[Argentina] Livro | “El anarquismo de Rodolfo González Pacheco. Un ensayo crítico sobre Carteles”

Rodolfo González Pacheco, dramaturgo e ativista anarquista, nasceu em 1883 em Tandil, província de Buenos Aires, e morreu na cidade de Buenos Aires em 1949, em pleno auge do peronismo. Em 1910 esteve confinado na prisão de Ushuaia junto a seu amigo Teodoro Antillí, após o fechamento do jornal La Batalla, cuja direção compartilhavam. Antillí e González Pacheco foram apenas dois dos tantos reclusos no sul do país no marco de repressão generalizada ao anarquismo prévia à celebração do primeiro Centenário da Revolução de Maio. Em 1936, ao principiar a guerra civil na Espanha, González Pacheco partiu para aquele país para apoiar os revolucionários anarquistas que tratavam de levar adiante a revolução social. Ali dirigiu a Companhia de Teatro do Povo e a revista Teatro Social. Permaneceu na Espanha só nove meses, ocasião que lhe permitiu aprofundar seus contatos com os anarquistas espanhóis. Sempre se manteve fiel ao ideário anarquista até o último minuto de sua vida, apagada em Buenos Aires, como dissemos, em 1949, em pleno auge do regime peronista.

Como autor teatral teve seus momentos de fama, especialmente na segunda metade da década de 1910, com Las víboras (1916) e La inundación (1917). Mas, embora seu ideário anarquista e revolucionário esteja presente em quase toda sua produção dramática, o encontramos mais desnudo e em carne viva em seus escritos de propaganda e difusão denominados “carteles”, espécie de proclamas curtos que sintetizavam em poucas linhas alguma ideia ou sentimento. Com um estilo de escritura simples mas florido, aceso e convocante à ação, esses “carteles” apareciam com singular frequência nas numerosas publicações anarquistas e revolucionárias das primeiras décadas do século XX argentino. González Pacheco escreveu sucessivamente nos seguintes jornais: Futuro (em 1897), Germinal (em 1906), La Protesta (entre 1907 e 1908, e fugazmente anos depois), La Mentira. Órgano de la Patria, la Religión y el Estado (em 1908), La Campana Nueva (em 1909), La Batalla, diário anarquista da tarde (em 1910), Alberdi (em 1910), Libre Palabra (em 1911), El Manifiesto (em 1911), La Obra (entre 1916 e 1919, e novamente a partir de 1936), El Libertario (em 1920), La Antorcha (entre 1921 e 1932). Também colaborou com publicações espanholas como Tierra y Libertad (a partir de 1910), Nosotros (em 1937), El comunista (entre 1919 e 1920), Solidaridad Obrera (em 1920) e Umbral (entre 1937 e 1939).

>> Para baixar o livro, clique aqui:

http://www.fondation-besnard.org/IMG/pdf/el_anarquismo_de_rodolfo_gonzalez_pacheco.pdf

Fonte: https://www.portaloaca.com/pensamientolibertario/libros-anarquistas/libro-el-anarquismo-de-rodolfo-gonzalez-pacheco-un-ensayo-critico-sobre-carteles/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

rua em que nasci
as crianças riem
o riso do velho

Ricardo Portugal

[Espanha] Durruti, 90 anos desde seu desterro para Fuerteventura

O líder anarquista foi exilado na ilha por quatro meses em 1932 após a insurreição do Alto Llobregat durante a Segunda República.

Por Eloy Vera | 21/11/2022

Em meados de abril de 1932, o navio Cánovas del Castillo desembarcou no porto de Puerto Cabras. A bordo estava um grupo de nove a onze homens, considerados pelo Governo da República como “perigosos”. Entre eles estava o líder anarquista Buenaventura Durruti que, juntamente com os demais, permaneceu exilado por quatro meses em Fuerteventura após a insurreição em Alto Llobregat (Catalunha), no início daquele ano.

A estadia de Durruti foi somada à de outros deportados que os vários governos haviam enviado a Fuerteventura, que havia se tornado uma ilha e prisão para aqueles que expressavam ideias contrárias aos que estavam no poder.

Durruti e os demais anarquistas se juntaram ao desterro de Miguel de Unamuno e do jornalista Rodrigo Soriano em março de 1924, e mais tarde aos da conspiração de Munique em 1962.

Mas o que levou à deportação de Durruti para Fuerteventura há 90 anos atrás neste 2022? A resposta está na insurreição do Alto Llobregat, em janeiro de 1932. Nove meses após a proclamação da Segunda República, a situação havia se tornado insustentável nos condados de Manresa, na região de Alto Llobregat. Seu povo, trabalhadores das indústrias têxtil, de fosfato e de carvão, estavam cansados do abuso de poder e decidiram convocar uma greve geral, influenciada pela CNT.

Logo, espalhou-se a notícia de que tinha havido uma revolta por toda a Espanha e que o comunismo libertário havia chegado. “Todas as pessoas que estavam envolvidas nesta dialética haviam passado por um momento muito ruim. Eles decidiram, então, insurgir e tomar as cidades pacificamente, mesmo que a Segunda República já tivesse chegado, cansados de viver em condições duras, em um regime praticamente feudal”, explica o historiador Jesús Giráldez.

O pesquisador e professor do ensino médio vem seguindo o rastro de Buenaventura Durruti há anos. Um dia ele encontrou a informação de que o líder anarquista havia sido deportado para Fuerteventura e começou a puxar o fio da meada. Fascinado pelo personagem e após anos de pesquisa, em 2009 publicou o livro Creyeron que éramos rebaño. La insurrección del Alto Llobregat y la deportación de anarquistas a Canarias y África durante la II República (Acreditaram que éramos rebanho. A inssurreição do Alto Llobregat e a deportação de anarquistas para as Canárias e África durante a II República.

Após a insurreição do Alto de Llobregat, Giráldez explica como a República respondeu, através do governo de Azaña, “com grande repressão. Eles tentaram tomar uma medida exemplar que os levou a decidir prender muitas pessoas que haviam participado da insurreição, mas também numerosos anarquistas que eram significativos, embora não tivessem participado dela”.

A Lei de Defesa da República foi aplicada a todos eles. Uma lei, aponta o historiador, que “foi supostamente concebida para pessoas com tendências golpistas de direita e para alguns círculos militares conservadores”. Entretanto, as primeiras pessoas a quem foi aplicado foram os anarquistas que foram deportados”.

