lei 10.820 ou de retirar o secretário de educação de seu cargo. Está claro que Sônia está mais comprometida com a governabilidade de Lula/PT do que com as lutas dos povos originários.

Assim como Sônia Guajajara, diversas outras lideranças indígenas foram alçadas a cargos no Estado burguês, seja a nível federal, estadual ou municipal. Assim, começam a surgir interesses contraditórios entre algumas lideranças comprometidas com a administração pública e os interesses da base desses povos. Esta base começa a perceber tamanha contradição e já passam a cobrar publicamente aqueles que estão comprometidos com o Estado.

O papel dos sindicalistas revolucionários é estar ao lado do povo em suas lutas diárias, denunciando o peleguismo das lideranças que aderem ao projeto colonial estatal e construindo o verdadeiro poder popular.

Ir ao combate sem temer! Ousar lutar, ousar vencer!

A vitória que os povos originários conquistaram com a ocupação da Seduc-PA deve ser um referencial para todo o movimento de massas no Brasil. A desocupação só foi realizada após a revogação da lei 10.820 e sua publicação no diário oficial do Pará! Tal ação demonstra a permanente desconfiança dos povos com o Estado colonizador e com a política burguesa.

A unidade construída entre povos originários e movimento sindical da educação deve render bons frutos para os movimentos reivindicativos de nossa classe. A COP 30 será marcada pela ação direta dos povos tradicionais daquele território. Que se conteste a transição energética dos ricos que visa apenas o desenvolvimento capitalista em detrimento das necessidades e anseios dos pobres.

Pela Autoderteminação dos Povos!
Por uma educação de qualidade!
Por respeito a educação dos Trabalhadores da Educação!

lutafob.org

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sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento

Alexandre Brito

[EUA] Novo Prisioneiro Político: Annarella Rivera

Meu nome é Annarella Rivera, meus amigos me chamam de Rivers. Sou mãe de dois meninos maravilhosos e de um gato. Minhas co-réus e eu somos ativistas pró-escolha do território conhecido como Sul e Centro da Flórida. Duas de minhas amigas, Amber Smith-Stewart e Caleb Freestone, foram indiciadas por um grande júri em 23/01/2023, e Gabby e eu em 01/02/2024, sob a Lei FACE (Face Act), acusadas de vandalismo (pichação) em 3 centros de crise de gravidez (CLÍNICAS FALSAS!!), enquanto simultaneamente éramos acusadas pelo estado e pela Arquidiocese de Miami sob acusações de RICO e Conspiração, em um processo conhecido como SLAPP, que nos tirou os direitos da 5ª Emenda.

Sou anarquista e também tenho orgulho de dizer que sou ANTIFASCISTA. O Departamento de Justiça de Biden-Harris condenou duas das minhas amigas e eu ao B.O.P. (Bureau of Prisons) por pichação!!!! Nossa quarta companheira, Gabriella Oropesa, está aguardando julgamento, e VAI VENCER. Estamos em solidariedade inabalável com Gabby e a apoiamos totalmente. Precisamos construir comunidade, nos organizar e abolir essa máquina de guerra genocida, supremacista branca, carcerária e policial. Nós cuidamos de nós mesmas!

Escreva para:

Annarella Rivera #51391-510

FCI Tallahassee

P.O. BOX 5000

Tallahassee, FL 32314 – EUA

Fonte: https://www.abcf.net/blog/new-political-prisoner-annarella-rivera/

Tradução > Contrafatual

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Ao virar a esquina,
Saindo de trás do prédio –
A lua cheia.

Paulo Franchetti

Lula, babaca, amiguinho dos carros!

[EUA] A Pink Peacock, cafeteria antissionista de Glasgow, que é queer-aliada e iídiche, está de olho no Brooklyn

O pessoal por trás do espaço kosher, onde se paga o que se pode, que funcionou na Escócia por três anos, pretende reabrir em Crown Heights neste verão.

 Por Jackie Hajdenberg | 05/02/2025

Pink Peacock, a cafeteria kosher iídiche anarquista e queer-aliada que funcionou em Glasgow, na Escócia, por três anos, está tentando reabrir no Brooklyn neste verão.

A cafeteria, inaugurada em 2020, gerou um grande burburinho por ser provavelmente a única cafeteria queer, iídiche, anarquista e vegana do mundo onde se paga o que se pode. Em 2023, fechou depois que seus proprietários sofreram de exaustão [burnout], relatando uma “quantidade surpreendente de violência antissemita” durante seus três anos de operação por parte de outros “autodenominados esquerdistas”.

