Áudio | Apresentação do livro: “Argentina campeón, Videla al paredón”

Apresentação feita em 07/06/2024 na Biblioteca e Arquivo Alberto Ghiraldo, Rosário, por Expandiendo la revuelta.

“Nesta nova pesquisa, decidimos nos concentrar em um evento específico da história argentina, deixando o ambiente anárquico específico (embora com várias menções) para, a partir de uma abordagem antiautoritária e revolucionária, poder pensar sobre a resistência à Copa do Mundo.

Ao iniciarmos nossa pesquisa, percebemos que, apesar da vasta bibliografia, as menções à Resistência eram solapadas ou minimizadas, pensando no evento como um acontecimento trágico, mas recusando-se a aprofundar os debates e as ações concretas que foram realizadas, tanto para boicotar a Copa do Mundo quanto para usá-la como propaganda antiditatorial nesse território.

Em vez de pensar no passado como uma conjunção de eventos anedóticos ou como uma entrada em claustros acadêmicos, descobrimos que, a partir do presente, podemos pensar na resistência à Copa do Mundo para questionar e aprofundar diferentes tópicos, como o internacionalismo, o isolamento da luta armada, o impulso subversivo e as inovações, a propaganda, o papel da mídia e a “banalidade do mal”, o desenvolvimento urbano, a gentrificação e a reprodução capitalista, a relação do esporte e da educação física com a mercadoria e a modernidade, ou a vida nos campos de concentração diante do cinismo massificado. ”

>> Clique para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=wctWiUcpMus&feature=youtu.be

bibliotecaalbertoghiraldo.blogspot.com

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Pardais
No meio da garoa –
Está chegando o inverno.

Paulo Franchetti

Gastos Militares-Mercado da Morte | Governo Lula compra 12 helicópteros Black Hawk dos EUA pela bagatela de R$ 4,7 bilhões

O governo Lula firmou um acordo para a aquisição de 12 helicópteros UH-60M Black Hawk dos Estados Unidos. O contrato bilionário foi publicado no Diário Oficial da União em 15 de julho. A compra, autorizada pelo Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho, não exige contrapartidas tecnológicas, industriais ou comerciais.

A aprovação pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos ocorreu em 24 de maio. O custo estimado é de até US$ 950 milhões (R$ 4,7 bilhões!!!), incluindo helicópteros, motores, sistemas de navegação e rádios. As empresas envolvidas são a Lockheed Martin e a Sikorsky.

Os UH-60M Black Hawk são helicópteros multifuncionais que podem transportar até 11 passageiros e quatro tripulantes, além de cargas de até 4.000 kg. Equipados com monitores, radar para tempestades e um mapa digital, os Black Hawk são utilizados em missões militares, transporte médico e combate a incêndios.

Esses helicópteros serão utilizados pelo Brasil em diversas operações, incluindo transporte de tropas, segurança de fronteiras e resgate médico. A aquisição também fortalece a cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: agências de notícias

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dou de comer ao gato:
o ronrom
estridula sem cessar

Ross Clark

88 Anos da Revolução Espanhola

[Espanha] Fundação Salvador Seguí: De portas abertas

A Fundação Salvador Seguí foi criada em 1986, por acordo com a CGT, como um Centro de Estudos Libertários no âmbito estatal. Hoje, ela tem três delegações em Madri, Barcelona e Valência. Entre seus objetivos, está a recuperação da memória histórica dos movimentos sociais e, preferencialmente, do Movimento Libertário, bem como a divulgação e atualização das propostas libertárias, por meio de publicações, debates, conferências, congressos, exposições, grupos de pesquisa etc. A FSS pertence a várias organizações, tanto na Espanha como internacionalmente, que reúnem arquivos e pesquisadores com objetivos semelhantes. A Fundação conta com uma biblioteca e uma hemeroteca em Madri, além de uma livraria, uma editora e um arquivo com um acervo documental de várias centenas de milhares de documentos e um banco de dados em constante crescimento (atualmente com mais de 40.000 registros) de todos os tipos de materiais, disponível para pesquisadores e pessoas interessadas.

Hoje entrevistamos Mª Ángeles García Enríquez, uma colaboradora regular da Fundação.

Externamente, a Fundação parece ser um campo reservado para pesquisadores e especialistas e não muito próximo dos afiliados da CGT. Como você entrou em contato com a Fundação? 

Meu contato com a Fundação foi por meio de um companheiro e amigo do Sindicato dos Bancários, Paco Romero. Em 2017 passei por uma situação pessoal complicada e ele, sabendo do meu interesse por livros, me incentivou a visitar a Fundação, me apresentou a Carlos Ramos, um membro “histórico” da FSS, e comecei a frequentar as reuniões de um projeto que eles estavam trabalhando na época sobre exilados libertários. Li muito sobre esse assunto, que adorei e me fez descobrir muitos fatos históricos que eu não conhecia sobre a guerra civil espanhola e o período pós-guerra. O compartilhamento de tudo o que lemos, os debates entre nós, as conclusões e tudo o mais foram um aprendizado e um crescimento pessoal muito importantes para mim. Um livro foi publicado e fizemos apresentações em diferentes centros sociais e da CGT, embora a pandemia tenha nos impedido de chegar a mais lugares. Foi assim que me tornei colaboradora do FSS.

Você sabia alguma coisa sobre Salvador Seguí?

