Sustentabilidade ao óleo

A Azevedo & Travassos, uma das empresas de infraestrutura mais antigas do país, anunciou a recriação de seu braço petrolífero: a A&T Petróleo. Os motivos para a empreitada são óbvios: o incessante crescimento da indústria de petróleo no Brasil. Curioso para alguns e não tanto para outros, o país também é um dos que atraem maior volume de investimentos no que se convencionou chamar de transição energética. Projetos que visam à preservação de áreas ambientais, ao crédito de carbono e a outras inovações levadas adiante pela racionalidade neoliberal proliferam. Ocorre que a caça ao ouro negro e as medidas atenuantes e sustentáveis pisam lado a lado em busca de rendimentos e concentração de riquezas. Não à toa, a Shell, uma das maiores empresas petrolíferas do planeta, agradece ao Brasil, uma vez que 400 mil barris de petróleo são produzidos cotidianamente pela multinacional britânica no território. Afinal, o desenvolvimento sustentável não está dissociado da apropriação de recursos alheios: é apenas capitalismo.

ares pútridos

Há grande investimento em usinas eólicas no país. A maioria delas foi construída na Caatinga nordestina. Essa fonte, “renovável, barata e limpa”, é uma das apostas do desenvolvimento sustentável. Somente na Área de Proteção Ambiental (APA) do Boqueirão da Onça, na Bahia, operam quatro complexos. Há mais dois em ampliação e uma usina de energia solar. A instalação das usinas, além de destruir a vegetação e o espaço onde coexistem inúmeros seres vivos, está diretamente atrelada à matança de onças e aves raras, como a arara-azul. Os pássaros colidem fatalmente com as turbinas, enquanto as onças morrem de sede ou durante o deslocamento em busca de água. São alvos de atropelamentos, armadilhas de caçadores e tiros de proprietários rurais que temem “perder” algum dos animais que confinam e criam para o abate e consumo humano. As energias limpas servem à continuidade dessa ordem. A sustentabilidade zela pelo Humano e pela sobrevivência capitalista no regime da propriedade. Com tanta eletricidade, luz e velocidade, mal se notam as aves dilaceradas e os cadáveres das onças esturricadas.

Fonte: Flecheira Libertária, n. 730, 22 de agosto de 2023. Ano XVIl.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2023/08/flecheira730.pdf

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Noite sem lua ou estrelas
o bebedor de sakê
bebe sozinho.

Matsuo Bashô

 

Mais de 2 mil imigrantes desapareceram no Mar Mediterrâneo em 2023 tentando chegar à Europa

Segundo a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, mais de 176 mil imigrantes tentaram entrar na Europa nos sete primeiros meses de 2023 – 13% a mais do que o mesmo período de 2022.

A imigração na Europa pelo Mar Mediterrâneo volta a ser um fenômeno muito preocupante. Segundo a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, conhecida como Frontex, mais de 176 mil imigrantes tentaram entrar na Europa nos sete primeiros meses de 2023 – 13% a mais do que o mesmo período de 2022.

A maioria entra pelo Mediterrâneo Central, a rota mais perigosa do mundo. Segundo a Organização Internacional para as Migrações, mais de 20 mil pessoas já morreram na região desde 2014. O principal destino é a Itália, onde, só em 2023, já desembarcaram 94 mil imigrantes – mais do que o dobro do mesmo período de 2022. E essa pressão migratória pode até aumentar.

Os contrabandistas têm oferecido preços mais baixos aos imigrantes vindos da Líbia e da Tunísia, em uma disputa acirrada entre bandos criminosos.

Na quinta-feira (10/08), no Reino Unido, mais um recorde: 755 barcos tentaram cruzar o Canal da Mancha em um único dia. O país começou na segunda-feira (07/08) a abrigar imigrantes a bordo de uma barcaça, uma política que atraiu fortes críticas de moradores e ativistas de direitos humanos.

Fonte: agências de notícias

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Se mira na poça
de lama do pátio
a lua vaidosa

Luiz Bacellar

[EUA] Feira do Livro Anarquista de Nova Iorque | 15 a 17 de setembro de 2023

Abolir a Polícia! Exija Justiça Comunitária Alternativa!

Como anarquistas, como antiautoritários e como pessoas de luta, estamos engajadas em muitas lutas: contra o racismo, repressão sexual e de gênero, capitalismo e imperialismo econômico, e por uma sociedade baseada na ajuda mútua e solidariedade.

Uma luta ocupa o centro do palco agora: a luta contra a polícia e todo o sistema de injustiça criminal. A epidemia de violência policial e assassinatos continua, apesar da manifestação de raiva após a morte de George Floyd e outras vítimas do policiamento racista. O sinal verde da Cop City de Atlanta, um enorme projeto financiado por empresas que se opõe à comunidade à qual está sendo imposto, ressalta o desrespeito arrogante que o sistema capitalista de estado mantém pelas pessoas e comunidades.

Para a feira do livro deste ano, convidamos anarquistas da cidade de Nova Iorque, da região e de todo o país para falar, ensinar e inspirar em todos os aspectos de nossa luta. Mas convidamos especialmente nossos camaradas que estão engajados na luta contra a polícia e ajudando a construir sistemas alternativos de justiça comunitária.

Entre em contato conosco: NYCAnarchistbookfair2023@protonmail.com

anarchistbookfair.net

Tradução > Contrafatual

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susto na cama
almofada é monstro
em sonho drama

Carlos Seabra

[Chile] Lançamento em português: “O tratado da floresta”, Jorge Enkis

“Uma comunidade de animais da floresta se reúne para fazer um tratado para compartilhar os recursos da terra com os humanos. O tratado é encontrado inesperadamente em perigo, porque a chegada da monarquia ameaça a liberdade de toda a comunidade da floresta, homens e animais livres eles devem unir suas forças para lutar contra o rei e todos os seus lacaios.”

>> Faça o download, imprima e divulgue:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2022/05/O-tratado-da-floresta-Jorge-Enkis.pdf

editorialautodidacta.org/

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Linha de combate:
as granadas e os petardos
são de chocolate.

Flora Figueiredo

[Uruguai] Jornada de agitação e propaganda

Esta semana de Solidariedade Internacionalista com os presos e as presas Anarquistas, de 23 a 30 de Agosto, nos autoconvocamos na feira de Tristán Narvaja (Montevideu), no domingo 27/08 às 10 horas.

Realizaremos uma jornada de agitação e propaganda, haverá posto de difusão de livros e materiais.

Se apresentará uma atualização da situação dos companheiros presos de todas partes do mundo.

Fazendo eco da convocatória internacionalista, hoje, como sempre, é imprescindível reafirmar e potencializar a solidariedade com nossos companheiros na prisão e expandir a multiplicidade de ações. No contexto atual devemos estender o apoio a todos aqueles que estão sendo perseguidos por se solidarizar com a causa da liberdade. Os servis ao Estado são conscientes da potência que têm o amor revolucionário e consequentemente tenta amedrontar os que se posicionam desde uma perspectiva de luta em clara solidariedade com os presos anarquistas.

A cumplicidade e a solidariedade revolucionária encurtam as distâncias, transpõe as fronteiras e os muros.

Contra o amedrontamento e a repressão estatal solidariedade internacionalista!

Nenhum cárcere para ninguém, nunca!

Contra o cárcere e a sociedade que o necessita!

Que viva a Anarquia!

Posto de difusão: Criaturas Fantásticas

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/21/convocatoria-para-a-semana-internacional-de-solidariedade-com-os-prisioneiros-anarquistas-2023-23-a-30-de-agosto/

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Começo de chuva…
A tempestade faz festa,
no meio da rua.

Humberto del Maestro

Impedir a marcha fúnebre: preparar a autodefesa para pôr fim ao genocídio do povo negro

“A paz tá morta, desfigurada no IML

A marcha fúnebre prossegue.”

Facção Central

O governo recorrerá à coerção incessante, à violência, ou seja, ao controle político, e a arma definitiva do controle político é o poder militar”.

Mikhail Bakunin

A marcha fúnebre das últimas semanas

Nas últimas semanas tivemos três chacinas promovidas pela Polícia Militar (PM) em três estados brasileiros: Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Os três estados são comandados por forças políticas diferentes.

Na Bahia, governada pelo PT há 20 anos, e atualmente sob liderança de Jerônimo Rodrigues, ao menos 19 pessoas foram mortas durante ações e operações policiais realizadas no final de julho e início de agosto. Os assassinatos ocorreram nos municípios de Salvador, Itatim e Camaçari. A Bahia é hoje líder nacional em números absolutos de pessoas mortas pelas polícias. De acordo com dados do Fórum de Segurança Pública, foram 1.464 óbitos no ano passado. Quase todos os mortos eram pretos.

No Guarujá, litoral sul de São Paulo, foram 16 assassinatos pelo Polícia Militar do governo Tarcísio (PL). A ação é uma vingança policial à morte do soldado da Rota da PM baleado durante uma operação na Vila Zilda.

Na Vila Cruzeiro, localizada no Complexo da Penha, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, foram ao menos 10 pessoas assassinadas pela PM de Claudio Castro (PL). Nas últimas semanas tivemos ainda o assassinado do jovem negro de 13 anos, Thiago Menezes, na Cidade de Deus, Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro. No último domingo, Eloá Passos, de 5 anos, e Wendell Eduardo, de 17 anos, também foram assassinados em operação policial.

A arma definitiva do controle político é o poder militar

A lucrativa guerra às drogas é hoje a desculpa institucional para o exercício da violência estatal nas favelas. A esquerda no poder (o PT, o governo Lula e seus aliados) ajudou a encarcerar milhares de jovens negros nas duas últimas décadas com a aprovação da lei das drogas, transformando esses jovens em força coletiva de trabalho para as facções criminosas.

Seja em governos de esquerda ou de direita, a Polícia Militar, um dos braços armados do Estado, tem exterminado o povo negro trabalhador, principalmente a sua juventude. Mikhail Bakunin destacou que “se [o Estado] não for capaz de incutir obediência habitual à sua autoridade por meio de persuasão e outros métodos pacíficos, o governo recorrerá à coerção incessante, à violência, ou seja, ao controle político, e a arma definitiva do controle político é o poder militar” (Estatismo e Anarquia, 1873).

A marcha fúnebre das últimas semanas revela como a pena de morte existe nas favelas e periferias urbanas na forma de chacinas. O Estado legalizou, por meio da ação das forças policiais, a execução sumária de jovens negros no Brasil. Essas forças são uma expressão da tirania do Estado. A função da Polícia Militar é defender-se como Estado e fazer a defesa das classes dominantes, manter o sistema de injustiça e desigualdade que organiza o país.

Bakunin afirmou que “nenhum estado, por mais democrático que seja (…) pode dar ao povo o que ele realmente deseja, isto é, a livre auto-organização e administração de seus próprios assuntos de baixo para cima, sem qualquer interferência ou violência de cima, porque todo Estado (…) é em essência apenas uma máquina governando do alto as massas” (Estatismo e Anarquia, 1873). Nesse sentido, toda e qualquer estratégia política que vise combater o genocídio do povo negro no Brasil deve partir do entendimento de que o Estado é parte ativa dessa violência sistemática e que a solução para esse problema não passa por medidas estatistas, mas, necessariamente, pela autodefesa do povo negro trabalhador.

Essa autodefesa é uma expressão da autodeterminação popular contra o poder militar do Estado, que encontrou nas chacinas uma arma política de controle do povo negro. Cabe aos revolucionários anarquistas no Brasil dissipar qualquer ilusão numa saída estatista para a questão do genocídio do povo negro e agitar a bandeira da autodefesa popular nos locais de trabalho, estudo e moradia da classe trabalhadora.

Lutar, criar autodefesa popular!

uniaoanarquista.wordpress.com

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mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

[Chile] Santiago: Lançamento de “Cuentos ácratas, Utopías, distopias e historias en resistencia”

Estimados,

Convidamos vocês para o lançamento da compilação de “Cuentos ácratas, Utopías, distopias e historias en resistencia”. O lançamento consistirá em uma breve apresentação que abrirá caminho para uma conversa sobre a necessidade de recuperar a imaginação em um projeto de transformação radical. Também teremos alguns petiscos para compartilhar.

O lançamento será no espaço Laura Allende, Agustinas 2384, na quinta-feira, 24 de agosto, às 19h, onde teremos cópias físicas da compilação que serão vendidas para financiar a causa.