Mas agora, de acordo com os cofundadores da Pink Peacock, Moishe Holleb e Miles Grant, ambos estadunidenses e que acabaram voltando para o país por conta própria, a cafeteria espera obter sucesso duradouro no bairro mais badalado de Nova York.

“Percebemos que não havia espaços anti-sionistas, queer, anarquistas e judaicos na cidade de Nova York e, havendo essa lacuna, nos demos conta de que é necessário que [a iniciativa] continue a existir”, disse Grant.

Quanto a como eles acabaram chegando a Crown Heights, Grant disse que “simplesmente aconteceu”, enquanto eles pesquisavam bairros judeus em Nova York. “Há uma boa interseção entre a comunidade judaica e também muitas outras comunidades que estão na mesma área”, disse ele. “E acho que isso é muito importante para nós, como se disséssemos: ‘estamos todos conectados e há muitas lutas que se sobrepõem’, e acho que foi isso que nos tocou muito.”

Pelo menos uma pessoa judia da região está animada com o empreendimento que está por vir. Para Abby Stein, rabina trans ex-hasídica e ativista, a perspectiva de um café queer, iídiche e antissionista não muito longe de sua casa em Park Slope “parece muito legal”.

“Digo, é iídiche e queer”, disse Stein. “São duas das minhas coisas favoritas!”

“O que mais gosto no judaísmo nova-iorquino é que ele é como um bufê, e você pode encontrar literalmente tudo o que procura”, acrescentou Stein. “Não precisamos de outro espaço genérico judaico em Nova York”.

Crown Heights é o lar de grandes populações caribenhas, afro-americanas e judaicas, embora elas tendam a habitar diferentes partes do bairro.

“Vemos as mesmas necessidades aqui: nossas comunidades estão ávidas por um espaço judaico antissionista que seja acessível aos judeus queer ortodoxos e, infelizmente, as pessoas também estão literalmente com fome”, disse Holleb. “Imaginamos um espaço comunitário centrado na satisfação dessas necessidades, mas aberto a todo mundo, com um espírito de solidariedade e formação de coalizão. Ainda estamos nos estágios iniciais, mas esperamos abrir no verão.”

O nome da cafeteria, que também atende pelo nome em iídiche “Di Rozeve Pave”, é inspirado em “di goldene pave”, ou o pavão dourado, um símbolo mítico da literatura iídiche – embora a cor tenha sido alterada para rosa em solidariedade à comunidade LGBTQ. O iídiche – um idioma que se tornou cada vez mais popular entre judeus antissionistas como alternativa ao hebraico – está presente no cardápio da cafeteria, que se refere a “tunah” para atum e “shmir” para shmear.

Assim como o original de Glasgow, a Pink Peacock do Brooklyn também será um espaço comunitário e de oração antissionista que abrigará atividades como exposições de arte, eventos inter-religiosos, ensaios de coral em iídiche e celebrações nos feriados, como uma feira de livros anarquista em Shavuot e uma apresentação de Purim com drags.

Durante seus três anos de funcionamento na cidade mais populosa da Escócia, Pink Peacock não era alheia a controvérsias, tendo uma vez vendido chaves universais para algemas antes de um grande protesto da conferência climática. A cafeteria, que fechou definitivamente alguns meses antes de 7 de outubro, tinha uma bandeira palestina em exibição, bem como um pôster com o slogan “Judeus e Queers por uma Palestina Livre”.

Durante vários meses em 2020-2021, uma sacola foi exibida na janela com os dizeres “f- the police” [f— a polícia], o que levou Holleb a ser acusado de cometer uma violação da paz – uma ofensa criminal na Escócia. Em um determinado momento, a cafeteria também exibiu um panfleto para um baile de Yom Kippur “na tradição anarquista judaica”, a ser realizado no dia do feriado.

Na cidade de Nova York, o antissionismo é “uma voz que falta”, disse Grant. “Os nova-iorquinos judeus definitivamente possuem opiniões muito mais amplas do que as representadas em muitas instituições judaicas de Nova York. Por isso, achamos importante sermos claros em nossos valores e também oferecermos um lar para pessoas que compartilham esses valores.”

“Faz sentido que essa voz judaica singular exista em um lugar onde também há outras vozes judaicas”, disse Grant, que também é ativista ambiental. “Não estamos apenas no meio do nada na Escócia. Na verdade, estamos mais ou menos entre outras comunidades judaicas daqui.”

