[Estado Chileno] Semana de agitação em memória do companheiro Javier Recabarren, de 11 a 18 de março de 2025

E mesmo que a morte não chegue em pleno confronto, somos nós quem devemos reviver cada história, devemos construir a memória combativa de nossos irmãos e irmãs, que sua lembrança não se transforme em um memorial cidadão, que seu rosto não seja o de algum ídolo, que a guerra que travaram em vida seja parte do impulso revolucionário, que seus relatos, suas certezas e contradições nos acompanhem em cada ação, em cada noite de sabotagem, em cada impulso destruidor da sociedade de misérias, em cada gesto de rebeldia“. – Belén Navarrete

Escrito em memória do companheiro Javier Recabarren. Novembro de 2015.

UM RUGIDO ENTRE ANIMAIS

No dia 18 de março de 2015, morre o companheiro anárquico e antiespecista Javier Recabarren, após ser atropelado por um ônibus do Transantiago nas ruas Radal com Alameda, em Santiago.

Javier, com apenas 11 anos de idade, já participava de diversas iniciativas antiautoritárias, atividades solidárias, comícios, manifestações, encapuzando-se e enfrentando a polícia bastarda. Dessa forma, esbofeteando qualquer um que acredite que exista uma idade determinada para escolher o caminho do conflito.

A 10 anos de sua morte, voltamos a fazer um chamado para uma semana de agitação em memória do companheiro, incentivando a extensão das ideias e práticas antagônicas ao poder, as quais Javier, em seus poucos anos de vida, buscava e encontrava com fome de conhecer para a ação.

De 11 a 18 de março, vá às ruas, faça parte desta iniciativa aberta, todos que se sentirem chamados podem contribuir; crie e divulgue propaganda, aja em consequência.

Não nos esquecemos do urso Polar Taco e dos milhares de animais assassinados, encarcerados, violentados e coisificados dia após dia.

Não nos esquecemos de nossos mortos que, em vida, percorreram caminhos de confronto ilegal pela Anarquia e pela Liberação Animal.

Saudamos nossos presos e fugitivos que se mantêm íntegros com sua opção de vida em conflito, resistindo à prisão política e, em condições adversas, continuando com uma alimentação vegana.

A 10 ANOS DE SUA MORTE, JAVIER RECABARREN PRESENTE

…NA AÇÃO ANÁRQUICA E PELA LIBERAÇÃO ANIMAL 

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2025/02/21/estado-chileno-semana-de-agitacion-a-la-memoria-del-companero-javier-recabarren-del-11-al-18-de-marzo-2025/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

sob a folhagem amarela
o mundo repousa enterrado…
exceto o Fuji

Buson

[França] “Mumia, la plume et le poing”: cem artistas unem forças para garantir a libertação de Mumia Abu-Jamal

Le Temps des cerises, em parceria com o coletivo de apoio a Mumia Abu-Jamal, e quase uma centena de pintores, artistas visuais, cartunistas e designers gráficos estão unindo forças para exigir a libertação do prisioneiro político injustamente condenado, que está preso nos Estados Unidos há mais de quatro décadas.

Por Cathy Dos Santos

Há mais de quatro décadas, seu único horizonte são as paredes de sua cela. Em abril passado, Mumia Abu-Jamal chegou a apagar suas 70 velas atrás das grades [comemorou seu 70º aniversário]. Sua vida é um confinamento arbitrário. E, no entanto, embora fisicamente debilitado, ele permanece ereto e digno.

Apesar da temível determinação das autoridades judiciais, o famoso ativista dos Panteras Negras não está sozinho nem isolado. “Mumia, la plume et le poing” [Mumia, a caneta e o punho], publicado pela Le Temps des cerises em parceria com o coletivo francês em apoio a Mumia Abu-Jamal e 100 Artistas por Mumia, reúne uma série de artistas da França e do exterior.

O lugar de Mumia não é na prisão

Pintores, artistas plásticos, artistas gráficos, cartunistas e fotógrafos colocaram seu talento a serviço de uma causa nobre: a libertação da voz dos que não têm voz. Seu trabalho está repleto de uma solidariedade que não tem limites; é uma demonstração de uma fraternidade que pode ir além dos muros de sua prisão.

“Nenhuma campanha por mudanças radicais pode ser realmente eficaz sem incluir uma dimensão estética”, diz Angela Davis no prefácio deste livro. Figura de destaque no movimento pelos direitos civis, ela também foi presa nos Estados Unidos como comunista. Na terra do Tio Sam, o espírito subversivo e as batalhas políticas contra um sistema alienante têm um preço alto.

“A arte nos incentiva a levar a sério as criações da imaginação humana. A arte também nutre e sustenta a capacidade de imaginar coletivamente”, afirma a grande feminista. A imaginação é o tema destas páginas, nas quais as características do rosto do prisioneiro indomável são expressas em carvão, colagem, pinturas, fotografias e histórias em quadrinhos.

