[Chile] A 25 anos do assassinato de Claudia López nem um minuto de silêncio, toda uma vida de combate.

A memória como ferramenta política e de luta não só se configura na persistência e na recordação de companheiros caídos ou na rememoração de fatos históricos significativos, a memória, para os anarquistas, é recolher as experiências e vivências de confronto e revitalizá-las em um aqui e agora, é entender que a ideia e a práxis revolucionária anárquica são parte de um contínuo histórico e que desde aí é sempre importante olhar o passado para qualificar nossa ofensiva antiautoritária de hoje e de amanhã.

Prestes a completar-se os 25 de anos do assassinato policial de Claudia López, se torna imprescindível resgatar sua figura e sua luta; recordar sua dança rebelde e sua consequência inflexível; combater o esquecimento com o fogo de cada barricada. Este quarto de século transcorrido após sua morte nos convida a conhecer e refletir sobre o momento histórico sobre o qual cimentou sua luta, assim como também a projetualidade daquela época e desde aquele exercício olhar o presente com o objetivo de afiar nossas ferramentas de luta ofensiva e de negação do existente.

Sob este olhar nos convocamos diferentes afinidades anárquicas para levantar uma atividade em memória de Claudia López em 30 de junho em Agustinas N°2384 a partir das 18h00, a qual ademais tem por fim a arrecadação de fundos para a comemoração dos 25 anos de sua morte em 9 de setembro na Pincoya.

MEMÓRIA E SUBVERSÃO

– Exposição gráfica dos anos 90 (fanzine, fotografias, adesivos, publicações, etc)

– Apresentação: “El Francotirador”. um fanzine testemunhal da luta e da projetualidade dos anos 90.

– Danças

– Música ao vivo

– Projeções

– Confeitaria vegana

– Feira libertária

CLAUDIA LÓPEZ PRESENTE!!

Convida: Organizações e individualidades anárquicas

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Acenda o fogo.
Que lhe mostro algo legal —
Uma grande bola de neve.

Bashô

Novo Vídeo: É crime! E daí? – Sobre a judicialização das lutas contra opressões

Depois que o racismo foi tipificado como crime e que o Supremo Tribunal Federal decidiu equiparar a homofobia, a transfobia e a xenofobia ao racismo, criminalizando também esses comportamentos, muitas pessoas têm adotado o fato de “ser crime” como o principal argumento para condenar essas práticas e relegado às polícias e aos tribunais o papel de combatê-las, legitimando instituições fundadas no racismo, cuja missão é e sempre foi controlar e reprimir as minorias.

Roteiro por Antimídia e Acácio Augusto.

Assista em: https://antimidia.org/e-crime-e-dai-sobre-a-judicializacao-das-lutas-contra-opressoes/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o monte liso
contra o céu uma só árvore.
Gesto de vitória!

Alexei Bueno

Ato contra a Tarifa – 29/06, São Paulo

Em junho de 2013, o aumento das tarifas do transporte coletivo levou multidões às ruas de centenas de cidades brasileiras. Como consequência da violência policial, do aumento da exploração, da carestia e de um sentimento generalizado de insatisfação, o movimento tornou-se uma revolta de grandes proporções contra a ordem estabelecida.

Dez anos depois, as coisas estão mais caras e a vida só piorou. O transporte está cada vez mais caro, a qualidade não melhora e a privatização continua apontada como solução.

Quem sofre com a tarifa hoje é quem foi demitido, teve o salário reduzido ou teve o seu trabalho precarizado ao longo da última década como consequência das reformas trabalhista e previdenciária, que não foram revogadas até agora pelo novo governo. Como se não bastasse, os grandes empresários e seus políticos continuam querendo mais: essa nova modalidade de “teto de gastos” chamada de “arcabouço fiscal” vai limitar ainda mais o investimento em demandas sociais (transporte, educação e saúde).

Por tudo isso, e muito mais, continua sendo preciso ir pra rua contra as tarifas dos ônibus, dos trens e do metrô!

Reivindicada nas ruas desde muito antes de 2013, a Tarifa Zero era acusada de ser inviável pelos poderosos. Curiosamente, quando o lucro das empresas de transporte foi ameaçado pela perda de passageiros, acentuada pelos próprios aumentos da tarifa e pela pandemia, a proposta foi retomada pelos mesmos políticos e empresários que eram contra ela. Hoje, a Tarifa Zero é adotada em mais de 70 cidades do país.

No final do ano passado, o prefeito de São Paulo passou a defender demagogicamente a proposta, ao mesmo tempo em que sucateia o sistema de ônibus. Numa cidade como a nossa, a Tarifa Zero só vai funcionar se também houver gratuidade nos trilhos. E o governador deixou claro que seu projeto é outro: privatizar as linhas do trem e do metrô para empresas lucrarem em cima de tarifas cada vez mais altas e da precarização do serviço.

Só a pressão popular organizada na rua, nos bairros e nos movimentos sociais pode impedir que a Tarifa Zero seja utilizada apenas para fins eleitoreiros e acabe favorecendo mais os empresários e os políticos do que os trabalhadores.

A única forma de manter viva a memória de junho de 2013 é ir para rua por uma vida sem catracas! Por isso, convocamos um ato contra as tarifas dos ônibus, do trem e do metrô nesta quinta-feira, às 17h, na frente do Teatro Municipal.

Fonte: https://anarquismosp.wordpress.com/2023/06/26/ato-contra-a-tarifa-29-06-sao-paulo/

agência de notícias anarquistas-ana

Crepúsculo. O sol no horizonte
Vai descendo
Os degraus do monte.

Clínio Jorge

13 teses contra o discurso anti-2013

Por Erick Corrêa

1

Há no Brasil um trabalho ideológico que está completando sua primeira década de imposturas: o discurso anti-2013. Desde o início, as interpretações daquele período de perturbação da ordem democrática, equivocadas ou tendenciosas, reativaram a máquina infernal do reacionarismo nacional. No dia 8 de janeiro de 2023, essa máquina finalmente explodiu na forma de um “junho de 2013” ao revés, distorcido e deformado por um longo processo de mutação política e ideológica. Nos últimos dez anos, nada neste país foi tão dissimulado com mentiras e desinformação quanto a história daquelas “jornadas”.

2

O discurso anti-2013 tem suas origens políticas no campo petista, alvo de constantes protestos, organizados de forma autônoma por novos movimentos sociais sobre os quais o Partido dos Trabalhadores (PT), na gestão do poder federal desde 2003, não exercia qualquer tipo de controle. Entre esses movimentos, aqueles que lutavam pela gratuidade do transporte coletivo se destacaram como os mais organizados, com presença em várias regiões do país e grande potencial de mobilização. Isso ficou evidente durante as jornadas contra o aumento da tarifa em Salvador, uma década antes de 2013, e posteriormente em Florianópolis, entre 2004 e 2005. O Movimento Passe Livre (MPL) surgiu dessas lutas em torno da mobilidade urbana, e a necessidade de defesa, por parte do PT, contra essa nova forma de contestação, serviu como base material para o pensamento anti-2013. Ele se antecipou à criminalização geral do movimento.

3

Desde então, essa perspectiva foi disseminada por meio de variados dispositivos ideológicos, entre câmaras de eco digitais, bolhas culturais, acadêmicas e editoriais, sempre atribuindo ao MPL e ao “junho de 2013” uma responsabilização pela Operação Lava Jato, pelo golpe de 2016, pela prisão de Lula e pela consequente ascensão de Bolsonaro ao poder federal em 2018. Nessa retórica conspiratória, os movimentos de base popular e autônoma, assim como as frentes anarquistas, foram politicamente desqualificados como “infantis”, “infiltrados”, “manipulados”, “cooptados” ou “sequestrados” por interesses exteriores a eles, além de terem sido policialmente criminalizados como “baderneiros”, “vândalos” ou “terroristas”. Afinal, “todo inimigo da democracia equivale a qualquer outro, como se equivalem todas as democracias” (Debord). A partir desse momento, o pensamento anti-2013, surgido na reação imediata às “jornadas de junho”, tornou-se uma eficaz estratégia de liquidação simbólica de seu legado, a ser reativada quando for conveniente ao poder de classe, burguês e burocrático. Não é surpreendente, portanto, que aquela “rebelião” tenha ressurgido como um “fantasma”, assombrando as consciências da esquerda ghostbusters no momento que ela retorna triunfante ao poder federal, em perfeita sincronia com a primeira efeméride decimal de “junho de 2013”.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/06/149133/

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chão de caruma,
crepitar no pinheiral –
passos ou fogo?

Carlos Seabra

[Grécia] Lançamento do livro: “Living My Life”, uma autobiografia de Emma Goldman

Apresentação do livro “Living My Life”, autobiografia de Emma Goldman e publicado pela Βιβλιοπέλαγος, com a participação da tradutora Rosina Berkner.

Ativista anarquista, palestrante inspiradora, ela espalhou com sua palavra e caneta os valores da igualdade e independência das mulheres, o amor livre e o controle de natalidade… Ela comunicou suas ideias em nível político e as viveu em nível pessoal. […]

Através das páginas de sua autobiografia se desenrola o panorama histórico de toda uma época, de 1885 a 1928 […]” – da contracapa

O evento acontecerá na okupação Libertatia na sexta-feira, 30 de junho, às 19h00. Rua Stratou, 19, Tessalônica.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/05/italia-lancamento-vivendo-minha-vida-autobiografia-integral-de-emma-goldman/

agência de notícias anarquistas-ana

As estrelas no lago
Aparecem e desaparecem —
Chuva de inverno.

Sora

[São Paulo-SP] Aniversário de Emma Goldman | Celebrando com palavras cênicas os 154 anos de uma língua de fogo

A vida e a obra de Emma Goldman transformaram profundamente as ideias e as práticas anarquistas. Sua existência inspiradora não pode deixar de ser celebrada! Por isso, o Centro de Cultura Social (CCS) vai fazer uma festa teatral e  convida você para comemorar com a gente o aniversário de 154 anos da “mulher mais perigosa da América”, na próxima sexta-feira, dia 30 de junho, às 19h00.

Para a celebração, estamos preparando uma breve dinâmica teatral (a participação é voluntária), que resultará numa leitura dramática coletiva de poemas, textos e pequenas cenas relacionadas à trajetória de Emma. Como toda festa, pedimos aquele apoio mútuo de trazer algo de comer ou beber, de preferência veganos. Venha dançar com a gente!

agência de notícias anarquistas-ana

Imóvel, o gato,
olha a flor de laranjeira.
Eu olho o gato.

Jorge Lescano

[Espanha] Um capitalismo que produz cadáveres, para a maior glória de sua economia.

A história da Europa neste século 21 em termos de migração, refúgio e asilo é uma história de vergonha e desumanização.

A Organização Internacional para Migração estima que cerca de 27.000 seres humanos tenham se afogado no Mar Mediterrâneo desde 2014. O último naufrágio no Mar Jônico, ao largo da costa grega, diante da impassibilidade das fragatas do Estado grego, deixou a maioria das 700 pessoas que estavam no barco no fundo do mar, sendo que apenas cento e quatro foram resgatadas.

Os que perecem perdem suas vidas, seus nomes e sua dignidade humana, e os migrantes que são salvos não são tratados como náufragos, mas, ao contrário, são devolvidos à força a seus países de origem, ou trancados em centros de detenção, ou entram no circuito de exploração do trabalho ou são simplesmente condenados ao crime para sobreviver.

As políticas de migração da União Europeia e da Europa deixaram de ser políticas de fronteira e passaram a ser políticas de MURALHA, para evitar que centenas de milhares de pessoas que precisam migrar de seus países por motivos indesejados (desertificação de seus territórios devido à pilhagem das multinacionais; mudanças climáticas; guerras exportadas pelas potências ocidentais; fome, repressão, perseguição política…), ganham acesso às economias europeias, que são em grande parte sustentadas por essa força de trabalho explorada, invisível e sem direitos, que as políticas estruturais classificam como ilegal.

As políticas de migração são desenvolvidas pela estrutura política nos escritórios de Bruxelas, nos parlamentos e em acordos internacionais.

Medidas como o acordo de migração da UE com Marrocos, Turquia, Líbia, Tunísia e Egito, ou a Frontex, que fortalece, protege e fecha ainda mais a fortaleza europeia, são decisões políticas e dispositivos de controle. Tudo isso continua sendo feito em nome da economia, que é a garantia do bem-estar de um cidadão europeu, que se torna cúmplice dessa desumanização e desses crimes.

Esse capitalismo, que produz cadáveres, sufoca e enterra vivos os direitos humanos, não hesita em destinar bilhões de dólares para que países, estados autocráticos e ditaduras controlem suas fronteiras e impeçam por todos os meios a entrada de migrantes, refugiados, pessoas perseguidas… etc., enquanto lamenta as mortes na retórica mentirosa da política institucional.

Os cidadãos europeus devem deixar de ser complacentes e cúmplices dessas necropolíticas que violam sistematicamente os direitos humanos e geram sociedades de ódio, desprezo e xenofobia, esvaziando-nos dos valores que definem uma sociedade decente e humana: solidariedade, cooperação e liberdade.

Consentimos com políticas que saqueiam, roubam e se apropriam dos recursos de milhões de pessoas, forçando-as a migrar. E nem sequer facilitamos sua entrada em nossos países. Elas correm sérios riscos nessa jornada. Depois, ao chegarem, descobrem que sua cidadania plena não é reconhecida.

Alguns dias após o primeiro aniversário da tragédia na cerca de Melilla, onde dezenas de migrantes foram mortos, e algumas horas depois que quase quarenta pessoas perderam a vida enquanto esperavam ser resgatadas por horas a poucos quilômetros da costa das Canárias, a CGT denuncia que ninguém, absolutamente ninguém, deve perder a vida por esses motivos. A única maneira de nos salvarmos como pessoas é salvar os outros e cuidar deles como a nós mesmos.

Secretaria Permanente do Comitê Confederal

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/un-capitalismo-que-produce-cadaveres-a-mayor-gloria-de-su-economia/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Tormenta hibernal —
O rosto do passante,
Inchado e dolorido.

Bashô

10 anos da insurreição de junho de 2013

Comunicado Nacional da FOB

Há 10 anos atrás o país foi sacudido por uma jornada de lutas que teve seu pico entre os dias 17 e 20 de junho. Trabalhadoras e trabalhadores, principalmente, a juventude proletária marginal se mobilizou por todo o país de norte a sul, de leste a oeste. Das maiores cidades as cidades pequenas do interior do país. Foi o maior levante proletário do país com manifestações simultâneas em centenas de cidades brasileiras. Uma verdadeira insurreição popular.

O fato é que se havia um processo de aumento do consumo produzido pelas políticas dos governos petistas, nas condições sociais não haviam mudanças estruturais. As condições de trabalho não melhoravam substancialmente, apesar do aumento real do salário mínimo, e as condições de vida nas cidades se degradavam cada vez mais, com os serviços públicos de saúde e educação em péssimas condições, assim como o ataque aos povos do campo para construção de grandes obras com as hidrelétricas do madeira, Jirau e Santo Antônio, e do Xingu. Sem contar o avanço da fronteira agrícola pelas áreas de terras públicas e dos povos indígenas, quilombolas e camponeses.  Nos centros urbanos, a população carcerária, de maioria negra, só aumentava e o assassinato de jovens negros também continuava muito alto.

Em 2011, começou a ter um aumento do número de greves. Já no início do ano explode uma greve selvagem nos canteiros de obras da construção da hidrelétrica de Jirau, no Rio madeira. Operários insatisfeitos com as condições de trabalho e à revelia das direções sindicais promoveram um quebra-quebra e uma greve, que voltou a se repetir em 2012. Nesse ano, explode uma greve dos trabalhadores e trabalhadoras e estudantes da rede federal insatisfeitos com as péssimas condições de estudo e trabalho feito pelo programa REUNI de expansão das universidades. No mesmo ano é realizada a COP+20 que teve intensa mobilização dos povos originários e do campo, com ocupação do prédio do BNDES. Esse ano teve um grande número de greves, o maior desde 1997, época das lutas contra a privatização da Vale do Rio de Doce e da Telebrás. O movimento sindical e social estava acomodado pela política de conciliação de classe do PT e da CUT desde 2002.

Essa conciliação tinha como local estratégico o favorecimento do principal sub-grupo operário dirigente da CUT: os metalúrgicos do ABC. A política pública pró-montadoras de venda de carro flex foi desenhada também para favorecer o setor sucroalcooleiro do agronegócio e logicamente uma pequena parcela dos trabalhadores. Isso fez com que aumentasse o número de carros na rua, sem que houvesse melhoria nos transportes urbanos e investimento em barcas e trens de passageiros, tanto metropolitano como de um estado para outro. Muito pelo contrário. Então havia uma combinação de piora das condições de transporte público, com aumento de horas nos ônibus e trens, e aumento desse transporte. Os aluguéis aumentaram, com as remoções mais os trabalhadores pobres eram empurrados para a periferia das cidades. Em 2012, a crítica da população ao sistema de saúde e educação eram cada vez maiores, com parte da população recorrendo aos serviços privados, como tentativa de melhorar esse acesso. Nesse período do governo Lula e Dilma o número de estudantes em escolas privadas aumenta, enquanto diminua na escola pública. O mesmo acontecia com os planos de saúde. Na educação superior aumentou ainda mais o número de estudantes em universidades privadas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://lutafob.org/9796/

agência de notícias anarquistas-ana

O som de um rato
Andando sobre o prato —
Que frio!

Buson

Hermenêutica da suspeita: Lula, 2013 e o ódio contra a esquerda

O trabalho de Lula é fazer com que essa “suspeita” se transforme em força social e histórica no constrangimento público e repressão política e física à esquerda do PSOL e à extrema-esquerda comunista e anarquista.

Black Blocs foram recrutados pelo narcotráfico para a desestabilização do governo Dilma. A vida de muita gente piorou graças aos babacas de junho e seus “protestos” que geraram o fascismo, assim como a perda da Petrobras, da Eletrobras e de 700 mil vidas. Uma ONG bancou os protestos do MTST e do Não Vai ter Copa. “Você acha que aquele movimento todo ia surgir no Brasil por causa de 20 centavos no preço do ônibus? Só um inocente pode acreditar que foi aquele movimento do transporte livre lá que criou aquilo. Eu estou convencido que aquilo fazia parte da mesma lógica da Primavera Árabe”. “As manifestações de 2013 foram feitas já fazendo parte do golpe contra o PT, elas já foram articuladas para garantir o golpe, porque elas não tinham reivindicações específicas. O golpe começou, na verdade, as manifestações começaram como parte do golpe incentivadas pela mídia brasileira, incentivadas, eu acho que inclusive, de fora para dentro. Acho que já teve o braço dos Estados Unidos nas manifestações do Brasil”.

 O parágrafo anterior é um apanhado, quase aleatório, do esforço sistemático que tem sido feito no campo petista para que não ressurja uma esquerda no país. Quase aleatório porque as últimas frases são trechos de duas entrevistas de 2019 dadas por Luís Inácio Lula da Silva, uma ao site Brasil 247 e outra para a TeleSur, sediada na Venezuela.

O ponto aqui tratado especificamente não são os ataques à memória e à compreensão das Jornadas de 2013, e sim o trabalho mais amplo e mais sistematicamente realizado por Lula e pelos lulistas para que o seu governo não tenha de enfrentar qualquer oposição desde o espectro político à sua esquerda. Esse trabalho que, em particular agora no aniversário de 10 anos das jornadas, vem cultivando o mais puro ódio e ressentimento à esquerda não alinhada com o PT, e se desdobra em ameaças de “surra” como as que começaram a ser feitas no ano passado: “Não temos de conversar mais, é baixar a porrada quando saírem às ruas. Ruas é só pra pedir Lula Presidente”. Bem antes do ano passado, em maio de 2014, ou seja, também em ano eleitoral (quando os ânimos se exasperam?), o intelectual petista Emir Sader disse que a torcida Gaviões da Fiel “protegeu o Itaquerão e enxotou os vira-latas”, fazendo referência a uma suposta expulsão do MTST e de outras organizações que protestavam contra os gastos com a Copa da FIFA.

Esse trabalho de Lula e dos lulistas também se desdobra em iniciativas como a formação de milícias digitais para monitoramento de atividades da esquerda e da extrema-esquerda, como um grupo petista no Telegram que não somente monitora ações do PSOL, PSTU, PCB, UP e anarquistas, como vem divulgando dados pessoais de militantes dessas organizações e correntes, desde o local de trabalho até o endereço residencial. É considerado internamente como o trabalho sujo, o “mal necessário”, aquilo que precisa ser feito para evitar manifestações durante o governo Lula.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/06/149111/

agência de notícias anarquistas-ana

Tormenta hibernal —
O rosto do passante,
Inchado e dolorido.

Bashô

[Rússia] “Se quisermos criar uma alternativa para esses dois monstros, devemos aprender a nos unir para resolver nossos problemas”

Agora, enquanto esta declaração está sendo publicada (24/06), ainda não podemos prever totalmente o desenvolvimento dos eventos em torno da “rebelião de Wagner” em uma visão relativamente de longo prazo. Mas podemos esperar definitivamente duas tendências aparentemente opostas: primeiro, o aumento da repressão contra os cidadãos comuns, não apenas pelas forças de segurança do Estado, e segundo, simultaneamente, um aumento do caos, quando os lados opostos deixam as pessoas enfrentando os problemas que eles próprios criaram.

Claro, Prigozhin não é melhor que Putin: agora alguns fascistas estão lutando contra outros. Qualquer poder autoritário acaba gerando conflitos sangrentos.

Em tal situação, a demanda por auto-organização, a criação e o fortalecimento de laços sociais de base e a ajuda mútua se espalharão. As pessoas criarão novas iniciativas, novos movimentos. A tarefa dos anarquistas é fazer todos os esforços para ajudar a criar e participar de estruturas de base, criando novas associações e fortalecendo a interação entre as existentes.

Já escrevemos que não existe “nosso lado” no embate entre os “Wagneristas” e as estruturas estatais “oficiais”. Na disputa em andamento, todos eles buscam apenas seus próprios interesses e apenas se defendem. É melhor que todas as outras pessoas não se arrisquem na luta alheia e, se possível, fiquem longe dos pontos de colisão.

Mas se quisermos criar uma alternativa para esses dois monstros, devemos aprender a nos unir para resolver nossos problemas, apoiar a luta para acabar com a guerra e a repressão, nos defender da violência e defender nossos interesses e direitos. Só assim poderemos participar da construção de uma nova sociedade para substituir o regime falido e as gangues de bandidos que ele formou.

Nos solidarizamos com nossos camaradas de Irkutsk que escreveram:

“Putin já está falando na televisão, dizendo que teme a destruição do sistema estatal e o início da “anarquia”! Como anarquistas, podemos dizer que o ditador teme a anarquia com razão: afinal, isso implica que seu poder e a ideia de “mundo russo” deixarão de existir e que, em vez disso, a sociedade começará a funcionar de acordo com os princípios de autogoverno, descentralização e federalismo.”

Onde o controle do estado sobre a sociedade e a repressão enfraquecer, anarquistas devem usar as oportunidades que se abrem para espalhar as ideias anarquistas tanto em palavras quanto em atos. Agora, notícias de levantes nas colônias prisionais e nos centros de detenção provisória estão chegando. Precisamos pressionar pela libertação de presos políticos e outras vítimas do poder arbitrário.

Não importa como vai terminar a rebelião que está se desenrolando agora, uma nova vida deve nascer de baixo, das demandas dos amplos setores da sociedade. Para tornar isso possível, todos nós precisamos de estruturas de autogoverno e auto-organização. Unam-se!

Projeto de mídia “Автономное Действие” (“Ação Autônoma”)

Fonte: https://avtonom.org/en/news/organize-yourself-while-they-fight

agência de notícias anarquistas-ana

“Viajante”,
Poderia ser meu nome —
Primeira chuva de inverno.

Bashô

28 de junho: Dia de ação contra a repressão na França

Na quarta-feira, 20 de junho, 18 pessoas foram presas pela unidade antiterrorista francesa em diferentes lugares da França. Alguns deles são acusados de participar da manifestação de 25 de março contra o projeto de megabacias em Sainte-Soline (infolibre.gr/2023/05/08/o-thanatos-apenanti-sti-zoi-dyo -afigiseis-apo-ti-sainte-soline/). Outros são acusados de participar da sabotagem de uma das fábricas [de cimento] da Lafarge em Bouc Bel Air, perto de Marselha, em 10 de dezembro. Uma pessoa já foi condenada a 10 meses de prisão. Outra, Loïc, será julgada no dia 27 de junho. Ela é acusada de participação ativa em manifestação ilegal com o objetivo de sabotar um estoque de água, violência contra policiais, pixar ACAB numa viatura da polícia e roubar o uniforme de um policial.

É a segunda onda de detenções por esses casos: no dia 5 de junho, 15 pessoas já haviam sido detidas pela unidade antiterrorista francesa. Elas ficaram na prisão por 3 dias sem provas. Estavam obviamente esperando que uma delas falasse, mas ficaram em silêncio. Eventualmente, todas elas saíram livres de acusações. (infolibre.gr/2023/06/07/ekklisi-gia-stirixi-meta-to-kyma-syllipseon-sti-gallia-se-schesi-me-ti-dialysi-ergostasioy-tis-lafarge/)

A operação policial do dia 20 aconteceu um dia antes de o conselho de ministros francês decidir oficialmente proibir Les Soulèvements de la Terre, rede criada em 2021 para lutar contra a privatização de terras agrícolas e contra grandes projetos de infraestrutura que destroem o meio ambiente para lucro do capitalismo e do Estado. Essa rede visa conectar as lutas locais por meio de “convocatórias sazonais” para ações que lançam várias vezes ao ano. Dela fazem parte 160 coletivos locais. Ela apoia vários modos de ação, desde o recurso legal até a sabotagem ou ‘desmantelamento’, como elas chamam. Veja o ‘Bestof’ de suas ações: https://youtu.be/O1whH22eqHw

Depois que o governo francês decidiu proibir a rede, mais de 110.000 pessoas pediram o retorno dela em uma petição online. Se continuarem a fazê-lo, podem ser condenadas a 3 anos de prisão. O governo está usando o artigo 212-1 do código nacional de segurança, criado em 1936 após uma série de manifestações de extrema-direita que se transformaram em confrontos violentos com a polícia. Há alguns anos, essa lei é usada principalmente para atacar a esquerda radical e os coletivos e redes ambientalistas. Para aplicá-la, o governo tem que provar o caráter violento e o alto grau de organização e unidade de um coletivo.

Portanto, para preparar seu caso, o governo lançou uma campanha de propaganda após a manifestação de 25 de março em Sainte-Soline. Alguns de seus representantes foram a todos os canais de TV e rádio que puderam para espalhar a ideia de que os Les Soulèvements de la Terre são “ecoterroristas”. Essa nova categoria visa despolitizar as lutas sociais ao jogá-las num mundo imaginário de criaturas diabólicas sem outro objetivo senão propagar a violência e o sofrimento sobre as ‘pessoas boas e moralmente respeitáveis’.

Essa categoria de “ecoterrorista” foi usada novamente para justificar a dissolução de Les Soulèvements de la Terre e as prisões em massa das últimas semanas. É irônico, quando você sabe que a Lafarge tem realmente financiado a organização terrorista Daesh na Síria. Em 2013 e 2014, a Lafarge deu um total de 6 milhões de dólares à organização islâmica para continuar operando suas fábricas de cimento durante a guerra. E o governo francês sabia disso porque a Lafarge estava se comunicando com seus serviços de inteligência. (Ver: euronews.com/2022/10/18/french-cement-firm-lafarge-admits-doing-business-with-so-called-islamic-state)

No entanto, apesar da intensificação da repressão, o povo continua resistindo. No dia 21, depois que o governo anunciou a decisão do conselho de ministros, mais de 150 encontros e manifestações aconteceram por toda a França com a participação de milhares de pessoas.

Les Soulèvements de la Terre lançaram um apelo à ação na quarta-feira, 28/06, para apoiar as pessoas presas e protestar contra a dissolução de sua rede.

O sistema econômico e as empresas que os ativistas estão lutando na França são os mesmos que os ativistas lutam na Grécia.

Nossa solidariedade é nossa arma mais forte!

Apoie suas lutas locais, crie solidariedades internacionais!

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de inverno —
Passando sobre o “koto”
O ruído de um rato.

Buson

[Itália] Scripta Manent. O promotor pede prisão perpétua para Cospito e 27 anos e meio para Beniamino

Na segunda-feira, 19 de junho, foi realizada uma audiência no Tribunal de Apelação de Turim para recalcular as sentenças de Alfredo Cospito e Anna Beniamino, que haviam sido suspensas no outono, enquanto se aguardava a decisão do Tribunal Constitucional sobre a não concessão de circunstâncias atenuantes gerais a Alfredo Cospito.

O Procurador-Geral Saluzzo, após uma tentativa fracassada de apresentar novos documentos, reiterou seu pedido de prisão perpétua para Cospito e de 27 anos e meio para Beniamino.

Os advogados de defesa solicitaram que as filmagens feitas pelos próprios carabinieri após os eventos em Fossano fossem mostradas no tribunal, a partir das quais se pode deduzir o quão pouco aconteceu, mas o juiz ordenou que as filmagens fossem mostradas apenas nas câmaras. As defesas novamente levantaram algumas exceções de constitucionalidade.

O veredito e as respostas estão marcados para 26 de junho às 12h00.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Início de inverno —
Minha filha de dois anos
Ensino a usar “hashi”

Gyôdai

[Espanha] A história desconhecida do sindicalista Paronas, assassinado por pistoleiros da patronal

Salvador Seguí, símbolo da luta obreira, foi assassinado em 1923 em Barcelona por pistoleiros. Mas esse dia não estava só. O acompanhava Francesc Comas, ‘Paronas’, a quem também dispararam em plena rua.

Em 10 de março de 1923, às sete e quinze da tarde, dois homens, um de 35 anos e o outro de 27, fumam tranquilamente em uma esquina da Raval de Barcelona. De repente, uns desconhecidos cruzam a rua, os rodeiam em semicírculo contra a parede, tiram as pistolas e abrem fogo.

O mais velho dos dois recebe o tiro na cabeça e morre no ato. Trata-se de Salvador Seguí, também conhecido como o Noi del Sucre, pintor de profissão, anarcossindicalista, orador impressionante e símbolo da luta obreira do qual se escreverão páginas e mais páginas desde esse momento até hoje.

O outro é Francesc Comas i Pagès, Paronas, trabalhador do vidro, cuja história será imediatamente emudecida por ter caído junto ao mito. Em seu caso, as balas lhe perfuram o fígado e uma perna, e ainda tem forças para arrastar-se até um açougue próximo. Mais tarde o transladarão ao hospital, onde tratarão de salvá-lo sem êxito. Falecerá três dias depois.

Em março completou o centenário daquele duplo assassinato cometido pelos pistoleiros da patronal. A Seguí voltaram a dedicar várias homenagens de acordo com sua transcendência histórica. Os familiares de Paronas e várias entidades sociais, por sua parte, colocaram uma placa com seu nome a uma margem da rua Constitució, em Barcelona, próximo da casa onde havia nascido, e realizaram uma oferenda floral no cemitério.

“Era um assunto pendente”, conta a este periódico sua neta, Àngels Ollé Comas. “Minha mãe, em cada aniversário da tragédia, o reivindicava, e se enfadava porque só se falava de um falecido”.

Justo por essas datas também se publicou a novela “Els vincles audaços”, com a qual o sociólogo Ivan Miró, reconstruindo a vida de Francesc Comas, se propôs resolver a dívida que a memória tem com o personagem, que foi muito mais que um simples militante. “Me interessei por Paronas porque sempre havia sido um pé de página da história”, explica o autor.

“Recuperando sua vida também punha nome aos milhares de anônimos que contribuíram para levantar esse processo importantíssimo que foi o anarcossindicalismo na Catalunha, em um momento no qual a CNT chegou a ter 450.000 filiados”, acrescenta. Conhecer Paronas é reviver o sonho revolucionário de uma Barcelona que uma vez foi e da qual hoje já não sobram nem os ossos.

Sindicalismo para acabar com turnos extenuantes

Filho do bairro de Sants, Paronas começa a trabalhar muito jovem na vidraria Planell. A indústria vidreira, em princípios do século passado, é um ofício duro e arriscado. Os operários passam turnos inteiros, em ocasiões de vinte e quatro horas, diante dos fornos, que os meninos se encarregam de limpar diariamente.

A temperatura é altíssima, o fogo arremete com crueza e destroça os pulmões. Ele pertence à nova geração de jovens vidreiros, que já não se resignam às condições estabelecidas pelos amos.

Nessa época, conhece Joan Peiró, seu primer mestre, que o anima a somar-se à União Vidreira e a organizar-se com seus companheiros para proteger seus direitos. O setor do vidro, apesar de ser pequeno na Catalunha comparado ao têxtil ou ao metalúrgico, é dos mais combativos.

Suas reivindicações são claras. Dentro do grêmio, proibir a admissão nas fábricas de menores de 14 anos ou reduzir as jornadas laborais de doze horas. A nível social, a criação de escolas racionalistas, a união entre sindicatos, a vinculação do movimento proletário com os partidos políticos ou a reivindicação do papel da mulher.

Para Barcelona, são anos efervescentes, intensos, adrenalínicos, também obscuros. A ressaca da Primeira Guerra Mundial é imensurável. Há crises de subsistências, há miséria, há putrefação. Em 1918 estala a pandemia da gripe e faltam medicamentos para combatê-la. Os ataúdes são de má qualidade e chegam tarde às casas.

Os trabalhadores estão a mais de seis décadas mobilizando-se, cada vez tem mais músculo, mas sua força antagônica – a burguesia industrial e imobiliária – não está pelo trabalho de ceder-lhes passagem: se produz um choque de classes muito violento. Greves constantes, emprego de policiais, tiroteios nas ruas.

Golpes de Estado e execuções

Em toda Europa a instabilidade é palpável. O capitalismo ameaça naufragar, sopram ventos de mudança. Falta por ver quem aproveitará a situação para tomar o controle do tabuleiro.

“É o fim do regime da Restauração na Espanha, e a burguesia barcelonesa opta por passar à guerra armada aliando-se com os estamentos militares monárquicos, porque vê que, efetivamente, o movimento obreiro está ganhando uma hegemonia”, expõe Miró.

“O golpe de Estado de Primo de Rivera será em 1923, mas antes dará outro, que é quando se produz esse estalido de violência política, com umas cifras de execuções extrajudiciais incríveis. Na Catalunha, tinham a vontade de exterminar fisicamente a CNT”.

A tudo isto, Paronas segue comprometido com a causa e avançando no sindicalismo, que já é seu meio de ação principal. Ainda que não o único. Também frequenta o Ateneu Racionalista de Sants, inicia suas leituras, vai às tertúlias, escreve alguns artigos e poemas. Segundo Miró, esses centros autogestionados foram básicos para a formação da classe trabalhadora.

“Essa parte me parece extraordinária. Como obreiros manuais que são analfabetos se emancipam culturalmente e acabam lendo os grandes teóricos. Sua batalha passa a ser não só profissional e econômica, mas também cultural, ética e filosófica. No ateneu, Paronas encontrou seu caminho para essa emancipação intelectual”.

De fato, chega a fundar uma editora modesta, a Biblioteca El Cràter Social, na qual publica uma sorte de argumento feminista, intitulado ¡A vosotras, mulheres!. “Meu avô era pacifista e, apesar de que viveu em uma época muito diferente, defendia a igualdade entre homens e mulheres”, recorda Ollé.

A greve da Canadence

Em 5 de fevereiro de 1919 se inicia a famosa greve da Canadence para protestar contra as demissões da empresa. Mais de 20.000 trabalhadores do têxtil saem à rua. Os de outros setores se somam às marchas. Em 12 de março se declara o estado de guerra em Barcelona e os militares tomam a cidade.

Paronas é preso. Passa vários dias incomunicável. Sua mulher, Dolors, não sabe onde o têm retido. O terremoto de manifestações e detenções tem como saldo vários acordos, como a jornada de oito horas, a melhora de salários ou a promessa de liberar os sindicalistas presos.

Salvador Seguí joga um papel essencial nas negociações. Ainda que as elites apontem as matrículas. Entre maio e agosto desse mesmo ano, mais de 40.000 obreiros acabam presos. O tenente geral Severiano Martínez Anido é nomeado governador civil de Barcelona e sobe outro escalão.

O Bando Negro está em ação. Se chama assim às tramas parapoliciais que o poder põe em marcha para contra-atacar a emergência dos sindicatos, cada vez mais massivos.

Orquestrados pelos mandos militares e patronais, grupos organizados de agentes e mercenários gozam de impunidade ante a lei para levar a cabo a tarefa contrarrevolucionária, se necessário com pólvora e sangue. Também se criam os Sindicatos Livres, afins à propriedade, para forçar a divisão nas fábricas. A tensão alcança limites insustentáveis.

A segunda prisão: 500 dias

No final de 1920, junto a outros atores sindicais de peso, Paronas volta a ser preso. Nesta ocasião o levam a Balears, a Mahón, para metê-lo na vetusta e mofada fortaleza de la Mola. A imprensa escreve que ali se dirige “a flor e nata” do sindicalismo revolucionário barcelonês. Foi um golpe duro.

No barco que translada os reclusos também viajam Lluís Companys, que presidirá a Generalitat alguns anos depois, ou o próprio Noi del Sucre. O vidreiro tem uma relação de amizade com ambos. Ainda que o vínculo com Seguí ainda irá mais longe na ilha. É nesse penal onde o assembleário pronuncia a seus colegas a célebre conferência Anarquismo e Sindicalismo.

Algumas de suas palavras ainda ressoam em alguma parte: “Não creias nos homens quando crer nos homens signifique a hipoteca de vossa vontade, mas creia em cada um de vós. E não desesperemos, que o calvário a percorrer tem que ser longo”.

Passarão mais de 500 dias até que Paronas, sem acusações nem julgamento, seja liberado. Para então, sua posição dentro do movimento já é muito destacada. Faz parte do comitê central da CNT e chega a presidir comícios com mais de 80.000 participantes. Sua atividade laboral, ao contrário, despenca, o que deixa sua família em uma situação muito delicada. Com Dolors esperam um segundo filho.

“São os famosos Pactos de Fome. Como sua imagem era pública e os donos das empresas os tinham controlados, deixavam de dar-lhes trabalho. Tinham que buscar a vida como podiam uma vez que seguiam adiante com a militância. Paronas basicamente se encarregava de cooperativas vidreiras”, detalha Miró.

O assassinato

Em 1923, quase como um favor, Companys pede a ele e a Seguí que lhe pintem o piso. Não o sabem, mas será sua última faena. Assim chegamos, outra vez, a aquele 10 de março. Companys, Seguí e Paronas se juntam no bar El Tostadero da Plaça Universitat.

Se põem em dia, compartilham sua preocupação. O Noi, a noite anterior, sofreu uma tentativa de assassinato frente a seu domicílio. Falam sobre os rumores das intenções golpistas de Primo de Rivera. Os dois sindicalistas pagam os cafés e se despedem.

Baixam a Raval para recolher as pinturas em uma drogaria. Esse dia, excepcionalmente, não levam escolta. Param para comprar tabaco e ao sair se detêm para fumar um cigarrinho. Aos poucos minutos, soam os disparos. Os executores pertencem ao bando de Pere Màrtir Homs, advogado a serviço da patronal. Algum será julgado durante a República, sem maiores represálias. Ao resto se perderá a pista.

Temendo uma onda de protestos, o governador manda enterrar clandestinamente Seguí em Montjuïc. Só autorizam a Companys para que esteja presente. Ainda que com Paronas já não se atrevem a impedir que o funeral seja público. “Alguns companheiros montam uma guarda no hospital para que não levem o corpo sem avisar”, relata Ollé.

As ruas voltam a transbordar de trabalhadoras e trabalhadores. Duzentas mil pessoas vão ao enterro. Estão aí para denunciar uma injustiça. Estão aí para prometer que não esquecerão nem perdoarão. Estão aí para chorar o Noi del Sucre.

Estão aí para despedir, também, a Francesc Comas i Pagès, o trabalhador do vidro, cuja história é a história de muitos. A daqueles que não merecem o silêncio. Enquanto o introduzem sob a terra, Dolors dá à luz a Rosa.

“Graças a que o enterro foi tão massivo, ainda se falou um pouco mais dele, porque senão seu nome ficaria sepultado totalmente”, diz a neta, a filha daquela menina que teve que crescer sem pai.

Fonte: https://www.publico.es/politica/história-desconhecida-sindicalista-paronas-assassinado-pistoleiros-patronal.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sem ter companhia,
E abandonada no campo,
A lua de inverno.

Roseki

[EUA] Chamada para ações de solidariedade digital contra o Complexo Cop City

Os computadores e a Internet formam um campo de batalha dominado pelo capitalismo global, supremacia branca, anti-negritude, cis-hetero-patriarcado e capacitismo eugenista. No entanto, qualquer luta militante envolve operar em território inimigo.

Este é um chamado para tomar uma ação criativa e destrutiva contra os sistemas de computador das organizações que constroem a cidade policial. Os sites podem ser desfigurados ou desativados; os servidores podem ser invadidos; contas podem ser comprometidas. Hackers, vamos nessa.

Listas extensas de apoiadores da cidade policial podem ser encontradas aqui [1] e aqui.

Se quiser, você pode coordenar seus ataques com a próxima semana de ação. Ou talvez você prefira coordenar com outra luta não americana, porque a dominação global exige rebelião global. O que quer que funcione.

Distribua amplamente esta chamada: compartilhe onde quer que as pessoas que fazem coisas legais com computadores estejam. Traduza-o para alcançar audiências globais. Seja criativo e faça o seu melhor nas estruturas coloniais cibernéticas.

COP CITY NUNCA SERÁ CONSTRUÍDA

TODOS OS IMPÉRIOS CAEM

PAPUA OCIDENTAL E PALESTINA LIVRES

[1] https://stopapf.noblogs.org/all-financial-contributors-of-the-atlanta-police-foundation/

[2] https://www.documentcloud.org/documents/23572554-q3-2022external-q3-atlanta-police-foundation-board-meeting-bus-tour-consent-agenda_q3-91422#document/p20

Fonte: https://scenes.noblogs.org/post/2023/06/10/call-for-digital-solidarity-actions-against-the-cop-city-complex/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/12/eua-defensores-da-stop-cop-city-espalham-o-nome-de-policial-assassino-e-agora-enfrentam-20-anos/

agência de notícias anarquistas-ana

A lua fria —
Sobre o templo sem portão,
O céu tão alto.

Buson

Defender 2013 como experiência de luta popular!

Fazendo 10 anos das Jornadas de Luta de 2013 parte das forças da esquerda institucional vem revivendo análises que criminalizam ou deslegitimam as manifestações, criando uma retórica de que foi lá que nasceu um germe da extrema-direita bolsonarista, desconsiderando as diversas experiências de luta como um todo, suas complexidades seus marcos e acúmulos políticos. Sobre as narrativas que deslegitimam 2013, nós anarquistas especifistas nos colocamos uma pergunta central: quem tem medo do poder popular? quem sente pavor de ver o povo se organizando e se revoltando massivamente nas ruas reivindicando um direito básico?

O MPL, Movimento Passe Livre, origina-se a partir de lutas populares, como a Revolta do Buzu em Salvador (2003) e Revolta da Catraca de Florianópolis em 2005. O motivo da rebelião é a indignação diante das péssimas condições de transporte das classes oprimidas. Historicamente empurrado para as periferias das grandes cidades, nosso povo vive muito longe de onde trabalha, enfrentando horas de trânsito e atravessando cidades sufocados em veículos superlotados, com preços abusivos cobrados por esse serviço que emprega trabalhadores mal remunerados e sobrecarregados devido aos cortes de funcionários e às demissões em massa, que geram acúmulo de função, exploração que enche o bolso das máfias privadas de transporte coletivo.

Enquanto o povo brasileiro tira dinheiro do seu orçamento apertado, de seu salário que não acompanha o aumento do custo de vida, para pagar a ônibus, ou se arrisca furando as catracas e pulando os muros das estações, as famílias da Máfia do Transporte compram seus helicópteros, matriculam seus filhos nas escolas mais caras, comem do bom e do melhor – tudo isso às nossas custas.

Desde janeiro daquele ano, o povo se revoltou contra mais um aumento abusivo da tarifa e teve como resposta do Estado a repressão violenta e desproporcional. Manifestantes espancados e presos, gás lacrimogêneo e bombas de “efeito moral” disparadas à queima roupa, tiros de bala de borracha alvejando as pessoas no rosto, deixando muitas cegas e com ferimentos graves. Nossas sedes foram invadidas como a invasão do Ateneu Libertário – A Batalha da Várzea, sede da FAG em Porto Alegre, no dia 20 de junho de 2013, no auge da experiência do Bloco de Lutas contra o Aumento das Passagens.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://cabanarquista.org/opiniao-anarquista-junho2013/

agência de notícias anarquistas-ana

Nos gestos da mão
baila a brasa do cigarro:
pisca o pirilampo.

Anibal Beça

[Chile] Manifesto do Movimento 18 de Outubro e adjudicação de ataques explosivos à infraestrutura capitalista

Manifesto do Movimento 18 de Outubro

Ao povo do Chile.

Como primeiro ponto, como Movimento 18 de Outubro, assumimos a responsabilidade pelos três ataques com explosivos à infraestrutura capitalista, sabotagem realizada em Valparaíso pelo Comando Mauricio Arenas Bejas, em Bío Bío pelo Comando Lafkenche Pilmaiquen e em Ñuble pelo Comando Luisa Toledo. As razões para isso são explicadas abaixo.

Um período sombrio está se aproximando no Chile, marcado por um fascismo incipiente que penetra nas massas, que hoje posicionou uma direita conservadora e retrógrada encarregada de redigir a nova constituição, que governará o destino do país pelas próximas décadas ou, na falta disso, perpetuará a constituição emanada da ditadura. Mas como chegamos a esse cenário, menos de quatro anos após o início da revolta popular que expôs os abusos estruturais desse Estado capitalista, que mobilizou milhões de pessoas em rejeição às AFPs (fundo de pensões), à mercantilização da saúde e da educação, à proteção da água para a vida humana, à proteção do meio ambiente e à rejeição do emprego precário? Tudo parece estar muito bem planejado.

Desde a assinatura do acordo de paz em 15 de novembro de 2019, quando o governo criminoso de Sebastián Piñera estava nas cordas, apareceu o salvador que hoje está encarregado da ordem e de perpetuar os abusos sistemáticos do sistema capitalista. Com Boric, a direita e a classe política como um todo planejaram sua agenda para o período atual, entendendo que um rosto jovem, herdeiro do movimento estudantil, poderia acalmar as águas da estagnação, com a adição da promessa constituinte que mudaria as bases da institucionalidade e ecoaria as demandas populares.

A ilusão jurídica da nova constituição, somada à pandemia, desmobilizou as pessoas que agora observam como tudo vai mudar para que nada mude. O fracasso da primeira convenção, que era exclusividade desse governo fantoche e do partido comunista, deu lugar à ofensiva conservadora, muito bem desenhada pela oligarquia, pela classe política e pela mídia, que instalou sua agenda de segurança diante de um governo sem brilho, que, sem capacidade de reação, observou como a direita se posicionou como um partido de direita, observou como a direita está ganhando terreno entre as massas mais despossuídas, dispondo à vontade do novo conselho constitucional, onde o modelo neoliberal será reorganizado para os próximos 50 anos sob uma forte ordem reforçada que garanta a estabilidade de que as empresas precisam para continuar saqueando o país à vontade. Assim como a oligarquia fez em Lirquén em 1833, Alessandri em 1925 e a ditadura em 1980. O desenho se repete.

Isso explica a promulgação da lei Nain-Retamal, que hoje dá impunidade retroativa à polícia criminosa que violou os direitos humanos durante a Revolta e que hoje se fortalece como o braço armado da classe política e do modelo econômico diante de qualquer nova situação ou mobilização de demandas populares. O melhor exemplo disso é o despejo violento do conjunto habitacional Marrichiwew em Viña del Mar, onde várias famílias foram privadas de seu direito à moradia.

Toda essa estrutura jurídico-política busca, sem dúvida, consolidar o novo processo de acumulação capitalista por meio da desapropriação, em que a terra e a água se tornaram as novas mercadorias em detrimento do povo, sob o pretexto do crescimento econômico. E aqui, mais uma vez, o governo, que se diz de esquerda, colocou seu selo na aprovação da TPP11, com a expansão da empresa de mineração Los Bronces, a poluição do cordão industrial Quintero-Puchuncavi e sua grosseira omissão diante do desastre ecológico que a indústria florestal gerou no Wallmapu.

É aqui que se justifica a sabotagem de uma torre de alta tensão em Valparaíso pelo Comando Mauricio Arenas Bejas e pelo Comando Luisa Toledo da linha ferroviária em Itata, por onde circulam apenas as matérias-primas da fábrica de celulose Nueva Aldea da empresa Arauco, pertencente ao grupo Angelinni. Nem as pessoas nem os cidadãos circulam por essas estradas, apenas os eucaliptos dessa empresa florestal, que causaram tantos danos ao ecossistema, ao rio Itata e às comunidades rurais vizinhas.

A nova ordem projetada pela classe política e pela classe empresarial também busca aniquilar a digna resistência mapuche que, dia após dia, enfrenta as empresas florestais e os proprietários de terras que usurpam seu território histórico. Nas últimas semanas, vimos como o governo, juntamente com a direita, orquestrou um esquema para punir os presos políticos mapuches na prisão de Angol, dispersando-os para diferentes prisões, afastando-os de suas comunidades e famílias. Entendemos que a resistência mapuche incomoda os capitalistas, que têm seus interesses no território mapuche, e é por isso que eles precisam atacar seu moral a ponto de subordiná-los. Mas também sabemos que eles não terão sucesso, apesar do estado de emergência, da militarização sem precedentes e da agenda legislativa da classe política que aprovou a lei contra o roubo de madeira e, em breve, promulgará a lei sobre usurpações que busca proteger a propriedade privada dos usurpadores. Diante desse cenário, enviamos nossas saudações fraternas ao povo da nação mapuche, seus presos políticos em greve de fome e comunidades em resistência, e contem conosco para futuras conspirações. É nesse contexto que o Comando Lafkenche Pilmaiken atacou uma torre de alta tensão em Los Alamos, a comuna onde estão localizadas as bases das Forças Especiais dos Carabineros e da Marinha, o centro das políticas repressivas no território. Com essa ação, também exigimos o retorno imediato a Angol dos prisioneiros políticos mapuches dispersos em Rancagua, Concepción e Puerto Montt.

50 anos após o golpe de Estado, deixamos claro que não há espaço para hesitação. A direita, Boric e sua ignomínia pretendem encerrar esse capítulo com a desculpa da unidade nacional. Lembramos a eles que o sangue de nossos heróis não será negociado e que, enquanto não soubermos onde está o último detento desaparecido, não haverá perdão ou esquecimento. Para os criminosos do povo que ainda estão soltos, não durmam. Aos fascistas Alexis López, Pancho Malo, APRA, a todos os republicanos e à classe política capitalista, deixem claro que vocês são nossos inimigos de classe e que as coisas não estão resolvidas.

O apelo é para o povo do Chile. Que abram seus olhos para esse novo cenário que se aproxima. Que voltem a se organizar nas cidades, nas coordenadorias ambientais, nos sindicatos, nas federações estudantis e na universidade. Voltar a contestar os princípios que fizeram explodir a raiva em 18 de outubro. Matar a AFP. Para acabar com a assistência médica e a educação de mercado. Defender a água. Defender a vida. Recuperar o Chile para o povo.

Liberdade para todos os presos políticos da revolta, mapuches, anarquistas e subversivos.

Um novo fantasma está assombrando o Chile

Movimento 18 de Outubro

Fonte: https://lapeste.org/2023/06/manifiesto-del-movimiento-18-de-octubre-y-adjudicacion-de-ataques-con-explosivos-a-infraestructura-capitalista/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A lua crescente
Está arqueada —
Que frio cortante!

Issa