Expansão global da JBS é marcada por concentração de renda e aumento da pobreza, conclui estudo

Por Mariana Costa | 10.04.2024

Com faturamento anual que supera o PIB de 20 estados brasileiros e histórico de empréstimos públicos, corporação tem executivos que ganham salários milionários enquanto operários recebem pouco mais que o mínimo.

Um alinhamento entre interesses públicos e privados fortaleceu a trajetória da JBS rumo ao posto de maior empresa de alimentos do mundo, em processo marcado por concentração de renda e agravamento da fome e da pobreza em cidades onde opera.

A conclusão é do relatório “Alimentando a Desigualdade: os custos ocultos do monopólio industrial da carne”, financiado pelo Tiny Beam Fund e escrito por Raisa Pina, pesquisadora visitante do King’s College London e do Centro Latino-Americano da Universidade de Oxford.

O estudo traça um retrospecto das políticas públicas e decisões governamentais, fundamentais para levar o pequeno açougue em Anápolis (GO) à liderança global no processamento de proteínas animais, apontando para a disparidade entre os resultados obtidos e os ganhos socioeconômicos.

Neste processo, o BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, teve um papel fundamental, graças a uma política de empréstimos a juros mais baixos que os do mercado. O banco hoje é detentor de 20,8% das ações da JBS, o segundo maior acionista após a própria família Batista, que até hoje exerce o controle da empresa.

Entre 2013 e 2023, a JBS teve um aumento de 303% em sua receita líquida, fez cerca de 40 aquisições de frigoríficos e outras empresas ao redor do mundo e o salário dos administradores subiu 2000%.

Neste mesmo período, em cidades como Lins (SP), onde a JBS opera seu maior frigorífico, os cadastros do Bolsa Família aumentaram 51%. Em Goiânia, esse crescimento foi ainda maior, de 162%. Apenas uma das 12 cidades analisadas não teve novos beneficiários em dez anos.

Nem a JBS, nem o BNDES responderam ao nosso pedido para comentar as conclusões do estudo até o fechamento do texto.

“Existe um paradoxo claro: o Brasil tem a maior empresa de alimentos do mundo e, ao mesmo tempo, vê a fome da população aumentar. Considerando os investimentos públicos e a participação do Estado na governança da empresa, esse paradoxo não pode ser naturalizado”, avalia Raisa, que teve a ideia da pesquisa a partir de uma vivência pessoal.

Assim como a JBS, a pesquisadora nasceu em Anápolis e ouvia relatos dos tempos em que Zé Mineiro (José Batista Mineiro, fundador da JBS) abatia cinco cabeças de gado em uma área que pertencia a sua família. “Em Goiás, é difícil crescer sem que a JBS seja assunto de conversa nos espaços mais diversos”, conta. “Quando a JBS se consolidou como uma campeã nacional, ainda na década de 2010, resultado de uma política do então governo federal, eu comecei a questionar o significado desse título e olhar para minha própria realidade e para a minha comunidade”.

Para chegar a essa conclusão, foram avaliadas três fontes principais de dados: documentos corporativos, registros governamentais e entrevistas. Relatórios anuais, atas de assembleias de acionistas, propostas da administração e mapas de votos serviram de base para mapear financiamentos, lucros, salários e disputas entre acionistas.

Em seguida, foi feito um levantamento dos salários de executivos, administradores e operários, e das solicitações do Bolsa Família ao longo de dez anos em 12 cidades onde a JBS mantém operações.

Empréstimos a juros baixos e portas abertas

Embora a indústria da carne fosse incentivada por meio de políticas públicas desde a década de 1990, foi nos anos 2000 que esse movimento do governo brasileiro ganhou escala. A autora faz um retrospecto da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), conhecida como a “política das campeãs nacionais”, vigente entre 2007 a 2013, para, então, analisar a década seguinte.

Na época, o objetivo era abrir novos mercados e inserir empresas brasileiras em um cenário global. Para colocar este plano em ação, o BNDES tornou-se um braço financeiro fundamental, apoiando aqueles setores preparados para a concorrência internacional.

Assim, a JBS se beneficiou de empréstimos vantajosos, com taxas de juros em torno de 8,5% ao ano; em contraste, as taxas de outras instituições financeiras variavam normalmente entre 14% e 22%, segundo a autora.

Em 2005, o BNDES forneceu metade do crédito necessário para a JBS adquirir a Swift Argentina, seu primeiro passo rumo à internacionalização dos negócios.

Este foi um precedente para apoios futuros, que permitiram inicialmente à empresa diversificar seu alcance geográfico e linha de produtos no Brasil. Essa expansão se estendeu a outros países da América do Sul e da Oceania e aos Estados Unidos.  Este apoio serviu como um sinal de confiança para os investidores globais. Com a ajuda do banco, a JBS não só se expandiu internacionalmente, mas também diversificou seus produtos além da carne bovina in natura.

“Além da carne, outros poucos setores também foram beneficiados, como energia, combustíveis e mineração, mas nenhum teve o êxito que a indústria da carne teve, de ver uma empresa se consolidando como líder global. A análise do estudo foca no período imediatamente após, para analisar as consequências dessa política considerando os impactos sociais”, explica Raisa.

O objetivo de um negócio familiar, um relacionamento permanente entre o Estado e a empresa, investimentos de outros países e interesses de grandes bancos internacionais formaram uma combinação de fatores que possibilitou a expansão da JBS, conclui a autora.

Crise é oportunidade

Em 2008, a crise que abalou os mercados globais e frigoríficos mundo afora já havia sido proveitosa para a empresa, em um movimento típico da dinâmica do capital em que muitos perdem e poucos ganham. Novamente com o apoio do BNDES, a JBS comprou grandes concorrentes nos EUA e a empresa brasileira Bertin.

Nos últimos dez anos, a JBS adquiriu 44 empresas, expandindo presença nos EUA, na Austrália, no Reino Unido e na União Europeia. A pandemia foi a oportunidade para ampliar essas aquisições na Espanha, Holanda e Itália.

O relatório também mostra o papel da diplomacia brasileira nas negociações internacionais, “abrindo portas nos círculos de empresários que antes estavam fechadas para a então relativamente desconhecida família Batista”.

Nos últimos 20 anos, a JBS obteve quase 25 bilhões de dólares de financiamentos a partir de um consórcio de instituições financeiras, incluindo o BNDES, mas também o Banco da China e o Royal Bank of Canada, entre outros.

A empresa tem hoje uma receita anual de R$ 370 bilhões e um faturamento anual que supera o PIB de 20 estados brasileiros.

Nos últimos dois anos, a empresa distribuiu aos acionistas mais de US$ 1 bilhão – metade deste valor foi para a família Batista, que tem mais de 49% das ações. O BNDES fica com 20% e o restante é distribuído entre os acionistas minoritários, de acordo com a porcentagem de ações.

Apesar das polêmicas, como a prisão dos irmãos Wesley e Joesley em um escândalo de corrupção, a presença da família Batista continua forte, com a próxima geração já posicionada em papéis-chave, relata o estudo.

Aproximadamente 70% dos lucros anuais da JBS são destinados a reservas corporativas, para futuras aquisições.

Salários de R$ 2 milhões

A JBS é responsável por 2,7% da geração de empregos formais no país. O relatório, no entanto, mostra o abismo entre a remuneração de executivos e administradores, em comparação ao rendimento médio dos trabalhadores.

Houve um aumento exponencial no salário dos executivos, especialmente após os escândalos de corrupção em 2017 e novamente após a pandemia de Covid-19. Esses reajustes aconteceram mesmo com a oposição da maioria dos acionistas, inclusive do BNDES.

Atualmente, segundo o relatório, cinco executivos ganham salário de R$ 2 milhões, enquanto nove conselheiros têm remuneração mensal de R$ 65 mil.

Enquanto isso, os cerca de 113 mil operários ganham, em média, pouco mais de um salário mínimo: R$ 1,7 mil. Um valor distante do salário mínimo real, medido pelo Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), atualmente estimado em R$ 6,2 mil.

“O Brasil é líder no setor de alimentos, mas isso não deve gerar orgulho na nação. Teremos orgulho no dia que o país zerar a fome. Enquanto governos e setor privado continuarem investindo neste sistema desigual, estaremos longe de sermos finalmente uma nação campeã”, conclui Raisa.

Fonte: https://ojoioeotrigo.com.br/2024/04/expansao-jbs-concentracao-pobreza/

agência de notícias anarquistas-ana

Passa um vagalume.
Quando vou dizer “Veja”,
Me encontro sozinho.

Taigi

[Espanha] Nasce o Ateneu Llibertari de Sabadell

A cidade recebe um novo espaço de cultura e reflexão, o Ateneu Llibertari de Sabadell (Ateneu Libertário de Sabadell), uma iniciativa que nasce com o objetivo de ser uma referência na divulgação e difusão da cultura libertária na cidade e na região.

Com grande satisfação, anunciamos o lançamento desse projeto, concebido como um espaço de encontro e debate para todos os interessados na reflexão crítica e na pluralidade de ideias.

O Ateneu Llibertari de Sabadell abrirá suas portas na Passatge Edgardo Ricetti, 18, em Sabadell, e celebrará sua inauguração no sábado, 20 de abril, às 12 horas, com um vermute aberto a todos os cidadãos.

Ele estará aberto aos domingos, sábados e sextas-feiras, das 18h às 21h, com uma ampla gama de atividades, incluindo apresentações de livros, palestras, exposições e outros eventos culturais.

O Ateneu Llibertari de Sabadell tem como objetivo ser um espaço para a vida cultural e social da cidade, abrindo novas oportunidades de diálogo e participação cidadã.

agência de notícias anarquistas-ana

mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores

Akemi Yamamoto Amorim

[Grécia] Cartaz | Greve Geral quarta-feira, 17 de abril

O ESTADO E OS CHEFES ASSASSINAM E REPRIMEM A BASE SOCIAL

Pobreza e exploração \ Exclusão social \ Assassinatos no trabalho \ Repressão estatal

Não esquecemos – não toleramos os crimes estatais em Tempe

TUDO PARA TODOS! Saúde – Educação – Alimentação – Habitação

ORGANIZAÇÃO – SOLIDARIEDADE – RESISTÊNCIA

Pela Revolução Social!

GREVE GERAL QUARTA-FEIRA, 17 DE ABRIL

Atenas: Propileu, 11h00

Estaremos nos manifestando junto ao bloco da Assembleia Anarquista pela Emancipação Social e de Classe

Tessalônica: Kamara, 10h30

Estaremos nos manifestando junto ao bloco da Coalizão Libertária pela Organização de Classes na Base

Organização Política Anarquista – Federação de Coletividades

agência de notícias anarquistas-ana

Na tarde de neve
Passa, desaparecendo,
Um só guarda-chuva.

Yaha

Liberdade para o companheiro Francisco Solar!

Saúde, amor e anarquia para todos os companheiros e companheiras que estão enfrentando processos judiciais, fugas ou confinamento de seus corpos no Chile. Companheiros e companheiras do caso Susarón, Aldo e Lucas, Joaquín, Marcelo, Juan, Felipe, prisioneiros mapuches, Mónica e especialmente Francisco, que acaba de receber uma sentença de 86 anos de prisão. Sua sentença é um golpe para todos nós e é um chamado para nos organizarmos, para sermos fortes, para continuarmos a lutar contra esse sistema e todas as suas formas de autoridade.

ATÉ QUE TODOS SEJAMOS LIVRES, ATÉ QUE TODAS AS PRISÕES CAIAM.

 VIVA A ANARQUIA!

agência de notícias anarquistas-ana

No escuro da noite
O vaga-lume orienta
O andante perdido!

Delores Pires

[Grécia] Patras: Chamada à greve em 17 de abril

Escolha um lado… com organização e luta, a vida muda.

GREVE QUARTA-FEIRA, 17 DE ABRIL

CONCENTRAÇÃO 10h00 NO ANEXO E SAÍDA 10h30 DO CENTRO DE TRABALHO DE PATRAS

Contra a pobreza e a miséria, os despejos e os leilões de casas, a escalada da escravatura no local de trabalho e as centenas de assassinatos no local de trabalho, o terrorismo de Estado e a criminalização da luta, a mercantilização dos bens sociais e a privatização das infraestruturas.

Nada nos foi dado… tudo foi conquistado pela luta.

CONTRA O ESTADO E O CAPITAL

ORGANIZAR O CONTRA-ATAQUE DE CLASSE E A AUTODEFESA SOCIAL

A esperança está nas lutas sociais e de classes, na formação de frentes de luta e resistência em todos os locais de trabalho, em todas as faculdades e escolas, em todos os bairros.

Anarquistas

agência de notícias anarquistas-ana

noite gelada –
a criança ajeita o gato
nos pés descalços

Rosa Clement

[México] Liberdade para Mumia Abu-Jamal em seu 70º aniversário

Boa tarde compas! Ao nos aproximarmos do 70º aniversário de Mumia Abu-Jamal e dos 43 anos da sua prisão, enviamos este pôster revisado, graças à nossa designer Paola Avila.

Nós nos encontraremos em frente à Embaixada dos EUA na Cidade do México no sábado, 20 de abril, às 14h, com o MC Armando Gomez Martin para a leitura de nossa Declaração, seguida de uma Rodada até o Café Zapata Vive para um Evento Cultural.

Para participar da Rodada com faixas, entre em contato com nossos companheiros Aurelio no FB Resistol Orgánico e Claudio no FB Clos’n Roses.

Faltam 6 dias para celebrarmos a vida de Mumia aqui no México, e esperamos que cada um de vocês levante sua voz pela liberdade dele.

LIBERDADE PARA MUMIA ABU-JAMAL!

LIBERDADE AOS PRISIONEIROS POLÍTICOS!

ABAIXO OS MUROS DAS PRISÕES!

Fonte: https://radiozapote.org/libertad-para-mumia-abu-jamal-en-su-cumpleanos-70/

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agência de notícias anarquistas-ana

O ar a tremular —
A cada golpe da enxada
O cheiro da terra.

Rankô

Você sabia que a polícia que mais mata no Brasil é da Bahia, onde o PT está há mais de 16 anos no poder?

Você sabia que, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, a polícia que mais mata no Brasil é da Bahia, onde o PT (Partido dos Trabalhadores) está há mais de 16 anos no poder?

Pois é…

Seja governo de esquerda, ou de direita, a coerção é a regra!

A POLÍCIA humilha, vigia, persegue, reprime, aterroriza, prende, MATA!!!

Sempre contra o Estado e o militarismo!

Vamos viver sem polícia. AUTO-ORGANIZAÇÃO!

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Uma flor que cai –
Ao vê-la tornar ao galho,
Uma borboleta!

Arakida Moritake

Black Book Distro, uma biblioteca anarquista livre no Nepal

Namastê, meu nome é Anuj Chudel e sou um dos fundadores da Black Book Distro, uma biblioteca anarquista comunitária no Nepal. Trata-se de um pequeno espaço aberto localizado no centro de Katmandu, em que todos são bem-vindos seguindo diretrizes simples de respeito, cooperação e ajuda mútua. Ela fica aberta diariamente e se tornou um ponto de encontro e um importante espaço coletivo seguro para jovens nepaleses que buscam ideias e entendimentos alternativos do mundo. A biblioteca tem uma pequena coleção de livros anarquistas/de esquerda e oferece um espaço único no Nepal, onde as bibliotecas e o acesso a esse tipo de material são raros. A Black Book Distro se concentra em ideias anarquistas por meio de ações, oficinas, documentários, grupos de discussão, venda de produtos e, o que é mais importante, amizade por meio de experiências compartilhadas.

Iniciamos esse projeto em 2021 como um espaço compartilhado para as pessoas aprenderem sobre as ideias anarquistas no Nepal. Desde então, por meio da biblioteca, bem como de vários eventos e oficinas, trabalhamos com muitos indivíduos e grupos diferentes. Nossos objetivos são simples: disseminar as ideias anarquistas e ajudar as pessoas a entender seus fundamentos. Assim, a noção de uma sociedade sem capitalismo e hierarquia um dia parecerá mais realista do que é agora.

Não temos um fluxo regular de financiamento, portanto, estamos solicitando apoio para ajudar a pagar as operações básicas do espaço e manter a Black Book Distro aberta, gratuita e acessível a todos. Somos um coletivo anarquista de base, portanto, não há melhor maneira de obter apoio do que por meio da comunidade. Obrigado por sua doação, qualquer quantia será muito importante.

Instagram: @black_book_distro

>> Site para apoio: https://www.gofundme.com/f/black-book-distro-anarchist-library-in-nepal

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

O vento de outono
Atravessando a campina –
Rostos de pessoas.

Uejima Onitsura

[Espanha] Contra sua impunidade, autodefesa

Secretário Geral da CNT | Ilustração de Raulowsky | Extraído do CNT nº 435

Nós das organizações sociais estamos sendo objeto de infiltrações por parte dos corpos policiais do Estado. Não é uma novidade, foi assim sempre e seguirá sendo até que acabemos com todos os corpos repressivos. O Estado se excedeu ao aplicar uma lei que só se permite quando se trata de delinquência organizada, não duvidou em violar os direitos humanos das vítimas com as quais o infiltrado teve relações.

Não há desculpas para aplicar essa lei, começando porque são organizações abertas, não clandestinas e costumam anunciar cada reunião ou cada ato que realizam publicamente. O Estado as tem tratado como à máfia. Onde ficaram seus direitos à integridade moral e seus direitos políticos? Estes enganos e manipulações são agressões que podem ter consequências psicológicas, mas os policiais infiltrados escaparam sem problemas, com sua integridade bem protegida, isso sim.

Vendem-nos a ideia de que a polícia é o corpo encarregado de velar pela segurança da cidadania e nos convencem de sua necessidade, nos vendem que se saímos de férias podemos encontrar nossa casa ocupada e sentimos a necessidade de pagar por um sistema de segurança, mas sabemos que sua única função é a de vigiar.

Vigiar se saímos do curral. Organizar-se põe em perigo sua estrutura de poder e tratam de evitá-lo com todos os meios a seu alcance. Contando com um sistema judicial nos impõem leis, inclusive com um discurso paternalista, é para defender nossos direitos, dizem. Mas cada vez que vemos reconhecidos alguns direitos em suas leis, não só são condicionados e limitados mas que nos negam veladamente reclamar os que nos faltam porque não estão dentro de seu marco legal. Sua Lei não significa justiça. Sua Lei resgata Bancos e tira famílias de suas casas. Sua Lei defende empresários exploradores e condena trabalhadoras a penas de cárcere por organizar-se, como a nossas companheiras da CNT Xixón.

Espiões, montagens policiais, leis mordaça que já penalizam até protestos pacíficos. Querem-nos com medo. Para acabar com este sistema criminoso, autodefesa, não deixemos isto em suas mãos, só o povo salva o povo, o resto são migalhas com um alto custo.

Assim, o Estado com suas leis, juízes e polícias acorrentam nossas vidas para servir a um sistema injusto que nos quer caladinhas. Apertam-nos até asfixiar-nos mas antes do sufoco insuflam ajudinhas para que fiquemos agradecidas. Como diz a Igreja, deus aperta mas não afoga; e depois todos agradecidos de seguir respirando e esquecermos quem segue nos apertando.

Não, todos não o vemos assim. Fora estados, leis, mercenários e religiões. Em pé nossos valores anarquistas. Apoio mútuo, autogestão, divisão da riqueza. Fora as fronteiras, abaixo a cultura da repressão.

Estes são nossos valores, não há melhor aspiração que a liberdade para todas.

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Vento nas árvores
As bolhas de sabão
Foram com as folhas.

Estrela Ruiz Leminski

[Grécia] Anarquistas reivindicam a responsabilidade por um ataque incendiário a ônibus escolares em Zografou

Anarquistas reivindicaram a responsabilidade por um ataque incendiário no distrito de Zografou, no centro de Atenas, que destruiu vários veículos, incluindo cinco ônibus escolares particulares, em 14 de março.

Em uma declaração publicada no site do Athens Indymedia no final do domingo, o grupo, que não se identificou, afirmou que o vandalismo foi uma retaliação às recentes operações policiais que visavam retirar os ocupantes dos dormitórios do Campus Universitário em Zografou e encerrar uma ocupação semelhante na Universidade Aristóteles de Tessalônica.

Na declaração, o grupo lançou um ataque ao sistema de educação formal, tanto privado quanto público, afirmando que objetivo deste é “domesticar [e] civilizar indivíduos por meio da instilação dos valores e princípios do sistema de dominação, produzindo assim escravos disciplinados [e] súditos leais”.

“A escola contribui para a construção de uma sociedade desencantada, composta de cidadãos dóceis e facilmente manipuláveis que se resignam à sua vida decadente”, afirmaram.

“Toda escola, universidade e instituição educacional, em geral, deve ser reduzida a cinzas.”

Nenhuma prisão foi feita em relação ao incidente.

Fonte: https://www.ekathimerini.com/news/1235262/anarchists-claim-responsibility-for-arson-attack-on-school-buses-in-zografou/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

1º de Maio Global 2024: Chamado à Ação

A ideologia do crescimento econômico contínuo dita tudo. Grandes proprietários de terras, donos de fábricas e investidores – como parte da classe dominante – garantem que seu próprio poder e riqueza sejam protegidos às custas das pessoas da classe trabalhadora e da natureza. Alguns exemplos: Luta contra a mineração nas colinas de Sperrins, lutas trabalhistas em fábricas de vestuário em todo o mundo e pessoas que lutam contra os impactos das mudanças climáticas, especialmente no sul global.

Ao mesmo tempo, o chamado capitalismo verde continua sendo capitalismo. Trabalhadores rurais, pequenos agricultores e pescadores (camponeses) no nordeste do Brasil estão sendo expropriados de suas terras e do acesso ao mar por projetos de energia renovável, especialmente parques eólicos offshore. Tudo isso sob o verniz de uma transição energética sustentável que reproduz a lógica colonizadora de mais de 500 anos.

As migalhas que eles nos jogam quando estão contra a parede devido à reação organizada são dadas para nos silenciar e nos distrair do verdadeiro inimigo: o capitalismo, um sistema econômico que produz guerra em escala regular. Atualmente, podemos observar um enorme aumento nos conflitos militarizados em todo o mundo. Os governos de todos os lugares estão aumentando os gastos militares às custas da seguridade social, ou seja, da classe trabalhadora. As guerras declaradas pelos estados-nação são um ataque à classe trabalhadora.

Afinal de contas, são as pessoas da classe trabalhadora que são traumatizadas e mortas nos campos por interesses geoestratégicos, imperialistas e capitalistas, principalmente em Gaza, onde uma frente unida de sindicatos está conclamando os trabalhadores de todo o mundo a não participarem da fabricação de armas para as Forças de Ocupação de Israel.

De fato, condenamos qualquer produção ou transporte de armas que sirvam para exterminar pessoas a serviço de interesses capitalistas, como em Mianmar. Os orçamentos da polícia também estão sendo ampliados para levar a guerra aos trabalhadores, sem-teto e sem-terra, enquanto a terra e a moradia são mercantilizadas e roubadas. Para nós, não existe outra guerra senão a guerra de classes!

O Primeiro de Maio é uma oportunidade maravilhosa de conectar nossas ações em todo o mundo e praticar a solidariedade. Deveria ser um feriado pago em todo o mundo!

Estamos convencidos de que o que é necessário agora é a criação de uma resistência organizada no local de trabalho e na comunidade e um aumento da solidariedade local e global para atingirmos efetivamente nossos objetivos, tanto a curto quanto a longo prazo.

Uma luta globalmente unida por uma semana de trabalho de 30 horas com salário integral para todos pode ser uma etapa crucial na transformação econômica e social revolucionária.

Agora é o momento de construir ativamente a resistência de base em nossos sindicatos, no local de trabalho, em nossas comunidades, nos piquetes e nas ruas, e nas linhas de frente onde os trabalhadores estão se mobilizando.

Em todo o mundo, nós, revolucionários, sindicalistas e trabalhadores, devemos organizar a luta dentro dos respectivos sindicatos em solidariedade, usando táticas comprovadas como as de apoio mútuo, ação direta e auto-organização.

Convocamos a solidariedade global da classe trabalhadora e os trabalhadores que estão trabalhando no Primeiro de Maio a entrarem em greve!

Atualmente, os trabalhadores de uma fábrica de equipamentos esportivos na região de Yangon (Myanmar), chamada Very Impressive Prospect (VIP), estão lutando contra a repressão sindical e condições de trabalho miseráveis. Eles produzem para marcas como Wilson Sporting Goods (EUA), Bianchi (Itália) e BH Bikes (Espanha). Vamos usar o Primeiro de Maio para também pressionar essas marcas a resolver o conflito no interesse dos trabalhadores.

#globalmayday2024 #1world1struggle

globalmayday.net

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Quando me canso da paisagem
Do leste, viro a cadeira
Para oeste.

Paulo Franchetti

[EUA] Mumia faz 70 anos | Aniversário da Resistência

Na quarta-feira, 24 de abril de 2024, o prisioneiro político Mumia Abu-Jamal, que está preso há 42 anos, completará 70 anos de idade. Você está convidado para o evento do movimento “Birthday of Resistance” (Aniversário da Resistência), que destacará organizações, ativistas, organizadores e apoiadores, falando sobre a necessidade imediata da libertação de Mumia! Serão abordadas questões que Mumia defendeu nas últimas quatro décadas, incluindo: abuso de idosos e negligência médica nas prisões; libertação de todos os presos políticos; libertação da Palestina e de todos os povos oprimidos em todos os lugares, incluindo o Congo, o Haiti e o Sudão; fim das guerras; e muito mais.

Além disso, haverá falas de solidariedade de uma série de oradores, inclusive do apoio internacional de décadas da agrupação francesa de apoio à Mumia. Haverá também uma apresentação do artista de hip hop Ellect.

O evento terá início às 14h na estátua de Octavius Catto, localizada no lado sul da Prefeitura da Filadélfia. Será uma manifestação para ir às ruas com essas mensagens importantes.

Em seguida, haverá um programa à noite, às 18h, na igreja Waters Memorial AME (portas abertas às 17h), localizada na 609 Clifton St. (entre a 11th e a 10th Street na South St.). Esse evento contará com mais palestrantes, comentários especiais e surpresas!

ORADORES DO DIA 24 DE ABRIL:

Mama Pam / Marc Lamont Hill / Mike Africa Jr. / Johanna Fernandez / Chairman Fred Hampton Jr. / Lumumba Bandele / Larry Hamm / Kalonji Jama Changa / Robert Saleem Holbrook / Kempis “Bro. Ghani” Songster / Suzanne Ross / Black Panther Women Collective / Samidoun Palestinian Prisoner Solidarity Network

E MAIS FALAS SOBRE UNIÃO E RESISTÊNCIA!

Comentários especiais de: Cornel West, Vijay Prishad, Laura Whitehorn, Charles Barron e o juiz Wendell Griffen

Para obter mais informações, acesse linktr.ee/Mumia

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No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

Curto e grosso: Lula é hipócrita, serviçal, pelego…

[Itália] Ilaria Salis, presa na Hungria, é uma de nós

Ela se rebelou contra um sistema que, onde quer que exista no mundo, nos torna escravos do trabalho: oito, dez horas por dia para pagar as contas; que nos faz viver como trabalhadores precários sem nunca ter a segurança de uma vida digna desse nome; que não nos dá a possibilidade de assistência médica; que nos faz existir sem uma cultura real e educação para todos; um sistema que polui e destrói um planeta inteiro em nome do dinheiro e do poder. Um sistema que produz guerras e fome em todo o mundo.

Ilaria Salis está na prisão hoje porque disse não a tudo isso. Um mundo melhor pelo qual Ilaria luta é o mundo que cada um de nós gostaria para nós mesmos, nossos semelhantes e nossos filhos.

Mas os senhores do mundo que querem dominação e poder não nos permitem lutar por um mundo melhor sem exploração, guerras, miséria e desigualdade: aqueles que ousam fazer isso são reprimidos, como aconteceu com Ilaria Salis.

POR TODAS ESSAS COISAS HOJE EM NÁPOLES, NA PONTE SANITA, A SOLIDARIEDADE PARA ILARIA FOI MANIFESTADA NOS PODERES DO ESTADO FASCISTA E CAPITALISTA HUNGARO.

A Hungria está na UE desde 2004, os governos, inclusive o italiano, que fazem parte da UE, estão mantendo um país com um governo que defende seus nazistas e mantém uma mulher antifascista algemada e escrava, portanto, todos esses governos, em essência, são semelhantes. E são os mesmos governos que fingem comemorar a suposta derrota dos nazifascistas na Europa; na verdade, os homens encapuzados do governo húngaro que apoiam os nazistas, que ameaçam violentamente os advogados de Ilaria até mesmo no tribunal, são a mesma coisa. A democracia ostentada pelos governos europeus nada mais é do que uma forma de governo que também usa nazifascistas para reprimir todas as formas de dissidência. Como também é o caso aqui na Itália, com a repressão ao movimento trabalhista, aos estudantes, aos sem-teto e a todos aqueles que lutam contra todas as guerras do mundo e ao lado do povo palestino.

LIBERDADE PARA ILARIA!

Grupo Anarquista “Francesco Mastrogiovanni” de Nápoles – FAI

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/22/hungria-ilaria-salis-vai-julgamento-por-antifascismo/

agência de notícias anarquistas-ana

Imenso jardim,
e sobre flores diversas
enxame de abelhas…

Analice Feitoza de Lima

Chega de presos políticos em Cuba!

Este breve vídeo descreve a atual situação dos direitos humanos em Cuba.

Ele inclui fotos de alguns dos prisioneiros políticos, a maioria dos quais foi detido e severamente condenado por sua participação nas manifestações que ocorreram em toda a ilha em julho de 2021.

  • 1067 presos políticos.
  • 113 mulheres e dois transexuais.
  • 30 menores de idade.
  • Uma média de 14 novos presos políticos por mês.
  • Cuba tem a segunda maior taxa de encarceramento do mundo em relação à sua população total.
  • 11.000 casos de sentenças “preventivas”. Existe uma lei em Cuba que permite que qualquer pessoa suspeita de cometer um delito seja presa e encarcerada, o que obviamente autoriza todos os tipos de abusos, especialmente em um sistema ditatorial como o regime castrista.

Além de tudo isso, é claro, há a total ausência dos direitos mais fundamentais – liberdade de expressão, de reunião, de associação, de sindicalização etc. – todos os direitos desfrutados em outros lugares por aqueles que apoiam esse regime.

>> Veja o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=J8UYrfvMVSM

Fonte: https://florealanar.wordpress.com/2024/04/10/plus-un-seul-prisonnier-politique-a-cuba/

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Ainda que tombe
Depois de tanto andar e andar –
Campo de lespedezas.

Kawai Sora

[Espanha] lançamento: “Antología Élisée Reclus | La conciencia de la Tierra”

Edição de José Carlos Lechado

A antologia da obra de Élisée Reclus. A geografia social como um instrumento de teoria política.

Esquecida durante grande parte do século XX, a geografia social de Élisée Reclus está agora sendo reavaliada. Seu pensamento crítico original combina ciência e teoria política para explicar a interação entre fenômenos naturais e sociais ao longo do tempo. Usando um método dialético de análise da sociedade humana, Reclus descreve processos contraditórios de evolução e revolução que não são necessariamente resolvidos no advento do comunismo, a única forma de sociedade capaz de estabelecer harmonia entre o ambiente natural e a humanidade, e entre a organização social e a liberdade individual. Em oposição ao comunismo autoritário e ao anarquismo individualista, Reclus atribui um papel fundamental à moralidade e ao livre-arbítrio dos seres humanos no esforço revolucionário coletivo que levará à anarquia, a “mais alta expressão da ordem”. Os textos selecionados nesta edição são uma amostra dos diferentes aspectos da proposta revolucionária desse prolífico autor, cuja obra visionária nos convida a renovar a maneira como enfrentamos os desafios políticos, sociais e ecológicos do século XXI.

Antología Élisée Reclus

La conciencia de la Tierra

Élisée Reclus

Edição de José Carlos Lechado

ISBN 978-84-1352-958-5

Páginas 160

15,50 €

catarata.org

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Luz prateada de noite cheia.
Lua clareando.
Reflexo de gaivotas.

Sílvia Mera