A comunidade judaica de Glasgow é bem pequena, com cerca de 9.000 pessoas. A comunidade judaica da cidade de Nova York, por outro lado, chega a quase 1 milhão, e o bairro do Brooklyn é o lar da maioria dos judeus da região, com 462.000.

Muitos dos judeus do Brooklyn são ortodoxos ou hassídicos – especialmente em Crown Heights, que abriga a sede global do movimento hassídico Chabad-Lubavitch. O rabino Menachem Mendel Schneerson, o último rebe Lubavitcher, acreditava que qualquer concessão israelense de terras aos palestinos colocaria em risco o povo judeu, e a grande maioria dos adeptos do Chabad é pró-Israel.

No entanto, a Pink Peacock ainda não tem um contrato de aluguel assinado, e é possível que a cafeteria não fique localizada na parte do bairro voltada para o Chabad.

“Na minha opinião, há muitas pessoas, até mesmo da minha comunidade, que não moram na parte do Chabad”, disse Stein, referindo-se a grupos judeus independentes locais, como o Minyan Atara, que é uma comunidade de oração igualitária independente, e o Brooklyn Shabbat Kodesh, um minyan antissionista, bem como indivíduos associados ao Jews for Racial and Economic Justice [Judeus pela Justiça Racial e Econômica], que tem sua sede no bairro. “Acho que [a Pink Peacock] se encaixa perfeitamente nesse sentido.”

Fonte: https://www.jta.org/2025/02/05/ny/the-pink-peacock-glasgows-queer-friendly-yiddish-oriented-anti-zionist-cafe-sets-its-sights-on-brooklyn

Tradução > acervo trans-anarquista

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rápido encontro —
no banquinho do parque
duas folhas secas

Seishin

[Alemanha] Ativistas da ALF destroem três torres de caça

“No dia 30 de janeiro, destruímos três torres de caça em uma floresta no sul da Alemanha. Com apenas duas pessoas e uma serra, conseguimos derrubar à força as enormes torres da morte, deixando a assinatura da ALF borrifada em seus lados de madeira.

Além disso, fizemos um pequeno trabalho de correção em dois painéis informativos, cobrindo-os completamente de tinta preta.

A disseminação de desinformação sobre a caça não será tolerada por nós, e repetiremos tudo isso, se necessário.

Nos divertimos especialmente com uma torre de caça que tinha um aviso pedindo para que outro grupo de ativistas não subisse nela, pois havia sido construída e mantida com muito esforço por uma pessoa honesta.

Bem, fizemos exatamente o que o proprietário pediu e não ficamos dentro da cabine da torre. Nós a desmontamos completamente, deixando o aviso do proprietário ao lado da nossa assinatura da ALF.

Estamos ansiosos para revisitar as torres de caça restantes com mais camaradas.

Parem com essa matança cruel e desnecessária!”

Fonte: https://unoffensiveanimal.is/2025/02/17/alf-activists-destroy-three-hunting-towers/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

À beira da estrada
A flor do hibisco, e o cavalo
De pronto a comeu!

Bashô

[Espanha] Caminantes Anarquistas Eliseo Reclus

Este mês de novembro, um grupo de militantes anarquistas e anarcossindicalistas do sindicato CNT-AIT de Ofícios Vários de Tarragona se reuniram em assembleia com o objetivo de constituir o Grupo Anarquista de Montanha de Tarragona chamado “Caminantes Anarquistas Eliseo Reclus”.

Recordando e aderindo à tradição anarquista dos geógrafos exploradores da estatura de Eliseo Reclus, Piotr Kropotkin e aos médicos anarquistas como Isaac Puente.

A finalidade do grupo é um espaço para que desde o movimento anarquista possamos realizar atividades relacionadas com a natureza: trilhas, excursionismo, montanhismo, e diversas disciplinas desportivas ajudando-nos a ser mais conscientes do mundo que nos rodeia.

CNT-AIT Tarracus

cntait-tgn.org

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Sombra de árvore –
Até mesmo a companhia de uma borboleta
É karma de uma vida anterior.

Issa

[EUA] O Que a Liberdade de Leonard Peltier Representa para o Futuro Indígena

Por Nick Tilsen | 31/01/2025

Minutos antes de deixar o cargo, o ex-presidente Biden concedeu clemência executiva a Leonard Peltier, comutando o restante de sua sentença de prisão perpétua para ser cumprida em casa. Embora o desfecho mais justo tivesse sido um perdão completo, a libertação de Peltier após 49 anos de encarceramento é uma vitória inegável. Agora, aos 80 anos, ele tem a chance de se reunir com sua família, receber cuidados médicos essenciais, continuar sua arte e compartilhar sua história com o mundo.

