[Argentina] O que são os festivais de cinema anarquista?

03, 04 e 05 de maio | 6ª edição do Festival Internacional de Cinema Anarquista | Buenos Aires

O Festival Internacional de Cinema Anarquista não é uma competição típica em que os filmes participantes concorrem a um prêmio.

Nesses festivais, mostramos o que está sendo feito em formato audiovisual sobre temas anarquistas e afins, bem como apresentamos o trabalho cinematográfico de companheiros que usam esse meio não apenas para promover ideias antiautoritárias, mas também o utilizam como uma arma para expor a violência do sistema de dominação e manipulação por meio da mídia.

Para nós é importante tornar conhecida A Ideia e outras realidades do anarquismo (atual), relembrar passagens ou fatos históricos do movimento anarquista que através de aspectos informativos, teóricos, artísticos e combativos é um meio acessível às pessoas, gerando um ponto de encontro que pode servir de reflexão e inspiração para subverter o cotidiano.

O mais difícil é decidir o que é o cinema anarquista. Pode ser uma forma autogestionária ou contracultural de produção de filmes, ou pode ser um assunto específico sobre eventos que podem ser compreendidos sob esse rótulo.

Entretanto, a própria palavra anarquista é tão ampla que poderia abranger uma grande variedade de maneiras de entender o mundo. Não se pretende excluir nenhuma delas em um evento com essas características, aberto, plural e entendido como uma forma de promoção cultural libertária.

Nos últimos anos, vários festivais desse tipo foram realizados no Canadá, na Espanha, na Austrália e em outros lugares, mas principalmente nos Estados Unidos. Esses festivais são organizados por cineastas independentes, documentaristas, artistas e ativistas que se reúnem em seu próprio espaço.

De fato, muitas vezes se esquece para que servem os festivais: para exibir filmes e conversar com aqueles que os fazem.

Um festival de cinema anarquista surge diretamente do ativismo cultural e do ativismo político. É um espaço horizontal onde não há diferença entre espectador e criador, e onde as conversas e os debates ocorrem em pé de igualdade. Os próprios autores também são ativistas; e parte do público também pode estar fazendo outros tipos de criação (editando livros, fanzines, revistas, outros documentários ou filmes, peças de teatro…). Normalmente, nesse tipo de festival, prevalece o gênero documentário, pois são obras destinadas à conscientização, a nos contar histórias de outras sociedades ou de outras épocas. No entanto, não podemos nos esquecer da criação pela criação. A capacidade criativa inata da humanidade. É por isso que, neste festival, compartilharemos experiências e promoveremos a mídia comprometida e criativa. E também nos divertiremos.

Não somos obcecados por multidões, nem temos interesse em fazer deste festival um novo local de negócios ou em promover o espetáculo pelo espetáculo. Estamos interessados em tornar conhecidas realidades diferentes das que conhecemos e, acima de tudo, em promover um espaço de cumplicidade entre pessoas diferentes.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/19/argentina-chamada-aberta-para-participacao-iv-festival-internacional-de-cinema-anarquista-buenos-aires-2024/

agência de notícias anarquistas-ana

Canto da cigarra.
O vento espalha
Suave despedida.

Raimundo Gadelha

[México] Felicitações na passagem do aniversário do compa Yorch

Atrás das grades, hoje (24/04), nosso querido amigo Yorch está recebendo um novo sol. Detrás desses muros resiste a vida dura, que vigia cada passo e inclusive cada pensamento.

Nem ontem, nem hoje, nem amanhã teria que estar enjaulado, longe de seus próximos, de seus espaços, de seu gato.

Querido Yorch te abraçamos e abraçamos aos que te acompanham todos os dias. Elas e eles que não desistem, que junto contigo enfrentam o carcereiro, que te levam tua comida, que te visitam para diminuir o peso e o nefasto que é o confinamento. Que ocupam sua imaginação para nomear-te, que articulam reuniões, desenham, fazem barulho.

Yorch que nossa presença te chegue com raiva indômita até que voltes a ter tua liberdade.

Transpassemos essas cercas que te limitam com a solidariedade! Não estamos todos, nos falta Yorch! Abaixo os muros de todo tipo de prisões! Yorch à rua!

Libres Ya

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/22/eua-chamada-de-solidariedade-financeira-a-jorge-yorch/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/21/mexico-carta-do-prisioneiro-anarquista-jorge-yorch-esquiv/

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Até do tô-dango
os bolinhos se encolhem –
Vento de outono.

Morikawa Kyoriku

[Irã] Mãe de Jîna Amini se manifesta contra a sentença de morte imposta ao rapper curdo Tumac Salihi

A sentença de morte imposta no Irã ao rapper Tumac Salihi em 24 de abril provocou reações e protestos em todo o mundo. Salihi foi preso pelo regime iraniano durante o levante “Jin, Jiyan Azadi”. Entre os que condenam a pena de morte está Müjgan Eftekhari, mãe de Jîna Amini, a jovem curda morta sob custódia policial em Teerã.

Em uma publicação nas mídias sociais, Eftekhari escreveu: “Querida Jîna, recebi notícias que me devastaram novamente. Não deixe que a mãe de Tumaj sofra como eu sofri”.

Depois que o veredicto foi anunciado, Emir Reyisiyan, um dos advogados de Tumac Salihi, disse que o Tribunal da República Islâmica de Isfahan condenou o músico à morte na noite da última quarta-feira, confirmando a notícia.

Reyisiyan disse que as alegações apresentadas como base para a sentença de morte estão longe da verdade e que eles recorrerão da condenação.

O Estado do Irã executou um total de 834 pessoas em 2023, sendo 22 delas mulheres. Uma visão geral dos relatórios de direitos humanos do Irã entre 2010 e 2023 mostra que pelo menos 154 pessoas foram executadas por filiação a grupos políticos e grupos políticos armados proibidos. Dessas, 76 (49%) eram curdos, 45 (29%) eram balúchis e 24 (16%) eram árabes, a maioria deles muçulmanos sunitas.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/25/rapper-toomaj-salehi-condenado-a-morte-no-ira/

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Brilho da lua se move para oeste
a sombra das flores
caminha para leste.

Buson

[Porto Alegre-RS] 1° de Maio Anarquista

1° DE MAIO ANARQUISTA PARA HONRAR AS QUE LUTARAM ONTEM E ACENDER A CHAMA DAS LUTAS DE HOJE

Na Redenção – POA

Rua José Bonifácio, 14 horas

Neste dia 1° nos encontraremos na redenção para fazer memória das trabalhadoras que lutaram pra que a vida não se resumisse às horas de trabalho e conversar sobre os inimigos que até hoje arrancam o pouco que conquistamos enquanto classe, sobre os novos nomes para a mesma exploração e lógica do lucro de poucos em cima da vida de muitas.

NÃO NOS CURVAMOS, DEMANDAMOS O IMPOSSÍVEL.

Nos vemos lá!

FAG/CAB – Ateneu Libertário – A Batalha da Várzea

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Trovão ribomba
Galinhas levantam a crista
de uma única vez!

Naoto Matsushita

[França] O trabalho aliena e mata, vamos nos emancipar e construir a anarquia!

Para o dia 1º de Maio de 2024 em Metz, vamos formar um bloco vermelho e preto determinado, festivo e cheio de reivindicações!

Após a manifestação, compareça ao festival Chiffon Rouge em Woippy, organizado pela CGT de Moselle, onde teremos nossa livraria social e você poderá comprar adesivos, pôsteres, botons, livros etc.

Para o Primeiro de Maio de 2024, o Grupo Metz da FA (Federação Anarquista francófona) reafirma sua solidariedade e seu compromisso com o movimento social. Vamos formar blocos libertários, vamos multiplicar as iniciativas de solidariedade, vamos organizar ações, vamos dar vida à autogestão em todos os lugares!

Não estamos nos iludindo quanto à real importância do momento. Mas acreditamos que temos que estar lá hoje, para não deixar essa data para os reformistas de todos os tipos, porque o 1º de Maio é profundamente anarquista:

No século XIX, a revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo deram origem à classe trabalhadora, que nunca parou de lutar para conquistar direitos e garantir sua dignidade. Em 1886, nos Estados Unidos, os sindicatos de trabalhadores convocaram uma passeata para exigir uma jornada de trabalho de 8 horas. Em 1º de Maio de 1886, 340.000 trabalhadores marcharam por todo o país. A polícia, sob o comando de uma elite capitalista, mafiosa e corrupta, dispersou violentamente os manifestantes, matando dois e ferindo muitos outros.

No século XIX, a revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo deram origem à classe trabalhadora, que nunca parou de lutar para conquistar direitos e garantir sua dignidade. Em 1886, nos Estados Unidos, os sindicatos de trabalhadores convocaram uma passeata para exigir uma jornada de trabalho de 8 horas. Em 1º de Maio de 1886, 340.000 trabalhadores marcharam por todo o país. A polícia, sob o comando de uma elite capitalista, mafiosa e corrupta, dispersou violentamente os manifestantes, matando dois e ferindo muitos outros.

Os muros estavam cobertos de apelos à revolta. Em 4 de maio, o movimento continuou na Haymarket Square, em Chicago, um foco de protestos anarquistas. No final da manifestação, uma bomba explodiu no meio da polícia, matando vários policiais.

Várias dezenas de ativistas anarquistas foram presos e oito deles foram condenados à morte. Posteriormente, foi confirmado que o chefe de polícia de Chicago havia organizado e provavelmente até ordenado o atentado a bomba em 4 de maio para justificar a repressão e o massacre e tentar sufocar o movimento.

Esse trágico evento despertou a ira dos trabalhadores de todo o mundo. Assim, o dia 1º de Maio tornou-se o Dia Internacional de Luta dos trabalhadores, das classes trabalhadoras e de todos aqueles que estão lutando.

Está mais do que na hora de o medo e o derrotismo mudarem de lado!

Hoje, sabemos que é todo um sistema que precisa ser derrubado, porque enquanto o capitalismo governar, auxiliado pelos Estados e pelos policiais que os protegem, estaremos condenados a lutar para ficar com as migalhas. É imperativo que construamos um equilíbrio de poder mais amplo e poderoso, por meio de todos os tipos de ação que julgarmos necessários.

Em face do desprezo e da violência das grandes empresas, em face dos ataques antissociais e racistas do Estado, precisamos recuperar nossas vidas. Isso significa nos organizarmos localmente para dar vida, aqui e agora, a alternativas concretas, como cooperativas de alimentos e cantinas autogeridas, centros de acolhimento, fundos de solidariedade internacional e muitas outras iniciativas, a serem consolidadas ou construídas com aqueles que lutam contra a opressão.

As lutas locais e essas alternativas respondem a necessidades imediatas. Elas estão o mais próximo possível das realidades cotidianas da vida das pessoas, oferecendo uma saída para o marasmo e um vislumbre do futuro.

Portanto, chega de seu “valor trabalhista”, o 1º de Maio não é um dia para celebrar o trabalho, como o regime de Vichy estabeleceu em 1941! O 1º de Maio continua sendo o símbolo da liberação social por meio da ação direta, que pode ser alcançada por meio de uma greve geral, expropriação e autogestão.

Queremos criar uma sociedade livre, sem classes ou fronteiras, onde todos possam se definir e se movimentar como quiserem, sem controles ou discriminação.

Portanto, junte-se a nós no dia 1º de Maio nas ruas, nos locais de luta, nas iniciativas…!

Viva o 1º de Maio e viva o anarquismo!

Fonte: https://manif-est.info/Le-travail-aliene-et-tue-emancipons-nous-et-construisons-l-anarchie-2848.html

agência de notícias anarquistas-ana

Mamonas estalam.
Os cachos da acácia
Parecem imóveis.

Paulo Franchetti

[Espanha] Dia Internacional da Sabotagem

Hoje, 30 de abril, queremos resgatar da história anarquista esta data marcada como o Dia Internacional da Sabotagem.

Este dia, véspera do 1º de Maio, parece ter origem na década de 80 do século passado. Especificamente, começou em 1982 na Holanda: após a abdicação do trono da rainha Juliana e em consequência da indignação com o que era considerado um desperdício de dinheiro público, houve um apelo popular à sabotagem, que se materializou em ataques às instituições bancárias e a outros interesses capitalistas.

No ano seguinte as ações de sabotagem repetiram-se, mas desta vez espalharam-se por mais cidades europeias, tornando-se uma iniciativa internacional. Destaca-se a cidade de Londres, onde esteve ligada às mobilizações “Stop the City” da época, descritas como “O Carnaval contra a guerra, a opressão e a destruição”. Na Espanha, a introdução deste dia deve ser reconhecida pelos grupos autônomos de Euskal Herria [País Basco] que chegaram ao ponto de organizar caravanas de carros em apoio às mobilizações em outras partes da Europa.

Reivindicado principalmente pelo anarquismo internacionalista e apoiado por outros grupos autônomos, grupos de afinidade e até alguns grupos marxistas revolucionários, o Dia Internacional da Sabotagem é uma data que ganhou visibilidade à medida que o 1º de Maio foi deturpado e pacificado. Se organizar em torno de um dia para praticar e difundir a sabotagem e dificultar o funcionamento da máquina capitalista foi uma tática para aquecer os ânimos e tornar visível o conflito social, que teve os seus ecos até ao século XXI.

Num contexto de crescente crise econômica e de organização incipiente das classes populares, talvez precisemos recuperar a memória deste dia e, sobretudo, a sua essência de ação direta ofensiva e contra o Capitalismo!

Fonte: https://heuranegra.net/dia-internacional-del-sabotatge/

agência de notícias anarquistas-ana

as pálpebras do gato
ao ritmo das gotas
do candelabro

Valentin Busuioc

[Espanha] Primeiro de Maio de 2024. Não permitiremos que acabem com tudo. Vamos construir juntas um mundo melhor

A Confederação Nacional do Trabalho (CNT) convoca a Manifestação de 1º de maio em Ciudad Real às 12h. da Plaza de las Terreras à Plaza del Pilar.

Neste 1º de maio desde CNT, dizemos basta. Não podemos permitir que destruam nosso mundo, nossa dignidade e nosso futuro.

A ameaça tem muitas caras: a ameaça de um sistema capitalista que nos explora, espreme nossos recursos naturais e degrada o meio ambiente. A de uma classe política corrupta e elitista que destrói o público, ignora nossas necessidades e nos arrasta para genocídios e guerras. E também uma sociedade que discrimina, marginaliza e exclui os mais vulneráveis.

Nosso sindicato está crescendo a cada dia. Embora tenham tentado nos silenciar centenas de vezes, estamos cada vez mais presentes nas lutas, nas greves, nos locais de trabalho. A bandeira vermelha e preta da Confederação tremula onde quer que haja um conflito trabalhista, onde quer que um de nós exija o que é justo. Desde Xixón até Granada, de Compostela a Valência.

Nossas lutas e reivindicações são agora mais vigentes do que nunca, por condições de trabalho decentes, salários justos e direitos sindicais. Por uma sociedade baseada na igualdade, solidariedade e apoio mútuo. Por um mundo em que valha a pena viver.

É por isso que construímos um sindicalismo de ação direta, trabalhamos dia a dia para nos organizarmos em nossos locais de trabalho, desde as assembleias, sem líderes ou dirigentes, onde todos nós temos o mesmo valor e nossas opiniões são levadas em conta, onde somos ouvidos, onde aprendemos a ouvir. Onde colocamos em prática o mundo que queremos e lutamos para mudar o que não gostamos.

Não pararemos até alcançarmos um mundo em que todas as pessoas sejam donas de seu destino, onde a riqueza seja distribuída igualmente e em que a natureza seja respeitada. Chegou a hora de mostrar que somos mais, que estávamos aqui antes deles e que somos capazes de construir tudo o que eles destroem todos os dias.

ciudadreal.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

vento nas cortinas
fico atenta
ao que a manhã ensina

Camila Jabur

[Espanha] Frente à derrota. Organização revolucionária.

Encontramo-nos e rápido nos reconhecemos. Em nosso olhar tristeza e frustração pela incerteza que se mesclava com uma esperança irredutível. Encontramo-nos, após gloriosas derrotas e alguma tenebrosa vitória, e rápido nos reconhecemos. Chegamos órfãos e desarmados, atolados em uma espessa nostalgia. O gosto ruim na boca compartilhado nos uniu até converter-se em um lema: “Contra a derrota. Contra todo derrotismo”. Mas isso não era suficiente.

Combater a derrota começou por nos unir. Com os bolsos cheios de pedras, insignes derrotas e alguma terrível vitória, que não poderiam seguir sendo lastro, mas projéteis, tem que ser a munição de nossos combates seguintes contra a ordem estabelecida, contra a derrota. Buscamos nos contemplar plenamente, acompanhados de nossos medos comuns, e na cumplicidade da ação e das ideias. Unir-nos foi o primeiro passo, logo tratou-se de construir em torno à experiência das lutas passadas.

Unir-nos para combater a desagregação e o desarme de uma classe trabalhadora mais numerosa, precarizada, diversa e feminizada que em nenhum outro período da história. Unir-nos para unir o que querem separado. Unir-nos para reconhecer-nos, para acender a chispa que nos permita conhecer o que nos rodeia. Unidas sem negar as diferenças, sem pretender a uniformidade. Detectando os privilégios, toda forma de domínio, para combater a exploração.

Unidas e organizadas. Rearmados contra desvios e saídas falsas. Fazendo nossa a responsabilidade de vencer as indiferenças com solidariedade, apoio mútuo, consciência e ação direta. Auto-organizadas para tomar a rédea de nossas vidas e nosso futuro antes que se arruíne sob os interesses de uns quantos e muitos cúmplices. Este sistema criminoso não se pode reformar, só cabe destruí-lo. Quem diga o contrário se equivoca e nos leva à derrota.

Organizadas para não engolir mentiras que nos animam a lutar entre nós. Nossa classe transpassa suas fronteiras. A guerra sempre deve ser contra os de cima e nunca entre nós. Alertados de que pretendem que assumamos seus interesses como próprios, como nossos, quando seus interesses jamais serão os nossos. Lutar entre nós é uma derrota. Fazer a guerra a suas guerras é o começo para alcançar a vitória.

Sua ganância é infinita, voraz, é insustentável. Nossos corpos, nosso mundo, nossas mentes, não podem sustentá-lo sem quebrar. Unidas e organizadas, armadas de experiência e focadas na superação de sua avareza. Sem permitir que estendam suas garras sobre outros povos, em outras latitudes. Com solidariedade internacionalista e de classe. Contra toda campanha imperialista que quer nos calar e nos apaziguar sangrando mais além de nossos muros.

Muros levantados para tentar frear o desespero que eles mesmos geram. Muros com farpas, câmeras e guardas que rasgam uma pele e uma carne que também é a nossa. Arames farpados, valas e fronteiras. Mecanismos para conter a luta. Juízes, policiais, burocratas e líderes carismáticos. Mecanismo para desviar a força que gera nossa união, nossa organização e nosso propósito emancipador.

Fomos, somos e seremos combativos, estaremos na retaguarda ou na linha de frente, com serenidade e entusiasmo quando se necessite, mas só alcançaremos esse objetivo unidas e organizadas. Jamais renunciaremos a essa vitória, porque será a conquista mais bela da Humanidade.

Assinado por:

Embat – Batzac – FEL – Liza – Regeneración

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sinto um agudo frio:
no embarcadouro ainda resta
um filete de lua

Buson

[Espanha] Este 1º de Maio saiamos à rua!

No 1º de Maio de 1.886, Chicago saiu à rua reivindicando uma jornada laboral de 8 horas que permitisse às obreiras e obreiros fazer em seu dia algo mais que produzir, podendo descansar, atender a suas famílias ou formar-se.

Passaram mais de 100 anos e seguimos tendo condições precárias, jornadas laborais que tornam incompatíveis conciliar família, lazer ou cuidados, e salários de miséria que não nos permitem acesso aos mesmos produtos que a classe trabalhadora produziu, nem sequer aos mais básicos como comida, moradia, saúde ou educação.

Seguimos sendo as trabalhadoras e trabalhadores que pomos o sofrimento, traduzido em acidentes laborais, na deterioração da saúde mental ou sepultados sob as ruínas da Palestina.

“As guerras imperialistas, são parte do mesmo sistema que nos oprime.”

Porque as guerras imperialistas são parte do mesmo sistema que nos oprime, desde Chicago à Gaza, passando por qualquer lugar, aonde o suor de nossa cara vai parar no bolso do empresário.

Eles obtêm os lucros e nós as vítimas.

Aquele 1º de Maio de 1.886, a população de Chicago e de outras partes do mundo, saiu à rua porque sabia que só a organização obreira poderia alcançar melhores condições. E conseguiram.

Não podemos esquecer que no importante, nada mudou: a luta segue sendo o único caminho.

Por isso, este 1º de Maio saiamos à rua. Não fiques em casa e reivindica teus direitos junto à CNT.

No 1º de Maio, os esperamos na Plaza del Altozano às 12 h!

sevilla.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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a estação amua
fumo de castanhas
à esquina da rua

Rogério Martins

[Espanha] 1º de maio: Prepare-se para a ação!

Todo 1º de maio é um encontro para a classe trabalhadora lembrar que não estamos satisfeitos com migalhas, que queremos desfrutar do mundo que podemos construir e não sermos expulsos dele em troca de salários de miséria. Este ano não chegaremos desanimados, por piores que sejam as perspectivas! É verdade que as coisas estão ruins, mas não daremos à direita e aos patrões o prazer de ficarmos desanimados e resignados.

Neste 1º de maio, na Espanha, estamos chegando com o ruído de fundo do “governo mais progressista da história”, que nos fala de seus sucessos enquanto nossos bolsos estão vazios, a guerra está batendo em nossas portas e milhares de trabalhadoras estão morrendo no mar tentando chegar ao litoral do país, emparedadas pela polícia de fronteiras e insultadas pelos discursos xenófobos que inundam as redes sociais.

É o governo progressista do Estado espanhol, cuja reforma trabalhista trouxe alguns aspectos positivos, como a eliminação da farsa que era o contrato de trabalho e serviço, mas que mantém o poder dos donos das empresas em aspectos como a não recuperação dos salários de tramitação na demissão sem justa causa, o instrumento de assédio e destruição de direitos que representam as modificações substanciais das condições de trabalho, as indenizações irrisórias, bem como a manutenção da terrível impunidade de que desfrutam diante do descumprimento das leis.

Nada mais se poderia esperar de uma reforma que é apresentada como um triunfo quando foi negociada sob a chantagem da União Europeia em troca da distribuição de fundos cujo único objetivo é tapar bocas. No final das contas, é a reforma que mantém a mesma precariedade, mas modifica as definições para que ela não se reflita nas estatísticas.

Em termos de outros direitos, o panorama não é melhor: a inflação está fora de controle, e a única coisa que o governo faz é subsidiar as empresas que estão nos roubando, desperdiçando recursos públicos para o lucro privado; obter um subsídio é uma corrida de obstáculos cheia de armadilhas; fala-se muito contra a privatização da assistência médica, mas as leis que a favorecem permanecem inalteradas.

E em tudo isso, a inflação atinge mais as trabalhadoras, já que a maioria dos empregos de meio período é ocupada por mulheres. Além disso, as mulheres são responsáveis por mais de 80% das famílias com crianças e um adulto. As aposentadorias das mulheres são um terço menores do que as dos homens. As mulheres ocupam a maioria dos empregos de baixa remuneração e menos protegidos, sendo as mulheres migrantes as mais vulneráveis à exploração e ao abuso. Uma alta porcentagem, 80%, de mulheres trans também é excluída do mercado de trabalho. Apesar dos esforços, persistem inúmeras discriminações e disparidades no emprego e na diferença salarial. A violência baseada no gênero, os encargos sociais e familiares e a feminização da pobreza são manifestações da injustiça que impede o desenvolvimento pessoal e profissional das mulheres.

Não podemos esperar outra coisa da farsa democrática, na qual parece que temos de nos alegrar por termos evitados governos estaduais com Vox [partido de ultradireita]; governos de um estado em que, por exemplo, as trabalhadoras migrantes na colheita do morango não podem votar, mas os empregadores que as exploram e deixam suas horas extras não pagas sob ameaça podem votar.

Diante disso, trabalhadoras e trabalhadores, há uma alternativa. O que o desfile de leis nos rouba, nós podemos obter como trabalhadoras e trabalhadores organizados:

  • Como estão conseguindo na educação em Madri, onde um processo assembleario conduzido pela CNT, CGT e STEM deixou os sindicatos burocráticos como a CCOO e a UGT de fora.
  • Como os trabalhadores da limpeza de Soldelim, que, com as ferramentas da greve, da ação direta e da caixa de resistência, conseguiram se libertar de uma empresa que estava roubando seus salários.
  • Como a CGT Renault está fazendo diante do desmantelamento sistemático da carga de trabalho e dos empregos que a empresa está realizando na fábrica de carrocerias. A CGT não deixará de convocar greves e atos para divulgar o que a Renault realmente é: uma trituradora de pessoas.
  • Como os trabalhadores da Sevilha Control, que conseguiram derrotar um empresário do setor aeronáutico por meio de estratégia e disciplina.
  • Como as trabalhadoras do setor de saúde de emergência, que após cinco meses de greve conseguiram um aumento salarial de 15% e uma redução anual de 212 horas na jornada de trabalho.

Trabalhadora, trabalhador, não espere que alguém revogue a reforma trabalhista, revogue-a unindo-se aos seus companheiros! Trabalhadora, trabalhador, não espere que os abusos acabem, ponha fim a eles com sua ação no local de trabalho! Teremos o futuro porque nós somos o futuro! Organize-se e lute!

Fonte: https://valladolorentodaspartes.blogspot.com/2024/04/1-de-mayo-ponte-las-pilas.html

agência de notícias anarquistas-ana

Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa

[Itália] Saudações e cantos fascistas no 79º aniversário da morte do ditador Benito Mussolini

Cerca de duas centenas de pessoas reuniram-se na Mezzegra-Giulino, no lago de Como, na manhã de domingo (27/04), para celebrar o 79.º aniversário da morte do ditador italiano Benito Mussolini.

O ditador italiano Benito Mussolini e a sua amante Clara Petacci foram executados pela resistência italiana na aldeia de Messagre-Giulino em 28 de Abril de 1945.

No domingo, em Dongo, cidade no lago de Como onde Mussolini e Petacci foram presos, neofascistas vestidos de preto marcharam para colocar 15 rosas na água, em memória dos ministros e funcionários do governo Mussolini que ali foram executados. Em seguida, levantaram os braços na saudação nazista e entoaram canções fascistas.

Durante a cerimónia em memória de Mussolini, a polícia separou os neofascistas de centenas de manifestantes que cantaram a famosa canção antifascista italiana “Bella Ciao”.

Foram também registradas manifestações em Predappio, local onde Mussolini nasceu e foi enterrado.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

tu conheces pelo coração
a gramática do meu corpo
e seu dicionário

Lisa Carducci

As raízes anarquistas do 1° de maio.

Por Centro de Cultura Libertária da Amazônia – CCLA

Dê a essas pobres criaturas o suficiente para satisfazer a sua fome e garantirei um período tranquilo em que todas as grandes questões de terra, salários e direitos possam ser postas em prática sem mais derramamento de sangue […] Deve ser a liberdade para o povo ou a morte para os capitalistas. […] Não dormi, nem dormirei até dormir o sono da morte, ou até que meus semelhantes estejam no caminho da liberdade.

Albert R. Parsons – Carta ao editor do Daily News em 7 de maio de 1886.

Será que esta nova geração sabe que aqueles que inauguraram a jornada de oito horas foram condenados à morte sob o comando do capital?

Lucy E. Parsons – em The Haymarket Martyrs, novembro de 1926.

Por que o 1° de maio?

Chegamos a mais um 1° de maio, mais um dia de luta da classe trabalhadora e de todo setor subalternizado das/dos de baixo. Uma data para não esquecermos suas origens e seu significado. Em 1886 operárias e operários dos Estados Unidos paralisaram centenas de fábricas e exigiram redução da jornada de trabalho para oito horas por dia. Naquela época eram submetidos a extenuantes 12, 14, 16 horas diárias, sob péssimas condições em seus locais de trabalho, com exploração de mão-de-obra infantil, desigualdade salarial entre mulheres e homens, acentuado pelos baixíssimos salários pagos que não garantia as mínimas condições de reprodução social da classe trabalhadora. As reivindicações deflagradas por aquele movimento, dadas as devidas proporções, não se distanciam das lutas travadas hoje.

Não podemos esquecer que a luta desenvolvida por mulheres e homens em rebeldia que deram origem ao 1° de maio, tem forte orientação ideológica do anarcossindicalismo, como também do sindicalismo revolucionário. No século XIX, particularmente em sua segunda metade, as economias dos países do norte global, destaque para os da Europa e Estados Unidos, passaram por profundas transformações. Vários ofícios como artesanato, marcenaria/carpintaria, tipografia, alfaiataria, sapataria e, inclusive, a agricultura foram muito influenciados por esse novo momento de transformação. O acelerado desenvolvimento industrial dos Estados Unidos e, por conseguinte, a formação de uma robusta massa operária que se aglomerava nas cidades, teve como consequência a organização de trabalhadoras e trabalhadores em sindicatos, a greve geral como ferramenta de luta contra a desigual correlação de forças frente aos patrões, com objetivo de criar direitos e amparos sociais a classe trabalhadora como fruto dessas transformações.

À época, os ideais anarquistas já se faziam presentes em solo americano e foram fortalecidos pelo congresso de fundação, na cidade de Pittsburgh em 1883, da International Working People’s Association (IWPA), expressão de massas anarquista que chegou a ter 2.500 militantes e 10 mil colaboradores (1). Entre seus fundadores, podemos destacar duas mulheres: Lucy Parsons, negra, trabalhava como costureira foi uma das fundadoras do jornal Alarm órgão de propaganda do IWPA, incorporando a pauta das mulheres e das negras e negros, bem como, Lizzie Swank Holmes editora assistente do mesmo jornal, ambas tiveram um papel decisivo na organização operária de Chicago, assim como outras mulheres. O programa mínimo da IWPA redigiu dois, dos seus seis pontos, à igualdade entre os sexos: “Quarto – Organização da educação numa base secular, científica e igualitária para ambos os sexos. Quinto – Direitos iguais para todos, sem distinção de sexo ou raça” (2). Essa influência foi tão forte que Emma Goldman, Voltairine de Cleyre e Kate Austin tornaram-se anarquistas logo após a revolta de Haymarket (3).

Em 1885, uma convenção em Chicago, com presença de delegação de trabalhadores do Canadá, aprovaram uma resolução apelando aos trabalhadores estadunidenses e canadenses a se juntarem em uma exigência de redução das horas de trabalho para oito por dia, a partir de 1° de Maio de 1886 (4). Assim, começa a se formar um movimento sindical por oito horas. Em 1886, uma semana antes do primeiro de maio, a IWPA organizou uma manifestação de aproximadamente 25.000 pessoas em Chicago, na qual Albert Parsons (liderança sindical e militante anarquista) colocou a questão das oito horas no contexto da luta de classes (5). Na semana seguinte, os sindicatos norte-americanos chamaram uma greve geral para o primeiro de maio, desencadeando greves por várias cidades, por exemplo, Nova York, Detroit, Louisville, Kentucky, Baltimore, Maryland, e em Chicago contou com maior número entre 80 a 90 mil trabalhadores rebelados. Ao todo cerca 200.000 trabalhadores, em luta por jornada de trabalho mais curta, paralisaram mais de mil fábricas (5).

A Revolta de Haymarket e os mártires de Chicago

No dia 3 de maio, as manifestações seguiam em diversos locais. Em Chicago, August Spies (liderança sindical e militante anarquista), imigrante alemão, trabalhador de tipografia e editor do periódico Arbeiter-Zeitung discursava para milhares de pessoas quando ocorreu um conflito com centenas de policiais, onde seis manifestantes morreram, outros ficaram feridos e dezenas foram presas. No dia seguinte, vários sindicatos, sobretudo anarcossindicalistas, convocaram um protesto na Praça Haymarket, antigo mercado de feno de Chicago. Vários anarquistas discursavam nesse dia quando uma forte repressão policial foi instalada, em meio ao conflito uma bomba explodiu, matando sete policiais e ferindo outras dezenas. Até hoje não se sabe a autoria do atentado, entretanto, há evidências de que a bomba pode ter sido lançada por um agente policial como parte de uma conspiração envolvendo certos patrões do aço para desacreditar o movimento operário (6). Em meio à confusão, a polícia abriu fogo contra os manifestantes matando mais pessoas.

A partir de então, passou a ocorrer perseguição e prisão dos envolvidos direta ou indiretamente ao movimento, como as lideranças eram na maioria anarquistas, foram estes os primeiros a serem perseguidos, dentre eles: George Engel, Adolph Fischer, Samuel Fielden, Albert Parsons, Louis Lingg, Michael Schwab, August Spies e Oscar Neebe. Dos acusados, quatro (Parsons, Spies, Fischer e Engel) foram mortos por enforcamento em novembro de 1887, depois de um julgamento arranjado e cheio de erros, onde não se provou efetivamente nada contra os acusados. Lingg, que também tinha sido condenado à forca, foi encontrado morto um dia antes do enforcamento, na prisão (7). Segundo as autoridades a causa foi suicídio, porém até hoje não há provas cabíveis que corroborem com a explicação. Schwab e Fielden a princípio condenados à morte tiveram suas penas convertidas em prisão perpetua depois de grandes protestos. Anos depois, em 26 de junho de 1893, um novo governador do estado de Illinois, John P. Altgeld, os considera inocentes pelos crimes de que estavam sendo acusados (6). Como um importante fato na história do operariado mundial, esses militantes injustiçados ficaram conhecidos como Os Mártires de Chicago.

Um fato curioso, no momento do atentado a bomba, sabendo que algo terrível havia acontecido, Lizzie pediu a Albert que deixasse a cidade naquela noite e avaliasse à distância a situação e a segurança de seu retorno. Lucy foi para casa com as crianças, enquanto Lizzie acompanhou Albert até a estação de trem e comprou sua passagem. Albert foi para Genebra, Illinois, para a casa de William e Lizzie Holmes, e Lizzie voltou para o apartamento dos Parsons na cidade para passar a noite com Lucy (2). No dia do julgamento, Albert Parsons se entregou voluntariamente e proferiu um discurso (7) que ainda hoje ressoa a persistência do seu ideal anarquista e da força da classe trabalhadora:

“você acredita que quando nossos cadáveres forem jogados na cova, tudo acabará? Você acredita que a guerra social acabará nos estrangulando barbaramente? Bem, você está muito enganado. Sobre o seu veredito recairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar a sua injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”.

