[Chile] Tribunal de Apelações decidirá a sentença final contra o companheiro Francisco Solar

Em dezembro de 2023, o judiciário condenou o companheiro Francisco Solar a 86 anos e a companheira Mónica Caballero a 12 anos, acusados de vários ataques com explosivos.

Depois de recorrer dessa sentença, em 27 de março de 2024, o Tribunal de Apelações de San Miguel decidirá a sentença final do companheiro Francisco. A condenação de Mônica não foi objeto de recurso.

Lute contra a prisão perpétua do companheiro anarquista Francisco Solar!

Solidariedade e cumplicidade com aqueles que desafiam os poderosos e repressores!

Fonte: Buskando La Kalle

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o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa

Memória | Elvira Boni e A Luta das Mulheres Anarquistas

Por Biblioteca Carlo Aldegheri

“No princípio, eu andava pela Liga Anticlerical junto com os meus irmãos. Aí eles começaram a fazer umas festas, com representações, e ia gente que eu não conhecia. Depois começaram as primeiras greves de que eu tenho conhecimento. No dia 1º de maio de 1919 – nessa época os trabalhadores já eram dirigidos pelos anarquistas – foi organizado um grande comício na Praça Mauá. Da Praça Mauá o povo veio andando até o Monroe pela Avenida Rio Branco, cantando o ‘Hino dos Trabalhadores’, ‘A Internacional’ e ‘Filhos do Povo’. Não tinha espaço para mais nada.

Naquela época não havia microfone, então havia quatro oradores falando ao mesmo tempo em pontos diferentes. Lembro-me de um que era gráfico, o Carlos Dias, e de outro da construção civil, o Domingo Passos. Depois desse comício, algumas moças resolveram criar o sindicato, e no dia 18 de maio de 1919, fundou-se a União das Costureiras, Chapeleiras e Classes Anexas. Éramos eu, a Elisa Gonçalves de Oliveira, a Aída Morais, a Isabel Peleteiro, a Noêmia Lopes. E aí a União começou logo a se exercitar. Era dirigida por uma comissão executiva, nos moldes anarquistas (…).

Na última semana do mês de abril de 1920, os trabalhadores de outros sindicatos resolveram fazer o 3º Congresso Operário Brasileiro. E convidaram a União das Costureiras para participar. Foi feita uma assembleia na União, e foram eleitas duas representantes: eu e a Noêmia Lopes. Eu era um pouco inibida nessa ocasião, não me achava com grande possibilidade de conversar, de dissertar sobre os assuntos. Sabia o que queria, mas não sabia me expressar. Mas presidi a última sessão do Congresso, quiseram que eu presidisse”.

Depoimento de Elvira Boni realizado em 1983. Na foto em destaque, ela presidindo a sessão de encerramento do 3º Congresso Operário Brasileiro (1920).

>> A Biblioteca Carlo Aldegheri é um centro de documentação e memória anarquista, fundado em 2012, em Guarujá-SP. Contato: nelca@riseup.net

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Correndo risco
a linha do corpo
ganha seu rosto

Alice Ruiz

PL 2253: Proibição das saídas temporárias dos encarcerados e a falência da esquerda eleitoral

Comunicado Nacional da FOB

Sempre há quem explore a angustia do povo através de soluções simplistas e mentirosas. Soluções que visam aumentar a miséria e a exploração da classe trabalhadora. As saídas temporárias das pessoas encarceradas, apelidada pela imprensa como “saidinha”, tornam-se palco para muitos políticos da ultradireita, que protagonizam um verdadeiro espetáculo como se fossem heróis da justiça, em nome de uma segurança pública que apenas oprime e leva insegurança paras as comunidades que sofrem com a violência policial.

Contudo, é uma justiça voltada para os interesses dos ricos e poderosos, empoderando as milicias e o banditismo que promove a violência em nossas favelas e comunidades. Esse cenário se desenha no processo de tramitação do Projeto de Lei (PL) 2253, recentemente aprovada no Senado Federal em 20 de fevereiro, com esmagadora maioria dos partidos, do Partido Liberal (PL) ao Partido dos Trabalhadores (PT), demonstrando a falência e a corrupção avançada da esquerda eleitoral. O Projeto de Lei ainda deverá ser apreciado pela igualmente conservadora Câmera dos Deputados e ir para sanção presencial.

O sistema de justiça criminal são componentes de um mecanismo racista de dominação. As prisões brasileiras expressam a profunda divisão de classe e raça que enfrentamos nas cidades, nos campos e nas florestas, um destino sustentado pelas classes dominantes para encarcerar os filhos e filhas do povo. É enganoso supor que o sistema prisional busca garantir a segurança da maioria, quando na realidade protege apenas os interesses dos ricos e poderosos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://lutafob.org/pl-2253-proibicao-das-saidas-temporarias-dos-encarcerados-e-a-falencia-da-esquerda-eleitoral/

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tudo o que restou
dos sonhos dos guerreiros —
Capim de verão

Bashô

 

 

[Grécia] Atenas: Para destruir a loja de flores poliamorosas em 10/02/2024

Em Exarchia – há décadas, mas com intensidade particular nos últimos anos – uma guerra está sendo travada por parte do estado.

Um bairro habitado há muitos anos principalmente por proletários, imigrantes, ativistas femininas, estudantes e jovens, um bairro que sempre foi o “centro” de todos os tipos de movimentos radicais, há muito tempo faz parte de uma operação coordenada e centralmente planejada de mutação agressiva e violenta. O estado grego investiu muito para alcançar um duplo objetivo: por um lado, entregando ao capital – grande e pequeno – uma peça importante do centro metropolitano para investimentos lucrativos principalmente no campo imobiliário, turismo e na indústria do entretenimento que sempre conecta esse tipo de “desenvolvimento” e, por outro lado, o ataque total ao mundo e às estruturas do movimento que surgiram há décadas, enraizadas no bairro de Exarchia, com o objetivo de encerrar suas contas históricas com o inimigo interno no coração da cidade.

O planejamento do estado inclui a garantia da infraestrutura necessária (como o metrô), a regeneração de pontos-chave, mas também historicamente e politicamente carregados no bairro (por exemplo, o Politécnico, o Museu, a Praça, até o antigo morro de Strefi), bem como o desdobramento de poderosas forças repressivas de todas as espécies para garantir a disciplina e a segurança do desdobramento deste plano violento. É esse planejamento que está criando um terreno absolutamente fértil para o avanço de investimentos de todos os tipos e tamanhos – e os valores imobiliários em disparada que eles trazem – que estão mudando cada vez mais não apenas a imagem e o caráter do bairro, mas também a constituição e a estrutura de classe do mundo que o habita e se move nele.