A liberdade de Peltier é valiosa por si só. Mas assim como sua prisão injusta simbolizou a opressão sistêmica dos povos indígenas, sua libertação representa a emancipação possível por meio da organização intergeracional. Ela demonstra as possibilidades do poder coletivo indígena.

O envolvimento de Peltier com os sistemas carcerários começou aos 9 anos, quando foi arrancado à força da casa de sua avó e enviado para um internato financiado pelo governo federal a centenas de quilômetros de distância — um deslocamento traumático que fazia parte de uma política mais ampla de genocídio cultural contra os povos indígenas.

Décadas depois, enquanto lutava na linha de frente pelos direitos indígenas e pela terra — e contra agentes federais que tentavam reprimir o Movimento Indígena Americano — ele foi injustamente condenado pela morte de dois desses agentes. A história de Peltier é um microcosmo da injustiça sistêmica que os povos indígenas enfrentam — uma lembrança do compromisso dos Estados Unidos em explorar, encarcerar e tentar apagar os povos originários.

Mesmo após quase meio século atrás das grades, Peltier nunca desistiu. Ele manteve a esperança e lutou por sua liberdade permanecendo conectado à sua espiritualidade, cultura e povo. Sua resiliência inspirou gerações a se unirem ao movimento pela justiça indígena, reforçando o poder do ativismo intergeracional fundamentado na cerimônia e na comunidade.

A luta para libertar Peltier foi longa e árdua, impulsionada por organização popular, pressão política e, acima de tudo, por aqueles que o conhecem e o amam. Muitos duvidaram que sua libertação fosse possível. Mas os povos indígenas provaram o contrário, construindo pontes entre o ativismo de base e as decisões no mais alto nível do governo.

Um ponto de virada significativo na campanha pela libertação de Peltier ocorreu quando o governo dos EUA começou a enfrentar seu papel na era dos internatos indígenas. À medida que mais verdades sobre o impacto devastador dessas instituições vieram à tona, Biden começou a mudar sua perspectiva. Saber que Peltier era um sobrevivente de internato o comoveu profundamente, humanizando sua história e adicionando urgência ao pedido de clemência.

O reconhecimento formal do governo federal dessas injustiças históricas ajudou a abrir caminho para a libertação de Peltier. Em outubro de 2024, Biden pediu desculpas pelo papel do governo nos internatos indígenas. Essa desculpa foi resultado de décadas de ativismo incansável de povos indígenas que exigiram que os EUA confrontassem esse capítulo sombrio de sua história e trabalhassem para reparar os danos causados.

Embora o pedido de desculpas tenha sido um passo importante, libertar Peltier foi uma ação concreta para lidar com os impactos contínuos das políticas de internatos. No entanto, o trabalho está longe de terminar, e esforços contínuos — como a aprovação da Lei da Comissão de Verdade e Cura dos EUA — são necessários para garantir uma justiça reparatória em larga escala pelos danos causados pelos internatos.

A liberdade de Peltier também é um testemunho do crescente protagonismo e influência de líderes indígenas no governo dos EUA. Figuras como a ex-secretária do Interior, Deb Haaland, desempenharam um papel crucial na amplificação das vozes indígenas e na sensibilização das autoridades para as questões da linha de frente. Sua defesa direta junto ao ex-presidente Biden foi fundamental para a libertação de Peltier.

Um dos desafios mais críticos na luta por Peltier foi combater as falsas narrativas perpetuadas por instituições como o FBI e o Departamento de Justiça, que o usaram como símbolo de punição contra os povos indígenas pelo tiroteio de 1975, no qual dois agentes do FBI foram mortos. Embora outros dois membros do Movimento Indígena Americano acusados pelo mesmo tiroteio tenham sido absolvidos por legítima defesa, Peltier foi usado como exemplo, sendo apresentado pelas autoridades como uma ameaça ao que poderia acontecer caso os indígenas ousassem resistir.

Conseguir clemência para Peltier levou muito tempo e exigiu esforços incalculáveis. Mas por meio da organização, da defesa política e da narrativa, desmontamos décadas de desinformação e mobilizamos uma coalizão poderosa de aliados. A história de Peltier ressoou com pessoas de todo o mundo, despertando um senso compartilhado de justiça e humanidade que transcendeu fronteiras políticas e culturais.

