Vem aí a IV Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte

Formulário de inscrição para a IV Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte

Olá, companheiras, companheiros e companheires. Este formulário visa reunir editoras, coletivos, cooperativas e grupos interessados em expor livros, zines, materiais gráficos, arte, alimentos e outros produtos ou oferecer oficinas e apresentações artísticas na IV Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte.

O envio de inscrições para interessades em expor se encerra no dia 15/6 (sábado)!

INFORMES PRELIMINARES

Data de realização: 06 de julho de 2024.

Local:  Espaço Comum Luiz Estrela

  1. Manaus, 348 – São Lucas, Belo Horizonte – MG

Horário: a definir

ATENÇÃO: Devido às limitações de espaço físico do local onde a feira acontecerá, as propostas serão avaliadas e selecionadas pela Comissão Organizadora da Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte, priorizando propostas que tenham como eixo central concepções e práticas do campo político anarquista. Pedimos que os campos a seguir sejam preenchidos com o máximo de informações possíveis, para facilitar o processo de seleção.

A organização da Feira Anarquista de Belo Horizonte é autônoma e independente. Sugerimos aos participantes selecionados a contribuição voluntária de R$ 20 para contribuir com a realização do evento

SOLICITAMOS que preencham o formulário com e-mail que seja frequentemente acessado, pois nossos primeiros contatos serão por meio dele.

Preencha o formulário aqui: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScBHyLnedU68_J8GlqBs2cOjqoD9Gz1KSre-08xn3APyGZD-g/viewform

Site da Feira do Livro Anarquista de BH: https://feiraanarquistabh.noblogs.org/

A Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte é organizada pela Kasa Invisível e Organização Socialista Libertária.

agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac

Pelo aniversário da morte de Franz Kafka

Kafka, diante de uma manifestação de trabalhadores, observou: “Essas pessoas são tão autoconscientes, tão autoconfiantes e tão bem-humoradas! Elas são donas da rua e pensam que são donas do mundo. Mas estão se iludindo. Atrás deles estão os secretários, os burocratas, os políticos profissionais, todos os sultões modernos que estão se preparando para tomar o poder […]. A revolução se evapora, resta apenas a lama de uma nova burocracia. Os grilos da humanidade torturada são feitos de papéis ministeriais” (Löwy, Redemption and Utopia, 1997:85). Kafka aponta, assim, para um fato fundamental das revoluções modernas: sua tensão entre o radicalismo que inspira sua aparição e a submissão à Ordem que habita seu interior oculto, onde se encontram os políticos profissionais, os gestores da revolução, os estadistas. Um político realista diria: “O que se pode fazer, as coisas são assim”. Mas essa tentativa de neutralizar o perigo nas palavras de Kafka não diminui o fato de que ele estava certo ao formular algo verdadeiro a ser levado a sério: a revolução bem-sucedida é o prelúdio do crescimento do Estado; e quando o Estado cresce e se organiza de forma mais eficiente, a contrarrevolução começa.

As revoluções modernas são certamente paradoxais: por um lado, elas podem ser habitadas por um desejo real de libertação das correntes e do destino que são impostos, da realidade esmagadora que não se quer mais tolerar; mas, por outro lado, aproveitando esse impulso, o princípio da ordem estatal renasce nela, o retorno ao canal, a reconstrução do que é negado. A revolução moderna está muito ligada à própria modernidade, com seu crescimento industrial e técnico, a explosão populacional e tudo o que a acompanha. O grito de “Liberdade!” deu lugar, com muita frequência, ao aperfeiçoamento do Estado, ao desenvolvimento técnico desenfreado e ao produtivismo econômico brutal, e ignorar isso a essa altura é imperdoável; hoje, até certo ponto, vivemos no rescaldo de um mundo no qual as mudanças revolucionárias não descarrilaram, mas contribuíram (talvez, apesar de alguns revolucionários) ativamente para tecnificar o Estado, para tornar a administração mais poderosa do que nunca, para nos prender à sociedade tecnoindustrial. O triunfo de uma revolução não significou nada além dessa reconstrução da mentira, abriu o caminho para os burocratas com suas funções ministeriais que, em nome da revolução e de suas conquistas, passam a julgar e subjugar, a impor uma ordem revolucionária que, como se sabe, não passa de uma nova forma da mesma velha dominação que se justifica com o rótulo de “revolucionária”. Pode-se e até mesmo deve-se denunciar um governo não progressista e reacionário, liberal ou democrático; mas que ninguém pense questionar um governo instalado pela revolução!

Hoje não se pode mais denunciar qualquer governo ou a ordem capitalista e ficar satisfeito. Isso não pode ser levado a sério; e se for levado a sério, deve ser porque não estamos à altura das exigências das circunstâncias e porque estamos perdidos na névoa de informações. A própria ideia de governo progrediu: não somos mais oprimidos por um governo tirânico dentro das fronteiras nacionais, nem somos apenas presas do capitalismo transnacional. O Estado, como princípio organizador da sociedade, tornou-se mais tecnológico, mais eficiente, mais abstrato; o governo que nos ameaça pretende reduzir toda a vida à Administração do Homem, pretende ser um governo total que, tendo destruído e arruinado os mecanismos da própria natureza, pretende repará-los transformando-se em uma nova natureza, completamente artificial, técnica e humana. Não é apenas a sua existência como um espécime humano em uma cidade que depende dessa administração, mas também os peixes, as águas dos rios e as montanhas. O homem não pode mais voltar atrás, retirar-se e parar de intervir: mas é precisamente essa sua intervenção constante que tem o efeito de estragar as coisas, o que, por sua vez, o força a intervir ainda mais para remediá-las com seus avanços técnicos e científicos. Assim, ele está em um círculo vicioso que o leva a aumentar seu poder sobre a natureza e a se trancar em uma prisão.