A guerra que o estado e o Capital desencadearam em Exarchia é uma guerra com características de classe claras. Os pobres são deslocados, incapazes de custear a vida, e os ricos – estrangeiros e locais – ocupam o seu lugar.

Desta reestruturação violenta, alguns – senão modernos, liberais, empresários alternativos – decidiram, mesmo que façam uma escolha desinformada, também se beneficiar ao lado da grande lucratividade dos grandes investidores.

A luta multifacetada que já está sendo travada por muitas pessoas em Exarchia, contra a ocupação policial, o reordenamento, o metrô, os hotéis, tem em seu foco – na medida em que lhes pertence – todos esses negócios que visam os novos visitantes e moradores ricos do bairro.

Então, o que é esse “pequeno florista alternativo”? Não passa de uma loja cirílica com bebidas caras, voltada para toda maldita “alternativa” e faz parte da gentrificação violenta. Uma gentrificação que tenta transformar todo o bairro de Exarchia em um parque temático para turistas, hipsters e ricos, deslocando aqueles que não se encaixam nas casas com aluguéis inacessíveis, nas praças com chapas de metal e nos divertimentos hipster.

Ao mesmo tempo, esta loja em particular, além de vinhos caros, também vende “libertação sexual”. Uma “libertação sexual” que não se limita apenas aos confins de uma loja, mas constrói uma condição limitada de seu consumo exclusivamente como produto.

A demolição deste “multi-florista” em particular é uma pequena resposta aos planos que estão fazendo para o bairro de Exarchia, uma mensagem de que não nos expulsarão assim, que o centro de Atenas não está à venda. Uma mensagem que a mídia “alternativa” e estabelecida, os extremistas de direita (incluindo um ministro) juntamente com empresários modernos/liberais tentaram dissipar, apresentando esta loja específica como uma pequena floricultura de bairro dirigida por alguns sujeitos aflitos sem nenhum conteúdo político, tentando assim uma inversão absoluta da realidade. O empresário/proprietário alegre de “P” (que está até se preparando, ao que parece, para abrir um novo negócio a poucos metros de distância), o “residente de Exarchia” com conexões a todos os folhetos de lixo/guia de entretenimento que o anunciam sistematicamente, está muito consciente de que suas bebidas caras não se destinam àqueles que viveram e frequentaram Exarchia até agora. Ele está muito consciente de que lojas como a dele pressupõem a destruição da diversidade social do bairro, o aumento dos aluguéis, a conversão de casas em AirBnB e vice-versa.

Eles estão tentando derrubar (e reconstruir) os bairros do centro e mutar Exarchia para os padrões de Kolonaki ou outra Berlim. Para vasculhar a propaganda de seus folhetos na memória coletiva dos lugares onde vivemos, trabalhamos, nos encontramos, lutamos.

Não é coincidência que outro produto à venda em Exarchia seja seu caráter libertário radical, que eles procuram assimilar, às vezes como espetáculo ao vivo e às vezes como cartões-postais nas vitrines das lojas. No exato momento em que policiais armados estão a poucos metros de distância assediando e batendo, protegendo chefes e turistas, enquanto as pessoas que moram na área há anos enfrentam uma repressão violenta do estado por resistir à degradação de suas vidas.

Portanto, para aqueles que vislumbram uma Exarchia “pura” com vitrines “alternativas” caras, AirBnB e policiais, a resposta é dada pelas ações diárias daqueles que resistem. Esperamos que nossos atos sejam um pequeno sinal de resistência à luta multifacetada que está ocorrendo no bairro de Exarchia. Um bairro que defenderemos com a militância e a solidariedade que aprendemos em suas ruas.

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1629262/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/14/grecia-video-milhares-de-pessoas-participam-de-protesto-em-exarchia-contra-a-gentrificacao/

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Todos adormeceram
Só o canto da cigarra
Permanece na noite

Maria Renata F. Antunes

[Canadá] Feira do Livro Anarquista de Montreal, 2024 e mais além

Há mais de um quarto de século que a Feira do Livro Anarquista de Montreal se tornou uma referência de maio – o “mês da anarquia” – e do anarquismo nesta cidade. É quase difícil lembrarmo-nos de uma época anterior a este enorme encontro! E como coletivo, sentimos o peso das expectativas de que deveríamos avançar com uma feira de livros nesta primavera, quer isso pareça possível ou não.

No entanto, muita coisa mudou durante estes anos, não só em todo o mundo, mas também em Montreal e na feira do livro. E este ano tem sido particularmente doloroso, desde a pandemia que se arrasta, à crise da habitação, do fascismo que só piora, ao genocídio em Gaza, tudo isto a sobrecarregar as nossas capacidades coletivas e a partir os nossos corações.

Depois de muita deliberação, decidimos adiar a próxima Feira do Livro Anarquista de Montreal para maio de 2025 e, em vez disso, concentrarmo-nos em reimaginá-la e renová-la. Sabemos que isto pode desiludir, mas esperamos que compreendam a nossa (e talvez a vossa) necessidade de um pouco de fôlego e de algum tempo de reflexão.

Um brinde a um mês maior, melhor e mais bonito de anarquia e feira de livros em 2025!

Amor+solidariedade, o coletivo da Feira do Livro Anarquista de Montreal

salonanarchiste.ca

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/20/canada-a-feira-do-livro-anarquista-de-montreal-esta-de-volta-27-e-28-de-maio-de-2023/

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Araponga cativa
São gritos atravessando grades
Partindo vidros…

Suely Moraes

[Espanha] A FAL acolhe a exposição “Moldeadoras de la Idea: mujeres en la cultura impresa anarquista”

De forma paralela ao congresso Editoras e tradutoras mais além das fronteiras: “mujeres en la cultura impresa transnacional anarquista”  (mulheres na cultura impressa anarquista) (1890-1939), que acontecerá no Campus UC3M de Puerta de Toledo (Madrid) entre 19 e  21 de março, na sede madrilenha da FAL se poderá visitar a exposição “Moldeadoras de la idea: mujeres en la cultura impresa anarquista” (aberta à visitação desde 19 de março até 26 de abril).

Falamos de uma exposição, curada pelas investigadoras Lucía Campanella, María Migueláñez e Jordi Maíz, que compila materiais do arquivo da Fundação Anselmo Lorenzo e outros arquivos públicos e privados, vinculados com o papel das mulheres anarquistas na cultura impressa libertária prévia a 1939.