Em 17 de janeiro de 1932, Durruti deu um comício na área de mineração de Fígols. Em suas palavras, ele reafirmou a necessidade da revolução: “Não acreditem nas reformas da democracia burguesa, da qual os trabalhadores não podem esperar nada (…). A democracia burguesa falhou (…). É necessário realizar a revolução”.

Estas palavras foram interpretadas como um conselho de revolução para os mineiros Fígols que se preparavam para a luta final. Em 18 de janeiro de 1932, o comunismo libertário foi declarado, abolindo o dinheiro, a propriedade privada e a autoridade estatal. O movimento durou apenas cinco dias. O Exército conseguiu derrubar a medida.

No dia 21 daquele mês, Durruti e os irmãos Ascaso foram presos e levados para o porto de Barcelona onde foram aprisionados no Buenos Aires, um velho transatlântico cujo futuro imediato seria sucateado, agora convertido em uma prisão flutuante. As pessoas foram aprisionadas lá até que fossem mais de uma centena.

Depois de mais de 20 dias no cais sem que sua tripulação soubesse seu destino, em 10 de fevereiro a Buenos Aires começou a navegar. As notícias tinham chegado às Ilhas Canárias de um possível desembarque do grupo de anarquistas na ilha de Fuerteventura.

Jesús Giráldez explica como a imprensa estava dividida naquela época em duas posições opostas. Por um lado, os jornais operários apoiaram a presença dos camaradas anarquistas e lhes deram uma calorosa acolhida em Fuerteventura e Gran Canaria. Por outro lado, os jornais que representam a burguesia, “estão chorando porque consideram que essas pessoas poderiam trazer ideias com teorias dissolventes que poderiam afetar a população pacífica das Ilhas Canárias”.

El País, um jornal que se proclama independente, descreve os exilados como “bandidos, pistoleiros, uma avalanche de destruidores anarquistas, uma legião de bandidos, de indesejáveis que a Espanha joga fora de seu seio porque sua convivência com um povo sério e honesto é incompatível”. E ele continua escrevendo que Fuerteventura, “a ilha sedenta, a Cinderela das Canárias”, que se fez “grande honra ao abrigar em suas fendas o grande Dom Miguel, velho rebelde, pensador e eterno”, será agora “convertido em um lazarento infeccioso de podridão social”.

Guiné e Villa Cisneros

Enquanto a imprensa estava aquecendo a atmosfera, o Buenos Aires continuou sua viagem através do mar. Primeiro ao longo da costa mediterrânea até chegar a Gran Canaria. De lá, eles foram enviados para as colônias guineenses, mas lá “o elemento colonizador, com argumentos racistas, se impôs e disse que os brancos não podiam ser guardados por negros e índios na Guiné”, aponta Giráldez.

Mais tarde, foi recebida a ordem de enviá-los para o Saara. Após 24 dias no mar, eles chegaram à Villa Cisneros, onde também foram impedidos de atracar. Mais tarde, soube-se que a razão era porque Durruti estava viajando. O governador recusou-se a admitir o anarquista, que considerava ser o assassino de seu pai Fernando González Reguera, ex-governador de Biscaia. O fato foi falso porque a morte coincidiu com o tempo em que Durruti estava na prisão.

Após a recusa, o governo da República reconsiderou o que fazer com todas essas pessoas. “Havia uma epidemia a bordo. As pessoas começaram a ficar doentes e tiveram que voltar a Las Palmas. Um deles, Antonio Soler, morreu de doenças epidêmicas. A partir de então, os deportados começaram a ser distribuídos em três grupos. Um ficou em Gran Canaria e pouco a pouco voltaram para casa, o grupo principal ficou em Villa Cisneros e outro, entre nove e onze pessoas, veio para Fuerteventura onde ficaram por vários meses”.

Em 13 de abril Durruti e os demais foram embarcados no Cánovas del Castillo e levados para Puerto Cabras. Também no grupo estavam Domingo Ascaso e Manuel Prieto, tomados como o líder da insurreição dos Fígols. Dois dias após a chegada do navio, seu companheiro recebeu um telegrama assinado em Fuerteventura no qual Durruti lhe disse que havia desembarcado na ilha.

Poucas informações são conhecidas sobre sua estadia, exceto por duas cartas, uma de Durruti para sua irmã Rosa e outra enviada por Ramón Castañeyra, o comerciante que havia sido anfitrião da Unamuno durante seu exílio, para o biógrafo de Durruti, Abel Paz.

O historiador majorero Elías Rodríguez, falecido em 2018, publicou o artigo Buenaventura Durruti en Puerto Cabras (Fuerteventura, 1932) em 2013, que fornece informações valiosas sobre a estadia de Durruti na ilha. Graças a Elías, conhecemos o conteúdo dessas cartas. Na carta à sua irmã Rosa, o anarquista lhe fala da odisséia da viagem, reprova a falta de sensibilidade que o governo demonstrou para com eles e como vivem confinados em um quartel onde recebem 1,75 pesetas para sua subsistência diária. Mais tarde, eles foram transferidos para o hotel onde a Unamuno se hospedou em 1924.

Na carta à sua irmã, ele também lhe diz que quando chegaram a Fuerteventura “os vizinhos da ilha estavam assustados”. Tinham lhes dito que estávamos comendo as crianças cruas. Mas assim que nos viram, falaram conosco e nos trataram, eles se acalmaram e deixaram as crianças brincarem conosco”.

A resposta inicial da sociedade majorquina, aponta Giráldez, foi o resultado de “uma campanha de difamação misturando tudo com um discurso mitológico sobre como os anarquistas eram maus. Depois de superar suas reticências iniciais, eles se divertiram muito aqui e vieram a reconhecer que as pessoas eram muito amigáveis.

Em 1971, Ramón Castañeyra escreveu a Abel Paz elogiando Durruti e contando-lhe como o anarquista salvou seu irmão de ser baleado: “Nós nos conhecíamos e eu lhe dei livros, dos quais ele gostava muito; mas quando ele partiu nunca mais tive notícias de Durruti. Ele tinha fortes inclinações anarquistas, e eu era seu antagonista em todas as discussões que tínhamos sobre nossa ideologia. Mas meu irmão chegou em Barcelona, na Villa de Madrid em 20 de julho de 1936; e foi acusado de ser fascista por um dos garçons do navio, lembrou-se de nos ter visto falando e se dirigiu a ele, dizendo que era meu irmão. Isso foi suficiente para Durruti colocá-lo em uma casa em que ele confiava, poupando-lhe a caminhada terminal”.