O 1° de maio passou a ser uma data mundialmente lembrada como um dia de luta da classe trabalhadora em 1891, após o primeiro congresso da II Internacional de 1889.

Textos consultados

  1. Site da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). O Anarquismo, o Massacre de Haymarket e os Mártires de Chicago. Você pode ler em: https://cabanarquista.org/o-anarquismo-o-massacre-de-haymarket-e-os-martires-de-chicago.
  2. Carolyn Ashbaugh. Women in the Haymarket Event. Você pode ler em: https://theanarchistlibrary.org/library/carolyn-ashbaugh-women-in-the-haymarket-event.
  3. Carolyn Ashbaugh Radical Women: The Haymarket Tradition. Você pode ler em: https://theanarchistlibrary.org/library/carolyn-ashbaugh-radical-women-the-haymarket-tradition.
  4. Alan Dawley. The International Working People’s Association. Você pode ler em: https://theanarchistlibrary.org/library/alan-dawley-the-international-working-people-s-association.
  5. Lucy E. Parsons. The Haymarket Martyrs. Você pode ler em: https://theanarchistlibrary.org/library/lucy-e-parsons-the-haymarket-martyrs.
  6. libcom.org. A Short History of May Day. Você pode ler em: https://theanarchistlibrary.org/library/libcom-org-a-short-history-of-may-day#toc7.
  7. Lucy E. Parsons Life of Albert R. Parsons With brief history of the labor movement in America. Você pode ler em https://theanarchistlibrary.org/library/lucy-e-parsons-life-of-albert-r-parsons.

agência de notícias anarquistas-ana

Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

[França] Irã urgente: “Vivemos em um lugar horrível” | Apoiando Toomai Salehi

25-04-2024

Subiremos ao topo da pirâmide.”

As pessoas aqui só estão vivas. Eles não têm vida.”

(Letra de Toomaj Salehi, 33, rapper, condenado à morte no Irã em abril de 2024)

Já preso e condenado a seis meses de prisão por “espalhar propaganda contra o Estado” em setembro de 2021 por causa de seus textos contra o regime teocrático islâmico, depois preso em outubro de 2022 por “incitação à sedição” durante a revolta “Mulher, Vida, Liberdade”, Toomaj Salehi foi finalmente condenado a seis anos e três meses de prisão em julho de 2023 com proibição de tocar música. O artista foi preso novamente logo após sua libertação da prisão em novembro de 2023 e acaba de ser condenado à morte em 24 de abril de 2024 por “corrupção na Terra”. Ele havia declarado, como Bakunin:

Eu achava que a situação mais triste para uma pessoa era ficar sozinha sob tortura, agora entendo que ser a única a ser solta enquanto as outras ainda estão na prisão, é ainda mais amarga.”

Em novembro passado, Toomaj se reuniu com a ativista antivéu Sepideh Rashnu, que cumpre pena de quatro anos de prisão. Depois, na prisão de Evin, em Teerã, em janeiro deste ano, ele se juntou à greve de fome de Narges Mohammadi, ativista de direitos humanos e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2023 condenada por denunciar a ditadura religiosa e sua opressão às mulheres.

Na noite de 24 de abril, uma faixa representando Toomaj Salehi foi pendurada em uma ponte na rodovia Modares-Teerã para protestar contra o veredito.

A arte pode ser um formidável vetor de expressão e resistência diante da repressão, as autoridades tentam em vão silenciar Toomaj condenando-o à morte, suas canções continuarão a viver e unir as pessoas!

Contra o número cada vez maior de execuções no Irã, pela libertação de Toomaj e de todos aqueles que pagam com sua liberdade e suas vidas, seu ativismo pela vida e liberdade de todos,

VAMOS DIFUNDIR O APELO DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA À SOLIDARIEDADE.

VAMOS NOS MOBILIZAR EM TODOS OS LUGARES CONTRA A EXECUÇÃO DE TOOMAJ SALEHI!

Relações Internacionais da Federação Anarquista

federation-anarchiste.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/25/rapper-toomaj-salehi-condenado-a-morte-no-ira/

agência de notícias anarquistas-ana

no muro o caracol
se derrete nos rabiscos
da assinatura prateada

Dalton Trevisan

Flecheira Libertária n. 759 | A existência libertária é sempre antipolítica, anticapitalista, antimilitarista…

indústria da morte

Segundo o estudo de um instituto internacional, no ano de 2023 foram destinados mais de US$ 2,4 trilhões em orçamentos militares em todo o planeta. Nunca se gastou tanto em armamentos bélicos como agora. Estados com os maiores orçamentos militares, como EUA, China e Rússia, seguem aumentando seus gastos e lucrando cada vez mais no mercado internacional de armas. E seguem ocorrendo guerras e conflitos armados em diversas regiões do planeta: Israel-Palestina, Ucrânia-Rússia, Burkina Faso, Somália, Sudão, Iêmen, Mianmar, Nigéria, Síria… Algumas mais outras menos midiáticas na grande mídia internacional. Enquanto a indústria da morte sustenta governos, exércitos e patriotas que almejam dizimar e exterminar seus adversários em guerras sangrentas, para o resto da população destes lugares restam bombas, mísseis, punições, migrações, campos de concentração, filantropia, hashtags e orações.

contra a guerra

Há um ano, anarquistas combatem a guerra entre a milícia Janjawid e as forças armadas do Sudão. A violência contra os combatentes dos Comitês Revolucionários se agravou. Alvos das armas de ambos os lados, elxs são torturados e mortos pelos milicianos, presos e torturados, e às vezes também mortos pelos militares. A recente execução da libertária Sarah, após ser violentada por homens armados da Janjawid, aumentou o terror contra aqueles que lutam contra a guerra. Anarquistas difundem as notícias desses confrontos sanguinários, muito menos rentáveis às mídias de toda ordem, e solicitam apoio para fugirem de lá.

antimilitaristas

Na Rússia, a jovem Lyubov Lizunova foi transferida da prisão domiciliar para a prisão-prédio de forma “preventiva”. Ela é acusada de pichar a frase “morte ao regime” e de participar em “incêndios criminosos” contra centros de recrutamento de soldados para a guerra contra a Ucrânia. Com apenas 17 anos, será forçada a terminar a escola na prisão. Alexander Snezhkov, também acusado junto com a libertária, está detido desde janeiro. Formalmente, estão indiciados por “extremismo”, “incitação a atos terroristas” e “vandalismo motivado por ódio político”. Lá, no Sudão e em qualquer lugar, xs anarquistas são a única força a lutar contra a guerra, contra o Estado e a política. Nosso antimilitarismo é insuportável para todos que creem nessas instituições facínoras.

A na bola

Na comuna francesa de Lorient, duas anarquistas foram sequestradas pelas forças da ordem por terem realizado pichações no centro da cidade. Ao redor de várias ruas, frases contra as forças da lei e da ordem e “As na bola” foram estampadas em muros e paredes. Sob custódia da polícia, elas se mantiveram em silêncio. Apesar de terem sido liberadas, permaneceram monitoradas pela polícia. Desde o final da década de 1960, libertárixs se utilizam do “A na bola” para evocar as práticas anarquistas. O símbolo vai além de qualquer princípio de representação, expressando a potência individual sem nunca perder sua capacidade de evocar os anarquismos. Não é à toa que, por diversos cantos do planeta, anarquistas seguem driblando as autoridades e estampando “As na bola” em livros, periódicos, zines, gravuras, sites, muros etc., ecoando e impulsionando as ações anarquistas por todos os cantos.

a vida tá besta?

Sindicatos confinados a arranjos salariais e a certos benefícios gerais, em perfeita conexão com empresários e a burocracia estatal. Isso é capitalismo com intervencionismo e/ou liberalismo, sustentabilidade e/ou vistas grossas, colonialidades ou não, capital humano e racionalidade neoliberal, aquela que ajeita tudo ao seu modo. De tempos em tempos, chegam as eleições e os que perdem acusam os que ganham, fazem protestos, imprecam diante dos muros, avenidas e templos, apresentam-se como os mais democráticos etc. Tudo no diapasão do pluralismo com a presença de fascistas como força política tolerável. Até eles acabarem com a repetição democrática, mais uma vez. Eta vida besta!!!!!!! A existência libertária é sempre antipolítica, anticapitalista, antimilitarista, é anti e, por isso, não se mete com “bacanas”.

Fonte: https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/04/flecheira759.pdf

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Broca no bambu
deixa furos de flauta.
O vento faz música.

Anibal Beça

[Joinville-SC] X Sarau Primeiro de Maio | Tomar a praça, fazer memória: por um 1º de Maio classista

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), convida a classe trabalhadora para participar da 10º Sarau Primeiro de Maio em Joinville. O tema é “Tomar a praça, fazer memória: por um primeiro de maio classista”.

Neste ano, ocuparemos a Praça “Getúlio Vargas” para realizar o nosso sarau e mudar o significado deste local. A Praça “Getúlio Vargas” é um dentre tantos espaços públicos que carregam o nome de ditadores, governantes e burgueses em nossa cidade. Tomaremos de assalto a praça e faremos dela nossa, mudando seu nome para homenagear a classe que realmente produz as riquezas do mundo.

Compareça na atividade para celebrar o Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras, um patrimônio do povo oprimido construído sobre mais de um século de lutas em todo o mundo. Haverá apresentações artísticas produzidas pela companheirada e faremos a partilha em formato de piquenique, então traga seu alimento e sua toalha!

Tomar as praças, fazer memória!

Lutar, criar, poder popular!

Viva o primeiro de maio!

Data: 01/05/2024 às 15:00h

Local: Rua Santa Catarina, 231, Praça Getúlio Vargas – Floresta, Joinville.

Atenção! Em caso de chuva, o sarau segue sua programação normal, basta trazer seu guarda-chuva!

>> Mais infos: cabn.libertar.org

agência de notícias anarquistas-ana

lua alta
céu claro
o som da folha caindo

Alexandre Brito

[Espírito Santo-ES] 1º de Maio 2024: Rompamos nossa jaula!

E outra vez se aproxima o 1º de Maio… em um cenário de guerras alastradas por todo o mundo, de investimentos bilionários, por consequência, na indústria militar, apesar de milhões e milhões de pessoas passarem fome neste instante. A violência aumenta a cada dia, a desesperança também. A conjuntura nos conduz ao derrotismo e nos paralisa, na medida em que, enquanto isso, nós, trabalhadoras e trabalhadores somos espoliados a cada instante de nossa existência.

Porém, apesar de tudo e todos, aqui estamos mais um ano, outra vez. Podemos e devemos romper as grades de nossa jaula, gritar alto, gritar forte e com altivez: não acreditamos e não aceitamos este sistema socioeconômico. Não toleramos a destruição do meio ambiente e a mercantilização da vida!

Acreditamos em outro mundo, solidário, fraterno, pacífico e autogerido pelas próprias produtoras da riqueza social. Acreditamos em um mundo em que não consumiremos todo o planeta apenas para gerar lucros cada vez maiores aos conglomerados empresariais que nos controlam.

Por isso, para que este novo mundo que levamos em nossos corações surja, a organização anticapitalista de todo o conjunto de exploradas e explorados é fundamental e urgente!

Dessa forma, contamos com todas vocês neste Primeiro de Maio de 2024, a partir das 16 horas, nas proximidades da Arquidiocese de Vitória/ES, para uma marcha/protesto e, às 20 horas, um debate e articulação no Espaço Lacarta.

ABAIXO A PARALISIA!

PELA REVOLUÇÃO SOCIAL!

ORGANIZE-SE E LUTE!

EM MEMÓRIA DOS MÁRTIRES DE CHICAGO!

Federação Anarquista Capixaba – FACA
Filiada à IFA Brasil e IFA-IAF

federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

com mãos de hera
enlaço teu corpo
oferto em espera

Eugénia Tabosa