[Espanha] Lançamento HQ: “Vientos de libertad”, de Philippe Thirault e Roberto Zaghi

Descubra  Nestor Makhno, figura emblemática da revolução ucraniana. Ucrânia, princípios do século XX. Nascido em uma família camponesa muito pobre e adotado por uma família burguesa, o jovem Nestor Makhno não encontra seu lugar em um mundo impiedoso e dominado pelos ricos. Esta é a história de ficção do maior anarquista ucraniano que, desafiando os bolcheviques e os alemães, viveu meio século de revoltas e revoluções.

Uma edição integral que inclui os dois volumes que narram a história deste herói ucraniano.

Vientos de libertad 

Philippe Thirault, Roberto Zaghi

Número de páginas: 136

Dimensões: 315 cm × 235 cm × 0 cm

ISBN: 978-84-124994-8-3

Preço: 34,95€

www.akiracomics.com

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante

Winston

[Espanha] Naufrágios morais

Enquanto alguns mal nascidos seguem pedindo mão dura contra a imigração, mortes que poderiam evitar-se seguem acontecendo. As mais chamativas, as ocorridas recentemente no mar Jônico sem que se saiba exatamente o número de falecidos em um barco que transportava centenas de pessoas. O desejo das autoridades europeias de evitar que os migrantes cheguem a suas costas foi mais forte que qualquer intenção de assistência humanitária. Nada surpreendente, já que é o que ocorre ativa ou passivamente de modo permanente, mas desta vez a catástrofe teve certas proporções e invadiu os meios de comunicação generalistas. Está mais que claro que a velha e mesquinha Europa, com sua maldita união de poderes políticos e privilégios econômicos, não deseja em absoluto pôr os meios para que as pessoas que migram viajem e solicitem asilo em condições dignas. Sim, é certo que nem todos os governos parecem a priori da mesma laia, que os mais conservadores são os que abertamente mantem um discurso de rechaço à imigração; na prática, a União Europeia em seu conjunto faz pouco ou nada quando os direitos humanos mais elementares são transgredidos, uma divisão de papéis entre governos que recorda aquele de “poli bueno poli malo” para ao final levar a cabo o mesmo objetivo.

As versões oficiais sobre as recentes mortes no Jônico, como não pode ser de outra maneira, são questionadas. Os guarda costas gregos asseguram que se aproximaram do barco de migrantes para prestar ajuda, mas desde a nave lhes disseram que não queriam resgate algum e que seu objetivo era chegar à Itália. No entanto, os sobreviventes negam esta versão e asseguram que não se negaram a serem rebocados à costa grega. Outra versão mantem que um barco se aproximou ao bote com centenas de pessoas migrantes para atar duas cordas com a intenção de rebocá-lo; as más condições da nave fez com que se avariasse o motor e alguns sobreviventes afirmam que as tentativas de arrastá-la, alguns testemunhos dizem que tentando levá-la à costa italiana, provocou finalmente que se desestabilizasse. Diversos ativistas e ONGs pediram uma investigação exaustiva sobre os guarda costas gregos e sobre o Frontex, o exército europeu de fronteiras, que também estava a par dos problemas do barco. Veremos como fica a coisa, mas são já muitos episódios em que a política migratória da Europa, com uns ou outros protagonistas, provocam mortes perfeitamente evitáveis; enquanto, já se deteve várias pessoas do barco como possíveis traficantes de pessoas e sem provas claras.

De fato, o governo reacionário da Grécia está há muito tempo efetuando devoluções ao mar de pessoas em busca de refúgio; o Estado grego pode adotar o papel de poli malo, mas o resto da Europa olha para o ouro lado. Segundo cifras de ACNUR, Alto Comissionado das Nações Unidas, 325 pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo Oriental, o mesmo lugar do Naufrágio de alguns escassos dias, este ano terá superado seguramente a cifra ao falar até mais de 500 desaparecidos. Os meios de comunicação generalistas, para consumo das massas, encobrem estas mortes evitáveis, ou diretamente assassinatos, com a palavra “tragédia”, eufemismo que evoca alguma sorte de incidente sem culpados. A realidade é que a causa não é nada incidental, enquanto que a culpada tem um nome claro: a velha e mesquinha Europa, com seu férreo controle migratório, usando a polis malos como o governo grego ou assinalando difusos traficantes de pessoas. Claro, estamos falando de mortos de terceira categoria e já estamos habituados a ver “tragédias” em nossos repulsivos meios de comunicação generalistas ante as quais só mostramos um (muito) passageiro estremecimento. Nos empenharemos em assinalar, uma vez ou outra, a culpada de tantos crimes, que é a política migratória da velha e mesquinha Europa.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/Naufrágios-morais/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A bola baila
o gato nem olha
salta e agarra

Eugénia Tabosa

Cartilha | 10 anos do Levante Popular de Junho de 2013

Há exatos dez anos ocorre a maior manifestação realizada no Brasil. Mais de um milhão de pessoas participaram de manifestações simultâneas em 388 cidades em 22 estados.

Em comemoração ao maior levante popular dos últimos 100 anos, a União Popular Anarquista e a editora Terra Sem Amos publicam esse compilado de materiais escritos por anarquistas revolucionários que estiveram na articulação de pobres e excluidos, nas barricadas, no enfrentamento.

Esperamos que esse compilado de escritos possam ajudar na compreensão deste fenômeno social, combater as narrativas do reformismo degenerado e da direita conservadora sobre o levante, bem como auxiliar as novas gerações de revolucionárias e revolucionários a sair do “realismo político” imposto pela direita, pelos reformismos e que possamos ter novos horizontes de luta e de vida.

>> Clique para acessar o para as barricadas em pdf aqui:

https://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2023/06/para-as-barricadas-1.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

para quem haicais?
para mim, para o que faz
para o menos mais

Bith

O anarquista e ativista anti-guerra Alexey Rozhkov contou como foi levado do Quirguistão para a Rússia

Em 29 de maio, o ativista anti-guerra Alexey Rozhkov, que fugiu da Rússia para o Quirguistão, estendeu seu registro temporário em seu país anfitrião. E logo no dia seguinte, de manhã cedo, as forças de segurança invadiram sua casa. Em 7 de junho, o advogado Kamil Isabekov visitou Alexey Rozhkov em um centro de detenção temporário nos subúrbios de Yekaterinburg (a maior cidade dos Urais) para descobrir as circunstâncias de sua transferência para a Rússia. A iniciativa de direitos humanos anti-guerra Solidarity Zone escreveu sobre isso.

Alexey Rozhkov:

“Fui detido no início da manhã em um apartamento temporário alugado por um grande número de agentes, cinco a sete. Todo o meu equipamento técnico foi levado imediatamente. Eles me disseram para levar todas as minhas coisas comigo, mas não deixaram me embalar adequadamente. Eles me trouxeram para o departamento [GKNB – Comitê Estadual de Segurança Nacional do Quirguistão]. Nas salas vizinhas, os gritos de pessoas que estavam sendo torturadas eram ouvidos com frequência e continuamente. Fui ameaçado de tortura se não cooperasse.

Minha detenção ocorreu na manhã seguinte depois que renovei meu registro, então duvido que seja uma coincidência. Contei a eles como renovei meu registro e depois fui levado ao aeroporto. [Durante o vôo, Rozhkov foi acompanhado por dois oficiais dos serviços secretos do Quirguistão à paisana.] Na chegada [na Rússia], fui recebido pelo FSB, saco na cabeça, choque, tudo estava como de costume”.

Alexey Rozhkov é um anarquista, ele se tornou o terceiro na Rússia a incendiar o escritório de alistamento militar após a invasão em grande escala do exército russo na Ucrânia. Ele foi detido e acusado de “tentativa de homicídio” – supostamente havia uma vigia no prédio do cartório de registro e alistamento militar. No entanto, seis meses depois, o artigo foi reclassificado como “dano à propriedade” e Rozhkov foi libertado do centro de detenção provisória. Tendo como pano de fundo as declarações das autoridades de que o incêndio criminoso de cartórios de registro e alistamento militar deveria ser qualificado como “ato terrorista”, Rozhkov deixou a Rússia.

Após a fuga, em entrevista ao DOXA, Rozhkov explicou o motivo de seu ato: “Acabei de entender que não se pode ficar indiferente. O que está acontecendo agora é ilegítimo, é ilegal. Qualquer guerra é a morte para o cidadão comum. […] Eu queria fazer algum tipo de apelo para que as pessoas começassem a lutar contra esta guerra, queria influenciar a situação, fazer algo para parar tudo isso ou pelo menos enfraquecer [as tropas russas]”.

Depois que as forças de segurança trouxeram Rozhkov para a Rússia, um tribunal nos subúrbios de Yekaterinburg retomou o julgamento de seu caso. No dia 6 de junho, em reunião, o procurador solicitou que o processo fosse devolvido para investigações adicionais. A próxima audiência está marcada para 14 de junho.

A Solidarity Zone observa uma tendência de reclassificar tais casos sob o artigo de um “ato terrorista”, e teme que tal mudança afete o caso de Alexey Rozhkov. Portanto, a Solidarity Zone pede a máxima publicidade desta situação. As pessoas não devem ser entregues ao regime criminoso de Putin, e os incêndios anti-guerra não devem ser qualificados como ataques terroristas. No final, nem um nem outro corresponde às normas internacionais e às leis russas.

Agora Alexey Rozhkov está detido no SIZO-1 em Yekaterinburg, e cartas podem ser escritas para ele.

Endereço para cartas: 620019, Russia, Yekaterinburg, Repina street, 4, SIZO-1, Rozhkov Alexey Igorevich, born in 1997. Você pode enviar mensagens para Alexey para o e-mail solidary_zone@riseup.net, a Solidarity Zone as enviará para ele.

Fonte: https://avtonom.org/en/news/anarchist-and-anti-war-activist-alexey-rozhkov-told-how-he-was-taken-kyrgyzstan-russia

Tradução > Contrafatual

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Por entre a neblina
Subindo a Serra Vernal
Bisbilhota a Lua.

Mary Leiko Fukai Terada

[Alemanha] O veredito chegou: solidariedade com Lina e todos os outros antifascistas!

Lina e os seus co-acusados foram condenados. Hoje (31/05), em Dresden, foram considerados culpados de formar uma organização criminosa e de levar a cabo vários ataques organizados contra fascistas na Saxônia e na Turíngia. Lina foi condenada a uma pesada pena de prisão de mais de cinco anos, por ser a alegada líder da organização. Diz-se também que os seus alegados camaradas de armas irão para a prisão durante vários anos.

Assim, os antifascistas foram condenados porque se diz que se tornaram ativos contra os fascistas, que dominam grandes áreas na Saxônia e aí construíram uma hegemonia violenta. Os fascistas, que este Estado protege constantemente e a cujas ações fecham os olhos.

O veredito foi precedido de uma agitação midiática e política sem paralelo em todos os canais. Lina e os seus camaradas de armas foram apresentados como terroristas e foi levantado o sentimento contra uma nova “RAF”. Para nós, é evidente que o Estado não determina os meios na luta antifascista. Para nos defendermos contra os fascistas, muitos meios são eficazes e todos eles são legítimos. Por conseguinte, manifestamos a nossa solidariedade inabalável para com todos aqueles que foram condenados neste processo. Os nossos pensamentos estão hoje convosco e com os vossos camaradas.

O problema é a justiça de classe.

O veredito faz parte de uma onda de repressão que o Estado alemão tem desenvolvido nos últimos anos. As leis policiais e de reunião estão a ser reforçadas em todos os estados federais. Os instrumentos de repressão existentes, como o artigo 129º, são cada vez mais utilizados, seja contra comunistas turcos, ativistas curdos, antifascistas ou, mais recentemente, contra a última geração. Há anos que não há tantos esquerdistas revolucionários nas prisões alemãs.

As razões para isso não são apenas ideologias reacionárias e pessoal das agências de segurança. Inúmeras revelações sobre redes de direita na polícia, nos serviços secretos e nas forças armadas alemãs mostraram que elas existem. Tudo isto tem de ser levado a sério.

Mas o problema é muito mais profundo. O Estado e as suas autoridades existem essencialmente para um objetivo: proteger o sistema social vigente. Foi para isso que foram criados. O Gabinete para a Proteção da Constituição deve reconhecer uma possível resistência numa fase inicial. A polícia deve combatê-la nas ruas e perseguir os ativistas. E o poder judicial deve garantir, através de sentenças, que em breve ninguém se atreverá a defender-se. Os movimentos sociais resistentes têm de ser arrancados pelos dentes e as estruturas revolucionárias têm de ser esmagadas. Perante o agravamento das crises sociais, o recrudescimento das diversas lutas sociais e o aumento progressivo da organização revolucionária, o Estado persegue este objetivo com uma severidade crescente.

Por isso, um processo “justo” nunca deveria existir e não pode existir de todo. O que ele julgou foi o sistema de justiça de classe alemão, que não pode aceitar que as pessoas se unam para se defenderem contra os fascistas de forma organizada, fora do quadro das leis do Estado. No final, a lei que prevalece continua a ser a lei dos governantes.

A solidariedade é a nossa arma, a construção de um movimento de massas antifascista é o nosso objetivo.

Em vez de apelarmos ao Estado de direito, temos de reconhecer que só a nossa própria resistência à repressão pode impedir ou, pelo menos, atenuar os seus efeitos. Só podemos confiar em nós próprios e a nossa solidariedade é a nossa arma mais poderosa. É positivo que esta solidariedade esteja agora a ser levada para as ruas de muitas cidades.

Esta solidariedade será também importante nos próximos meses. Angariar donativos, organizar o público e sensibilizar para a repressão nas nossas próprias cidades e estruturas.

Mas também é evidente que o movimento antifascista ainda é demasiado fraco para organizar formas de solidariedade mais eficazes. Para isso, temos de sair dos limites da cena política. É necessário um movimento antifascista muito mais alargado que una várias formas de resistência antifascista a todos os níveis da sociedade – rua, trabalho, bairro, universidade, escola, lazer – em solidariedade uns com os outros. Hoje temos de trabalhar mais para construir este movimento.

Liberdade para Lina e todos os outros. Abaixo a justiça de classe. Por um movimento de massas antifascista!

Die Plattform

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/08/alemanha-dresden-antifascista-lina-e-condenada-a-mais-de-cinco-anos-de-prisao/

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Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[Reino Unido] Parada do Orgulho de Sheffield proíbe polícia

A Sheffield Radical Pride anunciou uma marcha do Orgulho pelo centro da cidade de Sheffield no dia 22 de julho, o mesmo fim de semana em que 100.000 pessoas se reunirão na cidade para o festival Tramlines.

A marcha será o único evento de Orgulho de Sheffield este ano e foi organizada por ativistas que dizem querer “trazer o protesto de volta ao Orgulho”. Os organizadores declararam que não aceitarão patrocínio corporativo e proibiram a polícia de comparecer à marcha. Isso será seguido por um evento estático e atividades planejadas em Sheffield ao longo do dia, com os organizadores divulgando detalhes nas próximas semanas.

“A inclusão de corporações e órgãos governamentais vai totalmente contra o espírito do Orgulho. O orgulho foi um protesto contra a violência policial e, mais de 50 anos depois, nossas vidas ainda estão em risco”.

“Um em cada cinco de nós já passou pela situação de sem-teto, aumentando para 25% se formos trans, mas a estratégia de prevenção de sem-teto de 24 páginas do Conselho de Sheffield não menciona como lidar com isso. A polícia pode ser vista usando distintivos de arco-íris em seus uniformes, ou pagando sua entrada nos eventos de Orgulho financiados por corporações, mas a polícia continua a construir sua longa história de ferir, não proteger, a comunidade queer”.

“Nenhuma quantidade de glitter ou bandeiras de arco-íris pode encobrir o fato de que o estado não protege a comunidade queer.” – Orgulho Radical de Sheffield

Nos últimos anos, Sheffield tem lutado para organizar consistentemente um evento do Orgulho e, em 2018, os organizadores proibiram a participação de organizações políticas. Ativistas da Sheffield Radical Pride dizem que, à medida que o Orgulho se tornou popular, ele se desconectou de suas raízes políticas; escolhendo a comercialização, o patrocínio corporativo e o pinkwashing em vez da libertação queer.

Este anúncio vem depois que Sheffield Radical Pride organizou um protesto em abril após o Dia Internacional da Visibilidade Trans. A organização está incentivando as pessoas queer em toda a cidade e além a se envolver e devolver o orgulho às suas origens de protesto de base, “Sheffield Radical Pride chama todas as pessoas queer e que lutam contra a opressão para se juntarem a nós em 22 de julho. Junte-se a uma longa e orgulhosa história de comunidades se unindo; para celebrar quem amamos e perdemos, o que ganhamos e para juntar energia para tudo o que está por vir – queremos tudo”, disse uma porta-voz.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/06/09/sheffield-pride-parade-bans-police/

Tradução > Contrafatual

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Escurece rápido.
Insistente, a corruíra
cisca no quintal.

Jorge Fonseca Jr.

Realizado na Polônia um congresso de anarquistas bielorrussos

Há alguns dias, foi realizado em Varsóvia um congresso de anarquistas da Bielorrússia, agora exilados em vários países da União Europeia. O congresso contou com a presença de representantes de vários coletivos anarquistas, inclusive da nossa organização, e ativistas que não eram membros de nenhum grupo. Apesar da repressão e das contínuas tentativas de destruir o movimento anarquista, continuamos a nos desenvolver e organizar. A resistência contra o autoritarismo e a luta por um mundo melhor não serão detidas por cassetetes e balas.

Anarquistas da Bielorrússia

Fonte: https://pramen.io/en/2023/06/a-congress-of-belarusian-anarchists-took-place-in-poland/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/24/noticias-sobre-presos-politicos-anarquistas-na-bielorrussia-fevereiro-de-2023/

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pequena abelha
deixa em mim
a sua dor

Alexandre Brito

O Junho (rastejante) em Belo Horizonte

(esse texto é dedicado a Douglas Henrique e Luiz Felipe, mortos pelo Estado em Junho de 2013)

Contra a criminalização, desinformação e apagamento sobre o acontecimento de 2013, mas também  buscando ir além das efemérides acríticas, esse texto tenta dar um pequeno panorama ciente da sua parcialidade sobre o evento de Junho e seus desdobramentos na cidade de Belo Horizonte.  É importante frisar que Junho tem características muito diversas, cada cidade e região do país vivendo a experiência insurrecional de maneira diferente. Talvez seja uma obviedade, mas a totalidade das análises demonstram quase sempre uma ênfase no Junho paulistano com algumas menções ao Rio de Janeiro. Enquanto em São Paulo a questão do aumento da passagem fez a luta estourar e reverberar por todo país, em BH a revolta foi canalizada para as questões relativas à Copa da FIFA. Esse mote apareceu também em cidades como Fortaleza e Rio de Janeiro. Mesmo dentro de Belo Horizonte há diferenças substanciais entre os chamados “grandes atos” e os protestos que ocorreram nas periferias e nas BR’s, onde autonomamente as pessoas fecharam as vias por um senso de indignação frente às precariedades cotidianas. Ainda há muito a ser descoberto sobre esses protestos invisíveis. Diferente da história senso comum que vem sendo contada, em BH as esquerdas mantiveram-se unidas e não saíram das ruas – com todos os problemas e ganhos – e a cidade não foi tomada pela direita. Esse relato sobre as manifestações na cidade pretende ser um registro feito por aqueles que estiveram imersos nesse processo, tentando fazer jus a  suas contradições.

Quando o Junho de 2013 explodiu em São Paulo com as manifestações do Movimento Passe Livre contra o aumento da passagem, o campo libertário de Belo Horizonte encontrava-se disperso. Nos anos anteriores, várias experiências libertárias subterrâneas foram colocadas em prática, com destaque para a Praia da Estação, um evento convocado anonimamente por autonomistas em 2010 que encontrou grande eco e força em BH, trazendo questões importantes sobre a ocupação da cidade, além de um forma organizativa horizontal e de caráter festivo que acabou atraindo vários setores da esquerda, organizados ou não. Ainda que a sensação verdadeira de que o campo autonomista e anarquista na cidade encontravam-se desarticulados,  grupos como o MAL (Movimento Anarquista Libertário) e o Espaço Ystilingue estavam atuantes. Ainda assim, quando estouram os protestos em SP, fomos todos pegos de surpresa!

A cidade passava também por uma onda de ocupações urbanas como a Ocupação Eliana Silva e Dandara, trazendo questões fundamentais sobre a cidade, a moradia e a vida comunitária. Além disso, em 2011 a formação do COPAC – Comitê dos Atingidos Pela Copa em Belo Horizonte (ligada a organização nacional, a ANCOP – Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa), tinha como objetivo debater, promover e defender os direitos daqueles atingidos diretamente pelos megaeventos da FIFA e também funcionou como um espaço articulador e convergente das diversas esquerdas de Belo Horizonte.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://faccaoficticia.noblogs.org/post/2023/06/17/junho-de-2013-em-belo-horizonte/

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Varrendo folhas secas
lembrei-me do mar distante:
chuá de ondas chegando.

Anibal Beça

[França] Comunicado do S | “Agradeço imensamente a todos vocês. Vocês têm sido enormes.”

Sábado, 17 de junho de 2023

Olá a todos,

Meu nome é Serge e fiquei gravemente ferido, como muitos outros, na manifestação contra a megabacia de Santa Sóline em 25 de março de 2023. Fui atingido na cabeça por uma granada, provavelmente disparada por um policial equipado com um lançador de granadas de puma. Sofri um traumatismo craniano grave que me colocou numa situação de absoluta emergência, situação agravada pelo bloqueio do meu atendimento pelos serviços de emergência durante a manifestação. Depois de um mês de coma artificial [induzido] e seis semanas em terapia intensiva, fui transferido para um departamento de neurocirurgia e depois para um centro de reabilitação. Atualmente, sinto um tremendo progresso na minha capacidade de me mover, comer e simplesmente me trocar e refletir. O caminho vai ser extremamente longo, mas estou determinado a dar tudo, a lutar para recuperar o que me constitui, tanto física como mentalmente. Faço-o obviamente por mim, mas também porque penso que recusar abdicar, recusar-se a ser esmagado pela máquina repressiva é uma necessidade política, numa altura em que os Estados apostam no terror e na nossa passividade.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer àqueles que, neste campo minado, me carregaram, seguraram minha mão, me protegeram, fizeram os primeiros socorros (retardando o sangramento, massagem cardíaca, intubação etc.) e simplesmente me permitiram permanecer vivo. Também gostaria de agradecer aos cuidadores que, em todas as etapas, cuidaram de mim e ainda hoje me ajudam a reconquistar meu corpo e minha cabeça. Só posso compartilhar com vocês a imensa alegria que senti quando saí do coma diante da enorme solidariedade que foi expressa: assembleias, textos, tags, doações, músicas, ações e várias mensagens de companheiros ao redor do mundo. O eco de suas vozes e os rugidos da rua ajudaram a mim e a meus entes queridos a não me soltarem. Por tudo isso, agradeço imensamente a todos vocês. Vocês têm sido enormes.

Tudo isso nos lembra que é essencial que nenhum espancamento, nenhuma prisão, nenhuma mutilação, nenhum assassinato seja preterido em silêncio pelas forças da ordem social capitalista. Eles mutilam e matam tantas vezes que não é acidental, está em sua função. Muitas histórias ao redor do mundo nos lembram que não há nada mais verdadeiro do que a fórmula “ACAB”. Todos os policiais são bastardos. São e continuarão a ser os patetas da burguesia cujos interesses protegem e asseguram, até agora, a sustentabilidade.

A classe capitalista tem como única perspectiva a degradação de nossas condições de vida em larga escala e todos os proletários aqui e alhures estão vivenciando isso amargamente. Diante das lutas que estamos travando para impedir esse destino, eles claramente optaram por aumentar drasticamente a repressão, tanto por novas leis repressivas quanto dando carta branca à polícia, como em Sainte Sóline. Devemos tomar nota disso e levar coletivamente a ideia de que está fora de questão participar de uma luta sem proteções efetivas e capacidades de resistência. Não somos mártires.

No entanto, nossa força tem pouco a ver com uma história de campo de batalha. Nossa força são nossos números, nosso lugar na sociedade e o mundo melhor que aspiramos. Contra as poucas organizações de dirigentes e burocratas que gostariam de nos levar para casa uma vez adquirido o seu lugar ao sol nas nossas costas, precisamos de mil formas de nos organizarmos na base por e para solidariedades concretas, para os camaradas do movimento, mas também, e talvez especialmente, para todos aqueles que se juntarão aos futuros impulsos revolucionários.

Força aos companheiros que estão na mira dos Estados!

Viva a Revolução!

Vemo-nos rapidamente nas lutas.

S

Fonte: https://lescamaradesdus.noblogs.org/post/2023/06/17/communique-du-s/

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A jabuticabeira.
Através de líquida cortina
olhos negros espiam.

Yeda Prates Bernis

[França] Abolição das fronteiras criminosas!

O naufrágio, frente à Grécia, na noite de 13 a 14 de junho de 2023 de um barco que desde a Líbia transportava pelo menos 750 migrantes, entre eles uma centena de crianças (sem coletes salva-vidas e muitas vezes confinadas para evitar qualquer rebelião) e quando só se fala de uma centena de sobreviventes, reativa o debate. Mas sobre quê?

O governo francês abre as muitas perguntas sobre a “política migratória europeia” para poder dar melhor sua própria resposta: Darmanin [Ministro do interior da França] lança as acusações habituais contra os “traficantes que são delinquentes”, considera as soluções habituais que são “vias legais de acesso à ‘imigração”, a saber, as ditadas pelos interesses do capital, que são um rotundo fracasso como o demonstra esta tragédia.