Elías Rodríguez entrevistou alguns dos majoreros que tinham vínculos com Durruti. Alguns deles eram militantes ou simpatizantes da CNT. Entre eles, o historiador conversou com Juan Hormiga Rodríguez, que lhe disse que o anarquista se encontrou com estivadores, trabalhadores e marinheiros no beco de Juanito El Cojo, onde lhes deu informações sobre o sindicato e como se organizar.

Jesús Giráldez tem dedicado parte de sua carreira de pesquisa a seguir o rastro da CNT nas Ilhas Canárias. Ele afirma que Durruti e os outros anarquistas “deram um impulso à consciência dos trabalhadores, conseguindo formar, ligados à doca de Puerto del Rosario e ao grupo de pescadores, um sindicato de filiação anarquista: a CNT, que pertencia à Federação dos Trabalhadores de Tenerife”.

Juan Hormiga também disse a Elías que Durruti era um homem que ajudava muito. Ele até lhe garantiu que havia visto como ele havia dado dinheiro para as pessoas do campo que vieram a Puerto Cabras para comprar calçados. Ele também lhe disse que um dia lhe deu nove moedas de prata para levar ao Cabo Juby, aproveitando o fato de que o Hormiga viajava frequentemente para a África, para que um artesão lá pudesse fazer nove anéis, um para cada deportado e um para ele.

Outro dos entrevistados, Antonio Hormiga Domínguez, disse a Elías que Durruti dedicou parte de seu tempo a dar aulas para crianças e idosos que as desejavam. Jesús Machín contou a ele sobre os encontros que Durruti frequentou na casa de Don Julio, um sargento da marinha, que foram assistidos por um reparador de telégrafos.

Jesús Giráldez recorda uma anedota sobre Durruti, três dias depois de chegar à ilha. “Durruti soube que três de seus camaradas seriam transferidos de Las Palmas para Fuerteventura. Naquela época, não havia nenhum porto na capital e os navios ancorados no mar. Os passageiros foram trazidos a terra em barcaças. Durruti fez frente ao comandante militar e lhe disse que havia duas autoridades: os oficiais da República e a autoridade dos camaradas anarquistas, então ele exigiu encontrá-los também na barcaça. No final, ele conseguiu ir e receber seus camaradas, em meio a toda a expectativa que foi criada no cais de Puerto Cabras para ver o navio chegar com os deportados”.

Em agosto de 1932, o exílio dos anarquistas chegou ao fim. Eles foram para Tenerife, onde Durruti deu um comício na Plaza Weyler em Santa Cruz, e de lá para Barcelona. Em setembro, o grupo de deportados participou de uma assembléia no sopé de Montjuic. Um dos oradores foi Durruti, que aludiu ao fato de que graças “à República eles puderam difundir suas ideias anarquistas aproveitando sua estadia nas Canárias”.

Nem placas nem tributos

Este ano de 2022 marca o 90º aniversário da chegada de Durruti a Fuerteventura. Não tem havido homenagens, descerramento de placas ou cátedras culturais. Nem mesmo qualquer menção. “Fuerteventura sempre foi uma ilha prisional e a única coisa que transcendeu é que Unamuno e Soriano estavam lá. A figura que foi colocada no pedestal é a da Unamuno, mas todas essas deportações foram ignoradas”, lamenta o historiador Jesús Giráldez.

Em sua opinião, mais do que uma homenagem, “o que é necessário é um conhecimento dos fatos, do que eles fizeram, por que vieram e para justificar sua figura”. Não uma rua, mas algum tipo de reconhecimento que fizesse a ilha de Fuerteventura saber que o anarquista espanhol, possivelmente o mais conhecido na história do movimento operário, esteve aqui”.

Fonte: https://www.diariodefuerteventura.com/noticia/durruti-90-a%C3%B1os-desde-su-destierro-fuerteventura

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã…

Rosa Clement

[Espanha] Gabriel Pombo, um dos presos mais antigos: “Sigo no cárcere, ainda que já faz dez anos que cumpri minha condenação”

“Gabriel Pombo da Silva (Vigo, 1967) é um dos presos que está a mais tempo nos cárceres espanhóis. Entrou com apenas 17 anos e hoje tem 55 recém completados. Vários assaltos com seu grupo, um deles com homicídio, lhe abriram a porta das prisões do território ibérico e também da Alemanha. Foram mais de 30 longos anos entre grades. Agora, sua defesa exige a Audiência de Ourense, a que o condenou, que aplique o Código Penal em vigor, uma postura que também defende a Promotoria do Tribunal Supremo, o que implicaria na sua imediata liberdade, dez anos mais tarde do que lhe teria correspondido.

— Passaram já vários meses desde que a Promotoria do Supremo solicitou a aplicação a sua condenação do Código Penal vigente o que implicaria sua imediata liberdade…

— Agora está no Supremo, mas o importante que descobrimos é que o tribunal que em seu dia me condenou, a Audiência Provincial de Ourense, é o responsável de que nunca me aplicassem o Código Penal que mais me beneficiava, como exige a lei. Haviam-me condenado por um delito de roubo com homicídio a 28 anos e pouco, então a pena máxima e com o novo código penal são doze anos e seis meses.

— Quantos anos está no cárcere?

— Mais de 30. Percorri quase todos os cárceres espanhóis.

— É você o preso que mais anos está encarcerado na Espanha?

— Não sei. É provável. Eu creio que haverá mais por aí que foram esquecidos porque são pobres.

— Se lhe tivessem aplicado o Código Penal mais benéfico estaria livre e teria desfrutado de dez anos de vida sem estar entre grades.

— Sim. Estou sequestrado. A Audiência de Ourense teria que ter revisado minha condenação para aplicar o Código Penal mais favorável. Mas sigo aqui.

— E como poderiam devolver dez anos de vida?

— Não se pode. Eu fico com o bom, e é que tive tempo para me aprofundar muito em mim mesmo, na natureza humana, no mundo.

— Em que contexto começam seus confrontos com a Lei?

— Nos anos oitenta. Eu recordo o bairro de El Calvario, em Vigo, pobre, miserável, vermelho, onde estávamos, a um lado o povo e do outro a polícia. Me criei com meus avós, que me inculcaram a solidariedade de classe. Então comecei a fazer o que não devia: disparar, expropriar (assaltar) e juntar-me com os rebeldes. Havia muito desemprego, muito desespero e muita emigração.

— E não avaliou então que poderia seguir sua luta no âmbito político ou sindical e não usando a violência?

— Era inútil o caminho político ou sindical. Não servia. Repartíamos alimentos e dinheiro às famílias pobres. Era uma época dura. Estamos falando também de um período de tempo onde a extrema direita matava, onde havia grupos ultras e na classe obreira tínhamos que nos defender.

— E logo chegou a droga…

— Foi muito estranho. Começou a aparecer heroína pura por Vigo. Observei que, da noite pro dia, em todos os bairros onde estávamos organizados e trabalhávamos a nível político e social, aparece a droga e destrói os jovens, os trabalhadores, afeta a todos.

— Passou 8 anos de sua condenação no duro regime de isolamento FIES (Arquivos Internos de Acompanhamento Especial). Não se vê afetado nem psíquica nem fisicamente.

— Empurrei para a frente por inércia. Para resistir me concentrei em mim mesmo, na leitura, no esporte e basicamente em resistir o dia a dia.

— Se negou sempre a colaborar com o centro penitenciário. Não aceitou dar cursos a outros presos. Custou-lhe essa postura?

— Segue me custando. Fiz os piores inimigos em todas as partes: narcotraficantes, banqueiros, juízes e também entre os que trabalham aqui dentro.

— Mudou muito o cárcere nesses longos trinta anos?

— A maioria dos que entram são doentes mentais ou estão dopados. Hoje o cárcere já não é o vigiar e castigar de Foucault, mas o refletido por Orwell, a polícia do pensamento. Não se busca reabilitar. Basicamente isto é um negócio. Os que têm dinheiro saem do cárcere. Os que têm padrinhos políticos têm privilégios…

— Que fará quando sair?

— Criarei um ateneu que se chamará Agustín Rueda em meu sítio, no condado de Mos. Impulsionarei coletividades, editoras… baseados no apoio mútuo e na formação. Há que voltar à terra.

— Nada que ver com sua trajetória anterior

— Sim, é uma questão de realidade, de pragmatismo. Me vejo mais ajudando a formar e educar a outros companheiros que assaltando bancos. Traduzindo livros interessantes que não estão em espanhol, criando cooperativas…”

Fonte: https://www.lavozdegalicia.es/noticia/espana/2022/12/11/sigo-carcel-dez-anos-cumplido-condenação/0003_202212G11P21993.htm

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

[Espanha] A Chaminé do Moinho de Caparroso, esconderijo na Guerra Civil

Em “Boulevard” de Radio Euskadi vimos como era esse esconderijo, essa chaminé, e como se viveu em Pamplona esse momento de pânico após o golpe militar Franquista.

Em “Boulevard” contamos uma história de memória Histórica, destas de filme ou novela, neste caso que aconteceu em Pamplona/Iruña, nos dias posteriores a esse golpe de estado franquista de 18 de julho de 1936.

É a história de Isidro Sarasate, um militante anarquista filiado à CNT que se escondeu e permaneceu dias escondido em uma chaminé. Concretamente, na Chaminé do Moinho de Caparroso, na margem do Arga em Iruña, a apenas 150 metros da praça do Castelo onde se concentraram os golpistas, franquistas, falangistas e requetés que nesse mesmo momento começaram o que chamariam a caça ao vermelho.

Sarasate vivia aí mesmo, porque era uma propriedade da central elétrica da companhia ‘El Irati’ que estava ao lado, e onde trabalhavam os três irmãos. Ao conhecer perfeitamente a zona e o moinho, se converteu no esconderijo perfeito.

Foi fundador do Club Natación Pamplona que está também nesse mesmo lugar. O Club Natación segue sendo uma Associação Desportiva e uma instalação com piscinas onde as pessoas vão tanto no inverno como no verão. Um clube, que ainda que a maioria das pessoas de Pamplona desconheça, foi fundado por militantes de esquerda, perseguidos e represaliados durante o Franquismo, que durante a república ensinaram a nadar a muitos habitantes de Pamplona, vencendo naquela época a proibição que havia de banhar-se no rio.

Em “Boulevard” de Radio Euskadi vimos como era esse esconderijo, essa chaminé, e como se viveu em Pamplona esse momento de pânico após o golpe militar Franquista. Mikel Armendariz, um de seus sobrinhos, nos conta a história.

>> Escute aqui: https://www.eitb.eus/es/radio/radio-euskadi/programas/boulevard/detalle/9039626/la-chimenea-del-molino-de-caparroso-escondite-en-guerra-civil/

Tradução > Sol de Abril

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rajada de vento
a lua estremece
na corrente

Rogério Martins

[Argentina] “Multimilionários que fazem culto a pátria, a masculinidade, a família e seus pênis”

A 21 anos das jornadas de luta de 19 e 20 de dezembro de 2001, o povo argentino honra a sua seleção de futebol, o esporte e a sua pátria, como assim enfatiza o governo no seu decreto de feriado nacional dedicado às comemorações.

Não se trata de um povo “frágil” que se deixa contentar com circo face às migalhas, mas é justamente isso que é o povo: uma construção do Estado para impor os interesses da burguesia e sustentar a ordem dominante. O fervor mundialista não é uma simples “via de escape” contra o mal-estar, um entretenimento, é uma expressão clara da falta de perspectiva de classe e de transformação social. Não é que o mundial esconda a miséria, é a miséria que faz do mundial um acontecimento tão determinante na vida das pessoas.

A “alegria do povo” e o seu amor pela sua pátria surgem nos momentos mais oportunos como em 1982 quando se desencadeou a guerra das Malvinas, permitindo ao governo de fato desviar o insustentável descontentamento contra ele. Em 1978, os gritos dos torturados, muitos deles depois assassinados ou desaparecidos, eram silenciados pelo fervor nacionalista. Em 2022, mais um mundial infame, com milhares de trabalhadores semiescravidão mortos na construção dos estádios, acaba consagrando a seleção argentina.

Ironias da história, os “heróis do povo”, multimilionários que fazem culto a pátria, a masculinidade, a família e seus pênis, serão homenageados no mesmo dia que costumávamos recordar os 39 assassinados pelo Estado na explosão social de 2001.

Biblioteca Alberto Ghiraldo – Rosário

Terça-feira, 20 de dezembro de 2022

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agência de notícias anarquistas-ana

Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

Mães pretas e conservadoras: entendendo o conservadorismo na periferia.