Não. A verdade é que muitas vezes me perguntei por que a Fundação recebeu o nome de Salvador Seguí. Graças aos companheiros do FSS, eu sabia que ele tinha sido um sindicalista anarquista antes da República, mas não tinha lido nada sobre o período, seu pensamento, sua atividade sindical. E, no entanto, fui uma delegada ativa da CGT por muitos anos, desde 1994, para ser mais preciso, até minha aposentadoria em 2019. Portanto, todo o trabalho que realizamos no ano passado por ocasião do centenário da morte de Seguí foi uma nova fonte de conhecimento para mim. As conferências sobre a atualidade de seu pensamento, os artigos e o livro que estamos publicando podem ajudar os associados a começar a apreciar esses lutadores exemplares. O trabalho na Fundação é aditivo.

É necessário um determinado nível de formação para participar e/ou colaborar com a Fundação?

Não. Há muitas coisas para fazer na Fundação, desde trabalho administrativo, TI, fotografia, etc. até a participação nos vários projetos, cada um de acordo com suas preferências e o tempo que deseja dedicar a isso. Mas o melhor de tudo é que é uma forma de conhecer o pensamento anarquista, o movimento sindical e a história do nosso meio, o que ajuda a entender melhor a situação política atual e o sindicalismo, bem como as iniciativas para melhorar a situação dos trabalhadores e do povo em geral. Ninguém é pago pelo trabalho que faz, a Fundação é mantida pela contribuição dos membros e dos sindicatos e organizações que decidem nos apoiar.

É possível que pessoas que não moram em Madri participem de alguma das atividades?

Sim, tanto as reuniões de trabalho quanto algumas das atividades, como o programa de leitura comentada “Ler e Debater”, são realizadas presencialmente e on-line. Com esforço e boa vontade, estamos modernizando nossos recursos.

Qual é o seu sistema de financiamento? Ou seja, de onde vem sua renda para financiar seus projetos?

Fico feliz que tenha me feito essa pergunta. Pode parecer que é a própria CGT que assume a manutenção do FSS, mas a realidade é que os recursos da FSS são determinados por duas fontes de renda:

A primeira, e mais importante (economicamente falando), vem dos MEMBROS (sejam eles afiliados, sindicatos e/ou amigos). Atualmente, no FSS Madrid, não somos muitos, mas o número de membros está crescendo e isso nos ajuda a nos manter.

A segunda (a uma grande distância da anterior) vem da venda de livros e de uma pequena renda que pedimos aos pesquisadores pelas cópias que fazemos dos materiais que eles nos pedem para seus trabalhos.

Também devemos acrescentar a ajuda da Confederação Territorial e da Confederal quando elas encomendam projetos (exposições, edições de livros) ou quando realizamos atividades de interesse da Confederação, como os eventos e materiais preparados para o centenário do assassinato de Salvador Seguí no ano passado.

Dito isso, é fácil supor que a austeridade e o comprometimento de nós que trabalhamos na FSS são as chaves da nossa economia, que, embora precária, consegue manter viva a ilusão de que o que fazemos é importante para os associados, tanto do presente quanto do futuro.

Você acha que a Fundação Salvador Seguí é conhecida pelos membros da CGT?

Acho que não. Eles podem ouvir falar de nós e saber de nossa existência, mas não sei se estão cientes de nossas atividades e se estão interessados em saber mais sobre elas. Deveria caber aos próprios sindicatos disponibilizar todas as nossas informações aos associados. Quem decide se filiar à CGT não o faz exclusivamente pelos serviços e vantagens que outros sindicatos oferecem, mas sim porque o considera um sindicato que não se vende, que é autogerido e baseado em assembleias, e é por isso que é necessário conhecer suas origens. Conhecer as propostas libertárias em todas as áreas é importante quando se está em um sindicato como a CGT. A Fundação às vezes participa de cursos de treinamento.

Em quais projetos vocês estão trabalhando atualmente?

Nosso primeiro objetivo, é claro, não é outro senão levar o trabalho da FSS a todos os membros, tanto sindicatos quanto afiliados. Atendemos às solicitações de diferentes sindicatos para levar a eles nossas mesas redondas sobre o pensamento de Salvador Seguí; dentro da atividade de “Leitura e Debate”, em 7 de fevereiro debatemos o livro “Ecofascismo”, de Carlos Taibo; continuamos a atender pesquisadores, editamos livros e participamos de diferentes Feiras do Livro Anarquista que são organizadas. Também participamos com artigos em Libre Pensamiento e Rojo y Negro, orientamos estágios curriculares para estudantes de mestrado e universitários, organizamos cursos específicos sobre organização documental ou introdução à metodologia de pesquisa social e, graças às doações de materiais que recebemos continuamente e a algumas aquisições que fazemos, estamos enriquecendo o acervo documental do arquivo. Agora estamos criando um importante arquivo audiovisual. A propósito, gostaria de aproveitar esta oportunidade para fazer um apelo aos sindicatos: classificamos os arquivos de vários sindicatos que nos pediram para fazê-lo na época (Bancos, Educação…) e podemos continuar a fazê-lo! Pedimos a eles que não joguem fora seus documentos e os classificamos de acordo com os critérios que eles nos informam ou, se não for possível, de acordo com um critério geral que usamos para toda a documentação da CGT, nós os limpamos, fazemos um inventário e os devolvemos ou os guardamos, conforme desejarem.

Planos para o futuro?

O problema da mudança das instalações do Alenza e a falta de conhecimento de onde podemos nos instalar é uma grande desvantagem. No entanto, e na medida do possível, continuamos trabalhando: encomendando materiais e fundos que continuam chegando, atendendo a pesquisadores, iniciando novos projetos… Aos poucos, estamos incorporando companheiros para digitalizar fotos e documentos em mau estado e milhares de outras tarefas. Todas as pessoas que quiserem participar podem colaborar nas diferentes áreas.

Fonte: Rojo y Negro nº 388 – abril 2024.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

EF! Reunião no Reino Unido procurando galera da Libertação Animal

O QUE: Reunião eco-anarquista

QUANDO: de 25 a 29 de julho

ONDE: Crabbapple Co-op, Shropshire UK

MAIS INFORMAÇÕES: https://www.earthfirst.uk/

CHAMADA PARA QUE A GALERA DA LIBERTAÇÃO ANIMAL PARTICIPE DA REUNIÃO EARTH FIRST! 2024!

Fala, pessoal!

Somos um grupo de pessoas que querem ver mais oficinas e pessoas relacionadas à libertação animal na reunião Earth First! deste ano. A reunião EF! vem ocorrendo há 30 anos e a libertação animal tem tido uma influência bastante variável ao longo do tempo. Gostaríamos muito de ver mais pessoas que se importam com os animais no encontro, organizando palestras, misturando-se, planejando, ensinando e aprendendo!

O evento é um encontro de cinco dias, todo ano em um local diferente, onde eco-anarquistas se reúnem para socializar, compartilhar novas ideias, planejar e organizar. O evento tem um ethos de “todo mundo é da equipe”, e as pessoas pagam o quanto puderem para a organização do evento. Ninguém é rejeitado por falta de dinheiro, e a alimentação está incluída, você só precisa trazer uma barraca e um material confortável para dormir!

Como gostaríamos de ver mais coisas relacionadas à liberdade animal, estamos organizando palestras. Se você acha que gostaria de dar uma palestra radical sobre libertação animal (pode ser história, uma discussão aberta, ou estratégia, ou uma nova campanha, ou um workshop prático para aprender a fazer algo!), você pode mandar um e-mail para

EFUK_animallib(ARROBA)proton(PONTO)me

Convenientemente o encontro acontece na mesma época que o Vegan Camp Out, então se você odeia o ethos capitalista desse festival tanto quanto nós, junte-se a nós para fazer parte de algo, venha e conspire conosco, vamos organizar a próxima campanha! Reúna seu grupo de laboratório ou seu grupo local de direitos dos animais, e nos vemos na reunião EF! no final do mês!

Para mais informações dê uma olhada no site da reunião EF! aqui: https://www.earthfirst.uk/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Entre os mugidos do gado
E o cheiro de capim,
Nasce a lua cheia.

Paulo Franchetti

[Espanha] Venha celebrar o 19 de julho. Ato público em Fraga

Documentário:

Sueños Colectivos

Sexta-feira, 19 julho

Hora: 20:00

Lugar: Sala Aurora. C/ San Quintín, 9 -pasaje- Fraga

Sinopse documentário:

“Desde o mesmo começo da Guerra civil, em julho de 1936, em muitos povoados da Espanha republicana e na grande maioria do Alto Aragão, mulheres e homens do campo coletivizaram a terra e puseram fim à exploração do homem pelo homem. Aboliram o dinheiro, implantando o intercâmbio de produtos, articularam uma divisão igualitária segundo as necessidades de cada um, atenderam questões sociais que até então tinham sido esquecidas durante séculos…”.

Documentário dirigido por Marco Potyomkin, Manuel Gómez. Ano 2011

Comunicado CNT/AIT Fraga:

Celebramos o 19 de julho, dia da Revolução Social

Nos meses que seguiram a sublevação franquista em julho de 1936, aconteceu em grande parte da geografia espanhola uma revolução social com um alcance sem precedentes. Carecia de “vanguarda revolucionária” e no geral foi bastante espontânea. Seus agentes foram massas de trabalhadores agrícolas e urbanos que realizaram uma transformação radical das condições sociais e econômicas, que persistiu, com notável êxito, até que foi esmagada pela força“. Noam Chomsky, 1968

Quase 90 anos transcorreram desde aquele 19 de julho de 1936, quando milhares de trabalhadoras e trabalhadores foram às ruas de cidades e povoados da Espanha para parar o golpe militar dos generais iniciado dois dias antes em Melilla. Sua determinação frustrou as intenções criminosas de um exército endurecido nas guerras coloniais da África e apoiado pelos regimes fascista italiano e nazi alemão, e auspiciado pelas classes privilegiadas, a oligarquia econômica, eclesiástica e a direita política.

Queremos recordar a heroica gestão daqueles dias do mês de julho de 1936, mas também a Revolução Social que o povo trabalhador protagonizou a partir de então. O acontecido na Espanha daqueles anos, representa uma das maiores conquistas sociais da história recente da humanidade. Naquele breve espaço de tempo, e em pleno conflito bélico, se desenvolveram muitas das fórmulas organizativas e econômicas igualitárias, reclamadas há anos desde o anarcossindicalismo.

As instituições do Estado ficaram retidas, prefeituras e governos territoriais, estamentos armados e o próprio exército, ficaram submetidos à vontade popular criando novos organismos revolucionários, como o Conselho de Aragão. Socializaram-se os meios de produção, a propriedade da terra se coletivizou, também as fábricas e oficinas; a economia ficou sob controle obreiro. A experiência organizativa, proveniente em grade medida do Movimento Libertário, contribuiu para realizar grandes transformações sociais, dando prioridade aos exíguos serviços de saúde, educação e à cultura.

O 19 de Julho simboliza a maior conquista da classe trabalhadora em seu afã de conquistar a liberdade e bem estar, que durante um tempo mudou o curso da história humana e que só se truncou pela ação da violência e da força das armas. Por isso reivindicamos o legado daquelas mulheres e homens, por sua capacidade organizativa, mas também por sua consciência; seus ideais são os nossos, nos ajudam a caminhar.