Ernest Pignon-Ernest, Kiki Picasso, Boris Séméniako, Daniel Paris-Clavel, Fred Sochard e muitos outros estão sacudindo a própria consciência de Mumia Abu-Jamal. Em última análise, suas obras nos dizem que a injustiça já dura há muito tempo, desde que Mumia foi condenado à morte em 1982 pelo assassinato de um policial branco, o que ele sempre negou, ao final de um julgamento desprovido de provas, iníquo e, ainda assim, tão revelador do racismo sistêmico que grassa nos Estados Unidos.

Suas obras também nos dizem que esse prisioneiro político ainda está de pé, que sua voz não perdeu nada de sua força ao castigar as desigualdades deste mundo em crônicas rigorosas cheias de humanidade. O lugar de Mumia não é na prisão; nunca foi. A exigência de sua libertação é um grito compartilhado. Esse é o desejo expresso pelos criadores de “Mumia, la plume et le poing“, que estão convencidos de que a arte perturba, abala e emancipa, assim como as palavras de Mumia. 10 euros de cada livro vendido serão doados ao coletivo.

“Mumia, la plume et le poing”, edição Temps des cerises, coleções la griffe de l’art, 2024, 165 páginas, 35 euros.

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agência de notícias anarquistas-ana

O tempo virou
Apressam o passo as saúvas
Onde o guarda-chuva?

Chico Pascoal

[Espanha] CGT insiste que a ABAI continua destruindo postos de trabalho devido à deslocalização

A CGT vem denunciando há meses que a empresa de telemarketing ABAI está destruindo centenas de postos de trabalho na Espanha com o objetivo de prestar serviços de atendimento ao cliente para grandes companhias, como Telefónica e Endesa, a partir de países onde as condições trabalhistas são mais precárias.

No passado mês de novembro, a CGT convocou concentrações em frente às lojas da Movistar por esse motivo e, há mais de um mês, divulgou que a ABAI havia aberto um novo centro de atendimento telefônico na cidade colombiana de Pereira, de onde são atendidas as consultas dos clientes da Movistar. “O objetivo é claro: reduzir drasticamente o número de trabalhadoras na Espanha para desviar a carga de trabalho para outros países onde nossas colegas sofrem condições ainda piores que as nossas”, afirmam fontes do sindicato. “A direção da ABAI busca criar um clima de terror e incerteza para que nos vejamos obrigadas a deixar a empresa”, acrescenta a mesma fonte.

O sindicato insiste que a estratégia da ABAI conta com o apoio das grandes empresas às quais presta serviço, como Movistar e Endesa. “A ABAI e a Telefónica desativam de maneira arbitrária as chaves que nós, teleoperadoras, precisamos para trabalhar em suas campanhas; dessa forma, buscam justificar medidas tão prejudiciais como os ERTE (Expedientes de Regulação Temporária de Emprego), como o que atualmente afeta o centro de Madrid”, declara uma delegada da CGT.

A CGT ressalta que tanto a ABAI quanto as empresas que contratam seus serviços utilizam a deslocalização para aumentar exponencialmente seus lucros às custas da precariedade. “É vergonhoso que uma empresa como a Telefónica, que foi pública e tem o Estado entre seus acionistas, possa destruir impunemente centenas de postos de trabalho com a deslocalização dos serviços”.

A CGT exige que a direção da ABAI ponha fim a essa situação e garanta as condições das equipes. “Não vamos permitir que brinquem com nosso futuro dessa maneira; temos o direito de trabalhar em condições dignas”. “Não é possível que queiram obter ainda mais receitas esmagando e humilhando as trabalhadoras de todo o mundo”, indica a mesma fonte.

Fotografia de uma das concentrações em frente a uma loja da Movistar

Fonte CGT na ABAI Coruña: https://rojoynegro.info/articulo/cgt-insiste-en-que-abai-continua-destruyendo-puestos-de-trabajo-por-la-deslocalizacion/

Tradução > Liberto

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A pedra
nada pergunta ao rio
sobre água e tempo.

Yeda Prates Bernis

[Grécia] 25 anarquistas detidos em Atenas

25 membros do Rouvikonas, um coletivo anarquista, foram presos em Atenas na sexta-feira (28/02) durante a greve geral de 24 horas. Embora eles devessem comparecer ao tribunal no sábado (01/03), o julgamento foi adiado. Em uma ação sem precedentes, os ativistas serão mantidos na prisão até terça-feira, quando o julgamento continuará.

Na sexta-feira, enquanto toda a polícia monitorava a maré humana na capital, o coletivo subiu ao topo do prédio da “Hellas Train”, uma empresa de trens privatizada que busca obter o máximo de lucros às custas da segurança dos passageiros. Eles desfraldaram duas faixas na fachada do edifício em conexão com o desastre ferroviário de 28 de fevereiro de 2023, que custou 57 vidas, uma com a inscrição “Assassinos” e a segunda “Iremos até o fim Koulis” (Koulis é a abreviação do primeiro-ministro grego Mitsotakis). Depois de ouvir a decisão do tribunal, a multidão que tinha vindo para apoiá-los se revoltou em voz alta e foi imediatamente atacada pela polícia de choque.

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agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

O acidente fatal do trem Tempe reacendeu as ruas da Grécia com algumas das maiores manifestações de protesto que o país já viu

Manifestações em massa ocorreram nas ruas de Atenas, Tessalônica e outras cidades da Grécia no segundo aniversário do acidente de trem de Tempe. Cinquenta e sete pessoas morreram quando o trem de passageiros colidiu com um trem de carga em 28 de fevereiro de 2023, e a raiva pela tragédia cresceu junto com uma série de falhas na melhoria da segurança dos trilhos, na entrega dos resultados de um inquérito judicial formal ou na condenação de qualquer pessoa por seu papel na viabilização do acidente.

Com centenas de milhares de pessoas participando em 200 cidades, vilas e aldeias e uma greve geral que fechou a infraestrutura, os protestos assumiram o caráter de uma dissidência mais geral contra o governo de Mitsotakis, após o protesto generalizado de janeiro.

As reportagens da mídia grega têm se concentrado consistentemente nos tumultos que se espalharam em Atenas ao longo do dia. Porém, contra as tentativas generalizadas de apresentar os tumultos em grande escala no centro da cidade como trabalho de agentes provocadores, os grupos anarquistas gregos avaliaram a situação. A Void Network, em um comunicado, disse:

Os maiores protestos de todos os tempos neste país provaram, de certa forma, que a grande maioria social está exigindo uma vida muito diferente daquela que nos é imposta por políticos corruptos e empresários canalhas. Estamos, aos milhões, lutando por uma vida de solidariedade, igualdade, liberdade e justiça.

Se as alas mais radicais da esquerda e do anarquismo têm algo a oferecer, além da nossa participação e do fortalecimento de um movimento que exige “Justiça” para o crime de Tempe, é justamente substituir essa ideia por uma expectativa de Justiça Social, capaz de exigir direitos sociais e públicos básicos, independentemente e além da identidade nacional, além dos limites estabelecidos e impostos pela soberania.

Para fazer isso, no entanto, é necessário que as forças radicais ultrapassem os slogans cansados que simplesmente afirmam sua identidade e a tendência de idealizar a margem social que prevaleceu dentro delas. Porque, no final das contas, qual é o limite do tipo de multidão que apareceu nas praças? Seu caráter clássico de maioria social é, ao mesmo tempo, seu verdadeiro poder. Uma força coletiva que busca não apenas provocar mudanças institucionais significativas em nível político, mas, a longo prazo, alcançar uma transformação radical de nossas vidas e do modo de produção.

No ambiente histórico e global sombrio que está se formando, essa demanda por Justiça Social, essa perspectiva “temporária”, talvez seja a coisa mais atual que existe.

A justiça não é apenas um objetivo, mas um processo que se desenvolve por meio da liberdade, da igualdade e da solidariedade. A justiça não pode ser imposta por uma autoridade central ou por um sistema hierárquico. Em vez disso, ela deve emergir das comunidades, dos esforços coletivos das pessoas que agem livre e conscientemente para o bem comum.

Os crimes do Estado são obscurecidos para proteger os mecanismos que sustentam a desigualdade e a exploração sistêmicas, os privilégios dos poderosos, os dias e as noites de labuta e agonia de todos nós.

A Justiça Social, que gritamos nas ruas, não é uma igualdade na opressão, mas a capacidade de cada pessoa de viver com dignidade, sem exploração, sem medo. Trata-se de criar uma sociedade em que os recursos sejam distribuídos de forma justa, em que o trabalho seja livre e criativo e em que as relações entre as pessoas sejam baseadas na confiança e na solidariedade.

A justiça não pode existir sem igualdade e liberdade.

A justiça social não é apenas uma teoria, é uma ação que exige esforço constante e revolução contra toda forma de opressão. Precisamos abolir as hierarquias em todos os aspectos da vida, destruir os sistemas que perpetuam a desigualdade e construir uma sociedade baseada na autogestão, na ajuda e no cuidado uns com os outros.

Em uma sociedade assim, a justiça não estará nas mãos de políticos corruptos, mafiosos e canalhas, não será uma ideia abstrata, mas uma realidade vívida desenvolvida por meio da experiência e da participação igualitária de todos. Será uma sociedade em que ninguém será rico enquanto outros passam fome, e em que ninguém terá poder sobre os outros.