A luta por justiça no caso de Peltier encontra ecos trágicos em lutas mais recentes, como o assassinato da ativista indígena queer e não binária Tortuguita pela polícia em Atlanta. Tortuguita defendia terras florestais contra a construção da “Cop City”, um centro de treinamento policial planejado para ser erguido em terras Muscogee, quando foi morta com 57 tiros disparados pela polícia. Sua morte evidencia a violência e a criminalização enfrentadas por aqueles que arriscam suas vidas para proteger territórios sagrados.

Assim como Peltier, Tortuguita foi acusade de atirar contra os policiais, embora não haja qualquer evidência disso. Assim como Peltier, sua história ilustra até onde o Estado está disposto a ir para reprimir a dissidência e silenciar aqueles que defendem a justiça.

Diferente de Peltier, Tortuguita não está viva para contar sua história.

Enquanto celebramos a libertação de Peltier, devemos honrar a memória de ativistas como Tortuguita continuando a luta por justiça — desde combater os atuais ataques à comunidade LGBTQ até impedir que as necessidades básicas das pessoas sejam eliminadas do dia para a noite, passando por não permitir que nossos currículos escolares sejam definidos pelo racismo, pela queerfobia e pelo medo. Independentemente de quem esteja no poder, os povos indígenas continuarão protegendo suas terras, culturas e modos de vida contra as forças que tentam destruí-los. A liberdade de Peltier não é apenas um símbolo, mas um chamado à ação — uma lembrança de que, mesmo diante de obstáculos aparentemente intransponíveis, temos o poder de transformar o mundo.

Agora, com a administração Trump avançando agressivamente com planos de perfuração de petróleo, retirando-se do Acordo de Paris e congelando os fundos da Lei de Redução da Inflação, que são críticos para combater a crise climática, a necessidade de mobilização em massa nunca foi tão urgente.

Como o governo dos EUA não contribuirá mais com sua parte no orçamento do órgão climático da ONU, Michael Bloomberg anunciou que suas fundações cobrirão o custo. Embora isso não seja uma solução ideal ou completa para as novas ameaças climáticas, representa um progresso incremental em direção à redistribuição de riqueza e à ação necessária para proteger nosso planeta compartilhado. Outros filantropos devem seguir esse exemplo, direcionando recursos substanciais para organizações indígenas de justiça climática imediatamente. Os movimentos liderados por indígenas estão na linha de frente da defesa do planeta e precisam de apoio robusto para vencer.

Do Movimento Indígena Americano dos anos 1970 aos movimentos atuais de defesa da terra e da água, a organização e a construção de poder indígena permaneceram firmes contra todas as adversidades. A libertação de Peltier nos mostra o que é possível quando permanecemos enraizados em nossos valores, conectados à humanidade uns dos outros e comprometidos com a luta pela libertação de todos os povos. Continuaremos a expandir nosso poder e a nos mobilizar pelo nosso futuro coletivo — os próximos quatro anos e além exigem nada menos que isso.

Fonte: https://www.yesmagazine.org/opinion/2025/01/31/leonard-peltier-indigenous-futures

Tradução > Contrafatual

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Ruído de chinelos
No quintal do lado –
Mas que calor…

Paulo Franchetti

“Eu acho que podemos aprender com as propostas e práticas históricas de todas as vertentes do anarquismo”

Instituto de Estudos Libertários (IEL) entrevista Marcolino Jeremias | Janeiro de 2025

Quem é Marcolino Jeremias?

Tenho 47 anos, trabalho como recepcionista no SUS faz 22 anos e estou envolvido com o movimento anarquista desde 1994. No ano passado completei 30 anos de militância libertária. Nesse mesmo período adotei uma postura vegetariana (vegana) e abstêmia, que carrego até os dias de hoje, e que eu considero que refletem minhas ideias anarquistas.

Como se deu o seu primeiro contato com o anarquismo?

