50 anos após o golpe no $hile, 11 de setembro, Setembro Negro

SÓ O MEL DA VINGANÇA

DEVOLVE AQUELES QUE DESAPARECERAM 

11 DE SETEMBRO NA RUA!

50 anos depois da ofensiva burguesa que consolidou a atual fase do capital e da sua gestão democrática; DESATAR A OFENSIVA ANÁRQUICA até chegar a um ponto sem volta. Praticar a ilegalidade e expropriar os meios e armas necessários para qualificar a insurreição permanente. Transformar a solidariedade em ataque e que ela se multiplique sem líderes e em todas as direções!

PELA DESTRUIÇÃO DO DOMÍNIO

EM TODAS AS SUAS EXPRESSÕES.

NÃO ESQUECEMOS NENHUM NOME,

NÃO ESQUECEMOS NENHUM ROSTO.

agência de notícias anarquistas-ana

Chove mansinho.
Na borda do precipício
uma moça cega.

Manuela Miga

[Espanha] Seção sindical formada na Seção Sindical DXC Technology Spain Astúrias

Os companheiros da CNT de La Felguera formaram a seção sindical DXC Technology Spain Asturias.

A DXC Technology trabalha para ajudar empresas globais a gerenciar seus sistemas e operações de missão crítica, otimizando arquiteturas de dados e garantindo a segurança e escala através de nuvens públicas, privadas e híbridas na Espanha, que é líder no mercado de TI, com mais de 6.600 funcionários em 11 centros que atendem a quase 200 clientes de todos os setores, tanto no setor público quanto no privado.

Após a perda de 15,1% do poder de compra desde 2020, o equivalente a 55 dias de salário por ano, a CCOO e a UGT assinam um acordo com aumentos bem abaixo da inflação, os companheiros da CNT decidem formar a Seção para reverter a situação e melhorar as condições de trabalho da equipe.

A Seção Sindical pede o apoio a todas as mobilizações e a organização em assembleias autônomas fora das estruturas verticais dos comitês.

Deve-se observar que, nas eleições sindicais realizadas há menos de um mês, o comparecimento foi de apenas 26%, portanto, temos certeza de que alguns candidatos eleitos obtiveram menos votos do que os membros da nossa seção, o que deslegitima o comitê a tomar qualquer decisão em nome dos funcionários.

Somente a luta nos devolverá o que eles estão roubando de nós.

Assembleias para decidir

Ação direta para vencer

Saúde e anarcossindicalismo!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/constituida-la-seccion-sindical-en-seccion-sindical-dxc-technology-spain-asturias/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem, ergue a pálpebra!
Quero ver o olho de cego
com que sondas a noite.

Alexei Bueno

Lançamento: “Matando e transformando o homem dominante”, do Instituto Andrea Wolf (Academia Jineolojî)

O processo de destruição do patriarcado ocorre historicamente em diversas frentes e possibilidades. Dentre as várias tradições de combate pela libertação da sociedade, o povo curdo tem se destacado pela forma como enfrentou o Estado Islâmico e criou um vasto território autodeterminado, baseado nos princípios do Confederalismo Democrático. Essa experiência só foi possível devido ao processo de libertação das mulheres, que há décadas vêm se construindo social e politicamente em novas formas, além de filosoficamente, através da Jineolojî, a ciência das mulheres.

Como um chamado para a destruição do patriarcado, o Instituto Andrea Wolf, da Academia Jineolojî em Rojava, no Curdistão, convida os homens para esta difícil tarefa: reconstruir a sociedade fora dos sistemas capitalista, machista e patriarcal.

Assim, é com enorme felicidade que lançamos hoje o livro “MATANDO E TRANSFORMANDO O HOMEM DOMINANTE”, a primeira tradução em língua portuguesa da obra, com 128 páginas e produzido artesanalmente no tamanho de 12x18cm.

Além do livro, o pôster “JIN, JIYAN, AZADI” será enviado gratuitamente a todas as pessoas que encomendarem a obra.

Para encomendar a obra “MATANDO E TRANSFORMANDO O HOMEM DOMINANTE”, visite nossa loja, em https://linktr.ee/tsa.editora

agência de notícias anarquistas-ana

Longe um trinado.
O rouxinol não sabe
que te consola.

Jorge Luis Borges

[EUA] Neonazistas se manifestaram na Disney

Grupos de supremacistas brancos agitaram bandeiras com suásticas enquanto cantavam “estamos em todos os lugares”.

No fim de semana, vários grupos de extrema direita marcharam por Orlando, Flórida, até o complexo Walt Disney World.

