[Chile] Mural em memória do companheiro Mauricio Morales

15 anos após a morte do companheiro anarquista Mauricio Morales, a fachada do local onde ficava o Centro Social Okupado e Biblioteca Sacco y Vanzetti, no Barrio Yungay, foi pintado contra a amnésia e o esquecimento.

Mauricio participou e viveu naquele espaço, sendo parte ativa de diferentes iniciativas que nasceram ali. Em 22 de maio de 2009, Mauri morreu depois que o dispositivo explosivo que ele carregava em direção a Escola da Gendarmaria foi detonado antecipadamente.

Em 2010, a polícia invadiu e despejou o C.S.O. e Biblioteca Sacco y Vanzetti como parte da operação repressiva conhecida como “Caso Bombas”.

Maio Negro: Mauricio Morales presente no combate anárquico!

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agência de notícias anarquistas-ana

Chuva leve
No coração de quem escreve.
Tormenta em forma de palavras.

Mário A. Vidal

[Itália] Roma: ataque incendiário contra carro particular de um carabinieri

“Reivindicação do ataque a um veículo particular pertencente a um policial próximo a um quartel dos carabinieri em Roma, 29 de março de 2024”

Rápido Anarquistas, vamos nos apressar para pegar o punhal da vitória ou morrer,

com gasolina e dinamite

toda classe e o governo a derrotar…”

Canção anarquista

Enquanto o Mediterrâneo é cada vez mais uma vala comum cheia de cadáveres dos oprimidos vindos do sul do mundo, Gaza é arrasada e os ventos da guerra sopram desastrosamente em todos os cantos do globo levando os proletários de todo o mundo ao massacre nas mãos dos interesses dos patrões, decidimos agir e atacar.

Identificando os militares de qualquer cor como um inimigo a ser combatido por qualquer um que tenha uma tensão de liberdade, sem abandonar as responsabilidades específicas do corpo militar deste país, decidimos direcionar nosso ódio e nossa vingança contra os militares do corpo de carabinieri.

Em um momento como este, no qual toda hipótese revolucionária parece uma quimera vã, decidimos continuar a luta: eles podem nos privar da esperança de um mundo radicalmente diferente, mas não da sede de vingança que provamos no confronto contra aqueles que perpetuam a opressão de uma classe sobre a outra e seus defensores (como as forças da ordem) e aqueles que se enriquecem saqueando o planeta de forma perversa.

O ataque ao poder em todos os lugares e em todos os momentos, mesmo em um momento como este, em que a repressão se abate cada vez mais forte a cada lampejo de conflitualidade e enterrando vivos nossos companheiros mantidos reféns nas prisões do país, nos parece a melhor forma de dar continuidade ao antigo embate entre opressores e oprimidos, do qual, como anarquistas, nos sentimos parte.

Na esperança de que esses lampejos de revolta individual possam iluminar esse presente cinzento e pacificado, reiteramos que, como anarquistas, colocamos a violência libertadora dos oprimidos acima da violência sistemática daqueles que detêm o monopólio dela e afirmamos firmemente a legitimidade da violência revolucionária como um instrumento de luta contra o Estado e o capital.

É na firme convicção da justeza de nossos ideais de liberdade e igualdade que reside a coragem de lutar, em primeira pessoa, decidindo tirar a faca da capa e tentar devolver, mesmo que em pequena parte, os golpes infligidos pelo inimigo.

Por essas e outras mil razões, decidimos atacar com instrumentos incendiários um carro particular pertencente a um policial: a decisão de atacar o carro “particular” vem da vontade de fazer pagar de forma mais visível o preço de suas próprias decisões àqueles que decidem defender a ordem social democrática, usando um uniforme.

POLICIAIS, CHEFES E BURGUESES: VOCÊS PAGARÃO CARO E PAGARÃO POR TUDO.

Aproveitamos a ocasião para estender nossa solidariedade aos anarquistas Alfredo Cospito, Anna Beniamino, Juan Sorroche Fernadez, Pierlorenzo Fallanca, Luca Dolce e a todos os anarquistas presos nos lager [campos de concentração] estatais em todos os lugares. Vocês não estão sozinhos, companheiros e companheiras.

Saudações incendiárias aos clandestinos, que a vida sorria para vocês, nos encontraremos novamente nas barricadas.

Célula Abele Ricieri Ferrari

(Internacional Negra 1881-2024)

Fonte: https://ilrovescio.info/2024/04/26/roma-attacco-incendiario-contro-lauto-privata-di-un-carabiniere/

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Um pássaro –
Companheiro de caminho
Pelo campo seco

Senna

[Chile] Teatro de “Um Homem Perigoso” – 16 a 18 de maio

Um Homem Perigoso em Santiago é uma iniciativa totalmente autogestionada que não tem nenhuma busca econômica específica. Pelo contrário: é por meio de uma posição de solidariedade que pretendemos contribuir para diferentes ambientes antiprisão. Como equipe organizadora, gostaríamos de convidá-lo a participar e divulgar essa atividade contracultural. 93 anos sem Severino, Paulino, Braulio e Juan. 15 anos sem Mauri. Não nos esquecemos.

Um Homem Perigoso

Teatro imersivo

Quinta-feira, 16 de maio | 19h00

Sexta-feira, 17 de maio | 18h00 e 20h45

Sábado, 18 de maio | 18h00 e 20h45

A ser realizado no Teatro Novedades | Cueto 257, Santiago (Metrô Quinta Normal)

Adesão: $10.000

Se você quiser ingressos, escreva para nós internamente (Instagram @unhombrepeligrosostgo).

Um Homem Perigoso: Argentina, década de 1920. O movimento anarquista dos trabalhadores tem uma forte presença na sociedade de Buenos Aires. Em meio à turbulência política, destaca-se a presença de Severino Di Giovanni, que trabalhou como tipógrafo e imprimiu jornais de combate, organizou assembleias de trabalhadores, comícios contra a prisão, expropriou bancos, atacou a burguesia e enfrentou o fascismo com suas próprias armas. Suas ações, sua vida e seus escritos foram um verdadeiro reflexo do confronto entre uma sociedade desigual e aqueles que estavam determinados a pôr um fim a ela.

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no filme mudo
uma ave que eu cria extinta
está cantando

LeRoy Gorman

[Espanha] Já está circulando “Humanitat Nova”. Revista de Culturas Libertárias #09 – 2024

  • Da “ekklesia” revolucionária à Igreja do poder. O primeiro cristianismo contra o império

Pol Font

  • Inocular o veneno é a alternativa educacional. Orientações de Voltairine de Cleyre

David Martin

  • Camponeses e via crucis: dois romances proletários de Victoriano Crémer

Sergio Giménez ~ Carlos Coca

  • O artista libertário Baltasar Lobo

Amalthea Frantz ~ Per Lindblom

  • O conceito de anarquia

Soledad Gustavo

  • Guerra interna e sociedade de classes

Dante Mancini

Rafa Murillo

Albert Herranz

  • A autoridade é necessária na educação?

Silvia Döllerer

2024, 83 p. €5.00 calumnia-edicions.net

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Disseram-me algo
a tarde e a montanha.
Já não lembro mais.

Jorge Luis Borges

Evento Libertário na Cinemateca de Santos (SP)

Leitura dramática da peça ‘Cadeira 20 ou 41’, de Mirella Martina, pelo grupo do Centro de Cultura Social de São Paulo + palestra com o professor Sergio Norte sobre o tema: “Anarquismo Heterodoxo”.

