[Espanha] 19 de julho, 90 anos da utopia vivida

Apesar de todos os contratempos e erros, a revolução espanhola teve o mérito de se concretizar. A obra revolucionária das coletivizações será sua marca indelével no espaço e no tempo.

José Peirats.

O golpe de Estado de 17-18 de julho de 1936 e a guerra que se prolongou oficialmente até 1º de abril de 1939 constituem um dos fatos mais reinterpretados da história da Espanha, se nos limitarmos à questão puramente bélica. Mas, se falarmos do processo revolucionário que surgiu e acompanhou todo o conflito, o silêncio se impõe de tal forma que, noventa anos depois, ele continua sendo desconhecido para uma imensa maioria.

Em 19 de julho de 1936, poucas horas após a revolta militar, as trabalhadoras e os trabalhadores das organizações operárias saíram às ruas de Barcelona e de outras capitais provinciais, mas também em muitas cidades e vilas da Espanha, para impedir o golpe militar. Sua determinação frustrou, a princípio, as intenções criminosas de um exército experiente nas guerras coloniais do Rif e do norte da África.

Não se deve esquecer que o golpe de Estado foi uma conspiração militar e política promovida pelas classes privilegiadas: a oligarquia econômica e aristocrática — grandes empresários, rentistas, latifundiários e grandes proprietários de terras —, a elite da Igreja Católica e a direita política mais reacionária. E que contou com o apoio dos regimes fascista italiano e nazista alemão, uma ajuda que chegou muito antes do início do golpe de Estado; com grandes somas de dinheiro, material de guerra, além de assessoria militar e dos serviços de inteligência.

Hoje continuamos relembrando os heroicos acontecimentos insurrecionais que conseguiram colocar de joelhos todo um exército bem armado, mas também a Revolução Social que o povo trabalhador protagonizou a partir de então. O que aconteceu na Espanha daqueles anos representa uma das maiores conquistas sociais da história recente. Naquele breve período, e em plena guerra, desenvolveram-se muitas das fórmulas organizacionais e econômicas promulgadas pelo anarquismo e pelo anarcossindicalismo.

Em grande parte do território leal à República — em cidades como Barcelona, Madri e Valência, em municípios de médio porte, mas também em vastas áreas rurais de Aragão, Castela, Catalunha e Levante —, as instituições do Estado foram tomadas; prefeituras e governos regionais, bem como as forças armadas e o próprio exército, ficaram subordinados à vontade popular. Foram organizadas Colunas de milicianos, com trabalhadores voluntários — embrião do Exército Popular da República —, que conseguiram deter o avanço do exército fascista, definindo e delimitando as diferentes frentes de guerra.

Surgiram organismos revolucionários como os Comitês Revolucionários Locais, inicialmente, e depois os Conselhos Municipais. Em nível regional, foram criadas estruturas maiores, como o Comitê de Milícias da Catalunha ou o Conselho de Aragão, entre outras. Os meios de produção foram socializados, a propriedade da terra foi coletivizada, assim como a indústria: fábricas, oficinas etc. A economia ficou sob controle dos trabalhadores. A experiência organizacional, proveniente em grande parte do Movimento Libertário, contribuiu para realizar grandes transformações sociais, dando prioridade aos escassos serviços de saúde e ao acolhimento social de idosos, órfãos e refugiados de guerra. Vale destacar que tudo o que se relacionava à cultura recebeu atenção especial da Revolução, com prioridade para a educação; deu-se impulso à frágil infraestrutura criada recentemente pela República, além de se organizar um sistema educacional próprio, criando escolas onde elas eram inexistentes. O cinema e o teatro também receberam grande atenção, favorecendo a chegada dessas artes às zonas rurais e aos vilarejos mais remotos, além de toda uma rede de bibliotecas públicas, como a que foi criada em Fraga, a primeira na história da cidade.

Por essa razão, nós, do Movimento Libertário, sempre mantivemos viva a memória, insistindo na lembrança da Revolução Social de 19 de julho de 1936; alguns de nós fazemos isso longe da autocomplacência e de qualquer dogma. Estudamos seus acertos e erros; aprendemos com o que a classe trabalhadora é capaz de alcançar quando toma consciência e se organiza; quando o faz pelo bem comum, à margem de qualquer estrutura de poder e questionando as decisões das burocracias e dos líderes improvisados.

O anarquismo está profundamente enraizado na Espanha. O orgulho e a resistência são valores próprios do nosso povo. Entre nós, a anarquia é uma atitude natural que nasce da rebeldia contra a injustiça. Não é uma teoria. O ser humano, em qualquer época, sempre terá esse espírito de rebeldia. Abel Paz

Das Terras Baixas do Cinca

Fraga, 14 de julho de 2026

Centro de Estudos Libertários José Alberola

centrodeestudioslibertariosjalberola.blogspot.com

agência de notícias anarquistas-ana

Beira do lago
A mãe ganso e filhotes
Passeiam sem pressa.

Bruno Cercounei – 8 anos

[Grécia] Tirem as mãos de nossos companheirxs | Caso Banco Marfin

Em 5 de maio de 2010, durante uma manifestação multitudinária em Atenas contra as medidas de austeridade, a agência do banco Marfin foi incendiada após o lançamento de artefatos incendiários. Três trabalhadores, que estavam dentro do edifício, morreram como consequência do incêndio. O caso provocou uma profunda comoção na sociedade grega e continua sendo um dos episódios mais trágicos e controversos daquele período. Dezesseis anos após os acontecimentos de Marfin, várias pessoas estão sendo processadas com base em um e-mail anônimo. Este caso levanta sérias dúvidas sobre as garantias do Estado de Direito, especialmente quando a acusação se apoia em uma prova cuja credibilidade foi amplamente questionada. Entre outros elementos, o próprio e-mail apontava como autor dos fatos uma pessoa que, naquela data, estava presa, o que põe em xeque a confiabilidade de seu conteúdo e a solidez das acusações dele derivadas. Em 2011, iniciou-se a primeira investigação a partir de uma nota anônima. Três pessoas foram acusadas; duas foram excluídas do processo em uma fase inicial e a terceira foi finalmente absolvida por unanimidade. Em 2020, uma segunda investigação foi aberta após uma chamada telefônica anônima que apontava outras pessoas como supostos autores. Após uma ampla investigação policial, o caso foi arquivado sem resultados.

A MANOBRA ESTATAL NÃO PASSARÁ. TIREM AS MÃOS DE NOSSOS COMPANHEIRXS

O 5 de maio de 2010 ficou gravado na memória coletiva como um dia de rebelião social generalizada, um dia que condensa uma enorme onda de resistência e questionamento ao regime do memorando. É o dia em que os caciques políticos e econômicos, o Estado e o capital, tentaram erguer uma lápide e apagá-lo da memória histórica do movimento. Dezesseis anos depois, a quadrilha estatal de pessoas impenitentes tira da gaveta um caso judicial (que terminou com a condenação da patronal do banco), iniciando outra caça às bruxas. Aproveitando-se da situação atual, de forma seletiva e hipócrita, após os recentes acontecimentos de Tessalônica [caso de artefatos explosivos com a morte da mãe de uma política do partido Nova Democracia], tenta conciliar fatos desconexos – separados por dezesseis anos – com o denominador comum da ação anarquista. Assim, em 10/07, começa outro pogrom, com buscas e apreensões nas casas dos companheiros, detendo dois deles, enquanto é emitido um mandado de prisão contra outra pessoa que mora no exterior há anos. Retomam o discurso do terrorismo, com o objetivo de mudar a agenda, após as consultas governamentais para eleições antecipadas, numa tentativa de desorientar a sociedade. Falam do valor da vida humana. Mas, afinal, todas as vidas valem o mesmo?

Ao mesmo tempo, um jovem de 20 anos é declarado com morte cerebral por disparos da ELAS [Polícia Grega] após uma perseguição [um jovem de 20 anos diagnosticado com autismo foi assassinado pela polícia após não parar numa blitz], enquanto 11 trabalhadores são hospitalizados com queimaduras graves, 3 deles intubados após uma explosão numa indústria de Aspropyrgos [subúrbio de Atenas]. Dois episódios a mais de uma guerra social e de classes encarniçada. Dois casos a mais na longa lista de violência do Estado e dos patrões. A violência assimétrica de um sistema que, por mais que proclame defender a vida, na verdade propaga a exclusão e a marginalização, a miséria e a exploração, a imigração e os refugiados, a guerra e a morte ao longo do tempo.

E a verdade é que, olhando para trás, a lista é pesada: desde os trabalhadores da VIOLANDA assassinados [cinco mortos em incêndio de fábrica de biscoitos], os 57 assassinados em Tempe [“acidente” ferroviário – crime estatal na Tessália], os mais de 500 (será que, quantos e quantas foram?) nos restos do naufrágio de Pilos, as centenas assassinadas em acidentes industriais só no último ano. E olhando a lista, a lista é avassaladora… Como compensar os milhares de assassinados no genocídio que está ocorrendo na Palestina, os assassinados pelas guerras que ensanguentaram mais uma vez o mapa da vizinhança? Isso não é possível. Não nos acostumaremos com a morte.

Por mais lágrimas de crocodilo que derramem, não conseguirão lavar o sangue de seus crimes. Por muitos encarceramentos, conspirações, torturas e represálias estatais que desencadeiem contra o movimento e os combatentes, a vida e a resistência continuarão pulsando nas lutas sociais e de classe de cada época, em cada continente. É nessas lutas que a sociedade ainda permanece viva, de pé diante dessa distopia.

Ouvimos muito durante tantos dias. Devemos erguer a voz também. Diante da monotonia da propaganda estatal e da imundície de seus capangas, somos nós quem melhor podemos falar sobre a trajetória política de nossos companheirxs. Uma trajetória rica em lutas coletivas e ações desinteressadas para derrubar a barbárie do capitalismo de Estado: lutas estudantis contra a lei Arsenis, mobilizações contra a guerra do Iraque, o movimento estudantil de 2006-2007, projetos de ocupação e ação política nos bairros, lutas pela defesa da natureza, organização e reivindicações trabalhistas. Pertencemos à mesma geração política, crescemos juntos e não desejávamos nos tornar nem chefes nem mimados, nem dirigentes de partido. Nem por um instante aceitamos nossa condenação a uma vida de austeridade imposta para os de baixo, com o fim de que uns poucos se enriquecessem. Nesse caminho, nos encontramos juntos inúmeras vezes, e uma delas foi o levante massivo de meio milhão de manifestantes no centro de Atenas em 5 de maio de 2010, contra a imposição de seus memorandos antissociais.

Apoiamos incondicionalmente nossos amigxs e companheirxs, que têm nome e trajetória, vida e sonhos, e que foram nossos valiosos companheirxs em todos os momentos. Uma vida inspirada nos valores de solidariedade, resistência e auto-organização, dos quais nos orgulhamos, assim como nossos companheirxs. A ética, o espírito de luta e a constituição política do nosso povo ficam completamente desacreditados com as acusações que lhes são imputadas e que os vinculam à indiferença pelo valor da vida humana.

Aqueles que se atreveram a perturbar e aterrorizar as famílias de nossos companheirxs pagarão por isso. O governo e os meios de comunicação corruptos que tentam impor sua agenda pré-eleitoral de lei e ordem sobre a vida de nossos companheirxs, sobre a criminalização de todo um movimento de resistência, serão derrotados.

Pertencemos ao movimento que pagou um alto preço por sua decisão de persistir, resistir, lutar e combater: detenções preventivas incríveis de 18 meses, longos períodos de reféns e encarceramentos, tortura e perseguição, até mesmo com o sangue de nossos companheirxs. Nossas contas com o sistema de injustiça e barbárie continuam em aberto.

Fomos, somos e continuaremos sendo um espinho cravado em todo poder.

SÓ RESISTINDO, LUTANDO E LUTANDO PODERÁS TER ESPERANÇA

Anarquistas e companheirxs dos acusados em mais uma conspiração estatal.

Fonte: https://alasbarracidas.org/noticias/node/59215

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/12/17/grecia-desmascarar-a-montagem-estatal-contra-o-anarquista-thodoris-sipsas/


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/11/30/grecia-atenas-solidariedade-com-thodoris-sipsas-acusado-do-incendio-da-sucursal-do-banco-marfin/

agência de notícias anarquistas-ana

Forte ventania
na janela da escola.
Param as conversas.

Livia Antônio da Rocha – 9 anos

[Itália] Espanha ‘36 a utopia se faz história

Noventa anos atrás, aquela experiência única representada pela revolução espanhola tornou possível que operários, mulheres, camponeses e proletários tomassem as rédeas de suas próprias vidas, combatessem o fascismo e esvaziassem de significado o pálido reformismo da República, fazendo vislumbrar a brilhante realidade da solução libertária, tornando concreta a utopia. Tudo isso foi possível porque as forças verdadeiramente revolucionárias do anarquismo social estavam poderosamente organizadas na Federación Anarquista Ibérica, e estavam em profunda sintonia com o proletariado, organizado em sua maior parte na Confederación Nacional del Trabajo, expressão direta de um mundo concretamente alternativo ao capitalista. A relação entre FAI e CNT baseava-se no dualismo organizativo entre organização específica e organização de massa que, de Bakunin a Malatesta, é um dos traços característicos do anarquismo social.

Vivemos tempos diferentes, mas ainda hoje os anarquistas estão presentes nas lutas, ao lado dos explorados, daqueles que sofrem com a chantagem, a miséria, a repressão. Nossa perspectiva permanece intacta. Cabe a nós comunicá-la com eficácia, dialogar com as lutas, imprimir radicalidade às reivindicações, alimentar as esperanças de uma mudança real e profunda. Tivemos a revolução em nossas mãos, vimos um ideal se realizar. Se aconteceu, significa que é possível. Se é possível, significa que é preciso criar as condições para que o que é possível se torne realidade. Com a solidariedade, com o trabalho de massa, com o fortalecimento de nossos instrumentos organizativos. Para romper as trevas da exploração, da opressão, da guerra. Para que haja um longo verão da anarquia.

Bom verão.

A Redação do Umanità Nova

Fonte: https://umanitanova.org/spagna-36-lutopia-si-fa-storia/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Poça de água
Banho do canarinho
Perto da janela.

Eliton Lucas Wagner – 10 anos

[Espanha] Apresentação do álbum “19 de julho. Espanha” e visita guiada à exposição “A chama, sempre viva, da Revolução Social”

No próximo domingo, 19 de julho, às 12h, será apresentada na sede madrilenha da Fundação Anselmo Lorenzo a edição fac-símile do álbum “19 de julho. Espanha”, publicado originalmente pelas Oficinas de Propaganda da CNT-FAI poucos meses após a derrota da revolta militar em Barcelona.


Após o término da apresentação, por volta das 13h, será realizada uma visita guiada à exposição “A chama, sempre viva, da Revolução Social”; exposição comemorativa do 90º aniversário da Revolução Espanhola (aberta ao público apenas até 20 de julho).


Após a visita guiada, desfrutaremos de um lanchinho na área do bar da Fundação, com o qual celebraremos de maneira descontraída a recuperação desta pequena joia das artes gráficas anarquistas.


***


Para o movimento libertário, poucas datas têm um significado tão especial quanto o dia 19 de julho. Exatamente nesse dia, em 1936, o povo de Barcelona derrotou os golpistas em sua cidade, comemorando uma vitória que abria um horizonte de possibilidades infinitas. Essa mesma vitória se repetiu em outras cidades e vilas onde o fascismo não triunfou de imediato.


Apenas alguns meses depois, as Oficinas de Propaganda da CNT-FAI apresentaram ao público um álbum fotográfico, intitulado “19 de julho de 1936. Espanha”, que registrava a efêmera vitória do proletariado. O livro, que pode ser lido como uma crônica gráfica dos primeiros meses de guerra e revolução, combina fotografias — algumas delas tiradas por Margaret Michaelis (1902-1985) ou Antoni Campañà (1906-1989) — e textos em cinco idiomas: espanhol, francês, inglês, alemão e sueco.


Em 2026, a Fundação Anselmo Lorenzo (FAL), fundação cultural e centro documental da Confederação Nacional do Trabalho (CNT), relança o álbum e o disponibiliza a todo o público interessado. Sem dúvida alguma, trata-se de uma joia das artes gráficas — operárias e anarquistas — que volta a ver a luz no 90º aniversário da Revolução Social.


fal.cnt.es


Conteúdo relacionado:


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/07/15/espanha-90-anos-da-revolucao-social-2/


agência de notícias anarquistas-ana


De papel de seda
Vai subindo, vai subindo
O meu balãozinho.


Jennifer Codognos – 10 anos

[Chile] Jornada: Fumiko Kaneko – 100 anos desde seu fogo

A memória anárquica é teimosa e inquieta, impossível de ser confinada justamente porque nossa memória negra visa destruir todas as jaulas, inclusive aquelas nas quais caímos por inércia. Mas, como todas as nossas práticas exercitam a memória, esta, tal como um músculo fortalecido, é capaz de atravessar cem anos, um oceano e uma infinidade de diferenças culturais para alcançar ambientes e companheiros que nem mesmo o manto do tempo é capaz de ocultar.


Há um século, em um território assolado pela invasão da industrialização, uma companheira niilista decidiu seu próprio destino em uma cela do Império Japonês. Essa companheira, Fumiko Kaneko, desde criança foi assediada por diferentes manifestações do poder: sua família a expôs a diversas humilhações, seu pai se recusou a reconhecê-la legalmente numa época em que a validação era tudo, e uma sociedade inteira a relegava a um papel servil e desprezível por ser mulher. Apesar de estar tomada pela raiva e pela frustração, ela soube navegar por esse mar até encontrar as afinidades que a equipariam com o necessário para enfrentar um mundo incompatível com ela.


Em 1923, ela foi acusada, juntamente com seu companheiro, o anarquista coreano Pak Yol, de ter conspirado para atacar a família imperial com bombas caseiras. Após serem condenados à morte sob a acusação de “alta traição”, receberam um perdão imperial que converteu sua pena em prisão perpétua. Fumiko rasgou o perdão em pedaços e, como último ato de resistência, se enforcou na cela que não conseguiu contê-la.


Em homenagem a Fumiko Kaneko, a Luisa Toledo e a todos aqueles que decidiram seu próprio destino, navegando pela vida ou pondo fim a ela… Tempestade, vento e fogo, insubordinação e guerra total contra toda forma de exploração!


Domingo, 19/07/26
Exibição do filme “Anarchist from Colony”


Domingo, 26/07/26
Exposição de fotos e artes gráficas: Anarquismo no Japão
Afinidades do Dragão Negro
Apresentação de textos e bate-papo
Refeição: Veggie Ramyun mutante
17h (pontualmente) | Arrecadação de doações para presos | Endereço por e-mail (Santiago)


CONVOCA:

Biblioteca Anárquica Nihil Sebastián Oversluij Seguel
biblioangryantiso@riseup.net / biblioangry.noblogs.org


Conteúdo relacionado:


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/23/japao-filme-sobre-anarquista-tem-lancamento-100-anos-apos-a-sua-morte/


agência de notícias anarquistas-ana


Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho


Matsuo Bashô

[Chile] Aniversário de nascimento de Emilia Milen 1995-2021

Há 31 anos, num dia como hoje, nasceu nossa companheira Bau; nós a lembramos, honramos e reivindicamos sua trajetória em defesa da terra, das águas, das pessoas e dos animais.


Já se passaram cinco anos desde seu assassinato e continuamos celebrando sua existência rebelde, anarquista, guerrilheira e combativa. Nunca a partir de uma postura de mártir, pois ela, com lucidez, mantinha-se em guerra constante contra esse sistema patriarcal, capitalista e antropocêntrico; sabia das consequências de se posicionar, de agir. Por isso mesmo, era muito estudiosa, disciplinada e perseverante. Também coletivista, ela sempre buscou, apesar de suas próprias decisões, construir uma comunidade marica e, em seus últimos anos, uma comunidade em torno do kimun ancestral mapuche.


Sua vida, como a de muitos que trilham o caminho da luta, permaneceu em risco até o dia de sua morte. E não apenas por reivindicar e revitalizar o kimun mapuche, mas também por ser uma mulher trans, travesti visível e defensora contra todas as formas de dominação.


Agradecemos por sua passagem por esta terra, por todos os seus ensinamentos e pela coragem que nos demonstrou em suas decisões.


Amaldiçoaremos para sempre seus assassinos, todo o poderoso que destrói a terra, os animais e os defensores da terra.


Sua memória continuará viva no weichan, companheira!


Emilia Milen Presente!


La Zarzamora


Conteúdo relacionado:


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/27/chile-hoje-e-todos-os-dias-bau-presente/


agência de notícias anarquistas-ana


Ao pôr-do-sol
O brilho humilde
Das folhas de capim.


Paulo Franchetti

[Itália] Ciao Sole, Ciao Baleno

Hoje homenageamos “Sole” e “Baleno”, anarquistas que cometeram suicídio na prisão de Turim em 1998


Em 28 de março de 1998, Edoardo Massari (“Baleno”), um anarquista de 35 anos que vivia em ocupações, tirou a própria vida na prisão de Vallette, em Turim.


Em 11 de julho de 1998, sua companheira Maria Soledad ROSAS (“Sole”), que se encontrava em prisão domiciliar em Benevagienna, seguiu o mesmo caminho.


“Sole” havia deixado escrito:


Eles nos querem mortos, porque somos seus inimigos.
E não sabem o que fazer de nós, porque não somos seus escravos”.


Os dois jovens foram retratados pela imprensa e descritos como “ecoterroristas” por uma infame campanha política difamatória, repleta de falsidades, distorções e insinuações — um processo de criminalização com o objetivo de criar um inimigo público.


CIAO, SOLE, CIAO, BALENO!


Conteúdo relacionado:


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/07/16/argentina-sole-amor-e-anarquismo/


agência de notícias anarquistas-ana


Da janela de casa
Ouço sanhaços cantando
Hora do lanchinho!


Evandro Gomes Sanches – 8 anos

[Itália] Obrigado, muito obrigado a todes.

A quem acreditou em nós, a quem organizou com paixão e paciência; a quem fez os materiais gráficos, a quem fez a sonorização e trouxe o sistema de som; a quem veio, a quem não pôde vir mas gostaria; a quem cozinhou quilos de macarrão e cuscuz; a quem montou e desmontou as mesas para o jantar, os bancos para as conferências e as barracas para a divulgação do pensamento livre.
 
Obrigado a quem contribuiu para animar os debates da tarde e obrigado a quem nos levou para passear pelos lugares do anarquismo carrarino e da resistência anarquista partigiana nos montes da Lunigiana.
 
Obrigado a quem tocou para nós e conosco nas praças do centro e no encerramento da festa, no pátio do círculo anarquista mais antigo da Itália.
 
Obrigado, sobretudo, aos companheiros e companheiras de Carrara e Gragnana, sem os quais nada disso, nestes belíssimos três dias, teria sido possível.
 
E obrigado à Federação Anarquista, que apesar de tudo continua a existir e resistir, representando um outro mundo possível.
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/07/07/italia-carrara-fai-festa-ao-assalto-do-futuro/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Vejo um brilho
Nos olhos do menino
Que vê a fogueira.
 
Bruno Sales – 13 anos

[Espanha] A CGT presta homenagem aos anarquistas de Soria vítimas da repressão em 1936

O Sindicato CGT de Soria prestará homenagem, mais um ano, aos anarquistas vítimas da repressão em 18 de julho, com uma jornada de Memória Libertária no próximo dia 18 de julho. Além da tradicional oferta floral no cemitério do Espino, este ano haverá duas novas atividades: um passeio guiado pela cidade e um concerto.

A jornada começará com um passeio por “La Soria Libertaria”, com partida às 11h da praça Mariano Granados. Nele, serão percorridos os pontos-chave da atividade anarquista no início do século e, durante aproximadamente uma hora, será apresentada a história do movimento anarquista em Soria. Este passeio contará ainda com a participação de Elena de Nicolás ao violão, que proporcionará o acompanhamento musical nas diversas paradas, e será guiado por Daniel Hernández-Marín, autor do fanzine “Anarquistas: O movimento libertário na província de Soria”.

Em seguida, às 12h30, ocorrerá o ato mais solene do dia: a tradicional oferenda floral que os anarcossindicalistas de Soria realizam no muro do cemitério onde foram fuzilados alguns dos pioneiros do movimento libertário de Soria após o golpe de Estado de 1936 e a repressão fascista que se seguiu.

Por fim, em caráter de protesto, o evento será encerrado com a apresentação de Kike Babas e La Desbandá na Praça do Tubo, às 13h. Kike Babas & La Desbandá criam canções com consciência a partir das entranhas do “barrionalismo” poético, com um pé no rocknroll de autor e outro na rumba rebelde. Alheio a clichês, atento apenas ao seu impulso vital, Kike Babas continua desenvolvendo sua já extensa carreira, desafiando ventos e marés para dar testemunho de sua expressividade visceral e da alta intensidade literária de suas letras.

cgt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Escondidinha
na copa da árvore.
Cigarra canta!

Juliana Valéria dos Santos Pinto – 9 anos

[Escócia] Food Not Bombs: Distribuição Anárquica de Alimentos em Queen’s Park

por Liam Smillie


Quatro caixas comerciais vermelhas brilhantes parecem quase resplandecer sob as luzes halógenas da área de entrega de um supermercado, em algum lugar no interior do Southside.


Ker-chunk… Ker-chunk… Ker-chunk…


Um jovem vestido todo de preto se move rapidamente da esquerda para a direita, abrindo as tampas planas de plástico das lixeiras em ritmo perfeito. Observo enquanto três outras pessoas o seguem e se posicionam em cada lixeira. Em silêncio e em uníssono, começam a vasculhar o lixo, retirando sacos de lixo transparentes e separando-os em pilhas distintas.


Já se passaram cinco minutos desde o início da operação. A equipe trabalha com rapidez e silêncio – pegando alimentos em bom estado e colocando-os em mochilas e alforjes de uma bicicleta. Fico em silêncio a alguns metros de distância, observando e ouvindo.


De repente, um dos membros da equipe levanta a mão. A equipe para instintivamente. Antes que tenham chance de fugir, ouvem passos se aproximando de dentro do supermercado. O som da porta de entrega se abrindo ressoa no ar.


“Que porra está acontecendo aqui?!” exclama uma voz com sotaque rude de Glasgow.


Os ladrões foram pegos em flagrante. A equipe não diz uma palavra; em vez disso, agarra freneticamente suas mochilas, dá meia-volta e se afasta rapidamente, ignorando os gritos que vêm atrás deles.


O “bin squad” (esquadrão do “recicle”) faz parte do Glasgow Food Not Bombs; um núcleo independente de um coletivo internacional fundado nos Estados Unidos na década de 1980 como uma “iniciativa de ação direta não violenta” para protestar contra o armamento nuclear, distribuindo comida gratuita a pessoas vulneráveis. Atualmente, há núcleos estabelecidos em mais de 1.000 cidades em mais de 65 países, todos totalmente autônomos uns dos outros. Não há estrutura hierárquica dentro do coletivo, não há líderes nem sede; todas as decisões dentro de um capítulo do grupo são tomadas por consenso.


A atividade noturna que eu estava acompanhando era uma “incursão em lixeiras”, um método de obtenção de alimentos para o Food Not Bombs. As incursões em si se enquadram em uma zona cinzenta legal, embora possam ser consideradas furto segundo o direito consuetudinário na Escócia. Os participantes também podem se meter em apuros por invasão de propriedade, o que muitas vezes é necessário para acessar lixeiras comerciais.


A coleta em lixeiras (recicle por aqui) não é o principal método de obtenção de alimentos do Food Not Bombs. Eles também recebem muito apoio por meio de cestas básicas, tanto do público quanto de organizações como a Green City Whole Foods.


No entanto, o grupo nem sempre pode contar com doações. O ativista (que prefere permanecer anônimo) que liderava a “bin raid” (batalha do recicle) explicou o motivo pelo qual o grupo pratica a busca em lixeiras:


“O recicle é uma ação anticapitalista. Estamos lutando contra o desperdício de alimentos — a quantidade que simplesmente é jogada fora. É um classismo flagrante. Se você está comendo do lixo, está comendo dos lucros deles.”


Pode parecer chocante que as pessoas estejam dispostas a vasculhar o lixo para alimentar outras pessoas – mas, além da motivação política, isso também é visto como uma necessidade na luta contra a fome. Na pesquisa sobre recursos familiares, publicada pelo Departamento de Trabalho e Pensões (DWP) em 25 de março, foi relatado que, entre 2019 e 2020, 43% das pessoas que recebiam o Crédito Universal relataram ter segurança alimentar baixa ou muito baixa. O valor recebido por quem recebe o Crédito Universal não é suficiente para que as pessoas consigam se alimentar; mal sustenta o beneficiário em situação de pobreza.


A Trussell Trust lista as três principais razões para o uso de bancos de alimentos entre 2019 e 2020 como: baixa renda (39%), atrasos nos pagamentos de benefícios (17%) e alterações nos benefícios (15%).


Quase metade de todas as famílias pesquisadas nos bancos de alimentos pela Trussell Trust no verão de 2020 devia dinheiro ao DWP por empréstimos e pagamentos a maior. Além disso, quase três quartos das famílias pesquisadas estavam pagando atrasados com o auxílio mensal, utilizando o “adiantamento” oferecido para cobrir o período inicial de cinco semanas antes do início dos pagamentos do Crédito Universal.


Isso nos leva de volta ao Food Not Bombs, um dos muitos grupos comunitários que atuam no fornecimento de alimentos em Glasgow. O que os diferencia de muitos outros grupos é que eles são abertamente políticos, atuando tanto como um grupo de pressão quanto como um provedor de alimentos. Além disso, oferecem apenas comida vegana e vegetariana. Eles consideram isso essencial, pois tentar seguir uma dieta restritiva como o vegetarianismo (e especialmente o veganismo) é incrivelmente difícil quando se vive em situação de insegurança alimentar.


Toda a comida que eles recolhem das lixeiras é preparada na manhã seguinte, para distribuição no dia depois disso. Os alimentos que utilizam estão protegidos contra contaminação devido ao excesso de embalagens. Cozinhar logo em seguida garante que a comida recolhida não estrague, e os prazos de validade nas lojas costumam ser exagerados por motivos de proteção legal.


“Comida de graça! Haggis de graça!”, grita uma voz solitária com sotaque inglês no Queen’s Park, numa tarde de domingo. É a Flo, orgulhosamente em pé atrás da barraca da Food Not Bombs. Ela protege os olhos do sol da tarde com as mãos enquanto grita para os transeuntes que aproveitam um passeio dominical.


“Estou bem, querida. Mas vocês estão fazendo uma coisa ótima!”, responde uma senhora mais velha, que saiu para passear com dois westies branquinhos impecáveis.


O público no Queen’s Park é, no mínimo, variado: famílias de classe média, jovens descolados, skatistas, góticos, imigrantes recém-chegados de todas as partes do mundo, pessoas que buscam asilo, bem como moradores de rua ou pessoas em situação de vulnerabilidade.


Para que a comida chegue primeiro às pessoas que mais precisam, o grupo envia mensageiros com as refeições de bicicleta, enquanto uma equipe de duas ou três pessoas fica na barraca realizando atividades de aproximação com a comunidade e distribuição de alimentos no parque.


Um desses mensageiros é Rory, que chega de bicicleta logo após a montagem da barraca. Ele é bem mais alto do que todos os outros, vestindo uma peita branca da Hello Kitty enfiada em calças pretas justas, cortadas acima do tornozelo e presas por suspensórios pretos.


Quando perguntado por que estava usando uma peita da Hello Kitty, ele ri e responde: “Sou um cara grande e as pessoas podem se assustar se eu aparecer na frente delas, então uso roupas que não pareçam ameaçadoras, como essa, quando estou fazendo a distribuição. Tenho uma gaveta cheia de camisetas assim!”


Logo em seguida, duas adolescentes se aproximam da barraca de patins, dizendo enfaticamente aos voluntários como o trabalho que estão fazendo é incrível. Elas pegam algumas caixas para distribuir enquanto patinam pelo parque.


Um dos beneficiários é um violinista romeno na casa dos 70 anos, que toca nas ruas a apenas algumas jardas da barraca. Ele toca música desde criança e agora se apresenta todos os dias no Queen’s Park, economizando dinheiro para voltar à Romênia. Ele visita a barraca todos os domingos para almoçar e bater um papo com os voluntários antes de voltar a tocar nas ruas.


Um senhor mais velho se aproxima da barraca, escolhe algumas caixas para ele e sua esposa e diz: “Vocês são pessoas boas por fazerem isso. Vou viajar por alguns meses, mas espero voltar. Espero ver vocês aqui também. O mais importante é continuar por aqui.”


De volta à equipe de catadores de lixo, já há distância suficiente entre eles e o supermercado, o que significa que é hora de dar uma olhada no que foi coletado. Os catadores reuniram oito sacolas de batatas, uma grande quantidade de frutas e legumes variados, além de centenas de biscoitos e chocolates. Tudo será lavado, cozido e distribuído. Em seguida, a equipe sairá novamente, em busca de um novo destino para catar lixo.


Tradução > Reno Moedor


Conteúdos relacionados:


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/06/17/eua-lancamento-rua-da-sopa/


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/06/01/a-historia-do-food-not-bombs/


https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/11/10/eua-este-movimento-anarquista-dos-anos-1960-que-acreditava-que-a-comida-deveria-ser-gratuita/


agência de notícias anarquistas-ana


Nas águas do mar
O salto dos golfinhos.
Parece que dançam.


Eduarda Penteado – 10 anos

[Argentina] Sole, Amor e Anarquismo

(Um dia como hoje (11 de julho)… sobre a morte de María Soledad Rosas)
 
Diziam que uma viagem poderia ser uma desculpa para deixar para trás as complicações do passado. Respirar fundo, refletir e recomeçar. Por isso, seus pais decidiram comprar para María Soledad Rosas, Sole, uma passagem aberta por seis meses para a Europa. Um presente pela sua graduação. Assim, em 22 de junho de 1997, ela chegou a Turim, na Itália, acompanhada por uma amiga. Uma vez lá, perguntaram na Federação Anarquista onde poderiam passar a noite e seguiram para um lugar chamado El Asilo, um prédio ocupado por squatters anarquistas. Sem saber, o que para Sole começava como uma viagem logo se tornaria uma mudança radical em sua vida.
 
“Pensar que o mundo é tão grande, mas há um lugar para cada um, e acredito que encontrei o que me pertence”, escrevia naquela época. Aos poucos, Sole foi se adaptando ao ambiente, entre leituras anarquistas e histórias da Guerra Civil Espanhola. Lá, também, conheceria Edoardo Massari, “Baleno”, com quem iniciaria um relacionamento tão intenso quanto breve. Naquela época, não muito tempo antes, no Vale de Susa, havia começado a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) para ligar a Itália à França. Mas os desastres ecológicos que esse megaprojeto causaria geraram rejeição entre os moradores da região e grupos ambientalistas. Ao mesmo tempo, começou a circular a notícia de uma série de atentados reivindicados por um grupo desconhecido: Lobos Cinzentos… ou, por que não, a desculpa perfeita para dar início a uma caçada aos anarquistas.
 
Um microfone no carro de um amigo de Sole e Baleno, uma conversa gravada e tirada do contexto, e pronto. A polícia já tinha seus bodes expiatórios. A campanha para manchar as lutas e dar continuidade ao projeto estava em andamento, e a opinião pública costuma sempre acompanhar. Embora Sole estivesse na Argentina quando os atentados começaram e Baleno não estivesse naquela região, foi iniciada uma acusação por subversão e terrorismo. Dias depois, já detidos em uma prisão de segurança máxima, Sole soube que Baleno havia se enforcado em sua cela. Naquele momento, ela escreveria: “Sempre achei que cada um é responsável por seus atos, mas, desta vez, há culpados e quero mencioná-los em voz alta: são aqueles que mataram o Edo — o Estado, os juízes, os advogados, a imprensa, o TAV, a polícia, as leis, as regras e toda a sociedade de escravos que aceita esse sistema”.
 
As mobilizações não paravam de crescer, assim como as denúncias à mídia. Ficava cada vez mais evidente que não havia provas concretas. Pouco tempo depois, Sole foi transferida para uma comunidade terapêutica, onde recebia visitas e interrupções policiais sem horários fixos. Finalmente, em 11 de julho de 1998, ela foi encontrada enforcada com um lençol no banheiro. Quanto aos Lobos Cinzentos, nunca houve provas de sua existência real.
 
Anos mais tarde, a Justiça reconheceria que nem Sole nem seus dois companheiros tinham qualquer relação com os atentados. Uma história que nunca deixou de se repetir.
 
Fonte: https://revistaliverta.com.ar/2026/07/11/sole-amor-y-anarquismo/
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/01/argentina-ilusao-de-movimento-em-torno-as-peliculas-soledad-e-el-camino-de-santiago/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Longe da mata –
Pousa no meu telhado
a garça branca.
 
Jorge Luiz Henrique Figueiroa – 9 anos

[Itália] 25 anos após o G8 de Gênova, voltamos mais uma vez àquelas ruas

Gênova não é apenas uma data comemorativa a ser lembrada. Foi um dos momentos mais importantes de uma geração que tentou colocar em questão um modelo de desenvolvimento baseado em desigualdades, guerras e exploração. Foi também a resposta violenta do Estado àqueles que enchiam as praças para reivindicar um mundo diferente.
 
Vinte e cinco anos depois, muitas das questões que atravessavam aquelas mobilizações ainda estão diante dos nossos olhos. As razões daqueles dias, a repressão que os atingiu e as perguntas que deixaram em aberto ainda falam ao nosso tempo.
 
Por isso, lembrar Gênova significa olhar para o presente e continuar construindo participação, solidariedade e novas formas de mobilização.
 
Estaremos em Gênova para as iniciativas do 25º aniversário:
 
• Sábado, 18/07 – Assembleia Nacional No Kings – às 10h
• Domingo, 19/07 – Em todo caso, nenhum remorso – manifestação nacional – às 15h30
• Segunda-feira, 20/07 – Para não esquecer Carlo – ato de protesto, música e palavras – às 14h30
 
Leoncavallo Espaço Público Autogestionado
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/06/29/italia-a-memoria-de-ontem-para-os-desafios-de-hoje-25-anos-do-g8-de-genova/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/21/italia-genova-centenas-de-pessoas-na-praca-alimonda-em-memoria-de-carlo/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Solzinho da manhã
O louva-a-deus no galho
Bem agarradinho.
 
Murilo Henrique Rosa da Luz – 10 anos

[México] Por que a perseguição contra Miguel Peralta continua?

LIBERDADE PARA MIGUEL PERALTA
 
Em 20 de fevereiro de 2026, o Primeiro Tribunal Colegiado de Oaxaca reconheceu oficialmente a falsidade dos depoimentos contra Miguel e o absolveu de todas as acusações.
 
Essa sentença deveria ter posto fim à perseguição política; no entanto, em 12 de junho de 2026, fomos notificados de que o caso de Miguel retorna à Suprema Corte, pois foi admitido um recurso de revisão apresentado pela parte acusadora, a deputada Elisa Zepeda, contra a sentença de plena liberdade, que agora se encontra “suspensa” até que a Corte decida. Assim, o caso de Miguel é reaberto e a perseguição estatal contra ele continua. Espera-se que a nova decisão da Suprema Corte seja proferida em algum momento de 2027. Os próximos meses são fundamentais para exigir que a Corte ponha fim a essa perseguição.
 
Continuamos convocando a solidariedade com Miguel Peralta e a comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón!!!
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/20/mexico-depois-de-mais-de-dez-anos-de-perseguicao-politica-esta-sexta-feira-miguel-peralta-pode-obter-sua-liberdade-plena/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Numa noite quieta
um único barulho
grilo no meu quarto.
 
Pedro Henrique Barros Souza – 13 anos

[Reino Unido] 90º Aniversário da Revolução Social na Península Ibérica

Este evento online foi organizado pela CNT-E e pela IWW-WISERA como parte de uma apresentação sobre o significado da Revolução Social que eclodiu na península ibérica em 1936.
 
Recordemos: esta revolução ocorreu após a derrota do golpe de Estado fascista nas mãos da classe trabalhadora. Posteriormente, o proletariado urbano assumiu o controle de fábricas e oficinas, organizou refeitórios populares e milícias operárias que chegaram a conquistar as cidades controladas pelo fascismo criminoso.
 
No campo, irrompeu uma revolução em grande escala que se espalhou por grande parte do território republicano. No total, cerca de três milhões de pessoas participaram dessa revolução e demonstraram que o povo é capaz de gerir seus próprios assuntos sem necessidade de chefes.
 
Esta apresentação e debate online foram possíveis graças à colaboração entre a Industrial Workers of the World (IWW), a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) e a Confederação Internacional do Trabalho (ICL-CIT), a organização internacional à qual ambos os sindicatos revolucionários pertencem.
 
Por ocasião do 90º aniversário da Revolução Social Espanhola, o historiador do trabalho, pesquisador e militante da CNT Miguel Gómez, autor de «A CNT e a nova economia», analisará os avanços, os desafios e as lições da Espanha revolucionária. Após o evento, haverá uma sessão de perguntas e respostas.
 
Este evento online é gratuito e acontecerá na segunda-feira, 20 de julho de 2026, às 20:00 (horário de Londres). Você pode se inscrever aqui:
 
https://www.eventbrite.co.uk/e/90th-anniversary-spanish-social-revolution-tickets-1993251041522
 
Design da imagem: @juliofranco_creative
 
www.iclcit.org
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/07/15/espanha-90-anos-da-revolucao-social-2/  
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
No meio do dia
Despedida de andorinhas.
Até a volta.
 
Shaene Vitória Pacheco – 9 anos

[Itália] Trump e Rubio convocam cúpula internacional contra “anarquistas, antifa e extrema-esquerda”

Washington convoca sessenta países para coordenar o combate ao suposto terrorismo de extrema-esquerda. Entre processos políticos, listas negras e novas estratégias antiterrorismo, a administração Trump tenta internacionalizar a criminalização do dissenso.
 
A administração Trump dá mais um passo na construção de seu inimigo interno. O secretário de Estado Marco Rubio convidou ministros de cerca de sessenta países para uma cúpula internacional dedicada à suposta «renascença do terrorismo de extrema-esquerda». Um encontro “anti-Antifa” que, nas intenções da Casa Branca, deveria coordenar uma resposta global contra uma ameaça que, fora da propaganda trumpista, parece a muitos observadores amplamente fabricada e politicamente instrumental.
 
Segundo o Washington Post, a iniciativa provocou «consternação» entre diplomatas americanos, analistas independentes e diversos aliados europeus, que não compartilham da narrativa da administração Maga e veem com preocupação a tentativa de transformar o antifascismo em uma categoria do terrorismo internacional.
 
O retorno do macarthismo
 
A convocação da cúpula de 16 de julho representa o ponto mais avançado de uma estratégia que a administração Trump vem conduzindo há meses. Nos discursos de 3 e 4 de julho, o presidente reavivou a retórica da «ameaça comunista», evocando cenários que lembram abertamente a psicose macarthista dos anos 1950.
 
Em setembro passado, Trump já havia assinado a diretiva NSPM-7, inserindo «Antifa» entre os grupos «antiamericanos, anticristãos e anticapitalistas». Uma definição politicamente significativa, mas juridicamente problemática: a Antifa não é uma organização estruturada, não tem líderes, filiados ou uma cadeia de comando. É um conjunto de práticas e redes antifascistas difusas.
 
No entanto, essa designação teve um efeito concreto: transformar o antifascismo em um «inimigo interno».
 
Do dissenso ao terrorismo
 
O salto de qualidade também é evidente no plano judicial. No Texas, nove ativistas anti-ICE foram condenados a penas entre trinta e cem anos de prisão no âmbito do processo sobre a suposta «célula terrorista Antifa» de Prairieland. Em Minneapolis, quinze ativistas anti-deportação foram levados a julgamento.
 
Em ambos os casos, ações de protesto, danos ao patrimônio e até pichações foram equiparados a atividades terroristas.
 
Segundo diversas organizações de direitos civis, está se firmando uma nova doutrina repressiva: não se perseguem apenas comportamentos criminosos, mas áreas políticas inteiras consideradas hostis à ordem estabelecida.
 
A isso se soma outro elemento preocupante: militantes e ativistas foram alvo de atenção investigativa também por declarações e opiniões expressas em redes sociais.
 
Após a morte de Renée Good e Alex Pretti em Minneapolis, o funcionário do Departamento de Justiça Aakash Singh teria instado os procuradores federais a atingir manifestantes e observadores legais «com tudo o que vocês têm» e a «divulgar ao máximo» as condenações.
 
A construção da ameaça global
 
O governo Trump tenta agora exportar esse paradigma. Nos últimos meses, processos contra supostos «terroristas antifa» foram iniciados em Los Angeles e San Diego. Além disso, a Casa Branca tentou incluir no chamado «teorema Antifa» episódios como o assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk e o atentado ao banquete dos correspondentes de Washington, embora não haja vínculos organizacionais evidentes entre os autores e redes antifascistas.
 
O Departamento de Estado agora busca obter um alinhamento internacional. Em novembro, Washington já havia designado como «organizações terroristas estrangeiras» dois grupos gregos, a chamada Federação Anarquista Informal na Itália e a Antifa de Dresden, a chamada Hammerbande, o grupo ao qual, na Alemanha, também foi associada a eurodeputada Ilaria Salis.
 
Segundo o Washington Post, um telegrama enviado em junho teria solicitado informações sobre grupos de extrema-esquerda a pelo menos vinte representações diplomáticas americanas, incluindo as da Itália, México e Albânia.
 
Sebastian Gorka e a nova guerra ideológica
 
Quem lidera a operação é Sebastian Gorka, o anglo-húngaro nomeado por Trump como «czar» do antiterrorismo. Figura controversa, próximo no passado a organizações ultranacionalistas húngaras como a Ordem de Vitéz e a Magyar Gárda, Gorka é um dos principais ideólogos da nova cruzada contra a «esquerda radical».
 
A nova Estratégia Antiterrorismo dos EUA, publicada por seu departamento, identifica como objetivo prioritário a «rápida identificação e neutralização de grupos políticos seculares violentos cuja ideologia é antiamericana, radicalmente pró-transgênero e anarquista».
 
O documento redefine completamente a hierarquia das ameaças: os cartéis de drogas substituem o terrorismo jihadista como principal emergência nacional, enquanto «o extremismo de esquerda» é equiparado a organizações como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
 
Uma escolha que muitos especialistas consideram uma perigosa manipulação do aparato antiterrorismo. «Eles querem inventar a Antifa como uma ameaça global», declarou ao New York Times o analista Tom Joscelyn. «Tudo isso indica a vontade da atual administração de desviar o aparato antiterrorismo para reprimir adversários políticos internos».
 
Uma internacional da repressão
 
A cúpula de 16 de julho não é, portanto, um simples encontro diplomático. É a tentativa de construir uma nova arquitetura repressiva internacional baseada na criminalização transnacional da esquerda radical, dos movimentos antifascistas e das redes de solidariedade.
 
O objetivo é duplo: criar uma categoria política global — o «terrorismo de extrema-esquerda» — e obter a cooperação dos aliados para compartilhar dados, vigilância, listas de suspeitos e instrumentos de repressão.
 
Em outras palavras, construir uma espécie de internacional da contrainsurgência, capaz de atingir movimentos e ativistas para além das fronteiras nacionais.
 
Muitos governos europeus parecem encarar a iniciativa com ceticismo e dificilmente enviarão ministros ou altos funcionários à cúpula. Mas o simples fato de a primeira potência mundial convocar uma reunião internacional para discutir a suposta ameaça da «Antifa» já é um poderoso sinal político.
 
Porque quando o antifascismo é redefinido como terrorismo e o protesto social como uma ameaça à segurança nacional, não estamos diante de uma simples mudança de prioridades na agenda antiterrorismo.
 
Estamos diante da tentativa de construir um novo paradigma repressivo, no qual o dissenso político não é mais combatido no terreno do confronto democrático, mas gerido como um problema de ordem pública e segurança global.
 
Fonte: https://www.osservatoriorepressione.info/trump-lancia-il-vertice-mondiale-anti-antifa-la-nuova-crociata-contro-il-nemico-interno/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/07/01/eua-isto-e-uma-injustica-como-zines-de-esquerda-foram-usados-para-condenar-manifestantes-anti-ice-a-decadas-de-prisao/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Antes que algum nome
nos designasse, já rias,
pequena cascata.
 
Alexei Bueno
 
 

[Espanha] 90 anos da Revolução Social

Em 19 de julho de 2026, completam-se 90 anos desde que a classe trabalhadora derrotou o golpe de Estado. O povo levantado em armas conseguiu deter não apenas as pretensões de todas as forças facciosas que estavam por trás desse levante militar (ou seja, a Igreja Católica, as forças monárquicas e a burguesia mais reacionária e o capital financeiro internacional), mas também, diante do seu próprio triunfo, não parou e iniciou a revolução social mais profunda que a história já conheceu.

Mas o que é uma Revolução Social? Uma Revolução Social não é, evidentemente, uma mudança de governo, nem mesmo uma mudança na forma de Estado. Uma Revolução Social é a mudança das relações sociais que sustentam o estado das coisas. Substituiu a organização da economia nas mãos da empresa privada ou do Estado pela organização pela própria classe trabalhadora, por meio das coletivizações, tanto na indústria quanto no campo.

A transformação das relações sociais, no entanto, não parou apenas no econômico, mas foi justamente essa mudança rumo à superação do capitalismo por uma nova economia comunista libertária que permitiu o impulso de medidas de todo tipo para os problemas sociais da época, muitos dos quais ainda permanecem sem solução em nossa sociedade hoje.

Desde o papel da instrução e da educação na sociedade, o problema da moradia ou da maternidade consciente, a igualdade entre os sexos ou a questão nacional e sua resolução federalista, entre outras questões que visavam eliminar as velhas instituições da sociedade criando uma nova sociedade libertária, exemplificam o caráter profundo de uma revolução feita por trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade.

Esse impulso revolucionário do povo, das pessoas anônimas da história mas que movem o mundo a cada dia de suas vidas, pôde ser sustentado graças ao esforço e sacrifício, também na frente militar, por meio das milícias operárias. E é que até na organização da luta militar se transformaram as caducas e rígidas formas autoritárias dos exércitos em milícias sustentadas pelo próprio movimento operário e revolucionário.

A guerra civil espanhola, que se seguiu à derrota do golpe militar fascista de 1936, era a continuação de uma guerra de classes latente nas lutas revolucionárias: desde a Comuna das Astúrias em 1934 até as insurreições comunistas-libertárias como as de Fígols. Uma luta de classes que remonta aos tempos da I Internacional na Espanha, e a todas as lutas sociais em que o proletariado foi protagonista no mundo.

A noventa anos desse marco na história jamais superado, que nos serve de exemplo para nossas lutas cotidianas, devemos também assinalar que o regime que combateu desde o primeiro momento esse processo foi também a própria República e as forças burguesas liberais e republicanas, social-democratas e stalinistas. A derrota da revolução precedeu a derrota militar da II República, e a imposição pelo sangue e pelo genocídio de um regime de terror liderado pelo criminoso Francisco Franco.

A mudança de regime que, praticamente 40 anos depois, deu origem ao atual Reino da Espanha, na forma de uma monarquia constitucional, não passou de um pacto, uma transação entre as forças que administraram o franquismo com as de uma nova burguesia liberal e social-democrata, com o pano de fundo de um importante novo episódio da luta de classes na península ibérica do qual também se completam 50 anos em 2026. A derrota do proletariado na “transição espanhola”, novamente, assentou no poder novas forças reacionárias, ainda que se vistam de pele de cordeiro. E um dos exemplos mais claros temos na falsificação da memória histórica, hoje chamada de Memória Democrática.

Desde instituições públicas, a academia oficial e o naufrágio da social-democracia e do stalinismo, impulsiona-se uma reinterpretação da memória histórica na qual nunca houve uma Revolução Social, onde as mulheres e os homens anarcossindicalistas e anarquistas da CNT, da FAI, das Mujeres Libres ou das Juventudes Libertárias lutaram, não por uma transformação radical das relações sociais que superasse o Capitalismo em um regime comunista libertário, mas agora reescrevem a história para dizer que lutaram por uma República que os combateu e encarcerou antes da guerra civil, os combateu durante a guerra civil e cujos herdeiros políticos de hoje tentam apagá-los da história.

Não é por acaso que, apenas alguns anos depois que nos deixaram para sempre os últimos companheiros e companheiras que viveram em primeira pessoa a Revolução Social de 1936, que já não estão aqui para poder responder cara a cara aos falsificadores da história, proliferam os esforços para que a memória democrática se torne esquecimento do processo revolucionário.

Está em nossas mãos que isso não aconteça, e que as aspirações que motivaram aqueles que construíram de forma anônima a maior Revolução Social conhecida até nossos dias também nos guiem na hora de enfrentar os problemas atuais da classe trabalhadora em nossa sociedade e no mundo inteiro.

cnt.es

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Bolo de fubá
Saboroso e fofinho
Só mesmo a mamãe.

Luiz Fernando Lima – 10 anos