Justiça social é a liberdade de viver, criar e colaborar sem medo e sem opressão. É a promessa de uma sociedade baseada no amor, na solidariedade e no respeito por todos os seres humanos. E essa sociedade não virá do céu, mas nascerá do coração e das ações de todos nós.

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agência de notícias anarquistas-ana

gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado

Rosa Clement

[Alemanha] Berlim: Sabotagem de linha ferroviária e antena de telecomunicações

Exatamente um ano atrás, a área de Grünheide foi ocupada para impedir a expansão da Gigafactory da Tesla. Após quase nove meses de existência, a ocupação foi evacuada em novembro passado, sob o pretexto ridículo de uma busca por bombas, no momento em que escavadeiras encomendadas pela Deutsche Bahn, que construirá as instalações ferroviárias e a estação de carga para a expansão da Gigafactory, chegaram e abriram um caminho de destruição na floresta. Hoje, a Tesla, contra a vontade dos moradores de Grünheide, recebeu permissão para expandir a fábrica e um novo contrato, que permite à empresa despejar ainda mais resíduos tóxicos no esgoto.

Resumo curto: tudo está bem para o tecnofascista e fã do AfD Elon Musk.

Contudo, não permaneceremos inativos diante desses acontecimentos. A luta contra a Tesla já criou muitos momentos maravilhosos e rebeldes e mostrou que, com o uso combinado de vários métodos, até mesmo uma das empresas mais poderosas do mundo pode, pelo menos temporariamente, ser forçada a recuar. Queremos continuar nessa direção.

Esta manhã (12/02), interrompemos a linha ferroviária pela qual milhares de funcionários da Tesla são transportados de Berlim para Grünheide todos os dias, bem como o transporte comercial de petróleo e gás do Leste para o Oeste, e incendiamos uma antena de telecomunicações perto do poço de cabos da linha ferroviária. Essa sabotagem é direcionada contra a Deutsche Bahn e a Tesla, as duas principais culpadas pelo desmatamento e derrubada da floresta, bem como contra a infraestrutura que é a força vital do domínio e controle digital.

Percebemos que as intervenções dessas empresas em Grünheide são apenas uma pequena parte da destruição causada pelo complexo tecnoindustrial e pela produção de veículos elétricos em escala global. A grilagem de terras, o esgotamento dos recursos naturais, a poluição e a exploração violenta do trabalho humano estão sempre ligadas à extração de matérias-primas e à infraestrutura de transporte necessária. Minerais como lítio, cobalto, cobre, etc., usados ​​na fabricação de baterias de automóveis e outras tecnologias-chave para a transição energética, são limitados e o acesso a eles está sujeito a uma competição acirrada. Da mesma forma, produtos de alta tecnologia, como microprocessadores, encontrados em todos os dispositivos tecnológicos e produzidos no mundo todo por apenas algumas empresas, podem levar a tensões geopolíticas que podem transformar guerras comerciais existentes em conflitos armados sérios. A notória transição “verde”, que segue teimosamente o mantra capitalista de “mais rápido, mais alto, mais longe”, não só amplifica as mudanças climáticas e os desastres que as acompanham, mas, em combinação com outros fatores, também tem o potencial de levar a humanidade de volta à beira de uma guerra global. Esta guerra corre o risco de se tornar tão permanente quanto as crises capitalistas.

A Deutsche Bahn e a Tesla/SpaceX estão entre as empresas que se beneficiam tanto do desastre ecológico quanto de uma possível guerra. Por um lado, porque a narrativa da “economia verde” persiste teimosamente e atua como um amplificador de seus negócios com falsa sustentabilidade. Por outro lado, a infraestrutura e as aplicações tecnológicas dessas empresas desempenham um papel importante na logística dos países da OTAN, que estão constantemente aumentando a tensão global para defender a hegemonia ocidental e continuar a subjugação colonial do Sul global sem perturbações. Tudo isso, se necessário, mesmo com guerra.

Não permitiremos isso – Não há paz para os exploradores da guerra e do crime ecocida!

Saudações aos incendiários antifascistas da Tesla, dos EUA a Dresden!

Amor e força aos presos e procurados!

P.S. e outras empresas que participaram da evacuação por meio de aluguel de máquinas ou estão envolvidas na expansão da Gigafactory, certamente ficarão felizes em receber visitas: 

  • Matthäis Bauunternehmen GmbH & Co
  • STRABAG
  • Boels
  • HKL Baumaschinen

Fonte: https://switchoff.noblogs.org/post/2025/02/12/berlin-gruenheide-bahnstrecke-und-funkmast-sabotiert/

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Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Buson

[Grécia] Atenas | Passeata pela memória e luta pelo companheiro anarquista Kyriakos X.

Companheiros e companheiras da comunidade anarquista se reuniram no Propileu no sábado, 08/02, para homenagear a memória do companheiro anarquista Kyriakos Xymitiris, que morreu em uma explosão num apartamento na Rua Arkadias em Ampelokipi.

