Juana Rouco Buela: uma mulher à frente do seu tempo?

Por Letícia Nunes de Moraes*

Você conhece a história de Juana Rouca Buela? Não? Eu também não conhecia até ler o livro História de um ideal vivido por uma mulher e textos escolhidos de Juana Rouco Buela, lançado há três meses pela Tenda de Livros, é o segundo volume da coleção Charlas y Luchas. A primeira parte da edição é a autobiografia dessa anarquista hispano-argentina, publicada pela primeira vez em 1964. A segunda parte reúne textos selecionados em sua maioria do folheto Mis Proclamas.

Deliberadamente, em suas memórias, Juana Rouco seleciona episódios que considera relevantes em sua trajetória política como militante anarquista e exclui sua vida privada “tanto quanto possível”, como explica logo nas primeiras linhas. Uma pena! Para nós, historiadoras de hoje, seria um documento valiosíssimo sobre como nossas antecessoras viveram afetivamente em suas vidas privadas. Entretanto, a história de Juana mostra que ela, como tantas outras mulheres, não ficou restrita ao mundo doméstico. Ao contrário, muitas foram bastante atuantes, inclusive politicamente.

A sua narrativa segue rigorosamente a sequência cronológica dos eventos, o que pode tornar os textos monótonos, sem grandes desafios interpretativos para quem lê. Juana, contudo, adota um tom de diálogo com seus leitores, e sua trajetória é tão intensa e agitada que é preciso estar atenta para não se perder em tantas viagens, congressos, palestras, fugas, prisões, produções de jornais, alegrias e tristezas. A maior dessas, sem dúvida, foi a traição e o abandono pelo companheiro mais amado, o pai de seus filhos, que partiu em 1930, após treze anos de convivência. O sofrimento foi tão grande que quase lhe perturbou a mente e a paralisou por muito tempo, como um barco à deriva, recorda-se.

* Pesquisa a vida e obra de Patrícia Galvão, a Pagu, é historiadora, professora e revisora de textos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://blog.tendadelivros.org/blog/juana-rouco-buela-uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo%ef%bf%bc/

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Sabiá no galho —
O vento sobe na árvore
para ver o canto

Teresa Cristina flordecaju

 

[Itália] Memória | Enrico Zambonini. Anarquista, fuzilado por causa de sua luta enérgica contra todas as formas de poder e exploração

Secchio de Villa Minozzo 28 de abril de 1893 – Reggio Emilia 30 de janeiro de 1944

“Enrico Zambonini”. Anarquista, fuzilado por causa de sua luta enérgica contra todas as formas de poder e exploração”.

Ele emigrou para Gênova e fez contato com anarquistas e sindicalistas da USI, tornando-se um agitador sindical. Ele freqüentemente voltava a Villa Minozzo, espalhando propaganda libertária, mas em 1922 ele foi atacado por fascistas. Ele fugiu para a França e continuou sua militância política, mudando-se frequentemente para a Bélgica, onde o antifascismo libertário tinha uma boa presença. Em 1936, ele chegou à Espanha e esteve entre os primeiros aderentes da coluna italiana “Ascaso” CNT-FAI, participando das batalhas de Huesca e Almudevar. Em 1937, ele estava presente em Barcelona, onde houve confrontos entre comunistas e anarquistas pelo controle da central telefônica, sendo gravemente ferido no rosto.

Então ele retornou à França, mas foi entregue à polícia italiana que o enviou à Ventotene. Como todos os anarquistas, ao contrário dos antifascistas, ele não é libertado, mas enviado ao campo de concentração Renicci d’Anghiari em Arezzo. Escapa do campo e depois de uma longa viagem retornou às montanhas de Reggio Emilia, juntando-se à Resistência com um papel de liderança. Após um conflito entre guerrilheiros e fascistas, ele foi preso e em um julgamento sumário foi condenado à morte por fuzilamento juntamente com Don Pasquino Borghi e outros sete guerrilheiros. Ele recusou os confortos religiosos e morreu ao grito de “Viva a anarquia!”.

Ele nasceu em Secchio di Villa Minozzo (Re) em 1893 e morreu em Reggio Emilia em 1944.