A história da leitura dramática é inspirada na vida do escritor Afonso Henriques de Lima Barreto, negro, exaltado, irônico, polêmico, maldito para muitos, numa época em que ser um pensador social era enfrentar com coragem o menosprezo dos críticos. As cenas acontecem no Hospício dos Alienados Pedro II, e mostram uma sessão de delírio de Lima Barreto e as facetas da personificação da Ironia e da Sátira, instaladas na personalidade do escritor. Ocorrem momentos de embate com tom provocativo, próximo ao riso, aos jornalistas da imprensa da República e com as personalidades imortais da Academia Brasileira de Letras. Lima Barreto pretendeu ocupar a cadeira número 20, mas por ser boêmio, famoso pela vida desregrada, e também pelo grande número de provocações que fez às principais figuras da literatura nacional, a sua candidatura não foi aceita. A sua construção delirante fornece também diálogos entre ele e alguns personagens criados para denunciar as injustiças sociais.

Texto: Mirella Martina

Organização: Cibele Troyano

Elenco: Anguair Gomes, Jamile Rai, Allan Cesar Dias, Alma, Lúcia Parra, Bertholdo, Daniel Yamamoto.

Classificação Livre.

DATA: 19 de maio de 2024 (Domingo), às 17 horas;

LOCAL: Cinemateca de Santos

ENDEREÇO: Rua Min. Xavier de Toledo, número 42

Campo Grande – Santos/SP

agência de notícias anarquistas-ana

plim! plim!
no ar,
mentiras para mim!

Lineu Cotrim

[Chile] Concepción: Realizam ação de propaganda em apoio a presos anarquistas e mapuche

Na madrugada de hoje, 26 de abril, realizamos uma ação de propaganda em apoio a nossos companheiros sequestrados nos cárceres do estado $hileno. Reivindicamos cada uma de suas lutas contra este sistema de morte que só busca a exploração em prol de seus interesses econômicos, destruidores da terra e da vida.

Fazemos um chamado a solidarizar e a agir frente a este cenário punitivista que encerra a quem luta. Somado ao anterior fazemos um chamado a fazer-se presente de maneira concreta com as famílias em pé de luta nas diversas ocupações de terreno do território $hileno.

Abaixo a lei anti-ocupa!!!

Liberdade aos presos mapuche!

Liberdade a Francisco Solar e Mónica Caballero!

Procura que viva a anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

em vão espero
as desintegrações e os símbolos
que precedem ao sonho

Jorge Luis Borges

[Alemanha] Manifestantes tentam invadir fábrica da Tesla perto de Berlim

Os ambientalistas há muito tempo criticam a Tesla por desmatar florestas para construir a sua fábrica de carros elétricos nos arredores de Berlim.

Várias pessoas foram presas depois que ativistas tentaram invadir a fábrica de carros elétricos da Tesla nos arredores de Berlim nesta sexta-feira (10/05).

A emissora regional RBB informou que várias centenas de pessoas correram em direção às instalações da Tesla, muitas delas usando máscaras e vestidas de preto.

“Estamos aqui hoje para chamar a atenção para a fábrica da Tesla em Grünheide pela destruição ambiental aqui em Grünheide”, disse um manifestante.

“Mas também pela destruição ambiental em países como Argentina ou Bolívia, onde é extraído o lítio necessário para essas baterias e que causa uma terrível destruição ambiental para as pessoas de lá, mas também para o meio ambiente”, completou.

Os manifestantes conseguiram ultrapassar a cerca externa da Tesla Gigafactory, mas foram parados pela polícia pouco depois.

Os manifestantes também interromperam as operações num campo de aviação próximo em Neuhardenberg, onde estão armazenados veículos Tesla não vendidos, enquanto o grupo ambientalista Robin Wood organizou um protesto em frente a uma concessionária Tesla em Berlim.

Pelo menos um manifestante e três policiais ficaram feridos, segundo a imprensa local.

Polícia prende manifestantes

A polícia respondeu à manifestação com um grande contingente de policiais. Eles prenderam várias pessoas em dois dos locais de protesto.

A Polícia de Brandemburgo utilizou canhões de água, que não foram utilizados, bem como um veículo blindado.

Ativistas planejam dias de ação

Na tarde de sexta-feira, muitos dos manifestantes regressaram ao seu acampamento numa estrada rural próxima.

Os ativistas apelaram a dias de ação contra a Tesla e as suas instalações no estado alemão de Brandemburgo.

“Chamaremos a atenção para a fábrica da Tesla de diversas maneiras para lutar por uma transição de mobilidade para todos”, disse um ativista.

“Precisamos de mobilidade. Todos precisam de mobilidade. Precisamos de ir de A para B. E é por isso que queremos lutar por uma verdadeira transição de mobilidade social e não por uma forma de fazer as coisas centrada no carro – queremos um transporte público que seja gratuito e que todos possam usar. E haverá muitos eventos diferentes para conseguir isso.”

Os ambientalistas protestam há muito tempo contra a fábrica da Tesla em Grünheide porque a floresta foi desmatada para a construir.

Agora, a empresa planeja expandir as instalações, o que exigiria o desmatamento de mais florestas.

O Volcano Group, coletivo anarquista, afirmou ter sabotado a fábrica ao cortar o fornecimento de energia em março.

Entretanto, os manifestantes montaram o seu próprio acampamento em copas de árvores na floresta que está programada para ser desmatada para dar lugar à expansão da fábrica.

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agência de notícias anarquistas-ana

Entre pernas guardas:
casa de água
e uma rajada de pássaros.

Olga Savary

“Até hoje a República Federativa do Brasil tem se mostrado apenas um negociador a favor dos interesses econômicos dos invasores”

Confira a seguir entrevista que a Agência de Notícias Anarquistas (ANA) realizou em abril passado com a Autonomia Indígena Libertária (AIL).

Agência de Notícias Anarquistas > Como surgiu a Autonomia Indígena Libertária? O que é? Conte um pouquinho de sua história… 

AIL < A Autonomia Indígena Libertária (AIL) é uma página de notícias [no Facebook] dos povos e pessoas indígenas autônomas. Ela surgiu da necessidade de comunicar uma luta fora do que propõe a esquerda institucionalizada, que vêm aos poucos cooptando parentes indígenas para a farsa eleitoral em Pindoretà (Brasil), como já fez em diversos países de Abya Yala.

Por consequência trouxeram uma espécie de hierarquização das vozes e necessidades indígenas. Apenas indígenas que aceitam cargos ou que abaixam a cabeça para essas organizações (que se colocam como as principais) conseguem apoio e visibilidade midiática para suas necessidades.

Foram anos e mais anos de negligência por parte do Estado desde a constituição em 88, que prometia demarcar e garantir direitos indígenas a nossa população. Inclusive alguns de nós da AIL, por ter esperanças de que algo pudesse mudar, ajudamos a eleger alguns indígenas porque acreditávamos que conseguiríamos as demarcações e outras demandas como a necessidade da educação e saúde diferenciadas. Por percebermos que o primeiro ano do mandato do presidente Lula que criou o MPI (Ministério dos Povos Indígenas) tiveram pouquíssimas atitudes a favor das demarcações e demais necessidades, nasceu a necessidade de comunicar essa outra face da nossa luta, ao mesmo tempo um rompimento com a democracia representativa.

Para preservar a integridade dos parentes que compõem essa iniciativa, preferimos não informar quais povos estão conosco lutando por autonomia. Até porque o que acontece dentro de nossos territórios e retomadas está começando a surgir e temos certeza que no momento certo todos saberão mais sobre nós.

ANA > Vocês conhecem (ou seguem) o princípio do bem viver? Se sim, como veem sua relação com o anarquismo?

AIL <Sim. Conhecemos a teoria do Bem Viver “Sumak Kawsay”, essa é uma expressão dos povos andinos que se opõem ao pensamento de que devemos buscar sempre o melhor reforçando a necessidade neoliberal do capitalismo.

Já o Bem Viver propõe a partilha, por esse motivo também nos familiarizamos com esse pensamento Andino, assim como muitos outros pensamentos que rompem com o capital. Inclusive parte de nós percebemos que o anarquismo é uma luta que tenta romper com o capital, e que enxerga as artimanhas do Estado buscando por autonomia e autogestão, em muito se assemelha a nossa luta pelo caráter libertário.

Mas deixamos bem claro que alguns de nós têm uma visão diferente e não se consideram anarquistas. Eles apenas apoiam as lutas libertárias sem necessariamente tomar rótulos para si mesmos. Muitos de nós inclusive criamos “ismos” e “heróis” para satisfazer o imaginário dos povos não indígenas e vamos continuar criando ferramentas para essa comunicação, como fez o povo da Selva de Lacandona. Não necessariamente iguais as lutas libertárias que acontecem no “Chile” ou em “Chiapas” porque entendemos que em cada momento e em cada lugar e contexto sempre haverá a necessidade de um “Levante Popular Autônomo”, inclusive a nossa luta é anterior ao anarquismo. Porém todo povo que se levanta contra tudo que explora a Terra e que almeja um futuro digno pode confluir muito bem conosco.

ANA > Considerando que algumas populações indígenas têm formas de organização social próximas ao anarquismo, a organização de vocês tem, ou pretende ter, alguma atuação nesse sentido de explicitar e fortalecer esta ligação?

AIL < Podemos confluir ideias contracoloniais com todas as lutas que queiram romper com o capitalismo e que conseguem entender que o Estado é anti-indígena, e que facilita a exploração de recursos humanos. Até hoje a República Federativa do Brasil tem se mostrado apenas um negociador a favor dos interesses econômicos dos invasores.

Como água e óleo não se misturam, não existe possibilidade de haver ligação entre nossos interesses e os deles (Estado). O Estado também tem provado que está adoecido, parece um suicida a caminho da autodestruição. Por consequência quer nos levar para o mesmo destino, porém haverá muita resistência de nossa parte, não será tão fácil assim nos destruir. Toda a luta dos povos, seja onde for que entendam esse mecanismo e agenciamento da destruição ambiental e da exploração são nossas parceiras. Precisamos de apoio mútuo entre nós, somos melhores quando pensamos juntos.

E precisamos que vocês anarquistas estudem a contracolonização senão ficará difícil caminharmos juntos. Sem entender todo o processo, dificilmente haverá uma revolução genuína em Abya Yala.

ANA > Quais as principais lutas e problemas que os indígenas enfrentam hoje?

AIL <A morosidade em regularizar nossas Terras através da Demarcação e Homologação por parte do chefe de Estado (que é o responsável pela Demarcação). Os serviços públicos como a escolarização básica indígena que é totalmente precarizada e que causou danos linguísticos e culturais desde a invasão por causa da proibição da língua materna indígena e agora insiste em manter essa negligencia a educação básica nas aldeias. Fala-se muito em acesso à universidade sem sequer mencionar a situação da educação indígena básica. A escola indígena além de não ser reconhecida, os poucos indígenas que conquistaram algum direito nesse sentido de lecionar são profissionais precarizados, o mesmo se dá com relação a assistência à saúde indígena, muitos agentes de saúde que não ganham sequer um salário. Não existem projetos referentes às pautas apresentadas pelo Ministério dos Povos Indígenas, por exemplo, até o dia de hoje. Veem-se muitos eventos, passeios, premiações, mas poucas políticas públicas.

A outra necessidade é a da visibilidade dessa luta autônoma indígena. O não indígena precisa parar de bater palmas para qualquer indígena que lhes aparece na frente com um discurso individualista e sem luta. Prestar mais atenção na fala de pessoas que verdadeiramente rompem com esse modelo de tutela que a classe média eleitoreira tem proposto como luta dos povos indígenas e que alguns compraram, sem fazer o exercício mínimo de compreender os perigos disso tudo.

ANA > E como vocês definem o governo Lula em relação às pautas indígenas?

AIL < O governo Lula vem cumprindo a agenda que os anarquistas anteciparam antes das eleições. Tem usado a luta dos povos indígenas para comover seus eleitores e garantir a reeleição do governo petista. Usou o discurso do genocídio para comover eleitores de esquerda e conseguiu o seu rebanho inconsciente, mas o discurso só foi válido durante o mandato do fascista (Bolsonaro). E para piorar, ao invés de demarcar como fez outros chefes de Estado que demarcaram mais terras que o PT em 17 anos, ele propôs essa semana a compra de terras no Mato Grosso do Sul, para salvar os Kaiowá que vivem em extrema miséria na beira da estrada. A dúvida que não quer calar é: Se ele tem poder para emitir decretos demarcatórios de terras indígenas porque prefere comprar terras? A resposta é muito simples, ele quer rebaixar o direito originário garantido pela constituição brasileira em 1988 para criar reservas do Estado, “Um vai que cola” na tentativa de recuperar os territórios para o Estado. E vocês concordam que quem tem direito anterior a república federativa, não deveria se dobrar a esse tipo de tentativa grotesca do chefinho de Estado, e do seu bebê birrento Brasil.

Nossa luta tem mais de 500 anos, essa falsa democracia é mais um adversário anti-indígena que coloca seus interesses econômicos à frente dos interesses de preservação da vida. Os conflitos no campo só aumentaram, e eles só aparecem nos velórios das comunidades indígenas. O julgamento do marco temporal acabou e mesmo assim fingem que não! O Povo Xokleng segue sendo ameaçado, está acontecendo um desmonte ambiental que afeta diretamente terras não florestais: afetando diretamente o pampa onde vivem povos como os Xokleng, e o Pantanal onde vivem, por exemplo, o povo Guató, Kaiowá etc. Aliás, o Mato Grosso do Sul é a região de mais retomadas indígenas no Brasil. Coincidência ou não, ele propõe comprar terras justamente lá… Ferrogrão, leilão de petróleo, a tentativa de construir posto de petróleo na bacia amazônica são algumas das gafes do governo progressista, ou melhor, neoliberalista, conciliador e entreguista do Lula e de seus fantoches que por migalhas tem mais três anos de salários garantidos, enquanto outros indígenas morrem e passam necessidade em seus assentamentos.

ANA > E como vocês veem esse projeto da Petrobras de prospecção de petróleo na Margem Equatorial, na Bacia da Foz do Amazonas?

AIL < A primeira observação é que a constituição garante a consulta prévia aos povos que vivem na região em que se especula a perfuração e que obviamente, nós indígenas somos contra a exploração na Bacia Amazônica.

Sabemos também que há uma forte pressão de povos indígenas locais e de todo o país, assim como há uma pressão por parte dos ambientalistas para defender o bioma costeiro da região norte, e que precisa urgentemente de maior visibilidade para brecar essa iniciativa. Mas o Estado não ajuda. O presidente Lula incentiva a pesquisa para facilitar a exploração e muita gente compra a ideia. O Ibama, inclusive, já proibiu ano passado a pesquisa, porém eles persistem.

A segunda observação é que o Estado, sendo dirigido pela direita ou por essa esquerda, será sempre anti-indígena e ambicioso demais para garantir o bem estar das vidas humanas e não humanas.

ANA > Recentemente um petroleiro da FUP (Federação Única dos Petroleiros) disse que tal projeto é importante, que vai gerar oportunidades de emprego e renda para a população…

AIL < Sinceramente nos sentimos envergonhados e desconfortáveis com a limitação de alguns não indígenas de entender o óbvio: Não haverá futuro se não houver levante!

ANA > Às atividades de mineração tem um impacto muito grande nos territórios e no meio ambiente, e nos últimos dias a imprensa tem divulgado notícias que o governo Lula planeja uma nova política de mineração para forçar a exploração de minas. Como as comunidades indígenas receberam tal notícia?

AIL <O Estado e qualquer representante do mesmo, seja ele de esquerda ou de direita, progressista ou o que for irá defender os interesses econômicos da nação em primeiro lugar, ainda que esses interesses resultem em mais e mais crimes ambientais como os de Brumadinho e de Mariana, por exemplo.

Fazem 5 anos de uma das maiores catástrofes ambientais com danos irreversíveis e até o momento NINGUÉM foi condenado.

Estado nenhum é capaz de compreender os riscos dos impactos ambientais que eles mesmos provocam por tentar alianças com exploradores de recursos naturais. O Estado e seus representantes não sentem vergonha em dizer que a luta pelo meio ambiente atrapalha o progresso da nação, nem pudor para falar sentem e as pessoas caminham como se estivessem lobotomizadas porque não percebem os danos ambientais que os governos fazem. O Estado tem provado ser uma ferramenta a serviço do invasor. Vai entrar e sair governo e eles irão manter essa postura e esse racismo ambiental que afeta diretamente povos indígenas e populações mais vulneráveis.

ANA > Assim como a Vale e outras grandes empresas de mineração, podemos dizer que o Lula é mais um vilão da mineração?

AIL <Vilão é pouco. A mineração e o garimpo são praticamente as mesmas palavras, só mudam as formas de execução, mas tem a mesma finalidade de explorar recursos naturais. Quem impulsiona a mineração impulsiona o garimpo, esse negócio de garimpo ilegal é a maior falácia!

O garimpo é garimpo seja ele ilegal ou não. O garimpo e a mineração são um problema grave com um futuro trágico e previsível para toda humanidade. Os representantes das nações não se dedicam a procurar novos recursos/alternativas menos danosas à natureza. Quando alguns líderes indígenas dizem que o céu irá cair estão com total razão de dizer.

ANA > Há muita cooptação de lideranças indígenas por parte do Estado e de empresas?

AIL <Alguns parentes aderem às lutas ligadas ao Estado por não conhecer outros caminhos ou alternativas autônomas. Inconscientes seguem no meio de uma guerra com poucos apoiadores e sendo devorados por cobras peçonhentas. Já outros pelos mesmos motivos dos políticos não indígenas, única e exclusivamente por poder!

O que podemos dizer é que eles disputam por um poder burguês, influenciados por pessoas não indígenas muito má intencionadas que lhes oferecem um tempo curto de um poder passageiro, que reveza entre a esquerda e a direita.

A intenção do Estado em cooptar indígenas é para desarticular, hierarquizando as necessidades dos povos, apenas aqueles povos ligados às principais organizações ligadas ao Estado são assistidas pelo governo, as que seguem autonomamente são colocadas de lado e são lembradas apenas quando seus líderes se tornam encantados (morrem).

A outra intenção é a de pacificar as lutas indígenas através da conciliação, capturam as pautas e tomam o protagonismo se colocando como principais representantes, enfraquecendo as ações diretas e a articulação das bases. Para nós, o Ministério dos Povos Indígenas em seu primeiro ano de mandato tem servido ao Estado apenas como um aparelho facilitador da conciliação. E embora tenha adotado um discurso digamos mais “radical”, suas últimas publicações através das “principais organizações deles”, as ações são pouco efetivas ante os desafios dos povos e a defesa da natureza. É triste ter que fazer essas declarações e demonstrar esse descontentamento. Muitos de nós ainda estamos digerindo esse primeiro ano de gestão, apenas duas terras foram demarcadas esse ano. Queremos deixar muito claro que nosso inimigo é o Estado, e que nós temos plena consciência das dificuldades que alguns territórios enfrentam e que é muito difícil construir nossa luta sem apoio algum. Ao mesmo tempo é difícil compreender quando eles se mantêm bajulando esses não indígenas sabendo que estamos morrendo em campo. De verdade, nem nós queremos arriscar um palpite. Outra coisa que não nos desce é a necessidade de “aldear a política” sem aldear o povo!

Gostaríamos que eles abrissem os olhos para o que o Estado brasileiro representa, e se afastasse da farsa que eles proporcionam através de suas migalhas, porque desde a constituinte de 88 o Estado tem se comportado como inimigo e não como determina a constituição. Não abrimos mão dos nossos direitos, muitos povos em Abya Yala ainda resistem sem ter assegurado direitos como os que conquistamos com muita luta aqui em Pindorama Brasil. Infelizmente, devemos sempre levantar nossas reivindicações: demarcação, saúde/educação diferenciada, o retorno dos atendimentos de base/prestados pela Funai em nossos territórios, nosso IDH é o mais baixo de Abya Yala, precisamos falar mais sobre esses assuntos emergenciais dos povos e tantos outros que não caberiam dizer aqui. Será que alguém pode nos ouvir aqui embaixo?

ANA > Surpreende o fato que uma das ministras do governo Lula 3 seja a senhora Simone Tebet, conhecida fazendeira, ruralista, cheia do dinheiro… Comenta-se que ela é ou foi anti-indígena e quando era senadora defendeu indenizar fazendeiros por terras indígenas…

AIL < Posou com a Ministra dos Povos Indígenas no primeiro ano de mandato em algumas selfies, curioso não?

ANA > Falando em terras, demarcações… Como vocês enxergam as fronteiras?

AIL < Falar por todos os povos indígenas não seria correto, somos 305 povos distintos cada um tem sua forma de compreender sua auto-organização através de sua cultura. Um exemplo é o Kaiapó pode pensar diferente do Xokleng, por viverem em biomas distintos. Mas alguns de nós acreditamos em uma barreira: A falta de afinidade. Sem afinidade não há auto-organização, nem autogoverno.

Já as nações que se ergueram parecem não serem organizadas por pessoas com afinidades, alguns de nós trocamos de aldeias quando não nos sentimos em afinidade com um grupo específico, o que alguns de nós achamos importante, romper para surgir novas oportunidades, recomeçar. Enfim.

Acontece que estamos em guerra, quase não existe lar para muitos povos, apenas a fuga e recomeços. Mas gostaríamos de perguntar uma coisa a vocês… Já que nos fizeram tantas perguntas.

Se um dia a sociedade vencesse o capital e o trabalhador assumisse o poder, gostaríamos de saber se seríamos o lumpen da sua revolução. Porque provavelmente muita coisa nos negaríamos a produzir por causa da nossa cultura de preservação da Terra.

Seríamos o quê? E se vocês saberiam conduzir as coisas sem explorar os recursos naturais. Saberiam sem nós? Como pretendem conquistar a nossa afinidade?

Vocês parecem querer o bem de todos, sem sombra de dúvidas. Mas muitos de vocês precisam aprender a preservar a vida primeiro. É preciso criar afinidades e vínculos reais para ter aliados. É preciso aprender a preservar a vida, abrir a mente para ideias libertadores e contra coloniais.

ANA > Vocês acham que no geral a sociedade continua ignorando a realidade e o drama dos povos indígenas?

AIL < Sim. O colonialismo está em curso e as pessoas não estão se esforçando o suficiente para enxergar as diversas camadas desse projeto em curso.

ANA > Algum recado final? Valeu!

AIL < Agradecemos esse espaço, a oportunidade de divulgar a nossa existência é fundamental para o futuro das lutas aqui em Abya Yala. Estamos a procura de mais parcerias, quem quiser somar conosco de alguma forma procure a gente em nosso e-mail: autonomiaindigenalibertaria01@riseup.net A gente deseja a vocês saúde para o corpo de luta, força e muita luz!

agência de notícias anarquistas-ana

Árvore amiga
enfeita meus cabelos
com flores amarelas

Rosalva

[Catalunha] Contra o circo eleitoral, vamos nos organizar.

Neste 12 de maio [Catalunha celebra eleições regionais], as urnas serão abertas para um novo ciclo político para o Parlamento da Catalunha e, com isso, os partidos começaram mais uma vez suas respectivas campanhas eleitorais. Postes de luz, marquises e outdoors estão enfeitados, e nossas caixas de correio estão cheias de envelopes com promessas que nos asseguram que a mudança, a verdadeira mudança, está finalmente chegando: tudo o que precisamos é do seu voto.

A farsa que é o circo eleitoral usado pela democracia representativa para manter o poder da elite política é cuidadosamente projetada para ser alienante e perpetuar um sentimento de impotência e, assim, promover a inação, a passividade e a dependência do Estado e de suas instituições, fazendo-nos esquecer nosso potencial emancipatório coletivo, nossa capacidade de nos auto-organizarmos e de decidirmos e agirmos em nossas próprias vidas.

Estratégias que geram culpa, desesperança e urgência, entre outras, são sistematicamente usadas pela esquerda para pedir o voto daqueles que, longe de se sentirem fielmente representados, sucumbirão à desmoralização de um panorama desmoralizante e de um discurso desmobilizador: enquanto a extrema direita avança e ameaça assumir a liderança com a intenção de reverter anos de conquistas obtidas graças ao poder popular, os partidos de esquerda buscam se estabelecer como a alternativa imperfeita, mas única possível.

Dessa forma, mais uma vez, instrumentalizam o sofrimento dos oprimidos, incentivando o voto útil, o voto no partido “menos perigoso”, jogando com nosso medo e usando os mais vulneráveis como moeda de troca, para depois esquecê-los quando alcançarem o poder, concentrado nas mãos de poucos políticos.

Eles exigem de nós, da maneira mais paternalista e hipócrita possível, uma coerência alinhada com nosso desejo de outra sociedade e nos manipulam por meio da culpa, acusando-nos de impedir a mudança social quando decidimos apontar a fraude que é o caminho eleitoral, cujas promessas são ótimas no palco, mas depois da campanha eleitoral se tornam letra morta, ciclo após ciclo.

Eles nos convidam a votar pelo menor dano possível, esperando que suas reformas, que não são apenas insignificantes e ridiculamente insuficientes, mas que podem ser feitas e desfeitas com o toque de uma caneta, sejam o fim do nosso sofrimento e do de nossos companheiros. O produto de uma decisão de um único dia, que nos próximos anos envolverá toda a capacidade de tomada de decisão de uma comunidade inteira, nos torna participantes democráticos de nossa própria opressão.

Uma decisão que ademais não é interseccional, nem acessível, nem solidária, nem tem memória histórica, pois como quantificar os danos da violência que não se torna visível, quando é a hegemonia que tem o controle sobre a decisão do que é ou não notícia, que domina a opinião pública, espalhando boatos e ocultando dados e informações, provocando em nós a incapacidade de imaginar mundos melhores? Como quantificar as formas de violência que não nos afetam em primeira mão, ou que ocorrem em territórios geograficamente mais distantes de nós, mas que, no entanto, serão afetados por nossas decisões sem que possamos participar delas, ou aquelas formas de violência sobre as quais nossa cultura colonizadora foi historicamente construída, cujo fruto é o privilégio de que desfrutamos hoje? Ou as violências atuais que a classe política tem o cuidado de varrer para debaixo do tapete para proteger sua posição no topo do privilégio cisheteropatriarcal, branco e europeu, para que continuemos a alimentar a máquina do capital: sua ganância sem limites?

Como podemos acreditar em eleições em que um dos partidos de livre escolha é o partido fascista Aliança Catalana, abertamente racista, sexista e neoliberal; eleições em que os partidos hegemônicos mantêm um silêncio cúmplice diante do genocídio que o Estado de Israel está perpetrando contra o povo palestino, em vez de tomar uma posição firme a favor do corte de relações com ele; ou onde esses mesmos partidos negociaram a implementação dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2030 – com as graves consequências que teriam sobre os Pirineus em nível ecológico -, o Hard Rock em Tarragona, transformando nossas terras em uma versão de Las Vegas, o Quart Cinturó, que destruiria as áreas agrícolas de nosso território; onde ninguém propõe medidas lógicas diante da seca cujas consequências são iminentes ou posições claras contra o turismo e a gentrificação que devasta nossas cidades e bairros, ou a implementação de qualquer outro tipo de necropolítica, desde que isso signifique um negócio que encha seus cofres?

Assim, o voto se torna unicamente na legitimação de sua dominação, a fim de continuar perpetuando um sistema autoritário historicamente construído sobre o poder colonial, a pilhagem e o extrativismo, e o controle, o disciplinamento e a exploração de corpos e mentes por razões de classe, raça, gênero, espécie etc., para colocá-los a serviço do capital, onde os ricos e poderosos ficam cada vez mais ricos à custa de nossa miséria e escravidão, enquanto nos levam diretamente ao colapso.

E o fato é que a prática de votar, nesse sistema autoritário para o qual democraticamente elegemos representantes para falar por nós, nada mais é do que escolher o amo que nos subjugará e as correntes que nos prenderão durante o próximo ciclo político.

É por isso que, às vésperas das eleições, desde Batzac os convidamos a repensar consciente e ativamente como querem que seja sua participação nas eleições para o Parlamento da Catalunha neste 12M, e que, esperamos, façam o que fizerem e decidam o que decidirem, não seja uma eleição sob a influência de mentiras e coerção, mas fruto de uma profunda reflexão política e ética.

Não se esqueça de que a verdadeira luta contra a dominação, a luta pela libertação de todas as formas de vida oprimidas, não é aquela que é travada a cada x anos dentro de uma urna eleitoral, mas aquela que lutamos e praticamos todos os dias nas ruas, lado a lado com nossos companheiros.

Não se esqueça de que somente usando nossas próprias ferramentas, como a autogestão, a auto-organização, o apoio mútuo e a ação direta sem intermediários, e não as ferramentas do amo, estaremos mais perto de construir o mundo que carregamos em nossos corações.

Batzac – Joventuts Llibertàries

Fonte: https://www.regeneracionlibertaria.org/2024/05/09/contra-el-circ-electoral-organitzem-nos/

agência de notícias anarquistas-ana

A rua apinhada
E nos passos apressados
As pessoas solitárias…

Débora Novaes de Castro

[EUA] Veronza Bowers sai da prisão!

Saudações a todas e todos! Dá-nos muitíssimo prazer compartilhar a notícia que depois de ter sido preso político durante 50 anos, Veronza Bowers é um homem livre. Ele foi libertado em 07 de maio passado.

Injustamente encarcerado desde 15 de setembro de 1973 [por homicídio de um policial], Veronza escreveu sobre sua infância:

“Cresci no pequeno povoado de McAlister, Oklahoma, rodeado por mulheres. Meu pai esteve no exército durante 25 anos. Minha bisavó tinha sete anos quando proibiram a escravidão nos Estados Unidos. Contou-nos muitas histórias […]. Cresci em um ambiente de amor e apoio na pequena comunidade negra. Nos dias de segregação, houve uma bonita escola de ladrilho vermelho para os brancos, mas nós íamos de caminhão para o outro lado do povoado à escola para os negros chamada L’Overture. Não me inteirei de quem era Toussaint L’Overture até anos depois. Aos negros era permitido ir a só um dos três cinemas do povoado, só nos fins de semana, e tínhamos que nos sentar no balcão. Uma vez trouxeram o filme Os Dez Mandamentos e organizaram projeções especialmente para a população negra durante duas semanas, e nos permitiram sentar no piso mais abaixo. Depois, fumigaram o cinema porque havíamos estado aí. Em 1954, quando integraram as escolas alguém me chamou “nigger” pela primeira vez.”

Depois de estar na Armada uns meses, Veronza começou a conhecer os ensinamentos de Malcolm X e da Nação do Islã. “Havia mais gente que reconhecia que éramos alguém e não só o tapete do mundo”, disse. “Aprendi com Malcolm X que tínhamos que lutar por esse amanhã melhor”.

Quando escutou dos Panteras Negras em Oakland, pensou que talvez pudessem fazer algo para seu povo. Depois de conhecê-los, ajudou a organizar o ramo dos Panteras em Omaha, Nebraska, mas houve problemas. “Tão duros eram os ataques do governo contra a organização que um dos próprios organizadores era polícia”. Logo Veronza se uniu ao ramo dos Panteras em Richmond, Califórnia.

“Começamos a enfrentar os problemas nas comunidades com desjejuns grátis para crianças e outros programas. Por exemplo, protegíamos os anciãos. Se um jovem agarrava a bolsa de uma mulher idosa, tinha que devolvê-la. Logo esse jovem seria recrutado para proteger as pessoas e não a agredir. Queríamos um futuro melhor para nosso povo. Sabíamos que tínhamos que fazer algo. Eu nunca havia tido problemas com a lei antes de sair para vender o jornal dos Panteras.”

Veronza foi uma importante força pela paz em cada prisão que pisou. Dando aulas de yoga e meditação, tocando a flauta shakuhachi, e relacionando-se com a comunidade rastafári, ajudou a centenas de presos a curar-se.

Em 21 de junho de 2005, Veronza deveria ter saído sob liberdade condicional depois de cumprir 31 anos na prisão. Havia presenteado seus tênis, seus livros e outras coisas a seus companheiros presos. A festa de recepção estava planejada e seus parentes e amigos estavam a caminho desde várias partes do país. Logo chegou a notícia. Veronza não sairia.

Depois se soube que a instâncias da Ordem Fraternal de Polícia (FOP), o Procurador Federal Alberto Gonzales, havia intervido para “pedir”, quer dizer, ordenar que o Conselho de Liberdade Federal “revisasse” sua decisão. Esta é a mesma FOP que promove a campanha para assegurar que Mumia Abu-Jamal morra por encarceramento.

Seguimos exigindo liberdade para Mumia e todas e todos os presos políticos!

Fonte: https://radiozapote.org/veronza-bowers-sale-de-prision/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

silenciosamente
uma aragem enfuna
as cortinas enluaradas

Rogério Martins

[Grécia] Ação antifascista em Lamia | Esmagamos os fascistas em todos os bairros

Ficamos surpresos ao saber que ontem, terça-feira, 7 de maio, à tarde, uma reunião sem propaganda e uma curta marcha ocorreram no centro de Lamia, promovida por aproximadamente 50 neonazistas por ocasião do “Primeiro de Maio Nacionalista”. No dia 1º de maio, na cidade de Lamia, foram feitas pelo menos 3 atividades diferentes, de vários espaços políticos, condição que inibia a presença de neonazistas nas ruas naquele dia. Não consideramos coincidência que o evento do dia 05/07 tenha ocorrido nesta data e sem convite, pois o fascismo nunca teve nada a ver com lutas trabalhistas e sua presença é indesejável.

Não é a primeira vez que enfrentamos os fascistas na cidade e sempre que eles ousaram levantar a cabeça de alguma forma, sempre os enfrentamos, assim como o movimento anarquista local coletivamente. Assim que fomos informados do incidente, percorremos a cidade de Lamia e descobrimos que todos eles estavam desaparecidos. A partir de então, a nossa principal preocupação foi livrar a cidade de qualquer sinal da sua presença. Por esta razão, limpamos a cidade recolhendo os seus materiais impressos, como folhetos, brochuras, cartazes e adesivos, a partir dos quais acreditamos que o grupo fascista em questão consistia em fascistas e neonazistas de Atenas e da Grécia central (Propatria, Nacionalistas Autônomos, Fascistas de Karditsa, Larissa e Volos). Depois nos mudamos para a Praça Kontopoulou (Karavi), que era o ponto de encontro deles, onde apagamos todos as pichações fascistas.

Deixemos que a patética minoria de fascistas locais decida que, sozinhos ou com chamadas clandestinas organizadas, não encontrarão nenhum terreno cabível em Lamia. A ação antifascista deve ter duração e consistência, que há anos vem erguendo um muro contra qualquer presença fascista e discurso de ódio. Patrulhamos as nossas cidades, esmagamos os fascistas em todos os bairros.

PS: TODO O MATERIAL DE IMPRESSÃO QUE COLETAMOS FOI ENTREGUE NAS CHAMAS.

Assembleia dos Anarquistas de Lamia

>> Mais fotos: https://athens.indymedia.org/post/1630271/

agência de notícias anarquistas-ana

dentro do jardim
o dia chega mais cedo
ao fim

Alice Ruiz

[Espanha] Crônica do Primeiro de Maio Combativo de 2024 em Valladolid: não ficaremos calados!

Durante os últimos dias de abril de 2024, o mundo de fantasia da mídia made in Spain exibiu os truques baratos de conjuração com os quais o bipartidarismo se reinstalou com um rugido, arrastando os partidos parlamentares à esquerda do povo para um lugar mais secundário do que aquele em que vegetavam até agora.

Enquanto esses eventos ocorriam, causando a melancolia da esquerda parlamentar e extraparlamentar, o sindicalismo combativo tirou um tempo das muitas frentes que o ocupam para organizar mais uma vez o primeiro de maio: Um Primeiro de Maio que reconfirma que há uma alternativa ao bloco burocrático da CCOO e da UGT – que há uma classe trabalhadora que, além das miragens políticas e das migalhas em forma de subsídios, tem capacidade mais do que suficiente para atacar onde dói aos patrões e à reação, para pôr fim à miséria cotidiana. Porque não somos coisas descartáveis, somos trabalhadores em luta e capazes de construir uma alternativa social.

Isso aconteceu em muitas localidades, e também em Valladolid, onde a CGT e a CNT convocaram para este 1º de maio uma manifestação que encheu as ruas da cidade de reivindicações e rebeldia, a ponto de superlotar o ponto de chegada, a Plaza de la Danza, com mais de duas mil pessoas, entre nossas afiliações, os coletivos que nos acompanharam (STEs, COESPE, Sindicato da Moradia, Paradas en Movimiento, Plataforma de Solidariedade com a Palestina, Assembleia Antiprisional – que lembrou a próxima Marcha para a prisão de Topas, que será realizada a partir de Valladolid, saindo da Feria de Muestras às 10h. 15 por meio de transporte auto-organizado…). Afiliados ou não a organizações, nós nos reunimos ali, pessoas prontas para enfrentar uma forma de organizar a economia e o poder que nos maltrata e desperdiça nossas capacidades a serviço do lucro e da venalidade.

A classe trabalhadora não precisa se lamentar se os ardilosos políticos são ou não capazes de desarmar as sucessivas reformas trabalhistas, que são verdadeiros ataques à nossa dignidade: No comício final, relembramos os sucessivos conflitos que os sindicatos envolvidos conduziram ou estão conduzindo a um desfecho bem-sucedido, como os das Carrocerias da FASA, da Motherson, dos faxineiros em luta da Soldelim, dos subcontratados ferroviários… Mostramos que temos a capacidade de enfrentar multinacionais solidárias, como a Cruz Vermelha, ou que a FASA-“facha” Renault não vai brincar conosco. Mostramos que nossa luta, fortalecida e ampliada, pode recuperar o que eles querem nos tirar com leis e repressão.

Fizemos duas paradas ao longo do percurso. Em uma delas, o pessoal da CGT reivindicou a luta contra a impunidade do fascismo, mostrando seu apoio aos denunciantes dos crimes de tortura cometidos pelo franquismo, tentando criar uma brecha contra as erroneamente chamadas leis de anistia, que na verdade são impunidade. Na parada seguinte, entre a praça San Juan e a rua Renedo, a seção de estrangeiros da CNT deu voz aos trabalhadores migrantes, que são interesses facilmente identificáveis que querem confrontá-los com o restante dos trabalhadores. Diante disso, não nos esquecemos de que “nativo ou estrangeiro, a mesma classe trabalhadora” e denunciamos que as leis de imigração e seus executores oprimem e assassinam.

Como disse o camarada da seção:

Como em todo primeiro de maio, estamos aqui para reivindicar todos os direitos da classe trabalhadora, onde fomos, somos e seremos parte dos migrantes.

Somos todos da classe trabalhadora, mas a lei sobre estrangeiros nos deixa em uma situação de desvantagem e fragilidade.

Além de deixar milhares de mortos no Mediterrâneo, é uma lei que nos impede de acessar o mercado de trabalho em igualdade de condições.

Ela nos obriga a trabalhar ilegalmente, sem nenhuma proteção.

Ela nos abandona nas mãos dos empregadores e do capitalismo mais cruel.

Ele nos isola do movimento trabalhista ao qual pertencemos.

E tudo isso forma uma estrutura que nos impede de desfrutar de todas as conquistas que a classe trabalhadora vem obtendo há anos.

A lei dos estrangeiros nos leva, migrantes, a suportar uma situação de escravidão moderna que é impossível romper, exceto com uma política de regularização digna e fácil.

Ninguém aqui é ilegal.

Não nos esqueçamos de que somos e seremos parte da mesma luta, portanto, nossa participação é importante para o coletivo e para o restante da sociedade.

Trabalho e dignidade andam de mãos dadas; por isso, juntos e organizados, lutaremos para que ninguém se aproveite da miséria a que esse sistema de opressão nos expõe.

As pessoas que estão aqui e as que estão chegando se unem na mesma luta.

Viva o primeiro de maio.

Não poderíamos deixar de dar um espaço no comício à Plataforma de Solidariedade com a Palestina de Valladolid, como representação de todos os palestinos que estão enfrentando na linha de frente as potências internacionais criminosas e seu delegado, o “Estado de Israel”, que está realizando um genocídio contra os palestinos; um espaço para aqueles que estão na linha de frente de uma guerra que é dirigida contra toda a humanidade.

O representante da Plataforma emitiu um apelo à ação da Federação Geral de Sindicatos da Palestina, pedindo uma ação coletiva global para interromper o funcionamento da economia e desafiar o status quo no local de trabalho; uma ação coletiva global para deixar claro que os trabalhadores não estão dispostos a ser cúmplices de anos de violência contra os palestinos: “Os palestinos sempre foram a espinha dorsal da luta contra a injustiça… Enquanto os governos continuam a fechar os olhos, nós abraçamos a longa tradição do internacionalismo sindical”.

Na praça em que a manifestação terminou, os slogans que acompanharam toda a manifestação eram altos e claros: “A luta é o único caminho”, “Primeiro de maio, trabalhador e libertário”, “Se isso não for resolvido, guerra, guerra, guerra, guerra – Se isso não for resolvido, bengala, bengala, bengala, bengala…”, “Uma greve geral é necessária agora…”. Não há dúvida de que reuniões como a de ontem não são apenas uma ocasião para dar uma demonstração de força e capacidade, mas também para promover a camaradagem que nos dará a força para tornar esses slogans uma realidade.

Trabalhadora, trabalhador, não espere que alguém revogue a reforma trabalhista, revogue-a unindo-se aos seus companheiros! Trabalhador, trabalhadora, não espere que os abusos acabem, acabe com eles com sua ação no local de trabalho! Teremos o futuro porque nós somos o futuro! Organize-se e lute! Saúde e anarquia!

>> Mais fotos: https://www.cntvalladolid.es/cronica-del-1-de-mayo-combativo-2024-en-valladolid-no-callaremos/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

o crisântemo amarelo
sob a luz da lanterna de mão
perde sua cor

Buson

[França] Os aproveitadores de guerra nunca tiveram qualquer ética

No final de abril de 2024, Joe Biden assinou o projeto de lei que autoriza um programa de ajuda de cem bilhões de dólares dos EUA para a Ucrânia, Israel e Taiwan. Até mesmo os apoiadores republicanos de Trump votaram a favor. É preciso dizer que a economia americana depende muito do setor de armas e os ganhos são substanciais: não há como questionar os figurões do setor industrial-militar, que certamente são grandes contribuintes para as campanhas eleitorais.

Dois terços desse pacote serão gastos na compra de novos equipamentos militares para os três países mencionados acima, além de aumentar a produção dos EUA. Em resumo, de acordo com o Wall Street Journal, mais de US$ 60 bilhões do novo programa de ajuda serão transformados em suculentos acordos comerciais domésticos. Negócios são negócios, como disse Octave Mirbeau.

A decisão americana é, portanto, uma tremenda promessa de dinheiro fácil para o setor de armas americano, impulsionado por conflitos contínuos. A guerra é boa para os comerciantes de armas. Até o momento, observa o Wall Street Journal, as empresas de defesa e segurança Lockheed Martin (produtora do tão elogiado F-35 Lightning II) e RTX têm sido as principais beneficiárias dos US$ 30 bilhões em contratos federais concedidos para abastecer a Ucrânia e, no processo, recompor os estoques de armas dos EUA. Outras empresas contratadas, incluindo a General Dynamics e a L3Harris, registraram fortes vendas trimestrais em abril. Quanto mais tempo a guerra durar, maiores serão os seus lucros. É por isso que os americanos estão mostrando suas cores: “Não podemos deixar a Ucrânia cair, porque se isso acontecer, há uma boa chance de que os Estados Unidos tenham que se envolver, não apenas com nosso dinheiro, mas com nossas tropas”, diz Hakeem Jeffries em uma entrevista ao programa 60 Minutes da CBS. E para brincar com os medos, porque, de acordo com esse líder democrata, depois da Ucrânia, a Rússia ameaçará outros países que se tornaram independentes após o colapso da União Soviética e que agora fazem parte da OTAN. É a restauração da URSS que Putin está buscando. E outras autoridades dos EUA estão seguindo o exemplo: “Não podemos decepcioná-los” ou “há uma boa chance de os EUA terem que se envolver” militarmente.

Claramente, os gastos militares dos EUA são um investimento na paz futura ao deter Putin hoje.

Mas, além dessa concepção militarista, é importante entender os riscos econômicos. Em 2023, a Lockheed Martin registrou um lucro líquido de 6,9 bilhões de dólares americanos, um aumento de 21%.

Jim Taiclet, CEO da Lockheed Martin, disse aos investidores da empresa, de acordo com a Zonebourse, que ele espera que as solicitações de orçamento presidencial para o ano fiscal de 2025 e o financiamento adicional para a Ucrânia, Israel e Taiwan forneçam uma base sólida para o crescimento futuro de nossa empresa nos próximos anos. O crescimento acontece nas costas de outros, fora dos EUA. E os espertos políticos americanos argumentam que preferem ajudar países beligerantes como a Ucrânia a enviar homens para a frente de batalha. Ufa, dizem os americanos! Duplo golpe: salvamos nossos rapazes e isso é bom para a economia e, portanto, para os empregos.

Os capangas de bastidores e os aproveitadores de guerra são fenômenos atemporais. Durante a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos entraram tardiamente na guerra ao lado da França e da Grã-Bretanha, a fim de permitir que esses países “aliados” se exaurissem, mas não muito, e, aproveitando-se do lucro inesperado, algumas empresas e corporações americanas aumentaram suas receitas e lucros em até 1.700%. As fortunas geralmente são feitas em tempos de guerra, e é por isso que elas são tão cruciais para aqueles que querem colher o máximo de lucros nas costas dos soldados que têm sua pele perfurada para os industriais. Você acha que está morrendo pelo seu país, mas está morrendo pelos industriais.

Hoje, as empresas de defesa, lideradas pela Lockheed Martin e pela RTX, estão usando o sistema de recompra de suas próprias ações para enriquecer. Com os lucros da guerra, elas investiram na recompra de ações. Esse processo, cada vez mais utilizado no mundo das grandes empresas, permitiu que elas aumentassem sua participação no capital acionário e, portanto, a governança sobre a empresa, ao mesmo tempo em que aumentavam os lucros por acionista remanescente. Legalmente, o dinheiro não tem cheiro. E por que os ricos não deveriam ficar ainda mais ricos sem fazer nada, já que a lei permite que eles façam isso?

O processo é lucrativo e não requer nenhum investimento ou pesquisa. A Lockheed e a RTX recompraram ações no valor de US$ 19 bilhões no ano passado. A Lockheed recomprou mais US$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2024, a Northrop Grumman quase US$ 350 milhões e a General Dynamics mais de US$ 100 milhões. Tudo isso é um circuito muito curto e muito suculento.

Os aproveitadores de guerra nunca tiveram qualquer ética. Aqueles que eram comerciantes do mercado negro durante a Segunda Guerra Mundial, ou mesmo colaboradores, terminaram a guerra no escuro. É a lógica do capitalismo que agradece a seus defensores.

E os políticos estão sempre pedindo aos trabalhadores que apertem o cinto… É preciso dizer que os trabalhadores são os mais propensos a colocar a mão no bolso. É uma pena que eles não usem os pés para chutar a bunda dos aproveitadores da morte.

Ty Wi

Fonte: https://le-libertaire.net/les-profiteurs-de-guerre-nont-jamais-eu-dethique/

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva leve
No coração de quem escreve.
Tormenta em forma de palavras.

Mário A. Vidal

[Finlândia] 1º de Maio em Helsinque: bloco anarquista demanda greve geral

O governo de direita da Finlândia aprovou inúmeras leis para cortar benefícios e restringir as atividades sindicais. Por exemplo, o governo quer limitar os salários para que não possam ser mais elevados do que no setor privado, bem como limitar o direito à greve para que esta não possa durar mais de 24 horas. As reformas de direita incluem 10 projetos de lei diferentes, alguns dos quais já foram aprovados.

Desde dezembro, os sindicatos organizaram numerosas greves curtas contra as reformas, a mais poderosa das quais foi a greve dos estivadores, que suspendeu a maior parte das exportações e importações durante um mês em março e abril. Mas o governo não recuou e os sindicatos não ousaram organizar uma greve geral.

Em resposta, os anarquistas em Helsinque, na marcha esquerdista do 1º de Maio, juntamente com os curdos, organizaram um bloco exigindo uma greve geral. Incluía cerca de 400 pessoas, foi o maior bloco anarquista em 1º de Maio na história da Finlândia.

Participaram da ação os grupos anarquistas A-ryhmä, Mäyräkopla (Gangue do Texugo), Moktasissit, bem como o NCDK  (Centro Democrático Comunitário Curdo) .

>> Mais fotos: https://t.me/aryhma/461

agência de notícias anarquistas-ana

Há trafego intenso —
Vendo o ipê amarelo
Meus olhos descansam.

Sonia Regina Rocha Rodrigues

[França] Enchentes no Brasil: a Barricada de Montpellier lança um fundo de solidariedade direta

Na última semana, o sul do Brasil vem sofrendo um desastre climático sem precedentes, com inundações monstruosas causadas por chuvas torrenciais… Em Porto Alegre, metade da cidade está debaixo d’água, bairros inteiros foram destruídos e as redes de água potável, gás e eletricidade foram parcial ou totalmente interrompidas, sendo que os bairros pobres obviamente estão sofrendo o maior impacto. Centenas de milhares de pessoas tiveram que fugir de suas casas, as estradas estão interrompidas, a escassez de água e alimentos está começando a se fazer sentir… Os crocodilos até invadiram a cidade!

Diante dessa situação, a Barricada, um centro comunitário autogerido em Montpellier, decidiu ajudar os grupos libertários presentes no local criando um fundo de solidariedade direta: “não nos enganemos: o maior vilão não é o El Niño, que está enlouquecendo, mas o capitalismo, cuja exploração desenfreada de vivos, está tornando impossível lidar com os desastres que causou! Diante dessa situação, a solidariedade é a nossa melhor arma, por isso estamos propondo apoiar os camaradas da Ação Antifascista Social e o Ateneu Libertário que estão se organizando em nível de base, sem esperar nada do Estado, para estabelecer uma solidariedade direta, em particular distribuindo água e refeições em vários bairros proletários de Porto Alegre e arredores. Aqui está um pequeno link para um financiamento coletivo para ajudar financeiramente, que será rapidamente repassado para a Ação Antifascista Social. É também nesses tipos de situações dramáticas que percebemos o poder do coletivo e da organização de base. Não vamos esperar pelo próximo desastre, vamos nos tornar a tempestade!”, diz a página do Helloasso dedicada à campanha de arrecadação de fundos.

>> Para participar, acesse:

https://www.helloasso.com/associations/le-barricade/formulaires/3

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/09/campanha-de-solidariedade-ao-rio-grande-do-sul/

agência de notícias anarquistas-ana

Canta o bem-te-vi
no galho da goiabeira:
mesma saudação!

Ronaldo Bomfim

Se você puder, apoie o Riseup!

“O que podemos fazer para criar o mundo em que nossos corações desejam viver?” Alguns pássaros se perguntaram isso, depois de viver uma semana exaustiva e emocionante de protestos contra a Organização Mundial do Comércio há quase 25 anos. Houve, e ainda há, tanto trabalho para fazer que a resposta se tornou cristalina: colocar nossos conhecimentos e habilidades para ajudar a construir movimentos de justiça em todo o mundo. Esse foi o início do Riseup.net.

No início a coisa era simples, hospedávamos e-mails e listas de discussão para grupos e amizades. Queríamos lutar contra o poder corporativo, não depender dele. Para isso, criamos nossos próprios serviços de comunicação autônoma, para que nossas comunidades pudessem usá-los para organizar seus protestos. Novas aves se juntaram ao nosso bando durante este tempo, trazendo suas forças individuais ao se juntarem em nossa luta coletiva.

Não éramos as únicas fazendo esse tipo de trabalho. Os coletivos de tecnologia de base estavam presentes em diferentes partes do globo com movimentos que abraçavam o belo processo de criação de poder. Tivemos conversas sobre o papel da tecnologia na construção de movimentos, sobre como a tecnologia deve ter sistemas que são baseados na proteção e satisfação das necessidades das pessoas – em vez de exploração.

A gente se juntou com garra e começamos a desenvolver um software: o Crabgrass foi a nossa escolha na tendência da “web 2.0”, um conjunto de ferramentas para ajudar grupos com suas tarefas. Começamos a hospedar os “pads”, uma ferramenta de escrita colaborativa muito fácil de usar. Tentamos, e falhamos, criar uma ferramenta criptografada de ponta a ponta usando o correio. Durante este tempo, nosso bando cresceu muito além dos limites da cidade de Seattle.

Estávamos nos perguntando, então, o que se vem a seguir? A internet mudou muito desde o início dos anos 2000. As Big Techs começaram a fornecer recursos que nunca conseguimos, mas, ao mesmo tempo, nós fornecemos o pior sonho da Big Tech — nenhum rastreamento de usuários. Os vazamentos de Snowden trouxeram um aumento de usuários e demandas para nossos sistemas. Refletindo sobre esses pedidos de apoio, começamos a focar nosso esforço na melhoria dos serviços. Habilitamos um armazenamento de correio maior que só pode ser lido com sua senha de usuário, e com a ajuda do LEAP, agora é mais fácil do que nunca usar nosso serviço VPN.

Ao longo dos últimos anos, temos lidado com dificuldades crescentes e a necessidade de entender e superar a dívida técnica que foi sendo construída ao longo do tempo. O trabalho de manutenção não é emocionante como lançar algo novo, mas precisa ser feito. Por trás das cenas, temos trabalhado sem parar para tornar nossos serviços mais confiáveis, melhorando nossa infraestrutura de correio e tornando nosso suporte ao usuário o mais útil possível. Como sempre, continuamos lutando contra spammers e tentando construir o novo mundo que nossos corações ainda exigem.

Se você puder, por favor contribua para apoiar o trabalho que o Riseup faz  – https://riseup.net/pt/doacao

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Luz prateada de noite cheia.
Lua clareando.
Reflexo de gaivotas.

Sílvia Mera