[Espanha] Desenhistas rubro-negros, sempre na luta | Nos unimos contra a precariedade no setor.

Nem toda a classe trabalhadora sobe nas vigas.

Nem toda a classe trabalhadora tem um chefe.

Nem todas as pessoas da classe trabalhadora constroem arranha-céus.

Há pessoas que fazem da construção de sonhos seu ofício.

Que têm de enfrentar burocracias, doenças relacionadas ao trabalho, precariedade e as máfias do grande capital como todo mundo.

Que têm de enfrentar o patriarcado, o racismo, a LGBTIfobia, o classismo e os preconceitos sociais.

Por trás de cada desenho, pintura ou imagem, há pessoas trabalhadoras, cujo trabalho árduo e experiências as levaram a se tornar profissionais. Lembrar-se disso nos dignifica.

Tintarojinegra

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o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga

Carlos Seabra

Chamada para apresentação de trabalhos | 3° Seminário da Punk Scholars Network Brasil

A Punk Scholars Network Brasil convida pesquisadores(as) a enviarem seus resumos para apresentação em seu terceiro seminário. A atividade busca integrar estudiosos(as)do punk em suas mais diversas expressões e das diferentes áreas do conhecimento.

Esse ano estaremos recebendo resumos em três idiomas (português, inglês e espanhol). Ficaremos bem felizes em receber sua contribuição. A atividade terá formato virtual e as inscrições podem ser feitas mediante preenchimento de formulário.

https://forms.gle/8EtgvN8TjqRmRhjk9

Esperamos vocês!

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/11/terceiro-seminario-da-punk-scholars-network-brasil/

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entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

Mineração de urânio no Ceará: lucro para as empresas e morte para o povo.

Comunicado da FOBCE (Federação das Organizações de Base do Ceará)

10/10/2023

Dando continuidade ao projeto de Bolsonaro (PL) de expansão da indústria nuclear, o Governador Elmano (PT) assinou um memorando de entendimento com a Consórcio de Santa Quitéria para garantir a mineração de Urânio e Fosfato na jazida de Itataia com o investimento de 2,3 bilhões.

Enquanto o fosfato servirá para produção de fertilizantes para o agronegócio, que são uma grande causa de poluição das águas, o que é mais absurdo é as consequências da mineração de urânio. A empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB), integrante do consórcio, afirma que a previsão é extrair 2.300 toneladas de urânio concentrado por ano.

O urânio é uma teria radioativo que pode causar: vários tipos de câncer, malformação dos fetos, envenenamento, anomalias genéticas e graves danos ambientais. Sua contaminação pelo ar e pelas águas pode atingir vários municípios do Ceará, inclusive a capital.

Uma terrível contradição é que o projeto vai precisar de muita água em um município do semiárido com bastante falta d’água. Será preciso o equivalente a 115 carros-pipa por hora enquanto a população local vive com 25 a 36 carros-pipa por mês.

A FOBCE – Federação das Organizações de Base do Ceará – se coloca contra este projeto de morte e somará forças junto ao povo cearense para resistir até o fim em defesa da vida!

Organizações Federadas à FOBCE:

SIGACE: Sindicato Geral Autônomo do Ceará

RECC-CE: Rede Estudantil Classista e Combativa do Ceará

Organização Popular Terra Liberta

lutafob.org

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Se mira na poça
de lama do pátio
a lua vaidosa

Luiz Bacellar

O anarquismo no Uruguai

Foi uma ideologia trazida pela imigração que fundou os primeiros sindicatos no Rio de La Plata e fomentou as lutas por uma distribuição mais justa da riqueza.

O anarquismo no Uruguai teve suas primeiras expressões no começo do século vinte, com a chegada da imigração proveniente da Espanha e Itália. Assim como seus homólogos argentinos, houve setores do anarquismo inclinados aos “roubos revolucionários”, formas de expressar a distribuição da riqueza. Um dos fatos mais recordados ocorreu em Montevidéu, em 25 de outubro de 1928, e ficou conhecido como o assalto ao câmbio Messina, em frente ao Palácio Salvo, que deixou um saldo de três mortos e três feridos. O fato foi consumado por um grupo de anarquistas expropriadores, o botim foi de uns 4.000 pesos Uruguaios. Os assaltantes foram presos nos altos de uma moradia situada na rua Rousseau N°41, em um operativo no qual intervieram cerca de 300 efetivos militares e da polícia. O grupo era integrado por três catalães e os irmãos Moretti – que integravam em Buenos Aires o grupo de Miguel Arcangel Roscigna, um célebre anarquista, cérebro de muitas das grandes operações que levaram a cabo, que em uma oportunidade disse: “Alguma vez se fará justiça aos anarquistas e a seus métodos: nós não temos ninguém que financie nossas atividades, como a polícia é financiada pelo Estado, a Igreja tem seus fundos próprios ou o comunismo tem uma potência estrangeira por trás. Por isso, para fazer uma revolução, temos que tomar os meios saindo à rua, a dar a cara”.

Os anarquistas foram condenados à prisão e trancados no cárcere de Punta Carretas. Em 18 de março de 1931, à tarde, os presos estavam jogando futebol no pátio do cárcere. Presos políticos contra presos comuns, esse era o clássico. Enquanto isso acontecia, os autores do assalto fugiam por um buraco aberto no piso do banheiro do penal.

Junto a eles, fugiram três padeiros anarquistas que tinham sido detidos por um ataque a um comércio que não respeitava o descanso noturno dos obreiros. O túnel foi uma obra de engenharia admirável. Com o dinheiro de um assalto realizado em Buenos Aires por Severino Di Giovanni, os anarquistas compraram um terreno contiguo ao cárcere, levantaram um galpão e sob a fachada da “Carbonería El Buen Trato” construíram o túnel subterrâneo que permitiu a liberdade de seus companheiros. No túnel, deixaram um cartaz que dizia: “A solidariedade entre os ácratas não é só palavra escrita”.

O anarquismo no Uruguai deixou muitos episódios de heroísmo e morte, cárceres e traições, manifestos lúcidos e atos de violência. E também muitos exemplos de coerência e profundidade, como é o caso de Luce Fabbri, uma docente e investigadora, que após a ascensão do fascismo na Itália se radicou no Uruguai, onde morreu em 19 de agosto de 2000, convencida de que o anarquismo era o caminho para a liberdade e a justiça social.

Há um filme, Acratas, de Virginia Martínez Vargas – que foi diretora da televisão nacional Uruguaia – e produzida por Alicia de Oliveira, dedicado a percorrer em imagens a história do anarquismo no Uruguai. Um filme nutrido com muita informação da época, notas jornalísticas que foram publicadas ao longo das décadas, verdadeiras joias custodiadas pelo Sodre, material proveniente de arquivos vários e testemunhos como o de Osvaldo Bayer ou o do anarquista espanhol Abel Paz que considerava: “Ser anarquista é ser uma pessoa coerente (paz espiritual, a tranquilidade, o campo, trabalhar o menos possível, o suficiente para poder viver, desfrutar da beleza, do sol. Desfrutar da vida com letras maiúsculas, agora se vive em minúsculas). Ter uma conduta pessoal. Levar as ideias à prática ao máximo, sem esperar que haja uma revolução. É uma concepção filosófica, é um estado de espirito, uma atitude ante a vida. Penso que esta sociedade está muito mal organizada, tanto socialmente, como politicamente, como economicamente. Há que mudar tudo. O anarquismo invoca uma vida completamente diferente. Trata de viver esta utopia um pouco a cada dia”.

Fonte: https://diariohoy.net/interes-general/el-anarquismo-en-Uruguai-235058

Tradução > Sol de Abril

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Pétala a pétala
com delícia se desfolha
a alcachofra.

Jorge Lescano

[Espanha] Lançamento: “Historia del movimiento libertario español”, de Julián Vadillo Muñoz

Prólogo de Fernando Hernández Sánchez

Os debates, divisões e estratégias do movimento libertário, e seu desenvolvimento desde a ditadura.

A história do anarquismo na Espanha, longamente estudada desde a origem da Internacional até o final da Guerra Civil, é muito menos conhecida durante a ditadura, a transição e a democracia. Por um lado, o movimento libertário, através de suas duas organizações principais, a CNT e a FAI, viveu uma enorme diáspora e dispersão, sem por isso deixar de aportar uma visão particular e uma solução ao problema espanhol. Este livro trata de recompor seus debates, divisões e estratégias ao longo do tempo e de como se gestaram em diversos lugares, como França, eixo fundamental do exílio anarquista, mas também em espaços mais ignorados, como o norte da África. Por outro lado, reconstrói o desenvolvimento do movimento libertário no interior do país, no qual a CNT sofreu uma brutal repressão, diminuindo a influência do que havia sido um dos sindicatos mais poderosos do obreirismo espanhol. Apesar de seu fracasso ao longo de quatro décadas, a luta contra o franquismo foi o objetivo principal do movimento libertário na Espanha. Com a morte do ditador, a CNT volta à legalidade, suportando, no entanto, uma complicada cisão. Amplamente documentada, esta obra percorre o caminho do movimento libertário até o presente.

>> Julián Vadillo é historiador e professor do ensino médio e universitário. Esta obra completa seus dois livros anteriores, Historia de la CNT. Utopía, pragmatismo y revolución (2019) e Historia de la FAI. El anarquismo organizado (2021), dedicados à trajetória do anarquismo espanhol, publicados também em Catarata.

Historia del movimiento libertario español

Julián Vadillo Muñoz

ISBN 978-84-1352-780-2

Páginas 272

19,50 €

catarata.org

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/16/espanha-lancamento-historia-da-fai-o-anarquismo-organizado-de-julian-vadillo-munoz/

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Sobre o varal
A cerejeira prepara
O amanhecer

Eugénia Tabosa

Comunicado oficial do Rock Contra o Fascismo em virtude das anunciadas apresentações na Espanha de um grupo abertamente racista e fascista

Tendo confirmado através de várias fontes e meios de comunicação, entre eles a própria agência promotora Hammer Agency de Valência em seu mural do Facebook, que o grupo de ideologia neonazista Destroyer 666 está planejando se apresentar nas cidades de Vitoria, Valência e Barcelona, nossa associação torna pública sua posição contrária a tal pretensão, deixando bem claros os seguintes critérios:

 Destroyer 666, em particular seu vocalista K. K. Warslut, é uma banda que há muitos anos vem defendendo claramente mensagens racistas, islamofóbicas, misóginas e homofóbicas em seus shows. Para citar apenas alguns exemplos próximos, Warslut disse que os muçulmanos estavam “invadindo a Europa” e fez uma saudação nazista enquanto se apresentava na Alemanha em 2012. Durante um show no Saint Vitus, em Nova York, em 2016, ele levou o público a cantar “sin coños” e “sin maricones” antes de lançar insultos raciais a um técnico de ascendência asiática. Enquanto se apresentava na Suécia em 2018, Warslut disse que as mulheres envolvidas no movimento MeToo “precisam de um pau duro” e as chamou de “políticas estúpidas”. Por todas essas ações, em 2019, uma turnê planejada pela Austrália e Nova Zelândia foi cancelada após a divulgação de alguns desses incidentes.

 O Rock Contra o Fascismo considera intolerável que um grupo que se expressa em termos denegridores e degradantes para a condição humana e que pratica abertamente crimes de ódio possa se apresentar no estado espanhol, e anunciamos a partir daqui nossa intenção de nos mobilizarmos para impedir que esse grupo fascista lance suas mensagens de ódio. Pedimos um boicote ativo aos seus shows, caso eles ocorram, para não colaborar de forma alguma com sua divulgação e para que ninguém compre ingressos para essa turnê.

 Lembramos tanto à empresa promotora que pretende organizar a turnê do Destroyer 666 quanto aos locais que venham a sediar seus shows, que o Código Penal estabelece como crimes de ódio em seu artigo 510 não apenas as provocações e agressões que o grupo faz em seus shows, mas que o artigo 510 bis estende a responsabilidade a empresas e pessoas jurídicas que sejam cooperadoras necessárias na prática desses crimes, sendo processadas de ofício pelo promotor competente e punidas com pesadas sanções penais. Pedimos que reconsiderem sua posição e não colaborem com criminosos que promovem o racismo, a xenofobia, a agressão contra as mulheres e o supremacismo.

Associação Rock Contra o Fascismo

18/10/2023

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velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor

Alexandre Brito

[Chile] Sobre a guerra entre Israel – Hamas em uma perspectiva crítico-radical

Por Pablo Jiménez C. | 08/10/2023

 1

Não há dúvida de que o Estado de Israel é uma entidade genocida e autoritária que há décadas implementa uma política de extermínio da população palestina. Essa política resultou no confinamento da população palestina em um verdadeiro campo de concentração, no qual o Estado de Israel periodicamente desencadeia o terror tecnológico e as piores atrocidades possíveis contra a população confinada. Essa política de confinamento e extermínio baseia-se em uma dinâmica específica de acumulação capitalista que é sustentada por um conflito geopolítico entre diferentes estados capitalistas pelo controle dos recursos e da população do Oriente Médio.

2

É perigoso equiparar o Estado de Israel a toda a população que vive nesse Estado, uma população que está confinada a uma divisão racial rígida e a uma militarização permanente da vida cotidiana. Não se pode esquecer o fato de que Israel vem enfrentando, há alguns anos, protestos maciços que expressam a discordância interna em relação à política genocida e à fascistização do governo israelense e, em particular, da fração dominante da burguesia israelense. Isso não implica, é claro, negar o racismo sistemático e a brutalidade humana que uma parte da população israelense, em especial dos grupos de colonos, pratica não apenas contra a população palestina, mas também contra a população judaica que não pertence aos grupos étnicos dominantes.

3

Não foi todo o povo palestino que se levantou contra o Estado de Israel, mas uma organização jihadista, nacionalista e anticomunista – o Hamas. O “heroico Mohammed Deif”, como disse o leninista ecológico Andreas Malm, não apenas dirigiu ataques indiscriminados contra civis – especialmente por meio do uso da prática da autoimolação terrorista com explosivos -, mas também exerce um terrorismo despótico contra a própria população palestina dentro de Gaza, usando ferramentas como tortura, terrorismo sexual e assassinatos seletivos para controlar a população palestina em Gaza e qualquer indício de dissidência política diferente da linha autoritária e jihadista do Hamas. Por outro lado, em que momento os anarquistas e comunistas começaram a apoiar o ataque indiscriminado a civis? Fico chocado ao ver comentários como: “que morram todos os israelenses”, etc., principalmente quando, nas últimas horas, veio à tona que os militantes do Hamas estão agredindo sexualmente as mulheres israelenses como forma de vingança, da mesma forma que exercem violência sexual diariamente sobre as mulheres palestinas em Gaza. Além disso, o sequestro de civis que foram levados de suas casas para bases militares do Hamas é celebrado sem críticas, como se fazer os civis sofrerem a perda de suas famílias e a tortura do sequestro pudesse fazer justiça aos ultrajes diários e à tortura histórica da população palestina pelo Estado de Israel. Para nós que buscamos a emancipação social radical – ou seja, abolir os fundamentos da civilização capitalista produzindo uma vida livre – esses não podem ser nossos métodos. A tortura, o sequestro, o desaparecimento de pessoas, o assassinato indiscriminado, a violência sexual, entre outros, são meios terroristas típicos de uma civilização patriarcal e autoritária fundada na barbárie. Sair dessa longa paleo-história implica meios coerentes com nossos fins, a luta e a violência são inevitáveis, pois a experiência de todas as revoltas recentes e passadas mostra que o terror é a arma preferida do capital para sua perpetuação ameaçada pelas massas rebeldes, mas a violência que nos permite superar a socialização capitalista difere em qualidade do terrorismo do capital.

4

Mesmo no caso improvável de o Hamas ser bem-sucedido em sua ofensiva contra Israel, isso não resultaria na libertação da Palestina, mas na submissão de sua população a um estado jihadista baseado na aplicação da lei da Sharia, ou seja, haveria pouca diferença em relação a regimes como o Talibã no Afeganistão. Os tempos de desespero não podem nos levar a apoiar acriticamente organizações que promovem políticas e métodos que diferem dos do Estado de Israel apenas na magnitude de seu escopo. A preocupante tendência ao leninismo e às perspectivas autoritárias de várias páginas e grupos “radicais” no Chile é o resultado da atual contrarrevolução.

No caso de Israel-Palestina, está claro que um genocídio não é resolvido por outro genocídio, embora seja claramente ingênuo pensar que a política genocida do Estado israelense será interrompida por qualquer coisa que não seja uma revolta social que, com sua práxis, seja capaz de abolir as bases materiais do extermínio diário da população palestina. Nesse caso, a ideia de justiça para o povo palestino pode ser resumida na seguinte frase: abolição das condições que possibilitam o genocídio e o confinamento permanente da população palestina. Atingir esse parâmetro implica uma crítica social radical teórico-prática consistente, visando à abolição consciente dos fundamentos práticos da estrutura da socialização capitalista.

5

A dimensão geopolítica desse conflito não deve ser esquecida, em um contexto de colapso sistêmico da civilização capitalista em seu estágio avançado. De fato, o neoimperialismo de crise, que está se movendo cada vez mais em direção a uma guerra mundial aberta, está sendo travado em diferentes continentes, países e cidades – uma verdadeira guerra civil global que é vivenciada desde as esferas globais até as dimensões capilares da vida cotidiana – do planeta-capital. A evolução do conflito na Ucrânia é uma manifestação clara da escalada desse conflito global, no qual os blocos político-econômicos do velho e novo imperialismo do século XXI estão se amalgamando na formação de novas alianças que estão arrastando as periferias do sistema global para a escolha de lados em um processo acelerado de guerra econômico-militar. O ataque do Hamas não é apenas a colheita de uma política de décadas de ocupação, confinamento e extermínio que arrastou a juventude palestina para o desespero e para a jihad islâmica, mas também uma operação militar planejada que é impossível sem a cooperação de aliados geopolíticos no Oriente Médio que têm Israel – como a ponta de lança do neoimperialismo ocidental na região – como seu inimigo comum. O conflito entre Israel e Hamas pode em breve evoluir para um conflito maior, envolvendo mais nações capitalistas no Oriente Médio e, a fortiori, os dois grandes blocos neoimperialistas que estão disputando cadeias de valor e recursos globais na estrutura da crise sistêmica da civilização capitalista.

6

Nas últimas horas, houve relatos de uma revolta da população palestina em alguns dos guetos que os agrupam dentro das fronteiras do Estado de Israel. Somente desse levante e do levante da população de Gaza pode surgir um potencial emancipatório. Mas cuidado, uma revolta nas condições atuais – e isso se aplica, mutatis mutandis, ao resto do mundo – é sempre contraditória. Na situação atual, o Hamas poderia explorar a revolta da população palestina para seus próprios objetivos ilusórios, mas rapidamente se voltaria contra qualquer expressão autônoma que surgisse na estrutura de uma revolta geral contra o Estado de Israel. Aqueles que estão cegos pela violência das armas e que celebram qualquer bandeira palestina que ande de mãos dadas com uma AK-47 esquecem que há décadas o Hamas negocia com Israel os termos do genocídio da população palestina em Gaza, que em seu histórico “heroico” tem a seu crédito uma série de assassinatos e humilhações contra qualquer expressão dissidente de seu horizonte jihadista. Um levante emancipatório da população que vive na Palestina e em Israel encontrará como seus principais inimigos o Hamas e o Estado de Israel, duas organizações autoritárias embarcadas em uma política insana orientada para a aniquilação do grupo étnico que é considerado inimigo. Por enquanto, o processo de conflito só encontrou entre suas vítimas a população civil em ambas as fronteiras, enquanto o Estado israelense se prepara para retaliar o Hamas, transformando Gaza em uma “cidade em ruínas”, como Netanyahu – o líder indiscutível da facção mais reacionária da classe dominante em Israel – advertiu, ou seja, aniquilando a população civil palestina e acrescentando mais vítimas a uma marcha demente ao redor do mundo que só pode levar a humanidade ao abismo da guerra global total.

Fonte: https://necplusultra.noblogs.org/post/2023/10/08/sobre-la-guerra-israel-hamas-en-una-perspectiva-critico-radical/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/16/kck-a-questao-palestina-e-curda-so-pode-ser-resolvida-com-a-superacao-da-mentalidade-de-estado-nacao/

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Escurece rápido.
Insistente, a corruíra
cisca no quintal.

Jorge Fonseca Jr.

[Portugal] Novo ataque da Turquia sobre os povos no nordeste da Síria

Em todo o Norte e Leste da Síria, sob controlo curdo, desde o dia 5 de outubro que se sucedem uma série de ataques aéreos turcos que visam infra-estruturas de fornecimento de eletricidade, água e outras infra-estruturas humanitárias básicas, a par das instalações petrolíferas e estabelecimentos económicos da região.

No dia 5 de Outubro acordamos com as notícias de mais um bombardeamento por um drone da Força Aérea Turca a uma central eléctrica na cidade de Qamishlo. Nas horas seguintes começamos a ter dificuldade em acompanhar as notícias: “Explosão no campo de refugiados de Washokani em Heseke”; “Depósitos de petróleo alvos de um ataque de drone”; “carro atingido por míssil”; “barragem bombardeada perto de Cil Axa”. As notícias de ataques não parecem parar. Esta não é a primeira vez que o Estado Turco leva a cabo campanhas destas tendo como alvo infra-estruturas essenciais à população civil. Em Novembro de 2022, durante 7 dias realizou uma campanha semelhante. Estes ataques provocam danos óbvios na vida diária da população com milhares de pessoas sem acesso a água e eletricidade.

No dia 5 viajamos para a cidade de Qamishlo. Já de noite chegamos à cidade fronteiriça e logo na primeira rotunda da cidade somos abrandados por um trânsito não muito normal para aquelas horas da noite. Rapidamente nos damos conta que uns minutos antes ocorrera mais um bombardeamento ao final de uma avenida à nossa direita. Aí conseguimos ver o fogo que deflagrava num edifício que mais tarde vimos a saber tratar-se de uma fábrica de alimentos para gado.

As notícias nos dias seguintes não abrandam no seu ritmo. Em Dêrik, o hospital para doentes de Covid-19 é bombardeado e outras tantas estações de água e furos de petróleo são destruídos. Após almoço ouvimos uma explosão. A central de eletricidade do norte da cidade acaba de ser bombardeada, mais uma vez, destruindo assim o último transformador ainda funcional. Não haverá eletricidade em grande parte da cidade.

Nestes 4 dias de bombardeamentos – que ocorreram desde as regiões de Afrin e Sheba a Oeste e Dêrik a Este – cerca de 42 locais foram alvo do Estado Turco, a grande maioria infraestruturas civis com um total de 17 vítimas mortais e muitas outras feridas. O impacto destes ataques ainda está em avaliação pela Administração Autónoma do Norte e Este da Síria (AANES), mas é possível desde já concluir que os custos a longo prazo serão bastantes para a região e para os distintos povos que aqui coabitam. O Nordeste da Síria tem sobrevivido durante os 11 anos da revolução sob um embargo económico que afeta a população na sua vida diária. Para além dos altos custos que se podem esperar para a reparação ou a compra de novas peças, devido ao embargo muitos destes materiais essenciais para a recuperação destas infra-estruturas estão impossibilitados de aqui chegarem.

Apesar dos esforços que a AANES tem feito nos últimos anos para aliviar a crise económica que a Síria enfrenta num geral, as dificuldades são bastante sentidas. Os ataques do Estado Turco, acima de tudo criam um ambiente de insegurança crescente que tem vindo a provocar, em particular nos últimos 4 anos, um maior êxodo das pessoas para a Europa. Uma grande migração de jovens e uma dependência daqueles que ficam de dinheiro que vem de fora.

A onda de ataques prossegue e é difícil prever quando irá terminar. O sentimento que podemos constatar é de que realmente esta não terá sido a última vez e que estes ataques vão continuar. No dia-a-dia e neste momento procuram-se soluções para novos obstáculos que se criaram. Nas aldeias e bairros de cidades postos às escuras, a vida diária das pessoas em Rojava continua resistindo, uma e uma vez mais, para ultrapassar um quotidiano de problemas.

Fonte: https://www.jornalmapa.pt/2023/10/09/novo-ataque-da-turquia-sobre-os-povos-no-nordeste-da-siria/

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Sopra o vento
Pássaros correndo
Atrás de sementes

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Reino Unido] Lançamento: “Anarquismo Prático | Um Guia para a Vida Cotidiana”, de Scott Branson

Talvez você não perceba, mas provavelmente já está praticando o anarquismo em sua vida diária. Dos relacionamentos à escola, ao trabalho, à arte e até mesmo à maneira como você organiza seu tempo, o anarquismo pode ajudá-lo a encontrar realização, empatia e libertação no cotidiano.

Desde as pequenas perguntas, como “Por que eu deveria roubar?”, até as grandes, como “Como eu amo?”, Scott Branson mostra que o anarquismo não é apenas algo que fazemos quando reagimos às notícias, protestamos ou até mesmo nos revoltamos. Com exemplos práticos enriquecidos pela história e pela teoria, essas dicas o capacitarão a se libertar das armadilhas consumistas do nosso mundo.

O anarquismo não é apenas para homens brancos, mas para todos. Ao ler este livro, você pode se desprender da masculinidade patriarcal, das normas de família, gênero, sexualidade, racialização, responsabilidade individual e da destruição do nosso planeta, e substituí-las por ideias de vida sustentável, com laços de ajuda mútua e o horizonte da libertação coletiva.

Elogios

Apresenta críticas claras e astutas sobre o trabalho, a escola e a destruição da comunidade no capitalismo e serve como um manual para a libertação, tanto otimista quanto intensamente motivador” – Ruth Kinna, autora de “The Government of No One: The Theory and Practice of Anarchism

“Os anarquistas sempre estiveram envolvidos na melhoria das relações sociais, na capacitação de comunidades marginalizadas e despossuídas e no apoio a lutas no lado certo da história. Neste livro altamente legível e apaixonado, Scott Branson lança uma luz sobre muitos exemplos de engajamento anarquista cotidiano” – Gabriel Kuhn, autor de “Soccer vs. the State: Tackling Football and Radical Politics

Este livro brilhante é um antídoto contra a desistência. Ao tecer conselhos práticos ao lado de mulheres de cor, ativistas queer, abolicionistas e outros, Branson nos oferece um belo lembrete de que fazemos anarquismo todos os dias – por meio do cuidado, da imaginação, do amor – contra e apesar do Estado” – Raechel Anne Jolie, autora de “Rust Belt Femme

Um caleidoscópio anarquista, que nos convida a sacudir este mundo e ver a infinita gama de belas possibilidades que já estão presentes no aqui e agora. Este livro – terno, sonhador, prático – nos inspira a pegar todas as bordas brilhantes, mesmo que às vezes irregulares, da vida cotidiana que muitas vezes passam despercebidas e jogá-las, uma e outra vez, em um jogo utópico” – Cindy Barukh Milstein, autora de “Try Anarchism for Life: The Beauty of Our Circle

Com habilidade e alegria, mostra-nos que as vidas vividas com compaixão e autonomia coletiva nos compromissos que chamamos de anarquia têm aplicações práticas em nossa vida cotidiana” – Scott Crow, insurgente, autor de “Black Flags and Windmills: Hope, Anarchy and the Common Ground Collective

Practical Anarchism | A Guide for Daily Life

Scott Branson

Editora: Pluto

Formato: Livro

Encadernação: pb

Páginas: 184

ISBN-13: 9780745344928

£14.99

plutobooks.com

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Tantas folhas secas
entre o seu banco e o meu—
Tão poucas palavras…

Mônica Monnerat

[Espanha] Libertários go home!

Sem dúvida, vai ser preciso muito para que os funcionários, especialmente os que trabalham na mídia, parem de usar o termo anarquia como sinônimo de caos, violência e desordem.

Por Antonio Pérez Collado | 08/10/2023

É especialmente irritante quando, por anarquia, querem nos vender o panorama resultante da aplicação dos dogmas básicos do capitalismo (guerra, exploração, colonialismo, pilhagem de recursos, etc.) em qualquer canto do mundo; mais especificamente no terceiro mundo. Esse tratamento é mantido apesar do fato de que até mesmo o dicionário, tão relutante e lento para mudar, agora reconhece como prioridade que a anarquia é uma ideia política, um projeto para uma sociedade livre sem autoridade estatal.

Mas, para nosso desespero, antes que o uso correto da palavra anarquia seja normalizado, estamos assistindo impotentes à introdução de uma nova mudança que tornou as coisas um pouco mais complicadas e acentuou o impasse ideológico sofrido pela maioria da população espanhola. É a chegada – aparentemente para ficar – da palavra “libertarianismo” que, como todas as modas adotadas pela linguagem popular, vem da língua inglesa e, acima de tudo, da influência cultural dos Estados Unidos.

O problema para aqueles de nós que se expressam em qualquer um dos idiomas peninsulares é que nessas terras os termos anarquista e libertário são usados como sinônimos, embora existam algumas nuances entre eles que marcam certas diferenças, como apontam certos pensadores e estudiosos do movimento libertário.

Na Espanha (a América Latina merece uma avaliação separada), o conceito de libertarianismo quase não era usado até poucos anos atrás. Na América do Norte, no entanto, o termo circulou normalmente em revistas e livros, às vezes marcando as diferenças com o anarquismo tradicional e às vezes misturando teorias de ambos os campos, dando origem a um programa que já não tem muito a ver com a acracia. Um caso diferente pode ser encontrado na América Latina, onde a ideia de libertarianismo não se limita exclusivamente ao anarquismo, mas também se aplica àqueles que defendem posições que coincidem com os primeiros líderes da inacabada luta de libertação nacional. O que está claro é que na América de língua espanhola também não há coincidência de significado com os usuários do inglês.

Porque, em essência, o libertarianismo representa a filosofia política que defende uma sociedade em que a liberdade individual e a liberdade de empreendimento não são regidas por nenhum governo, uma vez que se pressupõe que é o mercado que regula as relações e a propriedade privada que garante o progresso social. Na Europa, via de regra, essa teoria é chamada de capitalismo selvagem, ultraliberalismo ou neoconservadorismo.

O poder de penetração das ideias vindas do norte do Rio Bravo parece irresistível e já temos em toda a Europa nossos próprios políticos, filósofos e economistas propondo o mesmo absurdo que triunfa nos EUA: redução dos impostos e, logicamente, dos serviços sociais para a população mais desfavorecida, privatização de todos os setores econômicos, cortes nos subsídios e nas pensões, liberalização total dos preços e outras medidas para enfraquecer o público em benefício das grandes empresas e dos bancos, entre as quais se destaca, por sua crueldade, a eliminação de qualquer barreira ao movimento do dinheiro, enquanto se fecham as fronteiras para as pessoas empobrecidas pelo próprio capitalismo.

Longe de serem novas ideias, todas essas propostas neoliberais estão no DNA do velho capitalismo e sua contribuição para o avanço da justiça social é totalmente negativa. Não devemos aceitar os cantos de cisne (ou cantos de abutre) dos apóstolos europeus convertidos do capitalismo ianque e lutar por uma Europa e um mundo livres, coletivistas e solidários.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/libertarians-go-home

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Hermética música
há no silêncio da lágrima
que salga o mar.

Fred Matos

Flecheira Libertária 738 | “As lutas anticlericais e antimilitaristas parecem esquecidas até mesmo entre muitxs libertárixs.”

existências esturricadas

As águas dos rios Juruá, Purus, Madeira, Negro e Solimões estão secando. Ao ritmo veloz do capitalismo e dos aparatos tecnológicos, os afluentes do rio Amazonas são drenados, as matas seguem incineradas e terra, água, ar e seres vivos prosseguem envenenados com metais pesados. Intoxicação, desnutrição, fome, diarreias agudas, problemas respiratórios, malária e crescentes casos de enfermidades neurológicas em crianças e mulheres assolam aldeias amazônicas. Os saberes dos mais velhos e dos pajés não dão conta das doenças capitalistas. Gente é morta. Outros bichos são mortos. As florestas são mortas. Lagoas, lagos, riachos, cachoeiras e rios imensos viram fluxo rarefeito de lama, esgoto, mercúrio e afins; cemitérios fluviais. Qualquer recurso da saúde do Estado, com suas secretarias e ministérios e forças tarefas militares, ou do mercado, com suas tecnologias e ciência e fármacos, recorre aos mesmos meios que produzem essa interminável mortandade, seus lucros e governos. Não à toa, se reduzem à distribuição de cestas básicas recheadas de ultraprocessados e produtos que nada têm a ver com as dietas indígenas; a aplicação dos saberes científicos, médicos e farmacológicos; a marcha nefasta dos fardados.

a tal da guerra

Os soldados israelenses não leram os comunicados da inteligência de Estado alertando sobre possível ataque do Hamas. Ou não foram enviados? Se foram, eis mais uma confirmação de que os jovens evitam leituras, selecionam notas breves, preferencialmente por imagens ou sons (até as músicas populares estão sendo reduzidas para menos de 2 minutos). A crença no monitoramento eletrônico também entrou em pane. O Hamas soube dissimular e ultrapassar as simulações, com ortodoxias políticas e religiosas. Parece pretender reavivar a ideia de Estado islâmico. Não faltam analistas a pedir um Estado Palestino ou um Estado Israel em nome da paz. Enfim, eis mais fortalecimentos da direita e da extrema direita. Os do centro se beneficiam. Aos de esquerda, o ostracismo. Tudo política “micro” ou “macro” de Estado. Tudo em nome de falta de Estado e de correção na segurança eletrônica. Tudo em nome das empresas de monitoramento e forças repressivas, com ou sem democracia. Tudo em nome da paz com os sheiks.

somos anticlericais e antimilitaristas

As lutas anticlericais e antimilitaristas parecem esquecidas até mesmo entre muitxs libertárixs. Tornaram-se ecumênicos e democráticos? Fazem coro às celebrações de socialistas autoritários que almejam imputar aos soldados islâmicos uma “resistência”? Esquecem-se que a religião é o princípio do Estado. E que as guerras massacram, também, as revoluções e as práticas libertárias. Sob o barulho insuportável das explosões, aviões, tanques e berros inauditos, ácratas da Federação Anarquista Era não vacilam: “Dos EUA ao Irã, com suas interferências; do governo israelense, suprimindo e usurpando as terras dos povos árabes palestinos, aos grupos islamitas como o Hamas e a Jihad Islâmica, que usam das pessoas como escudos humanos para suas ideologias reacionárias e inumanas; todos são cúmplices e responsáveis por essa situação. Mesmo que aparentem ser opostos e inimigos.”.

sobre a captura

Oscar Wilde é uma referência para certas lutas LGBTQIA+. E por ter se tornado esse emblema, a prisão de Reading, cárcere na qual ficou preso na Inglaterra, é atualmente alvo da reivindicação de movimentos gay. A finalidade é que, em 2023, a prisão, hoje desativada, torne-se, com chancela do Ministério da Justiça da Inglaterra, um museu de memória de lutas do movimento gay. Todavia, Wilde foi contra a prisão, a justiça e seus tribunais. Se a prisão de Reading foi desativada, para que insistir em algo que a substitua? Por que negociar algo com o Ministério da Justiça, ministério que segue a produzir sentenças e encarceramentos contemporâneos?

um presente

Wilde é um presente. É abolir o tribunal, a prisão de Reading e o direito penal para sempre. E, depois, fazer uma festa deliciosa. A abolição é uma urgência para anarquistas como ele, uma ação direta sem concessões à política. Wilde foi um anarquista (militantes comportados que se virem!) e ponto. Não há editora nem tribunal que segure uma vida livre. Viva, Wilde. Viva!

Fonte: https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2023/10/flecheira738.pdf

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flores e frutos
passarinhos cantantes
renascimento

Stella Maria Pedrosa

[São Paulo-SP] CCS, 21/10: “Queers contra a assimilação”

Enquanto o fascismo avança a passos largos em seu projeto de extermínio e/ou subjugação de grupos subalternos, as identidades LGBTQIA+ se tornaram um produto lucrativo para o capitalismo neoliberal, como vemos todo mês do orgulho. Enquanto isso, uma esquerda domesticada e institucionalizada tem se mostrado incapaz de combater as ofensivas fascistas e muitas vezes disposta a rifar nossos direitos em nome da governabilidade.

Frente a esse impasse, como avançar? O que podem as dissidências de sexo e gênero fazer?

É preciso rejeitar as políticas assimilacionistas e a institucionalização e comercialização de nossas vidas e lutas, e transformar a nossa posição em relação à norma em um terreno de conflito. E então, a partir desse terreno, estabelecer alianças e lutar não por uma sociedade melhor, mas pelo fim dessa ordem social e a construção de novas relações e mundos que possam tomar o seu lugar.

Nesse sábado, dia 21 de outubro, às 16h, o Centro de Cultura Social, em parceria com a CAFI, receberá Luisa Amaral, para realizar uma conversa sobre como a teoria queer e o anarquismo queer podem nos fornecer ferramentas para efetuar esse projeto.

Bibliografia recomendada:

  • Mary Nardini Gang: Rumo à mais queer das insurreições:

https://bibliotecaanarquista.org/library/mary-nardini-gang-rumo-a-mais-queer-das-insurreicoes

  • Luísa Amaral: Elaborando uma ética queer:

https://www.academia.edu/106925216/Elaborando_uma_%C3%A9tica_queer

  • Jota Mombaça: Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência:

https://issuu.com/amilcarpacker/docs/rumo_a_uma_redistribuic__a__o_da_vi

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meu cachorro velho
ouvindo com interesse
o canto do verme

Issa

[Espanha] A apresentação da banda Destroyer 666 em Vitória foi cancelada em meio a acusações de defesa da ideologia nazista

A banda australiana havia planejado iniciar uma turnê na capital de Alava, que depois seguiria para Valência e Barcelona.

Primeiro, houve várias reclamações nas redes sociais. Depois, telefonemas e mensagens de espectadores. E, no final, foi tomada a decisão de não realizar o show que estava programado para quinta-feira, dia 19, em Vitória. As datas em Barcelona e Valência também foram canceladas. Portanto, os australianos do Destroyer 666 não tocarão novamente por enquanto nessas regiões.

As acusações de nazismo, especialmente contra o vocalista da banda, estão na raiz da polêmica. De acordo com o coletivo Rock Contra o Fascismo, “Deströyer 666, em particular seu vocalista K. K. Warslut, é uma banda que, há muitos anos, defende claramente mensagens racistas, islamofóbicas, misóginas e homofóbicas em seus shows. Para citar apenas alguns exemplos próximos, Warslut disse que os muçulmanos estavam “invadindo a Europa” e fez uma saudação nazista enquanto se apresentava na Alemanha em 2012″.

Além disso, de acordo com o coletivo formado por bandas, escritórios de gerenciamento, bares, locais, mídia e festivais de rock, “durante um show no Saint Vitus, em Nova York, em 2016, ele levou o público a entoar “sin coños” e “sin maricones” antes de lançar insultos racistas a um técnico de ascendência asiática. Enquanto se apresentava na Suécia em 2018, Warslut disse que as mulheres envolvidas no movimento MeToo “precisam de um pau duro” e as chamou de “políticas estúpidas”. Por todas essas ações, em 2019, uma turnê planejada pela Austrália e Nova Zelândia foi cancelada após a publicidade sobre alguns desses incidentes.”

“Não encontramos nenhuma evidência concreta”

Por sua vez, a agência responsável pela turnê peninsular divulgou um comunicado dizendo que “não encontramos nenhuma evidência sólida para apoiar as alegações de que a banda é de ideologia nazista”. As controvérsias se concentram em comentários infelizes feitos por um membro, mas não refletem a ideologia ou a mensagem da banda como um todo”.

De acordo com a Hammer Agency, “é crucial notar que a Destroyer 666 é uma banda que inclui membros de diferentes nacionalidades, como Austrália, Chile, Irã e França, demonstrando um pluralismo contrário a essas acusações. É relevante mencionar que a banda já visitou a Espanha em quatro ocasiões anteriores e estava vindo de uma turnê pela América do Sul sem que nenhum incidente desse tipo tenha sido registrado”.

Fonte: https://www.noticiasdealava.eus/cultura/2023/10/17/cancela-vitoria-actuacion-destroyer-666-7392627.html

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/05/espanha-sexta-feira-6-de-outubro-apresentacao-do-rock-contra-o-fascismo/

agência de notícias anarquistas-ana

As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.

Issa

“Estatal deve perfurar o primeiro poço na Foz do Amazonas em 2024”

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que a estatal deve perfurar o primeiro poço na Foz do Amazonas em 2024.

“Temos a expectativa de no primeiro semestre do ano que vem ou, no mais tardar, no final do ano, de ir ao Amapá. Talvez essa descoberta não possa ser confirmada só com um poço, talvez tenha que fazer mais de um”, disse na manhã desta quarta-feira (11/10) durante evento no BNDES (banco nacional do desenvolvimento).

Poços de petróleo na Foz do Amazonas, NÃO! Rebele-se! Viva a Natureza Selvagem!!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/16/lula-ecologista/

agência de notícias anarquistas-ana

Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

Nossa posição sobre o conflito israelense-palestino

Oferecemos uma variedade de camisetas pró-palestinas que retratam várias formas de resistência radical como forma de expressar solidariedade à causa palestina. Esses designs podem incluir imagens relacionadas à luta armada, mas é fundamental esclarecer nossa posição e nosso objetivo. Nosso objetivo é aumentar a conscientização sobre a luta palestina em andamento pela autodeterminação e desafiar concepções errôneas sobre nossa posição em relação à complexa situação na região. Enfatizamos com veemência que nosso apoio à resistência radical não se estende ao endosso de atos de terrorismo. Condenamos inequivocamente qualquer forma de violência dirigida contra civis inocentes.

Solidariedade com o povo palestino e foda-se o Hamas!

Em um mundo onde a luta por justiça e libertação continua, é fundamental expressar nosso apoio inabalável ao povo palestino em sua busca por autodeterminação e liberdade. Somos solidários com aqueles que enfrentam as dificuldades diárias da ocupação e da desapropriação, e afirmamos a importância da resistência radical contra essa opressão.

Entretanto, nossa posição é acompanhada por uma clara condenação do Hamas ou de qualquer outra organização que empregue a violência e o terrorismo bárbaro, alvejando deliberadamente civis e crianças inocentes. Acreditamos que a resistência contra a opressão é essencial, mas ela deve estar enraizada em princípios de justiça, humanidade e moralidade. O uso da violência contra civis prejudica a causa justa do povo palestino e serve apenas para perpetuar o ciclo de sofrimento contra civis inocentes de ambos os lados.

O número de mortes do lado israelense após os ataques terroristas do Hamas é mais de 15 vezes maior do que o número de mortes americanas após o ataque da Al-Queda em 11 de setembro, per capita. Os anarquistas nunca teriam apoiado os ataques de 11 de setembro, e é intrigante que alguns de nossos companheiros hesitem em condenar o Hamas da mesma forma. Devemos seguir sendo coerentes em nossa rejeição à violência dirigida contra civis inocentes, independentemente do contexto, em nossa busca por justiça e um mundo melhor.

75 anos de sofrimento

De fato, a situação atual em Israel é marcada por um alto nível de tensão e sofrimento, o que, segundo alguns, tem paralelos com à difícil situação dos palestinos nos últimos 75 anos. Atualmente, os israelenses sofrem o impacto perturbador da violência esporádica, vivem sob a sombra de ameaças em potencial e sofrem o impacto emocional do medo e da insegurança constantes. Tal situação, embora não seja idêntica, ressoa com aspectos do sofrimento diário suportado pelos palestinos durante décadas de conflito, incluindo as dificuldades causadas pela ocupação, restrições de movimento e a perda de vidas inocentes. É importante reconhecer que a empatia e a compreensão das experiências de israelenses e palestinos são fundamentais para a busca de uma solução pacífica para os problemas complexos e profundamente enraizados na região.

A restrição deliberada de recursos essenciais como água, alimentos e eletricidade em Gaza é uma violação grosseira dos direitos humanos e trouxe um sofrimento incalculável à população civil, principalmente às crianças inocentes. É fundamental enfatizar que essas crianças não são de forma alguma responsáveis pelas ações do Hamas ou de qualquer outra entidade política. A negação de necessidades básicas, que afeta os mais vulneráveis, é uma afronta aos próprios princípios de humanidade e decência. Essas táticas de punição coletiva não são apenas moralmente indefensáveis, mas também contraproducentes para a busca de uma paz duradoura. Cabe à comunidade internacional lidar com essa situação e garantir que as crianças de Gaza e todos os civis sejam poupados das terríveis consequências dessas restrições e que seus direitos à vida, à dignidade e ao bem-estar sejam respeitados e protegidos.

Apoiamos todas as formas de resistência, mas não contra civis inocentes

É essencial reconhecer que a resistência radical pode assumir muitas formas, desde protestos não violentos e desobediência civil até organização de base e movimentos de solidariedade internacional. Esses métodos se mostraram eficazes em várias lutas por justiça ao longo da história e têm o poder de mobilizar o apoio global à causa palestina. Incentivamos e apoiamos essas vias de resistência e conclamamos a comunidade internacional a apoiar ativamente os direitos e as aspirações do povo palestino.

Apoiamos firmemente o direito do povo palestino de se envolver em várias formas de resistência para fazer valer seu direito fundamental à autodeterminação e à liberdade. Isso inclui seu direito de se envolver em protestos, resistência, desobediência civil e defesa internacional. Além disso, reconhecemos que, no contexto de ocupação e sofrimento prolongados, alguns podem recorrer à luta armada como meio de resistência. No entanto, é fundamental enfatizar que condenamos qualquer ação que tenha como alvo intencional civis inocentes, inclusive em retaliação a atos semelhantes de agressão por parte do outro lado. Obviamente, isso significa que também condenamos veementemente os bombardeios israelenses contra civis.

O Hamas não representa o povo palestino

É importante reconhecer que as ações e políticas do Hamas não refletem as diversas opiniões e aspirações de toda a população palestina. Cerca de 50% da população de Gaza tem menos de 18 anos de idade. O Hamas assumiu o controle de Gaza há 17 anos, o que significa que metade da população tinha apenas um ano de idade quando isso aconteceu. Portanto, seria incorreto e enganoso concluir que a população de Gaza apoia o Hamas e não podemos culpar as crianças por serem responsáveis pelas ações de uma minoria de terroristas.

Embora o Hamas afirme representar o povo palestino, suas ações e estratégias são frequentemente objeto de discórdia e debate na sociedade palestina. Acreditamos firmemente que o slogan “Palestina Livre” também significa libertar o povo palestino da opressão de grupos terroristas como o Hamas.

Nesse conflito de longa duração, é sempre o povo palestino que paga o preço

Ao longo da longa e dolorosa história do conflito israelense-palestino, é uma realidade lamentável que o povo palestino tenha suportado desproporcionalmente as trágicas consequências dessa luta contínua. Ataques indiscriminados contra civis palestinos, seja como resultado de operações militares ou outros atos violentos, resultaram em uma perda de vidas significativamente maior do lado palestino. É fundamental reconhecer que essa violência contra civis inocentes é uma grave violação dos direitos humanos e prejudica as perspectivas de uma solução justa e duradoura para o conflito. Além disso, as ações de grupos como o Hamas exacerbam as dificuldades enfrentadas pela população palestina, aumentando o preço que ela paga pelo conflito prolongado. Refletindo sobre essa história, fica claro que o ciclo de violência perpetua o sofrimento de todos os lados e que os civis, especialmente os palestinos, muitas vezes são pegos no fogo cruzado. Isso ressalta a necessidade urgente de uma resolução abrangente e pacífica que respeite os direitos e a vida de todas as pessoas da região.

Para evitar mais mortes de civis e atenuar a crise humanitária em Gaza, há uma necessidade urgente de estabelecer um corredor humanitário para evacuar os civis com segurança antes de qualquer possível invasão das FDI. Essa iniciativa poderia oferecer uma tábua de salvação para as inúmeras pessoas inocentes, incluindo crianças, idosos e pessoas vulneráveis, que estão atualmente presas no meio do conflito. É um imperativo moral que a comunidade internacional aja de forma rápida e decisiva para garantir a segurança e o bem-estar daqueles que estão no meio do fogo cruzado dessa situação perigosa.

A compreensível hesitação do povo palestino em Gaza em deixar suas casas se deve a um medo bem fundamentado de que a história se repita na forma de outra Nakba. Ao longo da experiência palestina, testemunhamos a trágica realidade de que aqueles que foram deslocados de sua terra natal raramente tiveram o direito de retornar. Além disso, o que inicialmente se pretendia como campos de refugiados temporários muitas vezes evoluiu para assentamentos permanentes, deixando gerações de palestinos em deslocamento prolongado. Esse contexto histórico ressalta a profunda apreensão da população de Gaza quando se trata de evacuar suas casas, destacando a necessidade urgente de uma resolução abrangente e duradoura que aborde essas preocupações legítimas e garanta seus direitos e bem-estar.

Conclusão

Para concluir, nossa posição se baseia em um profundo compromisso com a justiça e a solidariedade com o povo palestino em sua luta pela autodeterminação. Condenamos o terrorismo e a violência contra civis de ambos os lados e defendemos um mundo que rejeite o imperialismo e a opressão, defendendo os princípios da autonomia e da resistência não violenta como o caminho para um futuro mais justo e equitativo para todos.

Nossa perspectiva é profundamente antigovernamental, anarquista, pacifista e anti-imperialista. Rejeitamos firmemente a noção de governos e poderes militares que ditam o destino das nações e nos opomos a qualquer forma de colonialismo, ocupação ou imperialismo que busque dominar e oprimir os outros. Defendemos um mundo em que a autodeterminação e a autonomia sejam valorizadas, em que indivíduos e comunidades sejam livres para traçar seus próprios destinos e em que os conflitos sejam resolvidos por meios pacíficos e pelo diálogo, e não pela violência.

Fonte: https://www.ni-dios-ni-amo.com/blog/nuestra-postura-ante-el-conflicto-palestino-israeli/

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agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[República Tcheca] Feira do Livro Anarquista de Brno

Deixe-nos convidá-lo para a Feira do Livro Anarquista em Brno no dia 21 de outubro!

Vamos criar juntos um espaço onde possamos partilhar não só livros e ideias, mas também competências e habilidades práticas no espírito DIY. Fora isso, como característica das feiras de livros anarquistas, nosso principal objetivo é nos reunirmos e pensarmos juntos sobre nossa prática e fazermos novas alianças.

  • Na véspera do evento, você está convidado a jantar conosco no bistrô cooperativo Tři Ocásci.
  • No sábado, vamos nos encontrar em Káznice (Bratislavská 68), onde haverá principalmente barracas com livros, zines, revistas e outras coisas, mas também programação de acompanhamento (com oficinas de encadernação, serigrafia, pintura de árvores, comunicação pacífica e estimulante).
  • Seguido de uma festa onde podemos continuar a nossa camaradagem mútua e inventar travessuras.

Se você gostaria de compartilhar algumas habilidades práticas, organizar um workshop ou uma discussão, não hesite em nos contatar em: anarchist-bookfair-brno@riseup.net

Ah, e de acordo com as fontes disponíveis, esta é a primeira feira do livro anarquista em Brno, então não perca, estamos ansiosos por ela!

agência de notícias anarquistas-ana

Gotas de sangue
estão prestes a pingar:
pitangas maduras.

José N. Reis