A passeata percorreu as ruas centrais da capital ateniense com um pulso particularmente dinâmico e os slogans que foram ouvidos expressaram solidariedade à muito traumatizada companheira Marianna M. bem como aos companheiros detidos que foram presos após a explosão.

A maior parte da manifestação foi parar na Rua Messolonghi, onde uma placa memorial foi colocada em homenagem ao companheiro anarquista morto Kyriakos Xymitiris.

KYRIAKOS X. SEMPRE PRESENTE NAS LUTAS PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

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agência de notícias anarquistas-ana

Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

[Espanha] Viñetas & Subversión: 2ª Jornada de Quadrinhos Sociais e Libertários em Burgos

Viñetas & Subversión retorna com as II Jornadas de Cómic Social y Libertario que serão realizadas em Burgos durante os meses de março e abril. O objetivo da conferência é destacar, entre outras coisas, a consciência crítica, a recuperação da memória histórica, o feminismo e o pensamento libertário, por meio da linguagem dos quadrinhos. Como na edição anterior, Viñetas & Subversión é uma iniciativa que ocorrerá em diferentes locais da cidade e é o resultado do esforço conjunto de várias organizações e coletivos. O amplo programa para 2025 inclui a presença de artistas emergentes e outros que já estão estabelecidos na 9ª Arte há anos. Além disso, foi dada visibilidade especial à crescente presença de autoras no mundo das graphic novels, bem como aos criadores locais, que também terão seu próprio espaço.

>> Confira a programação aqui:

https://drive.google.com/file/d/10ZBW3RJlxqvcyQSTcAkjENwx7vAKxtct/view

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Menino no banheiro
sola um sonho só de gozo
entre a mão e o chuveiro.

Anibal Beça

[EUA] Lutando para ser livre

por Andrew/Sunfrog (Andy “Sunfrog” Smith)

Fifth Estate nº 415, verão de 2024

resenha de Stay and Fight, de Madeline Ffitch. Farrar, Straus e Giroux, 2019

Comecei a me identificar como anarquista há quase 20 anos, depois de uma manifestação em que percebi que as pessoas que cozinhavam a comida, lavavam a louça e administravam os primeiros socorros eram, em sua maioria, anarquistas. Em vez de uma doutrina política rígida, entendo o anarquismo como uma postura ética focada em fazer justiça e cuidar uns dos outros sem hierarquia, sem pedir permissão aos detentores do poder e com as ferramentas que tivermos disponíveis. Eu recorro a essa ética diariamente.” -Madeline Ffitch

Uma escritora criativa de longa data da tradição anarquista é uma romancista anarquista ou uma anarquista que escreve romances? Existe algo como uma tradição anarquista na ficção? Não tenho certeza de que essas foram as primeiras perguntas que passaram pela minha cabeça quando devorei Stay and Fight, o romance de estreia de Madeline Ffitch.

No entanto, a história me levou diretamente de volta à década de 1990 e à fundação de um projeto de terra explicitamente anarquista na zona rural do Tennessee. Por um breve período, esse mesmo projeto de terra selvagem foi uma loja de informações, o local de vários pequenos festivais e o centro de publicação do Fifth Estate. Stay and Fight lembra que a vida em comunidade e as propriedades rurais idealistas são uma característica duradoura de várias contraculturas. As histórias contadas aqui também lembram, em termos duros, impressionantes e muitas vezes hilários, que nós, criaturas sociais, esbarramos na parede dura de nossas limitações quando tentamos viver em estreita proximidade com nossos companheiros.

Os aspectos sutis, surreais e milagrosamente anti-autoritários do livro estão nas escolhas que Ffitch faz como curador da narrativa. Em termos simples, a história é contada a partir de várias perspectivas, com vários personagens principais se revezando na narrativa em primeira pessoa. O romance não faz nenhuma tentativa de resolver ou conciliar o quanto isso pode ser chocante e suculento.

Quando a personagem mais jovem narra, a história se torna tão mágica e fantástica quanto se poderia imaginar, especialmente quando esse mesmo personagem luta com encontros hostis, neurodivergência, tudo mediado por uma realidade interna que é mais otimista e maravilhosa do que o mundo real poderia permitir.

Com frequência, na grande mídia e nas mídias sociais, as guerras culturais são divulgadas da forma mais caricatural possível, mas quando anarquistas queer e culturalmente coloridos navegam por pequenas cidades dos Apalaches, essas interações dificilmente podem ser reduzidas a slogans, denúncias ou memes. As inúmeras maneiras pelas quais Ffitch forja essas realidades e surrealidades são, às vezes, cômicas e caóticas, especialmente quando aprendemos como os personagens principais negociam conflitos entre si, mesmo sendo cada um deles desajustado e radical em relação à estrutura social mais ampla.

Os idealismos anarquistas do passado acabaram morrendo em comunas utópicas, quando ideologias mais rígidas não podem sofrer com as realidades interpessoais e básicas da vida, como chuva e neve, brigas e finanças, animais e adubo. As formas como os desejos e sonhos desses personagens crescem, vacilam e evoluem em meio a tudo isso são realmente energizantes e críveis, mesmo quando eles enfrentam lutas externas, como os gasodutos de gás natural que têm sido um ponto focal para os radicais ambientais neste século.

Como alguém que se mudou para uma área rural com sonhos semelhantes, mas também foi forçado a mudar e se adaptar, endosso totalmente a ideia subjacente de relacionamentos bonitos, mas difíceis, de decidir ficar e lutar.

Andrew/Sunfrog escreve com frequência para o Fifth Estate.

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Borboletas mil
Multiplicando jardins
São flores aladas.

Francisco Ferreira

[Grécia] Adeus à companheira Despina

Na quarta-feira, 12/02/2025, nossa Irmã, Camarada e Amiga Despina nos deixou. Despina se descobriu nas ruas do Fogo e da Luta desde muito jovem. Ela defendeu a Anarquia e seus ideais até o fim. Sempre esteve próxima das mulheres trabalhadoras, prisioneiras, perseguidas, refugiadas e imigrantes. Ela foi uma pedra angular desde o início da criação da Ocupação de Refugiados e Imigrantes [Squatting Refugee and Immigrant Home], Notara 26, e fez parte do Coletivo Anarquista “Apopeira”. Ela odiava a imagem da Praça Exarchia (a Praça do seu coração) cheia de policiais e barras de metal e nunca parou de lutar por sua libertação. Despina, sem nenhum exagero, deu tudo de si na Luta pela Vida e Dignidade. Mesmo em seus momentos mais difíceis, ela permaneceu na linha de frente, liderada pelo sorriso e pela paixão que a acompanhavam permanentemente. A Camarada Despina sempre esteve presente para mim, para você, para todos nós. Uma fortaleza na qual você podia se apoiar, sabendo que ela permaneceria inabalável em seu lugar. Sentiremos sua falta, Despina, mas seu fogo arderá para sempre dentro de nós. Na Praça, nas Lutas, no Fogo das próximas revoltas, você sempre estará conosco.

O fogo de 12 de fevereiro de 2012 queimou toda Atenas. Seu fogo, de 12 de fevereiro de 2025, iluminou os corações de todos nós.

– de camaradas e amigos

Tradução > acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Até mesmo o céu
Embriagado pelas flores?
Nuvens cambaleantes.

Nonoguchi Ryûho

Petróleo na Margem Equatorial? Exploração da ‘Foz do Amazonas’ some de sites do governo, da imprensa e até do Google

Levantamento do Intercept revela estratégia para suavizar percepção pública sobre riscos e impactos socioambientais da exploração petrolífera na região amazônica

Paulo Motoryn e Mariana Della Barba | 14/02/2025

A BATALHA PELO FUTURO DA AMAZÔNIA está sendo travada não apenas em gabinetes e tribunais, mas também na linguagem. Em discursos políticos, relatórios técnicos e manchetes de jornais, um novo termo tem dominado as conversas sobre a exploração de petróleo na costa norte do Brasil: “Margem Equatorial”.

Um levantamento do Intercept Brasil, realizado a partir de informações extraídas de sites governamentais, dados do Google Trends e reportagens de veículos de imprensa, expõe uma estratégia sutil — porém impactante — de suavizar o polêmico projeto para explorar petróleo em plena Amazônia.

Os números indicam que o termo “Margem Equatorial” vem substituindo progressivamente “Foz do Amazonas” para definir o projeto de exploração petrolífera na Amazônia que está em análise pela Petrobras e pelo Ibama – e virou alvo de indignação do presidente Lula, que disse nesta semana que não quer mais “lenga lenga” do órgão ambiental.

Mas por que essa mudança de expressões? Para ambientalistas e especialistas, essa alteração não é mero detalhe semântico — ela tenta redefinir a percepção do público e pode influenciar decisões cruciais sobre um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta.

Enquanto “Foz do Amazonas” remete à região específica onde o Rio Amazonas encontra o Atlântico — área rica em biodiversidade, recifes de corais únicos e comunidades tradicionais —, “Margem Equatorial” é um conceito geológico amplo, que abrange cinco bacias sedimentares desde o Amapá até o Rio Grande do Norte.

É verdade que a Petrobras tem interesse em explorar petróleo em múltiplas áreas da Margem Equatorial, não apenas na região da Foz do Amazonas. Mas ela é um dos principais alvos, especialmente o bloco FZA-M-59, próximo à Guiana, onde há estimativas de reservas significativas (até 10 bilhões de barris).

A estratégia, segundo ambientalistas e líderes indígenas ouvidos pelo Intercept, busca diluir a associação imediata com a Amazônia, bioma sensível e símbolo global de conservação, e ampliar a percepção de que a exploração ocorreria em uma região “genérica”.

Foz do Amazonas ‘some’ do site de ministério

O Intercept realizou uma análise da linguagem utilizada por três órgãos governamentais diretamente envolvidos no projeto de exploração petrolífera na Amazônia. Para isso, foram consultados os sites oficiais do Ministério de Minas e Energia, do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama, todos com o domínio oficial “.gov.br”.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.intercept.com.br/2025/02/14/petroleo-foz-amazonas/

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meu cachorro velho
ouvindo com interesse
o canto do verme

Issa

[Grécia] Todos para a marcha de greve contra o crime capitalista estatal em Tempe

Já se passaram dois anos desde a colisão de trens em Tempe, que matou pelo menos 57 pessoas e feriu muitas outras. Desde o primeiro momento, o aparato estatal e as instituições tentaram encobrir o que está se tornando cada vez mais claro a cada dia. Não foi um acidente, mas foi um assassinato capitalista de Estado!

Por mais que tentem suprimir as vozes da raiva e do protesto para que o capital possa fazer seus negócios em paz, é ainda mais necessário resistir às políticas estatais que levam a mortes nas fronteiras, nos trilhos e no mar.

A raiva não pode ser escondida, nem pode esperar que a justiça burguesa apresente suas conclusões. A rua é a única arma que temos em nossas mãos.

Todos nós nas ruas, todos nós em greve na sexta-feira, 28/2.

athens.indymedia.org

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Sobre os meus pés
Caem reluzentes
As últimas faíscas do sol.

Leandro Feitosa Andrade

[Grécia] Vídeo | Intervenção na plataforma da OSE de Tessalônica para Tempe

Esta tarde (26/02) realizamos uma intervenção de propaganda para a Greve Geral de 28 de fevereiro por ocasião dos dois anos do crime capitalista de Estado em Tempe, na plataforma da OSE, no momento da chegada do trem Atenas-Tessalônica. Nós desenrolamos faixas e entregamos textos aos passageiros que desembarcavam.

Após nossa partida, na área de Antoginida, as forças policiais pararam 2 motocicletas com 4 de nossos companheiros e os levaram para a delegacia mais próxima. A prisão durou pouco tempo, mas é indicativa do clima de terrorismo que o Estado e a Polícia querem impor ao corpo social em vista das marchas de sexta-feira, que devem ser as mais massivas da história moderna do país.

É dever de todos e cada um de nós que queremos ser chamados de seres humanos e podemos fazê-lo, comparecer às manifestações de greve de sexta-feira que ocorrerão em dezenas de cidades do país.

Contra as políticas de morte do Estado e do Capital, que priorizam os lucros em detrimento das vidas humanas.

Contra o encobrimento das responsabilidades de políticos e não políticos.

Seus lucros – Nossas vidas!

Iniciativa Libertária de Tessalônica

>> Assista o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=OAQuq6iQG_M&t=64s

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lesma no vidro
procura uma sombra
que seja ela mesma

Alice Ruiz

[Grécia] Apelo à greve de 28/02, dois anos desde o assassinato estatal e capitalista em Tempe

Era a noite de terça-feira, 28/02/2023, quando dois trens, um de passageiros da Hellenic Train e outro comercial, colidiram em Tempe. Há dezenas de mortos e feridos. Mais uma vez, todos os tipos de jornalistas e líderes partidários derramam lágrimas de crocodilo e falam de “luto nacional”. A hipocrisia transborda. Os esforços feitos pelos fantoches do governo para fazer com que este assassinato pareça um erro humano apenas do chefe da estação são enormes. O objetivo é desafogar a raiva e esconder a realidade: o Estado e os patrões percebem os de baixo como dispensáveis. A vida dos trabalhadores é ainda mais esmagada em ritmos hiperintensivos, horas extenuantes e os homicídios trabalhistas disparam. Só este ano, a lista de trabalhadores mortos atingiu níveis máximos, ultrapassando mais uma vez os “recordes” negativos dos anos anteriores. Para além das mortes nos locais de trabalho, os que estão no topo são conscientemente indiferentes aos assassinatos daqueles que estão na base, nos vagões dos trens, nos corredores dos hospitais, nos campos de concentração de imigrantes. A única coisa que “lamentam” é a queda dos seus lucros, a falta de valor das suas ações, o questionamento da sua autoridade. E certificam-se de enviar constantemente mensagens através da sua maquinaria repressiva de que qualquer pessoa que os questione enfrentará consequências.

Em vários casos, pareceu que a raiva contra o mundo do poder pelo assassinato em Tempe superou o medo das consequências. Por toda a Grécia, as marchas foram particularmente massivas e várias delas assumiram características militantes, com ataques a alvos estatais e capitalistas, com confrontos crescentes com a polícia, mesmo corpo a corpo.

É fundamental que mantenhamos esse legado. Na prática cada vez mais assassina do Estado e dos patrões, as únicas respostas que erguem barricadas são aquelas que estão no caminho da luta. A lógica de renunciar, delegar e esperar por algum novo “salvador” e uma mudança na gestão do Estado é desastrosa. Enquanto houver um Estado, haverá poder e exploração e o sangue daqueles que vêm de baixo continuará a ser derramado. Enquanto houver um retrocesso das lutas sociais e de classes, enquanto entrarmos nos moldes do respeito pela legitimidade, os poderosos ganharão confiança. Enquanto as lutas individuais permanecerem divididas e não se unirem numa perspectiva insurgente e revolucionária comum, serão capazes de nos atingir aos poucos e alcançar vitórias “fáceis”.

Cabe a nós reverter essa condição. Acreditar nas nossas forças e responder com lutas imediatas, horizontais e combativas. Manter estável o discurso e a ação anti-Estado, sabotar contínua e consistentemente todas as formas de eleição, reivindicar de forma militante e inegociável a nossa presença nas ruas, intensificar o ataque contra o Estado, os patrões, os fascistas e qualquer tipo de autoridade. Fortalecer as lutas contra a exploração, o patriarcado, o racismo, todas as formas de confinamento, a pilhagem da natureza e de vidas não humanas. Para abrir novas ocupações e retomar as antigas. Formar um movimento anarquista revolucionário que ouse entrar em conflito generalizado com o mundo do poder, que nos sufoca com as botas da brutalidade e da atrocidade.

Nossos inimigos podem parecer invulneráveis, fortes e onipotentes por trás de seus exércitos bem polidos e de sua arrogância excessiva, mas esquecem que não são invencíveis. Se contarmos com a camaradagem e a solidariedade muitas vezes o impossível se torna possível. Temos o direito de lutar com todas as nossas forças contra este sistema injusto e profundamente decadente. Só nos resta acreditar novamente e lutar por um mundo melhor. Um mundo de igualdade, solidariedade e liberdade. Pela anarquia.

Não esqueceremos e não perdoaremos!

Aqueles que já não estão conosco vivem nas barricadas do presente e do futuro

Coletivo Anarquista Acte

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O grito do faisão –
Que saudade imensa
De meu pai e minha mãe.

Matsuo Bashô

[Grécia] Patras: Marcha contra o crime capitalista de Estado em Tempe, 28/02 – todos nas ruas

Na tarde de terça-feira, 25 de fevereiro, cerca de 25 companheiros e companheiras realizaram uma passeata motorizada pelas principais ruas de Patras contra o crime estatal e capitalista em Tempe. Paramos em frente à principal estação ferroviária e pixamos o slogan: “Assassinos. 28/2 – Todos nas ruas”. Lançamos milhares de folhetinhos e colocamos faixas em praças convocando as pessoas a participarem em massa da greve e das manifestações de sexta-feira.

O crime estatal e capitalista de Tempe confirma da maneira mais enfática o caráter assassino e antissocial do sistema que desvaloriza e vende a infraestrutura pública, ignora as necessidades sociais, saqueia a maioria social diariamente e a condena à pobreza e à morte.

O dia 28 de fevereiro é outro marco, outra data que nos convoca a derrubar os trilhos do lucro pintados com sangue, a construir uma sociedade diferente, onde a vida não seja barata e se respire com dignidade. Todos nós nas ruas.

Todos nós nas manifestações de 28 de fevereiro. A justiça será julgada nas ruas!

Grupo Anarquista “Cavalo Indomável” e companheiros/companheiras

>> Mais fotos: https://athens.indymedia.org/post/1634287/

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fera ferida
nunca desiste –
luta pela vida

Carlos Seabra

 

[França] Comunicado e faixa de 9 coletivos antifascistas, em solidariedade a Gino e a todos os outros.

Gino, um companheiro antifascista acusado de não desviar o olhar de uma manifestação de neonazistas húngaros, está atualmente preso em Fresnes enquanto aguarda sua possível extradição para a Hungria autoritária de Orbán.

Ele pode pegar até 16 anos de prisão em condições terríveis.

Essa situação testemunha a preocupante cumplicidade da França com o regime neofascista da Hungria.

É nossa vez de nos recusarmos a fechar os olhos para o uso da justiça para oprimir nossos companheiros.

Em uma reunião de 9 coletivos antifascistas, gritamos:

Libertem Gino!

Libertem todos os antifascistas!

Fogo nas prisões!

Libertem Kanaky, a Palestina, o Congo, o Sudão, o Saara Ocidental, o Curdistão e todos os oprimidos e oprimidas!

Fonte: Paris-luttes.info

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sinto um agudo frio:
no embarcadouro ainda resta
um filete de lua

Buson