***

No marco do importante desenvolvimento acadêmico dos estudos anarquistas a nível global, surgiu um interesse renovado pela cultura impressa libertária (Madrid e Soriano 2012; Souza Cunha 2018; Yeoman 2022; Ferguson 2023), base sobre a qual se desenvolveu de maneira impensada o que é considerado como primeiro movimento político transnacional (Moya, 2009). A cultura impressa anarquista foi massiva e enciclopédica e, em seu afã por educar ao humilde, teve a capacidade de circular textos de diversas índoles: literários, científicos, técnicos e, claro, ideológicos, entre tantos outros. Com esta agitada atividade impressora e tradutora, os anarquistas e as anarquistas foram agentes pioneiros e muito ativos na transferência de saberes transnacionais. Participaram em redes de intercâmbio e produção de impressos que “globalizaram o anarquismo” (Prichard, 2022; Eitel 2022) nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX.

Paralelamente, e apesar de que o papel que as mulheres jogaram no movimento anarquista tenha sido revisitado nos últimos cinquenta anos (Nash 1975; Rowbotham 1992; Enckell 2010; Pezzica 2013), há ainda muito território por ser explorado no que respeita à maneira na qual as mulheres anarquistas ou próximas ao movimento participaram nessa cultura impressa. O movimento anarquista abordou, desde seus primeiros escritos, temáticas ligadas à relação entre os sexos, à família e a sexualidade. Muitas editoras e tradutoras realizaram estas tarefas com o olhar posto em aprofundar a igualdade prática e teórica no interior e no exterior do movimento, reclamando para as mulheres uma mesma educação e oportunidades de participação, reivindicando uma idêntica paixão pela liberdade e apregoando que as mulheres possuem elas também condições e motivos para a luta contra o estado. Este ativismo impressor pode ser considerado “feminista”, com todas as discussões que acarreta a utilização do termo em contextos anarquistas (Barrancos 1990 e 1996).

O trabalho é tanto que editoras e/ou tradutoras de figuras femininas chave do anarquismo internacionalista como Louise Michel, Emma Goldman, Lucy Parsons, Soledad Gustavo ou Virginia Bolten assim o sugere. Permite intuir a importância dos vínculos entre mulheres, movimento anarquista e cultura impressa. Junto a elas, uma plêiade de mulheres anarquistas, ou próximas aos meios anarquistas, se destacaram nas tarefas de editar, imprimir e traduzir textos, libertários e não libertários.

A exposição que propomos pretende continuar recuperando o papel que coube às mulheres anarquistas na edição e tradução de textos, voltando àquelas mais conhecidas e tirando do esquecimento a muitas outras.

Lucía Campanella (Universitat Oberta de Catalunya) / María Migueláñez (Universidad Carlos III) / Jordi Maíz (Universitat de les Illes Balears)

FUNDAÇÂO ANSELMO LORENZO

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/14/espanha-uruguai-e-possivel-que-muitas-traducoes-anarquistas-tenham-sido-feitas-por-mulheres/

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Orquestra mágica
Balanço sussurrante das árvores
A maestria do vento.

Clície Pontes

[Colômbia] Comunicado do nosso primeiro Congresso

No último mês de janeiro, a Unión Libertaria Estudiantil y del Trabajo (ULET), afiliada a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT-IWA), realizou seu primeiro Congresso nacional com a participação de sindicatos de Hulia, Cundinamarca, e dando as boas-vindas de companheiros e companheiras de Cauca.

O propósito fundamental de nosso Congresso foi abordar as necessidades dos territórios, das comunidades e dos estudantes pertencentes a classe trabalhadora em nossa região. Buscamos discutir e planificar ações concretas para recuperar os direitos que foram usurpados pelo capital, pelo Estado e as elites políticas e econômicas do país.

Além disso, o Congresso nos brindou com a oportunidade de reafirmar a importância da organização da classe trabalhadora frente a uma realidade hostil. Nesse contexto, destacamos que os princípios do anarcossindicalismo em nossa região, junto com o internacionalismo que nos caracteriza, são ferramentas fundamentais para os e as trabalhadoras. Destacamos a necessidade de fortalecer a unidade como meio para alcançar triunfos no âmbito trabalhista e estudantil, especialmente as novas medidas governamentais. É crucial adotar um olhar crítico frente a esses cenários.

Por outro lado, queremos destacar que nos sindicatos federados a ULET-AIT encontraram um espaço para combater o capital. Embora reconheçamos que não há um mundo externo ao capitalismo, existe um mundo aqui e agora que resiste a desaparecer em cada um de nós. Apostamos na economia solidária e na política pública cooperativista com o objetivo de potencializar a capacidade de produzir educação comunitária.

Nosso Congresso Nacional representa um passo firme para a consolidação da luta pelos direitos da classe trabalhadora e estudantil. Reafirmamos nosso compromisso com a resistência ativa e a construção de alternativas que promovem a justiça social e a dignidade para todos e todas.

Por uma ULET-AIT combativa e solidária!

Por um anarcossindicalismo latino-americano que cresça do tamanho de nossos sonhos.

Sempre nos imaginamos em comunidade, mas a comunidade só surge quando nos imaginamos em comunhão.

UNIÓN LIBERTARIA ESTUDIANTIL E DEL TRABAJO -AIT

uletsindical.org

Tradução > 1984

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Vento nas árvores
As bolhas de sabão
Foram com as folhas.

Estrela Ruiz Leminski

[Espanha] 200 anos bastam, fora polícia!

A polícia nacional está celebrando os duzentos anos da criação do corpo repressivo que se consideram herdeiros. Estão realizando atos de homenagem a si mesmos nas cidades e povoados.

No passado sábado, 13 de janeiro, realizaram em Burgos um ato na Avenida da Paz, acompanhados do exército, içando de novo uma grande bandeira da Espanha.

Esta homenagem coincide com o décimo aniversário dos protestos contra a especulação e a construção do Bulevar em Gamonal [bairro de Burgos], onde a polícia voltou a mostrar sua verdadeira função de proteção dos que tem o poder. Naquelas jornadas estes mercenários golpearam e reprimiram a todo um povoado em pé contra a especulação, deixando dezenas de detidos.

A assembleia surgida ao calor dos protestos de Gamonal impulsionou três reivindicações: paralização das obras, liberdade dos detidos e que a polícia fosse embora.

As pessoas de Burgos temos memória de a quem serve a polícia por muito que sigam dizendo em sua propaganda que estão a serviço do cidadão.

A função da polícia em qualquer sociedade é a proteção dos privilégios dos poderosos e o controle e a repressão das pessoas que estão abaixo na hierarquia social. A polícia são mercenários a serviço dos que tem o poder e representam o monopólio da violência do Estado.

Pela abolição do Estado e da polícia!

Por uma sociedade sem classes livre de qualquer opressão!

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/200-anos-bastan-fuera-policia.php

Tradução > Sol de Abril

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Luz crepuscular
Um último arco-íris
Na ponta do pinheiro

Teruko Oda

[EUA] A morte de Aaron Bushnell vai desencadear uma caça às bruxas do anarquismo?

O senador Tom Cotton exige que o Pentágono elimine o extremismo de esquerda.

Por Ken Klippenstein | 07/03/2024

A morte de Aaron Bushnell por auto-imolação em frente à embaixada israelita em Washington, no mês passado, provocou um exame de consciência a nível nacional sobre a guerra em Gaza. No entanto, para o governo dos Estados Unidos, a morte do aviador suscita um tipo diferente de busca: a dos chamados extremistas, em particular os de esquerda.

Na quarta-feira passada, o senador Tom Cotton, R-Ark, ex-oficial do Exército e membro da Comissão de Serviços Armados do Senado, enviou uma carta ao secretário da Defesa, Lloyd Austin, perguntando por que e como o Pentágono podia tolerar um aviador como Bushnell nas suas fileiras. Chamando a sua morte de “um ato de violência horrível” que foi “em apoio de um grupo terrorista [Hamas]”, Cotton prossegue perguntando sobre os esforços internos do Departamento de Defesa para combater o extremismo e se Bushnell foi alguma vez identificado como tendo opiniões ou comportamentos extremistas.

A agitação de Cotton para encontrar apoiantes do Hamas em uniforme distorce o ato político de Bushnell, que este afirmou ser de apoio ao povo palestino. Mas também vem na sequência de um pedido de longa data de outros membros do Congresso, como o Senador Chuck Grassley, R-Iowa – republicano com o lugar mais alto no Comité Judicial e antigo presidente pro tempore do Senado – para que as forças armadas adotem um tratamento semelhante para os esquerdistas.

Embora os estudos demonstrem que o apoio ao extremismo é semelhante ou mesmo inferior entre os veteranos do que na população em geral, o extremismo nas forças armadas tornou-se uma obsessão dos chefes de Washington desde 6 de janeiro. Pouco depois de ter tomado posse, o novo Secretário da Defesa, Austin, um general reformado do Exército, deu instruções às forças armadas para que realizassem um “stand down” para combater o extremismo nas fileiras, encomendando uma série de painéis e estudos para avaliar o nacionalismo branco e o apoio neonazi entre os militares.

Fora do Departamento de Defesa, o FBI é responsável pelo contra-terrorismo interno. Desde o início da guerra israelita em Gaza, em outubro passado, tem-se concentrado em qualquer repercussão externa nos Estados Unidos.

“Num ano em que a ameaça do terrorismo [estrangeiro] já era elevada, a guerra em curso no Oriente Médio elevou a ameaça de um ataque contra americanos dentro dos Estados Unidos a um nível completamente diferente”, disse o diretor do FBI, Christopher Wray, aos cadetes em West Point na segunda-feira. “Não podemos – e não descartamos – a possibilidade de que o Hamas ou outra organização terrorista estrangeira possa explorar o atual conflito para realizar ataques aqui, no nosso próprio solo”, disse Wray ao Congresso logo após o início da guerra de Gaza.

Será que a morte de Bushnell e a pressão do Congresso abrirão a porta à criação de uma ligação especulativa entre os apoiantes internos da Palestina e o trabalho anti-Hamas do gabinete orientado para o estrangeiro?

Embora o suicídio de Bushnell se destinasse a demonstrar a sua angústia pela situação dos civis palestinos em Gaza, ele também abraçou o anarquismo, ou pelo menos uma articulação atual do anarquismo que é uma rejeição geral da autoridade estabelecida. As publicações de Bushnell no Reddit e noutras plataformas de redes sociais antes da sua morte refletiam esta adesão ao anarquismo e ele escolheu o símbolo anarquista como imagem de perfil para a conta Twitch que utilizou para transmitir ao vivo a sua auto-imolação. A sua página no Facebook também seguia e curtia páginas de vários grupos anarquistas. O coletivo anarquista CrimethInc. também afirmou num blog que Bushnell tinha enviado um e-mail ao grupo pouco antes da sua morte.

Bushnell era também um ativista comunitário em San Antonio, Texas, onde estava alocado. A seção de San Antonio dos Socialistas Democráticos da América emitiu uma declaração expressando solidariedade para com Bushnell e mencionando o seu trabalho com eles na questão dos sem-teto. “Ele era um anarquista”, disse ao Intercept um membro do DSA de San Antonio que interagiu com Bushnell, pedindo que seu nome não fosse usado. “Ele tinha um bom faro para reconhecer estruturas e práticas de organização coercitivas / insalubres; e era muito intencional sobre suas relações com outras pessoas.”

Anarquismo e o FBI

Desde 2019, o FBI tem usado cinco “categorias de ameaças” para descrever o terrorismo doméstico: Extremismo Violento de Motivação Racial ou Étnica, Extremismo Violento Anti-Governo ou Anti-Autoridade (AGAAVE), Direitos dos Animais ou Extremismo Violento Ambiental, Extremismo Violento Relacionado ao Aborto e “Todas as Outras Ameaças de Terrorismo Doméstico”, que é definido como “promoção de agendas políticas e / ou sociais que não são exclusivamente definidas em uma das outras categorias de ameaças”.

A ameaça AGAAVE, segundo o FBI, “inclui anarquistas extremistas violentos, milícias extremistas violentas, cidadãos soberanos extremistas violentos e outros extremistas violentos”. Dados do FBI revelam que 31% de suas investigações estão relacionadas a AGAAVEs e 60% de todas as investigações incluem casos categorizados como AGAAVE e “distúrbios civis”. A maior parte desse foco, desde 6 de janeiro, tem sido nos grupos que participaram dos protestos no Capitólio e nos apoiadores de Donald Trump.

No entanto, nos bastidores, de acordo com o testemunho do Congresso relatado aqui pela primeira vez, o FBI mantém um programa especificamente para combater anarquistas, chamado Programa de Extremismo Anarquista. No depoimento ao Senado, o FBI afirma que aumentou sua mira nos anarquistas “extremistas violentos” em todo o país, usando fontes humanas e técnicas para espioná-los. Desde os protestos em todo o país após a morte de George Floyd em 2020, o bureau encarregou os escritórios de campo de recorrer a informantes confidenciais para desenvolver uma melhor inteligência sobre os anarquistas. Em 2021, o FBI mais do que dobrou seu número de casos de terrorismo doméstico; e Wray disse ao Congresso que as prisões do que o bureau chama de “anarquistas extremistas violentos” foram mais numerosas em 2020-2021 (os meses em torno de 6 de janeiro) do que nos três anos anteriores juntos.

Um comunicado interno do FBI sobre ameaças obtido pelo Intercept define  anarquistas extremistas violentos como indivíduos “que consideram o capitalismo e o governo centralizado desnecessários e opressivos” e “se opõem à globalização econômica; hierarquias políticas, econômicas e sociais baseadas em classe, religião, raça, gênero ou propriedade privada de capital; e formas externas de autoridade representadas pelo governo centralizado, pelos militares e pela aplicação da lei”.

Pela definição do FBI, pouco disso se aplica à articulação das opiniões políticas do próprio Bushnell, apesar do rótulo de anarquista. Mas o protesto do aviador cumpre a pressão de muitos republicanos e conservadores para que o FBI se concentre igualmente nos esquerdistas. Em uma audiência em 2021, Grassley pressionou por mais investigações sobre a esquerda, fazendo alusão ao programa de extremismo anarquista do FBI.

“O ex-procurador-geral Barr declarou que o FBI tem programas robustos para supremacia branca e extremismo de milícia, mas um programa de extremismo anarquista significativamente mais fraco”, disse Grassley a Wray. “Como você planeja tornar seu programa de extremismo anarquista de esquerda tão robusto quanto seu programa de supremacia branca e extremismo malicioso?”

Em uma coletiva de imprensa na última quinta-feira que discutiu os laços de Bushnell com o anarquismo, o Pentágono pareceu sugerir que sua morte poderia ser considerada um ato de extremismo.

“Uma análise da conta de Aaron Bushnell na mídia social indica que ele tem opiniões anarquistas bastante fortes”, perguntou um repórter. “De acordo com a definição de extremistas do Pentágono, ele se enquadraria nessa categoria?”

“Acho que é justo dizer que o suicídio por autoimolação é um ato extremo”, respondeu o secretário de imprensa do Pentágono, general Pat Ryder, prometendo uma “investigação completa”.

Fonte: https://theintercept.com/2024/03/07/aaron-bushnell-fbi-anarchism-extremist/

Tradução > Contrafatual

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livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[Espanha] Arquivos, poder e anarquismo

Ao longo do tempo, a função social dos Arquivos, e da documentação que custodiam, foi variando conforme novos atores sociais foram se somando ao processo de ir deixando por escrito todo o acontecer de suas atividades cotidianas. Paradoxalmente, os anarquistas, que sempre se caracterizaram por seu amor à cultura e pela potência de seu tecido editorial e jornalístico, tiveram uma relação paradoxal com a documentação que historicamente custodiaram os Arquivos. O explicamos em seguida.

Qualquer pessoa que tenha conhecido, sequer tangencialmente, a documentação que entesoura um arquivo institucional situado na Espanha, advertirá que desde a Idade Média até nossos dias, a maior parte dos documentos que conserva, por exemplo, um arquivo municipal, dá conta das “façanhas” do poder político exercido pelas oligarquias; junto a ele, e ao menos desde a conhecida como “lei das três chaves”, a pragmática de 9 de junho de 1500 dada pelos Reis Católicos para que todos os concelhos guardassem seus documentos mais importantes em uma arca de triplo fechamento, os Arquivos institucionais guardaram de maneira sistemática toda aquela documentação, produzida pelo poder político das minorias, que dava fé dos direitos de uns poucos sobre o conjunto das classes populares.

Toda esta documentação gerada pelos poderosos, produzida com tintas e papeis de alta qualidade para a época, também foi conservada pelo poder como ouro em pano, resguardando-a das inclemências do tempo e favorecendo sua conservação em lugares de temperatura estável, sem problemas de umidade e acesso controlado. É precisamente isto o que explica que muitos ajuntamentos, distribuídos por toda Espanha, conservem nos dias de hoje documentação produzida nos séculos XIV, XV, XVI e posteriores.

Dito isto, é precisamente a natureza política de toda esta documentação, que resulta imprescindível para o bom funcionamento da engrenagem legal que facilita a reprodução dos diversos sistemas de desigualdade, a que pôs no ponto de mira dos anarquistas estes “papeis do poder”. Por isso mesmo, não é de estranhar que em muitas das insurreições e rebeliões anarquistas distribuídas por meio mundo desde finais do XIX, um dos primeiros objetivos de nossos companheiros e companheiras fosse incendiar os Arquivos institucionais, pois sabiam de boa lei que nestes centros de poder se custodiava a documentação que facilitava a dominação de classe das oligarquias que controlavam as molas do poder político.

No entanto, e desde o próprio nascimento do anarquismo organizado, só há que ver a prolixa produção de propaganda, imprensa e produção editorial, fosse em forma de folhetos ou livros, para advertir que o anarquismo se caracterizou sempre por dar um sentido emancipatório à cultura, outorgando a letra impressa um papel fundamental na divulgação de conteúdos cuja leitura favorece uma tomada de consciência política que é o ponto de partida do compromisso militante e, portanto, da transformação social.

Toda essa documentação produzida pelas pessoas humildes, as vinculadas ao movimento obreiro de inspiração ácrata, permaneceu, e permanece ainda, dispersa e fragmentada em inúmeros Arquivos: institucionais, privados, de organizações políticas e sindicais… Evidentemente, toda esta documentação, diferente da que falávamos anteriormente, dá conta das lutas contra o poder das classes subalternas, permitindo rastrear suas conquistas e fracassos, tirando o pó de histórias silenciadas e, em boa medida, permitindo aos historiadores e historiadoras reconstruir um relato histórico longe dos mitos que, ademais, outorga o protagonismo à maioria social, não às minorias que detiveram o poder ao longo dos séculos.

Dito tudo isto, na Fundação Anselmo Lorenzo somos conscientes da vital importância para a manutenção de nossas lutas, que tem a conservação da documentação que dá conta do devir histórico do movimento libertário espanhol; um movimento cuja singularidade, realizações históricas e influência social e cultural, resulta imprescindível para seguir alimentando as lutas sociais do presente e do futuro. Precisamente por isso, a FAL realiza um importante esforço econômico para manter a documentação que custodia em um depósito de conservação climatizado que, por um lado, mantêm a temperatura estável em um arco de entre 18 e 21 graus, e assegura um nível de umidade relativa ótimo para a conservação da documentação. E quando falamos de conservação, falamos, claro está, de uma conservação centenária. Porque sim o poder se preocupou de manter sua documentação bem cuidada durante séculos, por que o movimento libertário não vai poder conservar durante séculos a documentação que demonstra, precisamente, que a luta contra o poder foi possível, que o Comunismo Libertário foi possível, que a Ideia foi muito mais que isso, que se converteu em uma realização prática que pode seguir inspirando as lutas dos de baixo?

E nessas estamos… Sabendo que a memória é imprescindível para sustentar as lutas do futuro. Sabendo que sem Arquivos, não há história nem memória, e que a FAL, que é a fundação da CNT, está trabalhando duro desde décadas por tornar possível esta tarefa fundamental.

Juan Cruz López

Fonte: https://fal.cnt.es/wp-content/uploads/2023/06/BICEL-31.pdf

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

fim de tarde
depois do trovão
o silêncio é maior

Alice Ruiz

[Holanda] Semana da Juventude Anarquista

19 a 21 de abril, 2024

Anarchistisch Kampeerterrein (Aekingaweg 1a)

Appelscha, Holanda

Haverá outro fim de semana da juventude anarquista! O FJA acontecerá de sexta-feira, 19 de abril, a domingo, 21 de abril de 2024, no Acampamento Anarquista em Appelscha! Estamos ocupados com a programação e logística, e manteremos você informado se houver alguma atualização legal. Na nossa opinião, os jovens são qualquer pessoa com idade entre 15 e 25 anos.

Se você tiver uma ideia para o programa, ou se precisar de algo específico para participar, estamos disponíveis através do nosso e-mail: anarchojongerenweekend@protonmail.com ou através de mensagem privada no Instagram @anarchistischjongerenweekend.

Nos vemos lá!

Anarchistisch Kampeerterrein | Aekingaweg 1a | Appelscha

Tradução > fernanda k.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/21/holanda-pinksterlanddagen-um-festival-anarquista-de-26-a-28-de-maio-de-2023/

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Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka

[Rio de Janeiro-RJ] II Seminário Internacional Cultura Libertária, Feminismo e Anarquismo

Local: Auditório Paula Freire – Centro de Ciências Humanas – CCH/UNIRIO

03 e 4 de abril de 2024

A p r e s e n t a ç ã o

Congregando diferentes pesquisadores – nacionais e internacionais, sobre o tema do anarquismo – entendido como fenômeno de ideias e práticas sociais transversais que ultrapassa o sentido clássico dado ao termo e pode ser, por isso mesmo, englobado numa perspectiva mais ampla de “Cultura Libertária”, apresentamos o II Seminário Internacional Cultura Libertária, Feminismo e Anarquismo.

Organizado pelos programas de pós-graduação em História da UNIRIO e da UERJ, com apoio financeiro da FAPERJ, o evento pretende uma reflexão do anarquismo nos termos mais amplos de uma cultura libertária, o que permite a incorporação de diferentes modalidades de pesquisa, em abordagens específicas, em recortes temporais diferentes e em espacialidades mais estendidas conectadas à história global.

Neste II Seminário Internacional oferecemos uma amostra dessa produção mais recente realizada por reconhecidos pesquisadores, cujos trabalhos trazem contribuições inovadoras para a pesquisa histórica sobre o anarquismo.

P r o g r a m a ç ã o

Dia 03/04

9:00-Abertura do Evento

Apresentação do evento – Carlo Romani, UNIRIO (História), e Angela Roberti, UERJ (História)

Fala inicial – Christina Lopreato, UFU (História)

10:00-12:30- Mesa 2: Mulheres anarquistas, novas subjetividades e feminismo.

  • Ingrid Ladeira, PUC-RJ (História)
  • Larissa Tokunaga, USP-EACH (Humanidades)
  • Samantha Lodi, UNESP (Educação)
  • Coordenação: Conceição Pires, UNIRIO (História)

12:30-14:30-Almoço

14:30 – 16:30-Mesa Anarquismo e cultura: literatura, imprensa, música

  • Eduardo Cunha, USP (História)
  • Alex Brito Ribeiro, UERJ- Firjan-SESI (História)
  • Coordenação: Angela Roberti, UERJ (História)

16:30-17:00 – Coffe-break

17:00 – Conferência de Abertura

  • Ivanna Margarucci Universidade de Taparacá /CONICET (História)

18:00 – Lançamento de livros

  • Apresentação musical Bernardo Fantini, UNIRIO (Música)

Dia 04/04

9:30h-12- Mesa 1: Anarquismo, transnacionalismo e vigilância internacional.

  • Clayton Godoy, USP (Sociologia)
  • Bruno Benevides, FIOCRUZ (História)
  • Luciano Guimarães, Colégio Pedro II (História)
  • Coordenação: Diego Galeano PUC-RJ, (História)

12-14- Almoço

14:00-18:00 – Mesas 2: O Anarquismo e suas múltiplas faces na História.

Sessão 1 (14:00– 15:45)

  • Claudia Tolentino, Unicamp (História)
  • João Henrique de Oliveira, UFRRJ

(Comunicação) 15:45-16:15 –

  • Coordenação: José Damiro de Moraes Unirio (Educação)

15:45-16:15: Coffe-break

Sessão 2 (16:15 – 18:00):

  • Eduardo Lamela, MAI (História)
  • Thiago Lemos, UFU (História)
  • Coordenação: Alexandre Samis, Colégio Pedro II (História)

18:00 Conferência de Encerramento

Cassio Brancaleone Soares – UFFS (Ciência Sociais)

Organização:

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Unirio

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ

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De uma casa branca
No meio da encosta da montanha
Sobe um fio de fumaça.

Paulo Franchetti

[Brasil-Portugal] Crônicas recuperadas pelo IEL | “Onde estão os jovens?”

Em uma troca de mensagens com o anarquista português M. Ricardo de Sousa, em março de 2024, Alexandre Samis comenta sobre a pouca participação de jovens na atividade de lançamento da revista A Ideia. O evento foi assim resumido pelo “Portal Anarquista” administrado pelos compas de Évora:

Foi ontem apresentada no Museu do Aljube, em Lisboa, a edição de 2023 d’A IDEIA comemorativa dos 50 anos de publicação da revista que se afirma como de “cultura libertária”. A sessão contou, para além do seu atual diretor, António Cândido Franco, com dezenas de pessoas, entre elas Risoleta Pinto Pedro, que leu alguns textos, Ricardo António Alves (que falou sobre “Jaime Brasil e Ferreira de Castro”) e António Baião que fez a apresentação do livro “Jornal A Batalha 1974-2024. Esboço para uma Análise”, de João Freire, edições A Batalha – um jornal que este ano também assinala os 50 anos da VI série. Na mesma altura foi também apresentado um número especial de “A Ideia 50 Anos, 1974-2024. Fac-símile do nº 1, cronologia, antologia, testemunhos e índices. 163pp, de João Freire, o fundador da revista“.

Segue a resposta de M. Ricardo de Sousa que nos parece de interesse mais amplo.

Assim:

Comp.,

 Saúde.

 Pergunta-me pelos jovens depois de ver as fotografias, onde abundam cabelos grisalhos, da apresentação, no Museu da Resistência no Aljube, da Revista A Ideia, que agora comemora 50 anos, (foi fundado ainda no exílio em Paris, em 1974, por João Freire), acompanhando a efeméride do cinquentenário do golpe militar dos jovens capitães que derrubou a caduca ditadura portuguesa em 25 de Abril de 1974.

Sobre os “jovens” tenho de dizer que é uma categoria cada vez mais difícil de definir e entender, pelo menos na Europa, onde já se fala de jovens até aos 40. Numa sociedade que nos quer a todos infantilizados até morrer. Bom, esses jovens, não abundaram na verdade nos 50 anos da Ideia…

Há uma explicação: por aqui, tal como por aí, há uma categoria cada vez mais comum que é dos jovens “anti-intelectuais” ou seja dos analfabetos assumidos, orgulhosos de o serem. Não gostam de ler, nem sequer de debater, gostam de pintar paredes, virar latas do lixo e “postar” comentários na Internet quando não têm sono. Também gostam de beber umas cervejas, das marcas comerciais ou artesanais, mas quase todos só comem comida vegan, que como sabemos, e dizem os médicos, só faz bem. Alguns, mais nostálgicos, continuam a reunir-se para escutar música Punk, que como sabe já é velha, embora não tão velha quanto o jazz, o “a las Barricadas”, o Léo Ferré e Georges Brassens. Nem falo dos The Doors, Jim Morrison e Pink Floyd, tudo cadáveres.

Um notável e cansativo ativismo radical esse dos jovens. Isto até se fartarem e arranjarem um emprego precário numa universidade, numa caixa de supermercado ou num call center… Isso porque poucos têm pais ricos ou enriquecem com Bitcoins.

Dirá você: sempre foi assim! Talvez, mas não nesta escala de miserabilismo… No passado longínquo, ou no próximo, que é o nosso, líamos, tínhamos curiosidade, vontade de aprender, discutíamos, talvez em excesso, e havia o autodidatismo popular. E, apesar de tudo, menos arrogância. Agora vejo gente que dá uns arrotos em público, uns pontapés nuns caixotes do lixo, veste uma roupa esfarrapada, que está na moda, e pensa que está a fazer a Revolução. Imaginando-se até um personagem da Comuna de Paris ou da Revolução Espanhola, quando têm conhecimento suficiente para saber que existiram esses eventos pré-históricos.

Por cá, volta a perguntar: onde estão os jovens?

Por aí, gritando pela Palestina, mas não pela povo ucraniano. Pelos imigrantes e pelos direitos  LGBTQIA+ E, provavelmente, alguns nas filas para votar no próximo domingo, pois têm o coração à esquerda!!!! Estes, de quem estamos a falar, pois ao que dizem as pesquisas os outros jovens, que são a maioria, agora estão à direita, são conservadores, o que querem é saber das suas pobres vidinhas de «doutores» com sub-empregos. Lamentam os políticos já que hoje temos a geração mais «qualificada de sempre»…Olhando não parece!

Todos? Não. Como diz a Bíblia, se houver 10 diferentes [Génesis, 18], deus já nos irá perdoar os nossos erros e os pecados da humanidade…

Não pense que isto é coisa de velho. Antes fosse. É uma descrição de alguém que ainda não tem alzheimer e olha à sua volta com alguma curiosidade e atenção. Como diz o povo, não sei se rir ou chorar. Depende do dia!

Um abraço,

  1. Ricardo de Sousa

Pode-se até discordar do conteúdo, mas é difícil não reconhecer no estilo e clareza de posição um patrimônio hoje bastante raro até nos meios libertários.

Fonte: https://ielibertarios.wordpress.com/2024/03/11/cronicas-recuperadas-pelo-iel/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/12/portugal-a-ideia-faz-50-anos/

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Cai da folha
a gota d’água. Lá longe,
o oceano aguarda.

Yeda Prates Bernis

[Alemanha] Berlim: manifestação de solidariedade para a RAF

Centenas de pessoas participaram de uma manifestação de solidariedade aos ex-membros da RAF no distrito de Kreuzberg, em Berlim, no sábado (09/03). O percurso também levou os participantes pela rua onde a ativista da RAF Daniela Klette vivia sob um nome falso até sua prisão na semana passada.

Segundo a imprensa local, a manifestação correu normalmente. O lema era “Parem o terrorismo de Estado – solidariedade com os perseguidos e os presos”.

Klette, agora com 65 anos, foi presa por investigadores civis na semana passada em seu apartamento em Kreuzberg – depois de mais de 30 anos na clandestinidade. Ela está agora sob custódia na Baixa Saxônia.

A ativista de 65 anos está sendo investigada por envolvimento em ataques da Facção do Exército Vermelho (RAF). Além disso, Klette e seus supostos cúmplices fugitivos Burkhard Garweg e Ernst-Volker Staub são acusados ​​de assaltos à mão armada que teriam cometido entre 1999 e 2016 para financiar sua vida clandestina e grupos radicais.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/08/alemanha-convocacao-para-manifestacao-em-solidariedade-a-daniela-klette-e-a-todas-as-pessoas-perseguidas-e-presas/

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Oh, melões frescos,
Se alguém aparecer,
Transformem-se em rãs!

Issa

[Espanha] Desde terras vallekanas temos o prazer de nos apresentar como um novo coletivo libertário

Estamos começando a caminhar, dando pequenos passos, depois de um ano de formação interna, com muitas ilusões e desejo de continuar na brecha.

ATENEU LIBERTÁRIO LA GARRA

A história nos ensina que é abaixo, nos bairros e nas ruas, onde surgem e crescem resistências e solidariedades. Ao longo dos séculos XIX e XX, junto a outras formas de contrapoder, o papel dos ateneus libertários foi essencial para o desenvolvimento de diversas e potentes lutas que desencadearam movimentos radicalmente transformadores, fosse no começo dos movimentos de trabalhadores organizados do final do século XIX, nos anos da república, ou na autonomia e na contracultura dos anos 70.

Com essas e outras referências em nossas cabeças, nós, um grupo de pessoas do bairro começamos a nos reunir e após muito escutar, falar, conspirar, sonhar e compartilhar desejos… imaginamos um lugar em Vallekas onde possamos nos encontrar e nos organizarmos com outras pessoas e coletivos.

Estamos empenhadas em construir um ateneu libertário em nosso bairro, um lugar desde o qual possamos contribuir com as lutas por outro futuro possível, por fora e contra a mercantilização da vida. Um espaço de referência para movimentos sociais cujas práticas políticas estejam baseadas no assembleísmo, na horizontalidade, no apoio mútuo, e na autonomia, com o fim de gerar fortalezas e dissidências desde baixo e impulsionando juntas.

Após quase um ano de assembleias e debates decidimos começar. Sem pressa. Dando pequenos passos. Temos muitas ideias na cabeça, muitos projetos, atividades, propostas, eventos… E queremos lançar ao bairro, ao nosso entorno cotidiano, com a ideia de tornar participante quem queira fazer convergir entusiasmo e tesão.

Tradução > Sol de Abril

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silenciosamente
uma aragem enfuna
as cortinas enluaradas

Rogério Martins

[Irlanda do Norte] Conferência de Estudos Anarquistas 2024 | Chamada de trabalhos | Anarquismo dentro/com/como/além do conflito

O conflito é um problema que tem de ser resolvido? É um fato que perturba a vida? Ou é antes uma virtude que pode ser explorada? Os conflitos são “bons” ou “maus”? O anarquismo está em conflito consigo mesmo? A paz significa ausência de conflito ou é um “equilíbrio” entre forças sociais em conflito? E a guerra, hein? Para que serve? ‘Absolutamente para nada!’ (Edwin Starr, 1970).

O conflito existe em todos os níveis da sociedade; possui as mais variadas formas, e intensidades muito diferentes. O anarquismo pode ser entendido como o local do conflito (em conflito), como a causa do conflito (com conflito), como uma filosofia e uma prática do conflito (como conflito), ou como uma solução para o conflito (além do conflito).

Quando o anarquismo surge como uma solução para o conflito, o conflito é muitas vezes considerado um problema que tem de ser superado – vide, por exemplo, as formas sistemáticas de opressão, as hierarquias coercivas, e as disputas interpessoais ou civis, que são resolvidas através duma justiça transformadora, ou de campanhas antiguerra e antimilitaristas.

Mais ainda, o anarquismo pode ser entendido como uma filosofia e uma prática que veem a essência da interação social como uma pluralidade interminável de conflitos, inspirados pela clássica invocação anarquista das antinomias:

Destas antinomias, dos seus conflitos e do seu equilíbrio precário, surgem o crescimento e o desenvolvimento; qualquer solução de fusão ou de eliminação de um dos termos equivaleria à morte. (Proudhon, 1866 [Théorie de la propriété – tradução de Diane Morgan])

Por último, o anarquismo pode ser em si mesmo um local de conflito, devido ao seu caráter diversificado e heterogêneo. Veja-se, por exemplo, a oposição entre as abordagens não violentas do ativismo e a propaganda pela ação, mas também o choque entre as diferentes doutrinas filosóficas do(s) anarquismo(s). O anarquismo reproduz ainda as divisões geopolíticas.

Para explorar com mais detalhe estes esboços provisórios sobre o(s) anarquismo(s) e o(s) conflito(s), a 8ª Conferência Internacional da Rede de Estudos Anarquistas (Anarchist Studies Network) convida à apresentação de artigos que abordem o Anarquismo nas vertentes: em/com/como/além CONFLITO que é o tema central desta conferência (realizada na universidade do Ulster, Belfast, 4 a 6 de setembro de 2024 – veja aqui (ulster.ac.uk/yourbelfastcampus/maps-and-facilities/accessibility) como aceder).

Sugere-se uma lista (não exaustiva) de temas a desenvolver, tendo como pano de fundo a relação anarquismo-conflito, que pode abranger:

  • a luta contra a opressão; a luta armada; a resistência não violenta e o pacifismo;
  • o conflito como transformação (por exemplo, a justiça transformadora ou as formas anti-prisão de resolução de conflitos);
  • as filosofias da antinomia ou o agonismo (e as críticas à dialéticas hegeliana);
  • os antigos catálogos da Conflito, a banda anarco-punk; as relações interpessoais em casa, no trabalho, nos tempos livres e na rua; ‘nenhuma guerra senão a guerra de classes!’- discussão’;
  • análises anarquistas sobre o pós-conflito e as sociedades com divisões profundas;
  • o eu conflituante e as abordagens anarquistas ao nível da psicanálise/psicologia/psiquiatria (inclusive críticas ao ‘bem-estar’ e ‘auto-cuidado’);
  • manuais de protesto e de argumentação estratégica dos movimentos sociais; a guerra ; os combates militarizados inter-estaduais ou intra-estaduais (denominados guerra, guerra civil, invasão, “operação especial” ou conflito).

Ou, se entrar em conflito com esta lista, pode sempre propor um artigo relacionado com a teoria e prática anarquistas, que nada tenha a ver com o tema principal da conferência – esteja à vontade!

Painéis e streams sobre um determinado tema são bem-vindos, assim como apresentações em formatos não tradicionais, como por exemplo performances, exposições, workshops, entre outros.

Os resumos (abstracts) devem ser enviados em inglês para asn.conference@protonmail.com (mas aceitamos trabalhos em qualquer outro idioma).

Os resumos deverão ser enviados até 30 de março de 2024. Indique, por favor, se pretende fazer a apresentação de modo presencial ou online. Neste último caso, indique também o seu fuso horário. No caso de ter perguntas, necessidades especiais, ou comentários, por favor, entre em contato conosco. Daremos o nosso melhor para atendê-lo.

anarchiststudiesnetwork.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/14/reino-unido-conferencia-de-estudos-anarquistas-2022-chamada-de-trabalhos/

agência de notícias anarquistas-ana

Ainda que morrendo
o canto das cigarras
nada revela!

Matsuo Bashô