No começo dos anos 90, eu estava completamente envolvido na cena underground, especialmente na cena do metal extremo e do grindcore, fazendo zines e participando de bandas. Foi um pulo para ter contato com os coletivos anarcopunks e, depois, com os coletivos especificamente anarquistas. Em 1994, eu participei de um coletivo no Guarujá que teve vida curta: o Coletivo Libertariedade e Gaia. Nesse momento, assisti algumas palestras, inclusive, a primeira que eu vi da companheirada de São Paulo, foi justamente uma do Coletivo Anarcofeminista (CAF), aqui mesmo na cidade do Guarujá, nos apresentando algumas das instigantes ideias do anarcofeminismo. Em seguida fui convidado a participar da União Libertária da Baixada Santista (ULBS), um grupo punk/anarquista local, que organizou várias atividades no período em que existiu (1991 — 2002), foi nessa época que tive os primeiros contatos com os velhinhos do Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS), o Antônio Martinez e, com um pouco mais de frequência, o Jaime Cubero.

Lembro que numa palestra o Jaime Cubero disse: “O militante anarquista se doa para a causa que defende”. Isso realmente me fez refletir como eu, pessoalmente, poderia me dedicar mais para o anarquismo. Eu estava enfrentando um período em que não encontrava trabalho, mal conseguia juntar uns trocados para contribuir financeiramente com o coletivo que participava. Percebi que uma coisa que eu poderia fazer (já que tinha bastante tempo livre e nenhum dinheiro) era frequentar arquivos públicos (gratuitos) para buscar maiores informações e subsídios históricos que pudessem sanar algumas dúvidas que eu tinha sobre o anarquismo e, num segundo momento, socializar essas informações para difundir o anarquismo e, quiçá, ajudar outras pessoas a também sanarem as suas próprias dúvidas. Foi a maneira que eu encontrei, no dizer de Jaime Cubero, de ‘me doar ao anarquismo’.

Você se identifica com alguma linha histórica específica do anarquismo?

Eu acho que podemos aprender com as propostas e práticas históricas de todas as vertentes do anarquismo, mesmo simpatizando mais com umas do que com outras. A prática política vale mais do que a vertente ideológica que o sujeito diz defender. Se fosse para me classificar em alguma vertente histórica, eu diria anarquismo sem adjetivos. Porém, prefiro apenas anarquista mesmo, pois foi assim que eu aprendi com os velhos companheiros.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2025/01/25/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-marcolino-jeremias/

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É tarde, escurece,
a lua se esforça
mas logo aparece.

Pedro Mutti

[Itália] BOAB – Feira do Livro Anarquista de Bolonha

5-6-7 de setembro de 2025 

Parco del Fondo Comini, Bolonha 

Nos últimos anos, em nível internacional, os encontros dedicados à publicação anarquista e libertária se multiplicaram, provando ser oportunidades fundamentais de compartilhamento e convivência, reafirmando continuamente a autogestão e o debate cara a cara. Órfãos da Vetrina dell’editoria anarchica e libertaria di Firenze, que por quase vinte anos nos permitiu nos encontrar a cada dois anos, e movidos pelo desejo de voltar à ação, decidimos transformar em realidade o que até agora eram apenas ideias trocadas entre um brinde e outro ou no fim de algum evento. Queremos organizar um encontro onde possamos nos reunir novamente, conversar, debater, comer, beber e dançar. Em resumo, um espaço para construir comunidade em um momento em que isso é mais necessário do que nunca.

Alguns de nós se conhecem há muito tempo, para outros esta é a primeira vez trabalhando juntos. Certamente teremos que arregaçar as mangas, mas nossa esperança é que este seja apenas o primeiro de muitos encontros!

Com grande entusiasmo e o desejo de reencontrar velhos rostos e conhecer novas pessoas, convidamos vocês para a Feira do Livro Anarquista de Bolonha – BOAB, nos dias 5, 6 e 7 de setembro de 2025. A feira começará com uma noite de boas-vindas na Circolo Anarchico Berneri, na sexta-feira, e continuará no Parco del Fondo Comini (Via Fioravanti 68) no sábado e no domingo.

Além das bancas de livros, revistas, produções independentes e materiais informativos, haverá debates e momentos de discussão focados nas formas e práticas do anarquismo contemporâneo. Também estão previstos música, performances, oficinas, jogos e espaços para crianças, além de comida e vinho, seguindo uma prática que nos é cara – a da autogestão, unindo aprofundamento teórico e pensamento crítico à socialização, compromisso político e organização prática ao prazer da convivência.

Nos próximos meses, divulgaremos o programa oficial, todas as informações sobre como participar do evento e materiais detalhados sobre os temas das palestras e debates. Queremos que este encontro seja o mais internacional possível, com a presença de editoras, coletivos e contribuições de outros países. Por isso, lançamos um chamado para tradutores, tanto para a tradução de anúncios e materiais escritos que serão publicados gradualmente, quanto para tradução simultânea durante os dois dias do evento.

