[Espanha] Milei contra a classe trabalhadora.

Na Argentina, a classe trabalhadora enfrenta há vários dias a decisão do Senado de aprovar o projeto de reforma trabalhista apresentado pelo presidente da nação, Javier Milei. Com 42 votos a favor (esta câmara tem 72 senadores, 3 por cada província), a reforma representará um retrocesso nos direitos trabalhistas e nas conquistas sociais fundamentais. De fato, a votação da última quinta-feira, 12 de fevereiro, ocorreu com numerosas manifestações nas ruas, que foram duramente reprimidas pelas forças de segurança do Estado argentino.

Se entrar em vigor, a lei concederá um poder quase total aos empresários: jornadas de trabalho de até 12 horas com a criação de um “banco de horas” à disposição da empresa, substituição das contribuições à Previdência Social por um “fundo de assistência laboral”, o que facilitará a demissão sem indenização, e a possibilidade de o empregador pagar parte do salário “em espécie”. A reforma também ataca a organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, limitando o direito de greve e a ação sindical. Os acordos coletivos terão menos força do que a negociação individual, os sindicatos não poderão convocar nem realizar assembleias sem autorização do empregador, e as férias poderão ser fracionadas.

O presidente argentino defendeu sua reforma em nome da “flexibilização do mercado de trabalho, da redução dos custos de contratação e da criação de empregos”. No entanto, suas medidas não apenas beneficiarão os setores mais ricos da sociedade argentina, como também atingirão duramente a grande maioria da população, já bastante castigada por outras políticas neoliberais que o governo Milei implementou desde que chegou ao poder.

Enquanto isso, o mundo e grande parte da cidadania argentina começam a entender em que consiste realmente a deriva “liberticida”, e não “libertária”, de Milei. Sua política tem se mostrado a mesma política reacionária e ultraliberal de sempre, focada em produzir desigualdades e eliminar conquistas sociais e direitos trabalhistas. A única classe que sairá beneficiada será a que vive do sofrimento de milhares de pessoas, condenadas desde o nascimento a uma vida precária e miserável.

As principais centrais sindicais da Argentina, muito burocratizadas, rejeitaram a reforma de Milei, mas, apesar da convocação de greve, continuam depositando esperanças na negociação com as instituições estatais. O mesmo não ocorre com os sindicatos e organizações sociais anarcossindicalistas e ácratas. Estes já anunciaram que a única maneira de reverter essa aberração na sociedade argentina é a organização horizontal do povo e a ação direta. O tempo e as circunstâncias voltam a dar razão ao movimento libertário internacional: nenhuma conquista, nenhum direito é concedido pela bondade daqueles que concentram o poder político e econômico. Os avanços, as liberdades sociais, os direitos trabalhistas e políticos foram conquistados pela força. Essa força da qual a classe trabalhadora ainda parece não ter consciência.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal da CGT

Fonte: https://cgt.es/milei-contra-la-clase-trabajadora/

Tradução > Liberto

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Por aqui passou
uma traça esfomeada:
livro de receitas.

Francisco Handa

[EUA] Declaração de aniversário de Oso Blanco

O aniversário do Oso Blanco é no dia 26 de fevereiro. Envie-lhe uma mensagem e leia a sua declaração de aniversário abaixo.

Byron Chubbuck #07909051

USP Atwater

Caixa Postal 019001

Atwater, CA 95301 – EUA

Irmãos e irmãs e todos os que lutam:

Estou prestes a completar 59 anos e este será meu 26º aniversário cumprindo pena nesta prisão federal. Os aniversários e feriados costumam ser muito vazios e frios, porque você obviamente está longe de sua família. Mas quando as pessoas se aproximam, quando irmãos e irmãs na luta se aproximam e escrevem para um prisioneiro político no seu aniversário, isso é extremamente poderoso. Mas quando você compartilha algo que parece ter sido escrito de acordo com um formato, ou como se tivesse sido escrito por um robô, isso é desanimador. Porque muitas vezes recebo mensagens de aniversário de pessoas que parecem não ter sinceridade. Sou um ser humano e gosto que as pessoas expressem amor humano com sinceridade. Quando escrevem, devem escrever algo que venha do coração, porque percebi a diferença e não sinto qualquer interação humana, uma vez que não expressaram emoções humanas reais. Muitas vezes é sempre a mesma coisa, as mesmas palavras, repetidas vezes, durante anos.

Se você está entrando em contato comigo no meu aniversário, deve expressar seus pensamentos verdadeiros. Não siga um formato, um conjunto de palavras que alguém disse para dizer. Quero que expressem seus corações verdadeiros, porque me dediquei à luta, à luta dos nativos americanos, à luta zapatista — e quero que expressem seus verdadeiros eus, seus corações verdadeiros, suas emoções verdadeiras.

Estou longe da minha família, e a carta chegará um mês depois de fevereiro, porque a polícia não me deixa receber correspondências e a retém por pelo menos esse tempo. As pessoas devem se manifestar de forma mais sincera, mais sincera, porque você está falando com alguém que está sofrendo por perder os aniversários com a família, com os amigos, com a comunidade.Você está falando com uma pessoa que está restaurada e exilada da sociedade e de todas as relações humanas.

Quando você entra em contato com um prisioneiro político e é o aniversário dele, isso é realmente significativo. Às vezes, ainda recebo cartões de aniversário dos meus amigos das ruas de Albuquerque, mas o fentanil matou 100 pessoas que eu conhecia no Novo México, e esse é um número real. E isso quase acabou com os cartões de aniversário que eu recebia das pessoas que conheciam nas ruas. Meus pais são muito velhos. Receba alguns parabéns de aniversário da família da minha irmã Cherokee em Oklahoma, na reserva de Tahlequah. Quando você entra em contato com um prisioneiro político, não é como um robô. Assim é como um ser humano real, com emoções reais e amor real. Porque eu percebi a diferença com o passar do tempo. E eu arriscaria dizer que a sociedade está realmente prejudicando a conexão entre as emoções humanas e coisas tão importantes como parabéns de aniversário.

Quando alguém entra em contato com você no seu aniversário, algo tão profundo e significativo quando você está na prisão cumprindo uma pena de muitos anos por suas ações políticas, isso é muito poderoso. Portanto, vamos manter a conexão humana com os presos políticos, porque eles estão aqui por você. Eles estão aqui para pessoas que querem um mundo melhor. Eles estão aqui para pessoas que sabem que precisam curar a Terra. E aqui pela luta para elevar o amor. Porque sem amor não haverá mudança, não haverá um mundo melhor, não haverá revolução — não sem amor.

Se eu tivesse um desejo de aniversário, desejaria que as pessoas se levantassem e realmente fizessem algo para acabar com a opressão. O que realmente se organizou. Que realmente acabaram com a opressão, a repressão e os abusos do Estado. Esse é o meu desejo de aniversário.

Amo todos vocês e agradeço muito. A todos que pegam uma caneta ou digitam uma carta, amo muito vocês. Eu nunca teria sobrevivido a esses 26 anos sozinho. Eu nunca teria sobrevivido a esses anos sem pessoas como Leonard Peltier, Tom Manning e Dr. Mutulu Shakur, com quem cruzei o caminho — e não sem pequenas coisas. Não sem pequenas coisas que significam muito — como aniversários.

Mais em https://www. freesosoblanco.org

Tradução > Reno Moedor

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mostro sem disfarce
o tempo, a vida e o vento
marcando minha face

Cristina Saba

O Câncer Dourado

O capital não é ciclo, é câncer. É a célula
que devora o corpo todo em nome do crescimento.
Sua liturgia é o preço, seu templo é o mercado,
seus santos são os barões com sangue escorrendo
pelas fendas dos dedos que contam o planeta.
Transformam rios em números, florestas em saldo,
afeto em serviço, o sonho em dívida perpétua.
O trabalhador é madeira para sua fornalha abstrata,
queimado para mover engrenagens que só cunham correntes.
Mas escutem: o rangido da máquina é sua tosse.
O colapso vem no ritmo do lucro insaciável.
Nossa greve é o anticorpo, o boicote é a faca,
a assembleia direta é o novo organismo, vivo,
que cresce nas ruínas podres do seu espetáculo vazio.

Liberto Herrera.

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Bolha de sabão.
Bolha cheia de ilusão
O vento de mim levou.

Setsuko Geni Oyakawa

[Santos-SP] Chamado Para O Festival Cultive Resistência 2026!

O Festival Cultive Resistência é um encontro multicultural, libertário, que ocorre na Semente Negra, um espaço político cultural situado em meio a mata atlântica, em Peruíbe/SP. O evento acontece todo ano no feriado da páscoa, com 3 dias de diálogos, palestras, oficinas, debates, shows, distribuidoras, momentos de compartilhamento, aprendizado, ensinamentos, reflexão e ação.

No documentário “Festival Cultive Resistência 2025, feito por Juliano Angelin e Eri Vive (Peruíbe, 2025, Duração: 31 minutos), foi registrado o evento do ano passado, unindo diversas experiências e ideias de resistência e liberdade que estão em todas as partes deste planeta. Punks, anarquistas, feministas, indígenas, moradoras de espaços ocupados, pessoas que compartilham experiências de lutas inspiradoras, sugerem outro modo de estar e agir neste mundo.

No dia 1° de março de 2026, domingo, a partir das 17 horas, vamos exibir esse documentário na Cinemateca de Santos, na rua Min. Xavier de Toledo, número 42, no Campo Grande. O evento seguirá com um debate com os organizadores do evento e do Espaço Cultural Semente Negra, de Peruíbe.

DATA: 27 de outubro de 2024 (Domingo), às 17 horas;

LOCAL: Cinemateca de Santos

ENDEREÇO: Rua Min. Xavier de Toledo, número 42 – Campo Grande – Santos/SP

ENTRADA GRATUITA!!!

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Branco instante
entre verde e azul:
garça ou pensamento.

Yeda Prates Bernis

[Grécia] Sobre a alteração da lei e a reclassificação da “posse ilegal de armas” como crime grave

Comunicado do Coletivo pelo Anarquismo Social – Preto e Vermelho, membro da Organização Política Anarquista – Federação de Coletivos, sobre a alteração da lei e, especificamente, a reclassificação da “posse ilegal de armas” como crime grave.

A nova emenda sobre a posse de armas de fogo por pessoas e a imposição de penas severas, apresentada pelo governo e aceita com o apoio irrestrito do establishment político, constitui mais um passo na escalada da repressão que o movimento anarquista enfrenta. É uma ferramenta de manipulação, criminalização e extermínio de qualquer voz que ouse questionar a classe dominante, as políticas autoritárias e o sistema perverso que nos oprime diariamente.

Esta emenda não se limita à simples posse de armas, mas visa diretamente criminalizar combatentes e movimentos que resistem ao regime totalitário. Através da ambiguidade e do conceito extremamente amplo de “posse de arma perigosa”, busca-se criminalizar o próprio ato de resistência e autodefesa. Contudo, o elemento mais grave e perigoso desta emenda é a introdução do conceito de posse de arma diferenciada. Com essa brecha na lei, qualquer objeto, mesmo que não seja uma arma no sentido clássico, pode ser considerado uma “arma diferenciada” e acarretar penas mais severas, no contexto de uma manifestação pública. Uma bandeira ou qualquer objeto usado para fins defensivos em uma mobilização antifascista ou de qualquer outra natureza pode ser caracterizado como “arma” pela polícia, resultando em crime. Essa “brecha” legislativa abre espaço para a perseguição e criminalização do movimento e de qualquer manifestante que ouse se defender da violência das forças repressivas.

A acusação de porte ilegal de arma de fogo nada mais é do que uma ferramenta para o extermínio de combatentes. Ela é usada para aterrorizar aqueles que continuam lutando mesmo sob as condições atuais, contra àqueles que não se submetem à opressão e à subjugação. Em essência, essa emenda busca esmagar qualquer um que resista, tornando qualquer forma de resistência defensiva, mesmo a mais pacífica, um crime contra o Estado e o poder.

Não permitiremos que nenhum governo nos imponha as correntes do poder por meio de leis tão ardilosas! O combatente que é forçado a se defender e a defender seus camaradas contra a agressão furiosa do Estado e da polícia não é um criminoso, mas luta pelo direito à vida e à liberdade. Já testemunhamos muitas vezes as ações assassinas da polícia nas ruas, seja figurativa ou literalmente. Todos os meios de autoproteção contra essa escória são necessários e indispensáveis; não há a menor confiança nesses misantropos. O combatente que protege o povo que se manifesta nas ruas está, na verdade, protegendo-o do verdadeiro inimigo perigoso: a polícia e os fascistas que, de mãos dadas, aguardam o momento de um movimento covarde para confrontar o mundo da luta. Correr o risco de ser preso por portar a bandeira ou usá-la para se proteger da violência estatal é um evento absolutamente inédito e um abuso brutal de poder por parte do Estado.

A persistente tentativa de suprimir o movimento revolucionário e o ideal anarquista não nos deterá. Esta emenda nada mais é do que mais um exemplo típico da ditadura moderna da burguesia, que busca suprimir a consciência da sociedade, desmantelar qualquer tentativa de derrubar o sistema capitalista e proteger seu poder.

Por outro lado, a resistência é nosso dever. Como anarquistas, não ficaremos de braços cruzados, não renunciaremos às nossas liberdades. Cada nova lei de repressão é um novo campo de batalha. Não nos esqueçamos de que as guerras são vencidas por aqueles que não têm medo de resistir, que não recuam diante da opressão e não capitulam perante os poderes autoritários. Nosso caminho é inabalável e sem volta.

apo.squathost.com

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A orquídea –
a cada instante
o silêncio é outro.

Constantin Abaluta

[Japão] Filme sobre anarquista tem lançamento 100 anos após a sua morte

Por Hajime Sugita | 09/01/2026

O filme premiado sobre Fumiko Kaneko (1903-1926), anarquista japonesa que morreu na prisão, será lançado em todo o Japão em 28 de fevereiro para comemorar o centenário da sua morte.

“Kaneko Fumiko” ganhou o prêmio de Melhor Diretor na categoria longa-metragem e outros quatro prêmios no New York International Film Awards em setembro passado.

O filme foi dirigido por Sachi Hamano, 77 anos, que lutou contra a discriminação de gênero na sua carreira, com mais de 300 filmes, incluindo pornografia.

“Eu pensei obstinadamente em ressuscitar Fumiko, que lutou sozinha contra uma nação, nos tempos modernos”, disse ela.

Kaneko nasceu em Yokohama e cresceu sem registro familiar, de acordo com “Kaneko Fumiko: Jiko, Tennoseikokka, Chosenjin” (Fumiko Kaneko: Eu, o Estado imperial e os coreanos), escrito por Shoji Yamada, professor emérito da Universidade Rikkyo, e publicado pela Kageshobo Publishing Co.

Abandonada pelos pais, Kaneko foi acolhida por uma família na Península Coreana, onde vivia um parente seu.

Depois de testemunhar o brutal domínio colonial japonês e o movimento de independência coreano, Kaneko começou a criticar fundamentalmente o Estado japonês.

Após regressar ao Japão, foi acusada de conspirar para jogar uma bomba no príncipe herdeiro.

Kaneko foi condenada à morte por traição, juntamente com Pak Yol, com quem vivia.

No entanto, ela não tinha conseguido nenhuma bomba, e o seu plano era inviável.

Um perdão imperial comutou a sua sentença para prisão perpétua, mas ela se suicidou, aos 23 anos de idade, numa prisão na província de Tochigi.

Kaneko era uma anarquista que se opunha ao sistema imperial e defendia que todos os seres humanos eram iguais.

O filme retrata os 121 dias que antecederam a sua morte, com base nas suas anotações na prisão, poemas “tanka” e registros do julgamento.

A própria diretora também tem lutado por igualdade.

Depois de se formar no ensino médio, Hamano mudou-se para Tóquio para se tornar diretora de cinema. Contudo, as produtoras de cinema só aceitavam homens com diploma universitário, como relata a diretora.

Alguns homens até riram das suas ambições “tolas”.

Hamano conseguiu emprego como assistente de direção na indústria de filmes pornográficos, mas ainda era alvo de bullying e assédio.

Começou a usar os óculos escuros característicos, que ela chama de “escudo para se proteger”.

Quando ia filmar cenas nas áreas locais, dormia com uma faca de cozinha debaixo do travesseiro para se proteger.

“Eu não conseguia entender por que as mulheres eram discriminadas a esse ponto”, lembrou Hamano.

Impulsionada pela raiva, continuou a carreira e tornou-se diretora aos 23 anos.

Certa vez, disseram-lhe que o público ficaria desanimado ao ver um nome feminino nos créditos.

Então, removeu o “ko” de seu nome verdadeiro, “Sachiko”. Ao se apresentar como Sachi como diretora, nome que soava mais masculino.

Em vez de retratar as mulheres como “capachos”, a diretora optou por mostrar mulheres autossuficientes, mesmo nos filmes pornográficos.

Hamano chegou a receber uma reclamação de um produtor por retratar uma protagonista feminina que age por iniciativa própria para tirar a roupa.

Os seus filmes regulares nos últimos anos incluem “Em busca de uma escritora perdida: vagando pelo mundo do sétimo sentido”, que apresenta uma lendária escritora.

“Lily Festival”, que enfoca a sexualidade de pessoas mais velhas, ganhou o prêmio Semi-grand prix e outros prêmios no Festival Internacional de Cinema Feminino de Turim.

Questionada sobre por que escolheu Kaneko como tema do seu último filme, Hamano respondeu: “Fumiko se opôs a coisas irracionais e lutou com todas as suas forças. Hoje, as coisas estão sem sentido, quando (os políticos) até mesmo fogem da responsabilidade pela guerra. Quero jogar uma bomba chamada Fumiko nos dias de hoje”.

Hamano não adere ao anarquismo.

Entretanto, afirma: “Fumiko defendia que todas as pessoas eram iguais pelo simples fato de serem humanas. Quero afirmar: ‘Resistam à autoridade e não fiquem em silêncio'”.

“Kaneko Fumiko” será lançado no cinema Eurospace, no distrito de Shibuya, em Tóquio, antes de estrear no Kyoto Cinema, em Kyoto, no Cine Nouveau, em Osaka, e em outros locais.

Fonte: https://www.asahi.com/ajw/articles/16222846

Tradução > CF Puig

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Sobre o monte liso
contra o céu uma só árvore.
Gesto de vitória!

Alexei Bueno

A Última Súplica

Não me falem de um trono nas nuvens vazias,
de um pastor celestial contando seus rebanhos.
Cada altar é uma pedra sobre um peito livre,
cada hino, uma cantiga para adormecer órfãos.
Inventaram um pai perfeito para justificar a culpa,
uma culpa primordial que herdamos sem pecado.
É uma teia fina, Deus, tecida com medo do escuro,
com o pavor ancestral da noite e do silêncio.
Arrancamos esse véu. Não há juízo final,
só a responsagem tremenda e bela
de sermos, enfim, os únicos artesãos do amanhã.
A divindade que buscamos ruge nas mãos unidas,
no pacto humano, nu e cru, sem intermediários.

Liberto Herrera.

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Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai

[Porto Alegre-RS] 28/02 – subMedia e Esp(A)ço apresentam É Revolução ou Morte

Dia 28 de fevereiro, a partir das 18h30, no Esp(a)ço, membros da subMedia apresentam seu documentário É Revolução ou Morte, seguida de roda de conversa.

É Revolução ou morte (2025, 79min) é uma produção idealizada pelo autor anarquista Peter Gelderloos e produzida pelo coletivo anarquista subMedia. O filme expõe os mitos perpetuados pelos Estados e pelas empresas que praticam greenwashing, destaca os movimentos em todo o mundo que resistem aos projetos capitalistas industriais ecocidas e fornece a quem assiste uma estratégia para lutar e se preparar para a crise climática em suas próprias comunidades. Trabalharmos juntys, transformar diferenças em pontos fortes complementares e criar redes diversificadas em todo o mundo nos dá a melhor chance de construir comunidades resilientes, capazes de sobreviver aos eventos climáticos extremos e à escassez de alimentos que as mudanças climáticas já estão começando a nos trazer.

A subMedia é um coletivo anarquista de produção audiovisual com mais de 20 anos de história.

Exibição do documentário É Revolução ou Morte, seguida de roda de conversa. O Esp(a)ço abre às 18h30 e a projeção do documentário começa pontualmente às 19h30.

Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por cometer assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

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Um vira-lata
Na madrugada deserta:
Rua de ninguém.

Maria Angélica Shiotsuki

Lançamento: 24/02 | Anarquismo e Sindicalismo em Santos vol. 1.

Após mais de 20 anos de uma pesquisa-militante, Marcolino Jeremias finalizou o livro Anarquismo e Sindicalismo em Santos vol. 1. O estudo de 416 páginas, divididas em 37 capítulos, conta com uma vasta documentação de textos, fotos, cartas e outras fontes históricas inéditas, abordando a história do movimento social em Santos desde as lutas contra a escravidão até as manifestações operárias.

Para conversar sobre o livro recém publicado, a Biblioteca Terra Livre convida o autor, Marcolino Jeremias, e a historiadora Samanta Colhado Mendes, autora do prefácio, para uma conversa!

Coloca na agenda!

Quando: 24 de fevereiro (terça-feira)

Horário: 19h

Local: YouTube da Biblioteca Terra Livre

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Alma lavada.
Cheiro de terra molhada
Chuva de verão.

Maria Angélica Shiotsuki

[Espanha] Redes de Resposta Rápida: Uma conversa com anarquistas dos EUA sobre a ascensão do fascismo e a resistência contra o ICE

[Madrid] SÁBADO, 21/02/26, 18h – CS LA BRECHA, C/ Picos de Europa, 11 <M> Nueva Numancia

REDES DE RESPOSTA RÁPIDA: CONVERSA COM ANARQUISTAS DOS EUA SOBRE A ASCENSÃO DO FASCISMO GLOBAL E A RESISTÊNCIA CONTRA O ICE (POLÍCIA INTERNACIONAL DE IMIGRAÇÃO).

A situação global e nosso cotidiano estão sendo submetidos a uma ascensão do autoritarismo e do fascismo que cresceu exponencialmente nos últimos anos. O panorama de mudanças políticas que testemunhamos nos obriga a tomar posições claras e decisivas para confrontar o que parece inevitável: um fascismo global com uma agenda altamente coordenada e definida, onde as pessoas mais vulneráveis ​​e aqueles que lutam e se organizam estão na mira.


Como todas essas mudanças e resistências não podem ser relatadas apenas de uma perspectiva pessimista, conversaremos com alguns anarquistas dos EUA para discutir as “Redes de Resposta Rápida” em Minneapolis e outros territórios, criadas para confrontar a polícia do ICE e as políticas anti-imigração, mas também para realizar uma análise mais profunda da situação atual que nos faça refletir sobre nossas possibilidades e potencial em relação ao nosso futuro próximo.

>> Mais infos:

https://sub.media/
@sub.media
https://kolektiva.media/c/submedia_channel/videos
https://kolektiva.social @subMedia
https://es.crimethinc.com 

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sob o último sol,
ave beija a face do lago;
o espelho trêmulo se arrepia.

Alaor Chaves

[Grécia] Greve de fome até a morte em defesa da vida

Mensagem à sociedade, à minha família, aos meus amigos

Meu nome é Aristóteles Chantzis e, como membro e morador da Comunidade de Ocupação Prosfygika, na Avenida Alexandras, declaro-me em greve de fome até a morte, reconhecendo esta ação como um meio de luta para tornar visível uma luta coletiva que visa preservar a Prosfygika, na Avenida Alexandras, como habitação social e como estrutura de solidariedade para grupos sociais vulneráveis, como uma comunidade organizada de luta.

O ataque que enfrentamos faz parte do ataque holístico do Estado e do capitalismo ao mundo da comunidade, da auto-organização, da solidariedade e da resistência social.

A Comunidade de Ocupação Prosfygika nasceu em 2010, época em que a sociedade grega se mobilizava constantemente nas ruas, em assembleias nas praças e em estruturas de solidariedade, buscando uma solução para a vida sob o jugo do regime do Memorando. A Comunidade de Ocupação Prosfygika continua a participar de lutas sociais e de classe.

O Estado, independentemente do governo no poder, planejou o abandono e a degradação de Prosfygika como tática padrão antes da onda de gentrificação. Ao longo dos anos, empregou todos os meios antiéticos para favorecer os interesses de indivíduos, empreiteiras e corporações, e para fortalecer a clientela política de governadores regionais, autoridades municipais e do governo. Se não fosse pela comunidade que cuidou dos prédios de Prosfygika durante todos esses anos, eles já teriam sido demolidos há muito tempo.

A Comunidade de Ocupação de Prosfygika é uma proposta social contra o mundo de solidão, individualismo, insegurança, falta de moradia e assistência médica inadequada ou inexistente imposta a nós pelo Estado e pelo capitalismo. Construímos 22 estruturas de solidariedade para educação, saúde, alimentação, cultura, arte, apoio técnico à moradia, empoderamento e coletivização de mulheres e feminilidades, democratização da família e participação individual em assuntos comuns. Construímos relações de confiança, segurança, amizade e solidariedade com nossos semelhantes. Essas relações e estruturas não se limitam a certos membros, mas constituem nossa proposta social para toda a sociedade. Operamos democraticamente por meio de assembleias gerais semanais e conferências plenárias.

Nosso objetivo é solucionar problemas sociais. Nosso objetivo é criar uma comunidade e estruturas de solidariedade que apoiem os grupos sociais vulneráveis.

Por meio desta greve de fome, convido vocês a conhecerem esta comunidade, suas redes de solidariedade e seus habitantes, a nos conhecerem, a expandirem nossa comunidade, a unirem nossas vozes, nossas angústias sobre a vida e nossas lutas!

Sobre a greve de fome até a morte:

Como Comunidade de Ocupação Prosfygika, decidimos defender nossa proposta social, as pessoas, as estruturas e a memória histórica de Prosfygika até o fim. É nossa decisão clara e nossa responsabilidade dar até mesmo nossas vidas pela continuidade da vida. Porque sabemos que, se Prosfygika for evacuada, muitos de nós acabaremos nas ruas. Os idosos e os doentes morrerão nas ruas, e as crianças perderão suas casas e escolas, com consequências incalculáveis​​para sua saúde física e mental e para o rumo de suas vidas. Com base nesta decisão coletiva de nos defendermos, decidi voluntariamente declarar uma greve de fome até a morte, com o máximo respeito à vida.

O método que escolhi permite que o grevista realize uma greve de fome prolongada, proporcionando assim tempo suficiente para comunicar suas reivindicações à sociedade. É claro que estou ciente de que posso sofrer complicações de saúde desde os primeiros dias e durante toda a greve, não tanto pela inanição, mas sim por parada cardíaca. Sei também que, mesmo que o resultado seja positivo, a inanição crônica pode causar danos irreparáveis, principalmente ao sistema nervoso, mesmo durante a recuperação.

Minha dieta inclui:

Água, chá, 10 a 25 gramas de açúcar por dia, 1 a 1,5 colheres de chá de sal por dia, vitaminas B1, B6, B12, magnésio e potássio.

As reivindicações desta greve de fome são:

• CANCELAMENTO IMEDIATO DO CONTRATO PELA REGIÃO DE ÁTICA.
• TODOS OS MORADORES DE PROSFYGIKA DEVEM PERMANECER EM SUAS CASAS, NO LOCAL E NA ÁREA ONDE MORARAM E ONDE ESTABELECERAM VÍNCULOS SOCIAIS, CULTURAIS E ORGÂNICOS.
• GARANTIAS CONCRETAS PARA A RESTAURAÇÃO DE PROSFYGIKA PELA ONG DE DIREITO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS “KATOIKOI KAI FILOI PROSFYGIKON L. ALEXANDRAS”, COM SEU PRÓPRIO FINANCIAMENTO! – NENHUM FUNDO PÚBLICO DEVE SER USADO PARA A “REABILITAÇÃO” DE PROSFYGIKA!


Aristotelis Chantzis

Membro e residente da Comunidade de Ocupantes de Prosfygika, L. Alexandras

05/02/2026
 
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Havia o escuro
mas eu não sabia onde;
teu rosto era sol.
 
Eolo Yberê Libera

[França] Novas imagens e uma testemunha comprovam que foram os fascistas que organizaram uma emboscada em Lyon

Fascistas encapuzados e armados com barras de metal e fogos de artifício atacaram os antifascistas. O jovem falecido fazia parte dos agressores e recusou ser atendido pelos serviços médicos após a briga.

Quatro dias após os incidentes em Lyon, que custaram a vida ao jovem fascista Quentin Deranque, de 23 anos, novas provas desmentem graficamente a versão divulgada pela mídia e assumida pelo Ministério Público. Uma testemunha ocular e um vídeo exclusivo divulgado pela Contre Attaque revelam que foi um grupo de cerca de vinte fascistas encapuzados e armados com barras de metal, muletas, fogos de artifício e gases que emboscou e atacou um grupo de antifascistas no cruzamento da rua Victor Lagrange. As imagens mostram os fascistas claramente organizados, equipados para o combate, enquanto o relato oficial os apresentava como “vítimas indefesas de uma agressão gratuita”.

A testemunha, que presenciou os fatos, descreve como os fascistas estavam “posicionados nas duas esquinas da rua, armados e encapuzados”. “Eram cerca de vinte e carregavam capacetes de motocicleta, muletas, guarda-chuvas e gases. Usaram uma bengala incandescente para queimar seus adversários”, relata. Este extremo coincide com o testemunho de uma vizinha recolhido pelo Mediapart, que mencionou o lançamento de um “fumígeno” durante a briga. A confusão durou mais de cinco minutos e deixou vários feridos entre os antifascistas antes que os gritos dos transeuntes dispersassem os grupos.

De acordo com a France Info, um vizinho revelou que Quentin Deranque, em vez de ser uma “vítima inocente atacada de surpresa”, como a extrema direita tenta apresentá-lo, fazia parte do grupo agressor e, após a briga, recusou-se a ser atendido pelos serviços médicos. Este detalhe crucial, sistematicamente omitido pela imprensa, contradiz a narrativa construída nos últimos dias que apresentava o jovem como um “católico, amante da filosofia e não violento assassinado a sangue frio pelos antifascistas”. A promotoria de Lyon, a classe política de esquerda e direita e os principais meios de comunicação repetiram sem nuances essa versão, contribuindo para uma campanha de criminalização do antifascismo militante.

A revelação de que os fascistas agiram como um grupo organizado e armado com armas brancas, e não como “vítimas indefesas”, inverte completamente a interpretação política dos fatos. Enquanto o fascismo e seus porta-vozes na mídia exigem medidas excepcionais contra os antifascistas e anunciam uma repressão nas ruas, verifica-se que os verdadeiros responsáveis pela escalada violenta eram aqueles que agora se apresentam como “mártires”.

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chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

[México] Depois de mais de dez anos de perseguição política, esta sexta-feira Miguel Peralta pode obter sua liberdade plena

Por Isabel Ortega | 18/02/2026

Miguel Peralta Betanzos, defensor da autonomia e do território mazateco em Oaxaca, se encontra a espera da resolução que anule ou ratifique a sentença condenatória de 50 anos que foi imposta a ele em 2022, após ter ganhado sua liberdade depois de quatro anos de encarceramento. Esta sexta-feira, 20 de fevereiro, o Primeiro Tribunal Colegiado em Matéria Penal e do Trabalho do Décimo Terceiro Circuito decidirá se põe fim a mais de uma década de perseguição sobre Miguel. 

Miguel é originário de Eloxochitlán de Flores Magón, comunidade mazateca que desde a mais de dez anos tem sido cenário do abuso de poder e do despojo por parte de um grupo caciquil. Miguel tem sido parte de uma luta com raízes históricas contra o autoritarismo e o cacicaço, assim como pela defesa do território e da autonomia de sua comunidade. A comunidade também luta contra a devastação do rio Xangá Ndá Ge, que tem sido explorado pelo cacique Manuel Zepeda Cortés através da extração de materiais pétreos para construção.

Por esta luta Miguel foi encarcerado em 2015 e passou mais quatro anos na prisão. Em 2018 foi condenado a 50 anos de prisão. Em outubro de 2019, resultado da luta de sua família e grupo de apoio, foi absolvido de todas as acusações e liberado. No entanto, em março de 2022, sua liberdade foi revogada e foi sentenciado de novo a uma pena de 50 anos de encarceramento. Desde então teve que abandonar sua comunidade e seguir lutando por sua liberdade sendo deslocado.

A resolução que acontecerá nesta sexta-feira é resultado desta luta de Miguel e das pessoas que o acompanham pelo fim da perseguição política e pela liberdade plena. Trata-se da resolução de um julgamento de amparo direto do que depende que a sentença de 50 anos, ao qual foi condenado Miguel em 2022, seja anulada e lhe devolvam a liberdade plena ou, no caso contrário, seja ratificada. Os encarregados de votar esta resolução são o magistrado Víctor Hugo Cortés Sibaja, o magistrado recentemente eleito Jassiel Reyes Loaeza e o secretário em funções de magistrado Carlos Abel de los Santos.

Em conferência de imprensa, esta terça-feira, 17 de fevereiro, Miguel afirmou que este é um momento muito crucial, e muito forte para ele. “Sempre lutamos contra o racismo institucional, a justiça pronta e expedita da qual se jactam não existe para ninguém dos povos indígenas, ou para os que lutam pela defesa do território. Agora estamos em um momento muito crucial, muito forte para mim também porque sou a única pessoa de minha comunidade, e de todos os que fomos processados, que pois já e a terceira vez que me condenam. Mas sabemos que nos assiste a razão e agora temos mais ferramentas”, afirma Miguel Peralta.

Por instrução da Suprema Corte da Nação, que já atendeu o caso, o Primeiro Tribunal Colegiado tem a obrigação de discutir esta falha desde uma perspectiva intercultural, quer dizer, considerando diversos aspectos culturais, políticos e identitários da comunidade mazateca de Eloxochitlán. Neste sentido, além de todas as inconsistências no caso, que apontam para a fabricação de um delito, o Tribunal tem como novas provas, para esta resolução, o resultado de duas perícias antropológicas de contexto, uma realizada por um perito designado pelo mesmo tribunal e outro que foi levado por uma perita independente.

De acordo com as declarações de Araceli Olivos, advogada da defesa de Miguel, o resultado de ambas as perícias coincide quando afirmam que em Eloxochitlán existe um cacicaço arraigado, pelo que existiram múltiplas violações aos direitos humanos das populações, e uma evidente assimetria de poder entre os que se posicionaram como vítimas ante as instituições de justiça e a população que sofreu violência sistemática e perseguição penal por mais de uma década. Neste sentido, as perícias também demonstraram que as instituições de justiça ignoraram sistematicamente as violências sofridas pelas famílias mazatecas de Eloxochitlán por parte do grupo caciquil.

“Este tribunal tem em suas mãos a certeza de que Miguel é inocente, a certeza de que as nomeadas vítimas no expediente estão fazendo um uso abusivo do sistema de justiça penal aproveitando seus vínculos com o poder”, afirma a advogada Araceli Olivos. 

Para a defensora, isto representa um divisor de águas, o Tribunal tem a oportunidade de atuar desde a justiça para a comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón, ou continuar com o racismo institucional que caracterizou a perseguição contra Miguel Peralta e dezenas de famílias nesta comunidade. 

Por sua parte, a senhora Martha Betanzos, mãe de Miguel, chama à solidariedade de coletivos e pessoas solidárias para que não lhes deixem sós nestes momentos de espera, e os acompanhem às instalações do Tribunal para exigir a liberdade plena de Miguel Peralta.

“Minha comunidade está em espera da liberdade de Miguel. A assembleia das mulheres mazatecas também estará presente no dia de sexta-feira no tribunal. Oxalá todos que nos escutam possam acompanhar-nos, temos que trazer a liberdade plena e absoluta de Miguel”, solicita a senhora Martha.

O grupo de apoio a Miguel Peralta também convoca a pessoas e coletivos a ir ao Primeiro Tribunal Colegiado em Matéria Penal e do Trabalho do Décimo Terceiro Circuito, situado em San Bartololo Coyotepec, Oaxaca, às 10 da manhã do dia de sexta-feira, 20 de fevereiro, para exigir a liberdade plena do defensor mazateco, assim como a estar aguardando a decisão e manifestar sua solidariedade por todas as vias possíveis.

avispa.org

Tradução > Sol de Abril

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quarto escuro
silhuetas se amam
pecado puro

Carlos Seabra

[Grécia] Declaração do grupo anarquista Rouvikonas em Atenas: “Apoio ao movimento antifascista ameaçado na França”

Na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, na França, fascistas tentaram interromper um evento que denunciava o genocídio em Gaza. Como costuma acontecer, esses confrontos ocorreram em Lyon, cidade onde organizações fascistas e neonazistas vêm causando sérios problemas em diversos bairros há anos. Mas desta vez, não foi um migrante, um homossexual ou um antifascista que foi morto, e sim alguém do lado oposto. Este homem acaba de falecer no hospital em decorrência dos ferimentos.

Embora numerosos ativistas de extrema-direita tenham cometido assassinatos e atos de violência racista e homofóbica nos últimos anos, o Estado francês não dissolveu o Rassemblement National (“Reagrupamento Nacional”). O capitalismo precisa do fascismo. Especialmente quando está em crise.

Contudo, quando, excepcionalmente, o falecido está do lado oposto, políticos e meios de comunicação franceses imediatamente exigem a dissolução de grupos antifascistas. Chamam-nos de monstros, embora sejam eles que tenham semeado o ódio aos estrangeiros: nos seus programas de televisão e nos seus comícios políticos. Alguns chegam agora a querer classificar os grupos antifascistas franceses como organizações terroristas, tal como Trump nos EUA e Orbán na Hungria.

Jamais nos esqueçamos de que, quando o fascismo toma o poder, ele nunca se declara fascista; não diz “Eu sou fascista”. Em vez disso, é reconhecível pelo tratamento que dispensa aos antifascistas e a todos aqueles que se opõem à sua agenda política e social. Estamos vendo isso também na Grécia. Aqui também, as autoridades estão tentando criminalizar o movimento social, fabricando uma narrativa absurda contra nós, mesmo enquanto defendemos a liberdade, a igualdade e a solidariedade.

Há mais de dez anos, o movimento antifascista na França participa de inúmeras ações em apoio às nossas lutas na Grécia: ações de solidariedade, manifestações em frente aos consulados gregos e à embaixada na França, mensagens de apoio e comboios para a Grécia para nos ajudar no bairro de Exarchia e em outros locais. Para nós, a solidariedade não conhece fronteiras. E funciona nos dois sentidos.

Apesar da ascensão do totalitarismo em nível internacional, nossa luta contra o fascismo, o capitalismo e o Estado continua. Nem tudo está perdido. O fascismo não é inevitável, nem na França, nem na Grécia, nem em lugar nenhum.

Solidariedade aos antifascistas na França, que são mais uma vez vítimas de repressão e ameaçados de criminalização e descrédito pelo Estado e pelos fascistas.

Rouvikonas

Atenas, 16 de fevereiro de 2026

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O sol brilha
Nas vigas da ponte –
Névoa da tarde.

Hokushi

[Itália] Uma nova casa para a FAT!

Todos conhecem a sede anarquista da Corso Palermo 46. Estamos lá desde o distante ano de 1982. Um lugar de encontro entre companheiros e companheiras que compartilham a perspectiva de um mundo de livres e iguais, sem Estados, fronteiras, opressão e exploração.

Naquele porão, durante décadas, houve noites de debate, apresentações de livros e uma sociabilidade livre.

Naquele lugar, construímos iniciativas de luta. Antimilitaristas, anticapitalistas, antissexistas, ecologistas, antirracistas.

Para nós, um lugar do coração.

O dono do imóvel decidiu triplicar nosso aluguel. Somos trabalhadores, estudantes, desempregados, aposentados, precários. Sempre tiramos do nosso próprio bolso para que houvesse um lugar que acolhesse encontros, debates, reuniões, festas, autoproduções.

Não somos capazes e nem queremos pagar quem acredita poder se aproveitar da nova Aurora gentrificada.

Escolhemos lançar o coração além do obstáculo.

É hora de abrir uma nova casa, ainda mais bonita.

Mas.

Sozinhos, não conseguiremos comprar o lugar que gostaríamos.

Muitas vezes sentimos fortemente o calor da solidariedade de vocês diante da repressão e no apoio às lutas.

Quem quiser contribuir pode passar aqui ou enviar o dinheiro para:

IBAN IT04 I010 0501 0070 0000 0003 862 em nome de Emilio Penna

Queremos voltar a ver as estrelas…

As companheiras e os companheiros da Federação Anarquista Turinesa

Fonte: https://www.anarresinfo.org/una-nuova-casa-per-la-fat/  

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr

Carlos Seabra

[Indonésia] Atualizações sobre os julgamentos de presos políticos/anarquistas em Bandung

Em 2 de fevereiro, o grupo de caça cibernética foi julgado no Tribunal Distrital de Bandung. Nove camaradas — Arfa, Azriel, Deni, Muhibuddin, Moch Sidik, Rifa Rahnabilla, Rifal, Rizky e Yusuf — foram considerados culpados e condenados a 6 meses de prisão, com o tempo já cumprido levado em consideração pelos juízes.

Então, em 12 de fevereiro, os companheiros do grupo de caça aos administradores — Komar, Abul e Dana (Black Bloc Zone) — também foram julgados no Tribunal Distrital de Bandung. Eles foram considerados culpados e condenados a 6 meses de prisão, com o tempo já cumprido levado em consideração pelos juízes.

Forneceremos uma atualização sobre o grupo de caça à expressão política (Caso Chaos Star) assim que suas sentenças e veredictos forem finalizados.

Ninguém é livre até que todos sejam livres.

GOING UNDERGROUND/F.A.A.F

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/02/13/trial-updates-of-political-anarchist-prisoners-in-bandung-indonesia /

Tradução > Reno Moedor

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/09/indonesia-caso-estrela-do-caos-o-companheiro-anarquista-eat-fica-em-prisao-domiciliar/

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outrarte
o ouro esboço
do crepúsculo

Guimarães Rosa