Lula 3 | Gastos militares | Mercado da morte | FAB anuncia a compra de 11 helicópteros dos Estados Unidos 

A Força Aérea Brasileira (FAB) oficializou a intenção de adquirir 11 helicópteros militares Black Hawk por meio de um acordo direto com o governo dos Estados Unidos, sem processo de licitação. A negociação, publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (20/10), prevê a compra por cerca de 229 milhões de dólares (equivalente a R$ 1,2 bilhão).

As aeronaves serão adquiridas por meio do programa Blackhawk Exchange Sales Team, coordenado pelo Exército norte-americano, que permite a venda de equipamentos usados para países aliados estratégicos. O modelo de negociação costuma oferecer preços mais baixos do que os praticados no mercado internacional.

Além dos helicópteros, o Brasil também avançou na compra de 24 radares BRIFD G5000H, tecnologia que melhora a capacidade de identificação de alvos e mapeamento em missões complexas, como combate e resgate.

A movimentação ocorre dias antes de um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos EUA Donald Trump.

A participação do Brasil no programa norte-americano havia sido colocada em dúvida devido a recentes tensões políticas, mas a negociação sinaliza manutenção da confiança entre os governos.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

são flores silvestres
o sol segue a trilha mínima
o orvalho cintila

Ricardo Akira Kokado

[EUA] Grandes bancos investiram US$ 2 bilhões em petróleo e gás na Amazônia desde o ano passado

“Esses investimentos são cúmplices de um genocídio”, disse Jonas Mura, cacique da Terra Indígena Gavião Real, no Brasil.

Por Julia Conley | 21/10/2025

Um dia depois de a estatal brasileira Petrobras anunciar que começaria a perfurar em busca de petróleo perto da foz do Rio Amazonas “imediatamente” após conseguir a licença, apesar das preocupações com o impacto sobre a vida selvagem, uma análise publicada na terça-feira revelou que bancos investiram mais US$ 2 bilhões em financiamento direto para petróleo e gás na Amazônia desde 2024.

O relatório da organização Stand.earth, e a licença da Petrobras, surgem poucas semanas antes de Belém (PA) sediar a Conferência da ONU sobre Mudança Climática de 2025 (COP30), onde ativistas pedem que países ricos invistam US$ 1,3 trilhão por ano em nações em desenvolvimento para enfrentar e se adaptar à crise climática.

Analisando 843 contratos com 330 bancos, a Stand.earth descobriu que os bancos americanos JPMorgan Chase, Bank of America e Citi estão entre os piores, tendo investido entre US$ 283 milhões e US$ 326 milhões em petróleo e gás na região amazônica.

O maior financiador no último ano foi o brasileiro Itaú Unibanco, que destinou US$ 378 milhões a empresas de petróleo e gás que atuam com extração na Amazônia.

“A expansão do petróleo e do gás na Amazônia coloca em risco um dos ecossistemas mais importantes do planeta e os povos indígenas que o protegem há milênios”, disse a Stand.earth. “Além de os combustíveis fósseis serem os principais causadores das emissões globais de gases de efeito estufa, na Amazônia sua extração também acelera o desmatamento e contamina rios e comunidades.”

Segundo o estudo, os bancos já financiaram mais de US$ 15 bilhões em projetos de petróleo e gás na região amazônica desde o Acordo de Paris, assinado em 2016. Quase 75% desse valor veio de apenas dez instituições, incluindo Itaú, JPMorgan Chase, Citi e Bank of America.

A análise foi divulgada semanas depois de a Aliança Bancária Net-Zero da ONU suspender suas atividades, após a saída de grandes bancos. O grupo havia sido criado em 2021 para reduzir o impacto ambiental do setor financeiro e atingir emissões líquidas zero até 2050.

A pesquisadora Devyani Singh, responsável pelo novo relatório da Stand.earth sobre financiamento fóssil, observou que bancos europeus como BNP Paribas e HSBC aplicaram políticas mais rígidas de proteção à Amazônia e “caíram bastante no ranking de financiamento”.

Mas, segundo Singh, “nenhum banco zerou seu financiamento. Todos ainda precisam fechar brechas e sair totalmente do petróleo e gás na Amazônia sem demora.”

Mais de 80% dos investimentos desde 2024 foram para apenas seis empresas: Petrobras, Gran Tierra (Canadá), Eneva (Brasil), Gunvor (trader de petróleo), e as peruanas Hunt Oil Peru e Pluspetrol Camisea.

Essas empresas têm histórico de violações de direitos humanos e são rejeitadas por povos indígenas da região, que sofrem com problemas de saúde, queda na pesca e caça e falta de água limpa devido a esses projetos.

“É revoltante que o Bank of America, o Scotiabank, o Credicorp e o Itaú estejam aumentando o financiamento de petróleo e gás na Amazônia num momento em que a floresta está sob grave ameaça”, disse Olivia Bisa, presidenta do Governo Territorial Autônomo da Nação Chapra, no Peru. “Há décadas os povos indígenas sofrem os impactos mais pesados dessa destruição. Pedimos que os bancos mudem de rumo agora: ao parar de apoiar as indústrias extrativistas na Amazônia, eles podem ajudar a proteger a floresta que sustenta nossas vidas e o futuro do planeta.”

O relatório da Stand.earth alerta que tanto a Floresta Amazônica, que abriga cerca de 10% da biodiversidade do planeta, quanto as populações locais enfrentam ameaças crescentes vindas das empresas de petróleo e gás e dos bancos que as financiam. Séculos de exploração estão levando a floresta a um ponto de colapso ecológico com impactos irreversíveis em escala global.

A exploração de petróleo e gás abre estradas em áreas intactas da floresta e aumenta as emissões de combustíveis fósseis, contrariando as advertências de cientistas e especialistas em energia sobre a necessidade de reduzir o aquecimento global.

“Com o aumento da temperatura, o delicado equilíbrio ecológico da Amazônia pode ser rompido, transformando-a de uma floresta que absorve carbono em uma savana que o emite”, diz o relatório.

Jonas Mura, chefe do Território Indígena Gavião Real, no Brasil, contou que “o barulho, o tráfego constante de caminhões e as explosões” dos projetos da Eneva afastaram os animais e prejudicaram a caça.

“Ainda pior: eles estão entrando sem o nosso consentimento”, disse Mura. “Nosso território está ameaçado e nossas famílias estão sendo diretamente prejudicadas. Cerca de 1.700 indígenas vivem aqui, e nossa sobrevivência depende da floresta. Pedimos que bancos como Itaú, Santander e Banco do Nordeste parem de financiar empresas que exploram combustíveis fósseis em terras indígenas.”

“Essas empresas não têm compromisso com o meio ambiente, com os povos indígenas e tradicionais, nem com o futuro do planeta”, acrescentou. “Esses investimentos são cúmplices de um genocídio: estão matando nossa cultura, nossa história e destruindo a biodiversidade da Amazônia.”

Fonte: https://truthout.org/articles/big-banks-poured-2b-into-oil-and-gas-financing-in-the-amazon-since-last-year/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A tempestade varre
a praça varrida—ninguém
doma o vento.

Liberto Herrera

Perguntas para o Paro Nacional de 2025 no Equador

Como uns proletários mais que se somaram ao Paro desde o primeiro dia, mas que ainda não tem a força para organizar ações revolucionárias de massas, e com base em nossa própria experiência nas revoltas passadas neste país, fazemos públicas as seguintes perguntas para contribuir criticamente à reflexão e à ação coletiva:

  • Aprendemos as lições das Revoltas de outubro de 2019 e de junho de 2022 ou vamos seguir repetindo os mesmos erros nesta nova revolta? Mais especificamente: neste Paro Nacional, já vamos romper e superar o círculo vicioso protesto–repressão–negociação? E mais, realmente é uma revolta ou uma série prolongada de protestos legítimos, mas débeis contra um governo nefasto, mas forte que sim aprendeu as lições das revoltas passadas?
  • Como superar os limites da revolta (demandas fracas, diálogo e negociação com o Estado, etc.) e como incrementar seu potencial (solidariedade, autonomia e combatividade de classe em forma massiva, etc.) para que não seja derrotada pelo Estado e, sobretudo, para que não se autoboicote?
  • Quando vamos compreender que os burgueses do transporte e do movimento indígena não têm os mesmos interesses materiais que os proletários do transporte e do movimento indígena, e que isto se aplica para todos os setores sociais? Quando vamos romper e superar o interclassismo, o populismo, o cidadanismo, o democratismo e o nacionalismo?
  • Quando vamos compreender que o proletariado não é fraco porque está dividido, mas que está dividido porque é fraco, e que superar esta debilidade e divisão não depende da “unidade das esquerdas”, mas que só será possível quando o proletariado lute pela revolução social, quer dizer, por abolir as classes sociais e unificar a humanidade?
  • Quando vamos compreender que lutar contra o alto custo de vida e contra o governo de turno é necessário, mas não é suficiente? Que vamos fazer depois do “fora Noboa, fora” e do “abaixo o pacotaço”? Mais claro: Quando vamos compreender que não se trata de lutar contra o “neoliberalismo” e o “fascismo”, mas contra o capitalismo?
  • Quando vamos compreender que não há que dialogar com os assassinos do “povo” nem defender uma constituição votando “não” em uma consulta popular, porque os diálogos, as leis e as eleições só beneficiam e fortalecem o Estado capitalista? Quando vamos compreender, ao contrário, que há que lutar fora e contra o Estado, porque o Estado não é “neutro” nem nos tem “abandonados”, mas que é o Estado dos capitalistas para administrar sua violência econômica e física sobre os trabalhadores, até matar-nos de fome ou a bala? Quando vamos compreender que na realidade a democracia é a ditadura da burguesia sobre o proletariado? Quando vamos compreender que o Estado democrático-burguês é terrorista por natureza e que os protestos pacíficos não o afetam em nada? Quando vamos compreender, então, que só a ação direta e contundente de massas é o método proletário para combatê-lo e golpeá-lo de verdade?
  • Quando vamos compreender que não se trata de lutar por nossos “direitos”, mas por satisfazer nossas necessidades vitais diretamente ou sem intermediação do dinheiro, e que o mercado (nenhuma empresa, inclusive se é “autogestionada”) e o Estado (nenhum governo, inclusive se é “popular”) nunca vão fazê-lo realmente, mas só nós mesmos, que com nosso trabalho produzimos tudo mas não o possuímos, tomando os meios de produção e de distribuição (por exemplo, expropriando e comunizando as empresas do Grupo Noboa… e de toda a classe capitalista deste país)?
  • Quando vamos compreender que o poder real não radica nas estruturas do Estado, mas nas relações de produção e de propriedade? Quando vão participar na revolta os trabalhadores dos setores estratégicos da economia deste país? O farão? E se participam, o farão mediante greves auto-organizadas e radicais?
  • Quando vamos compreender que há que ir mais além da espontaneidade da revolta e que a auto-organização do proletariado (por fora, contra e mais além de sindicatos, partidos, parlamentos, ONGs, etc.) é o primeiro ato da revolução (por exemplo, as Assembleias Territoriais no Chile e os Conselhos de Trabalhadores no Irã durante a Revolta Mundial de 2019)? Como construir, fortalecer e radicalizar a auto-organização proletária daqui por diante (grupos autônomos, assembleias autoconvocadas, panelas comunitárias, autodefesa, mídia independente, etc.) para a revolução?
  • Como fazer para que as palavras “guerra de classes”, “insurreição”, “revolução”, “comunismo” e “anarquia” deixem de ser más palavras para a maioria da população, mas se convertam em necessidades materiais e imediatas?
  • Até quando vamos viver com medo de morrermos de fome, a balas ou de depressão? Até quando vamos trabalhar para pagar e pagar para viver? Até quando vamos suportar esta vida de merda sob o capitalismo em crise? Enfim, até quando vamos lutar só por migalhas e não por todo o pão e a padaria para todos?

Admitimos que não temos as respostas com certeza para todas estas perguntas. O que sim sabemos é que só a luta de classes concreta as responderá. E também, que já é hora de aprender com os erros e pôr em prática as lições aprendidas das revoltas passadas e presentes. Sim: Luta de Classes… até Abolir a Sociedade de Classes!

DERRUBAR O GOVERNO DE NOBOA E SEU PACOTAÇO É NECESSÁRIO, MAS NÃO É SUFICIENTE.

TOMAR OTAVALO, LATACUNGA, QUITO, CUENCA, GUAYAQUIL, ETC. É NECESSÁRIO, MAS NÃO É SUFICIENTE.

HÁ QUE EXPROPRIAR E COMUNIZAR AS EMPRESAS DO GRUPO NOBOA E DE TODA A CLASSE CAPITALISTA DESTE PAÍS PARA SATISFAZER AS NECESSIDADES COLETIVAS DIRETAMENTE OU SEM QUE INTERMEDEI O DINHEIRO.

AÍ É ONDE HÁ QUE GOLPEAR A BURGUESIA PORQUE AÍ É ONDE LHE AFETA.

DA MESMA FORMA HÁ QUE DESTRUIR SEU APARATO ESTATAL POR COMPLETO 

E SUBSTITUÍ-LO PELO PODER COMUNAL DAS ASSEMBLEIAS TERRITORIAIS.

SÓ OS PROLETÁRIOS AUTO-ORGANIZADOS DENTRO E FORA DOS CENTROS DE TRABALHO, EM TODOS OS ESPAÇOS SOCIAIS, ANTES, DURANTE E DEPOIS DA REVOLTA, E COM UM PROGRAMA REVOLUCIONÁRIO, PODEMOS FAZÊ-LO.

CONSTRUAMOS E FORTALEÇAMOS A AUTO-ORGANIZAÇÃO REVOLUCIONÁRIA DO PROLETARIADO.

APRENDAMOS E COLOQUEMOS EM PRÁTICA AS LIÇÕES DAS REVOLTAS (2019, 2022, 2025). 

PARA TRANSFORMÁ-LAS EM REVOLUÇÃO. 

SE NÃO É HOJE, SERÁ AMANHÃ (2028?… 2036?… 2049?). 

PARA A PRÓXIMA, VAMOS PREPARADOS E VAMOS POR TUDO.

Proletários Fartos de Sê-lo

Quito, outubro de 2025.

Fonte: https://proletariosrevolucionarios.blogspot.com

Tradução > Sol de Abril

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Desejo é revolta
contra a moral que acorrenta
o pulsar da vida.

Liberto Herrera

Lançamento: revista trans-libertária v. 2 [2025]

• elementos pré-textuais

• UMA CRÍTICA EM MARCHA PARA NÃO DARMOS A RÉ NA LUTA?

Aliança Trans Proletária (ATP)

• UMA AUTOCRÍTICA ANARQUISTA

Aliança Trans Proletária (ATP)

• Arte de Antonio Cleyton Ferreira Silva

• ANARQUISMO E A URGÊNCIA DA ABOLIÇÃO

Agnes de Oliveira Costa

• O APOCALIPSE MODERNO OU O INÍCIO DO MEIO DO FIM

Ollie Hydell

• METAMORFOSEANDO O ANARQUISMO: POR TRANS-ANARQUIAS MONSTRUOSAS

Bruno Latini Pfeil

Cello Latini Pfeil

• COISAS ESTRANHAS E ASSUSTADORAS

Margaret Killjoy

tradução por sol2070

• QUEM TEME O ANARQUISMO QUEER? UMA RESPOSTA A “A TEORIA QUEER E O ANARQUISMO” DO GRUPO MOIRAS

Madelyyna Zicqua

tradução por transanark / acervo digital trans-anarquista

>> Leia ou baixe a revista aquihttps://transanarquismo.noblogs.org/files/2025/10/revista-translib-n.-2-com-capa-1.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Quebre o cristal fino.
O estrondo é a sinfonia
da nova ética.

Liberto Herrera

Pela Solidariedade Internacional e Contra a Barbárie no Sudão

A guerra que assola o Sudão desde Abril de 2023 não é um conflito isolado ou um simples acerto de contas entre facções locais. É a expressão brutal e sanguinária da lógica perversa do Estado e do Capital. Enquanto a máquina de guerra, alimentada por interesses geopolíticos e pela ganância das indústrias de armamento, devora vidas, o povo sudanês é massacrado, deslocado à força e condenado à fome. A União Anarquista Federalista ergue a voz para denunciar veementemente esta carnificina, fruto podre de um sistema que coloca o poder e o lucro acima da dignidade humana. Esta guerra é a prova cabal de que o Estado, longe de ser um protetor, é o principal gestor da violência e da exploração.

A ingerência estrangeira no conflito, com o fornecimento de armas e treinamento por nações como os Emirados Árabes Unidos, Rússia, Egito e Itália, revela a natureza hipócrita e criminosa do capitalismo global. Estas potências, independentemente das suas bandeiras, são cúmplices na matança de milhares de civis e na criação de uma crise humanitária que já deslocou mais de 10 milhões de pessoas. O Estado, em sua versão local ou internacional, não busca a paz; ele mercantiliza a guerra, transformando o sofrimento do povo sudanês em moeda de troca para ampliar suas esferas de influência e acumular riquezas. A fome que atinge mais de meio milhão de pessoas não é um acidente, mas uma consequência direta desta economia de morte.

Contudo, mesmo perante esta cortina de fogo e aço, a centelha da resistência popular não se apagou. Inspiradora é a coragem dos Comitês Revolucionários e da Federação Anarquista Sudanesa (S.A.F.), que, organizados de baixo para cima, enfrentam não apenas as balas dos beligerantes, mas também a repressão, a tortura e o assassinato por ousarem lutar pela paz e pela liberdade. A sua luta é a nossa luta. A sua campanha internacional de solidariedade, que permite a fuga de camaradas e a continuidade da atividade militante, é um exemplo prático do mutualismo e do apoio direto que defendemos, em contraste total com a “ajuda” interesseira dos Estados.

Esta luta no Sudão ecoa a nossa própria batalha contra o militarismo aqui no território dominado pelo estado brasileiro. A estratégia federalista, que visa construir pontes de solidariedade entre os povos, para além das fronteiras impostas pelos Estados é fundamental, já que, enquanto os governos treinam e armam facções para dizimar populações, nós, anarquistas, construímos redes de apoio mútuo e de resistência popular.

Portanto, condenamos a guerra no Sudão e em todos os lugares como o mais grave dos crimes estatais e capitalistas. Afirmamos que a verdadeira solução não virá de novos governos ou de intervenções imperialistas, mas da auto-organização dos explorados, da ação direta e da solidariedade internacionalista. Aos camaradas sudaneses, nosso mais profundo apoio e compromisso. Aos opressores, nossa mais firme oposição. O futuro não pertence aos generais e capitalistas, mas aos povos que, livres da dominação do Estado e do jugo do capital, se organizam em federações de comunidades livres. Pela libertação social e pelo fim de todas as guerras!

União Anarquista Federalista – UAF

uafbr.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Almas gêmeas.
A minha geme e a
outra não se acalma.

Rogério Viana

[EUA] Ashanti Alston: Uma Entrevista com o Pantera Anarquista – PARTE 1

Nesta conversa aprofundada com o organizador revolucionário Ashanti Alston, ex-membro do Partido dos Panteras Negras e do Exército de Libertação Negra, acompanhamos uma vida dedicada à luta, à liberdade e à comunidade. Desde suas primeiras experiências durante a era dos Direitos Civis e a Rebelião de Plainfield de 1967, até sua radicalização por meio dos movimentos do Poder Negro e anti-imperialistas, Ashanti reflete sobre as lições, tensões e compromissos que definiram uma geração de combatentes pela libertação.

Ele discute o trabalho de construção de capítulos dos Panteras, defesa comunitária e as realidades da luta clandestina, oferecendo reflexões poderosas sobre disciplina, solidariedade e o significado do amor revolucionário. Por meio de histórias pessoais e análises políticas, este episódio captura tanto o espírito histórico quanto o contínuo impulso da libertação negra e da resistência anarquista.

>> Ouça o podcast no link do Substack acima ou no YouTube aqui:

Fonte: https://tdugout.substack.com/p/ashanti-alston-an-anarchist-panther

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Toma nota, rapaz:
Hai-kai é a captura
De um momento fugaz

Lubell

[Reino Unido] Vídeo | Entrada do zoológico vandalizada em memória de Waka.

Setembro, Midlands, Reino Unido.

Vai se foder, zoológico de Twycross

Fizemos uma visita ao zoológico de Twycross, uma prisão notória por abusar dos animais que explora em nome do entretenimento. Não há nada de saudável em levar sua família para olhar animais maltratados que pertencem à natureza. Esse zoológico finge se importar com a ‘conservação’, mas na verdade apenas aprisiona animais em recintos pequenos e inadequados para lucrar com os visitantes, sem se importar com o sofrimento dos animais presos ali.

Deixamos clara nossa posição contra esse abuso: cobrimos a entrada do zoológico com tinta vermelha e pichamos suas placas.

Vai se foder, Twycross Zoo. Nós sabemos o que vocês fazem e já ouvimos o que acontece quando os visitantes não estão olhando.

Cativeiro não é entretenimento, esvaziem todas as jaulas!

Dedicamos esta ação a Waka, que lutou contra a opressão em tantas formas e deu tudo de si. Nós lembramos de você e continuamos lutando.

>> Veja o vídeo aquihttps://www.youtube.com/watch?v=tivn3XofX94   

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Carro em chamas—o fogo
limpa a peste do luxo
que o povo sustentou.

Liberto Herrera

[Espanha] Lançamento: “A experiência autogestionária durante a Guerra Civil espanhola”, de Luis Buendía García e José Luis Carretero Miramar

A experiência autogestionária do movimento anarcossindicalista durante a Guerra Civil constituiu um dos experimentos revolucionários mais criativos, profundos e originais do século XX. A coletivização das indústrias e dos campos foi acompanhada da criação de instituições educativas abertas ao conjunto da população e da socialização de recursos para o bem estar comum.

Neste documentado livro, Luis Buendía e José Luis Carretero, investigadores do Instituto de Ciências Econômicas e da Autogestão e de diversas instituições pedagógicas, nos narram as linhas gerais deste imenso experimento revolucionário, aportando materiais inspiradores e imprescindíveis para o projeto de transformação social libertária. Uma proposta de reconstrução da sociedade que se tornou cada vez mais necessária ante o avanço da crise social, econômica, cultural e climática que acompanha o capitalismo…

13×18 cm, 218 p., 2025, 10,00 €, calumnia.sumupstore.com

Tradução > Sol de Abril

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O sol brilha
Nas vigas da ponte –
Névoa da tarde.

Hokushi

Saiu a programação completa da 5ª Conferência Internacional de Geógrafxs e Geografias Anarquistas

9-12 dezembro 2025 | Departamento de Geografia (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP), Auditório Milton Santos | O evento ocorrerá presencial e é aberto e gratuito

Depois das quatro Conferências Internacionais de Geógrafxs e Geografias Anarquistas organizadas em Reggio Emilia (Itália, 2017), Rabastens (França, 2019), Oaxaca (México, 2021) e Córdoba (Argentina, 2023), a quinta acontecerá na cidade de São Paulo (Brasil) em 2025.

A escolha da cidade é muito significativa porque a cidade de São Paulo, a USP e também o Brasil, têm uma tradição de organização de conferências internacionais sobre as figuras históricas da geografia anarquistas. Entre os eventos estão os Colóquios Internacionais sobre Élisée Reclus (2011) e sobre o Centenário do falecimento de Piotr Kropotkin (2021), ambos organizados pela Biblioteca Terra Livre com o apoio do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.

>> Confira aqui a programação completahttps://5cigga.wordpress.com/2025/10/01/programacao-completa/

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Margeando riacho
Tenras folhinhas brotam
No campo queimado.

Mary Leiko Fukai Terada

Das Mãos Vazias às Mãos que Se Defendem: A FACA Promove Formação de Autodefesa no Espírito Santo

Em um ato de preparação diante da crescente violência estatal e paramilitar, a Federação Anarquista Capixaba (FACA) ocupou o território dominado pelo estado do Espírito Santo para realizar, no último 13 de outubro de 2025, em Guarapari, uma formação em defesa pessoal voltada para a classe trabalhadora. A ação, organizada de forma horizontal e autogerida, visou armar corpos e mentes contra a repressão cotidiana, transformando um espaço de lazer imposto pelo capital em um território temporário de auto-organização e aprendizado coletivo. Longe dos aparatos de segurança do Estado, que protegem a propriedade e criminalizam a pobreza, xs trabalhadorxs capixabas praticaram a autodefesa como princípio fundamental da libertação.

Esta iniciativa vai além da mera reação física; é um gesto profundamente político de desobediência à lógica que entrega nossa segurança aos mesmos aparatos que nos oprimem. Enquanto o Estado monopoliza a violência para garantir a ordem do capital, a FACA reafirma que a verdadeira segurança nasce da solidariedade de classe e da capacidade de defesa coletiva. Aprender a proteger o próprio corpo e o do companheiro é o primeiro passo para proteger a comunidade e o território das incursões do Capital e de suas forças de repressão, construindo uma trincheira de corpos indisponíveis para a dominação.

A formação em Guarapari não é um evento isolado, mas um elo na cadeia de ações diretas que buscam forjar a autonomia popular. Ao proporcionar esses saberes, historicamente restritos às forças de segurança, a FACA pratica a educação libertária que entrelaça teoria e prática, gestando o embrião da sociedade livre que almejamos: uma onde o povo, organizado e consciente de seu poder, não apenas resiste, mas constrói as bases materiais de um mundo sem patrões e sem Estado. Cada golpe desferido com técnica é um não à submissão; cada esquiva, uma negação prática à passividade imposta.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

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Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

2ª Feira Anarquista de Presidente Prudente (SP)

A 2ª Feira Anarquista de Presidente Prudente (SP) terá várias atividades durante o dia trazendo resistência e ancestralidade indígena, as mulheres no anarquismo, exposições literárias e mais, confira!

• Introdução ao Anarquismo com o compa @anarcomusico.

• Roda de conversa com a curadora do museu indígena Worik Sol Nascente @susilenekaingang e seu companheiro Elizeu Guarani Nhandewa, sobre lutas de resistência e memória indígena.

• Bate-Papo com a professora, pesquisadora e escritora @samanthalodi sobre seu livro: “Louise Michel, Pertenço a Revolução Social”.

• Exposições artísticas, exposições literárias do acervo @sebo_maranta

• Oficinas de Malabares e oficina de Zines.

• Bandas: Tarantino fastcore – Prudente/Birigui Sp. @tarantinofastcore / Caramelows Dog – Presidente Prudente Sp. @caramelowdogs / Haruspex – Presidente Prudente Sp. @777haruspex .

A Feira Anarquista de Presidente Prudente (SP) é construída de forma coletiva sem fins lucrativos, de caráter cultural literário, trazendo mais sobre a luta do Socialismo Libertário, sobre a luta indígena e o protagonismo das mulheres.

Apoie nossa rifa artística e ajude nossa luta social, qualquer número de 1 a 100 por 10 reais, Pix feiraanarquistaprudente@gmail.com.

>> Mais infoshttps://www.instagram.com/feiraanarquistapp/

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Pichação no muro:
a tinta é verbo, o muro
é a página do povo.

Liberto Herrera

É aquela época do ano!

Já passou quase um ano desde a última vez que escrevemos a vocês! Nas próximas semanas, falaremos sobre os desafios que enfrentamos nos últimos meses, as novidades sobre o que temos feito e, no final, haverá uma agradável surpresa.

Temos nos perguntado o que vocês andam fazendo e as pessoas que nos disseram, nos mostraram que as ferramentas que Riseup oferece são politicamente úteis e importantes. O e-mail tem sido utilizado para proporcionar acesso a abortos seguros, o etherpad tem sido utilizado para a organização do espaço de trabalho e o crabgrass para cozinhas comunitárias. Nos enche de alegria toda vez que vemos nossos esforços sendo úteis!

Para que continuemos a prestar esses serviços e encontrar grandes usos políticos para eles, pedimos a todos os que são capazes que contribuam. Diga às suas camaradas e amizades o quão incrível é o Riseup e se puder, por favor doe – https://riseup.net/pt/doacao

agência de notícias anarquistas-ana

Crepúsculo. O sol no horizonte
Vai descendo
Os degraus do monte.

Clínio Jorge

[Itália] Louise Michel e os animais. Entre anarquismo e antiespecismo

Num tempo em que todas as opressões – patriarcais, racistas, capitalistas e especistas – se reforçam e se reorganizam, nos pareceu verdadeiramente inspirador voltar a uma figura como Louise Michel, militante radical do século XIX revolucionário, uma mulher que ousou manter unidas as lutas antes que as categorias as separassem, antes que os próprios movimentos se deixassem aprisionar em cercados identitários ou setoriais.

O que é amplamente reconhecido em Louise Michel é o fato de ela ter sido uma comunarda, uma anarquista, uma feminista, mas também uma precursora da pedagogia libertária, uma escritora, uma internacionalista. No entanto, entre as mil facetas de sua luta, sua voz antiespecista, tão precoce, tão lúcida, permanece como um eco ignorado na narrativa histórica.

Num século em que nem sequer se concebiam ideias como Liberação e Resistência Animal, Louise reconhecia seu imenso alcance político. Para ela, não se tratava apenas de “defender os animais” em nome de uma vaga sensibilidade ou pureza, mas de recusar a hierarquia da superioridade humana que fundamenta e legitima todas as outras opressões. Louise intuíra, com uma radicalidade que ainda hoje brilha intensamente na escuridão, que a dominação sobre o humano e sobre o não humano têm a mesma raiz e, fatalmente, se alimentam mutuamente.

Louise Michel e os animais. Entre anarquismo e antiespecismo é, portanto, a tentativa de recuperar uma genealogia política antiespecista que não nasce em think tanks acadêmicos, nem mesmo nas campanhas pelo “bem-estar animal”, mas vinda de baixo: nas lutas populares, anarquistas, anticoloniais, transfeministas. Significa recordar que a questão animal é uma questão política, e que todo movimento de libertação que ignore a contribuição do especismo para a reprodução do poder corre o risco de se tornar cúmplice, mesmo que involuntariamente, daquilo que diz querer derrubar.

Com este livro, acolhido pela Cronache Ribelli Edizioni em sua coleção expressamente dedicada ao antiespecismo, quisemos devolver voz e corpo a uma companheira do passado que com demasiada frequência foi reduzida a um ícone neutro, a uma figura folclórica da Comuna. Pelo contrário, Louise Michel era perigosa para a ordem estabelecida, e graças aos seus escritos, ela ainda o é hoje. Ela falava da violência da vivissecção com a mesma fúria com que denunciava a repressão colonial. Comparava com a mesma paixão a domesticação animal e a domesticação humana. Na prisão, buscava companheiras de luta entre as prostitutas e entre as prisioneiras políticas, mas nas barricadas ela se afastou da batalha para salvar um gato. Para ela, a libertação era uma só, e dizia respeito a todos os corpos, humanos e não humanos.

Este livro não é, portanto, uma biografia, mas uma proposta interseccional, que alterna as fases marcantes da vida de Louise (e as citações de seus escritos) com os pensamentos e ações que hoje caracterizam os movimentos de libertação animal. É através dessas duas linhas paralelas, que muitas vezes se cruzam caoticamente, que buscamos valorizar a essência e o coração de sua mensagem: nenhuma libertação é possível se continuar a se apoiar na exclusão de outros corpos, outras vidas, outros mundos.

Entrelaçar o que o poder divide – espécie, gênero, classe, mas também visões de libertação como anarquismo e antiespecismo – é hoje mais do que nunca um gesto revolucionário. Uma ideia e uma prática que recusam a lógica do domínio e da hierarquia. É daí que pode nascer uma liberdade verdadeiramente compartilhada: não um privilégio para pouquəs, mas um horizonte comum. Porque a liberdade, se não for para todəs, é apenas mais um privilégio.

Louise Michel e os animais. Entre anarquismo e antiespecismo

de Troglodita Tribe

Coleção Zanne. Livros Antiespecistas — Cronache Ribelli Edições

114 páginas | R$ 12 (conversão aproximada)

Fonte: https://umanitanova.org/louise-michel-e-gli-animali-tra-anarchismo-e-antispecismo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Dia de primavera —
Pássaros de dobradura
Pra passar o tempo.

Teruko Oda

[Nova Zelândia] Identificação Digital – As Novas Correntes da Vigilância Capitalista

O mundo está entrando em uma era em que a identidade não é mais uma questão de relações pessoais, experiências vividas ou mesmo documentação. Cada vez mais, ela é reduzida a leituras biométricas, verificação algorítmica e tokens digitais. Em todo o mundo, governos e corporações estão lançando sistemas de identificação digital, passaportes com reconhecimento facial, carteiras de motorista biométricas, passes de vacinação por aplicativos, acesso a benefícios sociais por código QR e carteiras digitais unificadas. A linguagem que acompanha esses projetos é familiar – eficiência, conveniência, modernização, inclusão. Dizem-nos que a identificação digital facilitará a vida, reduzirá a fraude e abrirá novas oportunidades.

A realidade, no entanto, é muito mais sinistra. A identificação nunca foi neutra, sempre foi uma arma de poder, utilizada por estados e capitalistas para monitorar, controlar e disciplinar populações. De passaportes a cadernetas coloniais, de cartões de assistência social a regimes de fronteira, o aparato de identificação sempre esteve ligado à dominação. A identificação digital é simplesmente a mais recente iteração dessa longa história, mas com uma escala e sofisticação que tornam seus perigos ainda mais profundos. Longe de nos libertar, ela está forjando novas correntes e nos prendendo ainda mais fortemente a sistemas de vigilância, exclusão e exploração.

Identificação como Dominação

Para compreender o que representa a Identificação Digital, devemos situá-la na longa história da identificação como ferramenta de autoridade. O passaporte, agora normalizado como um objeto necessário para viajar, era originalmente uma forma de os estados restringirem a circulação. Na Europa medieval, os camponeses e servos precisavam de autorização por escrito para deixar suas propriedades. Os regimes coloniais na África, Ásia e Pacífico aperfeiçoaram esses sistemas de controle, obrigando os povos indígenas a portar passes, enquanto os colonos circulavam livremente. Na África do Sul do apartheid, as “leis de passe” criminalizavam os sul-africanos negros por existirem fora de suas zonas designadas, reduzindo a própria vida a um cálculo burocrático de permissão.

A identificação nunca teve como objetivo proteger o indivíduo, mas sim proteger as relações de propriedade. Os estados precisavam saber quem eram as pessoas para lhes cobrar impostos, recrutá-las para o serviço militar e negar-lhes direitos. Os patrões exigiam documentos para garantir que os trabalhadores fossem legalmente exploráveis. Os proprietários usavam a identificação para selecionar inquilinos, os bancos para controlar o crédito e a polícia para rastrear dissidentes. A noção de “identidade” no capitalismo sempre esteve ligada à vigilância e à disciplina.

A Identificação Digital não rompe com essa tradição, mas a intensifica. O que antes exigia um carimbo físico ou assinatura agora exige uma digitalização biométrica ou código QR. Onde antes um policial exigia ver seus documentos, agora um algoritmo determina silenciosamente seu acesso. A mudança não é do controle para a liberdade, mas da dominação analógica para a dominação digital.

A Lógica da Identificação Digital

Por trás da retórica da conveniência está a dura lógica do capital e do estado. A Identificação Digital não está sendo criada para nós, mas para ampliar o poder daqueles que já governam nossas vidas.

Em sua essência, a Identificação Digital representa o bloqueio de acesso. Cada vez mais, os elementos essenciais da vida, como saúde, moradia, emprego, bem-estar e viagens, estão embarreirados por pontos de controle digitais. Sem a identificação correta, as pessoas são excluídas. Isso transforma a própria existência em uma série de permissões, cada uma mediada por verificação algorítmica. O acesso a alimentos, moradia ou trabalho passa a depender do reconhecimento da sua impressão digital ou rosto por uma máquina.

Isso também amplia o capitalismo de vigilância. Cada digitalização, deslize ou login gera dados. Esses dados são armazenados, rastreados e monetizados. A Identificação Digital reduz os seres humanos a fluxos de dados, alimentando os lucros de corporações como Microsoft, Mastercard e Accenture, empresas profundamente envolvidas em iniciativas globais de identificação. Longe de empoderar os indivíduos, a Identificação Digital empodera as corporações, transformando nossas vidas em mercadorias a serem vendidas.

A Identificação Digital também disciplina a mão de obra. Ao vincular pagamentos de assistência social, autorizações de trabalho ou acesso bancário à identidade digital, os estados e as empresas adquirem novas e poderosas ferramentas para coagir as populações. Na Índia, o sistema biométrico Aadhaar deixou milhões de pessoas excluídas de alimentação e pensões quando suas impressões digitais não foram reconhecidas, produzindo não eficiência, mas fome. Trabalhadores migrantes em todo o mundo são cada vez mais monitorados por meio de verificação digital, tornando o trabalho precário ainda mais vulnerável.

Talvez o mais insidioso seja o fato de que a Identificação Digital normaliza a própria vigilância. Ao incorporar pontos de verificação digitais na vida cotidiana, seja ao entrar em um prédio, fazer login em um serviço ou acessar serviços de saúde, a vigilância se torna rotineira. O que antes poderia ter provocado indignação se torna comum. O controle não precisa ser imposto de forma violenta quando está integrado de maneira perfeita às funções cotidianas da existência.

As consequências da identificação digital não são abstratas. Em todo o mundo, sua implementação revela os contornos agudos da exclusão e do controle.

Como já mencionado, o projeto Aadhaar da Índia, o maior sistema de identificação biométrica da história, abrange mais de um bilhão de pessoas. Ele foi apresentado como um meio de reduzir a corrupção e ampliar o acesso ao bem-estar social. Na realidade, excluiu milhões de pessoas pobres e rurais das cestas básicas e pensões porque suas impressões digitais não foram registradas. Relatórios documentaram mortes por inanição quando famílias tiveram o acesso a grãos negado por falta de autenticação adequada. Para os pobres, o sistema não é uma conveniência, é uma sentença de morte.

Na Europa, a identificação digital toma um formato diferente, mas igualmente insidioso. A UE está desenvolvendo uma “carteira de identidade digital” unificada para serviços bancários, saúde e viagens, promovida como liberdade para os cidadãos. Ao mesmo tempo, o banco de dados Eurodac armazena as impressões digitais dos requerentes de asilo para impor deportações e impedir movimentos secundários. A Identificação Digital aqui é uma faca de dois gumes, anunciada como mobilidade perfeita para os privilegiados, mas funcionando como correntes para os migrantes.

Em toda a África, o Banco Mundial e empresas multinacionais estão financiando projetos de identificação digital sob o pretexto de “inclusão financeira”. Vinculadas a sistemas de dinheiro móvel, essas identificações têm menos a ver com inclusão e mais com a expansão dos mercados de dívida e a integração das populações em circuitos de extração. Elas reproduzem práticas coloniais em que a identificação era um pré-requisito para a exploração de recursos e a disciplina trabalhista.

Em países colonizados como a Nova Zelândia e a Austrália, as carteiras de motorista digitais e as tecnologias de reconhecimento facial estão sendo testadas sob o pretexto da segurança e da conveniência. Mas ambos os países mantêm extensos bancos de dados de suas populações e têm um longo histórico de vigilância e repressão contra povos indígenas e ativistas políticos. A Identificação Digital, neste caso, reforça os padrões existentes de controle racial e político, incorporando-os às transações cotidianas.

O Papel do Estado

Para anarquistas, não é surpresa que o estado esteja no centro desses desenvolvimentos. O estado nunca foi um prestador neutro de serviços. É uma máquina de domínio de classe, projetada para impor relações de propriedade e manter a hierarquia. A Identificação Digital oferece ao estado novos níveis de eficiência na gestão da população. O bem-estar social pode ser racionado por meio de pontos de controle digitais, garantindo que apenas os pobres “merecedores” recebam ajuda. O policiamento é reforçado por meio de bancos de dados biométricos, tornando a dissidência e o protesto mais perigosos. As fronteiras tornam-se onipresentes, estendendo-se a todos os locais de trabalho, clínicas e esquinas. Até mesmo o ritual da votação está cada vez mais vinculado à verificação digital, legitimando ainda mais o domínio do estado.

Mas o estado não age sozinho. A infraestrutura da Identificação Digital é terceirizada para corporações, gigantes da tecnologia e empresas de consultoria cujos lucros dependem da extração e venda de dados. A ID2020, a principal iniciativa global de Identificação Digital, é uma parceria entre a Microsoft, a Accenture, a Gavi e a Mastercard. Essa fusão entre o poder estatal e o capital corporativo cria um regime tecnoburocrático que é incrivelmente difícil de resistir individualmente. Não é simplesmente o seu governo exigindo seus dados, é uma rede de corporações globais incorporando controle na infraestrutura da vida cotidiana.

Resistência e Suas Possibilidades

No entanto, os sistemas de dominação nunca são totais. É possível resistir às correntes da Identificação Digital, mas a luta exige uma resistência coletiva. Os indivíduos não podem simplesmente optar por não participar quando o acesso a alimentos, moradia ou cuidados de saúde depende cada vez mais da verificação digital. A resistência deve ser social, coordenada e enraizada na solidariedade.

Ela começa com a exposição da mentira da conveniência. O marketing da Identificação Digital depende de as pessoas acreditarem que ela é do seu interesse. Ao revelar sua função de vigilância, exclusão e lucro, podemos desmascarar a narrativa de que se trata de um avanço tecnológico neutro. A conveniência é o açúcar que reveste a pílula venenosa.

Resistência também significa apoiar aqueles que são mais afetados pela exclusão. Quando as pessoas têm o acesso à alimentação ou à saúde negado porque uma máquina as rejeita, a solidariedade exige que as comunidades intervenham. Redes de ajuda mútua, distribuição de alimentos e cuidados de saúde comunitários podem minar o monopólio do estado sobre a sobrevivência. Ao cuidarem umas das outras sem exigir documentos, as comunidades demonstram a possibilidade de uma vida além da identificação.

A ação direta também tem seu lugar. A infraestrutura de vigilância pode ser interrompida, seja por meio de sabotagem física, hacktivismo digital ou vazamentos que expõem a conivência entre estados e corporações. Cada ato que retarda a expansão dos chips de identificação digital diminui sua inevitabilidade.

O mais importante talvez seja que resistência significa recusar-se a internalizar a normalização da vigilância. Devemos continuar a sentir raiva cada vez que um novo posto de controle é introduzido, cada vez que um novo sistema biométrico é testado, cada vez que um novo banco de dados é construído. A maior vitória do poder não é quando ele nos controla, mas quando nos convence de que o controle é natural.

A Identificação Digital não é uma inovação neutra. É a fronteira da vigilância capitalista e do controle estatal. Ela aprofunda a exploração, exclui os vulneráveis e integra todos os aspectos da vida à máquina do lucro e da dominação. A identificação sempre foi uma ferramenta da autoridade, desde os passes medievais até as leis do apartheid, e a identificação digital é a forma mais sofisticada até agora.

A classe dominante quer que acreditemos que a Identificação Digital é inevitável. Mas inevitabilidade é a linguagem do poder. Os sistemas de dominação podem ser resistidos, sabotados, desmantelados. A luta contra a identificação digital não é uma nostalgia dos dias dos documentos em papel; é a defesa da própria possibilidade de viver sem ser constantemente monitorado, verificado e reduzido a dados.

O que está em jogo não é simplesmente a privacidade, mas a liberdade em si.

Fonte: https://awsm.nz/digital-id-the-new-chains-of-capitalist-surveillance/  

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

A floresta cresce
sem contrato de arrendamento
ou rei para servir.

Liberto Herrera

[Espanha] A CGT continuará em solidariedade com a Palestina “até que deixe de ser um povo oprimido”

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das organizações convocantes do dia de Greve Geral deste 15 de outubro contra o genocídio em Gaza e por uma redistribuição dos gastos públicos para as necessidades reais da população, avaliou de maneira positiva a participação nas mobilizações e atos organizados nesta quinta-feira.

Embora seja verdade que o dia de greve não teve o impacto sindical desejado, também é verdade que a conscientização das pessoas contra o genocídio e os gastos militares com armamento é cada vez mais evidente. A sociedade, pouco a pouco, vai tomando consciência do sofrimento que os exércitos e as guerras capitalistas provocam nos seres humanos onde ocorrem. Especialmente, é esperançoso que a adesão à greve e a participação nas mobilizações tenham tido um apoio majoritário de estudantes e universitários.

Por outro lado, a CGT condena as cargas policiais totalmente desproporcionais dos dispositivos das forças repressivas do Estado, como os Mossos e a Polícia Nacional em diferentes cidades. A repressão exercida contra os manifestantes demonstra mais uma vez que a não revogada “lei da mordaça” é a ferramenta mais eficaz para controlar a indignação da população e que esta lei foi e vem sendo útil a qualquer governo. Esta norma, que concedeu um imenso poder às forças e corpos de “segurança” do Estado, continua tentando amedrontar aqueles que decidem levar até a linha de frente a ação direta contra a injustiça.

Em Valência, a violência policial produziu feridos e resultou em várias pessoas detidas, as quais recuperaram sua liberdade há poucas horas.

Em Barcelona, um numeroso desdobramento de agentes dos Mossos e da Guarda Urbana atuou de forma desproporcional nas mobilizações da tarde. No total, quinze pessoas foram detidas ao longo do dia. Agentes da BRIMO, pertencente aos Mossos d’Esquadra, espancaram manifestantes pacíficos. As cargas com gases lacrimogêneos e balas de borracha também causaram numerosos feridos por golpes, quedas, pancadas, etc., bem como identificações indiscriminadas entre os manifestantes.

Uma paz pouco crível

Desde que se soube do “acordo” de paz ao qual supostamente Israel e Hamas chegaram há poucos dias, o exército de Netanyahu continuou assassinando pessoas na faixa de Gaza, incluindo jornalistas. Miguel Fadrique, secretário geral da CGT, reivindica assim: “nestes dias de suposto cessar-fogo já comprovamos como Israel o violou, assassinando civis que regressavam a suas casas, o jornalista Saleh Al-jaafarawi, e fechando vários corredores humanitários. E é que se a sociedade civil baixar a guarda e se esquecer da Palestina, esta nunca sairá do genocídio e do cerco ao qual Israel os tem submetido”.

A CGT há décadas se posiciona contra a opressão que desde 1948 é exercida sobre a Palestina com a conivência da Comunidade Internacional. O Estado de Israel está acostumado a não cumprir nenhuma das resoluções ou acordos internacionais que foram consensuados para evitar o massacre de seres humanos e construir uma convivência o mais pacífica possível entre os povos. Nesse sentido, desde a CGT insistem em não falar de “guerra” entre palestinos e israelenses, porque os primeiros levam décadas isolados, -empobrecidos graças a uma estratégia sionista para espoliar recursos e roubar territórios, perseguidos, torturados, enclausurados durante anos em prisões desumanas-, e os segundos desfrutam do respaldo de potências mundiais que, mesmo sendo testemunhas da dor através dos meios internacionais, continuam mantendo sua cooperação com um genocídio.

Não nos deixemos anestesiar midiaticamente, ou “que a dor não nos seja indiferente”

Já se comprovou em outros conflitos bélicos onde os meios de comunicação transmitiram ao vivo as consequências de uma guerra. A guerra do Vietnã, na década de 60, provocou a rejeição da sociedade estadunidense e mobilizou milhões de pessoas. Aconteceu com a do Golfo Pérsico nos anos 90 do século XX, e também com a do Iraque. As pessoas reagiram contra o que certos meios lhes mostravam, mas também uma importante parte da sociedade se acostumou a ver como algo “normal” o sofrimento em países “distantes” e a não se preocupar em averiguar ou entender as origens ou as raízes. A CGT destacou a onda de críticas e de mensagens de ódio que foram recebidas por realizar uma convocatória, completamente legal, de uma Greve Geral contra o horror palestino, e nesse sentido a organização anarcossindicalista valorizou o trabalho de muitos profissionais que, com dignidade, conseguiram manter informada a população mais consciente e mobilizada do Estado espanhol. Miguel Fadrique acrescenta que “o dia de ontem serviu para deixar claro que uma grande parte da sociedade não vê com clareza que esse ‘cessar-fogo’ vá chegar a um bom porto. Por isso, a Greve Geral era nesta ocasião mais necessária do que nunca, assim como a mobilização social para que os acordos para isso conduzam a uma paz real e efetiva, que seja duradoura, e que venha acompanhada de uma reparação de todo o dano gerado ao povo da Palestina”. Nesse sentido, Fadrique também comentou que desde a CGT esperam que esta “reparação” não se converta na desculpa para que os ricos voltem a obter benefício econômico do sofrimento de milhares de seres humanos inocentes, “que a reparação não se converta em um negócio imobiliário a mais para os grandes investidores”.

Futuras mobilizações: até que a Palestina seja realmente livre

Desde a CGT se continuará na linha de trabalho que se manteve com os movimentos sociais, organizações sindicais combativas e de classe, e em geral com os coletivos e pessoas que vêm apoiando e contribuindo com a causa do povo palestino. É por isso que a CGT continuará fomentando o debate e a participação, através de sua militância e de suas relações com outras organizações e setores, sobre tudo o que ocorrer na faixa de Gaza e nos territórios ocupados por Israel. Os protestos e qualquer tipo de ação que se fizer, e todas as que terão que vir, têm sentido, são necessárias e, infelizmente, não vão terminar tão cedo, como já comprovamos em outros momentos da história. A organização anarcossindicalista já defendeu na coletiva de imprensa de apresentação da greve no passado 10 de outubro, a insistência em continuar fazendo pressão desde a classe trabalhadora para que os recursos comuns sejam destinados às verdadeiras necessidades das pessoas, como a moradia, a educação, a saúde, o transporte, o auxílio à dependência, a blindagem dos direitos trabalhistas, etc.

Gabinete de Imprensa do Comitê Confederal da CGT

cgt.es

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Trezentos quilômetros
Para não vos contemplar –
Mangueiras da minha infância!

Paulo Franchetti

Manifesto FAF POA 2025

Este ano decidimos como tema GENTRIFICAÇÃO e NECROPOLÍTICA, algo que está acontecendo muito nesse território.

O que é GENTRIFICAÇÃO? É o processo de expulsão por diversos meios, da população trabalhadora da região, e aos poucos, vai sendo tomada pelos mais ricos. Com a retirada de pessoas mais pobres, o bairro fica mais atrativo para as empresas, com rendimentos maiores. Há a demolição das casas das antigas moradoras para dar lugar a torres de apartamentos e comércios elitizados. Também há a pressão dos mercados imobiliários, no aumento dos aluguéis e para que as pessoas vendam suas casas.

Estamos vivendo desalojos de territórios de luta e ancestrais, dando lugar ao concreto cinza que só serve aos poderosos. Bairros sendo invadidos por condomínios de luxo como Alphaville na Restinga, ou mesmo a destruição de florestas para dar lugar a negócios como a Floresta do Sabará sendo destruída pela companhia Zaffari. Também a gentrificação se fez e ainda se faz presente tanto nas diversas ameaças e expulsões forçadas do Quilombo Kédi pela companhia Zaffari, quanto do Quilombo Areal da Baronesa e a Ilhota da década de 60. Da Vila Tronco, com as magníficas “obras da Copa” revelando as redes de esgoto, à Vila Dique, cujos moradores caminham 10 km até o posto de saúde mais próximo. Nas últimas décadas, a cidade tem visto a expansão de grandes empreendimentos imobiliários com grande número de casas ou diversas torres, como o Terra Nova Nature. Em outubro de 2015, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou uma alteração no Plano Diretor, para autorizar a construção de condomínios de luxo, mais de duas mil casas e um polo comercial em uma área de 426 hectares que faz parte da Fazenda do Arado, propriedade localizada entre os bairros Belém Novo e Lami. Nesse território está a Retomada da Ponta do Arado, da etnia Mbyá Guarani, que vem lutando para a demarcação de seu território ancestral. Em 2025 o museu Joaquim José Felizardo e a prefeitura de Porto Alegre desalojaram a Kasa Okupa ContraKultural Jiboia, um espaço Contra-cultural Anarquista para dar lugar a um suposto anexo que sabemos muito bem que será mais um espaço de comércio e de food-trucks para os visitantes do museu. Também em 2025 a prefeitura derrubou galpões na Vila dos Papeleiros e no bairro São Geraldo, com grande truculência, na região do 4 distrito, que foi “revitalizada” para atender às altas demandas de lucro em bares e casas de festas. Todas essas obras de “revitalização” que não é nada mais nada menos que capitali$mo.

Espaços PÚBLICOS que faziam parte da vida da população estão se tornando espaços PRIVADOS, como mesmo o próprio Cais Mauá e também a Usina do Gasômetro. A privatização da companhia elétrica – CEEE Equatorial, e também a tramitação de um projeto para privatizar inclusive o LIXO de Porto Alegre, excluindo as pessoas que são principais responsáveis por fazer a reciclagem e contribuem diretamente com o meio-ambiente, como as pessoas catadoras, que sobrevivem diretamente desse trabalho. Já se está falando de privatizar também o DMAE, que é público e que lida com a distribuição, reabastecimento e tratamento de água e esgoto da cidade.

O que é NECROPOLÍTICA? Necropolítica é um conceito cunhado pelo filósofo Achille Mbembe que faz referência ao uso do poder social e político para decretar como algumas pessoas podem viver e como outras devem morrer; ou seja, na distribuição desigual da oportunidade de viver e morrer no sistema capitalista atual. A necropolítica é mais do que o direito de matar, é também sujeitar pessoas à morte por diversas formas, como a escravidão, o apartheid, a colonização da Palestina, e à preconceitos que levam à morte, como a homolesbotransfobia, xenofobia, racismo, machismo, capacitismo, etc. Nesse contexto de gentrificação desse território, todas essas políticas e práticas que estamos discutindo se relacionam à Necropolítica, uma política de extermínio e morte estimulada pelos “avanços capitalistas”.

Se faz importante e necessário esse debate e a construção de práticas e estratégias para o combate. Nós nos organizamos com base no ANARCOFEMINISMO, a partir da horizontalidade, da autogestão, do apoio-mútuo, da autonomia para construir um espaço onde possamos re-pensar nossos modos de ser e estar no mundo e a como RESISTIR aos enfrentamentos com o poder. Rechaçamos veementemente a forma como a cidade vem se desenvolvendo, este território cada vez menos popular, menos dos quilombos e dos povos originários, menos das matas e florestas, menos de outres animais que aqui habitam,  menos da ocupação das ruas, menos das mulheres e população LGBTQIAP+, menos dos movimentos artísticos =contra= culturais, e mais das empresas, mais dos poderosos, mais de quem já detém muitos privilégios, mais da urbanização, mais do empilhamento de pessoas, mais do concreto cinza e sufocante.

Ocupamos as ruas desde sempre com nossa arte e luta, e temos sido reprimides e sufocades, nos restringindo cada vez mais ao âmbito privado, particular, PAGO. A quem serve esse suposto desenvolvimento? A quem serve esse tipo de cidade? Isso sem falar da grande enchente que passamos em 2024 e que até agora a política da cidade continua sendo a de DEVASTAR AINDA MAIS o ecossistema que já está em colapso.

Chamamos à essa Feira Anarquista Feminista a denunciar e ativar novas estratégias de RETOMADA e RE-OCUPAÇÃO DA CIDADE, para o combate ao sistema que quer nos destruir. Chamamos à articulação de ideias, propostas, movimentos, coletividades, artes e manifestações a construir y desconstruir esse território. Nos unirmos entre mulheres e dissidências a partir das nossas lutas e ativar nossas vidas. ESSE TERRITÓRIO TAMBÉM É NOSSO!

Blog: feiraanarquistafeminista.noblogs.org

Instagram: @fafpoa

Contato: fafpoa@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Sem pátria, sem hino,
o chão que pisamos é
o único altar.

Liberto Herrera