Por essa razão desde a CNT/AIT mantemos sempre viva a memória e a compartilhamos, fazendo-a extensiva a toda a sociedade. Porque é a História das pessoas simples, as de ontem e as de hoje, essa que com seu trabalho põe em marcha dia a dia a vida; no andaime, na oficina, no campo, no escritório, na escola, no hospital… Essa história menosprezada ou silenciada pelo oficialismo e o interesse partidário.

Fraga 19 de Julho 2024

CNT/AIT Fraga, Alto Aragão

Fonte: https://bajocincalibertario.blogspot.com/2024/07/ven-celebrar-el-19-de-julio-acto.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem de mosquitos
o ar se move
vento nenhum

Alice Ruiz

[Espanha] A França “salva os móveis de uma casa em chamas”

Após o segundo turno das eleições parlamentares francesas, a mídia quer nos fazer acreditar mais uma vez que a extrema direita foi detida nas urnas. O mesmo “final feliz” para satisfazer aqueles que continuam acreditando que o circo eleitoral tem algo a ver com a realidade da maioria social.

Toda vez que uma nova edição da “festa da democracia” é organizada, não somos apenas nós que temos de pagar pela ressaca, mas também assistimos com certo entusiasmo à “luta” pelo poder de uma classe social que se opõe aos interesses dos trabalhadores, confiando (talvez) que nós também nos “beneficiaremos” da possível vitória da opção “menos ruim”.

No caso da França, a esquerda burguesa conseguiu no segundo turno, no domingo, 7 de julho, um apoio maior do que a extrema direita burguesa, e fomos levados a acreditar, com manchetes, que todos nós “ganhamos”. Mas a realidade é que – como José Luis Cuerda consegue retratar com perfeição em uma das famosas cenas do longa-metragem “Amanece que no es poco” (1989) – “ganharam os mesmos de sempre”. E a situação para as pessoas mais vulneráveis e para a classe trabalhadora em geral não será diferente (ou muito diferente do que é agora). Como dizem os camaradas libertários e anarquistas franceses, “no último domingo, conseguiu-se apenas salvar um conjunto de móveis de uma casa em chamas”.

Essa ideia nos faz refletir sobre um dos debates das últimas semanas, antes das eleições francesas. O avanço das ideias racistas e xenófobas e, em geral, de qualquer comportamento reacionário e intolerante na França. É verdade que a extrema direita não modulou seus discursos de ódio e que também encontrou a colaboração da mídia para divulgá-los. Entretanto, esse “problema” já existia e estávamos vendo as consequências de sua aceitação na sociedade francesa.

É por isso que dissemos há alguns dias que a luta deve ser constante e diária, e não deve ser abandonada ou relaxada assim que as eleições terminarem. Se o fascismo teve facilidade para encontrar “buracos” por onde entrar em nossos bairros, cidades, escolas, locais de trabalho, organizações sindicais e sociais etc., é porque esses espaços foram gradualmente cedidos a ele, e suas ideias se estabeleceram e se tornaram fortes na ideologia de nosso povo, entre muitas pessoas humildes e trabalhadoras. E isso também aconteceu e está acontecendo agora em outras partes da Europa e do mundo. Nós da CGT insistimos que nosso futuro não pode ser confiado à burguesia.

E isso também aconteceu e está acontecendo em outras partes da Europa e do mundo. Já dissemos isso há alguns dias: não podemos confiar nosso futuro àqueles que só trabalham para salvar os seus, porque a única trincheira que sempre conseguirá realmente deter o fascismo será a organização (em todos os níveis) da classe trabalhadora.

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Tradução > anarcademia

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[Espanha] Comunicado de apoio às “6 de La Suiza”

Recentemente conhecemos a sentença do Tribunal Supremo que condena a 6 sindicalistas que participaram no conflito contra a confeitaria La Suiza a 3 anos e meio de prisão e vultosas multas econômicas.

Desde a Federação Anarquista Ibérica (FAI) nos ratificamos no comunicado que emitimos já no ano de 2021 rechaçando a desproporcional sentença e difundindo a forma de apoio econômico para custear os gastos judiciais das companheiras sindicalistas.

Entendemos que esta sentença atenta contra o exercício da liberdade sindical. E ainda que em um sistema democrático sobre o papel se tolere o exercício da liberdade sindical, é a mesma natureza coercitiva do Estado quem exercerá a repressão contra a classe trabalhadora, se os poderes do Estado o acharem conveniente para garantir a paz social e frear o conflito de classe. E isto não só mediante uma sentença, mas através de um processo judicial longo e complexo que busca desgastar econômica e moralmente as afetadas, os familiares, e as organizações e pessoas que estão apoiando e solidarizando-se com estas companheiras, tentando assim meter-nos medo na hora de exercer um sindicalismo independente e lutar pelas melhoras de nossas condições materiais de vida.

O marco jurídico repressivo que estabelece a famosa lei mordaça e outras ações dos poderes do Estado como esta sentença judicial, não tem outra finalidade a mais que minar e debilitar a capacidade de luta das organizações de trabalhadores que pretendam superar o sistema econômico capitalista no atual contexto de ofensiva neoliberal. Ademais, esta sentença cria um grave precedente judicial para castigar e criminalizar os piquetes contra os exploradores.

Nosso apoio a estas companheiras nestes momentos difíceis para elas e para toda a classe trabalhadora.

Federação Anarquista Ibérica (FAI)

federacionanarquista.net

Tradução > Sol de Abril

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nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

A Ilusão Petista: Mais Austeridade

No ano de 2023 o governo Lula-Alckmin (PT-PSB) aprovou o novo arcabouço fiscal, batizado de Regime Fiscal Sustentável (RFS), substituindo o novo teto de gastos do Governo Temer, e uma “Reforma Tributária. Ambas as medidas mantiveram o sistema de exploração e dominação capitalista colonial brasileiro, na qual os capitalistas, políticos, juízes e suas famílias sempre saem ganhando. No caso do RFS favorece as privatizações e os grandes grupos capitalistas, dificultando investimento estatais em setores como Saúde, Educação, Meio Ambiente e Infraestrutura, e mantiveram o cerne do sistema de pagamento de imposto que é exemplar para tirar dinheiro das trabalhadoras e trabalhadores mais empobrecidos e transferir para a classe dominante brasileira, uma verdadeira rapinagem sobre o povo.

A estrutura de gestão da economia brasileira ainda está sob a égide dos elaboradores do Plano Real, privilegiando o setor financeiro e contingenciado o orçamento estatal para investimentos públicos. Apesar de ter uma inflação relativamente baixa, ela é mantida com juros na economia que favorecem o setor financeiro da economia capitalista, contingenciamento de salário e investimento estatais e pouco crescimento econômico para os moldes do próprio sistema capitalista. Por conseguinte, esse arranjo macroeconômico da economia brasileira também fortaleceu a burguesia do agronegócio, na medida em que as altas exportações do setor fazem com ajude na balança comercial e na formação dos superávits primários que são todos direcionados para os capitalistas, e não para melhoria em saúde e educação, por exemplo.

O RFS foi sancionado com vetos pelo presidente Lula em 30 de agosto de 2023, tornando-se a Lei Complementar nº 200. Do ponto de vista econômica é a burguesia financeira que determinou o RFS, piorando em certos aspectos a proposta de Michel Temer, do novo Teto de Gastos. Mantendo assim o caráter fiscalista, que contingencia investimento estatal, da própria gestão econômica do Estado Brasileiro, padrão que se mantém desde o governo Collor. Na prática o RFS já restringe o orçamento ao limitar o crescimento real do gasto a 1,7%. Assim, não existe no horizonte um aumento para o programa Bolsa-Família e muito menos salarial para amplo conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras do setor estatais, como já demonstra a mesa de negociação com o governo. Mesmo para o tão falado Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) os recursos são escassos.

Esse novo regime fiscal procura aumentar o investimento privado, não por acaso as privatizações e concessões continuam no atual governo, como por exemplo de presídios e parques nacionais. Se por um lado a vitória da coligação liderada pelo PT de Lula significa o fortalecimento do Estado Burguês em meio à crise da República burguesa de 1988, o novo regime fiscal é a consolidação da organização fiscal neoliberal, uma vez que para que haja mesmo crescimento econômico do capitalismo brasileiro seria necessário muito mais investimento privado.

Temos um novo governo que tem servido para dar mais legitimidade a ordem burguesa que massacra o povo. Se por um lado, toda e qualquer despesa do Orçamento destinada a saúde, educação, infraestrestrutura e meio ambiente é restringida pelo novo regime fiscal, como tem sido desde o governo FHC, isso não acontece em relação ao pagamento de juros da dívida; só em 2023 foram mais de 700 bilhões em juros da dívida pública

Ao Estado e em particular a República de 1988, não é por acaso das articulações com setores do Judiciário, principalmente do Supremo Tribunal Federal (STF), para manter a ordem nacional. Enquanto isso o parlamento funciona mais azeitado do que nunca na sua fisiologia, aumentando seu preço de compra com aumento de recursos do orçamento federal para as parlamentares continuarem a fazer sua pequena política: clientelismo e compra de votos.

Não é por acaso também que Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, (PT) tem defendido o fim dos pisos constitucionais da saúde e da educação, dentro da lógica de contingenciamento de recursos de acordo a política de austeridade.

O sistema de exploração e dominação é cada vez mais aperfeiçoado. Se o novo regime fiscal está todo calcado na lógica de investimento privado com restrição de gastos estatais, mesmo para saúde, educação e meio ambiente, a reformação tributária mantém seu caráter injusto e desigual.

A reforma tributária em curso no final teve como objetivo simplificar o sistema, sem tocar na sua estrutura. Ou seja, a rapinagem sobre o povo continua a favorecer os poderosos. A simplificação dos impostos tem como objetivo principal desonerar as empresas e jogar esses impostos indiretos todos para o conjunto da classe trabalhadora. Tal como a reforma trabalhista que tinha como principal objetivo diminuir os custos jurídicos das empresas, dessa vez é a parte administrativa e tributária. A adoção do novo regime de imposto não alterou a concentração de imposto indiretos, sobre consumo, que atinge os trabalhadores mais empobrecidos.

A reforma não modificou a tributação do imposto de renda, onde trabalhadores com salários de 4664 pagam uma taxa de 27,5%, o mesmo que um diretor de banco com vencimento de um milhão mensais. Sem contar que a classe dominante tem seus rendimentos em lucros e dividendos que são isentas de impostos. Segundo a própria receita federal a renda do brasileiro quanto menor é mais taxada. Quem recebe entre 3 e 5 salários tem sua renda taxada em até 70%, no entanto que ganha mais de 300 mil mensais tem apenas 30% da renda tributável. Sem contar que as grandes corporações e capitalistas operam a parti de paraísos fiscais, tributando muito menos de suas vendas, como o próprio setor do agronegócio.

O Novo Regime Fiscal e a Reforma Tributária em nada melhoram a vida da classe trabalhadora. Estão dentro da política econômica neoliberal de Austeridade que tem marcado as últimas três décadas. Dessa vez, essas modificações são realizadas por um governo que procura junto com judiciário, principalmente o STF, garantir a República Morta de 1988, mantendo a ordem capitalista-burguesa, e com isso fortalecendo a reação contra a classe trabalhadora. As trabalhadoras e trabalhadores e os povos do campo e da floresta precisam se organizar autonomamente e romper com as ilusões do petismo e do legalismo parlamentarista. Somente uma Revolução Social é capaz de acabar com o regime de exploração e dominação e para ela acontecer é preciso romper com que impede ela de florescer.

uniaoanarquista.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.

Matsuo Bashô

[Chile] Toda classe de governo a combater e destruir! 88 anos dos capítulos insurrecionais na Espanha de 36.

Fazer memória, conhecer episódios da história do combate anárquico em qualquer território, é essencial para alimentar nossa consciência política e os fogos internos para colocar em prática as ideias que são propagadas, sempre em permanente confronto. Nessa linha, os acontecimentos insurrecionais da Espanha de 36 serão sempre belos capítulos a serem trazidos para o presente.

Seguindo a linha das iniciativas anteriores, nesta não faltará o conteúdo político primordial, com a apresentação de um livro, a atualização de companheiros e companheiras em prisão, música e muito mais.

Estão totalmente convidados para o 5º jantar no Espacio Fénix… espalhe a notícia, divulgue, participe, faça parte, estamos esperando por vocês.

Quinta-feira, 18 de julho de 2024

18h30

ESPACIO FÉNIX

Juan Martínez de Rozas 3091, metrô Quinta Normal, Santiago Centro
espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Com dignidade
nas minhas velhas roupas –
o espantalho

Stefan Theodoru

Um Argumento a Favor do Ateísmo

Um tema que sempre me desperta a atenção, é o debate sobre a existência de Deus e a relevância da religião, que tem permeado a história da humanidade por gerações. No entanto, com os avanços científicos e filosóficos dos últimos séculos, torna-se cada vez mais evidente para todos que o ateísmo não apenas oferece uma visão mais racional e lógica do mundo, mas também proporciona um alicerce para uma sociedade mais ética e justa. A crença em deuses e superstições, por outro lado, não raro conduz a práticas prejudiciais e obscuras, que em sua totalidade são nocivas aos seres humanos.

A premissa central do ateísmo é a ausência de crença em deidades ou entidades sobrenaturais. Essa perspectiva é apoiada pela falta de evidências empíricas para a existência de qualquer divindade. A ciência, que se baseia na observação, experimentação e racionalidade, oferece explicações mais robustas e testáveis para os fenômenos naturais que a religião tradicionalmente tenta explicar. O ateísmo promove o pensamento crítico e encoraja as pessoas a questionarem e buscarem evidências antes de aceitar qualquer reivindicação.

Por outro lado, a religião frequentemente baseia-se na fé cega e na aceitação de dogmas sem questionamento. Este tipo de mentalidade geralmente nos leva ao fanatismo e à intolerância. A história está repleta de exemplos onde a religião foi usada para justificar guerras, genocídios e discriminação. As Cruzadas, a Inquisição e, mais recentemente, atos de terrorismo, são apenas alguns exemplos de como a religião pode ser manipulada para servir a agendas violentas e opressoras.

Além disso, a superstição, que muitas vezes anda de mãos dadas com a religião, pode ter consequências diretas e negativas para a saúde e o bem-estar humano. A crença em curas milagrosas, a rejeição de tratamentos médicos comprovados em favor de práticas espirituais, e o medo de maldições ou espíritos malignos podem levar a decisões prejudiciais e até fatais. Um exemplo contemporâneo é o movimento antivacina, que, embora nem sempre diretamente ligado à religião, muitas vezes é alimentado por uma mentalidade anticientífica que também se encontra em certos círculos religiosos.

A religião também atua como uma força conservadora que resiste a mudanças sociais (especialmente aquelas que direta ou indiretamente podem afetar o poder das igrejas…). Questões como direitos das mulheres, igualdade de gênero e direitos LGBTQIA+ frequentemente encontram forte oposição de instituições religiosas que se apegam a interpretações arcaicas de textos supostamente sagrados. O ateísmo, ao contrário, tende a apoiar a igualdade e os direitos humanos, já que não está preso a tradições dogmáticas e pode evoluir com novas compreensões éticas e morais.

Em suma, o ateísmo oferece uma visão de mundo baseada na razão, na evidência e no pensamento crítico, podendo promover uma sociedade mais justa e igualitária. A religião e a superstição (que sempre andam de mãos dadas com o Estado e o Capital), ao contrário, perpetuam a ignorância, a intolerância e a injustiça. Ao nos libertarmos das algemas do dogma religioso e das superstições infundadas, podemos avançar como sociedade, promovendo a ciência, a ética e o bem-estar humano. O ateísmo não é apenas uma posição filosófica, mas um chamado à razão e à compaixão, valores essenciais para a construção do mundo novo que trazemos em nossos corações.

Liberto Herrera

agência de notícias anarquistas-ana

Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

[Itália] 40º aniversário do Encontro Anarquista Internacional realizado em Veneza em 1984

Queridos companheiros,

Este ano de 2024 está repleto de aniversários e, depois dos 60 anos desde o início do  “A na bola”, há mais um a caminho: o 40º aniversário do Encontro Anarquista Internacional realizado em Veneza em 1984 (para aqueles que não estiveram lá, aqui está o link que dá conta dos muitos aspectos desse evento: https://centrostudilibertari.it/ven84-homepage).

Dada a importância que esse encontro tem não apenas para a nossa própria história, mas também para a história do movimento anarquista internacional, que contou com a participação maciça de trinta países diferentes, não poderíamos deixar de criar algo à altura da ocasião!

Portanto, estamos anunciando que, no final de outubro de 2024, de 19 a 31, estamos organizando em Veneza, nos mesmos lugares que testemunharam aqueles dias gloriosos, um programa de eventos que girará em torno de uma exposição, com curadoria de Elena Roccaro (que acabou de discutir o Encontro em sua tese de pós-graduação) e Fabio Santin (que fez a curadoria de toda a encenação de Veneza ’84). A exposição, dedicada aos muitos anarquismos presentes no Encontro, será realizada no Ca’ Tron, um palácio veneziano histórico que agora é uma filial da Universidade IUAV. Haverá também outras iniciativas disseminadas nas ruas e em outros lugares amigáveis: um passeio psicogeográfico pela Veneza Radical na companhia de Jean-Manuel Traimond, algumas palestras temáticas sobre a relação entre espaço e cidade a serem realizadas no palácio Tolentini – a sede da IUAV onde ocorreu a conferência de 1984, que também sediará uma segunda exposição sobre publicações radicais -, e outras pequenas surpresas (como a exibição do filme feito na época pelos camaradas de Hong Kong do grupo “70’s Biweekly”). E, certamente, alguns momentos dedicados à convivência.

Não é preciso dizer que gostaríamos de ver muitos e muitos de vocês; como a programação está sendo finalizada, não podemos ser mais precisos no momento, mas os manteremos informados com atualizações sempre que possível. Enquanto isso… reserve a data!

Para obter mais informações ou qualquer dúvida, responda a este boletim informativo ou entre em contato conosco pelo e-mail centrostudi@centrostudilibertari.it

P.S.: Vários companheiros de Montevidéu, incluindo o grupo Comunidad del Sur, também estão planejando organizar um evento em outubro para comemorar o Encontro, portanto, também os manteremos informados sobre o que está acontecendo no hemisfério sul.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de frio —
Apoiado num só pé
O papagaio dorme.

Paulo Franchetti

[EUA] Uma atualização da opositora do grande júri Cyprus Hartford

Depois de apenas cerca de uma semana, atingimos minha meta de arrecadação de fundos de US$ 5.000. A demonstração de solidariedade que recebi, tanto online quanto pessoalmente, é algo que desejo estender a todos. Nosso poder vem de nossa solidariedade. É um privilégio ser membro de uma comunidade tão solidária. Em cada etapa desse processo, recebi ajuda e apoio de muitas pessoas.

Esse dinheiro será usado para pagar as taxas legais durante todo o processo. Cerca de US$ 1.000 serão reservados para esse processo. Nesse meio tempo, US$ 1.000 ou menos serão usados para cobrir minhas despesas de subsistência para que eu possa viver até a data da intimação. Serão reservados US$ 3.000 para custear minha existência na prisão, caso eu seja encarcerada. É provável que seja necessário levantar mais fundos, pois posso ficar presa por até dezoito meses.

Em 13 de agosto de 2024, às 8h, estou convocando uma manifestação e uma coletiva de imprensa do lado de fora do Hollings Judicial Center, na 85 Broad Street, em Charleston, Carolina do Sul. Estou programada para comparecer ao tribunal às 9h, portanto, essa manifestação será realizada antes de eu entrar na sala de audiências. Será um momento para celebrar nossa solidariedade e mostrar que nosso amor é mais forte do que o medo que o Estado instila em nós. A data e o horário dessa manifestação podem estar sujeitos a alterações se eu for chamada a testemunhar em um horário diferente.

Jamais cumprirei uma intimação ou cooperarei com um grande júri. Sou anarquista e rejeito todos os grandes júris por considerá-los arcaicos, opacos e antidemocráticos. O Estado nunca conseguirá me coagir a testemunhar. Qualquer pena de prisão que me ameaçarem seria uma punição sem julgamento e uma mancha no sistema jurídico americano. Que possamos viver para ver um dia em que nenhum de nossos amigos seja mantido como refém pelo Estado.

Com amor e raiva,

Cyprus Hartford

It/they/ela

Fonte: https://www.gofundme.com/f/support-cyprus-against-state-repression

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Sob o caramanchão
o céu,
noturna renda.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Exigimos a libertação imediata e incondicional dos presos do caso de Villa Francia

A Villa Francia é e sempre será um símbolo de resistência insurrecional. Suas ruas são testemunhas da luta incansável contra o poder autoritário, e hoje seus filhos e filhas são mais uma vez alvo da repressão. Mas não se engane, toda tentativa de silenciar nossas vozes apenas alimenta nossa raiva e nossa determinação.

Não reconhecemos a legitimidade de um sistema que criminaliza o protesto. A prisão é apenas mais uma ferramenta de controle social, criada para nos manter submissos, mas não nos submetemos nem nos rendemos.

Exigimos a libertação imediata e incondicional dos presos do caso de Villa Francia e de todos os presos políticos. Não pedimos clemência, porque não reconhecemos a autoridade de suas leis, exigimos justiça e, se o Estado não a conceder, tomaremos a decisão de manter ações multiformes.

Aos presos políticos, dizemos: sua luta é nossa luta, vocês não estão sozinhos nessa batalha, desde todos os cantos da resistência, enviamos força e raiva. Estamos firmes e organizados, conspirando contra toda forma de opressão, porque sabemos que seu tempo está contado.

A solidariedade não é uma palavra vazia; é ação direta, é sabotagem, é desobediência, é confronto. Porque em cada barricada, em cada ato de resistência, está a semente da nossa liberdade e não vamos parar até vermos o novo mundo que carregamos em nossos corações se tornar realidade.

FOGO NAS PRISÕES!

LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS DO CASO VILLA FRANCIA E PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!

ABAIXO O ESTADO E VIVA A ANARQUIA!

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agência de notícias anarquistas-ana

Bolha de sabão.
Borboleta distraída…
Colisão no ar!

Fanny Dupré

[Espanha] A CGT exige o fim da perseguição aos povos originários e comunidades indígenas do México

A organização anarcossindicalista lamenta uma nova agressão de narcotraficantes à comunidade Nahua de Santa María de Ostula, em Michiocán (México).

Através de um comunicado, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) voltou a solidarizar-se com a comunidade indígena – que reside na localidade de Sta. María de Ostula, no município de Aquila (México), após conhecer uma nova incursão de membros do perigoso Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG) nas últimas horas.

A comunidade indígena, que vive neste território e que defende desde há anos seu direito a livre determinação e à autonomia, se viu novamente agredida por esta organização criminosa mexicana, que começou a funcionar em 2007, e que se dedica principalmente ao narcotráfico, ao tráfico de armas e a extorsão. Este grupo pretende controlar algumas zonas do México que tem pouca presença governamental para levar a cabo suas atividades delitivas.

Desde alguns dias, estão acontecendo nesta zona de Santa María de Ostula diferentes ataques dos narcos do CJNG, que estão afetando a população. O povo segue sofrendo uma perseguição que não cessa, nem por parte dos maus governantes – dispostos a continuar expandindo sua “democracia representativa” e suas políticas neoliberais, nem pela parte destas organizações dedicas ao crime, dispostas também a fazer-se com zonas onde a população vive desde séculos em comunidades pacíficas.

É o exemplo dos Nahua, povo numeroso do México, que estão ligados à terra que pisam e a qual defendem com sua própria vida, porque entenderam que a natureza é tudo. Por isso resistem em seus territórios e comunidades a qualquer ataque ou ingerência externa que os obrigue a deixar o lugar ou a renunciar aos costumes herdados de seus ancestrais.

Desde a CGT, através de sua Secretaria de Relações Internacionais, voltamos a dizer basta a todos os ataques e assédios aos quais estão submetidos os povos originários do México. Do mesmo modo, a CGT mostrou sua solidariedade e sua admiração por quem mantêm seu compromisso com as ideias de auto-organização e autonomia das comunidades.

Parem de perseguir os povos indígenas! Viva a luta das comunidades originárias!

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

As folhas vermelhas
brilham num dia de sol:
o inverno se alegra.

Thiago Souza

[Reino Unido] Antifascista alemã extraditada para a Hungria

Maja T enfrenta agora 24 anos de prisão, acusada de atacar neonazistas em Budapeste

Apesar de meses de esforços legais e demonstrações de solidariedade, a antifascista alemã Maja T. foi extraditada para a Hungria, onde poderá pegar 24 anos de prisão. A ativista não-binária foi presa em Berlim em dezembro de 2023 e acusada por supostamente formar uma “organização criminosa”, em conexão com os ataques a um comício neonazista em Budapeste em fevereiro de 2023. Elu foi mantida sob custódia de extradição na prisão de Dresden antes de ser levada para o outro lado da fronteira.

Os procedimentos de Budapeste, que começaram 10 meses antes da prisão de Maja, dizem respeito a alegações contra vários ativistas antifascistas acusados de violência contra grupos de extrema-direita durante os eventos do “Dia de Honra” de Budapeste. Esses eventos em comemoração aos veteranos da Segunda Guerra Mundial têm atraído participantes neonazistas. As autoridades alemãs foram pressionadas a investigar e processar essas alegações por meio de ampla vigilância e prisões. Em dois casos, o Ministério Público Federal tentou aumentar as acusações para tentativa de homicídio, o que foi rejeitado pelo Tribunal Federal de Justiça. Na Hungria, a acusação existente para atos violentos oblíquos acarreta uma sentença potencial de 24 anos de prisão.

Depois de ser mantida sob custódia, o caso foi transferido para o Ministério Público Federal, o que essencialmente aumentou a probabilidade de extradição para a Hungria, conhecida por seu antagonismo em relação a indivíduos LGBTQIA+, além de condições carcerárias precárias. Os regimes autoritários e as violações de direitos humanos do país, presentes no sistema jurídico e penitenciário, não estão em conformidade com os padrões europeus, a ponto de o Parlamento da UE negar à Hungria o status democrático em 2022.

Em 28 de junho, o Tribunal Constitucional Federal emitiu uma ordem temporária para suspender a extradição de Maja até que uma reclamação constitucional pudesse ser analisada. No entanto, Maja já havia sido entregue às autoridades húngaras no início daquela manhã, apenas cinquenta minutos antes da ordem do tribunal ser emitida. Essa ação das autoridades alemãs efetivamente contornou a decisão do tribunal.

As autoridades alemãs (Prisão de Dresden, Escritório de Polícia Criminal do Estado da Saxônia, Promotoria Pública de Berlim) foram duramente criticadas por minar os direitos humanos de Maja, bem como por se recusarem a fornecer à sua família informações sobre seu paradeiro – negando os direitos de detenção.

A extinção planejada de Maja levou a uma onda de protestos em toda a Alemanha. Em dezembro passado, 200 manifestantes protestaram na cidade de Jena, exigindo a liberdade de Maja e de outros presos políticos acusados no julgamento de Budapeste. Juntamente com o apoio e os discursos de Hamburgo, o pai de Maja declarou que fica “orgulhoso quando Maja se levanta contra os fascistas”. No sábado (29.6), após a deportação de Maja, mais de 100 antifascistas se manifestaram na cidade de Erfurt, e ações de solidariedade foram realizadas em outros lugares da Alemanha durante o fim de semana.

~ Alisa-Ece Tohumcu

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/07/02/german-anti-fascist-extradited-to-hungary/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka