[Itália] Assinatura de apoio às lutas antimilitaristas!

Apoie as lutas antimilitaristas!

Nestes últimos meses, estamos enfrentando grandes despesas com as iniciativas contra as guerras e contra quem fabrica as armas.

Estamos particularmente empenhados na organização da manifestação antimilitarista que acontecerá em Turim no dia 29 de novembro – às 14h30, na Corso Giulio Cesare, esquina com Via Andreis – e no dia de bloqueio do *Aerospace and Defence Meetings* (Encontros de Aerospacial e Defesa), no dia 2 de dezembro, no Oval Lingotto, na Via Mattè Trucco, 70.

A guerra começa daqui. Depende de cada um de nós detê-la. Fora os mercadores de armas!

Precisamos de dinheiro! Até uma pequena contribuição serve para emperrar o motor do militarismo!

Se você quiser contribuir, pode passar no Corso Palermo, 46, às terças-feiras a partir das 21h ou às quartas-feiras entre 18h e 20h.

Ou você pode fazer uma transferência bancária.

Este é o IBAN:

IBAN IT04 I010 0501 0070 0000 0003 862 em nome de Emilio Penna

Contra todos os exércitos, por um mundo sem fronteiras!

Fonte: https://umanitanova.org/sottoscrizione-a-sostegno-delle-lotte-antimilitariste/

agência de notícias anarquista-ana

A rã de Bashô
sai num pulo do haicai
dele para o meu.

Otoniel

COP30 e a farsa do “capitalismo verde”: a luta popular é a saída!

O Brasil sedia a COP30 em Belém, vendendo ao mundo a imagem de uma liderança climática, comprometida com a Amazônia. Contando com a participação de empresas como Exxon, Braskem, Samarco, Vale e JBS, a conferência expõe a hipocrisia capitalista do chamado greenwashing, no qual as mesmas marcas responsáveis pela depredação do planeta buscam se apresentar como sustentáveis e alinhadas às metas climáticas.

É fundamental desmascarar esse jogo de cena, pois o grande projeto segue sendo o de aprofundar formas de exploração, destruição e extermínio da natureza e povos originários e tradicionais — nenhuma relação com promover a soberania nacional e a autodeterminação dos povos que aqui habitam. Isso acontece porque as Conferências das Partes (COPs) não são fóruns para “salvar o planeta”, mas sim o contrário, são balcões de negócios onde o capital global, mediado pelos Estados nacionais, redefine as regras da acumulação para garantir sua própria sobrevivência. A crise climática não será resolvida por aqueles que a criaram e com ela lucram.

Nossa crítica não se confunde com a argumentação da extrema-direita, que se baseia no negacionismo científico e na defesa da aceleração da exploração predatória de recursos do planeta. O que levou governantes como Donald Trump e Javier Milei a boicotarem a COP30 foi a negação de qualquer compromisso com a preservação dos ecossistemas, ainda que de maneira superficial e farsesca, promovendo assim uma disputa ideológica com a intenção de convencer a classe trabalhadora a defender os interesses das grandes mineradoras e petroleiras, além do agronegócio, na sanha desenfreada pela exploração dos recursos da natureza.

>> Leia o texto na íntegra aquihttps://socialismolibertario.net/2025/11/15/cop30-e-a-farsa-do-capitalismo-verde/

agência de notícias anarquistas-ana

Na poça d’água
o gato lambe
a gota de lua.

Yeda Prates Bernis

[EUA] ‘Agora, sou mais anarquista que nunca’ – Irvine Welsh sobre nova Biopic

por Keme Nzerem | 27/09/2025

Lembram das palavras imortais, “Escolha a vida. Escolha um trabalho. Escolha uma carreira. Escolher uma família?”

O escritor Irvine Welsh, a pessoa por trás de Trainspotting [o filme] e daquele monólogo infame, é o modelo de uma nova Biopic, Reality is not Enough (A realidade não é suficiente) dirigida por Paul Sng, e que acaba de ter lançamento geral.

Conversamos com ele mais cedo e falamos de política, das aspirações da classe trabalhadora e do relacionamento complexo que ele teve, ao longo dos anos, com as drogas, a adicção e a criatividade.

>> Veja aquihttps://www.channel4.com/news/im-more-an-anarchist-than-ive-ever-been-irvine-welsh-on-new-biopic

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Brilho da lua se move para oeste
a sombra das flores
caminha para leste.

Buson

Organizações anarquistas e antifascistas da Europa enfrentam a designação de terrorismo pelo regime dos EUA

O Departamento de Estado dos Estados Unidos decidiu designar quatro grupos europeus associados ao movimento Antifa como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs) e “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs), medida que marca nova escalada de designações específicas aplicadas a células internacionalmente ligadas ao movimento anarquista e antifascista.

Segundo a Fox News, a inclusão das quatro organizações nas listas de FTO e SDGT as coloca na mesma categoria que grupos como ISIS (Estado Islâmico) e Al-Qaeda. A decisão estende a diretriz anterior do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sobre terrorismo doméstico, conferindo a essa política uma dimensão internacional.

Duas das quatro organizações alvo dos EUA estão baseadas na Grécia: Justiça Proletária Armada e Autodefesa de Classe Revolucionária. Segundo a mídia fascista dos EUA, esses grupos realizaram ataques a prédios governamentais em várias partes do país, claramente ligados à luta revolucionária em andamento contra o Estado, o capital e o imperialismo. O ataque mais recente envolveu um atentado à bomba na sede da Hellenic Train em abril passado. A Classe Revolucionária de Autodefesa teria dedicado o ataque “ao povo palestino e a sua resistência heroica”.

Uma das outras organizações é Antifa Ost, organização revolucionária ligada a ataques na Alemanha entre 2018 e 2023. Promotores alemães já acusaram sete indivíduos supostamente ligados às suas atividades. Em setembro de 2025, o Estado húngaro designou o grupo como organização terrorista após alegações de que nove membros atacaram nazistas em Budapeste em 2023 usando martelos, porretes e spray de pimenta.

Outro grupo central é a Federação Anarquista Informal, coalizão sediada na Itália que apoia a luta revolucionária armada contra o Estado. O grupo tem sido ligado a dezenas de ações revolucionárias nas últimas duas décadas, incluindo cartas-bomba enviadas a alvos governamentais e industriais, pequenos dispositivos explosivos e incidentes de tiroteio, incluindo o ferimento de um funcionário de engenharia nuclear em 2012.

Esta não é a primeira vez que organizações anarquistas enfrentam essa designação. As Células da Conspiração de Fogo e a Luta Revolucionária enfrentaram a mesma designação do regime dos EUA. Contudo, a expansão desse processo, enquanto os EUA lançam repressão fascista interna, torna isso incrivelmente significativo.

Tradução > CF Puig

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Eu acordo
contando as sílabas;
o haikai ri

Manuela Miga

[Grécia] Sobre o ataque paramilitar assassino da ARAS nas instalações da Universidade Politécnica.

No dia 15 de novembro, primeiro dia da comemoração de três dias do 52º aniversário da revolta da Politécnica de 1973, logo pela manhã, aproximadamente 200 membros da ARAS [organização de tendência maoísta], usando capacetes e com uma formação de estilo militar, alinharam-se no pátio da Politécnica e lançaram um ataque cego, furioso, sangrento e assassino contra os anarquistas.

Depois de abrir cabeças e quebrar braços no exterior do prédio, os hooligans continuaram dentro do edifício da Tositsa, destruindo e batendo em tudo o que encontravam pelo caminho, onde prenderam dezenas de pessoas, trabalhadores, estudantes, anarquistas. Entre eles estavam membros da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas e da APO, que naquele momento estavam preparando o espaço no térreo do prédio para a exposição do material político e em preparação para o evento programado para a tarde.

A brutalidade do pogrom perpetrado pela gangue da ARAS foi demonstrada tanto pela bestialidade, através do terrorismo, em todo o recinto da Universidade Politécnica, quanto pelo exercício desenfreado de violência impensada, que poderia inclusive resultar em mortes. Isso ficou evidente pelo confinamento de um grande número de pessoas em um espaço fechado, pela perseguição por escadas e corredores, pelos golpes repetidos e incontroláveis na cabeça, nos braços e em outros órgãos vitais, por deixarem nua uma companheira, pelas ameaças e pelo risco real de pessoas caírem das janelas do prédio. O resultado foi de aproximadamente 20 feridos com fraturas na cabeça, nas mãos e nos dedos, a abertura de um inquérito policial por suposta briga, a denúncia contra os feridos que foram levados para o Hospital Evangelismos e a inevitável e absoluta provocação de todas as comemorações de três dias.

O planejamento, a organização e a execução deste ataque dos capangas da ARAS não só tinham as características típicas de uma ação paramilitar, mas também a seleção de alvos para tal ataque. Esta operação de imposição com características de tipo militar só pode ser articulada com o ataque geral da repressão estatal tanto nos espaços universitários, onde se manifesta com medidas disciplinares, expulsões, perseguições, câmeras de vigilância e a criminalização e tentativa de expulsão das propostas radicais, combativas e anarquistas do espaço de asilo [universitário], quanto mais amplamente nas lutas sociais e de classe e no ataque ideológico e repressivo em curso contra os anarquistas.

A ARAS é, sem dúvida alguma, um corpo estranho às lutas estudantis e sociais e de classe em geral, e assim deve ser tratada. As organizações que colaboram com ela devem isolá-la, caso contrário, acobertarão suas ações assassinas e de quinta falange.

Diante da fracassada tentativa atemporal do Estado de enterrar os verdadeiros significados e conteúdos da revolta da Politécnica de 1973, das atuais manobras repressivas das autoridades reitorais, do terrorismo estatal contínuo e cada vez maior, as lutas autogestionadas e coletivas da sociedade e da juventude não são reprimidas. O movimento anarquista não recua – não se submete. A luta contra toda autoridade continua e vencerá.

Para trás cafajestes – avante camaradas

Abaixo o Estado, abaixo o poder

Organização e luta pela anarquia

Nenhuma perseguição aos detidos.

Organização Política Anarquista – Federação de Coletivos

apo.squathost.com

agência de notícias anarquistas-ana

lerdamente,
a água empurra a água
e o rio flui

Alaor Chaves

[Itália] Lobby fóssil bate recorde de presenças na COP30 no Brasil. ReCommon: “Belém assediada pelos gigantes do petróleo e gás”

Roma, 14 de novembro de 2025 – Como membro da coalizão internacional Kick Big Polluters Out (KBPO), que pede a exclusão dos lobistas fósseis das Conferências do Clima, a ReCommon teve acesso a documentos confidenciais da COP30. Da análise dos documentos, surge que no total os lobistas fósseis presentes na cúpula de Belém são 1.602, de longe o número mais alto de representantes de quase todas as delegações nacionais presentes, superados apenas pelo Brasil (3.805), país anfitrião. Um a cada 25 delegados presentes, em termos percentuais um aumento de 12% em relação às negociações climáticas do ano passado em Baku, no Azerbaijão, e a maior concentração de lobistas de combustíveis fósseis numa COP desde que a KBPO começou a analisar os participantes da conferência.

Entre os dados que mais se destacam, deve-se relatar que os lobistas fósseis receberam 66% a mais de credenciais para a COP30 do que todos os delegados dos 10 países mais vulneráveis às mudanças climáticas somados (1.061). Uma desproporção que demonstra, mais uma vez, como aqueles que são responsáveis pelo agravamento da crise climática continuam a ter um acesso privilegiado às mesas multilaterais onde se decide o futuro do planeta.

Os lobistas italianos são no total 17, com 3 expoentes da Fundação Enrico Mattei, ligada à campeã nacional do fóssil ENI, 2 da Confindustria, 4 da ACEA, empresa que está apostando decididamente em projetos para a exploração de gás, 6 da Enel, que confirma ser particularmente ativa na América Latina, um da Edison, entre as empresas mais ativas na importação de GNL para o nosso país, e um da Venice Sustainability Foundation, fundação com governança liderada pelo setor fóssil presente na COP com o diretor geral Alessandro Costa, funcionário da líder europeia e italiana de infraestruturas de gás Snam.

Maciço o contingente de expoentes de organizações de lobby que promovem uma fatia considerável do greenwashing do setor fóssil, ou seja, os biocombustíveis e a captura e armazenamento de CO2 (CCS), também ligada à produção de hidrogênio e amônia a partir de fontes fósseis. Essas organizações incluem entre seus membros também a ENI e a Snam, que em Ravenna estão envolvidas no primeiro projeto de CCS da Itália. Uma tecnologia, esta última, que a ReCommon denuncia como extremamente cara, pouco segura e ineficaz, que necessita de subsídios públicos vultosos. O projeto da ENI e Snam, atualmente em fase experimental, pôde se beneficiar de uma legislação permissiva que as próprias corporações contribuíram para definir, em pleno conflito de interesses, como explicado em um recente relatório da associação.

A presença recorde de lobistas fósseis na COP30 reforça a urgência de introduzir um quadro vinculante de transparência e prevenção de conflitos de interesses no âmbito da ONU. Sem tais garantias, as negociações continuarão vulneráveis à influência das mesmas corporações que estão alimentando a crise climática.

A 10 anos do Acordo de Paris, a presença dos lobistas fósseis nas COPs, onde não deveriam estar, continua a crescer”, declarou Elena Gerebizza da ReCommon. “Eles estão promovendo “soluções” que são boas para os seus negócios, mas não para as pessoas e o clima, como o CCS, o hidrogênio e o biogás, que deveriam ser classificados como greenwashing para a expansão da extração de petróleo e gás que continua a acontecer. As companhias fósseis, em vez disso, deveriam pagar pelo impacto global das suas atividades“, concluiu Gerebizza.

A enésima “invasão” de uma COP por parte de gestores fósseis é intolerável. O objetivo desses “personagens” é de garantir outras décadas de petróleo, gás e mega infraestruturas de GNL vendidas como transição. Por isso, ou se expulsa a indústria fóssil das COPs ou a crise climática continuará a ser escrita por aqueles que lucram com ela“, declarou Daniela Finamore da ReCommon.

Fonte: https://www.recommon.org/la-lobby-fossile-fa-il-record-di-presenze-alla-cop30-in-brasile-recommon-belem-assediata-dai-giganti-delloilgas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o varal
A cerejeira prepara
O amanhecer

Eugénia Tabosa

[Canadá] Aceleracionismo capitalista: acumulação por meio da morte (2025) – Jeff Shantz

Jeff Shantz, escritor anarquista, poeta, fotógrafo, artista e ativista.

No período atual, as necessidades de acumulação do capital provocaram consequências ainda mais nefastas. Da perspectiva do capital, já não basta despojar: a acumulação, para o capital, requer extermínio. O capital já não está disposto a permitir que lucros sejam desviados, nem mesmo um mínimo, para servir a setores da classe trabalhadora que considera dispensáveis, desnecessários para o capital, tanto para a produção quanto para o consumo. Abrir caminho para a acumulação significa eliminar a classe trabalhadora.

O capital é aceleracionista e os movimentos da classe operária devem reconhecê-lo, assumi-lo e responder em conformidade. Um aspecto do projeto neoliberal que com demasiada frequência não foi reconhecido e do qual se falou muito pouco foi a aceleração capitalista. Enquanto a análise crítica se concentrou compreensivelmente na austeridade neoliberal, na desregulamentação, na transferência de riqueza para o topo e na repressão, o aspecto aceleracionista disso tem sido frequentemente minimizado ou completamente omitido, com algumas exceções como o importante trabalho de Paul Virilio.

A aceleração neoliberal teve dois componentes: um para liberar e acelerar a exploração e a acumulação capitalista, como na desregulamentação, na eliminação dos sindicatos, no livre comércio, etc. O outro aspecto tem sido a aceleração da vida e do trabalho da classe trabalhadora, por meio da intensificação da explotação (speed ups), facilitada em parte pela informatização, automação e inteligência artificial (IA), mas também pelo “local de trabalho” 24 horas por dia das redes sociais, e-mail, trabalho on-line e o mercado on-line a toda hora.

A liberalização da acumulação teve como consequência o deslocamento da classe trabalhadora, o que a tornou mais precária, mas também mais circulável. O fechamento dos locais de trabalho (desindustrialização, como ocorreu sob o impacto do livre comércio, por exemplo), o desapossamento das comunidades da classe trabalhadora, a gentrificação e o deslocamento da classe trabalhadora urbana, a privatização dos serviços públicos e sociais, a pura mercantilização da habitação (o fim da habitação social e do controle de aluguéis, etc.).

A perturbação, o despojamento e o deslocamento das comunidades da classe trabalhadora tiveram um aspecto temporal que muitas vezes é ignorado. Eles desestabilizaram e alteraram os ritmos cotidianos da vida da classe trabalhadora. Os dias estruturados em torno de ritmos familiares de trabalho (dentro ou fora de casa), relaxamento, descanso e lazer desapareceram para muitos em condições de trabalho aceleradas: trabalho por hora, múltiplos empregos, trabalho virtual, busca permanente por trabalho, etc.

A classe trabalhadora perdeu as amarras, certamente limitadas, que lhe ofereciam uma certa proteção contra as forças da aceleração. Assim, não só a precariedade foi acelerada, mas também a rapidez com que ela ocorre.

As obras muito diferentes que ofereceram a análise mais desenvolvida dos processos subjacentes do neoliberalismo aceleracionista e da acumulação são a extensa análise de Paul Virilio sobre a política da velocidade (que remonta aos anos oitenta) e os amplos debates de David Harvey sobre a acumulação por espoliação.

Harvey detalha esses diversos componentes do desenraizamento da classe operária sob o neoliberalismo e a limpeza da classe operária para ajudar e instigar a circulação capitalista, eliminando os obstáculos aos fluxos de capital que são o que a classe operária e suas formas de vida representam fundamentalmente para o capital.

A acumulação por espoliação destaca a vileza desavergonhada e agressiva com a qual o capitalismo arrasa o planeta hoje em sua corrida desesperada para transformar a vida em mercadoria e abrir ou acelerar os circuitos de realização do lucro, e a necessidade do capital de eliminar as barreiras à realização. Como explica Harvey em “Breve História do Neoliberalismo”:

Com isso me refiro à continuação e proliferação de práticas de acumulação que Marx havia tratado como “primitivas” ou “originais” durante o surgimento do capitalismo. Entre elas se incluem a mercantilização e privatização da terra e a expulsão forçada de populações camponesas (comparem-se os casos, descritos anteriormente, do México e da China, onde se acredita que 70 milhões de camponeses tenham sido deslocados nos últimos tempos); a conversão de várias formas de direitos de propriedade (comum, coletiva, estatal, etc.) em direitos de propriedade privada exclusiva (representada de forma mais espetacular pela China); a supressão dos direitos aos bens comuns; a mercantilização da força de trabalho e a supressão de formas alternativas (indígenas) de produção e consumo; a colonizaçãoneocolonização e privatização da terra.) em direitos exclusivos de propriedade privada (o caso mais espetacular é o da China); a supressão dos direitos aos bens comuns; a mercantilização da força de trabalho e a supressão de formas alternativas (indígenas) de produção e consumo; os processos coloniais, neocoloniais e imperiais de apropriação de ativos (incluindo os recursos naturais); a monetização da troca e da tributação, em particular da terra; o comércio de escravos (que continua, em particular, na indústria do sexo); e a usura, a dívida nacional e, o mais devastador de tudo, o uso do sistema de crédito como meio radical de acumulação por espoliação“.

Com o terreno limpo, o capital se liberta para acelerar – e persegue a aceleração contínua como seu próprio fim, como Virilio destacou e sublinhou muito antes. Frear, para o capital, é morrer.

Da acumulação por espoliação à acumulação por morte

No período atual, no entanto, as necessidades de acumulação do capital levaram a resultados mais viciosos. Já não basta, da perspectiva do capital, desapossar: a acumulação, para o capital, exige o extermínio. O capital já não está disposto a permitir que qualquer lucro seja direcionado, nem mesmo um mínimo, para servir a setores da classe trabalhadora que considera dispensáveis, desnecessários para o capital, tanto para a produção quanto para o consumo.

Abrir caminho para a acumulação significa eliminar os resíduos da classe operária de forma completa e permanente, da perspectiva do capital. O capital não está disposto a destinar nada para manter a classe trabalhadora desnecessária, nem mesmo em condições de pobreza extrema. Um centavo gasto com a classe trabalhadora excedente é um centavo desperdiçado.

Isso se demonstra plenamente tanto na demanda do capital por cortes fiscais quanto em suas demandas por cortes nos serviços humanos essenciais – bem-estar, saúde, habitação, abrigo, redução de danos, educação em todos os níveis. O resultado pretendido é a morte das massas de pessoas que precisam desses serviços. A expansão das infraestruturas assassinas (independentemente do seu custo porque têm utilidade para o capital) – polícia, prisões, exército, forças de fronteira – garantirá que as mortes ocorram com rapidez.

A morte se torna um resultado político crucial, o assassinato se torna o serviço essencial.

Uma parada brusca: contra o anticapitalismo desaceleracionista

Isso tem implicações significativas para os movimentos da classe trabalhadora e a resistência em geral (incluindo a anticolonial e anti-imperialista), assim como para o próprio anticapitalismo. Os movimentos anteriores, ao longo de gerações, foram em geral o que poderíamos chamar de desaceleracionistas: tentaram desacelerar, frear, limitar, negociar e gerenciar a velocidade do desenvolvimento capitalista: desacelerar o desenvolvimento capitalista, desacelerar a propagação de seus danos e impactos, desacelerar o crescimento e a exploração. Isso determinou as abordagens, os objetivos e os prazos da organização.

O aceleracionismo capitalista faz tudo isso explodir pelos ares. A velocidade do capitalismo e sua ânsia por acumulação estão desencadeando desastres, crises e mortes em massa. Está perturbando, desapossando e deslocando com tal rapidez que só deixa um rastro de carnificina.

Já não há tempo para uma desaceleração: a vida planetária, sob a ameaça da crise climática, enfrenta o seu fim. A oposição anticapitalista não só deve acelerar suas capacidades para acabar com o capitalismo, mas deve se orientar agora para uma parada brusca, não uma desaceleracão, mas uma pausa de emergência, uma parada brusca e contundente.

Mais informações

Harvey, David. 2003. The New Imperialism. Oxford: Oxford University Press

Harvey, David. 2005. A Brief History of Neoliberalism. Oxford:Oxford University Press

Virilio, Paul. 1986. Speed and Politics. New York: Semiotext(e)

Virilio, Paul and Sylvere Lotringer. 1983. Pure War. New York: Semiotext(e)

Fonte: https://libertamen.wordpress.com/2025/11/10/aceleracionismo-capitalista-acumulacion-mediante-la-muerte-2025-jeff-shantz/ 

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Um haicai proce
Jovem tão primaveril
Alma juvenil

Ivanilton Tristão

Rasura o Céu da Bala

Não é por Estado, nem por bandeira,

nem por fronteira cravada no chão.

É pela carne que a terra alveja,

pelo pó que era lar, e agora é só pó.

.

O canhão fala a língua do Império,

a farda é a pele do opressor.

Eles erguem muros de concreto e desprezo,

escrevendo estatísticas com sangue e suor.

.

Mas a Anarquia grita no peito da praça,

na rede que tecem sem rei nem patrão:

é a solidariedade que cruza a trincheira,

o pão compartilhado, a única nação.

.

Enquanto o drone, frio zumbido da Morte,

despeja o fósforo sobre o quintal,

cresce no escombro uma semente teimosa,

que não é do Hamas, nem de Israel.

.

É da vida que insiste, da raiva que abraça,

do povo que é povo, sem Estado ou senhor.

É o “Basta!” que ecoa da faixa de Gaza,

um grito sem dono, de puro terror.

.

Contra a máquina de moer corpos,

erguemos as mãos, não por um novo poder,

mas pela ausência de todos os cárceres,

pelo direito simples de simplesmente ser.

.

Abaixo a bota que esmaga o poema,

o genocídio que vestem de “guerra”.

A única lei é a do apoio mútuo,

a única pátria, a Terra Inteira.

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Grécia] Algumas palavras sobre a União Federalista Anarquista

A União Federalista Anarquista (UFA) é uma organização de luta de classes e revolucionária, um veículo político e um expoente do anarquismo e de sua rica tradição de movimentos em todo o mundo. Seu objetivo estratégico é a Revolução Social, a derrubada do poder do Estado e do capital e a construção de uma sociedade libertária baseada na autogestão coletiva, na solidariedade e na igualdade social. De uma sociedade em que a produção, os serviços e todos os assuntos da vida social estarão nas mãos da própria base social e de seus órgãos coletivos.

A UFA foi constituída em novembro de 2025, numa época marcada por enormes reconfigurações históricas. Vivemos um período em que as contradições do sistema capitalista não podem mais ser ocultadas nem embelezadas. Desde o início da crise econômica global de 2007–2008, que nunca foi superada, o sistema capitalista tem estado em um constante declínio: colapsos financeiros, falências de países, pilhagem e esgotamento dos recursos naturais, inflação, conflitos geopolíticos para a reordenação das esferas de influência. As políticas implementadas para a “salvar a economia” não tinham como objetivo salvar os povos e as classes trabalhadoras, mas o grande capital e sua lucratividade. Os resultados são globais e visíveis em todos os cantos do planeta: guerras, empobrecimento violento, exacerbação do autoritarismo estatal, desmantelamento e privatização das estruturas públicas de assistência social, transformação de países inteiros em zonas de mão de obra barata e desenraizamento em massa. Tudo isso não é resultado de “políticas erradas”, mas sim consequências inevitáveis da crise estrutural de um sistema explorador que, para perpetuar sua dominação, não hesita em recorrer a sacrifícios humanos e enormes desastres sociais.

Na Grécia, a crise capitalista global assumiu a forma de crise da dívida e a política de transferência de responsabilidades por suas causas para a esmagadora maioria social, para a qual todo o peso de seus impactos também foi transferido, pagando um preço altíssimo. O conjunto dos governos de memorando que estiveram à frente da administração política, de mãos dadas com a União Europeia, o FMI e o grande capital nacional e internacional, demoliu conquistas sociais que haviam sido alcançadas com duras lutas de classe e sociais, muitas vezes sangrentas, como as oito horas de trabalho, as convenções coletivas, o direito de greve, as liberdades sindicais, a ação política nas universidades, etc. A reestruturação social violenta no espaço grego ainda não foi concluída; pelo contrário, assume aspectos cada vez mais bárbaros, com as regras fiscais do memorando permanecendo em vigor, a inflação corroendo a renda dos trabalhadores e a repressão estatal esmagando sem obstáculos as resistências, preparando o terreno para a imposição total dos planos do Estado e do capital. É certo que o pior está por vir, enquanto as lutas sociais e de classe estão em retrocesso após a derrota e a assimilação da década anterior.

Nesta conjuntura histórica de crise e decadência, a construção de uma organização anarquista foi para nós uma tarefa política tanto na direção da reorganização das lutas quanto na perspectiva da necessidade da Revolução Social, que é a única solução para os nossos tempos. Uma organização que será a vanguarda da luta da classe trabalhadora, dos pobres, dos desempregados, da juventude e de todos aqueles que vivenciam diariamente a exploração e a opressão em um mundo doente. A UFA nasceu precisamente para dedicar todas as suas forças a esses propósitos, à criação desta organização e à elaboração de um programa e estratégia revolucionários no meio da guerra social e de classes que se alastra diariamente.

A União Federalista Anarquista luta para convencer que outro mundo não é apenas necessário, mas também possível. Que nenhuma “gestão” burguesa da crise e nenhuma mudança de governo pode beneficiar a grande maioria social, cujo único interesse é a derrubada, a revolução, o estabelecimento de outro modelo de organização da economia e da vida social: o Comunismo Libertário, a Anarquia! Nesse contexto, lutamos pela construção de um movimento anarquista moderno, combativo e revolucionário, que não se limitará à protesto ou ao papel de “bagunceiro” na retaguarda das lutas e da luta de classes, mas que apresentará um programa, um plano e uma estratégia de derrubada. Que não apenas se defenderá, mas também atacará, que não seguirá a “agenda” da atualidade política, mas protagonizará os desenvolvimentos políticos e a luta em todas as frentes de classe e sociais. Paralelamente, lutamos pela reconstrução do movimento operário e estudantil em outras bases, sem tutela, de baixo para cima, longe dos programas burgueses e dos agitadores falidos da ditadura do partido sobre o proletariado.

A UFA visa a ação organizada nos locais de trabalho, nos bairros, nas universidades, nos empreendimentos sociais, em cada pequena e grande luta dos nossos tempos. Contra a desilusão, a resignação e o medo, contra a futilidade do “nada muda” que a ideologia dominante e o pós-moderno “fim das revoluções” pregam, contra o individualismo e o reformismo.

A declaração de princípios fundadores e o estatuto de identidade-funcionamento-objetivos da União Federalista Anarquista serão divulgados nos próximos dias.

Organize-se – Coletivize-se – Lute

REVOLUÇÃO SOCIAL — para o presente e o futuro do mundo.

EVENTO-APRESENTAÇÃO da União Federalista Anarquista –

Sexta-feira, 28/11 às 18h na ASOEE

União Federalista Anarquista

Contato: fean@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Frondosa mangueira
Sua florada antecipa
Sabor da manga.

Mary

[Chile] Santiago: Convocatória para participar da “Eskuela Libertaria Del Sur” – 23 novembro

Queridos companheiros,

Queremos convidá-los a compartilhar uma saborosa panela comunitária onde teremos a oportunidade para nos conhecermos e conversar sobre o projeto.

Esta convocatória para ser parte da Eskuela é especialmente para famílias afins que busquem alternativas à escolarização e à educação tradicional, é pensado para crianças de 6 a 10 anos. Nossas práticas educativas são situadas no anarquismo, compreendendo-nos como um espaço antipatriarcal e antiautoritário.

O chamado é para somar-se ativamente à proposta e desafios que implicam no levantar entre todos a Eskuela Libertaria Del Sur.

Data: 23 de novembro de 2025, domingo, às 13h30.

Atualmente estamos funcionando na casa anarquista La Termita, comuna de Santiago nas proximidades do popular e histórico bairro Matta Sur.

Estaremos recebendo colaborações em artigos de higiene e escolares no local, “aporte de La eskuelita“.

Para mais informação escreva-nos

eskuelalibertariadelsur@gmail.com

CONTRA O SISTEMA ESCOLAR AUTORITÁRIO, PATRIARCAL E ESPECISTA

EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA! LIBERAÇÃO TOTAL!

AUTONOMIAAFINIDADEHORIZONTALIDADE

Eskuela Libertaria Del Sur

@eskuela_libertaria_del_sur

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

[Grécia] Segunda-feira, 17 de novembro | Chamada para a marcha

Convocamos para a marcha pela revolta do Politécnico.

Pré-concentração em Dompoli segunda-feira, 17 de novembro, às 18h.

Estado e capital, os únicos terroristas

Certamente não vivemos na época da junta militar, mas vivemos a junta militar da nossa época. Desvendando o fio da história, encontramos padrões comuns, condições totalitárias recorrentes e atemporais. Em contraste com a narrativa dominante da direita sobre a transição do regime da junta para o parlamentarismo, e também com a instrumentalização do Politécnico por uma parte significativa da esquerda, nós entendemos o Politécnico como uma fissura na normalidade. Como uma rebelião.

Interpretando o clima político internacional da época, havia uma forte política de Guerra Fria, da qual a Grécia não ficou imune. A junta dos coronéis foi resultado do medo da “ameaça comunista” e do “inimigo interno”, que era perpetuado pelas décadas anteriores. A natureza autoritária do regime não era um fenômeno sem precedentes para a Grécia dos anos 70, pois desde o período pós-guerra civil as mesmas práticas de repressão eram utilizadas: torturas, sequestros, prisões, assassinatos, delação, censura. As condições acima atuam como um catalisador para desencadear uma revolta de baixo para cima com características multiformes e propostas antifascistas, antiestatais, anticapitalistas e anti-imperialistas.

A narrativa dominante, com o consentimento da esquerda, escolheu conscientemente apagar da memória coletiva os elementos combativos da revolta, pois seus conteúdos e ideais políticos permanecem atuais e perigosos. O Estado e o capital, independentemente da máscara – ditadura/democracia – causam a miséria e a desvalorização de todos os aspectos da vida. Os ritmos do capitalismo moderno movem-se ao som dos tambores de guerra que ressoam globalmente em perfeita harmonia com a repressão interna exigida pela preparação bélica. Por todas essas razões, a revolta do Politécnico continua a ser para nós uma fonte de inspiração e não um obituário comemorativo.

Dentro deste horror, você inverte os dados do tempo, passando triunfalmente pelos portões da minha memória. Eu me lembro de você, no meio desse horror. Fumaça e lágrimas, muco, gás lacrimogêneo e feridas, tosse e blasfêmias. Disparam gás lacrimogêneo de última geração. Odeio o sol que nasce para todos.

Liberdade para a Palestina

KYRIAKOS XYMITIS UM DE NÓS

A REBELIÃO NÃO É UMA IMAGEM NAS NOTÍCIAS, NA RUA NASCEM CONSCIÊNCIAS

Ocupação Αντιβίωση

agência de notícias anarquistas-ana

No mato ao lado
um menino se masturba
fascinado.

Simão Pessoa

Ailton Krenak: “Vocação da COP30 é ser balcão de negócios”

Por João Pedro Soares | 12/11/2025

Escritor e líder indígena denuncia “fuga alucinada” do Acordo de Paris pelas grandes potências e “omissão” da Europa. Para enfrentar a crise climática, diz, mundo precisa repensar noção de progresso.

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP) acontece pela primeira vez na Amazônia, cercada de expectativas. O Brasil busca consolidar seu papel de liderança climática e contornar a ausência dos Estados Unidos, maior economia global. Mas a “COP da verdade”, assim chamada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não desperta otimismo em Ailton Krenak, membro da Academia Brasileira de Letras e autor de Ideias para adiar o fim do mundo.

“Eu gostaria muito de esperançar alguma coisa surpreendente”, afirma, em entrevista à DW. “A vocação da COP30 é ser um balcão de negócios para negociar petróleo, madeira e terras raras. Parece que esta é a ilusão do momento.”

Nos últimos anos, o escritor ganhou notoriedade internacional a partir da tradução de seus livros para mais de dez idiomas em 15 países. Antes de ser alçado a “filósofo” pela originalidade de sua obra, Krenak se projetou por uma trajetória de décadas no movimento indígena brasileiro.

Após as duas últimas edições da COP em países autoritários, espera-se uma grande participação da sociedade civil em Belém – um contraponto animador, na avaliação de Krenak. “Os movimentos sociais no mundo estão muito mais ativos. Quem sabe, eles consigam apropriar-se do espaço e transformar isso em alguma coisa mais esperançosa”, vislumbra.

“Não adianta gritar no deserto”

A Cúpula dos Povos, principal espaço de representação dos movimentos sociais na COP, começa nesta quarta-feira (12). Organizada por aproximadamente 1,1 mil entidades e redes internacionais de 62 países, a expectativa é reunir 30 mil pessoas.

A menos de um mês da conferência, o Ibama autorizou a Petrobras a iniciar pesquisas para exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. Em linha com os interesses do governo, a decisão é alvo de intensa contestação por indígenas e ambientalistas.

“Isso significa que nós estamos engajados num amplo sistema de comer o planeta. É claro que vai ter mais lugar para os indígenas gritarem, espernearem e falarem, mas isso não significa que eles vão ser ouvidos. Quem tinha que ouvir são os chefes do dinheiro no planeta, não adianta você gritar no deserto”, diz.

Krenak vê “fuga alucinada” do Acordo de Paris e Europa omissa

Para Krenak, a ausência dos Estados Unidos na COP30 é sintoma de uma retração global na discussão climática. “Toda a discussão até a COP20 recuou à década de 1990. A gente está beirando a Rio 92. Só que a Rio 92 era cheia de esperança, e a COP 30 é um buraco escuro”, compara.

Ante a proximidade do ponto de não retorno climático, o pensador indígena enxerga uma “fuga alucinada” do Acordo de Paris pelas grandes potências.

“Os pobres vão ter que lidar agora com a transição energética à custa da fuga de países como os EUA e outros associados a eles, que acham que o compromisso exigido para a transição energética é obrigá-los a antecipar a saída da economia do carbono, de todas essas práticas que declaradamente promovem o aquecimento global”, projeta.

Apesar da retirada dos Estados Unidos dos fóruns climáticos e da liderança da China nas emissões globais, Krenak faz um chamado à responsabilidade histórica do bloco europeu pelo atual momento de crise.

“A Europa projetou para o mundo todo esse modelo de desenvolvimento que deu errado. Eles deveriam assumir a responsabilidade disso junto aos países em desenvolvimento, mas estão largando a conta nas costas deles. A Europa está sendo muito omissa nesse momento”, dispara.

Para Krenak, crescimento sustentável é falácia

O escritor enxerga a humanidade em uma encruzilhada da qual não pode se esquivar. Para contornar a crise climática, seria necessário repensar o conceito de progresso. A tentativa de correção de rota pela via do crescimento sustentável não seduz Ailton Krenak.

“É muita mentira dizer que você pode conciliar a fúria do desenvolvimento com a idéia de conservar a natureza ou de restabelecer o clima no planeta, que só está piorando. As geleiras e glaciares estão derretendo. Aquele urso branquinho que a gente via na fotografia virou um cachorro enferrujado. Eu não acho graça nenhuma disso”, comenta.

“Se a gente não aprender a pisar suavemente na Terra, nós vamos abrir a lista das espécies em extinção na próxima temporada. A próxima temporada, como diz os meninos da periferia, ‘é nós'”, adverte.

A entrevista com a DW foi gravada no Rio de Janeiro, berço da conferência do clima, onde a exposição Adiar o fim do mundo está em cartaz. Inspirada no pensamento de Krenak, a mostra inaugurada dias antes da COP30 convida o público a repensar o presente diante das urgências ambientais e sociais.

Durante a conversa no pátio da FGV Arte, museu que abriga a exposição, pessoas subiam e desciam por uma escada rolante. Ao falar sobre a busca incessante por avanços tecnológicos, o indígena aponta para a cena como uma síntese do esvaziamento de sentido dessa ideia. “Agora mesmo, essa esteira subindo ‘inocentemente’ está esquentando o clima do planeta”, diz.

“Por que tem que se usar uma escada rolante se aquele sujeito podia estar fazendo o exercício físico de subir aquela escada? Diminuiria as internações hospitalares e uma série de outros efeitos colaterais. Mas o desenvolvimento põe a porcaria da escada rolante aqui, pra pessoa andar nela feito um idiota e não ser capaz de fazer o mínimo de exercício físico”, reflete.

Em meio à falta de soluções claras para a crise atual, Krenak enxerga uma desorientação generalizada, que ameaça o legado da vida na Terra para as próximas gerações. “Nós estamos vivendo num planeta em chamas, com uma humanidade vagando de um lado pro outro, debaixo de drones e mísseis”, constata.

“Querer produzir um efeito simpático sobre esse tempo que nós estamos passando chega a ser quase que alienar-se do grave problema, do grave risco que nós estamos passando, de legar às próximas gerações um planeta defeituoso. A gente recebeu o planeta íntegro e está correndo o risco de passar ele com defeito para quem vier depois de nós”, lamenta.

Ceticismo quanto à agenda do governo brasileiro

A defesa do crescimento sustentável está no centro da agenda climática brasileira. Ao defender a exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, o presidente Lula argumenta que os recursos provenientes da atividade são necessários para financiar a transição energética.

Ao comentar os planos do governo do Brasil, Krenak faz referência às “zonas de transtorno”, conceito do filósofo e linguista estadunidense Noam Chomsky.

“O complexo do sistema capitalista global faz desaparecer aqueles lugares onde essas comunidades tradicionais, humanas, tinham sua subsistência e transforma isso em lugares de disputa, em não lugares. É onde vai ter petróleo, hidrelétrica e desmatamento. Essas zonas de transtorno são novos ativos para o capitalismo continuar vivo”, diz.

Nesse cenário, Krenak se mostra cético sobre a capacidade de o Brasil apresentar caminhos que representem uma alternativa ao atual modelo de desenvolvimento. “O governo está fazendo o papel protocolar”, afirma.

A presença de Sonia Guajajara no governo, à frente do Ministério dos Povos Indígenas, é um trunfo do Brasil na construção da narrativa sustentável e inclusiva. A criação da pasta no terceiro mandato de Lula é interpretada por Krenak como uma sinalização discursiva, alinhada a uma tendência internacional.

“Houve mudanças no mundo em relação ao que chamam de justiça reparatória, como na Nova Zelândia. O Canadá nomeou uma ministra dos povos originários. Na Colômbia, uma mulher do povo quilombola assumiu a vice-presidência da República. No México, uma senhora assumiu a presidência de um país machista”, analisa.

“O Brasil estava vendo isso, e o Lula decidiu se comprometer com o Ministério dos Povos Indígenas, tendo uma mulher indígena à frente. É um gesto que eu percebo como político, que pode não ter consequência nenhuma na realidade. O mundo dos atos políticos está fora da realidade. Eu posso nomear você, por exemplo, meu ministro de ‘Assuntos Interestelares’. E mando você ficar olhando estrelas”, conclui.

Fonte: https://amp-dw-com.cdn.ampproject.org/v/s/amp.dw.com/pt-br/ailton-krenak-voca%C3%A7%C3%A3o-da-cop30-%C3%A9-ser-balc%C3%A3o-de-neg%C3%B3cios/a-74714332?

agência de notícias anarquistas-ana

Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

[EUA] Mantenha as florestas de pé: gráficos em solidariedade com a comunidade Pargamanan-Bintang Maria, Indonésia

A cooperativa Justseeds e Taring Padi (de Yogyakarta, Indonésia), com o apoio da Rainforest Action Network, produziu uma série de gráficos em solidariedade aos militantes em defesa da floresta e organizadores indígenas da linha de frente na Indonésia. Taring Padi são lendários artistas políticos de gravura em relevo fazendo arte e gráficos que desafiam o poder dentro do arquipélago indonésio desde as revoltas de 1998.

Esse pacote de imagens foi organizado por Roger Peet e Andrea Narno com a assistência de Nicolas Lampert.

CONTEXTO: A Rainforest Action Network (RAN) está construindo solidariedade com as comunidades indígenas e locais na linha de frente da destruição florestal na Indonésia e em outras florestas tropicais. A RAN e os seus aliados indígenas pressionam algumas das maiores empresas de bens de consumo do planeta (como a P&G) para impedir os danos causados pelas empresas com as quais fazem negócios e reparar danos causados. A RAN, junto com parceiros na Indonésia, está construindo o poder popular e se conectando entre os movimentos para provar que juntos somos mais fortes do que a motivação de lucro de corporações gananciosas.

As comunidades indígenas e locais protegem a terra, a cultura e os meios de subsistência, e têm feito isso há inúmeras gerações. Apesar de administrar somente 20% das terras da Terra, os povos indígenas protegem 80% da biodiversidade global. Na luta para manter as florestas de pé, proteger os direitos das comunidades indígenas e locais à terra é fundamental à estratégia de interromper o ritmo das mudanças climáticas e para os valores de respeito à soberania indígena.

A comunidade Pargamanan-Bintang Maria é um exemplo, lutando pelo direito à sua terra ancestral e aos seus modos de vida. Lutam para proteger as florestas de benjoim das quais dependem para a subsistência e para a saúde do rio do qual dependem para beber, cozinhar e cultivar. A P&G continua a fazer negócios com empresas ligadas a este e outros casos de roubo de terras e de abusos de direitos, o Royal Golden Eagle Group (RGE).

Leitura adicional:

Solidarity Web Page: https://www.ran.org/campaign/the-forest-is-a-part-of-us/

Pacote gráfico para download de alta resolução disponível aqui: https://justseeds.org/graphic/keep-forests-standing-graphics-in-solidarity-with-the-pergamanan-bintang-maria-community-in-indonesia/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.

Mailde Tripoli

[Uruguai] Responder ao capitalismo, exemplos de auto-organização e apoio mútuo como parte de projetos amplos de transformação social

O anarquismo busca soluções radicais, ou seja, de raiz, a problemas que são também profundos, mas isso não significa que não se deva responder atuando, ao mesmo tempo, com soluções pontuais. Sobretudo se estas não contrariem os objetivos da intervenção anarquista sobre um território, se não geram uma acomodação ao dado, por exemplo. Nesse sentido é que uma vez ou outra dizemos aos progressistas que suas propostas eleitoreiras criam novas castas e que em nada vão acabar com a sociedade das desigualdades e que criam, ainda mais dificuldades para uma sociedade auto-organizada e sem parasitas. Essas formas e não a intervenção concreta e generalizável são as do possibilismo que devemos atacar.

Desde nossas fileiras, frente ao canibalismo social, frente à generalização da indiferença que os meios capitalistas impõem diariamente, apostamos em subir a aposta dizendo que ninguém deve estar só, que quando há auto-organização ninguém fica só. Em todas as partes do mundo são muitos os exemplos de solidariedade que se alcançam entre iguais e que superam a ordem do capitalismo de que a vida é uma guerra e que cada um deve salvar a si mesmo. Nós, os anarquistas não inventamos isso, mas o potencializamos para que supere a invisibilização que se impõe.

Alguns exemplos de anarquistas dando a cara em partes muito diferentes do mundo são os das ondas populares. Em Atenas, por exemplo, existem várias estruturas levadas por companheiros que preparam e compartilham comida. Nas imagens abaixo, lhes mostramos a da chamada “cozinha social” do centro social Blok 15. Após a crise econômica que se mantêm no país, que não é outra coisa que uma reestruturação do capitalismo, os companheiros saíram para dar sua contribuição revolucionária em todas as facetas do enfrentamento ao poder. É assim que na cidade grega funciona mais de uma estrutura de alimentação autogestionada onde os anarquistas intervém contra a fome do capitalismo.

Também em Montevidéu, sobretudo, após o Covid, a alimentação de muitas pessoas se viu tremendamente ressentida e foi assim que surgiram panelas populares. Em muitas participam ou foram criadas diretamente por companheiros anarquistas. Três panelas populares, por exemplo, foram as que levaram adiante esta semana a manifestação chamada “o panelão” no centro da cidade. Como parte de um projeto de auto-organização anarquista mais amplo, o Merendeiro ácrata do bairro Cordón, faz das suas preparando e distribuindo merendas no centro da cidade. A diferença mais notável com outros lugares é a aposta dos anarquistas para que todos os processos sejam autogestionados, sem relação alguma com o Estado e que todas as pessoas se envolvem o quanto possível. Os anarquistas especialmente buscam romper as relações de caridade e lucro para que a solidariedade seja parte de projetos amplos de ruptura com o egoísmo organizado do sistema.

As práticas éticas, relacionais, coletivas potencializam a anarquia como uma força no presente. Os projetos devem fortalecer-se junto a outros para tornarem-se mais amplos e profundos. Responder, responder e responder cada vez melhor deve ser a bandeira contra o capitalismo.

Fonte: https://periodicoanarquia.wordpress.com/2025/04/13/responder-al-capitalismo-ejemplos-de-autoorganizacion-y-apoyo-mutuo-como-parte-de-proyectos-amplios-de-transformacion-social/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A ética nasce
do apoio mútuo, não
de tábuas de pedra.

Liberto Herrera

[Espanha] Homenagem aos milicianos da Coluna Durruti que defenderam Madrid em 1936

Convocatória para um ato de homenagem aos milicianos da Coluna Durruti que, em 15 de novembro de 1936, chegaram a Madrid para combater na frente da Cidade Universitária e tentar deter o avanço do exército franquista que tentava tomar a cidade avançando desde a outra margem do rio Manzanares. Coincidindo com o 89º aniversário desse acontecimento, queremos, neste 15 de novembro, repetir o caminho que eles fizeram desde a estação Príncipe Pío até a Faculdade de Medicina da Complutense.

Os promotores — que se definem como “pessoas livres, sem bandeiras nem obediências, comprometidas com a liberdade, a solidariedade e a justiça” — propõem repetir a marcha histórica no dia 15 de novembro, parando em vários pontos simbólicos para recordar os fatos e seus protagonistas. “Tanto sacrifício, tanto sangue e tanta dor não merecem ser esquecidos; merecem ser lembrados e exaltados”, afirmam.

Ficha rápida do evento

• O quê: Marcha em homenagem à Coluna Durruti (percurso histórico de 1936)

• Quando: 15 de novembro

• Onde: De Príncipe Pío até a Cidade Universitária (Madri)

• Organização: Grupo cidadão aberto (sem filiação)

Para mais informações, consulte o site: columna.durruti.es

agência de notícias anarquistas-ana

outro assobio
escuto os passarinhos
sem dar um pio

Ricardo Silvestrin

Como a cultura do futebol israelense se tornou uma arma de genocídio

Das arquibancadas do Beitar Jerusalém às ruínas de Gaza, o esporte e a política se fundiram de maneiras que revelam a profunda ligação do futebol com o projeto estadual de colonialismo e limpeza étnica.

Supõe-se que o futebol seja um esporte que une as pessoas. Em Israel, ele se tornou algo mais sinistro: um palco para o racismo, o militarismo e a propaganda. Das arquibancadas do Beitar Jerusalém às ruínas de Gaza, o esporte e a política se fundiram de maneiras que revelam a profunda ligação do futebol com o projeto estadual de colonialismo e limpeza étnica.

Um novo relatório da Fundação Hind Rajab expõe com grande detalhe como soldados e torcedores organizados (ultras) israelenses usam a cultura do futebol para humilhar palestinos, glorificar a destruição e normalizar o genocídio.

Estádios do ódio

A história começa em casa. A cultura dos torcedores de futebol israelenses há muito é conhecida por seu racismo e violência.

O Beitar Jerusalém se destaca como o mais extremista. É o único grande clube israelense que nunca contratou um jogador árabe, embora os árabes representem cerca de 20% da população do país. Seus ultras, “La Familia”, são conhecidos por seus slogans e ataques fascistas. Eles gritam “Morte aos árabes!”, atacaram trabalhadores palestinos e, em 2013, incendiaram os escritórios de seu próprio clube em protesto contra a contratação de dois jogadores muçulmanos. Para o “La Familia”, o futebol não é apenas esporte: é uma expressão de uma política de pureza e dominação racial.

Mas o problema vai muito além do Beitar. O Maccabi Tel Aviv, o clube mais premiado de Israel, conta com uma ampla base de seguidores. Seus ultras repetidamente entoaram cantos antirárabes e encheram o estádio com bandeiras e faixas (tifos) que glorificam os soldados. Nas arquibancadas, retratos de soldados são exibidos ao lado de bandeiras do clube, desfazendo a linha entre a violência estatal e o orgulho esportivo.

Nem mesmo o Hapoel Tel Aviv, frequentemente retratado como um clube de “esquerda” ou “progressista” devido aos seus vínculos históricos com o movimento operário, escapou disso. Nos últimos anos, seus torcedores desfraldaram faixas celebrando os soldados que lutam em Gaza. O nacionalismo, de acordo com o relatório, impregna todo o espectro do futebol israelense.

Em novembro de 2024, durante uma partida da Liga Europa entre o Ajax de Amsterdã e o Maccabi de Tel Aviv, centenas de torcedores israelenses inundaram a capital holandesa. O que se seguiu não foi a habitual atmosfera barulhenta de um jogo fora de casa, mas uma campanha de intimidação. Residentes árabes foram assediados, bandeiras palestinas foram arrancadas de casas e lojas, e nas praças da cidade, os torcedores gritavam: “Não restam crianças em Gaza”.

A Fundação Hind Rajab apresentou uma queixa à polícia holandesa, mas as autoridades arquivaram o caso alegando “provas perdidas”. Quando semanas depois surgiram novas imagens, a fundação apresentou a queixa novamente, expondo tanto a violência dos torcedores quanto a relutância das instituições europeias em agir.

Incidentes semelhantes foram registrados em outras cidades europeias. Os torcedores do Beitar Jerusalém levaram seus cânticos racistas a Paris e Bruxelas. Torcedores do Maccabi Tel Aviv confrontaram manifestantes pró-palestinos, zombando do sofrimento em Gaza. Em alguns casos, os ultras se coordenam com organizações sionistas locais, transformando as partidas de futebol em focos políticos onde o esporte se torna uma desculpa para a intimidação.

Futebol nas ruínas

Talvez o material mais perturbador do relatório venha da própria Gaza. A HRF compilou dezenas de imagens e vídeos que mostram soldados posando com bandeiras de futebol e cachecóis na frente de casas, escolas e mesquitas demolidas.

Faixas do Beitar Jerusalém pendem em salas de estar destruídas. Uma bandeira do Hapoel Tel Aviv tremula numa varanda com vista para as ruínas de Khan Yunis. Um soldado do Maccabi Netanya intitula sua foto de Gaza com as palavras: “Algo sobre dias de folga em Gaza. Netanya para sempre”.

Pichações e slogans de ultras foram rabiscados nas paredes de casas palestinas, transformando as ruínas em telas de humilhação. Em alguns casos, os soldados dedicam as demolições aos seus clubes ou gravam vídeos onde os bairros arrasados são apresentados como “vitórias”. No Instagram e no Telegram, essas postagens circulam amplamente, recebendo “likes” e o apoio dos torcedores em casa.

O que para os de fora pode parecer um comportamento casual de torcedores é, na verdade, propaganda deliberada. Os símbolos do futebol são usados para reivindicar territórios conquistados, zombar das famílias deslocadas e transformar atrocidades em um espetáculo consumível para os torcedores.

Um padrão sistêmico

A Fundação Hind Rajab sustenta que isso não é obra de alguns poucos soldados rebeldes ou vândalos. É um problema sistêmico.

Em todos os clubes – desde o fascista “La Familia” do Beitar Jerusalém até os ultras do Maccabi Tel Aviv, a suposta torcida “esquerdista” do Hapoel, e mesmo Netanya e Haifa – tanto soldados quanto torcedores usam a identidade futebolística para glorificar a violência. Em todos os estádios – em Gaza, Líbano, Síria e dentro dos estádios israelenses – aparece a mesma imagem. E em todas as formas – bandeiras, pichações, tifos, caricaturas racistas, selfies e postagens nas redes sociais – o propósito é o mesmo: fundir o esporte com o genocídio.

Assim como as moradias são confiscadas e reutilizadas no projeto colonial israelense, as ruínas palestinas são expropriadas como cenários de propaganda. O futebol é usado como arma, como extensão cultural da limpeza étnica.

O chamado por sanções

As implicações são claras. Esses atos não são apenas degradantes e humilhantes, mas constituem incitação e propaganda ao genocídio, proibidas pelo direito internacional.

Para quem defende esse direito, a mensagem é simples: Israel não pode continuar participando do esporte internacional enquanto o futebol for usado como arma dessa maneira.

A campanha “Game Over Israel”, que a HRF apoia, exige que Israel seja suspenso da FIFA, UEFA, FIBA e todas as federações internacionais até que o genocídio termine e haja prestação de contas. Há precedentes: a África do Sul do apartheid foi excluída do esporte mundial durante décadas, e a Rússia foi suspensa da FIFA e da UEFA poucas semanas após sua invasão da Ucrânia. Cada partida que Israel joga hoje nas competições da UEFA é, de acordo com a fundação, uma vitória propagandística de um regime genocida.

“O futebol e o genocídio não podem coexistir”

O futebol deveria unir. Em Israel, ele se tornou uma arma de divisão, humilhação e propaganda. Soldados acenam com bandeiras de ultras nas ruínas de Gaza. Torcedores entoam cânticos genocidas em praças europeias. Os estádios glorificam os soldados enquanto lares são destruídos.

Isso não é coincidência. É sistêmico.

A Fundação Hind Rajab afirma que continuará documentando, apresentando casos e fazendo campanha até que Israel seja excluído do esporte internacional. “Assim como a África do Sul do apartheid foi banida, Israel também deve enfrentar o isolamento”, conclui o relatório.

O futebol e o genocídio não podem coexistir.

Fonte: https://www.hindrajabfoundation.org/posts/how-israeli-football-culture-became-a-weapon-of-genocide

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

pobre carteiro,
sofre com o cão
o dia inteiro

João César dos Santos