Nova música do Ktarse | Ser Ateu

Bruno Enrico, C333 e Ktarse

L E T R A

.

Ser ateu não é uma simples rebeldia / Contra as religiões ou qualquer crença divina / Ser ateu é romper com o simplismo / É a busca constante pelo saber critico

.

Ser ateu é ter a honestidade em viver a vida / De forma filosófica, coerente e científica / Não de forma dogmática incontestável / É ser realista sem distorcer os fatos

.

Ser ateu é levar uma vida sem superstições / Sem preconceitos e ilusões / Mesmo que a crendice domine a sociedade / Religião nunca foi o cura pra a humanidade

.

Ser ateu nos entender as dores do mundo / É ser responsável com a natureza e seus recursos / É não se conformar com ideias simplistas / É se revoltar contra a exploração e injustiça

.

Ser ateu é acreditar que a vida tem sentido / Sem promessas divinas, e seu egoísmo / De felicidade ilusória a um paraíso eterno / Ser ateu é admirar a beleza imensa do universo

.

Ser ateu é acreditar que não existe outro plano / Além da vida e do conhecimento humano / Ser ateu é ter a mente livre dos grilhões / Moralista e dogmático das religiões

.

Como viver o estado laico seguindo o monoteísmo? / O ateísmo te liberta, das correntes imaginárias do divino

.

Não ficamos de joelhos, perante aos desafios / Não somos violentos e muito menos pacíficos / As raízes de nossas mazelas não é um plano divino / O colapso social é conduzido pelo capitalismo

.

Por deus e o Estado que são absolutistas / Instrumento de dominação religiosa e política / Religião é demência coletiva / Ser ateu é desobedecer qualquer hierarquia

.

Ser ateu é reconhecer que somos inteligentes / A criatividade humana nos faz seguir em frente / Chegamos até aqui, porque somos persistentes / Ousados, rebeldes e desobedientes

.

A tirania da crença em deus e os delírios / São grilhões do obscurantismo / Ser ateu é executar a difícil tarefa de viver / Com responsabilidade, atitude, proceder

.

Não apenas para si mesmo, mas pela humanidade / A sabedoria da vida não está na religiosidade / Ser ateu é se comover com a beleza / Ser ateu é aceitar que fazemos parte da natureza

.

Que estamos sozinhos na luta pela vida / Não existe força sobrenatural divina / Ser ateu é levar a vida como ela é / Sem deuses, sem mestres, sem crenças, sem fé

.

Como viver o estado laico seguindo o monoteísmo? / O ateísmo te liberta, das correntes imaginárias do divino

>> Escute a música aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=KpGxpSI6f1c

agência de notícias anarquistas-ana

A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

Nova editora independente | Impressora Anarquista

A Impressora Anarquista, localizada em Goiânia-GO, está online a partir de outubro de 2021, divulgando as publicações independentes do coletivo Contraciv e do site Contrafatual. Desde 2011, ela é uma impressora compartilhada (de uso coletivo) com a qual imprimimos trabalhos de faculdade para estudantes de baixa renda, por exemplo. Hoje a Impressora Anarquista se tornou também uma “editora caseira”, acreditando que não é preciso muita coisa para fugir de um mercado editorial injusto e colocar suas próprias ideias para navegar.

Todas as publicações da editora estão disponíveis gratuitamente em PDF, e são vendidas ao preço mais acessível possível (Entre 1 e 5 reais). Para se manter funcionando, a impressora conta com doações voluntárias.

> Contato: contraciv@riseup.net

> Para acessar a loja da Impressora Anarquista:

https://impressora-anarquista.lojaintegrada.com.br/

agência de notícias anarquistas-ana

Na soleira do sítio
a graúna canta
ao silêncio do sol.

Anibal Beça

[Grécia] Apoio a Giorgos Kalaitzidis e Nikos Mataragkas do Grupo Anarquista Rouvikonas

Alerta e petição de apoio antes do julgamento de 13 de outubro de 2021!

Dois anos após a tremenda efusão de solidariedade sem fronteiras que permitiu a dois membros do Rouvikonas evitar a prisão, uma nova ameaça de magnitude sem precedentes paira sobre o grupo. Um julgamento kafkiano aguarda Giorgos e Nikos em 13 de outubro, com base em acusações falsas. Esta tentativa de criminalizar o movimento social poderá custar a estes dois ativistas políticos prisão perpétua. O grupo deles, por mais impecável e exemplar que seja, tornou-se obviamente muito desconfortável. Uma nova mobilização internacional é necessária.

Os fatos: em 7 de junho de 2016, um traficante de drogas foi executado em Atenas, no distrito de Exarchia. Esta execução é reivindicada por um coletivo de autodefesa chamado “Milícia Popular Armada” que declara que o traficante de drogas se comportou de forma violenta, ameaçadora e perigosa em Exarchia, tanto em relação aos membros do movimento social quanto aos habitantes do bairro.

Três anos se passaram. Nenhum membro do Rouvikonas é o objeto da investigação. Em julho de 2019, Kyriakos Mitsotakis [primeiro-ministro da Grécia] chegou ao poder na Grécia e promete, entre outras coisas, pôr um fim “por todos os meios” ao grupo anarquista Rouvikonas, reconhecido em todo o país por suas ações de solidariedade e resistência não relacionadas a este tipo de processo. Após alguns meses, em março de 2020, um juiz de instrução assumiu o caso e acusou dois ativistas do Rouvikonas: Nikos Mataragkas e Giorgos Kalaitzidis, respectivamente, de assassinato e incitação ao assassinato.

Mas em junho de 2020, após suas audiências de acusação, ambos foram liberados sem fiança e o processo foi logicamente arquivado.

Mudança dramática ocorre em abril de 2021: embora o processo esteja vazio contra os membros do Rouvikonas, o Estado e os mecanismos repressivos decidem subitamente processar Giorgos e Nikos com base em acusações falsas e seu julgamento está agendado para 13 de outubro de 2021.

Esta manipulação por parte dos poderes – que fazem de Giorgos e Nikos seus reféns e visa destruí-los política e fisicamente: eles arriscam a pegar prisão perpétua! O objetivo também é prejudicar a imagem do grupo Rouvikonas e criminalizar o movimento social na Grécia, como fizeram os coronéis no poder há cinquenta anos.

Diante deste julgamento kafkiano, apoiamos os ativistas políticos e solidários Giorgos Kalaitzidis e Nikos Mataragkas e exigimos a suspensão imediata do julgamento.

