[Alemanha] A caminho do 1º de maio anarquista de 2023 em Hamburgo!

É 1º de maio de novo. Mais uma vez, pedimos a você que percorra as ruas de Hamburgo conosco e exponha ao mundo nossa utopia e nossa reivindicação de futuro: vida digna para todos em todos os lugares, de modo antiautoritário e livre da opressão e do capitalismo. Faz um ano que fomos atacados e espancados pela polícia no Veddel. Uma óbvia tentativa de intimidação que, como todas as anteriores e futuras, não terá sucesso. Muita coisa aconteceu este ano, mas nossa determinação de defender a boa vida não diminuiu nem um pouco.

Foi um ano selvagem que mostrou mais uma vez que não podemos descansar nas vitórias. Vivemos no coração da besta e devemos ver as lutas que nossos camaradas estão travando em todo o mundo em condições muito mais difíceis – em greve de fome como Alfredo Cospito ou armados contra paramilitares mexicanos, para citar apenas dois exemplos. Aqui, onde a polícia voltou a assassinar jovens por motivos racistas no ano passado e neste ano, sem que isso tenha causado grandes consequências. Aqui em Hamburgo, onde a greve dos estivadores foi reprimida pela polícia: um sinal para nós de que a esquerda radical e as classes assalariadas precisam se unir novamente! Pois sempre que a eterna crise deste sistema, através da inflação, do aumento dos aluguéis e do terror oficial, estiver sufocando o ar, temos que ficar lado a lado. Por uma vida bela para todos!

Aqui, onde as grandes empresas, sob a mão protetora do chamado partido “Verde”, poderiam mais uma vez usar os policiais como seu esquadrão de espancamento corporativo para limpar floresta por floresta e extrair carvão da terra sob Lützerath que, se queimado, prejudicaria nosso planeta e destruiria ainda mais nosso futuro. Aqui, onde a sociedade será cada vez mais militarizada, onde os cidadãos do Reich planejam o golpe de Estado. Onde as redes de direita continuam a ser descobertas diariamente, mas o porrete do poder do Estado é brandido contra a esquerda com uma regularidade cansativa; onde uma manifestação memorial para as vítimas do terror racista em Hanau é provocada por policiais armados e com capacete e onde o antifascismo consistente é criminalizado. Muitos Antifas ainda estão atrás das grades. Temos que lutar neste país onde as prefeituras são decoradas com bandeiras de arco-íris, os policiais caminham junto com o CSD (Christopher Street Day, uma espécie de parada gay europeia) e ainda assim a violência anti-queer faz parte da vida cotidiana, onde um homem trans é assassinado simplesmente por ser quem é. Vivemos no país que produz os tanques que o fascista Erdogan usa contra nossos camaradas em Rojava, um país que constrói controles para drones que são usados para assassinar civis e combatentes curdos. Há uma razão para isso, além das grandes fantasias de poder deste fascista. Pessoas que foram justamente celebradas como heróis na luta contra o “IS” e depois traídas pelo governo da FRG e entregues aos militares turcos assim que não pareceram mais úteis. Um militar que nem se coíbe de disparar foguetes contra as pessoas, que esperavam por ajuda nas ruínas do terremoto enquanto essa ajuda era retida por causa dos mais repugnantes jogos de poder político nas fronteiras com a Síria. Ajuda que por muito tempo não veio do Estado, mas de ativistas comprometidos. Apesar disso, essas pessoas incrivelmente corajosas continuam lutando para defender o projeto Rojava, que continua a nos dar esperança de que a flor da revolução e da emancipação sempre encontrará um caminho, mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Nunca devemos perder esta esperança. Não devemos desistir da luta, por mais desesperadora e cansativa que pareça. Temos que seguir em frente e comemorar as pequenas vitórias: por exemplo, os policiais que afundaram na lama de Lützerath, que perderam o controle e nada tiveram para se opor à multidão enérgica e às vezes militante. Este mundo também precisa de resistência aqui, onde o capital parece ser avassalador. Também aqui a nossa luta é necessária e não devemos nos abater ao nos aproximarmos da nossa utopia. Em pequenos passos, com muitos contratempos, mas imparáveis! É por isso que convocamos mais uma vez o Primeiro de Maio anarquista! Invada as ruas da cidade dos milionários conosco! Em 1º de maio de 2023, gritaremos novamente “O sistema é a crise – anarquismo na ofensiva!”

Nosso ponto de encontro é às 16h na estação de metrô “Hagenbecks Tierpark”.

Fonte: https://barrikade.info/article/5791

Tradução > Contrafatual

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Mamonas estalam.
Os cachos da acácia
Parecem imóveis.

Paulo Franchetti

[França] Chamada à ação: Somos todos camaradas de Serge

No momento em que escrevo, nosso camarada Serge está em coma há 15 dias e seu prognóstico ainda é incerto. Gostaríamos de agradecer calorosamente a todos os camaradas cuja rápida intervenção o manteve vivo e àqueles que hoje o tratam da melhor maneira possível. Agradecemos também a todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, se solidarizaram com os feridos e presos do movimento.

Estamos testemunhando, de longe, as várias tentativas de políticos de se aproveitar da situação de Serge. Fazem de nossas lutas um trampolim para fortalecer sua posição no jogo político. E para isso, eles querem que nos comportemos. No entanto, eles sabem muito bem que o Estado e a burguesia, da qual fazem parte, estão determinados a não desistir.

Esta situação não é nova. É global, da França à China, da Colômbia ao Irã. Em todos os lugares, a esperança por migalhas está desaparecendo. Nossas condições de vida estão se deteriorando tão rápido quanto eles estão ficando mais ricos, e onde quer que nos levantemos, nos deparamos com a repressão e a violência do Estado. Dizer que o capitalismo não tem outro horizonte senão a morte, a guerra e a destruição é reconhecer que a solução para acabar com ele está nas lutas contra a nossa exploração, nas irrupções, em nós.

Depois de semanas de luta na França, as direções sindicais e políticas lutam para defender sua estratégia de manutenção da ordem diante de milhões de proletários que deram seu tempo, seus corpos e até suas vidas para vencer. Recusamos a sua derrota programada e por isso, em muitos lugares, surgiram formas de organização que nos permitem tomar a iniciativa e fortalecer a luta, através de assembleias, ocupações, manifestações, greves, bloqueios, sabotagens. O essencial para nós é construir a unidade a partir daqueles que recusam a divisão da luta e que hoje enfrentam o Estado. O que fizeram com Serge, o que fizeram com todos os feridos e encarcerados, não será tolerado.

Conclamamos a continuar as ações para fortalecer o movimento e dedicá-las a todos os feridos e encarcerados daqui e de outros lugares. Numerosos estandartes floresceram nas procissões e nas paredes. Os metrôs carregam os nomes dos feridos. Músicas estão sendo cantadas. As ocupações e sabotagens se multiplicam. Deixe nosso esforço aumentar.

Pedimos também a todos aqueles na França e no mundo que se reconhecem nesta luta que façam da semana de 1º de Maio uma semana intensa de ações contra o Estado e o capital: no trabalho, nas marchas, nas rotatórias, em dedicação a todos nossos camaradas feridos, mortos e encarcerados, aqui e em outros lugares, ontem e hoje, que não podem participar. Não em sentido simbólico ou memorial, mas com o objetivo de iniciar, reiniciar ou continuar as lutas das quais participamos.

Porque poderia ter sido qualquer um, NÓS SOMOS TODOS CAMARADAS DE S!

Vida longa à revolução!

Os camaradas de Serge

Esta declaração apareceu pela primeira vez em Les Camarades Du S

[Se você deseja que eles comuniquem iniciativas locais, ou se alguma assembleia/grupo está pensando em criar ações para a semana de ação e além, envie para s.informations@proton.me.]

Tradução > Contrafatual

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no parque vazio
duas árvores abraçam-se
em prantos de chuva

Eugénia Tabosa

[França] “A violência foi obra das forças da ordem” | Comunicado dos pais de Serge

A ameaça de dissolver um dos coletivos que apelou a se manifestar contra os reservatórios agrícolas de irrigação em 25 de março, é uma nova ilustração do desprezo que este regime expressa para qualquer um que queira obstaculizar a política que fazem a serviço da burguesia.

Trata-se efetivamente de manter a ideia de que milhares de manifestantes presentes em Sainte-Soline seriam crianças sem nenhuma autonomia, presentes ali, sob a influência de alguma força oculta.

Ameaçar em dissolver as estruturas que organizam solidariedade contra a repressão é outro reflexo desse desprezo que consiste em fazer crer que as pessoas são, em princípio, incapazes de se organizar para se defender.

No entanto, é precisamente todo o contrário o que acontece hoje na França.

Em Sainte-Soline, não houve por um lado ” os azuis” e os “negros” e de outro “as famílias”.

As dezenas de milhares de pessoas que participaram nesta manifestação proibida sabiam que os mais ágeis se encontravam no cortejo encarregado de abrir o caminho para o reservatório, e ninguém dissociava entre os “não-violentos” e ” os violentos”, os ” bons” e os “maus”. A cumplicidade entre uns e outros era evidente. Estas dezenas de milhares de pessoas atuaram juntas, cada uma segundo suas possibilidades, contra o modelo capitalista que representam os reservatórios e apesar das ameaças de repressão procedentes do Estado. E todos juntos foram capazes de resistir fisicamente ao braço armado deste Estado.

A violência foi por parte das forças da ordem que apontavam ao conjunto de manifestantes.

Os 200 feridos de Sainte-Soline – entre os quais se encontram nosso filho Serge e Mickaël, os mais gravemente afetados – não são o resultado de uma “má gestão da ordem”, de erros de uns ou outros, ou simplesmente fruto do azar. O responsável por estes 200 feridos é um Estado que tem como único objetivo atualmente é pôr de joelhos qualquer contestação social com o fim de gestionar melhor a exploração do trabalho nos próximos anos frente à crise que vive o capitalismo para perpetuar-se.

A repressão policial e judicial está onipresente e se expande como a miséria sobre o mundo pobre mas não nos deixaremos vencer em um combate contra esta repressão que se espalha por todos os espaços e nossa visão da vida. Já que nosso mundo é também o da luta, e a luta é festa. Festa nos churrascos dos coletes amarelos nas praças, são os gritos e cantos contra a reforma das aposentadorias, é a expressão criativa e colorida que pode haver nas manifestações das mulheres e dos homossexuais, são as greves ou as ocupações nas quais os assalariados se descobrem em seus lugares de trabalho, são os bloqueios de estrada ou de institutos…

Contra a repressão, estes espaços de luta e de festa são testemunhos de que o mundo deve mudar de raiz e que está em nossas mãos e desde agora, o poder consegui-lo.

Não necessitamos nenhuma “figura” ou “partido” que nos leve pela mão para indicar-nos o caminho a seguir.

Manteremos nossa união em um mesmo combate contra as modificações capitalistas do território e nossa solidariedade contra a repressão. Não se mata um movimento declarando dissolvidas algumas estruturas ou proibindo-as.

Dissolução ou proibição não mudarão nada.

E não cederemos às retratações de partidos políticos que buscam ainda seguir falando em nosso nome quando já não representam grande coisa. É em nós mesmos que devemos confiar para repelir os assaltos do Estado policial, assim como a perseguição da extrema direita.

Os pais de Serge,

12 de Abril de 2023

Tradução > Sol de Abril

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tantos outonos
em uma paisagem
chuva nos pinheiros

Alice Ruiz

[Espanha] Obituário: Agustín Torres Ramos

Madrid 1° de fevereiro de 1924 – 30 de janeiro de 2023 Valência)

Quando criança lhe coube sofrer a cruel Guerra na Madrid sitiada pelas bombas. Seu pai, cenetista ferroviário, ia em um trem blindado recolhendo os milicianos feridos na frente. Bem jovem começou a trabalhar de técnico eletricista e se filiou à CNT clandestina em 1943.

Como era muito perigoso atuar na Madrid franquista da repressão e da delação, o Sindicato o envia à Valência com um aval selado pelo Comitê: “O portador da presente é militante deste sindicato e se translada a essa por segurança”. E também lhe constrói uma nova identidade: Felipe Sánchez López, natural de Mondéjar (Cuenca). Que trabalhava de primeiro oficial ajustador da empresa Marconi.

Em Valência entra em contato com os companheiros Francisco Calvillo, Isidro Guardia… e começa de novo sua atuação clandestina. Até que no ano de 1961 é detido – Agustín o atribui a uma delação – e é retido uns dias na tétrica Chefatura Superior de Polícia da rua de Samaniego, de triste lembrança. Finalmente é julgado e enviado ao Cárcere Modelo de Valência, onde conviveu com o guerrilheiro “La Pastora”. Logo consegue a liberdade por uma anistia de Franco e recupera sua militância confederal.

Nós nos conhecemos em 1999, quando apareceu pelo local da Fundação acompanhado por Isidro Guardia. Desde então mantivemos uma relação cordial e participou em quantos atos de afirmação libertária se organizou e quando se requereu sua presença.

Aproveitava qualquer ocasião para mostrar com orgulho seu carnê de filiado ao Sindicato do Metal da Federação Local de Valência da CNT, com data de ingresso de 1943.

No ano de 2004 foi entrevistado para o documentário “Siempre será La Pastora” do realizador francês, de origem espanhola, Ismael Cobo. No ano de 2006 a CGT e a FSS organizaram uma homenagem aos homens e mulheres que participaram na revolução libertária e Agustín Torres foi um dos homenageados. No trabalho de documentação para redigir o livro e documentário “Vencidos“, de Aitor Fernández Pérez, editado no ano de 2013, participou dando seu testemunho. E se pode consultar uma entrevista na web da Diputació de València “Nuestra Memoria. Archivo de historia oral valenciana“.

Agustín era um dos últimos confederais valencianos testemunhos e atores da heroica luta da CNT contra o franquismo. Seus últimos anos necessitou uma cadeira de rodas mas sempre estava animado com uma cabeça ágil e desperta, e não perdia nenhum ato dos organizados pela Fundação. Nos abandona quando lhe faltavam dois dias para completar os 98 anos, mas nos deixa uma grata recordação.

Que a terra lhe seja leve e um abraço fraterno a sua companheira Maribel, seu apoio incondicional durante tantos anos, e a seus filhos Óscar e Ana.

Rafa Maestre

Fundação Salvador Seguí

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/obituario-agustin-torres-ramos/

Tradução > Sol de Abril

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Por aqui passou
uma traça esfomeada:
livro de receitas.

Francisco Handa

Zine “Qual Internacional?” – Entrevista e conversa com Alfredo Cospito desde a prisão

O seguinte texto é composto por uma entrevista-conversa realizada por várixs companheirxs com o anarquista Alfredo Cospito desde a prisão italiana de Ferrara. Foi publicada originalmente em italiano em três partes na revista anárquica Vetriolo nos anos de 2018, 2019 e 2020. Tempos depois da divulgação da entrevista, o Estado italiano lança mão da operação policial denominada Sibilla, sob a acusação de que Cospito e outro companheiro, condenado à prisão domiciliar, promoviam uma associação terrorista e a incitação à delinquência na revista, em especial nesta entrevista.

Enquanto traduzimos este material para o português, Cospito segue em greve de fome desde 20 de outubro de 2022, ou seja, há mais de 170 dias, contra o regime de isolamento carcerário 41bis, com o qual o Estado busca enterrá-lo em uma caixa de concreto e aço. Se os assassinos fardados e de toga buscam silenciá-lo, ecoaremos suas palavras para além dos muros da prisão. Assim, com esta publicação, num pequeno gesto de solidariedade insurrecta, negamos as imagens midiáticas e sensacionalistas (tanto as que buscam atacá-lo quando as que o martirizam), pois elas esvaziam a existência de toda e qualquer pessoa. Contra idealizações, ressaltamos que nosso companheiro é de carne e osso; seu pensamento é vivo e pulsa, ainda que tentem aniquilá-lo.

com fúria,
edições insurrectas.
mata atlântica,
outono de 2023.

>> Baixe aqui o PDF:

https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/files/2023/04/qual-internacional.pdf

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Tens frio nos meus braços
Queres que eu aqueça
O vento

Jeanne Painchaud

[Portugal] Jornal MAPA #37 nas ruas!!!

A luta dos professores abalou a gestão instalada das reivindicações sociais e o Jornal Mapa decide dar-lhes destaque neste número 37, que acaba de sair para as ruas.

Continuamos também a série de testemunhos e histórias do 25 de Abril que nos interessa comemorar, recordando a força inorgânica que quis moldar uma sociedade em que a vida “quase se cumpriu”. Também em destaque continuam as lutas pelo território, das Alagoas Brancas ao Baleal, das populações que combatem a mineração no norte de Portugal às que o fazem na Sérvia ou na fronteira entre o Brasil e a Venezuela – processos cada vez menos “ambientalistas” e cada vez mais estruturalmente críticos. Entre promessas mais ou menos caritativas do Estado, a habitação é outro dos destaques deste número, da voz das periferias que se fez ouvir nas ruas de Lisboa à manifestação pelo direito a ter “Casa para Viver” que se avizinha.

E, numa altura em que Vincenzo Vecchi parece estar cada vez mais perto de uma vida em liberdade, Alfredo Cospito, preso anarquista em greve de fome há mais de quatro meses contra o regime de isolamento máximo chamado 41-bis, denuncia a violação de direitos humanos básicos. Ainda sobre a (não) vida nas prisões, relembramos a dor não resolvida das mães de Danjoy Pontes e Daniel Rodrigues, que viram os seus filhos entrarem vivos na prisão para de lá saírem mortos. Há, ainda, em voz própria, o percurso prisional de um companheiro condenado a uma pena longa. Da fortaleza de onde não se pode sair para a fortaleza onde não se pode entrar, esta edição apresenta também novidades da política fronteiriça da UE que, despudoradamente, transforma a Frontex num centro de emprego e o drama dos migrantes numa oportunidade de negócio. Isto e bastante mais na edição 37 do Jornal MAPA.

Apoia a informação crítica – Assina o Jornal MAPA: https://www.jornalmapa.pt/assinatura-do-jornal/

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sol e margaridas
conversa clara
na janela da sala

Alonso Alvarez

[Espanha] 1º de Maio: Construir Para Vencer

O 1º de Maio, dia internacional da classe trabalhadora, reivindicamos o valor do trabalho e o valor da luta coletiva para melhorar a sociedade desde suas fundações. Este ano, desde a CGT saímos à rua sob o lema “Construir Para Vencer”.

Construir, porque desde a CGT exigimos o reconhecimento de todo tipo de trabalho, tanto o realizado nas empresas em troca de um salário, como o que se faz sem remuneração alguma, geralmente por mulheres, nos serviços de cuidados. Ambos são a única fonte de geração de riqueza e de construção de uma sociedade melhor. Sem esses trabalhos o mundo pararia.

Construir, porque reivindicamos também o valor da luta coletiva para gerar uma sociedade na medida das pessoas e criar alternativas anarcossindicalistas ao capitalismo impiedoso que sofremos. Os avanços sociais se conseguiram com organização e com mobilização, ontem e hoje: desde a greve de La Canadiense na Barcelona de 1919, que conseguiu a jornada laboral de 8 horas em todo o país, até as greves das trabalhadoras de Inditex em 2022 e 2023, que conseguiram aumentos salariais de 25%, passando pelos avanços nos direitos das mulheres, fruto da mobilização do movimento feminista nos últimos anos, avanços que foram consequência desta luta coletiva da classe trabalhadora.

Construir, porque hoje quando os dois sindicatos “institucionais” do Estado espanhol pactuam com o Governo uma nova reforma das pensões, que implica aumentar a idade de aposentadoria, diminuir as quantias recebidas, aumentar o tempo de cotização, e apostar pelos fundos privados de investimento e privatizar, desde CGT reivindicamos um sistema público de pensões, pago com fundos públicos, que elimine a brecha salarial e de gênero entre pensionistas. Por isso temos o dever e a obrigação de trabalhar e confluir com outros coletivos desde a base da ação direta e da solidariedade.

Construir, porque não podemos nos consolar com o crescimento de nossas organizações e com o êxito em maior ou menor medida das mobilizações e conflitos abertos pelas mesmas, mas que devemos buscar alianças para que a pobreza, a desigualdade e a precariedade, estendidas cada vez mais, especialmente entre as mulheres, as pessoas jovens e idosas e imigrantes, sejam combatidas e sejam erradicadas de uma vez por todas.

Construir, porque 2023 deveria ser o ano em que o sindicalismo de classe e combativo, começando por sindicatos implantados em todo o território e todos os setores, como o é a CGT, e continuando por aqueles setores organizados em novas formas de sindicalismo, tais como sindicatos de vendedores ambulantes, sindicatos de cuidadoras, associações de trabalhadoras do lar, as Kellys (camareiras de hotel), sindicatos de bairro, as plataformas pelo direito à moradia, o sindicat de llogateres… etc., demos um primeiro passo para uma confluência ampla disposta a avançar e conquistar direitos sociais e laborais, dispostos a defender as pensões públicas, os serviços públicos como saúde e educação entre outros. Contra o aumento galopante da inflação que deixa salários empobrecidos e contra a sinistralidade laboral que tantas vidas leva por diante.

Porque um ano depois da entrada em vigor da “reforma laboral” do Governo, a situação laboral no Estado espanhol segue sendo dramática para milhares de pessoas, sendo mais necessário que nunca uma frente ampla que lute para exigir a revogação por completo da Reforma Laboral.

Só assim a classe trabalhadora sairá fortalecida ante os ataques do capitalismo. Só unindo nossas forças poderemos reverter o retrocesso em direitos laborais que viemos sofrendo há décadas, porque só construindo poderemos alcançar uma sociedade mais justa, ecológica, solidaria e feminista. Recuperemos as lutas unitárias feministas, sociais, ecológicas, antimilitaristas e sindicais.

POR UM 1º DE Maio DE TODA A classe trabalhadora

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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O vento leva
as folhas e a poeira…
voam as lágrimas

Karen Aniz

[EUA] Encontro Earth First! 2023

Earth First! 2023 O Encontro

1 a 9 de julho

Território Abenaki ocupado (conhecido como Vermont ou New Hampshire)

Localização exata a ser anunciada mais tarde.

Earth First! é, tem sido e continuará a ser um think tank e campo de prova de ação direta em defesa da terra e daqueles que aqui residem. Aos 43 anos, o Earth First! pode parecer uma instituição, mas na realidade ainda é criado todos os dias por aqueles de nós que aparecem para resistir ao ecocídio. Se você aparecer, você está na mesa. Não há como se vender no Earth First!, porque o Earth First! não está à venda.

Então venha para o encontro! Diga sua opinião, torne-a sua, e vamos lutar contra os bastardos juntos. Você não precisa ser um membro para ir ao encontro – a luta pela terra está intimamente entrelaçada com as lutas contra a supremacia branca, o patriarcado, o colonialismo e todas as forças que se opõem à libertação coletiva. Quanto mais trabalhamos juntos e construímos conexões nas interseções da luta, mais forte nossa resistência se torna. Então junte-se a nós em julho para uma semana ao ar livre sob as estrelas, compartilhando habilidades de todos os tipos, tendo discussões e fazendo treinamentos de ação direta, treinamentos de escalada e caminhadas nas florestas. Haverá muito para aprender e compartilhar, mas também deixaremos bons momentos para visitar, relaxar, explorar e se divertir. Vejo você lá!

– Os organizadores do Encontro Earth First! 2023

E-mail: 2023earthfirstsummergathering@riseup.net

Site: https://earthfirstjournal.news/

Doe para apoiar os custos de viagem de amigos queer, trans e BIPOC: https://givebutter.com/earthfirsttravelfund

Tradução > Contrafatual

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Na esquina sumindo
os homens. Logo outros homens
sumindo. Na esquina…

Alexei Bueno

[México] Nem Condenados, Nem Perseguidos: Chamado à Ação em Solidariedade a Miguel Peralta

Comunicado do grupo de apoio a Miguel Peralta apelando a ações de solidariedade para a revogação da sua pena de cinquenta anos de prisão.

Meio século é o que o Estado e o Poder Judiciário procuram tirar da vida de nosso companheiro Miguel Peralta Betanzos, indígena mazateca de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca. O Estado busca sua prisão para criminalizar sua luta pela autodeterminação contra os chefes políticos locais que esmagaram essa comunidade indígena por meio da dominação enraizada em partidos políticos, cargos governamentais e expropriação de recursos comunitários.

As acusações contra Miguel Peralta derivam de um conflito sócio-político no município indígena de Eloxochitlán de Flores Magón. Miguel é acusado de dois crimes forjados contra ele. Por esses crimes, ele foi condenado a cinquenta anos e preso por quase cinco anos. Em outubro de 2019, após um processo judicial árduo e demorado, ficou provado que não há provas para condená-lo e foi-lhe concedida a liberdade. Pelo mesmo conflito, há oito anos e quatro meses, seis companheiros da comunidade permanecem presos sem condenação e outros quatorze da comunidade estão sendo perseguidos.

Em 4 de março de 2022, o Tribunal Superior do Estado de Oaxaca revogou a liberdade de Miguel Peralta, emitindo um mandado de prisão contra ele e impondo novamente uma sentença de cinquenta anos. Contra esta condenação e perseguição política, apelamos a todos à mobilização no âmbito do “Nem condenados, nem perseguidos. Ações pela liberdade” para exigir que a juíza Elizabeth Franco Cervantes resolva o recurso interposto por Los Otros Abogadoz (equipe de defesa solidária de Miguel) com uma sentença de liberdade. Exigimos que o juiz o faça dentro do prazo legal de que dispõe para resolver o recurso. Ou seja, até o mês de junho.

Algumas formas pelas quais as pessoas podem expressar sua solidariedade de acordo com suas geografias, espaços e formas específicas são: juntar a demanda pela liberdade de Miguel com cartas dirigidas ao juiz encarregado de resolver o recurso; protestos em embaixadas mexicanas ou outros escritórios governamentais; faixas; encontros para divulgar a situação legal; atividades político-culturais; vídeos ou fotos; obra de arte; ou qualquer outra ação que você possa imaginar. Conclamamos a população a exigir a liberdade de Miguel Peralta e o fim da contínua perseguição que está sofrendo por parte da família cacique-partidária de Eloxochitlán, em conluio com o partido político que atualmente detém o poder estadual e federal.

Pedimos que você compartilhe suas ações conosco no seguinte e-mail: yalibreselox@riseup.net

Facebook: Libres Ya

Twitter: @ya_libres_elox

A quantidade de anos em sua sentença reflete a crueldade da perseguição contra aqueles que lutam, enchendo-nos de raiva e coragem para não desistir! Fim da perseguição política! Abaixo todas as paredes da prisão! Liberte os prisioneiros! Queremos eles nas ruas! #LibresYa

Grupo em Solidariedade com Miguel Peralta Betanzos

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Até os pernilongos
Vão ficando silenciosos –
Como os anos passam…

Paulo Franchetti

Vídeo | Floresta na Guiana Francesa: Matamos o silêncio

O que é a sobrevivência da floresta amazônica e dos Kali’Nas, frente as necessidades de eletricidade da Guiana?

Desde 2020, Prospérité (Prosperidade), uma vila indígena na Guiana Francesa, luta contra o desmatamento e a construção de uma central elétrica no Oeste da Guiana (CEOG). Este projeto ameaça 140 hectares de floresta amazônica, situada na sua zona de caça a menos de 2 Km da vila. Thomas Brail, fundador do Grupo Nacional de Vigilância das Árvores (GNSA) vem da metrópole (França) especialmente para ajudá-los no seu combate.

Neste novo longa-metragem de Blast, Clarisse Feletin nos leva a questionar sobre esses novos projetos “ecológicos” que se desenvolvem hoje provocando a destruição de espécies protegidas, árvores ameaçadas de extinção e de maneira geral, todo um ecossistema. Verdadeira reserva de carbono que tem efeitos maiores sobre a temperatura e as chuvas para lutar contra o aquecimento global.

>> Veja o vídeo (24:41) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=g8VFbXbwXXM

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Por entre a neblina
Subindo a Serra Vernal
Bisbilhota a Lua.

Mary Leiko Fukai Terada

[Reino Unido] Nova edição da “Black Flag Anarchist Review”

Há uma nova edição da Black Flag Anarchist Review! Como sempre, está repleto de jóias anarquistas históricas: peças recém-traduzidas, artigos raros, reimpressões e ensaios originais que se aprofundam no passado anarquista, discutem sua relevância contemporânea e muito mais. Este tesouro do movimento existe desde 1968, e sua mais nova encarnação é ainda maior e mais fascinante do que nunca. Ah, e nós mencionamos que você pode baixar o PDF gratuitamente? Para esta edição de 150 páginas e acesso às edições anteriores, visite https://www.blackflag.org.uk/

– Black Flag Anarchist Review | Volume 3 | Número 1 (Primavera de 2023)

  1. Anarquismo e Greve Geral
  2. O Congresso de Londres de 1881
  3. O Julgamento de Lyon
  4. A manifestação de desempregados de 9 de março de 1883, um instantâneo do anarquismo no início da década de 1880
  5. Albert Camus e os anarquistas
  6. Lições para Anarquistas Sobre a Guerra da Ucrânia de Revoluções Passadas
  7. Anarquismo e movimentos sociais no Brasil (1903-2013)
  8. Brian Biggins
  9. Avisos Paroquiais
  10. Apelação de 1º de maio de 1896
  11. Declaração dos Anarquistas Acusados perante o Tribunal Penal de Lyon

Tradução > Contrafatual

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árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

[Itália] Cospito encerra greve de fome

“Era 20 de outubro de 2022 quando Alfredo Cospito, durante a primeira audiência em que ele tinha o direito de participar após sua transferência para 41 bis em 4 de maio de 2022, declarou que queria iniciar uma greve de fome. As razões para o protesto residiam nas duras críticas do anarquista contra o regime de 41 bis e a prisão perpétua.

A partir de então já se passaram 181 dias, nos quais Cospito, com seu corpo cada vez mais magro, revelou o que significa concretamente o regime prisional especial: privações ilógicas impostas axs presxs, limitações severas sem uma finalidade legítima, privação sensorial, um ambiente Orwelliano em que se é constantemente observado e ouvido por câmeras e microfones.

E, novamente, impossibilitado de ler, estudar e evoluir culturalmente, de receber livros e revistas de fora, mesmo quando enviados por editoras; presxs idosxs que há décadas são impedidxs de abraçar, se quer tocar a mão, de filhxs, companheirxs, irmãxs…

Graças a mobilização de Cospito e as realizadas pelo diverso mundo da militância política extra-parlamentar, o movimento anarquista, intelectuais em apoio aos motivos do protesto, à imprensa que permitiu a veiculação desses argumentos incômodos até as casas das pessoas, milhões de apoiadorxs, incluindo especialmente as novas gerações, que entenderam a incompatibilidade de 41 bis com os princípios da humanidade da sentença e, portanto, com a constituição nascida da luta antifascista. Por conta do chamado caso Cospito, o 41 bis é cada vez menos tolerado por uma opinião pública, que nos últimos meses foi chamada a assumir um papel ativo que superasse e banisse a indiferença em relação axs outrxs.

Todavia, a esse resultado imediato devemos agregar outro: a declaração de admissibilidade e consequente registro do recurso proposto pela advogada Antonella Mascia, de Estrasburgo, pelo escrivão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, tendo como assunto central justamente o regime penitenciário diferenciado previsto no artigo 41 bis.

O recurso, no qual foram explicitadas as graves violações à Convenção Europeia de Direitos Humanos, será avaliado dentro de dois ou três anos (como são os tempos de uma decisão) e podem representar o golpe jurídico que proibirá a ferramenta desumana de 41 bis, assim como aconteceu no caso da prisão perpétua.

Por fim, mas não menos importante, a vitória objetiva alcançada com a decisão de ontem, 18 de abril de 2023, no Tribunal Constitucional que, pelo comunicado de imprensa divulgado, não apenas decidiu sobre o destino do anarquista, mas também fez uma declaração de inconstitucionalidade da prevalência de todos os atenuantes, a respeito da reincidência, para os delitos cuja penalidade seja fixa e contempla apenas a prisão perpétua.

Pode-se dizer que a luta enfrentada por Cospito alcançou os objetivos estabelecidos. O tempo de espera da decisão da CEDH, diferentemente dos muito mais breves referentes aos da Consulta, não são de fato compatíveis com a greve de fome, pois a decisão de Estrasburgo deve ser esperada com atenção. Portanto, Alfredo Cospito, após 180 dias de greve de fome e depois de expor sua vida ao risco de morte, de perder 50 kg e de ter comprometido irreparavelmente sua função motora devido a irreversível deterioração do sistema nervoso periférico, hoje, 19 de abril de 2023, decidiu encerrar a greve de fome.

Assim, ele agradece a todxs aquelxs que tornaram possível essa forma tenaz e incomum de protesto”.

Flavio Rossi Albertini,
advogado de Alfredo Cospito
19 de abril de 2023.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/04/19/cospito-encerra-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde.

Alaor Chaves

[Itália] Aplicação de prisão perpétua contra o companheiro Alfredo Cospito é considerada é ilegal

Ontem, 18 de abril de 2023, ocorreu a audiência do Tribunal Constitucional de Roma sobre a legalidade ou não da acusação de “massacre político” (art. 285) contra xs companheirxs Anna Beniamino e Alfredo Cospito, no marco do processo Scripta Manent, que investiga a colocação de bombas na escola dos Carabinieri em 2006. Mesmo não tendo causado nenhuma vítima, o Estado tenta justificar a aplicação do crime de “massacre político”, ou seja, que teriam colocado a segurança do Estado em risco. Com essa acusação, a única pena prevista seria a de prisão perpétua sem possibilidade de redução.

O tribunal considerou essa norma inconstitucional e, com isso, abriu a possibilidade de redução da pena de nossxs companheirxs. Para além disso, o comunicado difundido para a imprensa levanta dúvidas sobre a constitucionalidade a respeito de todos os casos nos quais a única pena prevista é a perpétua.

Lembramos que Cospito está em greve de fome desde 20 de outubro de 2023 contra o 41 bis e esse tipo de prisão. Devido ao longo tempo sem alimentação, apresenta sequelas no sistema nervoso periférico: perdeu a sensibilidade de um dos pés, está com diminuição no outro e em uma das mãos. Além disso, já perdeu 50 kg durante os mais de 170 dias de mobilização. Como nosso companheiro já reiterou várias vezes, essa não é uma luta individual, apenas por si. É um enfrentamento ao sistema penal e as prisões, é uma luta solidária também com todxs, em especial axs presxs anarquistas e subversivxs.

O breve sorriso que a notícia sobre a derrubada da prisão perpétua nos traz não retira a fúria que sentimos em relação à situação. Não temos nenhuma confiança no Estado e nas outras instituições. Não queremos uma prisão mais justa, queremos a abolição do sistema penal e das polícias. Também sabemos que sem a greve de fome e as ações solidárias que se espalharam pelo planeta a situação teria sido muito pior.

O Estado e o capitalismo tentam sufocar toda e qualquer força insurrecional que os enfrente cara-a-cara, não apenas com palavras. Como disseram compas no marco das mobilizações, “está ocorrendo uma vingança de Estado contra Cospito. Uma vingança que pretende ser um aviso para qualquer pessoa que siga agindo, combatendo com ações e não apenas com palavras, a atual ordem social. Aviso este que o movimento anarquista tem sabido responder ao remetente de forma determinada e consciente”.

Hoje, dia 19 de abril, o advogado visitará nosso companheiro. Esperamos as próximas horas para saber quais decisões serão tomadas por ele.

SEGUIMOS ATENTXS E EM LUTA!

LIBERDADE PARA ANNA BENIAMINO, ALFREDO COSPITO, JUAN SORROCHE  E TODXS XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL!

NINGUÉM FICA PARA TRÁS!

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/04/19/aplicacao-de-prisao-perpetua-contra-o-companheiro-alfredo-cospito-e-considerada-ilegal/

agência de notícias anarquistas-ana

se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

[Chile] 1º de Maio Anarquista Contra o Capital, sua Democracia e sua Repressão

Em Santiago, Valle Central, território dominado pelo Estado chileno.

1º de Maio Anarquista contra o Capital, sua Democracia e sua Repressão.

No ano de 1886 em Chicago, Estados Unidos, 8 compas anarquistas são perseguidos, presos e assassinados pelo Estado após uma manifestação onde se exigia uma jornada laboral de 8 horas. Hoje reivindicamos sua luta e a fazemos nossa! Porque só na rua, organizados e levantando as vozes nascem as conquistas do povo, nada virá desde o poder.

Este novo 1º de Maio, dia histórico da causa anárquica, reivindicamos uma vez mais nossa luta cotidiana contra o Estado, o patriarcado, o capital, o sistema escolar, o racismo, a devastação da terra, a exploração e toda opressão.

Fazemos o chamado a estarem organizados, sempre em antagonismo ao poder, autoeducarnos e nos autoformarmos em coletivo e na afinidade, fortalecer os espaços comunitários e antiautoritários onde o laço que nos una seja o apoio mútuo, a solidariedade, o compromisso e a autogestão.

Na rua sem permissão eu me educo e me organizo“.

Presos e presas Anarkistas à rua!

Os desprezo; desprezo vossa ordem, vossas leis, vossa força, vossa autoridade! Enforcai-me!” – Extrato do discurso do anarquista Louis Lingg antes de ser executado na forca, 1886.

agência de notícias anarquistas-ana

sossego acaba –
chegou a pamonha
de Piracicaba

Carlos Seabra

[Áustria] Ecotopia Biketour 2023: Temos Rota!

Yuhuuuu!

Temos uma rota aproximada!

A turnê começará a preparar sua partida na última semana de junho no vilarejo de Welten, na Áustria.

Visitaremos então a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs em Ljubliana (Eslovênia) e depois seguiremos em direção à Romênia, passando pela Croácia e Sérvia. Na Romênia iremos visitar vários projetos, terminando a digressão em Bucareste.

Nas primeiras 4 semanas do passeio, estaremos convidando todas as pessoas QINTAW (queer, inter, não-binárie, trans, agênere e mulheres) e convidaremos os homens endo-cis-hetero a se juntarem a partir da 5ª semana do biketour.

Estamos super animados para andar de bicicleta na Europa Oriental. E continuamos de olhos abertos para projetos, então se você souber de alguma coisa, envie-nos uma mensagem para 2023@ecotopiabiketour.net

Ecotopia Biketour é uma comunidade internacional auto-organizada que desde 1990 organiza um passeio anual de bicicleta em diferentes regiões da Europa. Durante o passeio visitamos projetos ambientais e sociais e praticamos formas de ativismo e vida sustentável. Cozinhamos comida vegana comunitária, praticamos a tomada de decisões por consenso e compartilhamos habilidades por meio de workshops. Um de nossos valores fundamentais é criar um ambiente não discriminatório. Os participantes são convidados a dar uma contribuição voluntária de 3 a 5 € por dia para cobrir os custos de alimentação, mas se você não puder pagar, você pode participar gratuitamente! Ecotopia Biketour é para qualquer pessoa interessada em viajar de bicicleta, vida em comunidade, DIY, um estilo de vida ecológico e/ou aprender pela experiência. Se isso soa bem para você, sinta-se à vontade para se juntar a nós!

Tentamos tornar o passeio o mais inclusivo possível para qualquer nível de condicionamento físico ou experiência com passeios de bicicleta. Pedalamos no máximo 30 a 70 km por dia (dependendo das colinas) e, em média, metade dos dias ficamos em um local sem pedalar. Nossa experiência é que quase todo mundo consegue fazer isso, mas existe a possibilidade de encurtar as distâncias se descobrirmos que é demais. As pessoas andam de bicicleta em pequenos grupos ou sozinhas, na velocidade que lhes convém, e muitas pessoas gostam de ir devagar e fazer muitas pausas. Um plano de rota detalhado para o dia é compartilhado pela manhã, setas são desenhadas com giz na estrada a cada curva e, se você se perder, pode sempre ligar para o telefone Biketour. Se você tem uma bicicleta ruim, não será o único e gostamos de nos apoiar se algo quebrar. Garantimos que os últimos a sair levem uma caixa de ferramentas, um telefone e um kit de primeiros socorros para ajudar caso algo dê errado na estrada.

www.ecotopiabiketour.net

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

O dia já tarde
festeja a alegria
nas bolhas do guaraná

Winston

[EUA] Chamada para eventos e ações solidárias para homenagear o aniversário de Tortuguita

A Weelaunee Defense Society está convocando eventos e ações solidárias para homenagear o aniversário de Tortuguita. Tortuguita era ativista do Stop Cop City que a polícia assassinou na Floresta Weelaunee em 18 de janeiro.

A destruição da floresta Weelaunee começou oficialmente. Centenas de árvores foram cortadas na semana passada para serem substituídas por centenas de policiais e dezenas de equipamentos de construção preparando a Cop City. Eles acusaram nossos amigos e familiares de terrorismo doméstico, atacaram um festival de música para todas as idades, destruíram casas nas árvores e acampamentos, atiraram em nós com gás de pimenta e ignoraram sistematicamente as vozes dos residentes locais. Assassinaram Tortuguita enquanto estava com as mãos para cima.

E, no entanto, nosso movimento nunca foi tão forte. Dezenas de milhares de pessoas em todo o país começaram a se mobilizar para Parar Cop City, desafiando a supremacia branca e lutando por um futuro compartilhado. Vimos cada reunião comunitária, ação direta, petição, conferência de imprensa, concerto, festa dançante, piquete, semana de ação e marcha expandir e fortalecer o apoio a este movimento. A pressão está funcionando e Cop City perdeu toda a legitimidade aos olhos das pessoas comuns: os membros do conselho estão se demitindo da Atlanta Police Foundation e dos comitês consultivos do prefeito enquanto novos escândalos e violações éticas continuam surgindo. O prefeito Dickens e a APF acham que podem avançar na construção antes que sua frágil coalizão desmorone completamente. Vamos provar que eles estão errados.

22 de abril é o Dia da Terra. No dia seguinte, 23 de abril, é a festa de aniversário de Tortuguita. Convocamos todos vocês para celebrar a Terra e honrar a memória de Tortuguita lutando conosco em uma nova frente: as empresas que sustentam a construção de Cop City. Atualmente, a Scottsdale Insurance e sua empresa-mãe, Nationwide, estão fornecendo seguros cruciais para a Atlanta Police Foundation em seu projeto de construção. Se eles revogassem sua cobertura, todo o trabalho seria interrompido imediatamente até que a APF encontrasse outra seguradora. A Nationwide Insurance tem muitos clientes grandes, e a APF é apenas uma pequena fração de seus negócios. Se os custos políticos de segurar a Atlanta Police Foundation começarem a superar os lucros nominais que a Nationwide obtém neste contrato, eles abandonarão Cop City.

• Na sexta-feira, 21 de abril, organize um protesto contra a Scottsdale Insurance e os escritórios da Nationwide e participe de campanhas de convocação. Exija que eles rompam o contrato (#CutTheContract).
• No sábado, 22 de abril, junte-se aos eventos do Dia da Terra com um banner Stop Cop City/Defend Atlanta e uma mesa com materiais de movimento (https://defendtheatlantaforest.org/library/). Compartilhe as informações sobre as acusações de terrorismo doméstico e a necessidade de solidariedade. Converse com as pessoas e compartilhe fotos dos eventos com as hashtags #stopcopcity e #defendatlantaforest.
• No domingo, 23 de abril, organize as comemorações do aniversário, da vida e dos compromissos de Tortuguita. Como sua mãe, Belkis Teran, disse, a floresta de Weelaunee “lhe deu paz. Elu meditava lá”. Aproveite essa paz e senso de conexão para completar juntos a promessa de Stop Cop City. Tortuguita tinha compromisso com a ajuda mútua em Weelaunee e além, então junte-se e lance iniciativas de ajuda mútua para honrar e estender sua memória.

Ligue para seus amigos e vizinhos, pegue seus banners e placas, seus potes e panelas, seus megafones e alto-falantes bluetooth e vá para onde quer que as seguradoras que apoiam Cop City possam ser encontradas. Deixe-os saber que a Atlanta Police Foundation e seu contratante, Brasfield & Gorrie, não são apenas mais um cliente, mas uma catástrofe moral e política. Deixe-os saber que estão apoiando a destruição de uma floresta e a construção de um complexo militar dentro de uma comunidade, sem consentimento. Deixe-os saber que, se eles acreditam que as vidas negras importam, que a Terra é nosso lar e precisa de nosso cuidado e proteção, que as árvores são a fonte do ar que respiram enquanto estão sentados em suas mesas, eles devem cancelar este contrato. Se eles querem garantir um futuro para a humanidade, não devem fazer seguro para os empreiteiros de Cop City.
 
Cop City nunca será construída!
 
-Weelaunee Sociedade de Defesa

www.stopcopcitysolidarity.org

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

gota de chuva
escorre na parreira
pára na uva

Carlos Seabra