Outra revolução composta de documentos ministeriais não pode resolver nada importante hoje. Os apelos ao caráter revolucionário do anarco-sindicalismo, do leninismo ou do maoismo são risíveis. A observação de Kafka é ainda mais valiosa por ter sido feita há mais de um século, na época das revoluções, e por ter visto sua contradição em um momento em que se acreditava que a revolução traria um mundo melhor. Cabe a nós levar em conta esses tipos de lembranças do passado e as circunstâncias nos obrigam a ter uma lucidez semelhante para enfrentar a realidade de hoje. O fato de sermos ou não capazes de responder a essa demanda terá seu papel, se já não for tarde demais para a lucidez.

Fonte: https://ovejanegrarevista.wordpress.com/2024/06/03/por-el-aniversario-de-la-muerte-de-franz-kafka/

Tradução > anarcademia

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Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente…

Miranda

[Espanha] Boicote a Israel

A CNT promoverá o boicote aos interesses do Estado de Israel para denunciar o genocídio contra o povo palestino

A Plenária Confederal de Regionais da Confederação Nacional do Trabalho aprovou, em 11 de maio, a adesão ao movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) para promover o boicote efetivo ao Estado de Israel e denunciar o genocídio cometido contra o povo palestino.

Assim, o mais alto órgão decisório entre congressos da CNT aprovou a promoção do boicote às empresas que participam ativamente do financiamento do genocídio, seja apoiando o governo israelense ou seu exército.

A CNT reafirma seus princípios internacionalistas e libertários e, portanto, sua oposição a todos os exércitos, aos governos que os lideram e aos Estados que os financiam como a origem de todas as guerras que só trazem miséria, morte e barbárie aos povos do mundo para manter os privilégios das classes dominantes.

Zaragoza, 1º de junho de 2024

Comitê Confederal Confederação Nacional do Trabalho

cnt.es

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Árvore amiga
enfeita meus cabelos
com flores amarelas

Rosalva

Lula sanciona lei que permite monoculturas de eucalipto sem licenciamento ambiental

Lei foi aprovada no início de maio no Congresso por pressão da bancada ruralista. Sanção contraria recomendações do MP e sociedade civil

Por Cristiane Prizibisczki | 03/06/2024

Contrariando recomendações do Ministério Público Federal e de organizações da sociedade civil, o presidente Lula sancionou, na última sexta-feira (31), a lei que exclui a silvicultura do rol de atividades potencialmente poluidoras, liberando-a do licenciamento ambiental. A sanção foi publicada no Diário Oficial da União.

Aprovado no dia 9 de maio pelo Congresso Nacional após tramitação a jato e grande pressão da bancada ruralista, o projeto agora sancionado por Lula muda a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), de forma a tirar o plantio de monoculturas para extração de celulose, como pinus e eucalipto, da lista de atividades que se utilizam de recursos ambientais e são potencialmente poluidoras.

A lei, de autoria do senador Álvaro Dias (Podemos/PR), também isenta a atividade do recolhimento de impostos, por meio da isenção do pagamento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TFCA).

No início de maio, a Associação Brasileira de Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) publicou uma nota técnica alertando para a inconstitucionalidade da proposta, por já haver entendimento no Supremo Tribunal Federal pela necessidade de licenciamento para tal atividade.

A Abrampa também alertou que o então projeto violava a legislação nacional e internacional a respeito da biodiversidade e representava grave retrocesso ambiental.

“A silvicultura, especialmente em larga escala, possui um potencial poluidor significativo que não pode ser ignorado. Permitir que essa atividade ocorra sem o devido licenciamento ambiental é um convite à ampliação da degradação ambiental e à extinção de espécies. O projeto afronta diretamente o interesse público e a Constituição da República e ainda causa clara insegurança jurídica, razões pelas quais instamos o presidente da República a vetá-lo”, diz Alexandre Gaio, presidente da Associação.

Em meados de maio, a rede de organizações do Observatório do Clima, a WWF Brasil e o Instituto Socioambiental (ISA) também publicaram nota técnica recomendando o veto à proposta.

Para as organizações, a silvicultura traz uma série de impactos ambientais, entre eles a contaminação de corpos d´água pela utilização intensiva de agrotóxicos e fertilizantes, a fragmentação de habitats, redução da biodiversidade e comprometimento de serviços ecossistêmicos, além de impactos sociais, como a possível desapropriação de comunidades tradicionais para plantio de monoculturas.

Fonte: https://oeco.org.br/noticias/lula-sanciona-lei-que-permite-monoculturas-de-eucalipto-sem-licenciamento-ambiental/

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galho partido
depois da tempestade
caminho de formigas

Alexandre Brito

[Grécia] Abstenção ativa nas eleições europeias | Nem fascismo nem democracia, queremos anarquia

As eleições europeias vão realizar-se pela décima vez na Grécia. Desta vez, ocorrem à sombra de desenvolvimentos geopolíticos, da carnificina em Gaza e com uma nova crise financeira global batendo à porta. Por mais que os governantes tentem convencer-nos de que votar é importante, as decisões políticas e econômicas para as nossas vidas são e continuarão a ser tomadas por eles. Só a luta contra os Estados e o capitalismo pode abrir caminho para uma sociedade livre, uma sociedade que não será dominada pela exploração e pela opressão, mas pela igualdade e pela solidariedade.

Eleições e a perpetuação do mundo capitalista

Todo o mundo político apela às urnas “para fortalecer a democracia”, “por mais policiais”, “para evitar a ascensão da extrema direita, etc. Os argumentos são muitos, mas ignoram deliberadamente a realidade: seja qual for o resultado das eleições, não vai mudar a sombria realidade capitalista. As (euro)eleições são simplesmente um processo de legitimação dos dominantes política e economicamente e de perpetuação da exploração e da opressão da nossa classe. É uma capa que esconde (e apresenta como natural e necessária) a exploração de classe, a exclusão de todas as decisões relativas à nossa subsistência, as políticas racistas que consolidam as sociedades, a destruição da natureza no interesse do capital, o financiamento de mecanismos assassinos da polícia e do Exército. Todos estes são pilares inegociáveis ​​dos Estados da UE que garantem a continuidade para manter o seu poder. Isto é feito por uma série de mecanismos, ideológicos e repressivos, como a polícia, as prisões, os tribunais, o exército, a igreja, os meios de comunicação social, a escola, a família, etc. No entanto, as elites europeias, sem qualquer hesitação, puseram em marcha as máquinas de guerra, alimentando a carnificina e tentando manter a sua parte no bolo geopolítico. É um objetivo reconhecido da UE nos próximos anos tornar-se ainda mais militarizada e preparar-se para uma possível guerra geral. É importante que as forças de luta, e mais amplamente as que vêm de baixo, não sucumbam aos gritos de guerra. Sabotar a guerra e a indústria bélica, não permitir que mais sangue seja derramado.

União Europeia, valores democráticos, hipocrisia

A União Europeia, ao longo do tempo, tenta apresentar-se como uma “potência superior”, com “valores democráticos profundos”, com “interesse nos direitos humanos e na paz”. Na realidade, porém, é uma aliança militar e econômica que, direta ou indiretamente, participa na maioria das guerras, trata o resto do mundo em termos predatórios e reprime aqueles que lutam. A política externa da UE está repleta de hipocrisia. Por um lado, na guerra na Ucrânia, denuncia o Estado russo como agressor, escondendo as suas próprias responsabilidades na guerra. Por outro lado, apoia o Estado israelita no massacre que leva a cabo na Palestina. O alegado apelo aos valores humanitários visa esconder a exploração e a opressão, os massacres de pessoas em todo o planeta pelos interesses dos capitalistas.

Extrema direita e UE

As narrativas nacionalistas belicistas da UE e as duras políticas anti-imigração e repressivas estão mudando a cena política para caminhos cada vez mais conservadores, fortalecendo continuamente a extrema direita e nacionalistas. Infelizmente, partes dela vinda “de baixo”, que por muitas razões diferentes, em tempos de crises e guerras, recorrem a formações de extrema direita. Na verdade, muitas vezes este voto também é apresentado como “anti-sistama”. Um argumento frequente dos partidos de esquerda é que este crescimento pode ser bloqueado nas urnas. Algo que é enganoso, pois historicamente está comprovado que o fascismo só desmorona nas ruas. Além disso, apoiar as eleições europeias legitima principalmente as elites europeias, uma vez que também mantêm e fortalecem as reservas nacionalistas e fascistas.

Delegação

Se aceitarmos que deve haver governante e governado, o mundo podre de hoje será perpetuado e as decisões serão tomadas por alguns políticos especialistas. Através da delegação, os soberanos recebem um cheque em branco para definir todos os aspectos de nossas vidas. Pela lógica da submissão, em vez de sairmos às ruas para lutar, sugerem que votemos em algum salvador que nos prometa algumas migalhas extras. Enquanto o Estado, o poder e a exploração continuarem a existir, milhares de milhões de pessoas oprimidas vivem e morrem, na pobreza absoluta, numa tortura diária. Uma vida cotidiana que é capturada da forma mais chocante nos campos de concentração de migrantes na Grécia, nas prisões do Irã, das favelas do Brasil às fábricas de trabalho infantil na Tailândia, dos guetos de Paris às minas de carvão da África do Sul.

Um argumento frequente é que o mundo não vai mudar, por isso devemos olhar de forma realista para a forma como sobreviveremos no presente. Infelizmente, este argumento muitas vezes “pega” e as possibilidades de assimilação através das eleições é uma arma muito poderosa do regime democrático. Participar nas eleições com a lógica de votar no “mal menor” foi a principal causa da derrota, tanto imediata como a longo prazo, de muitas lutas e movimentos. Marca o afastamento do caminho dos lutadores, o abandono de qualquer perspectiva libertadora, a delegação e a procura de soluções de governança dentro do sistema.

As armadilhas da democracia podem ser superadas. A erosão das consciências dos oprimidos pelos mecanismos ideológicos do Estado é reversível e a super arma do Estado pode ser derrotada. O caminho que leva a uma sociedade potente é difícil, mas permanece aberto. Quando os oprimidos e explorados deste mundo acreditarem nas suas forças, tudo pode tornar-se possível.

Lutemos sem líderes e seguidores. Com fé na nossa própria força contra todas as formas de poder e exploração. Vamos espalhar as nossas lutas desde a sabotagem da guerra e dos militares, até ao conflito com a polícia, a violência cotidiana do patriarcado e do racismo. Da oposição à tortura do encarceramento nas celas da democracia, ao saque da natureza e dos animais não humanos. O confronto com pequenos e grandes patrões, promovendo a solidariedade nas lutas que acontecem em todo o planeta. Com o objetivo de unir as lutas individuais e coletivas na perspectiva da ruptura global com o existente: a revolução social e de classe. Para preparar o caminho para a anarquia. Uma sociedade de liberdade, igualdade, espalhada por todo o planeta.

ABSTENÇÃO ATIVA NAS ELEIÇÕES EUROPEIAS, PARTICIPAÇÃO ATIVA NAS LUTAS SOCIAIS E DE CLASSE

NEM FASCISMO, NEM DEMOCRACIA, QUEREMOS ANARQUIA

Coletivo Anarquista Acte

acte@riseup.net/acte.espivblogs.net

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agência de notícias anarquistas-ana

Na terra seca
Formigas em festa
Carregam uma semente.

Setsuko Geni Oyakawa

[Espanha] 15° aniversário da Livraria Aldarull, projeto anarquista

No dia 8 de junho organizaremos um evento para comemorar os 15 anos da livraria e apresentar o tour pela Editorial Aldarull e seu novo livro.

Sábado, 8 de junho, 11h00 – 20h00

Praça John Lennon (Gràcia-Barcelona)

P r o g r a m a ç ã o:

11h00. Começamos o dia com a feira de livros

12h00. Contação de história. CachitoShow. Um conto histórico contra as fronteiras dos Pirenéus.

13h00. Apresentação do livro “Construímos a casa que habitamos. Experiência trans não binárias, trans, migras e racializadas”.

14h30. Comedor vegano. Paella e gaspatxo

17h00. Mesa redonda e debate. Perspectivas para a autopublicação anárquica. Trabalho de editoras anarquistas autogeridas. Apresentação de projetos e publicações. Aldarull Ediciones, Bauma, Caballito de Batalla, Prometeo Ediciones, El Lokal del Raval, Afilando Nuestras Vidas e Descontrol.

20h00. Encerramento!

Aldarull é uma livraria anarquista no bairro de Gràcia, em Barcelona. Aberta desde 2009, é um projeto coletivo autogestionário que tem como foco a divulgação de material de transformação e agitação social, com ideias anarquistas que promovam o espirito critico e de luta através de livros, zines, HQ’s, palestras, camisetas, artesanatos… Por outro lado, no nosso projeto os livreiros e livreiras não cobram nada, quem participa o faz de forma militante, comprometida e livre, assim como também não temos afã de lucro, todos os lucros que obtemos são destinados a apoiar grupos anarquistas, pessoas presas ou causas repressivas.

Aldarull

c/ Torrent de l’Olla 72, 08012 Barcelona

aldarull.org

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No meio da noite,
um súbito despertar.
Pernilongos a postos.

Renata Paccola

[Espanha] Segunda Bienal Anarquista de Madri

Nos dias 21, 22 e 23 de junho de 2024, será realizada a segunda Bienal Anarquista de Madri.

Essa segunda edição da Bienal Anarquista de Madri ocorrerá no CSO La Animosa (C/Mar de Japón, 15, Hortaleza).

O evento girará em torno das bancas de mais de 20 editoras amigas. Palestras, oficinas, mesas redondas e espaço e tempo para (re)encontros.

Nesta edição, decidimos que um eixo temático definirá o conteúdo de todas as atividades, facilitando a conversa e o debate sobre um assunto muito amplo desde diferentes abordagens e pontos de vista.

O fio condutor será: “Território e identidade. Estados nação e alternativas emancipadoras”.

A Bienal Anarquista de Madrid nasceu com o objetivo de conectar teorias e práticas libertárias, deixando nossos espaços confinados e construindo alternativas reais com as quais podemos nos enriquecer em nossa busca por uma transformação social radical.

>> Confira a programação aqui:

https://bienalanarquista.madrid/segunda-bienal-anarquista-de-madrid-2024

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na noite, o vento
vindo cheiroso de ver
madressilvas.

Alaor Chaves

[Mianmar] The Rebel Riot lança novo disco – “To​.​.​. Dear Comrade!”

Mais de três anos após o golpe militar em Mianmar, o The Rebel Riot lançou seu segundo álbum completo.

“Apesar do controle rigoroso das autoridades, finalmente conseguimos lançar o álbum. Infelizmente, nosso guitarrista faleceu de insuficiência cardíaca pouco antes de terminarmos a mixagem. Esse álbum é mais do que apenas uma coleção de músicas. São nossos traumas, raiva e energia, todos misturados com tristeza. Com essas músicas, queremos convidar amigos de todo o mundo a prestar atenção ao que está acontecendo em Mianmar e demonstrar solidariedade. Vamos doar parte da renda desse álbum para apoiar projetos sociais e pessoas necessitadas em Mianmar.”

>> As 10 músicas podem ser ouvidas aqui:

https://therebelriot.bandcamp.com/

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Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[França] Cartazes anarquistas antieleições nas ruas de Le Mans

Nas eleições europeias, como em todas as eleições estatais, não devemos delegar nossos poderes individuais. Não vamos sustentar urnas mórbidas. Não vamos alimentar o autoritarismo e a sua chamada legitimidade representativa. Vamos nos abster de participar dessas votações nacionalistas derrotistas e lutemos antes/durante/depois para nos emanciparmos por nós mesmos e para nós mesmos. Desfazendo a derrota, comemorando!

A n a r q u i s t a s

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terreno baldio
lixo revirado
gato vadio

Carlos Seabra

[Galiza] 1ª Feira do Livro Anarquista de Pontevedra

29 e 30 de Junho, Praça da Ferreria

Programa de atividades:

  • Sábado, dia 29

11h00 – Abertura da feira

12h00 – Apresentação de “Ruptura e reparação da máquina” com o seu autor, Itxi Guerra

13h00 – Oficina sobre técnicas básicas de encadernação, com Alouette Machine

14h00 – Fantoches (para crianças e adultos): A pinga e a máquina de lavar

14h00 – Almoço a preços populares

16h00 às 18h00 – Oficina coletiva: Imaginando cenários de autogoverno numa Galiza pós-petróleo, com Vespera de Nada

19h00 – Palestra: A anarquia diante da crise ecossocial, com Futuro Vegetal

20h00 – Concerto, jantar e encerramento do dia

  • Domingo, dia 30

11h00 – Abertura da feira

12h00 – Dinâmica: refletindo sobre o uso do álcool nos movimentos sociais

13h00 – Relembrando a Pastora. Homenagem poética e musical

14h00 – Almoço e encerramento da feira

ateneolibertariopontevedra@gmail.com

@ateneolibertario.pontevedra

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Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

[França] Domingo, 9 de junho | Abertura da Biblioteca Marsha P. Johnson | Uma biblioteca autogerida, feminista, queer e antirracista

Das 14h às 18h: uma oportunidade para discutir, emprestar e descobrir livros e zines da biblioteca sobre questões feministas, queer, decoloniais e anarquistas.

Como os recursos feministas, queer e antirracistas são escassos, você encontrará livros, zines e DVDs para empréstimos na Biblioteca Marsha P. Johnson, além de material gratuito DIY e uma freeshop.

É um lugar onde você pode se encontrar, trocar ideias e demonstrar solidariedade, um lugar onde você pode encontrar forças e alimentar sua raiva, suas lutas e seus desejos.

É necessário ser membro da biblioteca para fazer empréstimos (gratuitos).

Zines, alimentos e itens DIY a preço livre.

Aberta no segundo domingo do mês, das 14h às 18h (consulte o calendário).

Acessibilidade limitada (escadas e porta externa estreita), entre em contato conosco por e-mail para obter mais informações.

Misto: as atividades da La Pigeonne estão abertas a qualquer pessoa que precise de um espaço anarquista, queer, TPG, feminista e antirracista em Estrasburgo.

No squat La Pigeonne, 25 rue des Pigeons, Strasbourg.

lapigeonne.squat.net

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No ocaso do outono
só o carrapicho gruda
na velha calça…

Anibal Beça

[México] Preso anarquista Yorch recebe sentença de 7 anos e 6 meses

Chamado urgente a solidarizar-se!

Esta segunda-feira, 3 de junho de 2024, um dia depois das eleições e a 5 dias de que complete 18 meses sequestrado no Reclusório Oriente como parte da montagem contra a Okupache, nosso companheiro Yorch recebeu a notificação de que o juiz lhe havia sentenciado a 7 anos e 6 meses de prisão, e que tem 3 dias para apelar da decisão.

Sete anos e 6 meses de uma condenação absurda quando até a data toda a evidência apresentada tanto por sua defesa como pelo MP comprovou que não existe prova alguma para sustentar as acusações fabricadas e totalmente falsas contra ele. No entanto, fica claro uma vez mais que existe um lema contra nosso companheiro para mantê-lo encarcerado o máximo possível, dado que é uma peça chave em sua campanha de desprestígio das autoridades da UNAM (Universidade Autônoma do México) contra a Okupache, o qual pretende justificar e ganhar simpatias para um eventual desalojo do espaço autônomo de trabalho autogestivo que existe e resiste desde quase um quarto de século.

Fazemos um chamado internacional urgente a organizar a agitação e solidariedade com Yorch para exigir a revogação de sua sentença e para sua libertação imediata.

Arranquemos nosso companheiro das garras deste Estado impune e corrupto que encarcera, desaparece e mata os que lutam!

Fogo aos cárceres!

Yorch à rua!

Tradução > Sol de Abril

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em sempre imóvel íris
verde-neve azul jacinto
e as abrasadas rosas

Sousândrade

[Belo Horizonte-MG] “O capital mata, destrua o G20”

No dia 27 de maio de 2024 ocorreu a abertura do GT de Transição Energética do G20 na cidade de Belo Horizonte. O Estado tem sido parceiro das grandes empresas exploradoras e destruidoras da nossa natureza, responsável por um dos maiores desastres ambientais do país.

Por isso, anticapitalistas, anarquistas e autonomistas protestaram em frente ao Minascentro, onde foi realizado o evento, levando um boneco da morte, faixas que diziam “O CAPITAL MATA, DESTRUA O G20” e “G20, BEM VINDO AO INFERNO DE LAMA”. Além disso o grupo jogou lama na porta do evento fazendo com que os participantes sujassem seus pés e lembrassem das catástrofes recentes de Belo Monte, Mariana, Brumadinho e do Rio Grande do Sul. Vários gritos e cânticos foram entoados como “Fora G20!”, “Morte aos Ricos e ao Estado!”, “E vai virar um inferno (vai virar), povo do gueto mantou avisar!”, “Não Há Futuro (com o G20!), Não Há Futuro (com o Capital!), Não Há Futuro (com o Estado!”.

Pela manhã protestaram também integrantes do Comitê Mineiro Indígena e trabalhadores do setor de energia solar.

O G20 é um grupo composto pelas 20 maiores economias do mundo, incluindo ministros da economia e chefes de bancos centrais, que se reúnem periodicamente para decidir os rumos da economia global. Isto é, para decidirem as melhores maneiras para que o capitalismo continue sua expansão e exploração.

Durante as décadas de 1990 e 2000, o movimento antiglobalização, formado por diversos grupos e coletivos anticapitalistas, protestava contra esses encontros e suas políticas nefastas. Esses grupos utilizavam essas ocasiões para criar uma agenda própria, organizando-se, debatendo, manifestando-se e mostrando que é possível lutar por uma outra vida.

Com a realização de um grande encontro do G20 no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro e com vários Grupos de Trabalho acontecendo em diversas cidades do país, acreditamos que essa é uma ótima oportunidade para os grupos autônomos e radicais juntarem-se, discutirem e partir para ação enquanto grande parte da esquerda está mais preocupada com as eleições!

Em Teresina, na Avenida Marechal Castelo Branco, em frente ao Centro de Convenções, onde ocorreu uma reunião do G20 com delegações de 27 países, o Sindicato do Urbanitários do Piauí fez um protesto contra a privatização de serviços de abastecimento de água na cidade.

Não fique esperando, organize-se! 

Nos vemos no Rio de Janeiro em Novembro!

Vídeo: https://x.com/frenteantifabh/status/1795204228387881286?t=Wow_pKFP4cYulF8orkQj3g&s=19

Fonte: https://www.instagram.com/frenteantifabh?igsh=MTQxdzlqank1aHp4Zg==

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sol e margaridas
conversa clara
na janela da sala

Alonso Alvarez

[Espanha] Pela abstenção ativa. Este 9 de junho, não votes.

Ante as próximas eleições europeias de 9 de junho… Não votes. Abstenção ativa.

Os avanços em direitos da classe trabalhadora se realizaram graças a sua organização, a um grande número de sujeitos emancipados, e só desta forma podem se manter, e avançar a uma sociedade onde não exista a miséria, a injustiça e a exploração. A jornada de 8 horas ou o direito ao descanso semanal são bons exemplos disso.

O poder não está na força do voto, mas na capacidade de organizar a produção e a vida.

Pela abstenção ativa. Este 9 de junho, não votes. A luta está nas ruas, não nos parlamentos, nem nas redes sociais.

Sov Cnt Ait Chiclana

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Solidão no ninho
O pássaro se assusta
No eco do trovão

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Espanha] Centenário da morte do anarquista Franz Kafka

Alguns episódios de sua biografia e o conteúdo de textos como “O Julgamento” ou “O Castelo” nos permitem aventurar a filiação anarquista de Franz Kafka, cuja morte completa um século.

Por Demétrio E. Brisset | 03/06/2024

Em 3 de junho de 1924, aos 40 anos de idade, morria de tuberculose um dos autores mais influentes do século XX: o escritor tcheco Franz Kafka, popularmente conhecido por denunciar deformidades sociais como a burocracia transbordante, os labirintos legais e o desamparo individual; o termo kafkiano foi incorporado à nossa cultura como sinônimo do absurdo-sinistro.

Como ele se recusou a publicar seus romances (que deixou inacabados), foi somente muito depois de sua morte que sua grande produção literária se tornou conhecida. Quando ele foi descoberto na França, após a libertação do nazismo, os comunistas o consideraram decadente. Banido pelos soviéticos, ele foi marginalizado até mesmo em sua terra natal, a Tchecoslováquia.

Os estudos dedicados a Kafka e sua obra são tão numerosos que formam um gênero literário. A maioria se concentra em seu simbolismo e na atmosfera surreal de pesadelo, percebendo uma certa essência teológica como uma expressão de culpa metafísica. Muitas vezes, ele está relacionado ao expressionismo e prefigura o existencialismo com um sentido enigmático. Para Sartre, “o universo de Kafka é ao mesmo tempo fantástico e rigorosamente verdadeiro”, o que lhe confere uma “inquietante estranheza” ao mostrar uma realidade que não é cotidiana.

Mas há também um número crescente de pesquisadores que situam sua posição vital e literária dentro do anarquismo, como o editor alemão Wagenbach (que, em 1958, investigou o anarquismo de Praga antes da guerra de 1914-18), o jornalista judeu-novaiorquino Levi (1967), o sociólogo ecossocialista Löwy (1988) e o editor grego Despiniadis (2007). E eles fornecem argumentos convincentes: episódios de suas biografias e o conteúdo de seus textos. Nós os rastrearemos a seguir, caso um Kafka anarquista seja historicamente defensável.

Inconformismo juvenil

Durante sua juventude, Kafka participava frequentemente de reuniões de anarquistas tchecos. Aos 15 anos, ele já havia se tornado um socialista e simpatizava com os objetivos da Escola Livre ou Moderna. Em outubro de 1909, ele foi convidado a participar de uma manifestação contra a execução do fundador desse movimento educacional libertário, o anarquista espanhol Francisco Ferrer, “mas a reunião foi interrompida pela polícia”.

Depois disso, seu relacionamento com o anarquista praguense Michal Mares se intensificou, e ele assistiu a palestras sobre Malthus e amor livre. A família Kafka guardou um recorte de jornal que informava que, em 10 de outubro de 1910, “a organização juvenil anarquista Klub Mladych – Clube da Juventude – foi dissolvida pela polícia por fazer propaganda de ideias antimilitaristas e outras ideias subversivas”. Kafka participava frequentemente das reuniões desse clube (com tendências pacifistas e anticlericais), bem como das reuniões da “associação política Vilem Körber (que atacava a opressão política e econômica dos trabalhadores) e da associação sindical Movimento Anarquista Tcheco”. Nessas noites, ele conheceu a vanguarda dos escritores tchecos, entre eles Jaroslav Hasek, autor das aventuras corrosivas do soldado Schweik, cuja zombaria política, como a fundação do Partido do Progresso Moderado dentro da estrutura da lei, foi especialmente celebrada por Kafka. Embora geralmente permanecesse como um observador silencioso nessas reuniões, às vezes ele caía na gargalhada.

Sabe-se que, em 1911, ele participou da comemoração da Comuna de Paris e de uma assembleia contra a guerra; e, em 1912, de uma manifestação contra a execução do anarquista Liabeuf em Paris, que foi violentamente reprimida pela polícia, que prendeu muitos manifestantes, inclusive o próprio Kafka. Na delegacia de polícia, foi-lhe dada a opção entre pagar uma multa de um florim ou passar vinte e quatro horas na prisão: Kafka preferiu pagar a multa.

Seu conhecimento de autores anarquistas está registrado em seu diário, onde ele menciona Bakunin, juntamente com a frase “Não esquecer de Kropotkin!” Sua leitura também incluía biografias de revolucionários pacifistas e socialistas. Naquela época, tendo se tornado um “doutorado com aparência infantil”, ele também se dedicou a propagar o vegetarianismo, a ginástica e a terapia naturista, e sentiu-se atraído pelo nudismo. Ele sempre viajava de terceira classe e era muito generoso: “Ele distribui seu dinheiro entre os colegas pobres, porque não precisa de muito para suas necessidades”, de acordo com seu amigo Max Brod, que admirava seu traço de “compaixão pela humanidade”.

As preocupações sociais de Kafka se tornaram tão radicais que, na primavera de 1918, influenciado pela revolução soviética triunfante na Rússia, ele elaborou o programa de uma “Comunidade de Trabalhadores sem Propriedade”, em que o dinheiro e a propriedade privada seriam abolidos, todos teriam que trabalhar (no máximo seis horas por dia; para o trabalho físico, de quatro a cinco horas) e viver com grande moderação, seguindo as decisões do Conselho de Trabalhadores. As conversas com seu amigo Gustav Janouch por volta de 1920 (publicadas em 1952) mostram a persistência adulta de suas inclinações anarquistas da juventude.

Posições vitais

Depois de se formar em direito aos 23 anos, ele passou um ano como assistente jurídico no tribunal criminal de Praga, o que lhe deu uma visão do funcionamento do judiciário. Depois de um doutorado em direito, ele aceitou um emprego como funcionário em uma companhia de seguros italiana. Depois de um ano de tédio burocrático, prestou um concurso público e obteve o cargo de funcionário público na Companhia de Seguros de Acidentes Industriais da Boêmia, onde permaneceu até se aposentar devido a uma doença pulmonar em 1922. Parte de sua tarefa era lidar com pedidos de indenização por lesões físicas que os trabalhadores alegavam ser “doença ocupacional”, o que era rejeitado pelas empresas. Ele odiava trabalhar em um “ninho de burocratas obscuros” e não suportava o sofrimento dos trabalhadores mutilados e de suas infelizes viúvas, que eram arrastadas para o labirinto jurídico-burocrático do Fundo de Seguro dos Trabalhadores. Para Max Brod, ele disse: “Como os homens são modestos. Eles vêm nos pedir algo em vez de destruir tudo”. Ele reconheceu sentir as “delícias de ser um pária” e amar o indivíduo, “não tanto a comunidade; sou antissocial a ponto de enlouquecer”.

Mensagens literárias

Para Löwy, é em sua maneira social e política de criticar a realidade existente que o ponto de vista anarquista se manifesta, especialmente em seus brilhantes romances O processo (1914-15) e O castelo (1922-24), que estão imbuídos de antiautoritarismo (de origem libertária).

Partindo do pressuposto de que ele era um jurista com experiência considerável nos tribunais, durante a Primeira Guerra Mundial, em total solidão e no limite de sua energia, denunciar a corrupção dos tribunais de sua época no romance O processo constituiu sua luta pela sobrevivência. K., seu protagonista, “em nome de muitos outros, lutou contra a corrupção da justiça, mas sem a solidariedade dos outros”, recusando-se a se submeter. A pergunta-chave desse romance enigmático pode ser: “De quem emana a justiça?”, para a qual a resposta seria “de um sistema judicial hierárquico e corrupto com sua infinita hierarquia de funcionários, tão repugnante por dentro quanto por fora, sem que nenhum advogado busque melhorar esse sistema”. Algo que lembra o lawfare que é tão atual em muitos países…

A escrita de O processo se alternou com contos, entre os quais há um intimamente relacionado: Na colônia penal, um apelo ácido contra o colonialismo, a pena de morte e as deformações da justiça.

Quanto a O castelo, mais do que como um símbolo, podemos entendê-lo em sua materialidade: seria a sede de um poder terreno e humano, que é apresentado como arrogante, inacessível, distante e arbitrário, e que governa a aldeia por meio de um enxame de burocratas cujo comportamento é grosseiro, inexplicável e desprovido de significado. Uma dimensão crítica da autoridade estatal hierárquica (legal e administrativa) de inspiração claramente anarquista pode ser atribuída a ele.

Validade hoje

Será que seu trabalho contribui com alguma coisa em nossa angustiada sociedade ciberindustrial e hipercomunicada, com sua distribuição desigual de bens a cargo de forças fragmentadas e globalizadas ao mesmo tempo, que participam de uma estrutura de poder onipresente, anônima, formalmente democrática devido à sua camuflagem eleitoral e inamovível? E talvez o pior de tudo, internalizado pelos cidadãos de uma sociedade hierárquica e passiva de espetáculo e desperdício, onde a tecno-felicidade aparentemente triunfa, com instituições estatais e empresariais protegidas sob a densa sombra do poder hipnótico da mídia e do lazer programado.

Talvez se o interpretássemos como uma reflexão e uma denúncia de uma sociedade perseguida pelo autoritarismo, em que o controle e a capacidade coercitiva dos poderes constituídos, que devem ser combatidos, são fortalecidos, seria uma proposta válida para a rebelião social e vital.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/literatura/centenario-muerte-del-anarquista-franz-kafka

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Perdida na noite.
Na trilha dos vaga-lumes
busco o meu caminho.

Zuleika dos Reis

[País Basco] Nem guerra entre povos, nem paz entre classes

Quando se fala em guerra na retaguarda, as classes trabalhadoras estão sendo informadas de que devemos renunciar a salários mais altos, aceitar uma maior intensidade de trabalho, mais exploração, em benefício de uma economia voltada para a guerra.

Por Genís Ferrero, Membro da CNT | 05/06/2024

Em 1º de maio passado, aproveitamos esse dia internacionalista em Bilbao para lançar uma proclamação classista contra a guerra, contra todas as guerras e contra todos os Estados que as promovem e financiam direta ou indiretamente.

Os tambores da guerra estão rufando em todo o mundo: à guerra na Ucrânia, já normalizada pela mídia, somam-se a guerra e a barbárie na Palestina, que hoje ocupa inúmeras mobilizações em todo o mundo diante da impotência de não conseguir deter o massacre em Gaza.

Mas a guerra não se resume a esses dois conflitos, a guerra não parou no Curdistão, no Saara, no Sudão, no Mar Vermelho, no Congo, na Birmânia… conflitos que são silenciados pela mídia, pelas instituições ou pelas organizações políticas, mas que, mesmo assim, resultam em massacres, deslocamentos e barbáries para milhões de seres humanos.

A União Europeia pediu um esforço dos Estados membros para adotar uma nova economia de guerra, enquanto na Espanha o PSOE, PP, VOX, Sumar e três membros do Grupo Misto concordaram que a Espanha não aplicará mais o Tratado que limita as armas que pode possuir em conformidade com o mandato da OTAN. O recrutamento obrigatório está na mesa dos governos de um número cada vez maior de países, enquanto todos os tipos de governos do mundo financiam direta ou indiretamente os exércitos regulares que, em cada lado das várias guerras, praticam a barbárie.

Bakunin disse, no final do século XIX, que não poderia haver coexistência pacífica entre os Estados, pois a própria natureza da forma estatal, como instituição e salvaguarda das classes dominantes em cada região, baseava-se em sua extensão e dominação sobre as demais. A força e o crescimento de um Estado sempre se deram às custas dos outros, o que inevitavelmente levou à guerra. Bakunin, como socialista, anarquista e internacionalista, definiu a tendência ao imperialismo de qualquer Estado a partir de sua análise histórica e materialista de uma Europa antes da Grande Guerra, um mundo antes da política de blocos mundiais que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, um cenário muito mais parecido com o de hoje, em que as alianças entre os Estados só obedecem a relações de poder e dominação em termos de força, dependendo dos interesses das classes dominantes em competição umas com as outras.

O que a guerra significa para as classes trabalhadoras?

Mas o que a guerra significa para as classes trabalhadoras? Obviamente, a guerra traz morte e miséria na linha de frente, mas nas áreas de retaguarda ou em Estados que não estão diretamente em conflito, como o nosso, ela trará cortes sociais, perda de liberdades e a precarização de nossas condições de vida, normalizando o militarismo e desumanizando os lados em conflito. Quando a Comissão Europeia pede aos Estados-membros que se esforcem para adotar uma economia de guerra, eles estão, na verdade, se referindo à classe trabalhadora: a única classe que, com seu trabalho e sangue, gera o lucro que é apropriado por todas as classes privilegiadas, capitalistas e proprietárias, mas também por todas as classes burocráticas e religiosas que governam os Estados do mundo.

Sejamos claros: quando se fala em guerra na retaguarda, as classes trabalhadoras estão sendo informadas de que devemos abrir mão de salários mais altos, aceitar maior intensidade de trabalho, mais exploração, desistir da melhoria de nossas condições de vida em benefício de uma economia de guerra. Estão nos falando de cortes sociais e de renúncia às liberdades.

É um fato histórico, como Rosa Luxemburgo também demonstrou, que a guerra é uma das formas que os Estados têm à sua disposição para sustentar a acumulação de Capital e, portanto, é diretamente uma questão de classe. Por isso, não devemos entender a guerra como uma questão puramente moral, mas devemos entender a guerra militar como uma das formas históricas que todas as classes dominantes tiveram para garantir seus privilégios em sua competição interminável entre si, uma espiral criada com base na exploração e na dominação das classes deserdadas em todo o mundo.

Somente compreendendo as causas reais das guerras poderemos descobrir maneiras de nos opor a elas. E se sua razão de ser é a preservação dos privilégios de uma fração das classes dominantes às custas de nosso sangue, também devemos entender que não faz diferença sob qual bandeira os exércitos são liderados por Estados, visíveis ou obscuros.

Não faz diferença se eles se apresentam em formas democráticas ou ditatoriais, se são Estados seculares ou religiosos, se são exércitos regulares de Estados legítimos ou não. Enquanto houver governantes e governados, enquanto houver uma sociedade dividida em classes, todos os exércitos servirão à classe privilegiada e a suas formas de governo em cada território.

Se esse tem sido o caso desde tempos imemoriais, por que essa escalada do belicismo está ocorrendo agora? A resposta pode ser encontrada no processo de colapso no qual nossas sociedades estão imersas, um colapso que, para a CNT, é apenas o processo de exaustão das economias e das formas de Estado como as entendemos até agora. É a aceleração da crise inacabada de 2008 em nível global devido à coincidência da crescente escassez de matérias-primas e combustíveis fósseis, da catástrofe ecológica, da incapacidade dos Estados de garantir uma forma mínima de subsistência para camadas cada vez maiores da população…

E se a guerra é do interesse das classes privilegiadas, dos Estados e do Capital, sejamos claros, devemos concluir que aquele que tem a capacidade de deter a barbárie é também aquele que pode abolir o atual estado de coisas, ou seja, o proletariado. Ações espetaculares que apelam para a consciência e a moralidade podem parecer a única resposta, mas, na realidade, elas apenas respondem à impotência que aqueles de nós que têm um mínimo de humanidade sentem como indivíduos.

Mas a indignação, a denúncia pública ou as ações espetaculares não mudam a realidade material sobre a qual os exércitos, aqueles que os lideram e aqueles que os financiam são construídos. As classes trabalhadoras do mundo são as únicas que têm a capacidade real de pôr fim à barbárie, de pôr fim à guerra na Ucrânia ou de parar o massacre em Gaza.

A única maneira de interromper as guerras é a luta de classes na retaguarda, tornar o esforço de guerra inviável, aumentar as greves para a melhoria contínua das condições de vida, reduzir a jornada de trabalho, aumentar os salários, acabar com todo tipo de discriminação, sabotar o esforço de guerra, incentivar a deserção dos exércitos, incentivar greves nas empresas por nossas próprias condições de vida até que se torne inviável gastar as economias com a guerra e, é claro, derrubar os governos e as instituições que estão nos levando à barbárie.

Em 9 de junho, haverá novamente eleições para o Parlamento Europeu, instituição na qual os Estados se legitimam ao nos dizer que devemos dedicar nossos esforços como classe para manter seus lucros por todos os meios, inclusive a guerra militar. É hora de pedir a abstenção nessas eleições, de nos organizarmos e lutarmos para transformar a base material desta sociedade a fim de abolir todas as injustiças.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/tribuna/guerra-pueblos-paz-clases

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Alexandre Brito