Em destaque (foto), placa colocada pela FAI Reggiana na prefeitura de Villa Minozzo (RE) em 30 de janeiro de 1984.

Tradução > Liberto

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Procurando flores
borboleta pousa
entre minhas sardas.

Mô Schnepfleitner

 

Artistas italianos fazem apelo em defesa de anarquista

Artistas italianos fizeram nesta segunda-feira (30) um apelo ao governo da premiê Giorgia Meloni em defesa do anarquista Alfredo Cospito, que está em greve de fome há mais de três meses para protestar contra o isolamento na cadeia.

O documento é assinado por diversas personalidades do cinema na Itália, como Jasmine Trinca, Michele Riondino, Paolo Calabresi e Valerio Mastandrea, e pede a intervenção do governo “antes que seja tarde demais”.

“Alfredo Cospito é um presidiário anarquista em greve de fome há mais de 100 dias para protestar contra o 41-bis [nome do regime de isolamento total na cadeia, sistema geralmente reservado a mafiosos]. Acusam-no de um atentado que não causou mortes nem feridos. Por isso, Alfredo iniciou uma luta com seu corpo, uma luta terrível que o está conduzindo à morte, em meio à total indiferença daqueles que poderiam e deveriam intervir”, diz a carta.

Cospito cumpre pena de 20 anos de prisão por ter detonado duas bombas caseiras diante de uma escola de recrutas da Arma dos Carabineiros em Fossano, no norte da Itália, ação que não provocou vítimas.

Em seu apelo, os artistas acusam o ministro da Justiça, Carlo Nordio, de “inércia e indiferença” perante o pedido da defesa do anarquista para revogar o 41-bis. “A luta de Alfredo nos convida a pensar sobre o senso de humanidade e utilidade das leis de nosso país, sobre a evidente desproporção entre crime e pena.

Alfredo Cospito está pronto para morrer por isso”, afirmam.

Ao longo dos últimos meses, sedes diplomáticas da Itália no exterior foram alvos de ataques por parte de anarquistas, incluindo o Consulado-Geral em Porto Alegre. Durante um evento nesta segunda-feira, Meloni disse que o Estado “não deve se deixar intimidar por quem acredita ameaçar seus funcionários”.

Apenas no último fim de semana, anarquistas vandalizaram o consulado italiano em Barcelona e o carro de um diplomata da embaixada em Berlim. O Ministério Público de Roma apura a hipótese de “terrorismo” nesses crimes.

Fonte: ANSA

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Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante 

Winston

[EUA] Ataque à UPS em solidariedade com Atlanta Forest Defenders em Portland, Oregon

Em 20/01/23, anarquistas em Portland, Oregon, foram atrás do centro de entregas da UPS em Portland em retaliação depois que um camarada foi assassinado pela Polícia de Atlanta.

Os anarquistas quebraram entre 10 e 15 janelas grandes e iniciaram vários pequenos incêndios dentro do prédio. A UPS é uma das maiores empresas atualmente doando para o Cop City Project em Atlanta.

Em 18/01/23, a polícia de Atlanta tentou uma invasão na floresta que estava sendo protegida por defensores da floresta e, assim que eles apareceram, abriram fogo e mataram um defensor da floresta.

Queremos expressar nosso amor por Tortuguita, também conhecido como Cami, bem como por todos os seus companheiros e entes queridos.

A polícia de Atlanta roubou de nós um camarada e amigo de muitas pessoas  em 18/01/23. Algumas janelas quebradas nunca irão desfazer o que a polícia de Atlanta fez, mas quem sabe as ações contínuas possam trazer a mudança que Cami desejou e esperava ver um dia.

Pedimos mais ações diretamente contra as empresas que estão doando e financiando o projeto Cop City em Atlanta. Os defensores da floresta têm o direito de permanecer na floresta, e os grupos continuarão a retaliar até que o Projeto Cop City seja cancelado.

Com amor, de PDX para ATL

Fonte: Rose City Contrainfo

Tradução > Contrafatual

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dois amigos na janela
a lua
encontra o pinheiro

Ricardo Portugal

[EUA] Filadélfia: vigília e caminhada por Tortuguita

No sábado, 21/01, houve uma vigília para Tortuguita Manuel Teran. Um grupo de cerca de 40 adultos e crianças colocou velas e placas caseiras ao lado da tartaruga no Clark Park.

As pessoas espontaneamente fizeram discursos sobre a morte de Tortuguita. Os discursos abordaram a experiência das pessoas com elu, luto, martírio e luta contínua. As pessoas chamavam umas às outras para atingir os patrocinadores da cidade policial e os empreiteiros responsáveis pela construção.

Depois que as pessoas falaram por um tempo, um pequeno grupo interrompeu a vigília. Eles tomaram a rua com faixas. Barricadas de um canteiro de obras próximo foram colocadas na rua para bloquear policiais e o tráfego. Enquanto a marcha avançava, pichações em homenagem a Tortuguita e contra a polícia foram feitas. Uma imobiliária teve as janelas quebradas.

Embora a Filadélfia esteja longe de Atlanta, a morte de Tortuguita foi profundamente sentida aqui. Nós estamos com raiva. Nós estamos observando. Estamos atuando. A cidade policial nunca será construída.

Descanse em paz Tortuguita
Nem inocente nem culpado
Nem terroristas nem manifestantes
Simplesmente anarquistas!
Um caloroso abraço aos presos em Atlanta, Seattle e em qualquer outro lugar
Morte à civilização

Tradução > Contrafatual

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para medir o calor
do dia, olhe o comprimento
do gato que dorme

James W. Hackett

[Itália] 103 dias de greve de fome: informe sobre o companheiro Alfredo Cospito

Alfredo Cospito chegou ao 103º dia de sua greve de fome contra o regime 41bis, ao qual está confinado. “Ele não tem intenção de mudar de ideia e quebrar seu jejum”, disse ontem sua médica Angelica Milia. Para salvá-lo ela diz que “não haveria necessidade de transferi-lo para outro lugar, a única solução seria removê-lo do 41 bis”.

O governo, entretanto, não quer ouvir falar disso e usa as demonstrações de solidariedade com o anarquista como pretexto: a subsecretária de Justiça, Andrea Delmastro, fala de “uma série de violências que confirma que houve uma base na adoção do 41 bis”. Para apoiar sua tese, ele cita os confrontos ocorridos nos últimos dias com a polícia e as ações demonstrativas registradas em Barcelona e Berlim contra os escritórios diplomáticos, que estão sendo investigados pelo esquadrão anti-terrorismo sob responsabilidade dos agentes DIGOS e dos Carabinieri do ROS. Às 18h30 será realizada uma reunião do Conselho de Ministros, onde os Ministros das Relações Exteriores, do Interior e da Justiça também estão programados para apresentar um relatório sobre o caso.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/01/30/103-dias-de-greve-de-fome-atualizacao-sobre-o-companheiro-alfredo-cospito/

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Sob a lua
a sombra que se alonga
é uma só.

Jorge Luis Borges

Agitação em solidariedade com o companheiro Alfredo Cospito

Intervenção em frente ao consulado geral da Itália na cidade de $ão Paulo, território dominado pelo Estado brasileiro, no marco da semana de agitação internacional em solidariedade ao companheiro anarquista Alfredo Cospito, que há mais de 100 dias mantém uma greve de fome dentro da prisão contra o regime de isolamento 41bis.

LIBERDADE IMEDIATA PARA ALFREDO, ANNA, JUAN E TODXS XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL!

41 BIS É TORTURA!

ABOLIR A SOCIEDADE CARCERÁRIA!

QUE VIVA A ANARQUIA!

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/01/30/agitacao-solidariedade-alfredo/

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lua quase cheia
por trás das nuvens
nos olhos do cão

Alice Ruiz

“Lobotomia Neoliberal”, música de combate contra a tirania da ostentação

Por Rodrigo Ktarse (Rodrigo Santos Andreoti)

Apresentamos para vocês a arte combativa através da canção “Lobotomia Neoliberal”, música de combate contra a tirania da ostentação que é cantada nas vozes de Bruno Enrico e Rodrigo Ktarse, somando-se com o baixo do grande baixista Luciano Setti (Divã da Alma) e a produção do lyric vídeo do Motim Underground, onde a partir dessa coletividade pudemos apresentar esse trampo pesadão!

Estamos imersos na tirania social, cultural, política e econômica em que o TER vale mais do que o SER, essa tirania cristalizada na ostentação, que tem como força motriz o neoliberalismo, e faz parte do sistema capitalista, no qual inculcou nas quebradas o individualismo, a competição, o cada um por si e a guerra de todos contra todos, minando freneticamente a coletividade, a solidariedade, cooperação, apoio mútuo, empatia e combatividade contra os opressores imperialistas. A ostentação dos valores e símbolos de vitória do capitalismo fez triunfar a estupidez, pois a sabedoria, o conhecimento crítico, os livros e a humildade que são valores potentes dos de baixo contra os de cima, está sendo esmagados pela ostentação consumista, e infelizmente o desprezo e rejeição aos saberes de quebrada é triunfante.

Majoritariamente xs oprimidxs estão com o cognitivo sabotado e essa estratégia de mutilação mental serve para nos manter controlados e domesticados, pois assim, todo nosso ódio e revolta são canalizados para que os ricos continuem ricos, os pobres continuem pobres, os opressores continuem oprimindo a quebrada de forma intensa, sem que a quebrada consiga se organizar e reagir contra as injustiças. Por isso se faz mais que necessário colocar o dedo na ferida da tirania da ostentação, e através da arte combativa que não se rende ao sistema, que é a nossa arma da crítica, no qual, vamos potencializando e fomentando na quebrada, para que a mesma pegue a visão e venha a se enfurecer e se rebelar contra os playboys que são os verdadeiros orquestradores e que fazem lucros exorbitantes através da tirania da ostentação, queremos sim ver a playboyzada sendo esmagada pela revolta popular, revolta essa que trás consigo a sabedoria do SER e não do TER e outras formas de existência e valorização da vida. Queremos ver a quebrada emergir para o desespero da casa grande.

>> Escute a canção aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=N5zSBDEwYT4

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Preso na cascata
um instante:
o verão

Matsuo Bashô

[Itália] 100 dias de greve de fome do prisioneiro anarquista Alfredo Cospito

Um prisioneiro anarquista condenado a prisão perpétua sem nunca ter matado ninguém.

O anarquista italiano está preso sob as condições do Artigo 41bis na prisão Bancali em Sassari, Sardenha. Na sexta-feira (27/01) ele ultrapassou 100 dias de greve de fome. No dia anterior, o médico de Cospito disse que ele já havia perdido mais de 40 kg e havia quebrado o nariz e perdido muito sangue após uma queda enquanto tomava banho.

Cospito tem dificuldade para andar e usa uma cadeira de rodas. Ele tem valores microquímicos alarmantes, e tem sérios problemas de termorregulação (regulação da temperatura corporal), ou seja, ele está ficando cada vez mais frio e veste vários pares de camisas, calças e meias para se manter quente, disse a médica Angelica Milia.

“Este homem está morrendo”, escreveu Luigi Manconi, ex-professor de Direito e defensor dos direitos humanos, em um texto para o jornal La Stampa, que pediu ao Papa Francisco para intervir.

No sábado (28/01), durante uma manifestação de apoio a Cospito, anarquistas lançaram um coquetel molotov contra o distrito policial de Prenestino, em Roma.

Além disso, os manifestantes tentaram furar os bloqueios policiais e danificaram veículos estacionados na rua. Os tumultos coincidiram com os ataques contra a embaixada da Itália em Berlim, onde o carro de um diplomata foi incendiado, e o consulado italiano em Barcelona, no qual anarquistas vandalizaram.

Neste domingo (29/01), segundo a imprensa italiana, um envelope com uma bala e ameaças aos juízes foi endereçado ao diretor do jornal Il Tirreno, Luciano Tancredi. Em uma folha quadriculada estava a seguinte frase: “Se Alfredo Cospito morrer, os juízes são todos objetivos: dois meses sem comida. Fogo nas cadeias”.

Segundo o jornal Livorno, a carta está assinada com a letra “A” e foi apreendida pela polícia, que abriu uma investigação.

Em nota, o governo italiano reforçou que “os ataques perpetrados contra a nossa diplomacia em Atenas, Barcelona e Berlim, assim como a de Turim, a violência nas ruas de Roma e Trento, as balas dirigidas ao diretor do Il Tirreno e ao procurador-geral Francesco Saluzzo, o coquetel molotov contra uma delegacia, não vão intimidar as instituições”.

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no sonho
da velha cerejeira em flor
passa um gato branco

Philippe Caquant

[EUA] Vingança de Oakland – Viva Tortuguita!

Na noite de 20 de janeiro de 2023, 30 anarquistas de luto tomaram uma ação vingativa contra nossos inimigos pelo assassinato de Cami/Tortuguita na Floresta de Atlanta dois dias antes. Quebramos dezenas de janelas ao longo da fachada de vidro de um prédio do Bank of America no centro de Oakland, destruímos os caixas eletrônicos e repintamos as paredes com mensagens de amor, memória, solidariedade e raiva pelo assassinato de nosso camarada antes de iluminar o local com coquetéis molotov.

O Bank of America é um inimigo do povo e da própria vida. Atualmente, eles financiam a construção da cidade policial em Atlanta, o mesmo projeto que ameaça a floresta que Tortuguita morreu defendendo. Eles não merecem lugar em nossa paisagem. Destruímos rapidamente, mas incansavelmente. Como os camponeses da Jacquerie, os destruidores luditas ou os revolucionários haitianos, buscamos a libertação da maneira mais óbvia: a destruição do que sabemos ser a causa de nosso sofrimento. E se destruímos muito, é porque sofremos muito. “Vingança! Vingança!” é o nosso grito de guerra.

Aos nossos inimigos que procuram liquidar nossas vidas e a terra: vocês não vão nos matar impunemente! Nós vamos contra-atacar, cada vez mais ferozmente do que antes. Quanto mais você tira de nós, mais temos pelo que lutar – menos temos a perder.

Aos nossos camaradas caídos: suas mortes nunca serão em vão! Nós vamos vingar você mil vezes! Seu sangue é nosso sangue. Suas vidas iluminam o caminho de nossa luta, e isso é apenas o começo.

Apoiamos Tortuguita, quer eles tenham atirado nos porcos ou não. Um tiro disparado contra a polícia é um ato de libertação.

TORTUGUITA VIVE, A VIDA SEGUE
OS MÁRTIRES NUNCA MORREM
A CHAMA DA ANARQUIA QUEIMA BRILHANTE
A CIDADE POLICIAL NUNCA SERÁ CONSTRUÍDA
POR UM MUNDO LIVRE DE DINHEIRO, POLÍCIA E PRISÃO
POR UM MUNDO CHEIO DE ÁRVORES, ANIMAIS E VIDA
FLORESTA POPULAR DE WEELAUNEE PARA SEMPRE

Fonte: https://scenes.noblogs.org/post/2023/01/21/vengeance-from-oakland-viva-tortuguita/

Tradução > Contrafatual

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O rio de verão —
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

[EUA] Tortuguita: Descanse em poder

23 de abril de 1996 – 18 de janeiro de 2023
Assassinade pela patrulha estadual da Geórgia
Anarquista indígena não-binárie, companheire amável, amigue queride, defensore da floresta, médique treinade, alma corajosa e muito mais.
Tort morreu uma morte revolucionária. não morreu em vão, mas pelo movimento para acabar com a militarização policial e proteger nossa floresta. em nome de tort, continuamos a lutar para defender a Floresta de Weelaunee e parar Cop City. com amor, fúria e um compromisso com a segurança e o bem-estar de todos.
Justiça por Tortuguita
Lutando sem cessar pelos vivos e mortos
Em Atlanta ou não, somos todos defensores da floresta
defendtheatlantaforest.com

agência de notícias anarquistas-ana

Virada do morro:
Ipê e seu grito amarelo
perpendicular.

Eolo Yberê Libera

 

[EUA] Solidariedade com o Movimento Para Barrar “Cop City” e Defender a Floresta Weelauneeent

Pedimos a todas as pessoas de boa consciência que se solidarizem com o movimento para barrar o projeto Cop City (Cidade da Polícia) e defender a Floresta Weelaunee em Atlanta.

Em 18 de janeiro, durante sua última incursão militarizada na floresta, a polícia de Atlanta atirou e matou uma pessoa. Esta é apenas a mais recente de uma série de violentas retaliações policiais contra o movimento. A narrativa oficial é que Cop City é necessária para tornar Atlanta “segura”, mas esse assassinato brutal revela o que eles querem dizer quando usam essa palavra.

As florestas são os pulmões do planeta Terra. A destruição das florestas afeta a todos nós. O mesmo acontece com a gentrificação e a violência policial que a demolição da floresta de Weelaunee facilitaria. O que está acontecendo em Atlanta não é uma questão local.

Políticos que apoiam a Cidade da Polícia tentaram desacreditar os defensores da floresta como “agitadores vindos de fora”. Essa difamação tem uma história vergonhosa no Sul estadunidense, onde as autoridades a usaram contra abolicionistas, sindicalistas e o Movimento pelos Direitos Civis, entre outros. O objetivo de quem espalha essa narrativa é desestimular a solidariedade e isolar as comunidades umas das outras, ao mesmo tempo em que oferece um pretexto para trazer as forças estaduais e federais, que são os verdadeiros “agitadores de fora”. A consequência dessa estratégia fica óbvia na tragédia de 18 de janeiro.

Substituir uma floresta por um centro de treinamento policial apenas criará uma sociedade mais violentamente policiada, na qual os recursos dos contribuintes enriquecem a polícia e as empresas de armas, em vez de atender às necessidades sociais. O encarceramento em massa e a militarização da polícia não conseguiram reduzir o crime nem melhorar as condições das comunidades pobres e da classe trabalhadora.

Em Atlanta e nos Estados Unidos todo, o investimento nos orçamentos da polícia ocorre às custas do acesso à alimentação, educação, assistência infantil e assistência médica, moradia estável e acessível, parques e espaços públicos, trânsito e livre circulação de pessoas e estabilidade econômica para muitos. A concentração de recursos nas mãos da polícia serve para defender o acúmulo extremo de riqueza e poder por parte das corporações e dos muito ricos.

O que os policiais fazem com seus orçamentos aumentados e sua carta branca dos políticos? Eles matam pessoas todos os dias. Eles encarceram e traumatizam crianças em idade escolar, pais, entes queridos que estão simplesmente lutando para sobreviver. Não devemos nos contentar com uma sociedade organizada de forma imprudente sobre os valores da violência, racismo, ganância e indiferença descuidada com a vida.

A luta que está acontecendo em Atlanta é uma disputa pelo futuro. À medida que os efeitos catastróficos da mudança climática atingem nossas comunidades com furacões, ondas de calor e incêndios florestais, os riscos deste concurso estão mais claros do que nunca. Isso determinará se aqueles que vierem depois de nós herdarão uma Terra habitável ou um pesadelo de estado policial. Cabe a nós criar uma sociedade pacífica que não trate a vida humana como dispensável.

Os defensores da floresta estão tentando criar um mundo melhor para todos nós. Devemos isso ao povo de Atlanta e às gerações futuras em todos os lugares para apoiá-los.

Aqui estão algumas maneiras de apoiar a defesa da floresta em Atlanta:

  • Doe para o Fundo de Solidariedade de Atlanta para apoiar os custos legais de manifestantes presos e ações legais em andamento.
  • Contacte os investidores do projeto para desinvestir da Cop City (lista de investidores da APF). Pressione os construtores do projeto que abandonem seus contratos de construção.
  • Organize fundos de fiança de solidariedade política, fundos de defesa florestal e comitês de defesa florestal onde você mora.
  • Organize ou participe de ações solidárias locais.
  • Endosse e divulgue esta declaração de solidariedade. E-mail defendweelaunee@riseup.net.

[Defend The Atlanta Forest, 19 de janeiro, 2023.]

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O luar no mar.
Um peixe salta, enlevado,
banhado de prata.

Jacy Pacheco

[Espanha] Gastos militares para escolas e hospitais

Em 30 de janeiro, as escolas celebrarão o Dia Escolar da Não-Violência e da Paz (DENYP), um evento que vem sendo comemorado há muitos anos para encorajar as comunidades educacionais a refletir sobre a paz e rejeitar a guerra e o militarismo.

Este 30 de janeiro de 2023 não deve se limitar a soltar pombas ou balões nos pátios das escolas: é um dia crucial para denunciar o vertiginoso aumento dos gastos militares em detrimento dos investimentos em educação, saúde, sociais…

Com a guerra na Ucrânia, a ascensão do militarismo a nível mundial é extremamente perigoso, e os trabalhadores da educação pública não podem olhar para o outro lado: não podemos falar em nossas escolas e institutos sobre uma Paz em abstrato: temos a obrigação moral de denunciar a guerra, o imperialismo, o uso de armamentos (incluindo tanques Leopard que custam 6 milhões de euros cada um, que poderiam ser usados para construir três hospitais), o patriotismo e o risco de guerra nuclear.

Vamos transmitir a ideia de que é necessário PARAR A GUERRA, e impedir que os pobres de ambos os lados se matem uns aos outros.

Para que nenhuma bomba possa destruir nossos ideais.

26 de janeiro de 2023 – Coordenadora Regional de Ensino e Intervenção Social Andaluzia – Murcia da CNT.

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o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa

[EUA] Wadiya Jamal, minha amada

A seguinte mensagem de Mumia foi ao ar pela primeira vez na Rádio Prisão em 30 de dezembro de 2022.

Por Mumia Abu-Jamal

Ela era um bebê da primavera, nascido na primeira semana de abril de 1953 — uma garota da Filadélfia Ocidental, cuja beleza a fez brilhar em uma multidão. Ela amava ferozmente, como um leão. Esse amor abençoou a vida de cinco lindas crianças e me abençoou.

Como mãe e avó, ela irradiava como um sol sobre seu planeta; e quando alguém se perdia, seu amor poderoso era rachado por tal perda — sua mãe e pai, seu irmão Jimmy e, talvez mais profunda, a perda do bebê da família, Samiya, era a rachadura mais profunda, o passado mais profundo.

Depois disso, todo mês de dezembro era um martírio na escuridão. Estávamos todos esperando a primeira luz da primavera, para que essa névoa escura se rompesse. Mas não era para ser. Logo após as férias, seu coração, seu coração poderoso, desistiu. Ela amava como ninguém.

Eu te amo, eu sempre te amarei. Todos os filhos e netos te amam e sempre te amarão. Seu sorriso era o único raio de sol de que precisávamos, e precisamos dele agora. Nós te amamos, Wa-Wa. Sentimos sua falta.

Com amor, não com medo, este é Mumia Abu-Jamal. 

Tradução > abobrinha

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Quietos, no jardim,
mãos serenadas. Na tarde,
o som das cigarras.

Yberê Líbera

Vídeo | Enquanto houver vida, vai haver resistência

Enquanto a extrema-direita fica mais violenta e agressiva, enquanto o capitalismo e o colonialismo seguem explorando e exterminando a vida no planeta, vemos grande parte da pessoas seguirem passivamente suas vidas, colocando todas suas esperança nas instituições. Mas neste exato momento há pessoas lutando, construindo e vivendo mundos melhores! Enquanto houver vida, vai haver resistência!

>> Para ver o vídeo, clique aqui:

https://antimidia.org/enquanto-houver-vida-vai-haver-resistencia/

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Ah, a sensualidade…
palmeiras se abraçando
cúmplices do vento.

Anibal Beça

A aventura golpista bolsonarista e o reforço do Estado

União Popular Anarquista/UNIPA, 9 de janeiro de 2023.

Hoje o Brasil passou por uma aventura golpista. Articulada pela base social de Bolsonaro/PL, que fugiu para os EUA antes do final do seu mandato. A ação, coordenada por grupos que ocupavam portas de quartéis desde que Bolsonaro perdeu as eleições burguesas, já vinha sendo divulgada a alguns dias. Podemos observar a facilidade com a qual os bolsonaristas entraram nas sedes dos três poderes da República. Em muitos vídeos vemos policiais conduzindo os bolsonaristas para a Esplanada e facilitando as suas ações.

Bem diferente de manifestações populares, que mesmo com imensa força popular, como no 17 de junho de 2013 em Brasília, onde mesmo com 40 mil pessoas nas ruas, os insurgentes do levante popular, não conseguiram entrar nos prédios e se chocaram com a violência da polícia. Assim, é importante dissociarmos a violência conservadora da direita desde 2016, da insurgência popular antissistêmica do Levante de Junho de 2013.

Dos EUA, Bolsonaro e o seu ex-ministro e secretário de segurança do DF, Anderson Torres/União Brasil assistiram à ação da base social, insuflada por sua narrativa violenta e antipopular.

No campo da esquerda, do reformismo renovado ao degenerado [i], a proposta é, em maior ou menor medida, a defesa do Estado repressor, abstraindo as diversas formas de formação desse bolsonarismo, onde essas, sim, precisam ser combatidas.

A narrativa de “terroristas” por parte da esquerda reformista é perigosa e tende a atacar a todos os que questionem a ordem vigente, à esquerda e à direita. Assim, é uma narrativa que hoje ataca a direita, mas que em breve se voltará contra o povo em luta.

Identificamos alguns possíveis cenários: 1) fortalecimento da repressão à qualquer manifestação combativa. Incluímos aí a greve dos entregadores por aplicativos, marcada para o dia 25/01, e que já tem sido atacada por lulistas e petistas; 2) manutenção das mobilizações da extrema-direita. A repressão, se não desbaratar a organização, pode dar maior unidade interna e levar parte da militância a uma maior radicalização; 3) com a fuga da liderança carismática, abre-se um vácuo de liderança da extrema-direita, que pode ser preenchido por novas lideranças regionais, que ainda não conseguiram se construir como liderança nacional; 4) a possibilidade dessa direita conseguir construir um partido centralizado, que possa dar unidade e comando para essa base violenta.

As tarefas para o povo continuam sendo as mesmas apontadas por nós. Como afirmamos no comunicado 79:

1) Retomar e fortalecer as instâncias básicas de luta e organização da classe trabalhadora, tais como assembleias, reuniões, agitação, propaganda, protestos, greves e redes de solidariedade para construção da FOB e do Congresso do Povo;

2) Combater o protofascismo nos setores mais difusos e desorganizados do povo e a ideologia lulista no movimento popular-sindical: tais combates devem combinar as lutas por reivindicações imediatas concretas e a luta ideológica em defesa da independência de classe, da greve geral e do boicote eleitoral. O lulismo e o bolsonarismo são duas formas históricas da negação da capacidade política autônoma da classe trabalhadora, portanto, o princípio da independência de classe sem uma luta ideológica claramente definida contra essas duas tendências não passa de fraseologia oca, e esta luta ideológica produzirá mais efeito em movimentos reivindicativos reais;

3) Construção e fortalecimento de novas ferramentas de luta do proletariado e dos povos (sob a estratégia do sindicalismo revolucionário), tais como movimentos e sindicatos autônomos, oposições combativas, grupos de apoio mútuo, assembleias populares, cooperativas, etc.;

4) O desenvolvimento de uma linha de massas revolucionária que articule a tarefa de oposição às burocracias e de organização autônoma de massas, ou seja, que tenha flexibilidade tática para disputar o curso das lutas como Oposição e como Movimentos Independentes.

Notas

[i] https://uniaoanarquista.wordpress.com/2023/01/07/as-eleicoes-burguesas-e-a-violencia-de-classe-nao-temos-uma-democracia-a-defender-mas-uma-tirania-a-combater/#_ftn14

https://uniaoanarquista.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

na boca da fornalha
labaredas
dançam Falla

Eugénia Tabosa