Darmanin não tem problema em denunciar: “É necessariamente um fracasso coletivo quando as pessoas perdem a vida em condições desprezíveis”. De fato, é só o fracasso de um sistema mortal, o capitalismo.

Na realidade, os delinquentes não são senão os Estados, sua motivação é sempre o capitalismo, e a Frontex, a agência europeia de vigilância de fronteiras está a serviço deles. Reclamar, como tantos, uma política de salvamento marítimo, levada pelos Estados, é chamar ingenuamente o bombeiro incendiário como socorrista, se não falamos melhor de salvamento com fundos e organismos públicos. Frontex sobrevoou o barco, mas não considerou oportuno intervir, nem interveio contra o pushback (reenvio) de migrantes para a Turquia por parte dos guarda costas gregos. E este é, de fato, o significado do que implementarão os estados europeus com o desejo de processar as solicitações de asilo nas fronteiras da Europa.

Quer dizer, para a Frontex, para blindar um pouco mais a entrada no espaço europeu, com ainda mais tragédias por vir. A obrigação de permanecer para morrer de fome ou sofrer violência no Estado do qual se é nacional é chamada por nossos governantes “direito de permanecer no próprio país”.

Os anarquistas recordamos nossa solução: a abolição das fronteiras, criminosas, erguidas pelos Estados a serviço do capital para proibir a livre circulação das pessoas. O fracasso dos governos na Europa e em todas as partes é proporcional ao desespero destes seres humanos que fogem da pobreza, da repressão e da ditadura, a custa de suas vidas.

Fédération Anarchiste

federation-anarchiste.org

Tradução > Sol de Abril

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vento muda
ares de chuva
tua chegada

Camila Jabur

[França] Ivan Alocco saiu da prisão (a investigação permanece aberta)

Ficamos sabendo com alegria da soltura do camarada anarquista Ivan Alocco! O camarada havia sido preso há um ano, em 11 de junho de 2022, pela Sous-Direction Anti-Terroriste (SDAT) da Direção Central de Polícia francesa para uma investigação sobre alguns ataques incendiários, ocorridos em Paris e Montreuil entre janeiro e junho do mesmo ano, contra veículos da Enedis (dependente da EDF, Électricité de France), da SFR (Société Française du Radiotéléphone), do jornal “Est Républicain”, pertencente ao corpo diplomático e contra um carro de luxo. Recordamos também que desde outubro Ivan fez duas longas greves de fome em solidariedade a Alfredo Cospito (a primeira, de 35 dias, de 27 de outubro a 1º de dezembro e a segunda, de 32 dias, de 22 de dezembro a 23 de janeiro).

Segue abaixo o texto do camarada sobre a liberação (ainda há uma série de restrições cautelares).

Ivan é libertado da prisão (França, 12 de junho de 2023)

Saí da prisão em 12 de junho. O GIP emitiu uma ordem de liberdade condicional. As restrições são:

— proibição de deslocação à região de Île-de-France;

— proibição de deixar a França metropolitana;

— assinaturas na gendarmaria uma vez por semana;

— Tenho de depositar o meu passaporte e carteira de identidade na secretaria do tribunal.

A decisão do GIP de me deixar sair da prisão, de forma bastante surpreendente, dado que recentemente se opôs a um pedido de libertação, talvez se deva à sua vontade de “encobrir” a incompetência da justiça das liberdades. Com efeito, os meus advogados interpuseram recurso de cassação por vício processual, relativo à última renovação da prisão preventiva (audiência de 24 de Janeiro). Se o Tribunal de Cassação tivesse aceitado este recurso, o que é provável, teria confirmado que a juíza das liberdades e sua secretária não são capazes de ler…

Por enquanto, a investigação segue aberta. Na semana passada, em 5 de junho, a equipe ELAC da prisão de Villepinte revistou minha cela mais uma vez (a sexta vez em seis meses). As coisas foram viradas de cabeça para baixo, uma prateleira autoconstruída destruída e minhas cartas (recebidas) reduzidas a uma bagunça (como se a administração da prisão já não tivesse tido todo o tempo para lê-las e fotocopiá-las à vontade). Eles revistaram quase só meus pertences, quase sem incomodar meu irmãozinho. Um guarda até se permitiu comentar ironicamente sobre uma inscrição na porta da cela (“Anarquia – liberdade”) com a frase “não conte com isso”.

Quando saí, o escrivão da prisão me deu um grande pacote de correspondência (cartas que chegaram do início de maio e as que escrevi ao mesmo tempo), que estava “esperando”. Houve também um pacote que chegou em 22 de julho de 2022 (com periódicos anarquistas e livros em italiano) e que a direção do presídio decidiu não liberar…

Um grande obrigado a todos aqueles que estiveram ao meu lado neste período difícil. Agradecemos ao Fundo Anti-Repressão dos Alpes Ocidentais e ao Fundo Bure por seu apoio financeiro. Um pensamento para todos os compas (e também para todos os outros) que continuam presos.

Morte à cadeia, morte ao Estado!

Viva a Anarquia!

Ivan

Contato: dufondduplacard [at] riseup.net

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

durante o teu sonho
eu brinco com as nuvens
e tu não sabes de nada

Lisa Carducci

[São Paulo-SP] No CCS, 24/06: “A partir de agora: as jornadas de junho”

Em 2014, o cineasta Carlos Pronzato lançava o documentário “A partir de agora: as jornadas de junho”, e nele pôde captar as primeiras impressões e análises de pessoas que fizeram parte desse momento histórico como organizadores ou manifestantes.

As falas, embebidas de euforia e entusiasmo, viviam momentos difíceis em meio à repressão do Estado. Foram elas que organizaram, nos anos seguintes, as lutas do Não vai ter Copa e as ocupações das escolas de 2015 e 2016. Passados 10 anos das Jornadas de Junho, muitas águas rolaram, na verdade, foi uma enxurrada.

Por isso, a Biblioteca Terra Livre e o Centro de Cultura Social de São Paulo convoca e convida à todos, todas e todes para (re)assistirmos o trabalho de Pronzato e debatermos esse que foi um dos eventos mais importantes das primeiras décadas do século XXI no Brasil.

A exibição vai ser no endereço do CCS, na Rua General Jardim, 253, sala 22 e vamos começar às 16h00, depois vamos fazer uma roda de conversa.

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Grécia] Vitória do companheiro anarquista Giannis Michailidis!

O companheiro Giannis, depois de uma dura luta em que submeteu o seu corpo a uma greve de fome de 33 dias e a uma greve de sede de 4 dias, conseguiu aquilo a que tinha direito e que vinha a exigir desde o ano passado: a sua liberdade condicional temporária. Algo que já tinha sido obrigado a exigir antes, com uma greve de fome de 67 dias no ano passado, que cancelou após promessas verbais dos funcionários de que o seu pedido seria satisfeito, algo que nunca aconteceu.

Assim, hoje, 14/06/2023, o Conselho Judicial de Amfissa decidiu libertar Giannis com condições restritivas.

GIANNIS, OS MELHORES VOTOS DE UMA BOA RECUPERAÇÃO ….

E VEMO-NOS DE NOVO NAS RUAS!

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

Fonte:

https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2023/06/16/grecia-victoria-para-el-companero-anarquista-giannis-michailidis/

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agência de notícias anarquistas-ana

tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

[América Latina] “Ser ideologicamente coerente é mais gratificante do que os benefícios econômicos”.

Abaixo, publicamos uma carta pública em repúdio às declarações de apoio de presidentes e líderes latino-americanos ao governo reeleito de Recep Tayyip Erdoğan na Turquia.

Como ativistas, intelectuais, acadêmicos e estudiosos da América Latina ou que vivem na América Latina, gostaríamos de expressar nossa profunda decepção com os comentários apologéticos ou abertamente entusiásticos feitos por alguns atores da esquerda latino-americana, incluindo os presidentes da Bolívia, Brasil, Cuba e Venezuela, sobre a recente vitória eleitoral do Recep Tayyip Erdoğan, de extrema direita, na Turquia.

Consideramos inaceitável que socialistas que se autodenominam apoiem a reeleição de um governo autocrático, racista, sexista e de ultradireita/fascista. O AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento), sob a liderança de Recep Tayyip Erdoğan, realizou uma eliminação sistemática contra os setores da oposição durante os 21 anos de sua permanência no poder político na Turquia. Ele vem aplicando políticas de guerra em cidades com população curda, prendendo milhares de membros do movimento político pró-curdo de esquerda, demitindo seus prefeitos e parlamentares democraticamente eleitos e recusando-se a reconhecer os direitos mais básicos do povo curdo. O governo do AKP também proibiu as greves, criminalizou os sindicatos de esquerda e perseguiu inúmeros ativistas sindicais. Os principais sindicatos progressistas do país, como a Confederação Sindical dos Trabalhadores Revolucionários (DİSK), o Sindicato dos Trabalhadores da Educação e Ciência (Eğitim-Sen) e a Confederação dos Sindicatos dos Funcionários Públicos (KESK), foram criminalizados por esse governo por mais de uma década. Seus membros foram submetidos a uma perseguição injusta, o que resultou na perda de milhares de empregos. Aqueles que se atreveram a denunciar suas políticas também foram severamente reprimidos. Milhares de intelectuais e jornalistas foram presos ou forçados a fugir do país, destruindo assim a liberdade de expressão no território.

Ao se retirar da Convenção de Istambul, Erdoğan objetifica as mulheres apenas como uma continuação da família e da linhagem, e está permitindo que o país retorne às taxas mais altas de feminicídio, com impunidade para os perpetradores. Além disso, o governo Erdoğan persegue e prende sistematicamente mulheres ativistas e ativistas do movimento de direitos LGTBIQ+. Esse governo também criminaliza e proíbe todas as manifestações de rua dos setores de direitos humanos, prendendo seus ativistas, como as Mães do Sábado e as Mães da Paz. As intervenções militares injustificadas da Turquia na Síria e no Iraque e o apoio a grupos fascistas nesses territórios, que promovem massacres contra minorias étnicas e religiosas, também devem ser levados em conta. Por tudo isso e muito mais, não encontramos nenhuma razão para um socialista apoiar a reeleição de Erdoğan para outro mandato.

Apelamos às organizações socialistas e revolucionárias, de direitos humanos, de mulheres e feministas do continente para que expressem sua solidariedade aos povos oprimidos da Turquia e a seus movimentos políticos revolucionários criminalizados e perseguidos. Argumentamos que ser ideologicamente coerente será mais gratificante para esses atores do que os possíveis benefícios econômicos de curto prazo que podem surgir devido à proximidade com o governo de extrema direita da Turquia.

Para adicionar sua assinatura: info@kurdistanamericalatina.org

Fonte: https://www.kurdistanamericalatina.org/ser-coherentes-ideologicamente-es-mas-gratificante-que-los-beneficios-economicos/?

Tradução > Liberto

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a folha tomba
no meu ombro
outono

Alexandre Brito

[EUA] Declaração de 11 de junho do prisioneiro anarquista Michael Kimble

Saudações de Amor e Solidariedade,

Muita coisa aconteceu na minha vida no ano passado. Eu me casei com uma mulher trans linda e inteligente. Em março, fiz uma cirurgia para correção de hérnia, que vinha tentando fazer há três anos. Ainda estou passando por complicações da cirurgia.

Iniciei um projeto que pagava as dívidas que os presidiários queer haviam contraído para a compra de remédios e produtos alimentícios. Isso foi um tanto controverso por dentro e por fora. Somos todos responsáveis por nossas próprias vidas, mas nenhum princípio humano ou anarquista dita que nos recusamos a ajudar outros cujas próprias decisões trouxeram problemas para suas cabeças, a menos que acreditemos que, ao tentar ajudá-los, estamos cometendo um dano maior. Negar ajuda humana a prisioneiros queer que abusam de drogas multiplica suas misérias sem aproximá-los nem um centímetro da recuperação e segurança. Quanto mais desumanizamos e difamamos os usuários de drogas, mais se torna impossível implementar o tipo de intervenção que os ajudará.

Além disso, contratei um advogado, demiti-o e contratei outro. Espero estar lá fora com você durante todo este ano. Tenho participado do Projeto Hortas Solitárias, que produz bastante comida. Este mundo quer esmagar no esquecimento aqueles de nós que desejam um modo de vida diferente. Sua tecnologia de vigilância, cadeias, prisões e máquinas de guerra são para causar desespero. Não devemos deixar que o desespero tome conta de nossa psique ou perderemos.

Estou encontrando inspiração nos defensores da floresta de Atlanta. As ações da polícia em Atlanta são para trazer nosso desespero. Os defensores da floresta de Atlanta nos mostraram o caminho a seguir.

O desespero nos paralisa na inação. As prisões são o local da escravidão nos dias de hoje nos EUA. Então, eu me inspiro no trabalho e nas ações daqueles de vocês que lutam, recusando-se a deixar o desespero paralisá-los em inação. Estou tentando viver a anarquia da melhor maneira possível, mesmo neste inferno. Se não agora, quando? Se não aqui, onde?

A guerra continua onde quer que nos encontremos num solo dominado pela burguesia.

Pare a cidade policial!

Michael Kimble 138017

William Donaldson Correctional

100 Warrior Lane

Bessemer, AL 35023 – EUA

Fonte: https://mongoosedistro.com/2023/06/12/june-11th-statement-from-anarchist-prisoner-michael-kimble/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/13/mexico-miguel-peralta-nao-desista-compa-resista-nos-aqui-fora-pensamos-em-voce/

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Noite outonal!
Minha avó contando histórias
Na varanda. Agora

Eunice Arruda

[Espanha] Podcast | “Libres de Picasso”

SOBRE O PODCAST

Para justificar como Picasso maltratou suas parceiras e modelos nos dizem que foi “um homem de seu tempo”. Certo? Este documentário investiga uns anos decisivos na Espanha. Entre 1935 e 1939 uma organização anarcofeminista, que agrupou mais de 30.000 mulheres, conseguiu criar neste país uma força feminina consciente e responsável. MUJERES LIBRES teceu uma rede de solidariedade a partir da criação de múltiplas escolas e de uma revista, que em 13 números aspirou formar as mulheres em sua emancipação. Foi uma revolução pela igualdade. Foi um projeto transformador que mostrou às mulheres como defender-se para que reconhecessem sua própria voz. Educou as mulheres para respeitarem-se e serem respeitadas. Lutaram contra a escravidão de gênero, o analfabetismo ou o matrimônio, e defenderam o amor livre, melhoras nas condições laborais e o final da cadeia da submissão. Isto sucedia enquanto Picasso reclamava mulheres que se comportassem tal e como ele desejava. Sonhava com anjos do lar ou como ele as chamava, “mulheres romanas”. Nos anos trinta do século XX a força retrógrada exigia a mulher submetida ante a revolução da mulher livre. A ditadura fulminou os progressos igualitários e do feminismo passou à Seção Feminina. No exílio, Mercedes Comaposada Guillén, uma das fundadoras de MUJERES LIBRES, conheceu Picasso e manteve uma estreita relação com o artista. O quê ocorreu entre eles? Um podcast original de Podium, escrito e narrado por Peio H. Riaño. Disponível em Podium Podcast a partir de 20 de junho.

>> Acesse aqui:

https://www.podiumpodcast.com/podcasts/libres-de-picasso-podium-os/

Tradução > Sol de Abril

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Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré