[Chile] Solidariedade e cumplicidade pela liberação animal

A solidariedade anticarcerária e a liberação animal são pontos vitais de nosso que fazer anárquico. É por isso, que levantamos uma nova instância de encontro, discussão e de resolução com o fim de retroalimentar-nos, afinar nossas posições e expandir uma das ferramentas essenciais deste que fazer: a propaganda.

Convidamos a uma jornada para o dia 9 de julho, domingo, desde as 17h00 na Biblioteca Anárquica Sebastián Oversluij Seguel.

Teremos uma comida solidária para apoiar a tiragem de propaganda antiautoritária.

  • Projeção e palestra
  • Coleção vegam para presos Caso Susaron
  • Feira anárquica (Traz a tua!)
  • Música ao vivo

Pedir endereço a: biblioangryantiso@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Voa bem-te-vi,
enquanto o sol é promessa
e eu tenho as janelas.

Yberê Líbera

[Espanha] “FCK NZS”: torcedora do Unionistas CF multada em 3.000 euros por exibir uma bandeira antifascista

A Subdelegação do Governo de Salamanca inicia o processo considerando que “tais atos constituem um delito grave”. “Eles me disseram que a bandeira incitava o ódio. Eu não podia acreditar, ódio contra quem?”. Durante as temporadas 2020/2021 e 2021/2022, foram solicitadas 370 sanções, das quais apenas três por atos racistas.

Em 3 de abril, o estádio Reina Sofia estava vestido a rigor por seu compromisso com o futebol. A equipe de Salamanca recebeu de braços abertos o histórico Deportivo de la Coruña. Uma partida da terceira divisão com sabor de primeira divisão. Cantos, aplausos e uma faixa com os dizeres “Fútbol Popular” criaram uma atmosfera digna de grandes jogos.

Aos 30 minutos de jogo, o esporte ficou em segundo plano. Um torcedor do time da casa na arquibancada oeste foi identificado pela Unidade de Prevenção e Reação da Polícia Nacional. De acordo com o relatório da polícia, o motivo da intervenção foi a exibição de uma bandeira preta com as iniciais “FCK NZS” (Fuck Nazis) em branco.

A torcedora disse com exclusividade ao AraInfo que é frequentadora assídua do estádio e que nunca havia passado por uma situação semelhante. “Eles me tiraram da área dos torcedores e me disseram que a bandeira estava violando os regulamentos porque incitava o ódio. Eu não podia acreditar, ódio contra quem?

Após a reclamação feita pelos oficiais, a subdelegacia do governo espanhol em Salamanca decidiu iniciar um processo e propor uma penalidade administrativa de 3.000,1 euros a torcedora. O órgão considera que “tais fatos constituem uma infração grave” em relação ao artigo 6.1 B da Lei 19/2007 contra a violência, o racismo, a xenofobia e a intolerância no esporte.

A disposição legal estabelece a proibição de “introduzir, exibir ou produzir faixas, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens que incitem a violência ou em virtude das quais uma pessoa ou grupo de pessoas seja ameaçado, insultado ou assediado por causa de sua origem racial ou étnica, religião ou crenças, deficiência, idade, sexo, orientação ou identidade sexual, expressão de gênero ou características sexuais”.

De acordo com os regulamentos, seria a Comissão Permanente do Estado contra a Violência, Racismo, Xenofobia e Intolerância no Esporte o órgão colegiado encarregado de dar a palavra final sobre a sanção proposta após a comunicação das autoridades.

De acordo com o Anuário do Ministério do Interior da Espanha, durante as temporadas 2020/2021 e 2021/2022, foram solicitadas 370 sanções, das quais 5% foram impostas a organizações. Andaluzia, Madri e Extremadura lideram a lista de territórios com o maior número de propostas.

Entre as infrações mais repetidas, destacam-se as seguintes: participação em altercações, insultos ou ameaças e introdução de material pirotécnico em instalações esportivas. Em contrapartida, houve apenas três solicitações por atos racistas e oito por exibição de bandeiras.

Erlantz Ibarrondo, advogado da parte sancionada, definiu a sanção proposta como um “absurdo jurídico” impossível de cumprir com a Lei 19/2007. O advogado afirma ter apresentado alegações, mas elas ainda não foram processadas. “Se necessário, recorreremos ao contencioso administrativo”, acrescenta.

A sancionada faz parte dos “Verracos”, os torcedores do clube de Salamanca, que manifestaram por meio de suas redes sociais sua indignação com a proposta de sanção. Mais de cem perfis de fora do grupo de torcedores compartilharam uma declaração apelando para a solidariedade diante do que aconteceu: “Hoje somos nós, amanhã pode ser você”.

Até o momento, não foi possível determinar a posição do Unionistas FC, apesar dos esforços para entrar em contato com o clube durante a preparação deste relatório. A torcedora confessa ter recebido apoio de grande parte da torcida, mas teme ter de enfrentar a sanção: “Quando a carta chegou, o mundo desabou sobre mim. Eu não posso, nem devo, enfrentar uma sanção de 3.000 euros por ter levado uma bandeira antinazista”.

Fonte: https://arainfo.org/fck-nzs-3000-euros-de-sancion-a-una-aficionada-de-unionistas-cf-por-exhibir-una-bandera-antifascista/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Até os pernilongos
Vão ficando silenciosos –
Como os anos passam…

Paulo Franchetti

[Grécia] O governo de Mitsotakis despejou as pessoas do campo de refugiados curdos em Lavrio

Na noite de 05/07/2023, por volta das 3h às 4h, o MAT, a EKAM e outras forças policiais invadiram o campo de refugiados curdos auto-organizado de Lavrio. O estado mobilizou suas forças repressivas, conduzindo uma operação militar com mais de 250 oficiais que foram com suas armas levantadas para o lar auto-organizado de exilados políticos curdos e turcos e seus entes queridos. Levaram à força famílias e crianças, brutalizando e algemando todos os que resistiram, e os transferiu para a Oinofyta, anteriormente fechada.

Tendo vencido a eleição, o governo de Mitsotakis [primeiro-ministro da Grécia] continua, em nível elevado, o programa sujo e repressivo que preparou em seu primeiro mandato.

A verdadeira motivação do Estado grego por trás do ataque e despejo é uma adesão à abordagem da OTAN e da UE, em políticas contra refugiados e imigrantes, e para extinguir todos os movimentos sociais. O despejo é um presente do governo de Mitsotakis ao regime de Erdogan, 6 dias antes da próxima reunião da OTAN. Durante anos, a Turquia pressionou o Estado grego a fechar o campo de Lavrio, sob a justificativa de combater o terrorismo – o mesmo discurso usado para o uso de armas químicas nas montanhas do Curdistão, perseguições políticas na Turquia e operações militares no nordeste da Síria. A comunidade internacional permanece em silêncio sobre os crimes do Estado turco e torna-se cúmplice da violência.

Hoje, o Estado grego expulsou pessoas de um espaço de solidariedade, resistência e vida comunitária. Pessoas já forçadas a deixar sua terra natal devido a perseguições políticas, violência do Estado; encarceramento, tortura, brutalidade policial, morte. Ao fazer isso, o governo de Mitsotakis colaborou com o regime de Erdogan em sua guerra genocida contra os curdos. Após a conspiração internacional da prisão do líder curdo Abdullah Öcalan em 1999, a Grécia novamente se aliou ao regime fascista turco, apoiado pelo imperialismo da OTAN.

Quando o Estado grego ataca a comunidade curda, o Estado grego ataca todo movimento social.

Solidariedade internacional para derrotar alianças transnacionais

Os curdos não estão sozinhos

A luta comum nos une

BIJÎ BERXWEDANA LAVRIO

Riseup4 Rojava Grécia

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Acenda o fogo.
Que lhe mostro algo legal —
Uma grande bola de neve.

Bashô

2023: nova conjuntura, velhos inimigos

Se os governos continuam considerando como ameaça setores da esquerda que correm por fora do petismo, talvez seja um bom momento para pensar em como voltar a sê-lo.

Por Passa Palavra

Na última quinta-feira de junho ocorreu o “Ato contra a tarifa”. O chamado do ato, assinado por uma série de organizações e pequenos grupos da extrema-esquerda, relembrava as mobilizações de 10 anos antes, quando houve uma irrupção social em torno dos transportes que forçou os governos a reduzirem a tarifa em mais de uma centena de cidades.

A proposta de um ato de rua parece ter sido uma forma de diferenciar-se das demais efemérides de junho de 2013, colocando de forma clara tanto a relevância do transporte público para os trabalhadores urbanos, quanto o fato de junho de 2013 ter sido uma mobilização popular de rua, não fazendo sentido rememorá-lo apenas com discussões e interpretações — afinal, as lutas continuam vivas.

O grande número de assinaturas e mesmo a presença de 250 militantes naquela quinta-feira em São Paulo não deixa de ser notável se considerarmos que a preparação e organização do ato foi feita com pouco mais de uma semana de antecedência. Houve uma significativa ausência: o Movimento Passe Livre, que, embora convidado a organizar o ato, se recusou a articular com antigos dissidentes e fez questão de afirmar que não fazia parte do chamado.

Para os que estiveram no ato foi possível reviver um modelo de manifestação que tem sido incomum nas esquerdas do último período: não havia carros de som, tampouco discursos pré-fabricados; o foco maior das panfletagens não era disputar as pessoas dentro do ato, mas de dialogar com a população que saía do trabalho na região central da capital paulista.

Outra característica marcante do ato foi o reencontro de diferentes militantes participantes das mobilizações da década anterior, que puderam reconhecer em suas trajetórias uma continuidade daquelas mobilizações, reestabelecer laços e retomar a expectativa de articulação de uma esquerda que não quer ser governo. Reforçados por novas gerações de militantes formados nas diferentes lutas secundaristas que ocorreram nos últimos 10 anos e que veem em 2013 uma inspiração para continuar se mobilizando, tanto na luta contra as tarifas, quanto na mobilização contra o Novo Ensino Médio, ou no apoio às lutas de motoboys, metroviários, professores, etc.

Parece-nos particularmente relevante essa disposição no momento que é possível ver o incômodo causado em parte dos petistas com a rememoração de 2013. A convocatória foi criticada e condenada em diferentes grupos, dizendo que não se deveria protestar contra o governo; no dia anterior, o presidente Lula afirmou que os movimentos sociais deveriam se organizar para evitar golpes. Também não é desprezível a insistência do governo Lula em manter o sigilo dos relatórios de inteligência produzidos sobre as manifestações de uma década atrás. Se os governos continuam considerando esses setores uma ameaça, talvez seja um bom momento para pensar em como voltar a sê-lo.

Fonte: https://passapalavra.info/2023/07/149341/

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No prato com leite
a língua rosada
faz chap chap

Eugénia Tabosa

[Reino Unido] Autoritarismo de Macron provoca revolta

Macron uma vez prometeu transformar o mecanismo do Estado francês em um Estado “start-up”, e é exatamente isso que ele entrega: uma entidade autoritária que não hesita em assassinar jovens de 17 anos, criminalizar o ativismo ecológico e abolir os direitos trabalhistas, quando qualquer um deles atrapalha seus planos. O projeto autoritário de Macron não é um desvio das instituições representativas. A representação política é baseada na lógica da profissionalização da política e do fechamento da base da participação direta nos processos decisórios. Seguindo a lógica da tecnocracia, o Estado “start-up” de Macron continua no mesmo caminho, transformando o político no profissional absoluto, seguindo integralmente os princípios do modelo empresarial em que o patrão tem sempre razão.

O crescente autoritarismo de Macron também é exemplar para a falta de confiabilidade da representação política. Em maio de 2022, ele foi reeleito com o apoio de muitos da esquerda que não o endossaram no primeiro turno, mas foram instados a votar no segundo turno para impedir a entrada de sua desafiante de extrema-direita, Marine Le Pen. Em seu discurso de vitória, ele reconheceu isso, dizendo que o resultado “me obriga”. É claro que ele não foi eleito para implementar um projeto tão autoritário, e ele mesmo sabe muito bem disso, mas ele continua assim mesmo, pronto para atropelar qualquer resistência.

Como resultado, a brutalidade policial atingiu o pico, levando ao ponto de 77% das pessoas na França dizerem que consideram Macron “autoritário”.

Mas seu autoritarismo encontrou novas formas de resistência popular nas formas de uma série de protestos descentralizados – é importante notar que a promoção e organização desses protestos geralmente ocorre nas redes sociais e fora das redes políticas e sindicais tradicionais. E muitas vezes essas velhas organizações burocráticas entram em conflito com os novos levantes e movimentos de resistência, como é o caso do Partido Comunista Francês, que condena os últimos protestos violentos pelo assassinato de um garoto de 17 anos baleado pela polícia.

E desde o movimento dos Coletes Amarelos, onde a cada novo dia uma nova ação e um novo local surgiram, há uma tendência dos manifestantes a formarem pequenos grupos, que então percorrem a cidade brincando de gato e rato com a polícia, e se dispersando antes de reaparecer em locais diferentes.

É muito importante que todos apoiemos a revolta popular do povo na França, pois o autoritarismo parece estar crescendo em toda a Europa e além. E que rapidamente ultrapassemos o imaginário representativo e reinventemos a democracia direta, para que possamos desprofissionalizar a política e deixar que as sociedades falem por si mesmas e constituam suas vidas em comum de acordo com seus interesses e desejos compartilhados, e não pelos lucros e fome de poder das elites.

Yavor Tarinski

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/07/03/macrons-authoritarianism-sparks-uprising/

Tradução > Contrafatual

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Dança da mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas.

Silvia Mera

[França] Corte as redes sociais

Quarta-feira, 05 de julho de 2023

Emmanuel Macron recebeu 220 prefeitos no l’Élysée na terça-feira, 4 de julho. Na ocasião, ele poderia ter proposto soluções políticas e sociais para os municípios suburbanos ou se voltado para a repressão que atinge esses bairros. Nada disto: o Chefe de Estado referiu a necessidade de “ter uma reflexão sobre a utilização das redes sociais” e sobre “as proibições que temos de colocar”. Foi ainda mais específico: “quando as coisas saem do controle, talvez você tenha que se colocar em posição de regulá-las ou cortá-las”, acrescentando que acima de tudo você não deve fazer isso de cabeça quente, mas que você tem que iniciar uma reflexão fria. O Estado francês corre, portanto, o risco de adotar uma legislação que permita cortar as redes sociais em caso de contestações ou distúrbios sociais.

Desde 2021, alguns Estados fecharam ou restringiram a internet durante tumultos ou protestos. Por exemplo, a junta militar da Birmânia, a ditadura bielorrussa, a República Islâmica do Irã, Sudão, Cazaquistão ou Paquistão. Ou mais recentemente o Senegal no contexto da repressão sangrenta. A França de Macron, portanto, corre o risco de ingressar neste clube de Estados notavelmente democráticos.

É verdade que sem redes é muito mais simples: sem imagens de violência policial, sem convocação para manifestação, sem vídeo do tiro em Nahel, sem mídia independente. Apenas CNews e BFM como retransmissores de mídia. O sonho.

Como lembrete, alguns dias atrás, vários governantes pediram que a Constituição fosse alterada para permitir um terceiro mandato de Macron. Como em vários regimes autoritários: o de Putin na Rússia, Xi Jinping na China ou os presidentes do Senegal e da República Centro-Africana.

A história recordará que o candidato “centrista” e “moderado”, apresentado pela mídia e eleito graças ao voto de bloqueio, foi um autocrata ultraviolento que precipitou a França rumo à ditadura.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/05/couper-les-reseaux/

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medo no coração
tirito
a mais fria estação

Sílvia Rocha

França fascista: o assassino de Nahel logo se tornará um milionário

CRÔNICA DA BURGUESIA SELVAGEM

Domingo, 02 de julho de 2023

Existem tantos fascistas na França que dezenas de milhares de pessoas estão dispostas a subsidiar a execução de um adolescente. É o que está acontecendo com o assassino de Nahel. O policial que apontou sua arma para o adolescente de Nanterre, gritando que ia “enfiar uma bala na cabeça” antes de executá-lo friamente.

Florian Menesplier, o policial atirador, é um ex-militar que frequentou o colégio católico particular Sainte-Famille Saintonge, antes de ingressar no 35º Regimento de Infantaria e depois ingressar na polícia. Ao cometer esse crime, ele tirou a sorte grande. É um fato atroz, insuportável, vertiginoso, mas é muito real. Há três dias, o polemista de extrema-direita Jean Messiha lançou uma “vaquinha de apoio” para o atirador. Ela já ultrapassa neste domingo os 700.000€ de doações!

A esta soma alucinante devemos acrescentar outra vaquinha: a lançada pelos colegas do atirador, os motociclistas de Hauts-de-Seine, que arrecadaram cerca de 50.000€. Mais uma prova de que a polícia judiciária não é “maçã podre” e que estes fatos não são “erros” nem “deslizes”. Em caso de violência policial, uma rede de solidariedade extremamente poderosa e organizada, com expressivos meios de comunicação e recursos financeiros, é acionada dentro das forças da ordem.

O racismo e a propaganda policial atingem tal nível que as pessoas recompensam massivamente quem mata um jovem de origem norte-africana . Na lista de doadores, encontramos por exemplo o pseudónimo “Jean Culas Mélenchon” que pagou 1102€, entre outras doações de 4 dígitos. Existem fascistas ricos na França que estão dispostos a pagar quase um salário mínimo apenas para subsidiar um assassino de uniforme. Para parabenizá-lo financeiramente.

Florian Menesplier pode ser um milionário por matar um adolescente! Nesse ritmo, o policial já pode comprar uma segunda casa ou até se aposentar mais cedo.

É claramente algo diferente de apoio, é um símbolo: financiar repressões de bairro, demonstrar a supremacia branca. É uma manifestação de gente covarde, uma manifestação em forma financeira, de tudo que a França tem de amantes da ordem, policiais sindicalistas e fascistas.

Em 2019, o governo explodiu em menos de 48 horas uma vaquinha em favor da família Christophe Dettinger, um boxeador Colete Amarelo que havia repelido com as próprias mãos policiais de armaduras que espancavam uma mulher no chão. As autoridades alegaram que essa vaquinha “encorajava a violência”. O ministro do Interior na época falava em “financiar a violência”. Marlène Schiappa pediu que os contribuintes fossem identificados. Elisabeth Borne uivou sua indignação.

Estas centenas de milhares de euros arrecadados pelos fascistas para um agente indiciado por “homicídio doloso” contra um menor, não provocam a menor reação do governo.

>> Para sustentar a família de Nahel, sua vaquinha é muito mais humana:

https://www.leetchi.com/fr/c/soutien-a-la-maman-de-nael-decede-ce-jour-a-nanterre-1608932

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/02/france-fasciste-le-tueur-de-nahel-bientot-millionnaire/

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Canta alegre o sabiá
faz folia o bem-te-vi
— natureza assovia

Rogério Viana

[França] Prisões em massa para esmagar a revolta

PRISÕES EM MASSA VÊM OCORRENDO HÁ QUATRO NOITES EM TODA A FRANÇA PARA CONTER A ONDA DE RAIVA CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL. SEGUNDO DADOS DO MINISTÉRIO DO INTERIOR:

  • Na segunda noite, de quarta para quinta: 150 detenções
  • Na terceira noite, de quinta para sexta: 875 prisões
  • Na quarta noite, de sexta para sábado: 1311 detenções
  • Na quinta noite, de sábado para domingo: 719 pessoas foram presas
  • No total, 3055 pessoas foram colocadas em celas, ora de forma violenta, ora de forma aleatória, por se encontrarem num bairro onde a polícia intervia, ou perto de uma vitrine estilhaçada. Ao mesmo tempo, a polícia está identificando pessoas a partir de vídeos postados no Snapchat.

Já existem dezenas de julgamentos expedidos com presença imediata, com penas de prisão por exemplo, sem a menor prova. A justiça prolonga a violência da polícia, exercendo seu trabalho contra os pobres e rebeldes.

Se você esteve nas ruas nas últimas noites, exclua as imagens do seu telefone e de suas redes, se postou alguma. O ideal, saia sem telefone se estiver protestando. Os principais meios de investigação são implementados, livre-se das roupas que estava vestindo e de tudo que o identificasse. Se você for preso, não denuncie nada: isso só pode servir para incriminar você ou outras pessoas. Peça um advogado e consulte um médico. Recuse a presença imediata.

Como durante os [protestos dos] Coletes Amarelos, com milhares de prisões após o Ato 3 em dezembro de 2018, ou durante as manifestações noturnas que se seguiram ao 49-3 em março passado e mais de 1.000 detenções em quatro noites, a revolta só foi contida por ataques [policial] em grande escala. A única resposta de Macron às demandas por justiça social, contra o racismo ou a violência policial, é a prisão em massa.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/02/arrestations-de-masse-pour-ecraser-la-revolte/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/29/franca-morte-de-nahel-em-nanterre-noite-de-protestos-furia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/28/franca-racismo-e-violencia-de-estado/

agência de notícias anarquistas-ana

Anoitece no mar —
Os gritos dos patos selvagens,
Vagamente brancos.

Bashô

[França] Vídeo | Reconstrução da liga fascista dissolvida

Sábado, 01 de julho de 2023

Neonazistas como auxiliares de polícia: era sexta-feira (30/06) pela noite em Angers. Uma manifestação contra a violência policial após a morte de Nahel foi repelida por gases lacrimogênios em uma rua do centro da cidade. Ali esperavam um grupo de neonazistas armados com porretes, barras de ferro, tacos de beisebol e sprays lacrimogênios.

A extrema-direita realiza sua fantasia de intervir no levante atual atacando militantes de esquerda. Um dos cabeças do ataque, Gaspard Beaumier, pode regressar tranquilamente ao local da extrema-direita Angevine sob proteção policial depois dos fatos. O outro líder, Jean-Eudes Gannat, fundou o grupo l’Alvarium.

O ataque em Angers constitui uma “reconstituição da liga dissolvida”. Em Angers, o grupo fascista l’Alvarium criado em 2017 por Gannat, filho do notável e antigo candidato da Frente Nacional, dispõe de um local e semeia o terror nesta cidade considerada tranquila. Agressões racistas, gritos fascistas, intimidações. Seus membros são condenados várias vezes por violências em bando.

Em novembro de 2021, o l’Alvarium se dissolve finalmente. Mas conserva seu local e prossegue suas atividades com toda tranquilidade. Conferências de extrema-direita se organizam regularmente, o l’Alvarium ataca a manifestação de 1º de maio de 2022 em Angers… E manifestantes este 30 de junho.

Os procedimentos de dissolução foram criados na década de 1930, em um contexto de ascenso do fascismo e de terrorismo de extrema-direita, para dissolver as ligas fascistas que praticam a luta armada e a violência de rua. Em princípio, se tratava de pôr fim ao terrorismo de extrema-direita. O qual não teve nenhum efeito. As dissoluções foram utilizadas contra os grupos contestatários. Atualmente, este procedimento é utilizado contra o movimento ecologista e as organizações muçulmanas.

O ataque em Angers corresponde em todos os aspectos ao delito de “reconstituição da liga dissolvida”. Mas as autoridades deixam fazer. Será o mesmo para os Soulèvements de la Terre (Levantes da Terra) se este movimento continua suas ações pelo bem comum?

>> Veja o vídeo aqui:

https://contre-attaque.net/2023/07/01/reconstitution-de-ligue-fasciste-dissoute/

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/29/franca-morte-de-nahel-em-nanterre-noite-de-protestos-furia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/28/franca-racismo-e-violencia-de-estado/

agência de notícias anarquistas-ana

selva de pedra
condor solitário
vôo triste

Manu Hawk

[Chile] Lançamento: Autobiografia Luisa Toledo – “Mis hijos están em ustedes los rebeldes”

A memória é uma ferramenta subversiva, então fazer memória é muito importante para o povo“, Luisa Toledo.

Queridos e queridas companheiras

As e os convidamos a nos encontrar com nossa querida Luisa e sua história de vida, no sábado 8 de julho, às 16h00. pontual), no Centro Comunitário Pablo Vergara, onde funciona o Comedor Popular Luisa Toledo de Villa Francia.

Nos reuniremos para apresentar sua Autobiografia, que generosamente nos deixou como legado aos que a conhecemos e para as novas gerações.

Contaremos com alguns testemunhos, fotografias, vídeos e nos acompanhará com a música La Lira Libertaria.

Os e as esperamos como sempre, com muito carinho.

Família Vergara Toledo, Territorial Villa Francia e Editorial CEIBO

agência de notícias anarquistas-ana

Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.

Matsuo Bashô

[EUA] Neonazistas são bloqueados e expulsos de celebração do orgulho gay em Chico, Califórnia

Relato de defesa bem-sucedida do Orgulho na assim chamada Chico, Califórnia, contra os neonazistas.

Na quarta-feira, 14 de junho, a Chico LGBT Center organizou uma hora de história de drags para crianças e suas famílias, um dos vários eventos recentes do Orgulho. Foi um dia lindo e quente no vale, com música e roupas divertidas, enquanto famílias e amigos chegavam ao evento. Quando a música estava começando, dois neonazistas foram vistos se aproximando por uma ponte na esquina do evento, carregando uma placa de madeira grande e ridícula afirmando que pessoas trans e seus amigos eram “doentes mentais” e pedófilos.

Um dos que se aproximaram foi o conhecido supremacista branco Christopher Acret de Cohasset, CA, que está associado à Goyim Defense League (GDL), um grupo que tem estado ativo no ano passado espalhando propaganda neonazista, anti-semita, racista, queer, transfóbica e horrivelmente desenhada em todo o norte da Califórnia, incluindo Chico. O outro fascista provavelmente também era filiado ao GDL.

Felizmente, nosso lado os avistou antes que eles chegassem perto do evento e os confrontou na ponte, impedindo-os de chegar perto do local. Eles estavam em número muito menor, dois deles para cerca de quinze de nós, com muito mais membros da comunidade não participando do confronto, mas ficando para trás e guardando a entrada do evento. Seguiu-se um impasse, com alguns gritos e empurrões. Várias vezes os neonazistas tentaram passar por nós e se mover em direção ao evento e todas as vezes eles foram empurrados para trás enquanto a multidão gritava: “Nazis Fuck Off”.

Após cerca de 15 minutos de impasse, nossa equipe foi capaz de começar a empurrar nossa linha para frente e movê-los cada vez mais longe da Drag Story Hour e em direção a um cruzamento movimentado. Os carros que passavam e os pedestres mostraram seu apoio a nós. Depois de recuar lentamente devido à nossa pressão por um quarteirão ou mais, os fascistas decidiram encerrar o dia e recuaram ativamente. Vários de nós os seguimos para garantir que eles fossem embora, e pudemos garantir que eles entrassem no seu veículo e fossem embora. Eles nos deram um último “foda-se” e alguns insultos homofóbicos da janela da caminhonete antes de desaparecerem completamente.

O dia pareceu um grande sucesso para os antifascistas e nossa pequena comunidade rural que sofreu muito ódio de direita recentemente. Estávamos preparadas, lutamos e os fascistas nunca chegaram perto do evento. Eles partiram humilhados e derrotados, expulsos da cidade. Nossa equipe teve amplo apoio da comunidade, apesar de algumas besteiras sobre policiamento pacífico e “desintensificação” terem sido direcionadas a nós. A polícia fez uma breve aparição, mas não se deu ao trabalho de ficar por perto. Não havia mídia presente. Quando o evento acabou e as crianças e seus amigos e familiares estavam saindo com segurança, os fascistas já haviam ido embora e as crianças e artistas puderam ter um evento lindo e divertido.

Para ler mais sobre incidentes de ódio na área, e especificamente sobre Christopher Acret e GDL, confira este artigo (https://anewscafe.com/2023/06/04/redding/jewish-teacher-finds-anti-semitic-flier-in-yard-north-state-hate-incidents-rise/).

Fonte: https://itsgoingdown.org/neo-nazis-blocked-and-kicked-out-of-pride-celebration-in-chico-ca/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

passeio de madrugada
os meus sapatos
empapados de orvalho

Rogério Martins

Lançamento: “Anarquismo antifascista”, de Errico Malatesta

É com imensa honra que lançamos o livro “Anarquismo Antifascista: escritos de combate contra o fascismo italiano”, que reúne diversos artigos e reflexões do anarquista Errico Malatesta, produzidos durante a vigência governo de Muss0lini. Com 40 páginas, a obra é um testemunho valioso da coragem, abnegação e resistência das e dos anarquistas frente ao fascismo.

“Anarquismo Antifascista traz pela primeira vez ao português vários escritos de Malatesta sobre a luta antifascista a partir da perspectiva anarquista, cuja principal argumentação apontava que a estrutura do Estado e do capitalismo, apesar de sua retórica liberal e republicana, se transformaria sempre que necessário em um aparelho abertamente violento, antissocialista, que defenderia os interesses das burguesias nacionais a todo custo.

A obra já está disponível para encomendas, pelo valor de R$15,00 com frete grátis para todo o país. Disponibilizamos ainda 50 pôsteres que acompanharão os primeiros pedidos!

Esta é uma oportunidade de compreender mais aprofundadamente o pensamento de Malatesta e a ação antifascista pela perspectiva anarquista, e que tem por missão fortalecer o combate diante do avanço reacionário, liberal e conservador no Brasil e no mundo.

Encomendas em nossa loja virtual, em https://linktr.ee/tsa.editora  

agência de notícias anarquistas-ana

Após urinar,
Um buraco perfeito
Na neve do portão!

Issa

[EUA] Polymath (pré-venda) – The Life and Professions of Dr. Alex Comfort (A Vida e as Profissões do Dr. Alex Comfort), autor de The Joy of Sex (A Alegria do Sexo)

Eric Laursen (Autor)

Agora disponível em pré-venda. Encomende sua cópia agora com 25% de desconto no preço de tabela e enviaremos assim que o livro for lançado em agosto!

Temos muito mais a aprender sobre (o autor de) A Alegria do Sexo! Esta biografia cobre tudo: a vida de um jovem poeta, o pacifismo, o ativismo anarquista, a vida acadêmica, a contracultura dos anos 60, começando de novo na Califórnia, The Joy of Sex, envelhecimento e morte.

Polymath é a primeira biografia de um dos intelectuais mais notáveis e abrangentes da segunda metade do século XX. Alex Comfort foi um poeta, romancista, biólogo, crítico cultural, ativista e anarquista britânico, e autor do best-seller internacional The Joy of Sex. Ele desempenhou um papel vital em tornar a gerontologia (o estudo do envelhecimento) um ramo viável da ciência moderna, energizando o movimento de ação direta pelo desarmamento nuclear, revitalizando o anarquismo como uma filosofia política nas décadas pós-Segunda Guerra Mundial e persuadindo doze milhões de leitores de seu livro mais popular a banir a culpa e a ansiedade do sexo em favor do prazer e da compreensão humana mais próxima.

A Alegria do Sexo passou onze semanas no topo da lista de best-sellers do New York Times – e setenta e duas semanas no top cinco. Mas o livro ganhou vida própria quando algumas gerações de jovens e adultos usaram A Alegria do Sexo como uma ferramenta para entender o prazer fora do reino da culpa e da vergonha e abriram as portas para uma cultura sexual mais saudável.

Comfort gostava de dizer que tudo o que ele fazia era parte de “um grande projeto”: trazer uma nova consciência, fundamentada na ciência, da importância da responsabilidade pessoal nas relações humanas, incluindo a obrigação de desobedecer quando a autoridade estava sendo exercida abusivamente. Polymath traça a interseção na vida e no trabalho de Comfort entre biologia e literatura, anarquismo e humanismo, sexo e socialidade, e como seus escritos, pesquisa e ativismo continuam a lançar luz crítica sobre as escolhas morais e políticas que fazemos hoje. O livro de Laursen relata a vida cheia de eventos de uma figura brilhante e complexa, incluindo sua vitória sobre uma possível deficiência que encerra a carreira, seu tumultuado segundo casamento, suas lutas com o establishment científico e a fascinante história da realização de A Alegria do Sexo. Será uma leitura vital para quem quiser entender como o pessoal se tornou político e o político se tornou pessoal nos últimos cem anos.

Elogios para Polymath:

Este maravilhoso estudo captura a vida e a obra de um dos mais fascinantes, embora pouco compreendidos, escritores anarquistas do século XX. A palavra “libertário” foi arruinada por libertários de direita, e “anarquista” foi danificado também. Mas Alex Comfort, fiel à tradição anti-guerra, precisava, agora mais do que nunca, levar adiante a luta da literatura para a sexologia, de forma brilhante, corajosa e memorável. Espero que esta biografia meticulosa e lúcida receba a ampla atenção que merece. — Paul Buhle, fundador/editor da Radical America, editor de graphic novels de não-ficção

Embora a Alegria do Sexo seja amplamente conhecida, muito menos se sabe de seu autor Dr. Alex Comfort. A biografia de Eric Laursen oferece um livro abrangente, compreensivo e perspicaz que nos permite finalmente entender Alex Comfort e as inspirações por trás de seu trabalho. — Susan Quilliam, coautora de A Alegria do Sexo (2008)

Polymath é um relato cativante, esclarecedor e penetrante da vida e do trabalho de Alex Comfort. Eric Laursen capta brilhantemente o ambiente dos tempos de Comfort para revelar a inventividade de seu pensamento e explicar suas intervenções. Sua impressionante pesquisa não se esquiva das realizações intelectuais de Comfort. Sublinha a consistência da aplicação criativa de Comfort dos princípios anarquistas e sua visão otimista do anarquismo como um caminho para a libertação e a comunidade. — Ruth Kinna, autora de O Governo de Ninguém

Alex Comfort era um tipo extraordinário de intelectual público – um médico e ativista anarquista cujo escopo e realizações proteicas abrangiam os campos da biologia, sociologia, psiquiatria, geriatria e sexologia, bem como a escrita de poesia, drama e ficção. Com base em extensa pesquisa arquivística, bem como em estudos mais especializados sobre Comfort, a notável biografia de Eric Laursen é o primeiro estudo sintético a considerar toda a gama de realizações de Comfort e a revelar o papel fundamental do anarquismo como o núcleo ético que orienta todos os aspectos do desenvolvimento pessoal e profissional de Comfort. — Mark Antliff, Mary Grace Wilson Distinguished Professor Emérito, Duke University, e autor de Sculptors Against the State: Anarchism and the Anglo-European Avant-Garde

Eric Laursen é jornalista, historiador e ativista independente. Ele é o autor de The People ‘s PensionThe Duty to Stand Asidee  e The Operating System. Seu trabalho apareceu em uma ampla variedade de publicações, incluindo In These TimesThe Nation e The Arkansas Review. Vive em Buckland, Massachusetts.

Editor: AK Press

Formato: Livro

Encadernação: pb

Páginas: 780

Lançamento: 29 de agosto de 2023

ISBN-13: 9781849354967

www.akpress.org

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

 

Ação direta contra a indústria da experimentação animal no Estado espanhol

Segundo testemunhos de diversas pessoas envolvidas no movimento de liberação animal nas décadas dos 80/90, o interesse de muitas delas pela luta contra a vivissecção no estado espanhol cresceu graças a dois documentários: “Alicia en el país de los experimentos” e “Crímenes Ocultos”, ambos traduzidos de maneira um tanto rudimentar e projetados em diversas ocasiões em centros sociais ocupados e jornadas pela libertação animal. A dureza das imagens ficou marcada a fogo em uma geração de ativistas, como nos conta uma das pessoas que viveu aquela época ao recordar a primeira vez que vi “Alicia en el país de los experimentos”: “Era da British Union For The Abolition of Vivisection e me impactou muito, recordo que tive uns pesadelos terríveis após vê-lo e aí foi quando tornei-me vegetariano”. As pessoas que naqueles anos se envolveram na luta pela libertação animal, começaram a criticar duramente a indústria da vivissecção em textos, canções, adesivos ou cartazes. Alguns, inclusive, decidiram passar à ação.

Em 1986, segundo um comunicado assinado pela Frente de Libertação Animal no qual se reivindicavam diversas ações, aparecem pichações na faculdade de medicina para denunciar “a tortura e a fraude que supõe a vivissecção tanto para as pessoas como para os animais”. Esta é, que saibamos, a primeira ação direta realizada no Estado espanhol que teve como objetivo a indústria da experimentação animal.

No número 4 do fanzine “Libertação Animal”, publicado em 1990, se cita uma libertação realizada em Zaragoza, entre 27 e 28 de janeiro (ano sem especificar) na qual se resgataram dois cães e dois porcos do centro de experimentação do Hospital Clínico “após cortar as cercas atrás das quais estavam presos”.

Também na década de 90, se realizou a primeira libertação massiva reivindicada pela Frente de Libertação Animal no Estado. Uns 200 ratos e camundongos destinados a experimentação foram resgatados da Universidade Complutense de Madri. “Deslizaram pelos banheiros e acessaram o departamento de biologia celular. Não só levaram todos os ratos, como também com isso prejudicaram experimentos muito trabalhosos. Também, decoraram todas as instalações com pichações que nos tachavam de assassinos”, declarava Alberto Varas, membro do departamento de biologia celular da complutense à revista Época após a ação.

É na década de 2000 quando a ação direta pela libertação animal vai pouco a pouco aumentar. Os ataques contra curtumes, açougues e outros centros de exploração crescem e se estendem por toda a península. Como era de se esperar, também aumenta o número de sabotagens e liberações que tem como objetivo a indústria da experimentação animal. A primeira ação relacionada com a vivissecção da qual temos conhecimento nessa época é a libertação de vários cães Beagle em Bilbao.

Pouco tempo depois, em 2003, uma granja em Tulebras, Navarra, na qual criavam-se coelhos que depois seriam enviados a laboratórios, também recebeu a visita de ativistas da F.L.A., que liberaram entre 250 e 300 animais e realizaram pichações com frases como “vivissecção = tortura” ou “vivissecção: fraude científico e moral”. A ação foi reivindicada pelo Comando Dave Blenkinshop, nome escolhido em homenagem a um ativista pela libertação animal que naquele momento cumpria pena.

No ano seguinte, em 12 de setembro de 2004, se produz uma nova libertação. Desta vez é uma cadela que é resgatada das instalações da Universidade de León. Após a libertação, os ativistas chamaram a cadela de Ginna, em recordação a outra pessoa represaliada em sua luta pela libertação animal.

Outras táticas usadas para atacar a indústria da vivissecção foram as visitas a domicílios de pessoas relacionadas com a experimentação animal. Que saibamos e nos baseando nos relatos de ações que se realizaram nesses anos, visitaram as casas de pessoas relacionadas com a SECAL (Sociedade Espanhola para as Ciências do Animal de Laboratório), Sankyo Pharma, Dupont, Roche ou Novartis. Em várias dessas ações picharam frases ou colaram cartazes explicando ao que se dedicavam estas pessoas, para que assim seus vizinhos pudessem saber que tipo de pessoa vivia a escassos metros de seus domicílios e por que havia sido realizada a ação. Em ocasiões, também deixaram notas explicativas nas caixas de correio da vizinhança.

Também os escritórios de empresas que estavam relacionadas diretamente com a experimentação animal ou que mantinham relações contratuais com HLS, (o maior laboratório de experimentação por contrato da Europa naqueles anos, contra o qual estava se desenvolvendo a campanha SHAC, que se estendeu a nível internacional), sofreram sabotagens. Pichações, quebra de vidros ou ataques com pintura foram alguns dos métodos que se empregaram.

As liberações para resgatar animais destinados a experimentação continuaram. Assim, em 1º de janeiro de 2006, poucas horas depois das badaladas de ano novo, várias pessoas entraram no biotério da Faculdade de Veterinária de Madri e resgataram 28 cães Beagle, muitos deles machos e, como depois se soube, uma cadela prenhe que deu à luz a uma ninhada que, afortunadamente, não teve que conhecer o cárcere e a tortura. Poucos dias antes, outros 5 Beagles haviam sido liberados em Granada.

Em 2007 realizou-se uma nova libertação, desta vez em Valverde, Ciudad Real, na granja de experimentação animal do Instituto de Investigação de Recursos Cinegéticos, organismo dependente do CSIC e da Universidade de Castilla la Mancha. Na libertação, segundo o comunicado, resgataram-se dezenas de coelhos e umas 200 perdizes.

Em 9 de fevereiro de 2008 realizou-se em Barcelona uma manifestação denunciando a relação de Novartis com HLS que acabou em destroços. Entre 150 e 200 pessoas percorreram as ruas da cidade condal entoando cânticos contra a experimentação animal e, ao chegar à sede da Novartis, um grupo de pessoas causou destroços em uma câmara de segurança, uma vitrine da empresa e realizaram diversas pichações.

As ações contra empresas relacionadas com HLS se sucederam no Estado espanhol. UPS, empresa de correio que mantinha relações comerciais com o laboratório, sofreu numerosos ataques contra seus escritórios e seus veículos de entrega, aos quais em ocasiões furaram as rodas, em outras pichavam frases e, em alguns casos, sofreram inclusive ataques incendiários. Este tipo de sabotagens se multiplicou em diversas cidades da península.

O ano de 2011 começou de maneira espetacular, com a libertação de 36 cães do viveiro  para experimentação animal de Harlan Interfauna, em Sant Feliu de Codines. Também, em junho de 2011, três cães Beagle são liberados do vice-reitorado de investigação da faculdade de veterinária da Universidade Complutense de Madri.

Estes são só alguns exemplos das ações realizadas desde finais dos 80 a princípios dos 2000 contra a indústria da experimentação animal. Mergulhar entre todas as que se realizaram naqueles anos e detalhar uma por uma poderia gerar um artigo que levaria horas de leitura e não é essa nossa intenção. O que queremos é mostrar como a luta pela libertação animal pode se valer de diversas táticas que tem um claro objetivo: a libertação dos animais e o fim das empresas que comercializam e lucram com sua prisão e sua morte.

Para os que pensam que este tipo de práticas são demasiado extremas ou agressivas, cabe recordar que trata-se de ações diretas não violentas, nas quais não houve nenhum ferido nem jamais se pretendeu que o tivesse e só danificaram propriedades. A indústria contra a qual se dirigiam, no entanto, tira a cada ano a vida de milhões de animais aos quais previamente submetem a uma vida de prisão e dor.

Não queremos cair na mensagem simplista de que “só a ação direta conta”. A difusão e a educação, a palavra e a tinta, são tão importantes como a pedra e a tesoura. Todas elas são ferramentas que devem caminhar juntas porque, se algo nos ensinou a história de nosso movimento, é que a combinação de diversas formas de trabalho e ação, é a chave da efetividade.

cerremosvivotecnia.noblogs.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

vento nenhum
parou para ouvir
o silêncio da noite

Alexandre Brito

[Itália-França] Chamada para um acampamento itinerante passamontanha em agosto de 2023

4-5-6 de agosto de 2023

Claviere (ITA)- Briancon (FR)

Três dias no caminho para um mundo sem fronteiras ou autoritarismo

Três dias de reuniões e discussões, compartilhando reflexões, experiências e práticas

TRÊS DIAS DE LUTA CONTRA AS FRONTEIRAS

As políticas da União Europeia continuam a aumentar as mortes no mar e nos territórios de trânsito, construindo fronteiras internas e externas.

Novos acordos são assinados com países de trânsito e de partida.

Milhões são alocados em tecnologia, polícia e novos muros para deter as pessoas que estão a caminho da Europa ou em espaços no exterior.

Um esquema funcional para a aniquilação de migrantes.

Aqueles que chegam à UE são condenados a uma vida de escravidão na esperança de obter um passe para um status considerado aceitável pelo sistema.

Aqueles que não conseguem se desvencilhar da corrida de obstáculos burocráticos, aqueles que não trabalham legalmente, aqueles que se rebelam, aqueles que não são considerados integráveis ou exploráveis, tornam-se bucha de canhão para o sistema de centros de detenção ou para as prisões.

Nesse contexto, o número de pessoas forçadas a migrar devido à crise climática e ecológica desencadeada pelo modelo de produção dos Estados ocidentais também está aumentando. A fim de expor a hipocrisia desse sistema que saqueia, rejeita e deporta enquanto prega o ecologismo, acreditamos que a ação direta é o curso de ação necessário.

Se, por um lado, a União Europeia implementa um sistema que gera guerras e miséria e depois criminaliza e explora as pessoas que escapam dele, por outro lado, há aqueles que, com força e determinação, continuam a desafiar esse sistema todos os dias.

As passagens de fronteira que escapam do controle cada vez mais intenso dos Estados, os tumultos e as lutas que emperram as engrenagens dos centros de detenção administrativa, às vezes transformando-os em escombros – como em fevereiro de 2023 no CPR de Turim – mostram que a monstruosa máquina estatal é menos invencível do que parece.

Por essas razões, sentimos a necessidade de nos reunir, de nos encontrar, de nos reconhecermos, de nos organizarmos melhor, tentando escapar das armadilhas do assistencialismo ou das ações da mídia.

Durante os dias do acampamento, gostaríamos de cruzar novamente essa fronteira próxima a nós, mais uma vez de forma coletiva.

Gostaríamos de reafirmar sua prática e significado simbólico, contra todas as fronteiras, internas e externas, e os dispositivos que as alimentam. Contra os novos decretos assassinos italianos (Cutro) e franceses (Darmanin). Contra as novas leis europeias que permitirão uma externalização cada vez mais forte e violenta das fronteiras, com futuras deportações diretas para países terceiros sem origem.

Bilhões estão sendo gastos nessas montanhas na tentativa de construir o TAV (trem de alta velocidade), devastando um território em nome da velocidade das mercadorias e do transporte, enquanto aqueles que não têm documentos são forçados a arriscar suas vidas, sofrendo perseguições, assédio e violência policial por falta daquele pedaço de papel que continua a matar enquanto mercadorias e turistas viajam sem serem incomodados.

Pelo menos nove pessoas morreram nessa fronteira. Muitas ficaram feridas, inúmeras foram rejeitadas. Dezenas de pessoas por dia tentam cruzar essa linha imaginária protegida por gendarmes franceses e guardas italianos.

Nós estivemos, estamos e estaremos ao lado deles!

Participamos em grande número do acampamento itinerante –Passamontagna– em uma tentativa de relançar momentos de encontro e confronto coletivo, de agir em conjunto, tentando coordenar diferentes realidades e territórios em luta, na perspectiva de novos caminhos possíveis.

O evento de três dias é totalmente autogerido: não há organizadores ou usuários, apenas participantes!

Os cafés da manhã, almoços e jantares serão distribuídos gratuitamente. É necessário levar roupas de montanha, barraca, saco de dormir e louça.

Acompanhe as atualizações aqui em www.passamontagna.info

E-mail: info@passamontagna.info

Fonte: https://www.passamontagna.info/?p=4435

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

solo de mansinho.
poema ensaiando canto
de passarinho

Paulo Sérgio Vieira

[Espanha] Rádio Traficantes: Emma Goldman. Um Furacão Na História.

Damos as boas-vindas a este segundo capítulo da série “Breve historia del pensamiento feminista“. Hoje nos aproximamos de uma das revolucionárias que com mais intensidade implementou a mudança do século XIX ao XX: Emma Goldman.

Desde sua saída da Rússia czarista e após seu estabelecimento como trabalhadora têxtil em Nova York, se forjou um autêntico mito revolucionário.

Em 1907, as primeiras crises financeiras açoitaram os Estados Unidos. Logo a crise se transformou em protestos obreiros. Emma se lançou a uma de suas múltiplas turnês de comícios.

A sua chegada a São Francisco, o rumor estendido pela polícia foi que Emma visitava a cidade para destruir a frota estadunidense situada em seu porto.

Definida pela segurança do estado como “A mulher mais perigosa da América”. Emma cresceu ao calor da greve de Haymarket e o movimento anarquista dos Estados Unidos. Logo se converteu em uma das oradoras, agitadoras, organizadoras e revolucionárias mais importantes do movimento obreiro internacional, percorrendo diversos países. Um trabalho que esteve respaldada por sua aposta editorial Mother Earth (Mãe Terra) desde onde publicou uma revista e numerosos livros entre 1906 e 1918.

Nesta sessão faremos uma revisão desta apaixonante vida. Para isso contaremos de novo com Ana Muiña, historiadora, investigadora e impulsionadora da editora La linterna sorda.

Com a intenção de perguntar-nos sobre as apostas políticas e revolucionárias naquele momento crítico de finais do século XIX e começos do XX. Os deixamos com “Emma Goldman, un huracán en la historia“.

>> Escutar aqui:

https://www.ivoox.com/2-emma-goldman-un-huracan-historia-audios-mp3_rf_111166715_1.html

Fonte: https://traficantes.net/node/237044

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Neste céu nublado,
Olhos atentos do gato
Procurando a lua

Gustavo Moraes