A primeira coisa que precisamos elucidar nesse tema é que a palavra conservadorismo pode ter duas conotações: uma pode ser o movimento organizado de direita que propõe reagir às insurgências revolucionárias da esquerda e mudanças progressistas na sociedade. Por isso os chamamos de reacionários.

A segunda é mais literal, e é disso que falamos na maioria das vezes quando nos referimos aos conservadores, principalmente àqueles não ligados a movimentos. E dentro disso estão as nossas mães, vizinhas, tias e mulheres fortes que formaram nosso caráter na periferia, com base nesse conservadorismo (que está muito mais ligado a conservar nossas vidas que de fato conservar a Fé). Tendo isso em vista precisamos entender que o sistema não vai mudar de uma hora para outra e conservadores sempre existirão, talvez eles sejam ainda mais ativos quando algumas mudanças na estrutura social são empurradas goela abaixo por alguma agenda capitalista de mercado e de massas, como vemos hoje na propaganda progressista de inclusão superficial e a qualquer custo.

Sabemos que essas mulheres, em sua maioria cristãs e/ou da umbanda (ou alguma outra religião de matriz africana ou espírita), foram responsáveis por construir a base moral e ideológica de toda a periferia brasileira, e muitas vezes sozinhas, sem a figura paterna para o apoio financeiro e nem emocional, encontrando na solidão a força para reger as nossas quebradas. Elas que, sem percebermos, nos alertaram sobre os perigos de uma sociedade racista, de uma polícia que odeia nossa cor e um mercado de trabalho que nos despreza. Tudo isso embasadas em suas fés e suas éticas de construção da sociedade.

As mulheres pretas são as maiores agentes de qualquer revolução que se possa sonhar no Brasil, Carolina de Jesus é um exemplo profundo e histórico desta verdade, que mesmo em meio à fome, foi sem medo de errar, uma das maiores artistas do século XX, destrinchando a alma do terceiro mundo neste e naquele século. Elas são o grande seio e base de qualquer ideal, a fonte de toda esperança da classe trabalhadora brasileira, e o fato de serem religiosas nos dá a dimensão do quanto precisamos ouvir o diferente e entender que cada passo que dermos na luta política, o olhar crítico e revolucionário dessas mulheres, deve ser nosso norte. Caso contrário estaremos fadados a falar para o vento sobre coisas superficiais de uma utopia inalcançável.

Frente Anarquista da Periferia – FAP

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra da rua.
Humilham-te sem cessar.
Ah! os pés humanos…

Fanny Dupré

[Espanha] Ramón Acín, a loteria e as Hurdes de Luis Buñuel

O livro de anedotas nos lembra um dos eventos mais significativos: o gesto abnegado de Ramón Acín de doar o prêmio da loteria que havia ganho ao cineasta Luís Buñuel, que graças ao gesto do professor anarquista conseguiu rodar um de seus filmes mais famosos, “Tierra Sin Pan” (Terra Sem Pão). O gesto de Ramón Acín reflete o caráter, a ética e a moral dos anarquistas.

Hoje em dia, uma das histórias extraordinárias sobre a loteria de Natal recuperou a anedota protagonizada por Ramón Acín 100 anos atrás, mas há muito por trás desta situação que vale a pena destacar.

Ramón Acín foi professor, escultor, caricaturista, pintor e líder da CNT em Huesca. Uma pessoa militante e comprometida que sofreu prisão e perseguição. Seu envolvimento na Revolta de Jaca, em dezembro de 1930, o forçou a exilar-se em Paris. Mesmo após a proclamação da Segunda República, ele foi preso novamente por sua solidariedade com as greves dos trabalhadores. Sua vida terminou, junto com sua companheira, quando foi brutalmente e cruelmente assassinado em 1936. Junto com seu amigo, Juan Arnalda, ele foi obrigado a se esconder, em julho de 1936, em sua casa na Rua Cortes, em Huesca, em um buraco atrás de um armário. Cansado de ver como os falangistas batiam e injuriavam sua esposa, Concha Monrás, tentando obter informações sobre seu paradeiro, Acín se entregou. Ele foi assassinado nas paredes do cemitério de Huesca em 6 de agosto de 1936. No mesmo local, 17 dias depois, sua companheira foi assassinada, juntamente com 94 outras pessoas.

– Acín e Buñuel:

Não há certeza de quando os dois artistas se encontraram, alguns autores colocam o momento em 1926, quando Acín estava no exílio em Paris e pode ter coincidido em Paris, outros autores colocam o encontro em Madri. Seja como for, as visitas de Buñuel a Huesca foram regulares, a convite do professor anarquista. Um dia em agosto de 1922, em Zaragoza, no café “Ambos mundos” frequentado por libertários e artistas, Buñuel reclamou com seus amigos, Rafael Sánchez Ventura e Ramón Acín, sobre seus problemas de financiamento de seu novo projeto. O último lhe disse: “Olhe, se eu ganhar o prêmio principal de Natal, eu lhe pagarei por esse filme”.

Dito e feito; após ganhar o prêmio da loteria em 22 de dezembro de 1932 com o número 29757 adquirido em Huesca, não em Madri, Acín manteve sua promessa e doou uma grande parte do dinheiro ao cineasta para filmar um documentário sobre os Hurdes, “Tierra Sin Pan” (Terra Sem Pão). O filme foi altamente crítico da pobreza e negligência das áreas rurais e foi até censurado pelo governo. Acín não só doou o dinheiro, como também participou das filmagens. Ele havia visitado anteriormente a área de Hurdes e até participado do roteiro e, junto com Ramón Sánchez Ventura, estava encarregado das tarefas de produção. O documentário só pôde ser lançado no final de 1936, quando a guerra havia começado e sob rígido controle comunista, que chegou ao ponto de apagar o nome de Ramón Acín dos créditos, devido a sua afiliação e envolvimento anarquista. Buñuel levou trinta anos para dignificar a figura de seu amigo, devolvendo-o aos créditos e devolvendo o dinheiro a suas filhas, Katia e Sol. Em 1962, Buñuel escreveu a Katia e Sol para anunciar o retorno das 25.000 pesetas, aparentemente sem a atualização de quatro décadas.

Kike García Francés

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/ramon-acin-la-loteria-y-las-hurdes-de-luis-bunuel/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Hermética música
há no silêncio da lágrima
que salga o mar.

Fred Matos

[Espanha] O anarquista italiano Alfredo Cospito está em greve de fome há dois meses

Hoje 20 de dezembro completam dois meses desde que o anarquista italiano Alfredo Cóspito iniciou uma greve de fome.

Durante a celebração da audiência que aconteceu no Tribunal de vigilância de Sassari anunciou que iniciava uma greve de fome contra o regime carcerário do 41 bis no qual se encontra atualmente e contra a prisão perpétua sem possibilidade de revisão.

Alfredo é um anarquista que está desde os anos 80 na primeira linha de luta, no final desta época foi encarcerado por insubmissão ao serviço militar obrigatório. Em 2012 foi detido e durante o julgamento reivindicou o disparo na perna contra o dirigente da Ansaldo Nucleare Roberto Adinolfi, ação realizada pelo Núcleo Olga/Federação Anarquista Informal- Frente Revolucionária Internacional em 7 de maio do mesmo ano em Gênova.

Alfredo transcorreu ininterruptamente seus últimos 10 anos no cárcere nas seções de Alta Segurança até seu translado ao 41 bis. O 41 bis é um regime carcerário destinado à aniquilação do preso, enquanto está estudado para provocar danos físicos e mentais através da técnica de privação sensorial; se trata de uma condenação à morte política e social, que busca romper cada forma de contato com o exterior. Em 2016 esteve envolvido na operação Scripta Manent, acusado de associação subversiva com finalidade de terrorismo e de múltiplos ataques explosivos. Na sentença definitiva emitida pela Corte de Cassação em julho do presente ano, se reformulou a condenação para Alfredo e Anna Beniamino a “massacre político”, delito que prevê unicamente a pena de prisão perpétua. O Estado italiano, que sempre protegeu os fascistas perpetradores de verdadeiras matanças (como os massacres de Bolonha ou de Piazza Fontana), agora quer condenar por massacre a dois anarquistas por um ataque que não provocou nem vítimas nem feridos.

Essa privação de comunicação leva a justiça a impedir a difusão de sua declaração em 20 de outubro, o silenciaram quando começou a falar e impedem seus familiares e amigos de entrar na audiência.

Itália é o berço do fascismo, faz uns meses vimos como a ultradireita ganhou as eleições e ainda que pensemos em uma sociedade livre e democrática, não fazemos mais que ver como os poderes fáticos e a justiça burguesa atacam uma e outra vez os movimentos libertários.

Desde a CGT denunciamos e denunciaremos como já o fizemos com Giannis Michailidis, as injustiças da justiça, a corrupção dos governos, a hipocrisia da imprensa comprada pelos grandes lobbies e definitivamente os abusos de poder contra qualquer luta justa e livre.

LIBERDADE SEMPRE, luta COMPROMETIDA E IDEAIS DE luta ANARQUISTA!

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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nuvem grávida
ao entardecer
primeira chuva de verão

Alonso Alvarez

[Espanha] Gráfica anarquista: dois meses de memória viva do fotojornalismo ácrata

Esta semana terminamos a desmontagem da exposição Gráfica anarquista: Fotografia e Revolução Social, 1936-1939; as peças originais da mostra regressam ao arquivo da Fundação e as reproduções fotográficas vão de volta ao Arquivo Fotográfico de Barcelona (AFB).

Atrás ficam quase dois meses de mostra… Inaugurada em 6 de outubro, as petições de prorrogação do público assistente nos fizeram prolongar o período de visita até o dia 2 de dezembro. Em todo esse tempo, foram numerosas as pessoas, muitas delas organizadas em grupos, que passaram pela sede madrilenha da Fundação para não perder a mostra que homenageava o trabalho gráfico de fotojornalistas da dimensão de Pérez de Rozas, Antoni Campañà, Margaret Michaelis ou Kati Horna; nomes próprios que, como explicamos na mesa redonda sobre anarquismo e criação gráfica, são só uma pequena mostra do enorme potencial criativo do movimento libertário de ontem e hoje.

A mostra também serviu para pôr sobre a mesa o trabalho colaborativo dos investigadores, investigadoras, grupos de memória e organizações como a FAL — a fundação da CNT — em prol da recuperação da fecunda história do anarquismo ibérico; uma história que não servirá de objeto de museu, mas de memória viva e semente de aprendizagem para as lutas de hoje.

Agora o rumo da exposição, co-organizada pela FAL, o Arquivo Fotográfico de Barcelona, OVQ e o Ateneu Enciclopédico Popular, prossegue seu curso por outros caminhos. Chegue aonde chegar, não percas a oportunidade de visitá-la.

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/27/espanha-lancamento-grafica-anarquista-utopica-tinta-1931-1939/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/03/espanha-grafica-anarquista-uma-exposicao-mostra-as-fotografias-da-revolucao-de-36/

agência de notícias anarquistas-ana

O rio de verão —
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

[Espanha] CNT aprova a criação de uma caixa de resistência confederal

A caixa de resistência confederal permitirá priorizar greves ofensivas e o secretariado deverá armá-la segundo os critérios aprovados no XII Congresso, celebrado em Granollers.

A CNT aprovou em seu XII Congresso, celebrado no primeiro fim de semana de dezembro, a criação de uma caixa de resistência confederal. A central anarcossindicalista dotará a caixa de um fundo inicial e financiará com uma parte da quota mensal da filiação e colaborações do sindicato. Até agora, a CNT se organizou constituindo caixas de resistência para conflitos concretos, caixas que são mais fácil de nutrir em greves mais midiáticas — as que afetam a um maior número de trabalhadoras — e mais difícil nas que passam desapercebidas da opinião pública.

A caixa de resistência confederal permitirá priorizar greves ofensivas e o secretariado deverá armá-la segundo os critérios aprovados. Após UGT e USO, a CNT será o terceiro sindicato de implantação estatal com caixa confederal própria.

Esta é uma das novidades de um congresso que não se celebrava desde 2015 e ao qual se apresentaram mais de 180 propostas. Após uns dias de descanso, dele fica um agradável sabor de boca: “Como organizadores, gostaríamos de destacar que foi um congresso de consenso no qual quase todas as propostas foram aprovadas por unanimidade ou com maiorias muito amplas, muitas propostas foram reformuladas e praticamente não houve votos particulares”, assinala Genís Ferrero, secretário de ação sindical na Catalunha e Vallès Oriental. O congresso se celebrou em Granollers.

Entre as decisões adotadas em ação sindical, destaca o reforço e a consolidação do gabinete técnico confederal, a proposta aprovada de prevenção de riscos e seguimento da sinistralidade laboral e a necessidade de reivindicar a liberdade sindical, uma reivindicação que afeta profundamente a CNT desde que na Transição se decidiu primar a representatividade sindical através de eleições sindicais em vez da representação direta.

Na ação social, o congresso aprovou reforçar a Fundação Anselmo Lorenzo e realizar um plano integral de formação a vários anos vista para a militância, o qual se espera que aporte estabilidade e uma estrutura mais sólida ao sindicato. Ao mesmo tempo, destaca a “decisão agenda 2036”, que consistirá em elaborar um marco teórico sobre as mudanças de tendência de ciclo, na qual prevem que a crise climática seja mais acusada e que os estados e o neoliberalismo abandonem a mais partes da população. O marco teórico serviria de base ou passo prévio para vinculá-la às propostas laborais e políticas adotadas pela CNT, como o decrescimento.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/laboral/cnt-aprova-creacion-caixa-resistência-confederal

Tradução > Sol de Abril

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cerveja gelada
amigos no boteco
palavra molhada

Carlos Seabra

[Espanha] O regime iraniano continua condenando à morte as pessoas que lutam pelos direitos humanos

Nestes últimos dias, enquanto mais de meio mundo seguia através de uma tela a celebração do mundial de futebol no Catar, país em que os direitos humanos e os direitos das mulheres brilham por sua ausência; o regime iraniano, novamente, ditava várias sentenças de morte contra pessoas que lutam por estes direitos.

No primeiro caso, o cidadão Curdo Mohammad Mahdi Karami, foi detido durante os protestos pelo assassinato da jovem de 20 anos Hadis Najafi en Karaj, acusando o detido de ‘moharebeh’ (inimizade com Deus), sendo submetido a graves torturas físicas e psicológicas durante sua detenção.

No segundo caso, muito mas midiático que o anterior, o governo iraniano pretende executar ao menos 20 pessoas, entre as quais se encontra o jogador de futebol profissional Amir Na sr Azadani, estas pessoas foram detidas durante os protestos que estouraram no país após a morte da jovem Mahsa Amini, aos quais também acusam de ‘moharebeh’ e uma falsa participação, da qual não existe prova alguma, em participar na morte de 3 agentes de segurança em 16 de novembro passado.

Desde a CGT exigimos a intervenção imediata do Ministério do Interior em ambos assuntos, e que este, através da União Europeia ou de qualquer outro estamento necessário, interceda para paralisar estas condenações. O Ministério do Interior tem que servir para algo mais que passear pelo mundo e fazer fotos com seus homólogos, e este é o momento de demonstrá-lo.

Do mesmo modo, desde a CGT fazemos um chamado a toda a sociedade para que participe nos protestos que se realizam por estes dois temas. Não podemos olhar para o outro lado enquanto haja um só lugar no mundo no qual se vulnerem os direitos humanos.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/el-regimen-irani-continua-condenando-a-morte-a-las-pessoas-que-lutam-por-los-direitos-humanos/

Tradução > Sol de Abril

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Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

Podcast | Antinomia #79: Já pode criticar? Governo de transição e anarquismo

Ao longo dos últimos meses o cenário político foi intenso, eleições, fake news, pedidos por intervenção militar e finalmente o famigerado governo de transição. Frente a uma esquerda que nem assumiu o mandato e já se desintegra, analisamos alguns dos eventos recentes e refletimos para as consequências mais imediatas do novo mandato da chapa Lula-Alckmin. Mas como nem tudo é só política eleitoral, também trazemos no quadro, Vamos falar de Anarquia, um pouco do que rolou no 3 Congresso Internacional de Pesquisa sobre Anarquismo e na XII Feira Anarquista de São Paulo. Quer saber mais? Dá play! 

>> Aqui:

https://open.spotify.com/episode/4Ekyyw5QnYAAuZMAMXBAhl?si=_n1pBuQ9TnqhG9IuBYZaCQ&fbclid=IwAR3u8NRCBiiiSmoVCbpVHFeR6EG0_6cB7-yo1wf65k7zhynJ01q48Wwe2OA&nd=1

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velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela

Ricardo Silvestrin

[Peru] Apoie o Centro Social Manuel Gonzalez Prada de Lima

O Centro Social Anarquista Manuel González Prada foi inaugurado e apresentado em 17 de setembro de 2022. É um fato histórico estruturar e dar vida a um local destas características, pois se trata de um espaço amplo com várias salas, onde principalmente haverá uma Biblioteca “Emilio López”, Hemeroteca, Videoteca e Arquivo Histórico do anarquismo na região peruana. O Centro Social também conta com um espaço para crianças recentemente inaugurado “Educar en Libertad” e uma Sala para palestras, apresentações, conferências e vídeos. O arquivo foi implementado em grande parte pelo acervo do Centro de Investigações Libertárias, com bastante material para ser catalogado e divulgado.

A importância de um Espaço deste tipo se reforça mais justamente com o caráter de Centro Social Cultural, o qual busca integrar o bairro circundante com as atividades educativas, culturais e sociais que se brindarão gratuitamente. Os/as que participamos do Centro Social temos vasta experiência em múltiplas iniciativas ácratas: Jornadas, Encontros, Marchas, Jornais, Coletivos, Editoras, etc., e buscamos, como ideia transcendental, difundir os ideais libertários de Manuel González Prada, por isso nosso local leva seu nome.

Somos anarquistas e nos sentimos honrados de que o Centro Social (ou Ateneu Anarquista) leve o nome de tão ilustre companheiro, mas sabemos que o que precisa é um árduo trabalho de difusão política à altura das circunstâncias. Desde muitos anos, como libertários, que não tínhamos a materialidade de um espaço e isto implica uma grande responsabilidade que se verá plasmada no que faremos no futuro. É um desafio e uma satisfação real montar passo a passo, prateleira por prateleira, livro por livro… todos os nossos sonhos e ideais, pois isto é só o começo do que queremos organizar.