Agradecemos a divulgação deste evento.

Um abraço, saúde e A

Assembleia Libertária Santiago

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Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[Chile] Solidariedade de Wallmapu | Cartas da prisão.

Temuko 14/08/2023.

A todos aqueles que lutam e à opinião pública em geral.

Ao longo da história da humanidade, as pessoas têm se levantado lutando e resistindo contra a tirania e a opressão impostas de diferentes formas e em diferentes contextos. É assim que o sistema capitalista, por meio de seus cães fiéis, como o Estado e o governo, faz o impossível para impedir qualquer um que lute a favor de seu povo, aumentando as penas, criando novas leis para segregar e desmantelar todo bastião de luta e resistência.

Deve-se observar que isso só aumenta nossos laços de solidariedade e apoio a todos aqueles comprometidos com a luta contra o sistema capitalista.

É por isso que desde o território Wallmapu, Prisão de Temuco, expressamos nosso apoio e solidariedade com o atual processo que a companheira Mónica Caballero e o companheiro Francisco Solar estão atravessando, dando-lhes todo o nosso newen e, ao mesmo tempo, destacando toda a coragem, bravura e valentia dada para enfrentar esta etapa marcada por acusações injustas, onde os verdadeiros criminosos, terroristas, delinquentes e assassinos estão livres com as mãos manchadas de sangue.

Um abraço forte e cheio de renovação, solidariedade, apoio, esperança e resistência.

Mónica Caballero nas ruas, já!

Francisco Solar nas ruas, já!

Pela anulação das sentenças da justiça militar de Pinochet para o companheiro Marcelo Villarroel.

Liberdade para todos os prisioneiros mapuches e subversivos.

Enquanto houver miséria, haverá rebelião!

Até a vitória ou a morte!

Amulepe taiñ weichan

Marrichiweu!

-Antu Llanca.

-Joaquin. H.Q.

-Maximo Queipul.

-Luis Tranamil.

-José Cáceres Salamanca.

-Raúl Canuilla Huenulao.

-Luis Fuenzalida Eneros.

-Juan Rodríguez Huenupil

-Nelson Queupil Soto.

-Eduardo Fuica.

-Fabián Llanca.

-Freddy Marileo Marileo.

-Carlos Fierro Huenuman.

-Patricio Queipul Millanao.

-Emilio Berkhoff.

-David Torres Painemilla.

P.P. Mapuche e subversivos

Tradução > Liberto

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Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka

[Itália] Atualização sobre a situação de Alfredo Cospito e apelo à solidariedade (agosto de 2023)

Recebemos notícias de que Alfredo, na prisão de Bancali (Sassari), se encontra bem fisicamente e recuperou peso após sua greve de fome de seis meses. No entanto, recebe muito pouco correio, quase nada, e, inclusive, quando a prisão retém cartas, postais ou telegramas, nem sempre o comunicam. Por isso ele não tem ciência do que lhe enviam. Deste modo, se encontra submetido a uma censura ainda maior e mais arbitrária que a já muito dura do 41 bis. Assim, fazemos um chamado a não deixar de mostrar-lhe nossa solidariedade e convidamos a todo o mundo a escrever-lhe cartas ou postais por correio certificado com registro de recebimento, para aumentar as possibilidades de que lhe entreguem e, se as retêm, de que se inteire disso.

Contra todos os cárceres!

Cassa Antirepressione Alpi Occidentali

>> Endereço do companheiro:

Alfredo Cospito

Casa Circondariale di Sassari, località Bancali, 07100 Sassari SS,

Itália.

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2023/08/20/aggiornamento-sulla-situazione-di-alfredo-cospito-e-appello-alla-solidarieta-agosto-2023/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/03/italia-atualizacoes-sobre-o-estado-de-saude-de-alfredo-apos-interrupcao-da-greve-de-fome-27-de-abril-de-2023/

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A velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.

Jorge Luis Borges

[Chile] Santiago: Dança para a subversão. Jornada artístico-cultural e antiautoritária em homenagem a Claudia López

Já se passaram 25 anos desde que tiraram sua vida, hoje nós a comemoramos entre danças, fogo e rebelião“.

Koletivo Artístico Claudia López

Estende o convite para participar de sua primeira atividade Autogestionária, a ser realizada no sábado, 26 de agosto, das 15h00 às 20h30, em Agustinas 2384, no centro de Santiago.

Por meio de expressões artísticas e culturais antiautoritárias, manteremos viva a memória de nossa companheira Claudia Lopez.

A jornada começa às 15h00 com um bloco infantil, também teremos comida vegana à venda e Feiras Libertárias.

Em breve, daremos mais detalhes sobre a jornada.

Estamos esperando por você!

A liberdade só pode ser realizada em comunidade e somente na mais estreita igualdade e solidariedade de cada um com todos“.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/03/chile-santiago-conversatorio-memoria-reflexoes-e-continuidade-memoria-subversao-claudia-lopez-presente-4-de-agosto/

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Quando me canso da paisagem
Do leste, viro a cadeira
Para oeste.

Paulo Franchetti

[Espanha] Demissão do gerente da área de saúde após denúncias da CGT-Osuna

A demissão, pelo Serviço Andaluz de Saúde (SAS), de Celso Ortiz, da gerência da Área de Gestão de Saúde de Osuna, em Sevilha, ocorre após inúmeras denúncias do sindicato CGT sobre a administração do centro e supostas irregularidades cometidas pelo diretor econômico-financeiro da Área de Saúde de Osuna, Casto Ortiz Montaño. O sindicato havia denunciado a divisão de contratos, processos seletivos e cobrança de salários suplementares sob o comando de Castro Ortiz.

A petição da CGT-Osuna exige a demissão imediata de Casto Ortiz Montaño de qualquer cargo de importância, sanções por falta grave e seu retorno ao cargo básico. Vale lembrar que ele supostamente obteve seu cargo falsificando seu tempo de trabalho, obtendo assim uma posição permanente no SAS. Sem esquecer as acusações de folhas de pagamento falsas, assinaturas de cargos inexistentes e a divisão de contratos importantes em contratos menores para favorecer partes interessadas. Também se denunciam a política de assédio que ele exerceu em seu cargo, tanto no governo do PSOE quanto no do PP, contra o exercício dos direitos sindicais.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/cese-del-gerente-de-area-sanitaria-tras-denuncias-de-cgt-osuna/

Tradução > Liberto

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As vozes não têm idade
quando falam de terremotos
à luz das lareiras.

Kyoroku

Mais de 6 mil civis morreram em Mianmar nos 20 meses pós-golpe

Mais de 6 mil civis morreram em Mianmar nos 20 meses que se seguiram ao golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira (13) pelo Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo.

“Nossos dados mostram que o balanço humano do conflito é mais alto do que se disse antes e que, embora a junta seja claramente a principal culpada, as forças antijunta também têm muito sangue nas mãos”, ressaltou um dos dois autores do estudo, Stein Tønnesson, em um comunicado.

O informe coloca o número de civis mortos “por motivos políticos” em 6.337 entre 1º de fevereiro de 2021 e 30 de setembro de 2022, e o número de feridos, em 2.614, no mesmo período. Esse total é muito superior aos que circularam até então, muitas vezes parciais, incluindo os feitos por instituições internacionais.

Segundo o relatório do instituto norueguês, quase metade das vítimas (3.003) é atribuível ao regime — exército, polícia e milícias —; 2.152, a grupos armados de oposição, e outros 12, a outros civis sem ligação com o governo, ou com os opositores. Além disso, 1.170 civis teriam morrido nas mãos de atores desconhecidos.

“É um número superior do que os que são, geralmente, citados na mídia e, no entanto, não passa de uma estimativa, baseada nos mortos relatados em meios confiáveis”, enfatizam os autores, temendo um saldo muito maior.

Alegando fraude eleitoral em massa, o Exército birmanês anulou as eleições legislativas vencidas pelo partido de Aung San Suu Kyi e derrubou seu governo.

Desde então, a junta iniciou uma repressão em larga escala contra qualquer voz dissidente, prendendo mais de 23 mil pessoas, de acordo com um grupo local de monitoramento.

Fonte: agências de notícias

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/24/peticao-internacional-de-solidariedade-com-o-movimento-de-desobediencia-civil-de-mianmar-cdm/

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tocar sobre teu corpo
ao silêncio das estrelas
um acorde de guitarra

Lisa Carducci

[Alemanha] “Tinta Negra” | Convenção de Tatuagem Antiprisão

Convenção de tatuagens e modificações corporais contra a prisão em Solidariedade com prisioneiros anarquistas, subversivos e revolucionários. “Tinta Negra” – outubro de 2023 em Berlim, território ocupado pelo estado alemão.

Como um grupo de diferentes indivíduos contra a sociedade carcerária, decidimos organizar “Tinta Negra”, uma convenção de tatuagem e modificação corporal antiprisão em solidariedade aos prisioneiros anarquistas, subversivos e revolucionários, que ocorrerá em outubro.

Tinta Negra nasceu da necessidade de apoiar financeiramente os companheiros em prisão. As prisões preventivas e seus períodos de investigação costumam ser longos e caros, assim como as longas sentenças exemplares aplicadas aos companheiros como parte da dura estratégia repressiva de colaboração com o Estado. Os custos são extremamente altos e difíceis de arcar, especialmente para os círculos de solidariedade em torno dos prisioneiros, que também são atingidos pela repressão.

Nos últimos anos, houve várias ações contra o poder e a autoridade, com diferentes níveis de intensidade, por parte dos companheiros em todo o mundo.

Como sabemos muito bem, o Poder não se deixa atingir sem reagir, por isso a opressão e a repressão contra o movimento anarquista, subversivo e revolucionário também cresceram.

É por isso que não podemos ficar indiferentes ao encarceramento de nossos companheiros sequestrados nas prisões dos Estados em todo o mundo.

Usamos a cor preta em nosso nome “Tinta Negra” para reivindicar nossa herança anarquista e a história dessa luta, bem como nosso compromisso constante com aqueles que resistem de todas as formas possíveis em todo o mundo. Também como um gesto internacionalista para com os companheiros do território chamado Uruguai, que vêm usando esse nome há anos.

Esperamos vê-los em outubro para três dias de tatuagens, discussões, oficinas e música pela solidariedade e pela anarquia.

Mais informações em breve…

tintanegraconvention.noblogs.org

tintanegra_tattoo@riseup.net

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casca oca
a cigarra
cantou-se toda

Matsuo Bashô

[Espanha] Médicos libertários, contra o fascismo e a opressão

O anarcossindicalismo libertário teve destacados profissionais da medicina que foram perseguidos e represaliados pelo franquismo e o fascismo. Nas quatro seguintes reportagens, o escritor Víctor Moreno nos traz as histórias de alguns deles: Amparo Poch Gascón, Félix Martí Ibáñez, Javier Serrano y Coello e Isaac Puente Amestoy, este último fuzilado em 1936. Figuras todas elas desconhecidas e cujas vidas bem merecem ocupar um vazio de nossa memória democrática.

 Amparo Poch Gascón: feminista, escritora e antifascista

Desde menina, Amparo Poch Gascón, quis estudar medicina, mas seu pai se opôs radicalmente: “Não é carreira própria de mulher”, sentenciou. Ainda assim, e depois de cursar Magistério, se matriculou em Medicina, seu grande sonho. Aí se destacou acima de seus companheiros homens: matrículas em todas as matérias, colocando-se como uma das primeiras alunas da Faculdade. Desde o princípio, Amparo Poch mostrou sua atitude radical feminista, muito antes de ingressar no anarquismo.

Félix Martí Ibáñez, médico e intelectual

Sobrinho do escritor Vicente Blasco Ibáñez, Félix Martí Ibáñez estudou medicina em Barcelona, licenciando-se com 22 anos. Mais que um anarquista nato, se mostrou antifascista, defendendo um respeito, inusual na época, a todas as ideologias políticas que defendiam o projeto não confessional e político que representava a República. Foi o grande artífice da primeira lei do aborto que houve na Espanha ou, mais precisamente, na Catalunha. Martí procedia da corrente eugênica, daí que enfatizasse como médico nos aspectos como o controle da natalidade, o aborto livre, a proteção sócio-sanitária à infância, criação de liberatórios da prostituição, centros de informação juvenil e sexual.

Javier Serrano y Coello, o “médico benfeitor”

O médico espanhol que melhor representou a luta pela defesa do proletariado em matéria de saúde. Serrano era anarquista, mas não descuidava os aspectos reformistas que a melhora sanitária dos trabalhadores requeria de imediato. Daí que, inclusive, dentro da militância libertária médica, algumas de suas propostas não receberam o aplauso que mereciam, sendo, pelo contrário, tachado de burguês e de reformista, uma das razões pelas quais a direção do sindicato (CNT) não viu com bons modos suas abordagens.

Isaac Puente Amestoy, médico, anarquista, libertário

No terreno do sindicalismo sanitário, Isaac Puente foi um dos promotores da Federação Nacional de Indústria de Saúde da CNT. Como médico, defendeu o maltusianismo e o naturismo. Após o levante militar de julho de 1936, foi detido em 28 de julho de 1936 e transladado ao cárcere de Vitoria. Na noite de 31 de agosto foi tirado do cárcere e fuzilado no desfiladeiro de Pancorbo (Burgos). Como em tantos outros casos, sua casa, patrimônio e bens pessoais foram espoliados pelo regime, ao mesmo tempo que tentaram sepultar seu nome no abismo do esquecimento.

Fonte: https://www.nuevatribuna.es/articulo/cultura—ocio/medicos-libertários/20230711124511214252.html?utm_campaign=twitter

Tradução > Sol de Abril

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Ao cair da tarde
apenas uma cigarra –
Companheiras mortas.

Francisco Handa

[Espanha] Escola Libertária da CGT em Ruesta

De 1 a 3 de setembro de 2023

Mais uma vez, a CGT abre sua Escola de Verão Libertária, um espaço de encontro e discussão, aprendizado e lazer, onde todos nós podemos contribuir com nossas experiências e conhecimentos para enriquecer uns aos outros.

Este ano, de 1 a 3 de setembro, nos reuniremos em Ruesta sob o lema:

Todas as fronteiras:

Trabalhadoras e trabalhadores migrantes

Este ano, a Escola libertária debaterá sobre a sociedade atual em que vivemos, com alta tolerância à discriminação e às violações dos direitos humanos contra os migrantes, especialmente os migrantes não europeus.

Incluímos o pôster da escola e a introdução dos tópicos a serem discutidos, bem como o programa provisório.

Salve as datas!!!!

Estamos esperando por você!

Fonte: Secretaria de Ação Social da CGT

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aceita
o vôo é o leito
da borboleta

Joca Reiners Terron

[Espanha] John Cage, o anarquista do silêncio

“A arte não é algo que uma só pessoa faz, mas um processo posto em movimento por muitos“. – John Cage

Neste programa número 240 de “La Alegre Corchea Libertaria”, vamos apresentar o pianista e compositor John Cage, nascido em Los Angeles (EUA) em 5 de setembro de 1912. Este programa é uma reposição do programa número 36, de quando ainda não emitíamos em rádios livres.

Pioneiro da música aleatória, da música eletrônica e do uso não padrão de instrumentos musicais, Cage foi uma das figuras principais da vanguarda do pós guerra. Os críticos o aplaudiram como um dos compositores estadunidenses mais influentes do século XX. Foi decisivo no desenvolvimento da dança moderna, principalmente através de sua associação com o coreógrafo Merce Cunningham.

Cage é conhecido principalmente por sua composição 4′33″, três movimentos que se interpretam sem tocar uma só nota. Outra famosa criação de Cage é o piano preparado, para o qual escreveu numerosas obras relacionadas com a dança e várias peças para concerto.

Depois da apresentação, se poderá escutar uma seleção de suas músicas:

1. Music for Marcel Duchamp (1947)

2. Sonatas nº 1, 2, 3 e 5 de “Sonatas and interludes for prepared piano” (1946-1948, interpretada por Agnese Toniutti)

3. Dream (1948)

4. Quartets I-VIII (1976, interpretados por Radio Sinfonie Orchester Frankfurt, dirigida por Lucas Vis)

>> Para ouvir, clique aqui:

https://alegrialibertaria.org/wp/john-cage-el-anarquista-del-silencio-reposicion/

Tradução > Sol de Abril

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A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi