[Itália] Tanta gente, sem Estado, sem fronteiras

Há décadas, o Estado israelense pratica um apartheid feroz contra as populações palestinas e bombardeia ciclicamente a Faixa de Gaza com massacres indescritíveis de civis indefesos, destruição e desastres ambientais. Esse bombardeio, que vem ocorrendo há um mês e meio com incrível violência, está tornando inabitável uma área habitada por 2,2 milhões de seres humanos. Gaza está reduzida a um grande campo de extermínio para crianças (quase metade dos habitantes) e adultos: sem água, sem luz, sem comida e sem cuidados. Os mortos não podem mais ser contados. Quando se fala em genocídio, não é exagero!

Isso é apoiado tanto pela Europa quanto pelos EUA, que buscam moderar a impetuosidade do Estado israelense apenas para “conter” o massacre dentro dos limites funcionais de seus próprios interesses. Enquanto os planos de Netanyahu preveem o êxodo dos habitantes de Gaza para o deserto do Sinai, os de Biden preveem a transformação de Gaza em uma “reserva palestina” com ocupação militar “internacional”, ou seja, controlada pelos próprios EUA. E, embora marginal, o papel do governo italiano não pode ser ignorado: depois que o vice-ministro Cirielli propôs o bloqueio – agora mesmo! – à ajuda humanitária a Gaza, a Marinha italiana enviou dois de seus navios para a frente da costa de Gaza em apoio ao destacamento de navios de guerra da Marinha dos EUA que já estava lá em apoio a Israel. Afinal de contas, os governos italianos, de direita e de esquerda, sempre colaboraram militarmente com o Estado de Israel.

Não consideramos a ação militar do Hamas em 7 de outubro, que massacrou centenas de civis inocentes, israelenses ou não, como “resistência”. Consideramos o Hamas (e suas formações religiosas aliadas, como a Jihad Islâmica) pelo que ele é: uma força reacionária e feudal, que em seu estatuto descreveu as revoluções francesa e russa como conspirações judaicas. Uma força que tem o apoio de alguns dos Estados mais reacionários do mundo: da petro-monarquia do Qatar ao Irã dos aiatolás que torturam mulheres sem véu, à Turquia de Erdogan que massacra o povo curdo e tenta sufocar a experiência revolucionária de Rojava. Por outro lado, o governo de Netanyahu usa o bicho-papão do Hamas para alimentar uma espiral tão perversa quanto destrutiva, funcional aos seus planos de colonização e limpeza étnica nos territórios palestinos.

Apoiamos o povo palestino, por sua autodeterminação, com uma visão internacionalista, libertária e federalista, contra todos os muros, arames farpados e fronteiras entre povos e entre seres humanos!

Apoiamos todas as formas de luta popular palestina direta, tendo como exemplo, entre outras, a luta que, há mais de uma década, tem visto vilarejos na Cisjordânia se mobilizarem diariamente com centenas de jovens rebeldes israelenses ao seu lado!

Apoiamos e consideramos muito importante a dissidência que se manifesta em Israel e estamos muito atentos ao que está acontecendo na sociedade israelense. Apoiamos e valorizamos os bloqueios de mercadorias israelenses por estivadores em Gênova, Barcelona, Sydney e Bélgica. Valorizamos as mobilizações pró-palestinas dos judeus nos EUA. Somos ativos na ampliação mais ampla possível da área de solidariedade com o povo palestino.

A proposta de um novo Estado palestino (mais do que pequeno em tamanho e em manchas de leopardo separadas umas das outras), embora pareça um passo à frente na libertação de um povo oprimido e explorado, é na realidade uma nova jaula que fortalecerá os sentimentos nacionalistas, fazendo com que as pessoas percam a consciência dos interesses de classe e da importância da luta social contra governantes e exploradores de todos os tipos. Não há libertação econômica e social do proletariado fora de sua auto-organização baseada na classe; sua cristalização em comunidades nacionais interclasses é o ponto crucial de qualquer projeto de revolução social.

Mas, para tornar essa abordagem crível, é necessário mobilizar-se para pôr fim a essa guerra, aos ataques à população civil israelense e palestina, à situação intolerável em que se encontram trabalhadores, mulheres, homens e crianças em Gaza e na Cisjordânia, para que as armas parem, o regime de ocupação militar israelense cesse, o regime de apartheid de opressão e marginalização da população árabe termine e, ao mesmo tempo, derrotar as regurgitações antijudaicas que estão sempre adormecidas e nunca terminadas.

Acreditamos em uma solução federalista de baixo para cima, fora e contra as fronteiras do Estado, pode quebrar a cadeia infernal de guerra, ódio étnico e religioso, imperialismo e vinganças intermináveis.

Grupo Anarquista Germinal

17/11/2023

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sol de primavera —
O despertar das flores
É quase um sussurro.

Paulo Ciriaco

[Argentina] Feira do Livro Anarquista de Buenos Aires

Companheiros e companheiras!

Nos dias 2 e 3 de dezembro estaremos realizando a Feira do Livro Anarquista de Buenos Aires na Plaza China Cuellar (Almafuerte 300, CABA), novamente como um espaço de encontro, de debate, de difusão e crítica, desde uma parte do movimento anárquico e para todos os interessados em conhecer e aprofundar o ideário e as práticas ácratas.

Em um ano atravessado pelo espetáculo eleitoral e sua reivindicação democrática buscamos que a feira do livro seja um espaço de tensão fraterna, para compartilhar experiências, leituras e projetos, para afiançar perspectivas e também para sermos permeáveis às diversas possibilidades da guerra social.

Se o ano passado nos perguntávamos pelo livro como ferramenta e seu caráter utilitário, neste poderíamos pensar a literatura anárquica desde a prática, quando os livros e fanzines se potencializam e enlaçam, quando a edição busca fazer parte e entrelaçar-se com as diversas arestas da luta contra o Estado/Capital, quando se rejeita as estantes da academia para ser compartilhada entre afinidades rebeldes, quando busca incomodar, aprofundar, desafiar, quando a anarquia se torna parte de nossas vidas e não um objeto de intercâmbio linguístico.

Por esta razão estendemos o convite aos grupos, editoras e individualidades que queiram participar da feira e apresentar os diversos materiais de leitura e gráfica que estiveram compondo durante o último tempo, para compartilhar experiências de luta, e diferentes perspectivas e debates que nos atravessam, tanto dentro como fora dos limites impostos pelas fronteiras argentinas.

Feira do livro Anarquista 2023.

Contacto: feriadellibroabsas@riseup.net

Mais infos: instagram.com/feriadellibroanarquistabsas

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

À sombra, num banco,
folha cai suave
sobre meu cabelo branco

Winston

[Espanha] O Kubo e La Ruina Não Morrerão

Em 30 de novembro às 6 da manhã vão tentar desalojar O Kubo e La Ruina, mas estaremos esperando, preparados para tudo. Uma vez mais a Sareb (Sociedad de Gestión de Activos procedentes de la Reestructuración Bancaria, S.A.) e o Estado tentarão tirar-nos de nossa casa. A última vez se saíram mal, desta vez sairão pior, que assumam o custo. Já escrevemos o suficiente sobre quem são e a que se dedicam, pelo que nos limitaremos a explicar como estamos enfrentando-os.

Queiramos ou não, nos vemos envolvidos em uma guerra aberta contra esse sistema de dominação que nos explora e destrói nosso mundo. Por isso aceitamos o desafio e abraçamos o conflito. Convertemos nosso lar em campo de batalha e nos posicionamos como inimigo do Estado, do capital e da sociedade que o sustenta.

agência de notícias anarquistas-ana

A neve está derretendo –
A aldeia
Está cheia de crianças!

Issa

[Chile] Construindo desde a antagonia

Ciclo de debates em torno a leis repressivas que fortalecem o Estado Policial

Fazemos o convite a todos que queiram participar destes debates informativos sobre a lei de gatilho fácil (lei Nain Retamal). Gerando a instância para debater, refletir e aprofundar sobre esta lei e suas implicações, mas, desde um posicionamento antagônico, questionando o fomento deste tipo de leis repressivas, que só buscam seguir fortalecendo o Estado e a violência que este exerce.

A atividade se realizará esta quinta-feira, 23 de novembro, desde as 18h30, no Espaço Fenix (Juan Martinez de Rosas 3091, próximo do metrô Quinta Normal). Haverá comida vegana à venda, e infusões. Também teremos propaganda em serigrafia, música ao vivo, feira anárquica (traz a tua, não comida) e a projeção de material audiovisual.

Nenhuma lei nos dobrará

Nenhuma jaula nos deterá

Saúde e (A)narquia

agência de notícias anarquistas-ana

Logo após a chuva,
a festa dos bem-te-vis—
revoada de insetos.

Reneu do A. Berni

A luta contra a aberração racista

Dealbar foi um jornal anarquista publicado em São Paulo entre 1965 e 1969.

“Todo o mundo seguiu com singular simpatia a grande campanha contra a segregação racial realizada nos Estados Unidos, onde as demonstrações e marchas , de milhares de manifestantes negros e brancos alcançaram vastas projeções. A decisão do governo de Washington de proteger a marcha sobre Alabama evitou a ação violenta dos elementos racistas. Porém, a seita cavernícola da Ku Klux Klan não deixou de consumar um assassinato e vários atentados. Esta organização tem uma larga história de crimes e tem contestado, com sua conhecida linguagem provocativa, altaneira e ultrapatriótica, ao anúncio de que será combatida com a máxima energia. Porém alguns objetivos e matizes da cruzada encabeçada por Luther King são pela reivindicação de uma integral igualdade de direitos para todos os homens e mulheres, sem distinção de raça, credo ou cor.

Quando se fala da luta contra a aberração racista, vem-nos à memória a situação imperante na África do Sul, onde vigoram monstruosas regras de “apartheid” em um país “civilizado’ governado pelos herdeiros dos bóeres. Nada têm conseguido as reiteradas manifestações de repúdio e os protestos contra semelhante vergonha. A infâmia continua castigando a população negra, que representa uma grande maioria, pela “raça” privilegiada dos brancos. Por outra parte, a morbonazi deixou herança em muitos países.

Não repetiremos o que já foi dito tantas vazes sobre a natureza psicótica dos que são possuídos pela obsessão racista. No nosso tempo dos voos espaciais, a xenofobia, a discriminação e segregação segundo a cor da pele, são anacronismos bárbaros que não podemos, que não devemos tolerar. Em qualquer lugar e com qualquer denominação que se manifestem, constituem um fator de perturbação da convivência, e afetam direitos essenciais do ser humano.

Diante de um fenómeno que envergonha a todos os que pensam e sentem como indivíduos normais, só cabe uma atitude — a repulsa.”

A.L.

Fonte: Biblioteca Emma Goldman

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sementes de algodão
agora são de vento
as minhas mãos

Nenpuku Sato

[Grécia] Campanha de apoio financeiro à – pelo momento – okupa desalojada de Evangelismos

Às primeiras horas da madrugada de sábado 30/09 houve uma operação para desalojar a ocupação de Evangelismos em Heraklion (ilha de Creta). Em um ambiente de um bairro custodiado por policiais de todo tipo, a ocupação foi invadida, na qual foram detidos 10 companheiros, um dos quais, inclusive algemado, foi jogado do telhado do edifício para o vazio. Os companheiros foram transladados à GADI (Delegacia Geral de Heraklion), onde foram indiciados como acusados, enquanto que o companheiro ferido estava isolado sem receber, em um primeiro momento, a atenção médica necessária. O expediente judicial segue em mãos do promotor, portanto as acusações que conhecemos são as anunciadas aos detidos no momento da detenção: danos domésticos, fraude elétrica, desobediência civil, porte ilegal de armas. Fora do edifício houve reações espontâneas e enfrentamentos que resultaram com a detenção de mais uma pessoa, enquanto que as ações de resistência e solidariedade continuam e aumentam, dentro e fora da cidade de Heraklion.

Desde o dia do desalojo, o edifício começou a ser imediatamente vedado com chapas e cimento em portas e janelas, sem sequer as necessárias autorizações das autoridades competentes, sem ter em conta que o edifício foi declarado monumento histórico. A Universidade de Creta (o “proprietário legal” do edifício) calculou as obras de vedação em 37.200 euros (o montante máximo fixado por lei para as dotações diretas). Ao mesmo tempo, foram produzidos importantes danos com o objetivo de fazer com que o edifício não seja viável nem funcional. Ademais, apesar das queixas das organizações de bem estar animal sobre os animais presos em seu interior, foi vedado completamente, deixando nossos dois gatos, Chico e Stajti (Ceniza), sem acesso a comida e água, condenando-os à morte com a clara responsabilidade do Reitorado.

O desalojo de Evangelismos não vem do nada, mas se soma à realidade distópica na qual estamos submersos. O Estado e o capital gregos são responsáveis de inumeráveis mortes (muito próximos para nós em Creta, os recentes assassinatos de Kostas Manioudakis pelo TAE – Departamento de Operações Policiais – da cidade de Souda (Chania) e de Antonis Karyotis por ANEK, empresa marítima), mas também de catástrofes naturais, que se converteram em “normalidade”, e tratam de amordaçar qualquer voz que  resista a seu domínio. enquanto o custo de vida segue aumentando e nossos direitos laborais são violados, enquanto as mulheres imigrantes se afogam no mar Egeo e os presos são condenados à morte nos cárceres, enquanto se celebram dezenas de leilões de primeiras moradias e somos impulsionados fora de nossos bairros para sermos substituídos por turistas, intensificam a repressão tanto nas ocupações como em cada tentativa de organizar-se e lutar contra eles, nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho.

As ocupações, então, são frestas nesta normalidade e armam nossos desejos de respiros de liberdade neste mundo asfixiante. E isto porque – contra a individualização e a apatia que se cultivam as ocupações mantem viva a memória das lutas do passado e fazem parte fundamental das lutas de hoje. Ao mesmo tempo, em uma sociedade com milhares de casas vazias e pessoas sem lar, satisfazem nossa necessidade comum de uma vida digna, desafiam na prática o conceito de propriedade e dão exemplo de vida coletiva. A questão para nós nunca foi se são “legais” ou “ilegais”, mas que são justas e necessárias.

Faz 21 anos nos encontramos com um edifício em ruínas, abandonado durante décadas, que era um foco de contaminação. Sem a ajuda de nenhum organismo institucional ou privado, mas de maneira anti-hierárquica e auto-organizada, conseguimos tornar sustentável e funcional um edifício em ruinas. Um espaço aberto à sociedade, mas também aos excluídos dela, com estruturas de moradia, cinema, livraria e biblioteca, ginásio… Nos últimos anos realizamos três trabalhos de manutenção e restauração do edifício, com a atenção e o cuidado correspondentes a sua historicidade, com o esforço pessoal e os recursos de companheiros, e contribuições de solidariedade da Grécia e do estrangeiro. O trabalho mais recente se realizou no verão de 2023 e estava finalizado nos dias do desalojo

Ao longo de todos estes anos na ocupa de Evangelismos encontraram teto grupos e coletivos, realizaram-se dezenas de assembleias, se desenvolveram estruturas solidárias, se levaram a cabo diversos eventos políticos, culturais e sociais. A ocupa de Evangelismos era e segue sendo as relações, o companheirismo, a solidariedade, o movimento social, todos nós. Um espaço político histórico, que é um ponto culminante para os movimentos sociais, mas também para a mesmíssima cidade de Heraklion, por sua participação nas lutas sociais e de classes, sua ação antifascista e seu apoio prático aos ativistas perseguidos e aos presos políticos.

Incapazes de permanecer inativo frente à repressão e lutando pelas conquistas das lutas de todos estes anos, mas também pelas que virão, iniciamos a luta para defender a ocupação. Dia após dia com manifestações, intervenções, colagem de cartazes, distribuição de textos, ações solidárias, apoiando outras lutas da cidade.

Além do apoio político e a solidariedade, hoje também enfrentamos as questões práticas e por este motivo necessitamos seu apoio financeiro para:

1) cobrir os gastos judiciais dos detidos durante o desalojo, assim como dos que já foram detidos ou serão detidos durante as ações de solidariedade.

2) substituir as infraestruturas do movimento que ou foram destruídas ou foram saqueadas pelos policiais/milicos.

3) liquidar os gastos de materiais e trabalhos de restauração do verão, processo que havia se iniciado para este período, mas que foi interrompido pela invasão, enquanto que também foi destruído o equipamento para os eventos previstos de apoio econômico.

4) preparar-nos logisticamente para reparar os danos causados pela polícia e as autoridades da reitoria vedando o edifício.

O custo financeiro de todos os temas anteriormente expostos excede o objetivo desta Campanha, que é a quantidade que cremos que necessitamos de imediato para cobrir as necessidades que existem.

Agradecemos desde o fundo de nossos corações a todas as pessoas que nos apoiaram todo este tempo, e esperamos voltar a casa para devolver toda esta força e solidariedade ao movimento, como temos feito durante os últimos 21 anos.

Nada terminou – ocupação PARA SEMPRE EM EVANGELISMOS!

evagelismos.squat.gr

>> Apoie aqui: https://www.firefund.net/evagelismos

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente

Rogério Martins

[Reino Unido] Café e Livraria autônomos em risco de despejo

Estamos administrando um centro comunitário de café gratuito chamado “Autonomous Cafe and Bookshop (ACAB)” há mais de um mês em Croydon. Somos um grupo chamado “Reclaim Croydon”.

Estamos tentando ocupar o máximo possível de Croydon abandonada, oferecendo moradia, espaços comunitários e ajuda mútua.

O West Croydon Autonomous Cafe And Bookshop (Café e Livraria Autônoma de West Croydon) está sendo despejado depois que uma ordem da Suprema Corte foi emitida em nome da Arch Co. – uma empresa criada com o único propósito de comprar todos os arcos ferroviários e edifícios adjacentes à ferrovia quando seus amigos no governo os venderam por um valor muito abaixo do mercado. Esse acordo de amortização transformou a Arch Co. no maior proprietário privado do país da noite para o dia. Hoje, seus advogados convenceram a Suprema Corte de que oferecer bebidas quentes gratuitas e proporcionar espaço para as pessoas serem criativas é, de alguma forma, um risco substancial para o público em geral. Isso significa que a cafeteria provavelmente será despejada já na tarde de quarta-feira.

O café ACAB é um espaço comunitário autônomo que oferece café e livros pagos, uma loja gratuita e eventos para a população de Croydon. O simples ato de redistribuir recursos prejudica a busca pelo lucro, que é a essência do capitalismo.

Nós dizemos “tudo para todos”, não para os chefes gananciosos ou agentes corruptos do Estado.

A cafeteria faz parte do Reclaim Croydon, um movimento que busca soluções radicais baseadas na comunidade para os problemas causados pela corrupção e negligência do Conselho e de Westminster. Não vamos parar de reivindicar Croydon e podemos prometer que a cafeteria voltará em breve.

Outros projetos fantásticos do Reclaim Croydon continuarão a acontecer, como o Forks, not Knives (Garfos, não Facas), que oferece comida e roupas gratuitas na Croydon High Street todas as quintas-feiras.

Reclaim Croydon: https://www.instagram.com/reclaimcroydon/

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pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr

Carlos Seabra

1º Encontro Internacional de Práticas Anarquistas e Antiautoritárias Contra as Fronteiras em Tijuana, 2024, México

Somos um grupo de indivíduos com anos de experiência na defesa de ideias e práticas anarquistas e antiautoritárias em Tijuana: de eventos de solidariedade para prisioneiros e fugitivos a atividades de propaganda, como feiras de livros e grupos de discussão, e ajuda mútua, como creches e oficinas de bicicletas.

Infelizmente, não pudemos mais manter nosso antigo espaço ocupado – Centro Social Okupado Mauricio Morales – do qual levantamos propostas de confronto. As exigências turbulentas e repugnantes da vida cotidiana no capitalismo provaram ser uma luta constante demais para manter o espaço. No entanto, com nossas redes e vontades, continuamos a reunir novas propostas.

Agora, estamos convocando todos aqueles que têm afinidade com a guerra contra o poder e a autoridade, pedindo sua solidariedade na organização do 1º Encontro Internacional de Práticas Anarquistas e Antiautoritárias, contra a fronteira em Tijuana. Durante o encontro, estaremos organizando um espaço de encontro para práticas que tendem ao confronto contra o poder, sejam elas discussões, apresentações multimídia, contrainformação como livros ou zines, oficinas, projetos artísticos e qualquer outra atividade criativa que tenha como objetivo romper com as afrontas diárias da autoridade. Levando em conta a distância de muitos de nossos companheiros, também abriremos a participação à distância, sejam essas contribuições feitas por escrito, vídeo ao vivo ou qualquer outro meio. O objetivo do encontro é criar uma plataforma internacional para agitação e propaganda anarquista e antiautoritária por meio de várias práticas horizontais de confronto.

Como indivíduos organizados, consideramos importante propor maneiras que incentivem a união de diversas formas de resistência contra o poder, seja por meio de discussões, ações, música ou propaganda – tudo é válido quando se trata de confrontar o poder diretamente. Esse encontro serve como um laboratório no qual ingredientes teóricos e práticos são misturados de forma apropriada.

Mais informações: encuentroanarquico@riseup.net

Data: Domingo, 28 de janeiro de 2024

Tradução > Contrafatual

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Árvore amiga
enfeita meus cabelos
com flores amarelas

Rosalva

CCS na XIII Feira Anarquista de SP

Nesse ano em que o Centro de Cultura Social (CCS) tem se empenhado na retomada das atividades teatrais em sua sede, ficamos felizes em divulgar que nessa XIII Feira Anarquista de SP teremos 3 apresentações artísticas ligadas ao CCS. Ao meio dia e meia, as Anônimas farão a contação de “A História das Cores”, para todas as idades! Às 15h, nossa compa Cibele Troyano vai apresentar “Barraca de Luxos Comunais, uma feira de produtos da Comuna de Paris”. Em seguida, às 15h30, o Grupo Taetro apresentará uma leitura dramática do grande libelo anarquista “Ao Relento”, de Afonso Schmidt.

Além disso, estaremos lá com:

  •  Exposição de fotos “90 Anos em Imagens”;
  •  14h00 – Lançamento da Revista do CCS, edição especial de aniversário de 90 anos, com fala de Lucia Parra;
  •  17h30 – Lançamento do livro A Hidra de Lerna, com fala de Alexandre Samis.

E claro, estaremos presentes com nossa banca, com livros, camisetas e

mais!

A programação completa da Feira você encontra na página da @feiraanarquistasp. Esse grande evento anual acontece esse domingo, 19/11, das 10h às 19h, na EMEF Desembargador Amorim Lima.

Vamos nos encontrar!

#FeiraAnarquistaSP

#teatroanarquista

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folhinhas
linhas
zibelinas sozinhas

Maiakovski

[Itália] Raffaella Ruberti

Em 14 de novembro de 2012 morre em Carrara (Toscana, Itália) a anarquista Raffaella Ruberti. Havia nascido em 1964 no seio de uma família anarquista – era filha de Paola Nicolazzi e neta de Alfonso Nicolazzi.

Começou a militar com 16 anos no movimento libertário de Carrara e trabalhou junto a seu tio e seu irmão Ruggero no “Il Seme”, a gráfica cooperativa desta cidade onde se imprimia o semanário Umanità Nova, entre outras publicações anarquistas.

Participou ativamente em um grande número de comitês de solidariedade, como trabalhadores em luta, contra a repressão, contra a energia nuclear, contra a privatização da água, pelo fechamento da multinacional química Montedison-Farmoplant, contra o túnel de Tambura e pela defesa do Palazzo de Politerama, local histórico do grupo Germinal de Carrara, entre outras iniciativas.

Em 5 de outubro de 1992, em uma operação [policial] antianarquista que deu origem a diferentes registros, foi  detida com outros cinco companheiros da zona (Catia Canozzi, Emanuela Centi, Ricardo Delle Piane, Alessandro Gazza e Ubaldo Giorgioni) sob a acusação de “ecoterrorismo”. A partir de 2007 foi uma das responsáveis dos arquivos da “Biblioteca Arquivo Germinal”, a que contribuiu recolhendo materiais e catalogando-os.

Enferma, Raffaella Ruberti morreu em 14 de novembro de 2012 em Carrara (Toscana, Itália) e foi enterrada três dias depois no cemitério de Turigliano desta localidade. Deixou uma filha de 15 anos.

ALEN

Fonte: https://pacosalud.blogspot.com/2023/11/raffaella-ruberti.html

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Cigarras cantam
Nos grandes arvoredos;
Depois perecem.

Ze de Bonifácio

[Espanha] A CGT faz um chamado ao conjunto da classe obreira para fortalecer o compromisso antifascista e rechaçar publicamente as atividades de grupos de pressão ultradireitistas. O fascismo avança se não o combatem.

Nos últimos dias estamos vendo como nas ruas de diversas cidades do Estado espanhol grupos de ultradireita estão fazendo apologia do fascismo por causa do rechaço às negociações do governo por uma possível “anistia” em relação ao processo catalão. Desde o Secretariado Permanente da CGT queremos ressaltar nosso rechaço frontal a estes grupos, que estão movidos por interesses que nada tem que ver com os da classe trabalhadora e que, muito ao contrário, atuam precisamente contra a mesma. O fenômeno não é novo, em nosso país a luta contra o fascismo tem sido uma constante desde que a classe obreira começou a se organizar para mudar o sistema de exploração capitalista no final do século XVIII. Em seu momento foi a patronal a que alimentou estes grupos como forças de choque contra a auto-organização obreira e os sindicatos de classe.

Agora, como sempre, são um conjunto de interesses empresariais e midiáticos os que estão por trás destes tumultos consentidos. Dizemos “consentidos” porque é significativo que as diversas delegações do governo, tanto do PSOE como do PP, permitiram desde a anos que o fenômeno da extrema direita com seus símbolos, saudações e cânticos criminosos, possa expressar-se livremente nas ruas. Enquanto isso, são centenas os casos de repressão contra os movimentos sociais, especialmente contra o antifascista, que se produziu com enorme violência policial e perseguição judicial. Duas varas de medir que marcam claramente de que lado estiveram os partidos que governaram nosso país desde a 40 anos. O paradoxo destes dias é que precisamente a violência destes grupos está alentada publicamente por “partidos constitucionalistas”, mas também por empresários mafiosos – que fazem por exemplo dos desalojos à gente vulnerável seu negócio – o de lacaios do ultraliberalismo com disfarce de jornalistas que alimentam o jogo da desestabilização.

A anistia é um recurso legal que utilizam os governos em função de seus interesses, não é algo novo. Com o Partido Popular se anistiou corruptos e fraudadores sem consulta nem programa eleitoral algum. Agora se está negociando um acordo de governo com essa ferramenta, no contexto da infame repressão que se desatou contra as ações e manifestações durante o processo. Não vamos a valorizar um jogo que não é o nosso, mas sim vamos denunciar a hipocrisia de uns e outros. A classe obreira não está convidada a essa farsa e muito menos está representada nos atos fascistas destes dias carregados de ranço elitista pátrio. O veneno do fascismo precisamente o que pretende é perpetuar através do ódio a injustiça e a exploração. Animamos a nossa militância a participar nas mobilizações antifascistas que vão se desenvolver durante o mês de novembro em todo o Estado espanhol. Por último assinalar que nos parece significativo que esta recuperação fascista coincida com a ofensiva do Estado de Israel contra a Palestina. A política de Netanyahu é uma demonstração de impunidade e genocídio própria de regimes fascistas e autoritários, contrários aos direitos humanos. É esse fascismo o que nos querem impor globalmente as elites, o da morte e a destruição contra a classe obreira e a dignidade das pessoas. A luta antifascista é a luta pela liberdade. O fascismo avança se não o combatem. Não Passarão!

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.

Matsuo Bashô

[Porto Alegre-RS] 17/11 – Exibição do Documentário Gaza Luta Por Liberdade no Esp(a)ço

Vamos juntys conhecer um pouco mais sobre a resistência do povo palestino à ocupação, apartheid e genocídio perpetrados por Israel! Em solidariedade à luta palestina, o Esp(a)ço exibe o documentário Gaza Luta Por Liberdade (Gaza Fights for Freedom, de Abby Martin, 2019) na próxima sexta-feira, 17 de novembro, às 19h.

A entrada, como sempre é gratuita. O Esp(a)ço fica na rua Castro Alves, 101, no Bom Fim, em Porto Alegre.

Atenção: você possui histórico ou denúncia por assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

agência de notícias anarquistas-ana

Já é primavera:
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã.

Matsuo Bashô

[Espanha] Novo número de La Brecha, sobre “Crise ecológica, transição industrial e conflitos sindicais”.

O Gabinete de formação e estudos da CGT apresenta o número do mês de novembro da publicação com um texto de Martin Lallana.

La Brecha é uma publicação orientada para dar visibilidade às diversas realidades laborais e circunstâncias sociais e econômicas que vivemos na classe trabalhadora. Este mês de novembro, no número 17 da publicação, queremos falar sobre Crise ecológica, transição industrial e conflitos sindicais desde uma perspectiva de classe. Nas palavras de Martin Lallana, autor do texto: “O trabalho é uma forma de dominação do capital, de onde extrai e acumula seus lucros. E é justamente nessa extração e acumulação de lucros onde se encontram as causas da Crise ecológica a qual nos enfrentamos. Por esse motivo devemos nos afastar energicamente daqueles enfoques que propõem um conflito de interesses enfrentados entre a transição ecossocial e o emprego. Estes enfoques em muitos casos apresentam os trabalhadores e trabalhadoras como sujeitos passivos de forças muito maiores, que ou bem devem ser protegidas pelo Estado, ou bem devem acompanhar os interesses das grandes empresas para manter seu negócio”.

Para o coletivo editor de La Brecha: “A Crise ecológica que atravessamos condiciona inevitavelmente nossa produção industrial. Por isso convêm pensar que transição queremos impulsionar desde uma ótica de justiça social e sustentabilidade ecológica. E tão importante é o quê como o como, de modo que refletir sobre os conflitos que vão gerar esta transição e analisar as experiências sobre como se abordam estes conflitos desde o mundo do trabalho resulta crucial para traçar horizontes desejáveis.” O autor, Martin Lallana, é militante da Área de Eco-socialismo da organização Anticapitalistas.

La Brecha: Análisis de coyuntura económica y social.

O novo número em formato PDF:

https://rojoynegro.info/wp-content/uploads/2023/11/BRECHA17-WEB-v2.pdf

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

na poça de lama
como no divino céu,
também passa a lua.

Afrânio Peixoto

Banquinhas presentes na XIII Feira Anarquista de SP

19/11/2023 (domingo) – 10h às 19h

Local: EMEF Des. Amorim Lima

Rua Prof. Vicente Peixoto, 50 – Butantã – SP

BANQUINHAS PRESENTES

1000contra / Ação Antifascista de São Paulo / Ação Direta em Educação Popular / Aldeia Kalipety / Aldeia Pindó Mirim / Aldeia Tapirema Anarkobafo / Antar – Poder Popular Antiespecista / Apropriação Indébita Peitaria Antifascista / Ateliê Canudos / Ayandù Banca Gráfika Coletiva / Biblioteca Terra Livre / Centro de Cultura Social de SP / Coletiva Anarcofeminista Insubmissas (CAFI) / Coletivo Fora da Garrafa / Coletivo Salamandra Negra / Contraciv / Cultive Resistência / No gods No masters / Edições Insurrectas / Editora Amanajé / Editora Barricada de Livros / Editora Entremares / Editorial Eleuterio / Faísca Publicações / ITHA / Frente Anarquista da Periferia / Front Grito do Povo / La Libertaria Livraria / Nigra Koro Distro / Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA) / Organização Socialista Libertária / Ramona Resistência Popular Estudantil – RJ / Teia dos Povos São Paulo

ALIMENTAÇÃO

Lote Nosso Palmares / Hangu Cozinha Livre / Horta Comunitária Autônoma Motyrõ

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agência de notícias anarquistas-ana

mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

Segunda Edição da Feira Anarquista em Londrina (PR)

Você está convidado para a segunda edição da Feira Anarquista de Londrina, um evento dedicado à liberdade, autonomia e solidariedade. Marque a data em seu calendário:

03 de Dezembro!

Onde: Cinco conjuntos – ZN

(endereço em breve).

Horário: Das 09h30 às 22h00

Este evento é aberto a todos que desejam aprender mais sobre o anarquismo, promover a solidariedade e celebrar a diversidade de ideias. Traga sua família, amigos e curiosidade!

Junte-se a nós no dia 5 de novembro e ajude a construir um mundo mais justo e igualitário. Vamos juntos na busca da liberdade!

Para mais informações, siga-nos nas redes sociais ou entre em contato pelo e-mail: feiraanarquistadelondrina@gmail.com

Arte feita pelo @srsr_fabio

agência de notícias anarquistas-ana

Ele fuma
à soleira da porta,
e é a fumaça que sai.

Werner Lambersy

Kolektiva.media banida da Turquia

Este mês a Kolektiva.media, plataforma de hospedagem de vídeos anarquistas e anticoloniais que surgiu da colaboração da Antimídia com a @submedia_pt / @sub.media, foi banida pelo Estado Turco por hospedar conteúdo em apoio à autodeterminação do povo curdo e à revolução em Rojava. Nos deram o prazo de quatro horas para excluir todo esse material (é claro que não o fizemos) e portanto fomos banidys.

#Kolektiva #Censura #Turquia #Rojava

agência de notícias anarquistas-ana

gente sem terra,
corrupção, desemprego:
mundo em guerra

Carlos Seabra