As tarefas que urgem implementar em nosso CSMGP são:

  • Terminar a implementação de nossa biblioteca anarquista “Emilio Lopez” com a compra de mesas, estantes, mobiliário, luzes, e um computador. A hemeroteca e a videoteca que é abundante terão um espaço próprio em nosso CS. Contamos com mil livros específicos em classificação.
  • A compra de 4 mesas pequenas e suas respectivas cadeiras para nosso espaço para crianças “Educar en Libertad”. Estantes para a biblioteca e andar de recreação. Materiais para as diversas oficinas. Além de jogos didáticos.
  • A implementação da sala de eventos. A mesma que servirá para recitais de poesia, conferências, ciclos de cine, oficinas, e demais atos culturais. Para isto necessitamos comprar 30 cadeiras para o público, um projetor, uma tela.
  • Acondicionamento do quarto de hóspedes. Reparar as paredes, tetos e pintá-las.
  • A compra de material para cobrir a parte traseira do CS.
  • Acondicionamento da livraria, compra de estantes e demais materiais.

Todos vocês sejam bem-vindos ao novo Centro Social Manuel González Prada (Palca 228, Cercado de Lima).

>> Apoie clicando aqui:

https://www.gofundme.com/f/Apoio-centro-social-manuel-gonzalez-prada-de-lima?

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/28/peru-inauguracao-do-centro-social-manuel-gonzalez-prada-em-lima/

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Eu limpo meus óculos
mas vejo que me enganei.
É lua nublada.

Neide Rocha Portugal

[Espanha] Anarquismo e revolução negra

Na palestra apresentada por Lluis Guix, gerente do restaurante e da livraria Anonims, ele nos apresentou o palestrante Williams C. Anderson, um escritor estadunidense ligado ao movimento anarquista, com tradução simultânea do inglês para o espanhol. Williams logo começou a mergulhar na história do movimento revolucionário e do partido dos Panteras Negras nos Estados Unidos, que desafiou a brutalidade policial. Ao mesmo tempo, ele destacou duas figuras fundamentais que influenciaram muito seu trabalho como escritor, de um lado Martin Sostre, ativista e advogado reconhecido por sua luta no movimento pelos direitos dos presos e sua influência na melhoria e retificação do sistema prisional; e do outro, a figura de Lorenzo Kom`Boa, escritor e anarquista, um ex-militante dos Panteras Negras que atualmente é líder e organizador comunitário.

Esta influência leva o escritor Williams C. Anderson a entender as ideias anarquistas como uma possibilidade de ruptura que oferece uma análise racial diferente rejeitando a violência do estado, tornando-se uma ferramenta transformadora relevante contra estados que reprimem as pessoas e ameaçam a vida e a natureza.

William relata a vida daqueles marginalizados pelo poder (ou cidadãos de segunda classe) que têm experiências de organização, sobrevivência e autogestão, e que explicam alguns dos novos paradigmas do presente com uma longa visão do futuro. Ao mesmo tempo, gera novas teorias para resolver certos problemas atuais e a situação política nos EUA, buscando a beleza do coletivo, emergindo do individual.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/anarquismo-y-revolucion-negra/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/08/eua-lancamento-anarchism-and-the-black-revolution-edicao-definitiva/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/03/eua-lancamento-the-nation-on-no-map-anarquismo-negro-e-abolicao/

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os raios de sol
iluminam de manhã
o velho farol

Carlos Seabra

[Portugal] Está nas ruas mais uma edição do Jornal MAPA (edição 36 – Dez/Fev)

Para terminar 2022, fomos de encontro aos novos trilhos do cooperativismo e da economia solidária a propósito do 1.º Fórum das Cooperativas Integrais, o que levou a revisitar o comunitarismo do nosso mundo rural, em torno das “conversas com gentes da terra” nas aldeias e baldios da Serra d’Arga. Uma vez mais ecoa nas nossas páginas o exasperar migrante com o relato de uma médica portuguesa, na fronteira da Sérvia com a Hungria. E no que igualmente toca aos direitos humanos, insistimos em publicar na primeira pessoa cartas de presas das cárceres portuguesas. E porque a habitação é um campo de batalha, falamos da resistência aos despejos no bairro do 2º Torrão (Almada) e dos movimentos em Lisboa pelo direito à habitação.

Das ruas da capital conta-se ainda a história das “Manas”, pessoas utilizadoras de drogas, migrantes, trabalhadoras sexuais ou moradoras de rua, que se reúnem em coletivo rompendo contra a sua invisibilidade. De outras temáticas se faz ainda este MAPA, escrevendo Joana Martins, enquanto antropóloga, feminista, pagã e bruxa, sobre o neopaganismo em Portugal. Há ainda espaço para uma crônica sobre o delírio e as ilusões coletivas da mais recente edição do Web Summit e para os testemunhos da guerra e da migração recolhidos num encontro de ativistas europeus. Entre propostas de leituras diversas, assinalamos o documentário “As Brigadas Revolucionárias na Luta Contra a Ditadura (1971-1974)”. Sem deixar de fora apontamentos às escolas ocupadas em Novembro reivindicando o fim dos combustíveis fósseis, entre outras matérias mais que poderão ser lidas nesta edição do Jornal MAPA.

Esta edição encerra uma década de Jornal MAPA, um projeto de informação crítica que nasceu em 2012 durante o ciclo de crise social e econômica iniciado em 2008 e se mostra pronto para novamente ligar pontos no mapa durante a próxima crise que se avizinha.

Como não podia deixar de ser necessitamos de todo o apoio para cá continuarmos e, concretamente, da vossa assinatura. Basta ir a https://www.jornalmapa.pt/assinatura-do-jornal/

www.jornalmapa.pt

agência de notícias anarquistas-ana

tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

A vingança das crianças

Por Ari Soares

Neste fim de ano eu gostaria que ninguém perdoasse ninguém a menos que merecesse.

Neste fim de ano eu gostaria que ninguém sentasse à mesa com alguém que não gostasse.

Neste fim de ano eu gostaria que ninguém presenteasse ninguém com presentes artificiais.

Eu realmente gostaria que este clima falso não estivesse pesando sob as mentes das pessoas que não se deixam enganar por momentos tramados e passageiros.

Este fim de ano eu gostaria que as crianças sequestrassem Papai Noel e o espancassem. Depois libertassem as renas do jugo desse capitalista. E que lhes enviassem uma carta bomba, caso ele consiga fugir, quem sabe libertado por aqueles malditos duendes que se deixam escravizar pelo tirano Noel.

Gostaria que seu saco de presentes capitalistas, que corrompe a mente ingênua das crianças, fosse roubado por “crianças de rua” e que os presentes, produtos de furto, fossem distribuídos pelas favelas deste mundo.

Basta apenas querer enxergar para ver quantos cifrões se escondem por detrás daquela pança e daquela barba de maldito bom velhinho risonho.

agência de notícias anarquistas-ana

Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.

Matsuo Bashô