Pedimos o fortalecimento do comitê de apoio internacional: support@rouvikfrancophone.net (envie seu nome, sobrenome e profissão para juntar-se aos signatários).

Também convidamos você a apoiá-los financeiramente neste confronto, que não se limita a este julgamento contra o grupo Rouvikonas: o grupo está frequentemente sujeito a procedimentos legais por razões menos sérias, mas muito caras (no total, para todas as ações atualmente em julgamento e nos próximos meses, os custos legais do grupo totalizam várias dezenas de milhares de euros):

https://fr.gofundme.com/f/soutien-giorgos-et-nikos-athnes

Finalmente, chamamos aqueles que puderem, para uma manifestação de apoio no dia do julgamento: quarta-feira, 13 de outubro, às 09h00, no tribunal de Efeteio, c/Degleri 4, em Atenas. Fotos de ações de apoio fora da Grécia também são bem-vindas.

Que nenhum de nós caia diante do poder sozinho.

Comitê Internacional de Apoio a Giorgos Kalaitzidis e Nikos Mataragk

>> Sobre as ações de resistência e solidariedade do Rouvikonas na Grécia (vídeo de 10 minutos):

https://www.youtube.com/watch?v=342ZzVVCm70&feature=emb_title

>> Algumas respostas a perguntas comuns sobre o Rouvikonas:

– Rouvikonas é também um grupo de solidariedade que frequentemente realiza ações com gregos precários e migrantes, incluindo a distribuição de alimentos e outras formas de ajuda.

– Rouvikonas é também um grupo antifascista, sobretudo desde que o Rouvikonas criou a rede antifascista Distomo (que ajudou a expulsar o Aurora Dourada do centro de Atenas, muito antes das sanções legais).

– Rouvikonas é um grupo misto onde as garotas estão muito presentes e onde o sexismo, machismo e virilismo são rejeitados (o grupo também inclui uma seção feminista muito ativa e autônoma).

– Rouvikonas inclui membros de várias nacionalidades e origens.

– Rouvikonas é composto em sua maioria por trabalhadores precários.

– Rouvikonas rejeita a vanguarda e não quer ser rotulado como tal.

– Rouvikonas não está ativo apenas em Exarchia, mas em toda a Grécia.

– Rouvikonas realiza reuniões públicas regulares para discutir com as pessoas que querem ser informadas e possivelmente se juntar ao grupo.

– Rouvikonas frequentemente realiza ações em conjunto com outros grupos (Anars de Tessalônica, Curdos, migrantes, antifas, solidariedade…).

– Rouvikonas é filiado à Federação Anarquista da Grécia – AO (anarxiki omospodia).

– Rouvikonas também participa de reuniões, concertos ou mesmo torneios de futebol antifa que reúnem diferentes coletivos.

Fonte: http://blogyy.net/2021/09/22/deux-membres-de-rouvikonas-menaces-de-prison-a-vie/

agência de notícias anarquistas-ana

Dia de primavera —
Os pardais no jardim
Tomam banho de areia.

Onitsura

[Chile] Urgente! Sobre a recente enfermidade detectada no companheiro anarquista Francisco Solar e sua delicada situação de saúde

Nos primeiros meses de 2021, Francisco junto com outros prisioneiros anarquistas e subversivos realizaram uma greve de fome que se estendeu por mais de 50 dias contra a modificação do Decreto Lei 321 e pela imediata saída à rua de Marcelo Villarroel.

Após uma lenta recuperação, contínuas cólicas, sede excessiva, baixa de peso, Francisco solicita exames médicos após ser transladado ao cárcere de Rancagua. Recentemente, em 22 de setembro, ditos exames se realizam, sendo hospitalizado com urgência. O diagnóstico: Diabetes avançada com 700 mg/dl de glicose, quer dizer, à beira de um coma diabético. Após conseguir uma mínima estabilização, é devolvido ao Módulo 2, onde apesar das duas doses de insulina diária administradas de forma restritiva pelos médicos-carcereiros, ainda não consegue parâmetros normais de glicose.

Há poucos dias, o companheiro começa a ter uma importante perda da visão que se estende até hoje, sem receber nenhuma atenção a respeito, impedindo-o de ler ou outras atividades cotidianas.

Pela vida e a saúde de nosso companheiro, se faz urgente que a Gendarmeria não faça restrições para a entrada que já está em tramitação de uma médica particular, o fim das proibições e limitações na petição, as facilidades para um tratamento adequado que lhe permita uma mínima autonomia dentro do cárcere.

Sabemos que o cárcere busca o aniquilamento e a diminuição do indivíduo, pelo que superar os obstáculos e impedimentos postos pela burocracia carcerária, só se pode fazer com mobilização, solidariedade e apoio mútuo. Responsabilizamos a Gendarmeria, por qualquer agravamento na condição de saúde do companheiro.

Agitar e solidariedade pela saúde do companheiro Francisco!

Prisioneiros subversivos e anarquistas à rua!

Outubro 2021

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/07/chile-termina-a-greve-de-fome-dos-prisioneiros-transferidos-da-prisao-de-alta-seguranca-para-rancagua/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/23/chile-palavras-do-companheiro-anarquista-francisco-solar-em-memoria-de-luisa-toledo-sepulveda/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/08/chile-atualizacao-da-situacao-dos-companheiros-anarquistas-francisco-solar-e-monica-caballero/

agência de notícias anarquistas-ana

É anônimo o autor
Deste esplêndido poema
Sobre a primavera.

Shiki

[Espanha] Antonio Salón, miliciano com conhecimento de causa

Por Miguel A. Fernández

A fotografia foi tirada em algum lugar de Bizkaia em princípios de 1937. Se não fosse pelos acessórios e as graduações militares que aparecem aqui e ali, poderíamos pensar que se trata de uma quadrilha basca que busca captar para a posteridade uma reunião festiva. O ambiente é, até certo ponto, divertido, assim o expressam seus semblantes: se excetuamos a figura central, quase todos os demais sorriem e os gestos são tranquilos. Mas, ainda que não o pareça, o instantâneo da oficialidade do batalhão ‘Isaac Puente’, foi feito pouco tempo depois da sangrenta batalha de Villarreal, com a qual as forças leais à República tentaram, sem sucesso, chegar a Vitoria, e ao mesmo tempo aliviar a pressão franquista sobre Madrid, e na qual os milicianos se bateram sofrendo numerosas baixas [1].

Entre os presentes, ao lado de Enrique Araujo, personagem central e comandante da unidade, se destaca um tenente negro. Sorri, como o resto de seus companheiros, alheio ao fato de que poucos meses depois será feito prisioneiro pelas tropas italianas na emboscada de Santoña [2].

Uma presença singular, mas que não deveria surpreender-nos, pois nas unidades confederais bascas é habitual ver estrangeiros e inclusive comandos de origem latino-americana: Julio Martínez Sánchez, capitão da 1.ª companhia do batalhão Bakunin é natural de Havana; Manuel Azurmendi Embeitia, tenente do batalhão Malatesta é de Montevidéu. Por sua parte, Manuel de la Mata Ibeas, comandante do Isaac Puente, é cubano e o capitão ajudante, Argentino Eizaguirre Fernández, portenho, tal e como denota seu nome. Tudo isso, sem contar os numerosos milicianos rasos de origem estrangeira. De fato, é tal o contingente de voluntários estrangeiros presentes em Euskadi, que em dezembro de 1936 a CNT inicia a organização de um Batalhão Internacional para agrupar os “companheiros de todas as nacionalidades residentes no Norte”, seguindo o exemplo das Brigadas Internacionais, e em princípios de janeiro, anuncia a formação do “Batalhão Internacional do Norte”, que será o 7.º da CNT e 65.º de Euzkadi e que trataria de agrupar todos os voluntários estrangeiros em geral e os anarquistas em particular. Em todo caso, a unidade não chegará a constituir-se como batalhão de combate e sua atividade se reduzirá a atuar como unidade de reserva e recuperação, para desaparecer ao ordenar-se a supressão das incompletas, e passar seus integrantes a outras unidades [3].

Em todo caso, Antonio Salón Cubano, que é como se chama o miliciano que nos ocupa, não veio de além de nossas fronteiras: de fato, nasceu em Santurce e no começo da guerra, momento no qual se incorpora às milícias confederais, é morador de Bilbao. A sentença que, uma vez capturado, o condenará a 15 anos de reclusão por sua atuação na guerra, evidencia um discurso cheio de preconceitos: “ainda que pertencente à raça negra, de nacionalidade espanhola , carente em absoluto de conhecimento e dotes culturais”… [4].

Desconhecemos a capacidade intelectual de Antonio, mas estamos convencidos do contexto racista das afirmações contidas na sentença, pois precisamente o que evidencia sua história pessoal é que desde bem jovem teve indubitável conhecimento da causa, a das lutas e aspirações da classe obreira e libertária a qual pertencia. De fato, o santurtziarra começou logo a trabalhar nos Altos Fornos, filiando-se à CNT, e iniciada a guerra, não duvidaria tampouco em somar-se a seus companheiros de ideal no batalhão Isaac Puente, onde se destacaria por seu arrojo na sangrenta batalha de Villarreal, o que o levaria a ser promovido a tenente. Da mesma forma, participaria na ofensiva contra Oviedo, onde ocorreria um fato que nos faz ver que tampouco carecia de senso de humor e boa diversão: nas escaramuças pela infrutífera conquista da capital asturiana, um dos companheiros de batalhão está a ponto de disparar ao confundi-lo com um integrante das tropas mouras que se encontram guerreando como mercenários para o bando nacional. Antonio, inteirado do acontecido, jurará jocoso pintar as orelhas de vermelho e refletir assim, em sua cara, as cores confederais para não voltar a ser confundido com o inimigo. O fato foi colhido pela repórter Cecilia G. Guilarte – outra injustamente esquecida – em CNT do Norte, jornal para o qual se encontra cobrindo a guerra na frente de Oviedo [5].

Após continuar o combate contra o fascismo em Bizkaia e Santander, será capturado e recluso nos presídios de Bilbao e Astorga, cidade na qual se estabeleceria após sua liberação (e muito próximo da Bañeza, onde faleceria pouco depois de enfermidade).

Recuperar pequenas histórias como a de Antonio Salón ajudam a ir ampliando o desconhecido mosaico das minorias racializadas no seio do Movimento Libertário. Algo no qual já abriram caminho os recentes trabalhos sobre Mariano Rodríguez Vázquez, “Marianet”, que chegaria a ser secretário geral da CNT, Helios Gómez Rodríguez, o “artista da gravata vermelha” com viagens de ida e volta ao anarquismo, ou a incombustível miliciana donostiarra Casilda Hernáez Vargas, todas elas, pessoas de etnia cigana.

Notas

1. Há várias cópias da imagem expostas nas redes sociais, mas o original faz parte do impressionante Arquivo fotográfico da guerra civil espanhola da Fundação Anselmo Lorenzo.

2. Outros dados afirmam que foi capturado em Bilbao, pego pelas forças nacionais.

3. “Voluntarios internacionales y asesores extranjeros en Euzkadi (1936-1937)”. Francisco Manuel Vargas Alonso. Historia contemporánea nº 34, pp. 323-362 (2007).

4. https://nabarralde.eus/salon-cubano-antonio/

5. “Nuestra reporter en los frentes de Oviedo”. CNT do Norte, 26 de fevereiro de 1937. https://elgrancapitan.org/foro/viewtopic.php?t=26175&start=180

Fonte: https://serhistorico.net/2021/10/02/antonio-salon-miliciano-con-conocimiento-de-causa-miguel-a-fernandez/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Já é primavera —
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã.

Bashô

[Espanha] 85 anos do Conselho de Aragão, o primeiro e último governo libertário do mundo

• Localizada na parte oriental de uma comunidade autônoma dividida em duas pela Guerra Civil, foi definida como uma entidade administrativa autônoma que gozou da aquiescência da República até que esta decretou seu fim em um período de apenas dez meses, entre outubro de 1936 e agosto de 1937.

Por Miguel Barluenga | 23/08/2021

Foi o primeiro governo libertário reconhecido no mundo e, no final, uma experiência única. Uma república dentro da República Espanhola com uma vida efêmera. Contra o pano de fundo da deflagração da Guerra Civil e do avanço das tropas insurgentes em Aragão, foi fundado em outubro de 1936 o Conselho Regional de Defesa de Aragão. Durante 10 meses, até 11 de agosto de 1937, foi definida como uma entidade administrativa autônoma localizada na parte oriental da região, na qual foi criada uma organização econômica baseada em coletividades e politicamente progressista; ao mesmo tempo, tentou canalizar o esforço de guerra. Dependendo da Segunda República, esta última decretou sua dissolução “manu militari”.

Passarão agora 85 anos desde esta iniciativa, que teve seu órgão de governo: presidente, conselheiros e capital. Havia dois, primeiro em Fraga e depois, definitivamente, em Caspe. Nos primeiros meses da guerra, os golpistas entraram em Aragão pelo lado ocidental e logo controlaram as três capitais de província: Huesca, Zaragoza e Teruel. A linha de frente separava então aquela parte do território do leste, onde a Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT) era forte. Depois de avançarem da Catalunha e da Comunidade Valenciana, os anarquistas determinaram a organização econômica e social do território que dominavam com a conivência dos órgãos governamentais locais.

A partir de janeiro, os comunistas, Izquierda Republicana e UGT aderiram ao Conselho Aragonês. A impossibilidade de preservar o tráfego comercial e o funcionamento normal das administrações em uma comunidade autônoma dividida pela metade levou o governo republicano a se comprometer com a situação. Tudo isso no interesse de uma maior coordenação, já que as milícias revolucionárias controlavam a área e, na opinião de alguns historiadores, garantiam assim a sobrevivência das aldeias da área em meio à guerra. Diante desta necessidade, a CNT convocou uma reunião plenária sindical em setembro de 1936 na cidade de Bujaraloz, na sede da Coluna Durruti, que deu forma a este Conselho presidido pelo militante da CNT Joaquín Ascaso.

A sessão plenária concordou com a criação do Conselho Regional de Defesa de Aragão, que incluiu 450 coletivos rurais. Quase todos eles estavam nas mãos da CNT e cerca de 20 nas mãos da UGT. Segundo o historiador Santiago Navascués, “o governo da República nunca gostou da ideia do território permanecer nas mãos dos anarquistas”. Mas em dezembro não teve outra escolha senão aceitar a situação e reconhecer o Conselho de Aragão como o órgão do governo republicano na área. Era isso ou criar um vácuo de poder e um caos que teria sido explorado pelo exército de Franco. Isto significou que durante cerca de seis meses, na prática, foi um pequeno estado independente e revolucionário, com suas luzes e sombras, dentro do estado republicano”.

A bandeira, que aspirava um dia suceder a espanhola, representava todas as forças antifascistas: vermelho e preto (CNT), vermelho (UGT) e roxo em alusão aos partidos da Frente Popular. O brasão foi dividido em quatro quartos por um A de Aragão, representando uma oliveira em relação a Teruel, o rio Ebro em Zaragoza e os Pirineus em Huesca. A corrente quebrada no centro simbolizava o novo e livre Aragão. O brasão de armas foi coroado por um sol nascente, emblema do Aragão que se levantava sobre o que havia sido destruído pelos inimigos da liberdade.

A evidente tensão e desconfiança entre os anarquistas e o resto das formações de esquerda diminuíram a partir de 1937 e também foi alcançada uma harmonia que, no entanto, não desempenhou um papel decisivo no desenvolvimento da guerra na chamada “Frente Aragão”. O Conselho estava preocupado com a alfabetização, começou a construir escolas e lançou campanhas de leitura. Manteve boas relações com a Catalunha e Valência e estimulou o comércio com produtos excedentes, como cereais, óleo e castanhas. Para Ledesma, “é difícil avaliar a gestão econômica das coletivizações anarquistas, mas o historiador Hugh Thomas apontou que a produção de carvão nas minas de Utrillas era apenas um décimo do que era antes da guerra”.

O início do fim do Conselho de Aragão foi forjado a partir de dentro. O governo da República não queria que seu exército confiasse fortemente nas milícias dos trabalhadores. O desenvolvimento da guerra colocou um obstáculo nesta iniciativa, e como resultado de dissensões internas, o então presidente da República, Juan Negrín, decretou em 18 de agosto de 1937 a dissolução do Conselho de Aragão com a ajuda das tropas de Enrique Líster e nomeou José Ignacio Mantecón, membro da esquerda republicana, como governador-geral de Aragão. Joaquín Ascaso e outros membros do Conselho foram presos e acusados, entre outras coisas, de contrabando de jóias.

O último suspiro deste corpo também antecipou a morte dos republicanos. Os camponeses invadiram os coletivos, os escritórios do Comitê Regional da CNT foram ocupados e seus arquivos e registros confiscados pelas autoridades republicanas. Outras unidades militares de limpeza da comunidade ocuparam vários coletivos no vale do Ebro e Alto Aragão e a prisão foi o destino habitual dos anarquistas que participaram do lançamento de uma iniciativa pioneira, de curta duração e sem herdeiros.

Fonte: https://www.eldiario.es/aragon/85-anos-consejo-aragon-primer-ultimo-gobierno-libertario-mundo_1_8240410.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ao florescer em tom rosa
pálido, quase branco, o ipê
brinca que está nevando.

Ana Setti

[Reino Unido] Companheiro encarcerado por sua participação no site 325.nostate.net

Em novembro de 2020, foi executada uma série de operações coordenadas contra o site 325.nostate.net pela polícia antiterrorista do Reino Unido como parte da “Operação Adream”. Realizaram-se buscas em vários domicílios e locais no sudoeste da Inglaterra e uma pessoa foi detida, acusada em virtude da Lei de Terrorismo. As acusações que lhe imputam são a administração do site 325.nostate.net, financiamento do terrorismo através do site, difusão e coleta de material de utilidade para grupos terroristas.

O companheiro, Toby Shone, esteve em liberdade sob fiança desde novembro de 2020 até fevereiro de 2021quando foi novamente detido e encarcerado em HMP Wandsworth em Londres, onde ainda se encontra retido.

Toby provavelmente seja transladado do HMP Wandsworth para o HMP Bristol até que ocorra o julgamento nas próximas semanas.

O ataque ao site 325.nostate.net é uma tentativa histórica do Estado em silenciar toda dissidência e o pensamento crítico radical. Esta agressão pode considerar-se parte da repressão geral no Reino Unido contra o protesto, a contrainformação, o pensamento e estilos de vida alternativos, tal e como se manifestou na Lei de Polícia, Delinquência e Tribunais de 2021 (originadas após os protestos Kill the Bill), a Lei de Fontes de Inteligência Humana Encobertas (Conduta Criminal) de 2021 que amplia os poderes da espionagem policial e as reformas ao procedimento de revisão judicial.

Para escrever ao companheiro Toby:

Toby Shone
Número de preso: A7645EP
HMP Wandsworth
Heathfield Road
Wandsworth
Londres SW18 3HS – Reino Unido

Por favor, lembre-se de por o nome e o endereço do remetente no envelope.

Solidariedade com Toby!

Companheiros anarquistas.

Fonte: https://publicacionrefractario.wordpress.com/2021/09/26/reino-unido-companero-encarcelado-por-su-participacion-en-la-web-325-nostate-net/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/12/reino-unido-declaracao-do-coletivo-325-sobre-o-ataque-repressivo-a-contrainformacao-internacional/

agência de notícias anarquistas-ana

Acordes são vários
Quintal, um só recital
Cantam os canários

Alvaro Posselt

[Cuba] Entre oligarquias, algo chamado ao povo cubano

Nossa Pátria é a Humanidade, por isso acreditamos que – como tal – não combina com “e”, nem com “ou”.

Alguém dirá que sonhamos muito, porque nos atrevemos a imaginar Cuba como um arquipélago no mapa de um planeta situado no passado de amanhã. Então, responderemos que até para pensar no futuro, precisamos do mínimo de liberdade, equidade e justiça, e precisamos AGORA.

PARA UMA CARTA MÍNIMA DE LIBERDADES:

1. #PatriaEsHumanidad [Pátria é Humanidade]. Exigimos #LibertadParaTodxs [LiberdadeParaTodxs] que estão na prisão por ser parte da explosão social de 11 de julho, que foi provocada por uma política econômica excludente e falida, #SinJuiciosNiCastigos [SemJulgamentosNemCastigos], com suspensão de todos os casos judiciais. Em suas casas, já!

2. Não podemos ser livres, se ao mesmo tempo não lutamos contra toda exploração econômica, contra toda indignidade social que recai sobre identidades pessoais, incluindo de gênero, de território, de racialidade e contra toda depredação ecológica.

3. Diante da situação em que o povo de Cuba vive, nenhuma força política pode ser legítima – venha em nome da “Revolução” ou da “Democracia” – que não mantenha como mínimas as garantias de:

– serviço de saúde de acesso universal e equitativo para cada pessoa que necessite;

– educação, universal e equitativa, até o nível universitário, com apoios financeiros que assegurem o nível mínimo de vida a estudantes que precisarem;

– garantia universal de que todos os pagamentos trabalhistas e sociais estejam acima do nível mínimo de vida.

Ao qual devemos acrescentar:

– direito a formar sindicatos em cada centro de trabalho, independentes e não verticais, ou seja, que patrões e dirigentes não possam fazer parte deles;

– direito à greve para todas as classes trabalhadoras (com exceções socialmente consensualizadas);

– obrigatoriedade do convênio coletivo de trabalho para todo centro laboral;

– proibição de contratos trabalhistas não-escritos;

– liberdade de expressão, criação, pensamento, auto-organização e ação social solidária, e sempre respeitosa a todos os direitos dxs outrxs.

4. Toda a sociedade cubana tem direito a que suas vozes sejam ouvidas através dos meios públicos, e não só as que representam a oligarquia decisiva e as de quem essa oligarquia decisória seleciona para aparentar “diálogo”.

5. A luta contra a morte, que estamos vivendo, demonstra que podemos nos auto-organizar por cima de brechas ideológicas, e frente a quem nos tem optado por bloquear, saquear e precarizar. Acreditamos que o melhor futuro do povo está nessa auto-organização, também para o trabalho, a aprendizagem e a digna satisfação das necessidades de todxs pelo trabalho de todxs.

6. Todos os totalitarismos devem ser combatidos.

7. Não somos um país pobre, mas empobrecido. Quem trabalha em Cuba hoje, por salários insuficientes, sem acesso sequer a produtos básicos, vendidos em moeda estrangeira pela oligarquia (com privilégios muito acima das maiorias que lutam para sobreviver), saberemos criar um país melhor. Somos um povo que luta. Essa luta e essa criação não devem ser interferidas por oligarquias decisórias estrangeiras, nem nativas.

#AbajoElBloqueo [Abaixo Ao Bloqueio] dos Estados (Unidos ou não) contra o povo de Cuba

Taller Libertario Alfredo López, coletivo membro da Federação Anarquista de Centroamérica e Caribe, Região de Cuba, 24 de setembro de 2021.

Tradução > Caninana

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/11/cuba-dialogos-com-o-taller-libertario-alfredo-lopez-o-bloqueio-externo-do-governo-e-o-governo-do-bloqueio-interno/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/21/cuba-o-fim-do-encantamento-social-da-revolucao/

agência de notícias anarquistas-ana

zunir da cigarra…
no instante da pausa
o silêncio ecoa

Gustavo Terra

[Espanha] Nova celebração do Dia do Guerrilheiro em Cáceres

Outro ano mais, e a convocatória da CNT-Cáceres Norte, se realizou uma homenagem à guerrilha antifranquista no Mirador da Memória, em El Torno (Cáceres).

Um ano mais, sendo esta já a nona edição se celebrou neste domingo, 3 de outubro, em El Torno (Cáceres), no espaço onde se levanta o monumento à memória dos perseguidos pelo franquismo, os atos comemorativos do Dia do Guerrilheiro.

Às 12 da manhã, convocado pela CNT-Cáceres Norte, e com a participação de várias dezenas de pessoas, aconteceu a tradicional homenagem, seguido de um almoço de fraternidade em Las Vaquerizas.

Durante o primeiro dos atos, e entre diversas intervenções, se fez a leitura de um comunicado onde se assinalou que  “por muito que nos digam, por muito que nos contem, por muito que nos mintam, o franquismo segue vivo e presente em nossa sociedade e goza ainda de muito boa saúde. Não é um franquismo sociológico, nem nostálgico, como querem nos fazer crer, mas um franquismo com franquistas que nem sequer nasceram durante aquele período histórico tão nefasto, que legitimam ainda o horror da história, a perseguição, a tortura, os crimes, as violações, o saque generalizado, a humilhação constante e, definitivamente, a barbárie e os bárbaros”.

Foi denunciado também como “aqui, nesta serra e neste dia de chuvas, sob as pedras, entre as matas e os picos, se oculta ainda uma verdade histórica que é continuamente posta em dúvida pelos que fazem da mentira dogma de fé e grama das escolas. A serra foi o primeiro refúgio de quem, da noite à manhã, tiveram que fugir com o lugar e a fome de todos os dias, para escapar da traição e da morte uniformizada que chamava a suas portas”.

Na conclusão da mesma intervenção se assinalou também a vigência da luta dos guerrilheiros e guerrilheiras antifranquistas, plasmada hoje na “guerrilha que baixa todos os dias do monte para impedir um desalojo à porta de uma casa onde só vivem pobres, para combater o machismo que assola nossas mentes, para denunciar o roubo a mão armada de nossas pensões, para educar as mentes livres e sem preconceitos, para acabar com as fronteiras e abrir as portas a nossos irmãos e irmãs de outras terras, para proteger os meninos e as meninas, venham de onde vierem, para impedir o saque dos campos e a imposição das minadoras em nossas montanhas, para denunciar uma sociedade que maltrata o marginalizado e encobre os corruptos, para proclamar o amor com quem se queira e como se queira aos quatro ventos, para ocupar os locais da especulação dos bancos maus e dos bancos bons (porque não há nenhum banco honrado), para exercer a liberdade de expressão”.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/memoria-historica/nueva-celebracion-dia-guerrillero-caceres

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A rãzinha verde.
Brinquedo de esconde-esconde
entre as folhas tenras.

Zuleika dos Reis

[Espanha] Contra a privatização do sistema público de previdência e pelos direitos sociais

Por Secretaria Permanente do Conselho Confederal

O crash de 2008, provocado pela voracidade especulativa do capital financeiro cujos lucros milionários foram segurados em paraísos fiscais, produziu na Espanha a crise do tijolo e dos bancos. Este cenário permitiu ao lobby financeiro, através da Comissão Europeia neoliberal, do FMI e do Banco Mundial, sequestrar a soberania nacional, impondo reformas trabalhistas, previdenciárias e constitucionais para garantir que o dinheiro que sucessivos governos davam aos bancos e empresas espanholas fossem pago pelos cidadãos do país. E assim vieram as reformas previdenciárias e trabalhistas, que foram impostas com quase nenhuma resistência social ou oposição daqueles que deveriam representar o povo trabalhador.

As consequências dessas reformas são atualmente visíveis no mundo do trabalho, pois levaram a contratos precários, desmantelaram a negociação coletiva (que torna vulneráveis as posições dos trabalhadores, permite o trabalho por peça que era proibido, como no caso das Kellys (empregadas domésticas diaristas), agricultura e subcontratação e desregulamentaram o ERE, utilizado por empresas com altos lucros e sem revoluções tecnológicas, para demitir trabalhadores com mais de 50 anos e substituí-los por jovens com contratos temporários, a baixo custo e com longas horas de trabalho, como no setor bancário de hoje. Tudo isso é pago com o dinheiro dos próprios trabalhadores. No que diz respeito às pensões, elas agora são mais baixas e de difícil acesso, enquanto os recursos da Previdência Social (dinheiro que nós trabalhadores pagamos ao fundo de pensão) têm sido utilizados para despesas que não estão relacionadas a ela, com o objetivo de desmantelá-la. Foram realizadas duas reformas que prolongaram a idade da aposentadoria, desvalorizaram as pensões abaixo do IPC, aumentaram os anos de contribuição exigidos, penalizaram a aposentadoria antecipada em longas carreiras contributivas, impuseram o fator de sustentabilidade que deixa o valor das futuras pensões nas mãos dos governos, violando a própria Lei Geral da Seguridade Social.

Desde 2008, a pobreza e a brecha econômica cresceram, os ricos se tornaram mais ricos ao custo lógico do aumento do número de cidadãos que vivem em extrema pobreza, mesmo tendo empregos, com mulheres e menores sendo particularmente afetados. Temos trocado justiça por caridade, mas uma crescente mobilização social surgiu desde 11M, que não está disposta a continuar a permitir que mais direitos nos sejam tirados.

Agora, sob o pretexto da epidemia da COVID, eles querem dar um novo impulso ao saque dos recursos públicos, particularmente das pensões. Assim, eles propuseram um plano milionário de recuperação para as grandes empresas para sua adaptação ecológica e de telecomunicações. Mas não será financiado por aqueles que lucraram poluindo o planeta ou monopolizando as comunicações, mas sim pela dívida do Estado. E para pagar esta dívida, a condição é que um dos poucos ativos públicos restantes – as pensões – seja privatizado. Eles pensam que podem repetir com impunidade o que fizeram depois de 2008.

Sob um chamado Acordo Social, cujo conteúdo real é desconhecido dos trabalhadores, eles pretendem iniciar a privatização das receitas da previdência social e desviar nossas contribuições para fundos especulativos. Este movimento é encoberto pela regulamentação de que as pensões serão reavaliadas por 5 anos, mas na realidade já o tínhamos conseguido nas ruas. Seu objetivo é saquear os cofres do estado e desmobilizar o movimento dos aposentados, tentando justificar que agora eles vão resolver o problema. Não é a primeira vez que na saúde, educação ou trabalho cada vez que fazem uma reforma o resultado para o povo é que as coisas pioram.

Mas os pensionistas, movimentos sociais e parte do movimento sindical não vão aceitar esta isca e iniciamos um processo de informação e mobilização. Diante daqueles que justificam estas reformas, exigimos que as contas da previdência social sejam auditadas, pois a propaganda de que ela é insolvente é simplesmente falsa e enviesada para justificar as mudanças. Já 7 forças políticas no Parlamento e centenas de municípios deram seu apoio a esta demanda.

Além disso, diante da tentativa de impor suas reformas, exigimos a reversão das reformas previdenciárias e trabalhistas anteriores para garantir uma pensão decente para todos acima de 1080 euros, conforme estabelecido na Carta Social Europeia, para acabar com a diferença de gênero nas pensões e para retornar à aposentadoria aos 65 anos de idade. Por todas estas razões, vamos voltar a Madri em 16 de outubro, como fizemos há dois anos. Apelamos para a população a aderir a um processo de mobilização que não abandonamos e que continuará nos próximos meses, até revertermos as tentativas de privatizar e degradar o sistema de pensão pública que o setor financeiro quer impor em toda a Europa. Este é um problema para todos os cidadãos e, portanto, as organizações signatárias apelam aos pensionistas, trabalhadores e jovens para que se mobilizem solidariamente neste dia e abram um processo de debate sobre pensões em locais de trabalho e centros de estudo em todo o país.

QUEM QUER QUE GOVERNE, O SETOR PÚBLICO E AS PENSÕES SÃO DEFENDIDOS.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/contra-la-privatizacion-del-sistema-publico-de-pensiones-y-por-los-derechos-sociales/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Noite. Um silvo no ar.
Ninguém na estação. E o trem
passa sem parar.

Guilherme de Almeida

[Espanha] Palestra de Elisa Di Bernardo sobre Gabriel Pombo Da Silva

SÁBADO, 9 DE OUTUBRO DE 2021, ÀS 19H00

Depois de mais de 30 anos encarcerado em diversas prisões europeias, 23 deles em regime de isolamento, Gabriel Pombo da Silva deveria estar junto a sua pequena filha e sua companheira Elisa e não preso em um frio e duro cárcere em León.

No sábado 9 de outubro a partir das 19 horas a compa Elisa di Bernardo estará conosco na La Libre para contar-nos a situação atual de seu companheiro, o preso anarquista Gabriel Pombo da Silva e como se chegou a esta situação, através de sua trajetória de luta fora e dentro dos cárceres. Também nos contará como o Estado tem enrolado os presos e como com a desculpa da Covid aplicaram novas e duras restrições e ampliaram os castigos aos já condenados.

Que Gabriel siga fechado em uma cela do reino da Espanha é denunciado como prevaricação, mas além do que decidam os tribunais nesse aspecto, é inegável que está cumprindo uma cruel e vingativa prisão perpétua encoberta.

Para situá-los no caso podes ler o artigo realizado por El Salto “La vida tras las rejas del anarquista gallego Gabriel Pombo” (elsaltodiario.com/carceles/la-vida-tras-las-rejas-del-anarquista-gallego-gabriel-pombo-da-silva). Os esperamos!!!

P.S.- Esse mesmo sábado 9 de outubro, das12 h às 14h da tarde, foi convocada uma concentração de apoio a Gabriel nas portas da prisão de Mansilla de las Mulas em León.

Fonte: https://www.librerialalibre.org/actividad/charla-elisa-di-bernardo-sobre-gabriel-pombo-da-silva

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/14/espanha-pela-legitima-libertacao-de-nosso-companheiro-gabriel-pombo-da-silva/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/21/espanha-atualizacao-sobre-gabriel-pombo-da-silva/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/26/espanha-vamos-apoiar-gabriel-pombo-da-silva/

agência de notícias anarquistas-ana

Ipê-amarelo –
A surpresa do encontro
Na praça do bairro

Amauri Solon

Chamada para apresentação de Publicações, Atividades e Bancas | X Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS) | 26, 27 e 28 de novembro de 2021

Saudações companheiras e companheiros anárquicos e anarquistas.

A X Feira do Livro Anarquista está crescendo e tomando forma, algumas afinidades já têm confirmado sua presença e algumas atividades já estão sendo programadas e construídas.

Nesse entusiasmo, chamamos a todas as individualidades e coletivos que procuram que viva a Anarquia, a todos e todas que sentem a inquietude diante de toda forma de autoridade e poder, e a todos e todas que se interessam em conhecer uma posição que não pretende mandar nem obedecer, a inscrever sua atividade, apresentação de publicações (livros, zines, revistas), banca ou sugestões mediante os e-mail da Feira:

fla-poa2021@riseup.net ou flapoa@libertar.se

Precisamos que junto do titulo da atividade, nos mandem um breve resumo da mesma, e suas necessidades especificas (projetor, salas, mesas, cadeiras, ponto de luz, ou gramado, banca, etc.), assim como se precisam hospedagem e para quantas pessoas.

Estaremos recebendo suas propostas até o 6 de novembro, para desde essa data, dispormos a elaborar e juntar os materiais necessários para a realização da Feira e ter um tempo de difusão das atividades.

Para as pessoas que queiram participar da Feira, chegando de outros lugares, e não tenham uma atividade ou publicação, também gostaríamos de saber se precisam hospedagem e os dias em que nos visitarão.

X FLA POA 2021

flapoa.libertar.se

agência de notícias anarquistas-ana

Que lua, que flor
nada, bebo umas doses
aqui sozinho.

Bashô

Aconteceu! 22 de agosto de 2021, Semana de Agitação Pelos Anarquistas Presos, Porto Alegre (RS).

No 23 de agosto de 1927, os anarquistas Sacco e Vanzetti foram executados por lutar contra a dominação, desde então e atualizando a solidariedade, levamos adiante a Semana de Agitação Pelxs Anarquistas Presxs.

Na vigência da luta contra toda autoridade, no sábado 21 de agosto, no “Brooklin” de Porto Alegre, realizamos uma atividade com o sorteio de uma rifa para juntar o vil metal para a defesa dos compas, Mónica e Francisco. Como bem sabemos, no território controlado pelo Estado chileno, Mónica Caballero e Francisco Solar, dois companheiros anarquistas declaradamente inimigos da dominação estão nas prisões acusados mais uma vez de atentar contra o poder e a autoridade.

Anarquistas como somos, apegados ao faça você mesmo e irredutíveis no que tem a ver com a liberdade, lançamos um chamamos a todxs que amam a liberdade e celebram não apenas os ataques contra os tiranos e suas instituições, mas que celebram que existam companheiros indomáveis que diante do inimigo não baixam a cabeça e gritam Viva a Anarquia! para participar da rifa e, em duas semanas as prontas respostas aqueceram os corações.

Logo após a atividade saímos para deixar nas ruas da cidade, mais uma vez, a presença de nossos companheirxs sequestradxs pelos estados.

O dinheiro já foi entregue em partes iguais para Mónica e Francisco graças aos companheiros que fazem cotidianamente da solidariedade uma arma contra o isolamento das prisões. Os prêmios, amostra de laços e afinidades, e que já foram encaminhados aos ganhadores foram publicações, camisetas e patches, ou seja propaganda anarquista, que chegou desde diversas regiões do território em conflito com o Estado brasileiro e que é a viva amostra de que desde várias regiões procura-se que viva a Anarquia.

Um movimento que esquece seus presxs está fadado ao fracasso.”

agência de notícias anarquistas-ana

Vozes das aves.
Nessas horas, um poeta
não tem mais mundo.

Bashô

[Espanha] Apresentação do livro ‘Caminando entre aristas’

Na quinta feira 7 de outubro, às 19 horas, acontecerá na sede de nossa fundação a apresentação do livro “Caminando entre aristas”. Pobres, hereges e malditas do medievo. Para a ocasião contaremos com a presença de seu autor, Jordi Maíz, com quem falaremos para conhecer os detalhes de sua nova obra.

Editado por Piedra Papel Libros, “Caminando entre aristas” aborda os discursos dominantes da Idade Media, assim como os relatos resistentes e opositores que emergiram frente a todo tipo de adversidades. Uma chamativa publicação pela mão de Jordi Maíz, estudioso de tantos processos revolucionários e editor da Calumnia Ediciones. Os deixamos com uma sinopse do livro e os animamos a ir à apresentação, na próxima quinta-feira 7 de outubro. Os esperamos.

Os livros de História estão repletos de fatos que abordam a vida e as façanhas dos grandes personagens. Reis, bispos e santos exerciam seu poder sobre a imensa maioria dos mortais. Os poderes do momento se reinventavam uma e outra vez para continuar usando privilégios que lhes permitiam viver folgadamente.

“Caminando entre aristas”… é um estudo que aborda os discursos dominantes dessa época, mas também as resistências, as variadas e silenciadas oposições que apareceram frente a múltiplas adversidades e calamidades. Um ensaio, no qual percorreremos os dispersos cenários da pobreza, as heresias, a grande peste negra, o medo ou a loucura. Será questão de visibilizar as margens da História e focar, ainda que seja instantaneamente, os protagonistas desses acontecimentos.

Piedra Papel Libros

Quando? Quinta feira 7 de outubro

Onde? Sede da FAL. Calle Peñuelas 41, metro Acacias ou Embajadores

Horário? 19h00

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Tranqüilidade —
O monge da montanha
Espia através da cerca.

Issa

Abusos na Igreja Católica: investigação revela milhares de pedófilos na França

Milhares de pedófilos operam dentro da Igreja Católica francesa desde 1950, afirmou o chefe de uma comissão que investiga abusos cometidos por membros da igreja.

Jean-Marc Sauvé informou à imprensa francesa que a comissão encontrou evidências de 2,9 mil a 3,2 mil autores de abusos — de um total de 115 mil padres e outros clérigos.

“Essa é uma estimativa mínima”, acrescentou.

A investigação foi encomendada pela Igreja Católica francesa em 2018, após uma série de escândalos em outros países.

Sauvé, um alto funcionário público, disse ao jornal francês Le Monde que a comissão entregou aos promotores provas de 22 casos em que um processo criminal ainda poderia ser aberto.

Ele acrescentou que os bispos e outras autoridades eclesiásticas foram informadas de outras acusações contra pessoas que ainda estavam vivas.

O relatório final da comissão — que tem entre seus membros, médicos, historiadores, sociólogos e teólogos — possui 2,5 mil páginas.

Mais de 6,5 mil vítimas e testemunhas foram contatadas ao longo dos dois anos e meio de investigação.

Christopher Lamb, da publicação católica The Tablet, disse à BBC que os escândalos de abuso mergulharam a Igreja em “sua maior crise em… 500 anos”.

Em junho deste ano, o Papa Francisco mudou as leis da Igreja Católica para criminalizar explicitamente o abuso sexual, em sua maior reforma do Código de Direito Canônico em décadas.

As novas regras transformam o abuso sexual, o aliciamento de menores, a posse de pornografia infantil e o encobrimento de abusos em crimes sob as leis do Vaticano.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-58790919

agência de notícias anarquistas-ana

Noite sem lua ou estrelas
o bebedor de sakê
bebe sozinho.

Matsuo Bashô

As finanças do céu: a milionária rede dos Legionários de Cristo em um paraíso fiscal

A congregação religiosa criou uma estrutura ‘offshore’ com 1,6 bilhão de reais em ativos enquanto o Vaticano investigava a opacidade de suas contas. Os ‘Pandora Papers’ contradizem a Legião, que tinha informado não possuir mais esse tipo de arquitetura financeira

Os Legionários de Cristo não estão acostumados a falar sobre dinheiro. Dentro desta congregação católica, uma das mais ricas do mundo, poucos são os que conhecem o tamanho de seu império econômico. Os Pandora Papers, o último vazamento a que o Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ) teve acesso, abre uma janela para as finanças do céu: os mais altos escalões da ordem religiosa criaram na última década uma opaca rede de fundos fiduciários e subsidiárias que operam em um paraíso fiscal sem deixar rastros de quem está por trás disso.

Sacerdotes e empresários próximos à instituição criaram entre 2010 e 2011 um intrincado esquema que em poucos anos acumulou mais de 295 milhões de dólares (1,6 bilhão de reais) em ativos com investimentos em setores como imobiliário, de tecnologia e petrolífero. A Legião admite ter criado parte da estrutura para “receber donativos”, mas negar ter controle sobre os fundos fiduciários usados para investir em cerca de trinta empresas. A milionária estrutura financeira foi criada durante a intervenção do Vaticano há uma década. Os escândalos de abuso sexual e as finanças opacas dos Legionários de Cristo vinham fermentando durante anos como um coquetel explosivo que finalmente saltou pelos ares. As manchetes dos jornais em todo o mundo se acumulavam às dezenas. Tiveram que limpar a casa e, em julho de 2010, o papa Bento XVI iniciou uma investigação. O escolhido para a missão foi o cardeal Velasio de Paolis, então responsável pelas finanças do Vaticano e homem de confiança do pontífice. Ele teve que sanear a congregação e pôr ordem em um enorme patrimônio financeiro. O processo durou dois anos e meio, e o relatório final prometia a renovação da instituição. Os Pandora Papers agora revelam que, enquanto se gabavam de ter a casa limpa, eles montaram um esquema para absorver dinheiro por meio de três fundos fiduciários na Nova Zelândia. Um destino regular para quem queria fugir dos impostos sobre riqueza.

Em 6 de julho de 2010, três dias antes da nomeação pública de De Paolis, quando o papa já havia notificado a Legião internamente sobre o nome do controlador, a congregação abriu um fundo fiduciário irrevogável (um tipo de estrutura que não pode ser modificada ou encerrada sem a permissão do beneficiário, neste caso, a Legião de Cristo). A entidade, chamada The Retirement and Medical Charitable Trust (fundo fiduciário médico e de aposentadoria, RMCT), estada formatada para “arrecadar doações e fazer investimentos” e, com esse dinheiro, “ajudar financeiramente aposentados, deficientes mentais ou feridos em algum acidente”, de acordo com a ata de criação. Por trás da fachada de beneficência, no entanto, havia uma estrutura composta por dois outros fundos fiduciários que investia milhões de dólares a cada ano em um portfólio exótico demais para uma congregação conhecida por sua doutrina conservadora.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://brasil.elpais.com/pandora-papers/2021-10-04/as-financas-do-ceu-a-milionaria-rede-dos-legionarios-de-cristo-em-um-paraiso-fiscal.html

agência de notícias anarquistas-ana

Borboletas e
aves agitam voo:
nuvem de flores. 

Bashô