De acordo com vídeos postados nas mídias sociais, grupos como “Blood Tribe” e “The Goyim Defense League” estavam presentes em vários pontos da cidade carregando bandeiras com suásticas, cantando slogans racistas e anti-LGBTQ. Eles foram ouvidos gritando “estamos em todos os lugares”, de acordo com um vídeo compartilhado por um morador da Florida. Os manifestantes também fizeram saudações do tipo “Heil Hitler”.

O Centro de Extremismo da Liga Anti-Difamação emitiu uma declaração na sexta-feira alertando sobre futuras convocatórias desses grupos. De acordo com panfletos distribuídos no fim de semana, grupos de extrema direita estão preparando uma grande manifestação chamada “Marcha dos Camisas Vermelhas”.

De acordo com a mídia local, esses e outros grupos que protestaram recentemente, como a “Ordem do Sol Negro”, um grupo de extrema direita que afirma ser afiliado à “Rede da Liberdade Ariana”, são simpatizantes do pré-candidato republicano Ron DeSantis, embora também haja sérias dúvidas sobre alguns de seus membros, que estão ligados às agências de segurança e inteligência dos EUA.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Desolação de inverno —
Ao passar pela pequena aldeia,
Um cão late.

Shiki

[Chile] Ação Antifascista | 9 de setembro | Santiago | Não Passarão!

Neste sábado, 9 de setembro, diversos grupos antifascistas se reunirão para realizar uma ocupação no centro de Santiago, no dia em que o Pinochetismo quer celebrar o golpe militar e zombar de todos aqueles que perderam a vida, foram torturados e assediados naquele dia sombrio em setembro.

Em memória de todos os trabalhadores, moradores, estudantes, músicos que sofreram a covarde repressão fascista, nos convocamos nas ruas para dizer em voz alta e como sempre

NÃO VÃO COMEMORAR, NÃO PASSARÃO!!!

#acciondirecta #acciónantifascista #a50añosdelgolpe #a50añosdelgolpefascista #nopasarán #abajoelpinochetismo

agência de notícias anarquistas-ana

lua alta
céu claro
o som da folha caindo

Alexandre Brito

[Argentina] Lançamento: “Todo el mundo odia a la policía ¿entonces?”

Apresentação

Em setembro de 2020, durante o confinamento mundial ocorrido por causa da pandemia de COVID-19, a polícia bonaerense levou a cabo uma série de medidas de pressão por melhoras em suas condições laborais, encontrando uma rápida e satisfatória resposta a suas exigências por parte do Estado.

Este protesto abriu um debate dentro dos setores políticos que tradicionalmente se identificaram com o movimento obreiro sobre como se posicionar ante a reivindicação policial, e em última instância, se se deve considerar trabalhadores ou não a quem atua como polícia.

Esses fatos nos trouxeram à memória um debate similar vivido em 2013, quando se sucederam paralizações policiais provinciais. Nesse momento, nos conformamos em afirmar que o papel da polícia era o de esbirros, agentes da burguesia na guerra declarada contra a classe explorada.

Sete anos depois, o que chamou nossa atenção foi a facilidade com a qual assumimos bandeiras, que podem soar fortes, mas não acrescentam maior conteúdo a uma reflexão coletiva que nos permita compreender o presente, muito menos planejarmos um futuro emancipado da ordem social do Estado e do Capital.

Esta crítica sobre o superficial e efêmero das bandeiras a adotamos para nós mesmos, mas também com todo esse âmbito ideológico que, sete anos depois, repetia a discussão a respeito de se os policiais podem ser ou não considerados trabalhadores. De um modo geral, enquanto uma parte da socialdemocracia argumentava que os policiais não podem ser considerados trabalhadores, posto que não cumprem com sua visão idealizada de como devem ser os trabalhadores; outro setor não deixava lugar a dúvidas sobre sua condição de trabalhadores, pontualizando a necessidade da sindicalização policial, chegando a situar estes protestos como ponta de lança do movimento obreiro (à qual faltaria a direção de SEU partido). Por sua parte, o partido no poder assinalava que não se devia apoiar devido a que os protestos eram o germe de um movimento golpista da oposição, o qual não o impediu conseguir até 55% de aumento nos soldos básicos de policiais e militares.

Finalmente, dentro do anarquismo, mais além do desprezo antiyuta [antipolícia] generalizado, nos pareceu interessante a reflexão que assinalava que os policiais são trabalhadores, não sem esclarecer antes que “ser um trabalhador é uma merda”.

Enquanto ocorrem tais discussões, atadas a uma suposta moral do trabalho, odiar a polícia se tornou um slogan que adorna roupas de moda.

E se bem, isto pode ser um sinal que mostra a generalização do desprezo à polícia, e à autoridade, não vemos por outro lado que esse ódio vai ao lado de questionar e criticar a sociedade que necessita da polícia. É mais, se torna cada vez mais patente que muitas dessas expressões de ódio à polícia no fundo reclamam por outra polícia, uma melhor.

Tudo isto se tornou ainda mais patente à luz dos discursos que propõem a abolição da polícia, sua refundação e outras perspectivas reformadoras destes corpos encarregados de manter a ordem social que começaram a escutar-se desde os Estados Unidos após o assassinato de George Floyd em 2020, ou no Chile a propósito do descrédito da instituição policial, produto de uma série de fraudes ao Estado e as constantes violações dos Direitos Humanos, e inclusive na Argentina onde um movimento político propõe o  “controle popular da polícia”.

Interrogar-nos sobre para que existe a polícia e as formas que adquire o controle social, nos ajuda a entender as relações sociais desenvolvidas sob o capitalismo, das quais todos e todas somos parte, e, portanto, capazes de implantar condições para sua superação.

Por isso, desta vez não quisemos ficar nos slogans e tivemos a necessidade de desenvolver esta questão.

>> Baixe o livreto aqui:

https://www.mediafire.com/file/aaii6xe1d2ycmfj/LCALDERA.TP+LECTURA+WEB.pdf/file

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

curta noite
perto de mim, junto ao travesseiro
um biombo de prata

Buson

[Itália] Encontro em Carrara sobre as perspectivas atuais da propaganda anarquista

Nos dias 9 e 10 de setembro, nos reuniremos no Circolo Culturale Anarchico “Gogliardo Fiaschi” para discutir o desejável relançamento de “um jornal impresso que seja uma expressão e um instrumento real e ativo de um grupo amplo e variado de camaradas que anseiam por um projeto radical de derrubada social”.

Durante o encontro – convocado com o editorial “Como mudamos?” publicado na última edição do quinzenário “Bezmotivny”, antes da operação Scripta Scelera em 8 de agosto – teremos a oportunidade de discutir a pesquisa, bem como refletir sobre as perspectivas atuais das publicações anarquistas e revolucionárias.

Sábado, 9 de setembro, 14h00

Domingo, 10 de setembro, 10h00

Circolo Culturale Anarchico, Via Ulivi 8, Carrara.

Para obter informações: senzamotivo@riseup.net

Fonte: https://ilrovescio.info/2023/09/01/9-10-settembre-carrara-incontro-sulle-prospettive-attuali-della-propaganda-anarchica/

agência de notícias anarquistas-ana

Vendaval. Nas nuvens,
veloz desfila o falcão:
um surfista no ar.

Ronaldo Bomfim

[São Paulo-SP] No CCS, 09/09: “Da Liberdade à Forca: uma conversa decolonial”

O artista plástico e ator Allan Cesar Dias apresentará “Da Liberdade à Forca: uma conversa decolonial”, um vídeo performance de três minutos, no qual mostra o seu cotidiano, focando no trabalho braçal que executa no judiciário paulista, seu contato venal com as ruas do bairro da Liberdade (lugar de herança colonial) e sua busca para se descolonizar.

O vídeo, juntamente com a escultura (foto 2) “Flores para Ibeijada (Cosme, Damião, Doum)”, compuseram a instalação criada por Allan, que ficou em exposição de setembro de 2022 a janeiro de 2023, no Museu do Bronx, integrando a mostra da Trienal de Arte Latino Americana de Nova Iorque. A escultura representa uma coroa de flores em homenagem a um menino de 13 anos que, por estar sob o efeito de lança-perfume, foi morto a socos no bairro da Liberdade.

Após a exibição, Allan fará um breve relato sobre a origem do nome do bairro da Liberdade, seus costumes e suas crenças, e irá realizar a contação da história “Chaguinhas e o bairro da forca”.

Evento presencial e gratuito, 09 de setembro, sábado, às 16h, no Centro de Cultura Social de São Paulo.

Lembrando que no CCS-SP nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

agência de notícias anarquistas-ana

tua covardia
não é minha
teu riso, outra ironia

Goulart Gomes

[Espanha] Barcelona: Operação policial contra a juventude combativa

Dez pessoas foram detidas e duas permanecem em busca e captura, acusadas de manifestação ilícita, danos e desordens durante a manifestação unitária do 1º de maio passado em Barcelona.

Quatro pessoas foram detidas imediatamente depois da manifestação, quatro detidas em 23 de agosto, uma em 24 e outra em 25. Todas estão acusadas dos mesmos delitos. Também segundo o atestado ainda há duas que não foram localizadas. Pelo momento todas foram postas em liberdade à espera de julgamento.

Queremos recordar que a manifestação do dia da classe trabalhadora em Barcelona, convocada pela Mesa Sindical da Catalunha e uma série de organizações e coletivos da esquerda rupturista catalã, percorreu as ruas do centro de Barcelona em um ambiente reivindicativo. Que os graves enfrentamentos que os mossos [polícia catalã] descrevem, na realidade não foram mais que várias entidades bancárias ou outros símbolos do capitalismo com os vidros quebrados.

O número de detidos, e a espetacularidade das detenções, nos faz pensar que mais que umas detenções para perseguir uns fatos concretos, trata-se de uma Operação policial para disciplinar e atemorizar os jovens combativos da cidade.

Por isso queremos mostrar todo nosso rechaço à Operação e pedimos que se retirem as acusações a todas as pessoas acusadas por participar na manifestação unitária anticapitalista do 1º de maio.

Por isso queremos mostrar toda nossa solidariedade e apoio aos 12 jovens libertários perseguidos por estes fatos e mostrar que não estão sós.

Que o medo não nos paralise.

Viva a luta da classe trabalhadora.

CGT, CNT, SONIDO, CUERPO, COBAS, IAC – Mesa Sindical da Catalunha.

Barcelona, 25 de agosto de 2023.

Fonte: https://cgtcatalunya.cat/operacio-policial-contra-el-jovent-combatiu/

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/01/espanha-o-movimento-anarquista-na-mira-da-policia-catala/

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passarinho na cerca
enfeita o infinito
da colheita

Camila Jabur

[Reino Unido] Manifestantes terão como alvo a feira de armas de Londres com duas semanas de resistência

Os ativistas estão se preparando para resistir à Defence and Security Equipment International (DSEI), uma das maiores feiras de armas do mundo. A DSEI estará sendo realizada no ExCeL Centre, em Londres, entre os dias 12 e 15 de setembro. Os protestos começarão em 4 de setembro e durarão duas semanas, sendo que a primeira semana terá como alvo a montagem da feira de armas.

Mais de 2.800 fornecedores de defesa e segurança estarão cortejando negócios com representantes de regimes que violam os direitos humanos, incluindo Arábia Saudita, Turquia, Bahrein, Qatar e Israel. Os ativistas argumentam que os acordos feitos na DSEI levam à morte e à devastação em todo o mundo.

A Stop the Arms Fair (STAF) coordena a quinzena de resistência, com outros grupos organizando eventos ou dias específicos. Esses dias destacarão as interseções entre o comércio de armas e as diferentes áreas e comunidades que ele afeta, incluindo a justiça para migrantes, a venda de armas para Israel, a crise climática, o policiamento e as prisões, entre outros.

Emily Apple, coordenadora de mídia da Campaign Against Arms Trade, disse:

A DSEI é um mercado de morte e destruição. Os negócios realizados na DSEI causarão miséria em todo o mundo, provocando instabilidade global e devastando a vida das pessoas. Representantes de regimes como o da Arábia Saudita, que usaram armas fabricadas no Reino Unido para cometer crimes de guerra no Iêmen, serão recebidos com um jantar e incentivados a comprar ainda mais armas”.

“Os traficantes de armas não se preocupam com a paz ou a segurança. Eles se preocupam em perpetuar o conflito porque o conflito aumenta os lucros de seus acionistas. Enquanto isso, este governo tem demonstrado repetidamente que se preocupa mais com o dinheiro ganho em negócios duvidosos com ditadores do que com as pessoas cujas vidas serão arruinadas pelas vendas feitas na DSEI”.

“Portanto, cabe a todos nós agir para resistir à DSEI e encerrar de vez essa feira de armas.”

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/08/26/protesters-to-target-london-arms-fair-with-two-weeks-of-resistance/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/09/08/reino-unido-milhares-se-reunem-em-londres-para-protestar-contra-feira-internacional-de-armamentos/

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canta bem-te-vi
sol por todo o lado
natureza sorri

Carlos Seabra

[Chile] Santiago: carta de Ambro para a Semana Internacional de Solidariedade com os Prisioneiros Anarquistas

Desejaria poder transformar-me em um lobo, assim cravaria os dentes no ventre da sociedade em uma orgia de destruição” – Bruno Filippi

Desde algum rincão dos cárceres chilenos

Havendo finalizado as horas de pátio diárias, desde minha cela me lanço a escrever umas linhas com o fim de encontrar um breve momento de liberdade que interrompa minha realidade carcerária.

Se penso na Solidariedade anárquica o primeiro que me vem à mente é minha chegada ao cárcere, quando os companheiros que já se encontravam sequestrados por diversas causas de caráter político se encarregaram de orientar-me e entregar-me ferramentas para sobreviver dentro deste mundo hostil e indiferente.

A Solidariedade anarquista deixa claro que o cárcere não é o fim do caminho de luta, mas sua continuação. As redes entre presos e companheiros afins no exterior permitem que os primeiros continuem participando de instâncias ou levantando projetos como também permitem resgatar as reflexões e aportes dos diferentes companheiros, dando-se assim uma retroalimentação entre o interior e o exterior que tensiona, enriquece e mantêm com vida a anarquia em uma atualidade onde os estados modernos aperfeiçoam os mecanismos de controle, vigilância e repressão.

Por isso também é importante o caráter internacionalista da Solidariedade anárquica, onde cada golpe, ação ou propaganda ao longo do mundo é oxigênio nas veias do preso dando-lhe forças para seguir a senda de luta e mantendo o espirito combativo.

Agradeço profundamente a ajuda outorgada pelos companheiros da A.Found [fundo anarquista], já são 5 meses desde que fui privado de minha preciosa liberdade um 29 de março e as portas de meu julgamento os gastos aumentam. Agradeço a ajuda desinteressada e o fiel compromisso com a causa.

Faço um chamado a solidarizar com o companheiro anarquista Alfredo Cospito que segue sofrendo perseguição e censuras nas mãos do Estado Italiano, com os companheiros presos nos cárceres gregos, com Mónica e Francisco que se mantêm com a cabeça erguida, sem arrependimentos ou vacilações apesar de estar em curso um julgamento e arriscando mais de 100 anos de prisão, e com Aldo e Lucas presos anarquistas acusados de confeccionar e colocar um artefato explosivo na direção nacional de gendarmeria.

Ambro

Preso Anarquista

CDP Santiago 1

Chile

Agosto 2023

Tradução > Sol de Abril

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https://solidarity.international/index.php/2023/08/29/letter-from-ambro-anarchist-prisoner-in-chile-for-the-week-of-solidarity/

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dia de sol –
até o canto do passarinho
tem cor

Jandira Mingarelli

[Florianópolis-SC] Relato do 1º Sarau Marcas Libertárias

Agradecemos a presença de todo mundo que colou no 1º Sarau Marcas Libertárias, que aconteceu no último domingo, dia 27. O sarau foi incrível e isso só foi possível graças a todo o pessoal que chegou junto, compartilhou sua arte ou esteve lá presente. Gostaríamos de agradecer ao Instituto Arco-Íris, espaço referência em Florianópolis no acolhimento e luta por direitos humanos, pela parceria em receber nosso sarau. Saudamos a companheirada da Frente Catarinense de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto e do Coletivo Pintelute que estiveram com suas banquinhas, bem como a Editora Terra sem Amos pelo envio de livros especialmente para o sarau. E também a todo mundo da Charanga Encarnada que fechou os trabalhos do evento.

O Sarau Marcas Libertárias foi construído pensando em três objetivos. Primeiro, para promover o lançamento de um trabalho de muitos anos de nossa militância, o livreto “Marcas Libertárias: episódios anarquistas em Santa Catarina (1841-2011)”. Uma singela contribuição de nossa organização na memória da presença libertária e na luta contra o discurso das elites desse estado, que tentam nos vender a ilusão branca e submissa, de uma moral do trabalho que enriquece poucos e adoece nosso povo. Lançar esse livreto tem o intuito de fazer ventar ainda mais a rebeldia de nossa gente e também fazer espraiar o socialismo libertário.

Nesse sentido, esse sarau não aconteceu nessa data à toa. No dia 27 de agosto de 2011, nessa mesma cidade, nascia nosso coletivo. O CABN, parte da Coordenação Anarquista Brasileira, faz exatamente 12 anos e se soma à tradição anarquista em Santa Catarina. Nesses nossos ainda poucos anos dos muitos que virão, procuramos contribuir com todas as nossas forças nas lutas sociais de Floripa, Joinville, Chapecó, Navegantes e indiretamente em outros cantos do estado. Procuramos ser fermento das lutas em que estivemos presentes, sabendo que somente a organização popular mudará o curso da história, pela força do poder popular.

Após quatro anos de um governo federal de extrema-direita, vimos crescer em Santa Catarina grupos neonazistas, apoiados no mito do europeu fundador. Temos um governador que é representante dessas ideias e que tem ao seu lado um setor conservador no legislativo estadual. Se a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas pode ter parecido um alívio momentâneo, não há tempo para que a gente se iluda com o governo de Lula e do PT. Há 12 anos, em também tempos petistas, surgimos como oposição de esquerda, dispostas a construir uma alternativa revolucionária ao capital e ao Estado, e assim seguimos. Não há vitória concreta que não venha pelas mãos de movimentos sociais fortes, com independência de classe, e aqui tem gente disposta pra essa construção que sabemos ser árdua e longa.

Isso nos leva à terceira razão para esse sarau: é preciso também festar, compas, para não fraquejar pelo caminho. Costuma ser dito que foi Emma Goldman, uma companheira anarquista estadunidense, quem afirmou que se não fosse possível bailar, essa não seria sua revolução. Não se sabe se ela realmente disse ou escreveu isso. Porém, há algo nisso que podemos admirar ainda assim. Se derrubar o capitalismo, o Estado genocida, essa estrutura patriarcal e racista, nos entristece e cansa, se exige de nós coragem e muito tempo de dedicação, a luta social nos retribui com talvez uma só coisa de imediato: companheirismo. E é isso que procuramos celebrar com esse sarau. Para que possamos seguir enfrentando nossos inimigos de classe, construindo nossos coletivos e semeando rebeldia, é necessário que possamos também bailar coletivamente, construir momentos fora do individualismo imposto pelo capitalismo e renovar nossas certezas na revolução e na nossa gente, no nosso povo. É necessário um tanto de arte, dessa arte feita com as forças que nos restam, com o ódio que nos move e também com a liberdade que sonhamos. Arte que convidamos vocês para compartilhar no sarau, arte que só faz sentido se sentida no coletivo.

POR MAIS MARCAS LIBERTÁRIAS NESSE TERRITÓRIO CONTESTADO DE SANTA CATARINA!

VIVA A ARTE REBELDE! VIVA O SOCIALISMO LIBERTÁRIO!

>> Mais fotoshttps://www.cabn.libertar.org/relato-e-fotos-do-1o-sarau-marcas-libertarias/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/16/florianopolis-sc-sarau-marcas-libertarias/

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folhinhas
linhas
zibelinas sozinhas

Maiakovski

 

CUMPLICIDADE E SEDIÇÃO – material informativo frente ao julgamento de Mónica Caballero e Francisco Solar

~ este material informativo realizado em solidariedade axs companheirxs mónica caballero e francisco solar tem por objetivo difundir a situação do processo e ao mesmo tempo alimentar o debate e as práticas insurrecionais anárquicas.

quem esquece dxs presxs,
esquece da própria luta!

morte ao estado,
que viva a anarquia!

distribuição gratuita

inverno de 23.

>> Baixe aqui o PDF da versão em português:

https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/files/2023/09/cumplicidade-e-sedicao.pdf

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pérolas de orvalho!
olho e vejo em cada gota
a minha casa-espelho

Issa

[Espanha] O movimento anarquista na mira da polícia catalã

A Unidade Central de Investigação de Extremismo Violento prendeu na semana passada sete pessoas acusadas de “danificar” caixas eletrônicos e as lojas da Zara, Primark e Starbucks durante a manifestação do Primeiro de Maio deste ano.

Por Jesus Rodríguez | 31/08/2023

Quatro meses depois dos acontecimentos e, após investir grande volume de recursos públicos – como a análise de imagens de alta resolução captadas com drones -, o Gabinete de Informação Geral (CGI) dos Mossos d’Esquadra [polícia catalã] executou entre os dias 23 e 25 de agosto uma operação para prender ativistas do movimento anarquista em Barcelona. Os sete detidos juntam-se aos outros quatro detidos após a manifestação anticapitalista do 1º de Maio de 2023 e são acusados ​​de “danificar estabelecimentos com objetos contundentes” nesse dia, conforme detalhou o serviço de imprensa dos Mossos. Em particular, seriam os caixas eletrônicos e as lojas da Zara, Primark e Starbucks no centro de Barcelona. A acusação seria pelos supostos crimes de desordem e dano público, segundo essas mesmas fontes.

Desde a chegada do Superintendente Carles Hernández ao Centro de Informação da Polícia Catalã, as investigações de ordem pública envolvendo ativistas do movimento anarquista não são mais realizadas pelo Grupo de Investigação de Desordens Públicas, que fica na Área da Brigada Móvel, mas pela Unidade Central de Investigação de Extremismo Violento, que atua sob as ordens de Hernández e do CGI. Uma prática que se estendeu também às investigações contra o movimento habitacional e a esquerda pró-independência. Esta unidade, além disso, teria retomado a coordenação regular com os serviços de informação da Polícia Nacional Espanhola e da Guarda Civil, como se pode verificar na resposta parlamentar da vereadora Joan Ignasi Elena (ERC) a uma questão colocada pelo Vox no Parlamento da Catalunha.

Recorde-se que Hernández comandou anteriormente a Brigada Móvel e foi substituído após uma controversa acusação contra os antifascistas em 6 de dezembro de 2018 em Salt (Gironès), onde usou à força o seu bastão extensível para proteger uma manifestação do Vox. Conforme publicou El Confidencial em 22 de março de 2023, Hernández é altamente conceituado no campo policial internacional e em 2022 cruzou o Atlântico para participar de um seminário de três semanas a convite do Secretário de Estado dos Estados Unidos. Ele também teria realizado um seminário de características semelhantes em Israel.

A Egida-Defensa Col·lectiva Anarquista, grupo que traz este e outros casos repressivos do movimento anarquista de Barcelona, ​​explica em comunicado que “o Estado e as Forças de Segurança ativam os seus meios para nos desarticular e silenciar”, ao que respondem que “sabemos que a repressão faz parte do caminho, da nossa luta, e sabemos que para enfrentá-la devemos estar unidos e solidários”.

Da Taula Sindical da Catalunha, organizadora da manifestação do Primeiro de Maio e que reúne as organizações CGT, Solidaritat Obrera, IAC, CNT Catalunya-Balears, Cobas e COS, sublinham num comunicado de imprensa que “as graves altercações que os polícias descrevem, na realidade, não passavam de algumas instituições bancárias ou outros símbolos do capitalismo com vidros quebrados”. E acrescentam: “mais do que prisões para apurar fatos específicos, esta é uma operação policial para disciplinar e amedrontar a juventude combativa da cidade”.

Fonte: https://directa.cat/el-moviment-anarquista-en-el-punt-de-mira-dels-mossos/

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as nuvens vermelhas,
o sol sumindo no rio
– silêncio noturno

Zemaria Pinto

[Alemanha] Thomas Meyer-Falk está livre!!!

Por Solidarity na terça-feira, 29 de agosto de 2023

Hoje, 29 de agosto, Thomas foi libertado após quase 27 anos de prisão!
Melhor ação durante a Semana Internacional de Solidariedade aos Presos Anarquistas!
Primeiro prêmio: LIBERDADE!
Estamos todos muito felizes e desejamos ao Thomas tudo de bom e que seja bem-vindo ao seu lar!

A seguir compartilhamos sua carta de solidariedade para a semana deste ano. Obrigado por apoiar a Semana de Solidariedade por muitos anos.

Saudações de solidariedade para a Semana Soli para Prisioneiros Anarquistas 2023

Também aqui de Freiburg, no sul da Alemanha, solidariedade e saudações calorosas para a Semana Soli. Há quase 27 anos venho observando o mundo atrás das grades a partir da perspectiva de um prisioneiro. Primeiro em prisão preventiva, depois em prisão criminal e, finalmente, desde 2013, em prisão preventiva. A prisão preventiva foi introduzida na Alemanha em 1933, sim, foram os nazistas que alteraram a lei penal em 24.11.1933 – desde então, as pessoas podem ser mantidas na prisão na Alemanha por um período de tempo imprevisível, mesmo depois de cumprir sua sentença de prisão. Nas décadas de 1990 e 2000, outros países europeus seguiram o exemplo, sempre em nome da “segurança pública”: Bélgica, França, Suécia, Grã-Bretanha, Suíça e muitos outros.

Em muitos casos, a prisão normal já é uma sentença de morte em parcelas, primeiro a alma morre e, muitas vezes, no final, o corpo também morre. Há apenas algumas semanas, um homem de 40 e poucos anos tirou a própria vida na prisão preventiva de Freiburg, aparentemente sem nenhuma perspectiva realista de recuperar sua liberdade. Sua esposa, filhos, mãe adotiva e irmãos estão de luto por ele, assim como alguns dos outros detentos. No entanto, deve ficar claro que os prisioneiros também têm o direito de tirar a própria vida. Ninguém deve ser autorizado a proibi-los de fazer isso. Mas também é preciso perguntar qual é a responsabilidade das instituições estatais por essa decisão? Seria muito fácil isentá-las de sua responsabilidade, referindo-se à decisão autônoma dos respectivos detentos.

Os anarquistas defendem e lutam pela autonomia do indivíduo, mas sempre inseridos em uma rede social. Porque nenhum ser humano jamais está sozinho, todos nós estamos inseridos em uma rede de relações sociais! Ninguém é uma ilha! Todos nós fazemos parte de um conjunto social. Algo que parece estar perdido no mundo moderno do consumo, em que as pessoas só interagem umas com as outras em mundos eletrônicos aparentemente “sociais”, mas que, na realidade, muitas vezes são jogadas de volta ao isolamento na frente de seus smartphones.

As prisões geralmente são zonas sem internet. Minha contribuição de hoje só está circulando porque pessoas solidárias estão digitando-a e distribuindo-a on-line, levando assim a perspectiva dos prisioneiros à atenção crítica de um determinado público. Essa possibilidade aponta para o potencial emancipatório da mídia eletrônica. Quando pessoas anteriormente desconectadas encontram contato umas com as outras, quando os anteriormente sem nome, sem rosto e sem voz finalmente recebem nomes, rostos e vozes.

O abandono estrutural que caracteriza a vida dos prisioneiros deve ser enfatizado especialmente nesta semana. As condições de prisão, muitas vezes desumanas e degradantes, serão escandalizadas.

A liberdade dos prisioneiros é exigida! Repetidamente! Ano após ano! Mas somente se essas demandas forem continuamente levantadas e levadas de geração em geração, se aqueles que vivem e morrem nas prisões forem lembrados, somente então mudaremos alguma coisa.

Por um mundo sem gaiolas e prisões!

Thomas Meyer-Falk

Fonte: https://solidarity.international/index.php/2023/08/29/thomas-meyer-falk-is-free/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

O mar, sempre desperto,
na verde espera
da barca mensageira.

Thiago de Mello

[Chile] BASTA JÁ!!! Chamado ao protesto popular contra a precarização da vida – 4 setembro

Os escândalos da corrupção da casta política, os aumentos no custo de vida, o abuso e a injustiça nos enojam, enraivece e nos chama a nos organizarmos e lutar.

Completam já 50 anos do golpe militar fascista e do impune massacre ao povo em luta e desde todos os setores políticos da ordem nos chamam a comemorar em paz, a reconciliar-nos e olhar para o futuro. A defesa deste sistema de precariedade para a maioria e de privilégios para uma poderosa minoria é o objetivo destes chamados de conciliação e comemoração desde as cúpulas democráticas e progressistas para inserir falta de memória, esquecimento e passividade.

O povo pobre e trabalhador não pensa em comemorações, quer soluções ante uma realidade que choca com desilusões e apatia ante as truncadas alternativas políticas que oferece o capital e a institucionalidade democrática, agora com este governinho socialdemocrata e lacaio do empresariado e do império do norte.

A questão já é histórica desde cima, soluções concretas não vão cair, a democracia só é promessas, demagogias e migalhas. O único chamado e saída é voltar a lutar e sair às ruas de forma massiva e organizada assim como há quase 4 anos e como tantas vezes na história da luta popular.

As reivindicações de saúde, pensões, educação e moradia, continuam sendo anseios para as maiorias e não os shows constituintes nem eleitorais do poder. Uma vida digna só se conquista com luta e organização.

Devemos gerar e levantar jornadas de protesto popular para voltar a encontrar-nos e tecer conexões no tempo para ir construindo alternativa revolucionária para uma nova sociedade onde todos tenhamos acesso a uma vida realmente digna.

Desde a Coordenação revolucionária pela dignidade que é mais uma tentativa e aposta para propor e avançar fazemos o chamado a voltar a lutar, a voltar a encontrar-nos, a voltar de forma massiva às ruas, a somar-se à luta, a transformar a escola, a universidade, o trabalho, o bairro em trincheiras de combate contra os que nos negam a felicidade e a dignidade.

Miguel Angel Leal presente agora e sempre!

Fonte: https://lapeste.org/2023/08/basta-ya-llamado-a-protesta-popular-contra-la-precarizacion-de-la-vida-4-septiembre/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Meninada ao sol.
Sorvetes se derretendo.
Mar – pingos mais doce.

Leila Míccolis