Toda ajuda nesse sentido será muito bem-vinda! Se você puder colaborar, entre em contato conosco.

Organização:

Biblioteca Elio Xerri (Circolo Anarchico Berneri), Centro Studi Libertari G. Pinelli, Edizioni Malamente, com o apoio da ReBal (Rete delle Biblioteche Anarchiche e Libertarie).

Informações e contato:

Website: boab.zone

Email: info@boab.zone

Tradução > Contrafatual

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Brilho da lua se move para oeste
a sombra das flores
caminha para leste.

Buson

[Holanda] Lançamento: Take Back Mokum – Ocupação e Luta pela Moradia em Amsterdã

Como ocupar uma casa? Como organizar uma greve de aluguel? Como lutar contra a gentrificação? Como resgatar a cidade?

‘Take Back Mokum’ retrata a luta pela moradia em Amsterdã hoje. Ele mostra como o movimento de ocupação se mistura com o ativismo queer, com a luta de migrantes sem documentos, com questões ecológicas e com iniciativas populares pelo direito à cidade. Consistindo em ensaios, entrevistas, histórias visuais e muito mais, ele compila os insights e conhecimentos práticos de uma grande variedade de ativistas e coletivos de toda Amsterdã. Juntos, eles representam uma experiência compartilhada da vida urbana vivida de forma autônoma. Mokum é o apelido de Amsterdã. Originalmente significando refúgio ou porto seguro, é um lugar que criamos em resistência, em comunidade, em fuga da ordem estabelecida. Este livro mostra como – e convida você a participar.

Take Back Mokum – Squatting and The Housing Struggle in Amsterdam

352 p, ills bw, 14 x 21 cm, pb, inglês

US$ 22,30

ideabooks.nl

Tradução > Bianca Buch

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Mesmo molhado
Resplandece ao pôr-do-sol
O campo de algodão.

Paulo Franchetti

[Espanha] Um falso conceito “libertário” permeia nosso frágil mundo

Comunicado de imprensa do CEDALL – ano 2025

(Aviso urgente para os recém-chegados, notas para os que já se foram e beijos para os perenes…)

O CEDALL é um centro de documentação dedicado principalmente à divulgação da história do movimento libertário e antiautoritário no território espanhol. Quem nos conhece há algum tempo ou pode nos consultar no futuro está ciente dos materiais de informação histórica que oferecemos aos curiosos e interessados na extensa história do anarquismo ibérico espanhol durante os séculos XIX e XX.

2 É possível que esses sinais da identidade do CEDALL sejam conhecidos por aqueles que trocaram opiniões conosco ao longo desses 25 anos de trabalho cultural e propagandístico e, portanto, essa breve “introdução” pode parecer um tanto retórica ou simplesmente desnecessária. Talvez tenham razão aqueles que pensam assim. Mas, de qualquer forma, acreditamos que não é supérfluo delinear o que foram e ainda são hoje as principais linhas de argumentação que unem o nosso projeto coletivo voltado para a divulgação da história libertária das classes populares de nosso país.

O principal motivo deste inusitado artigo do CEDALL é evidentemente reativo e contém em sua origem uma profunda inquietação com o que consideramos ser uma distorção conceitual maciça e crescente do significado mais reconhecido do termo “libertário“. De fato, nós, como coletivo editorial, e sob o conhecido acrônimo “CEDALL“, desde o início incluímos expressamente a palavra “llibertari” (em catalão).

4 Como é historicamente reconhecido desde meados do século XIX, o termo libertário, especialmente no que diz respeito ao que poderíamos chamar de “(des)ordem capitalista global”, tem sido associado principalmente ao movimento operário de influência anarquista em sua insistente batalha contra o capitalismo e por uma sociedade livre e emancipada de qualquer exploração social. Acreditamos, a respeito dessa forte afirmação, que poucos historiadores e “acadêmicos” seriam capazes de refutar essa definição inicial, expressa em uma infinidade de livros e análises rigorosas da história geral dos séculos XIX e XX.

5 A questão central desse escrito-denúncia encontra-se, sobretudo, em nosso atual e brilhante presente e, portanto, no persistente uso “in-progress” e amplamente distorcido do termo “libertário“. Entre alguns dos diversos e brilhantes “falsários” encontramos hoje desde setores econômicos até grupos sociais/políticos e também alguns estranhos e muito poderosos “indivíduos-alfa” que fariam parte de um estranho e perigoso conglomerado “hipercapitalista” internacional.

Entre suas muitas maluquices que expressam com certa frequência nos meios de comunicação de massa, um de seus objetivos de médio prazo é a destruição gradual de certas conquistas sociais obtidas por meio das lutas das classes populares em muitos países (ou seja, educação, assistência médica e previdência pública etc.).

Seu ataque persistente e deliberado ao “estado” é exercido, nessa ocasião, a partir de uma posição nitidamente “anarcocapitalista”, e não se baseia na justiça social para o benefício de todos os cidadãos, mas sim, ao contrário, na chamada “liberdade” (empresarial) que favorece, prioritariamente e sem nenhum disfarce, seu próprio benefício econômico.

Pelo contrário, a possível supressão do “estado”, teorizada pelos primeiros ideólogos do anarquismo social mais reconhecido no último terço do século XIX, sempre esteve ligada à supressão real e efetiva do sistema capitalista injusto e também à construção de uma nova sociedade na qual qualquer indício de exploração social desapareceria, tanto em suas dimensões individuais quanto coletivas.

6 Alguns exemplos concretos desse surto epidêmico da classe burguesa internacional que está varrendo nosso frágil mundo globalmente sob o rótulo recente desse falso espírito libertário capitalista podem ser vistos recentemente, por exemplo, no governo de Javier Milei na Argentina ou na influência ameaçadora e persistente dos poderosos “lobbies” capitalistas dos EUA, intimamente ligados atualmente ao bloco ultraconservador que venceu as recentes eleições gerais de 2024 em torno do pântano golpista do “trumpismo”. O que antes, e não há muito tempo, era habitualmente referido pela imprensa internacional “mainstream” sob o rótulo acurado de “ultraliberal”, está se transformando rapidamente, por meio de uma certa insistência importunante, sob o guarda-chuva distorcido e cada vez mais enganoso do termo “libertário“.

7 Nós do CEDALL gostaríamos de alertar enfaticamente, caso ainda não estejam cientes de nossa linha editorial, que os materiais históricos que disponibilizamos e as ideias-força que neles transpiram remetem a (outro) imaginário ideológico radicalmente antagônico e oposto a esses grosseiros defensores de um “anarcocapitalismo” cada vez mais antissocial e doentio.

A tradição histórica inicial dos movimentos libertários foi articulada principalmente por militantes e ativistas sociais que fizeram parte das classes populares (mulheres e homens) e que defenderam os oprimidos (“o sal da terra”) em seu cotidiano arriscado e difícil até as últimas consequências, com uma atitude exemplar de solidariedade.

8 É por isso que as tendências ideológicas e econômicas representadas por esse bloco social cada vez mais consolidado e de aparência ultraconservadora não representam em nada o que o coletivo CEDALL tem defendido desde o seu início. De certa forma, pode-se afirmar, com certo rigor histórico, que grande parte dos libertários fez parte, desde o início, do imaginário social que se constituiu em torno do que alguns de seus líderes chamam depreciativamente de “esquerdistas”, em que a crítica radical ao capitalismo e ao seu regime de dominação absoluta formou uma parte substancial de suas ideias e anseios persistentes.

9 Finalmente, e para finalizar nossa nítida posição ideológica, gostaríamos de listar brevemente, embora não de forma exaustiva, nossas fortes preferências pessoais sobre alguns dos homens e mulheres anarquistas e socialistas libertários que deixaram uma marca indelével em nós ao longo de sua história pessoal e que ainda vivem em nossos pensamentos e em nossos corações:

Mikhail Bakunin, Pierre-Joseph Proudhon, Piotr Kropotkin, Louise Michel, Emma Goldman, Elisée Reclus, James Guillaume, Errico Malatesta, Anselmo Lorenzo, José Prat, Teresa Claramunt, Francesc Ferrer i Guardia, José Sánchez Rosa, Mauro Bajatierra, Salvador Segui, Joan Peiró, Eleuterio Quintanilla, Manuel Buenacasa, Ángel Pestaña, Tomás Herreros, Joan García Oliver, Federica Montseny, Francisco Ascaso, Buenaventura Durruti (entre outros e outras…)

EQUIPE CEDALL (Janeiro de 2025)

Fonte: https://redeslibertarias.com/2025/01/20/un-falso-concepto-libertario-recorre-nuestro-fragil-mundo/

Tradução > acervo trans-anarquista

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agência de notícias anarquistas-ana

se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha