1º Festival do Filme Anarquista do Paraguai

Este primeiro festival reúne diversos materiais de todo o planeta, agradecemos às afinidades pelo apoio e contribuição, compartilhando os materiais para serem exibidos neste lugar esquecido que é o Paraguai.

Ainda temos tempo, então agendem essas datas…

Agradecemos ao Crudo por nos ceder este espaço. Sim, sim, sim, sim, já temos um local e uma data!

Terça-feira 13 e quarta-feira 14 de maio de 2025
Onde? Crudo, Caballero 793 – Microcentro de Assunção
Acesso: 10.000 Gs.

O valor arrecadado com os ingressos será destinado aos custos da atividade.

Estamos felizes por podermos compartilhar esse espaço e esses materiais.

Forneceremos mais informações no decorrer dos dias.

Agradecemos a divulgação!

>> Mais infoshttps://www.instagram.com/difusionanarko/

agência de notícias anarquistas-ana

Fumaças vermelhas
da tempestade de pó
devoram o sol.

Masuda Goga

Mundo teve em 2024 o maior número de execuções em quase 10 anos, afirma Anistia Internacional

Foram registradas 1.518 aplicações da pena de morte no ano passado, alta de 32% em relação ao ano anterior; Irã, Iraque e Arábia Saudita lideram lista, que não tem dados da China

O número de execuções no mundo alcançou seu nível mais alto em uma década, sendo particularmente elevado em Irã, Iraque e Arábia Saudita, segundo o relatório anual da Anistia Internacional (AI) sobre a pena de morte publicado nesta terça-feira (08/04).

A organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Londres, registrou 1.518 execuções em 2024, o que representa um aumento de 32% em comparação com 2023. Além disso, este é o segundo maior número registrado desde 2015, quando 1.634 pessoas foram executadas.

A China, que realiza a maior quantidade de execuções no mundo, segundo a Anistia Internacional, não foi incluída neste relatório devido à falta de informações disponíveis, assim como a Coreia do Norte e o Vietnã. Pelo segundo ano consecutivo, o número de países que executaram prisioneiros é o menor já registrado, 15.

— A pena de morte é um crime atroz que não tem lugar no mundo atual — declarou a secretária-geral da AI, a francesa Agnès Callamard.

Segundo a Anistia, Irã, Iraque e Arábia Saudita foram responsáveis, no ano passado, por 91% das execuções contabilizadas.

— Enquanto alguns países, que segundo nós são responsáveis por milhares de execuções, continuam escapando do escrutínio ao agirem de forma secreta, é evidente que os que mantêm a pena de morte constituem uma minoria — acrescentou Callamard.

O Irã, por si só, representa 64% das execuções conhecidas, com 972 pessoas em 2024. Na Arábia Saudita, onde a decapitação é uma das formas usadas nas execuções, o número dobrou, passando de 172 para 345, enquanto no Iraque aumentaram em quase quatro vezes, de 16 para 6

A organização ainda acusa alguns países de instrumentalizarem a pena de morte contra manifestantes e certos grupos étnicos. É o caso do Irã, que executou participantes do movimento “Mulher, vida, liberdade” de 2022, inclusive contra um jovem com deficiência mental, segundo a AI.

A Arábia Saudita seguiu utilizando a pena capital para silenciar os dissidentes políticos e punir os membros da minoria xiita que apoiaram manifestações há 10 anos, acrescenta a Anistia.

— Aqueles que se atrevem a desafiar as autoridades enfrentam o castigo mais cruel, especialmente no Irã e na Arábia Saudita, onde a pena de morte é utilizada para silenciar quem tem coragem de se expressar — assinalou Callamard.

Segundo o relatório, 25 pessoas foram executadas nos Estados Unidos em 2024, uma a mais que em 2023.

As condenações relacionadas às drogas representam mais de 40% das execuções no mundo, afirma a ONG, e embora o número de países que aplica a pena de morte seja considerado baixo, algumas nações consideram mudar seus códigos penais.

Maldivas, Nigéria e Tonga estão considerando introduzir a pena capital para crimes relacionados com as drogas, indica a Anistia. República Democrática do Congo e Burkina Faso também anunciaram sua intenção de restabelecer as execuções por crimes comuns, explica a AI.

Atualmente, 145 países proibiram a pena de morte ou não a aplicam, segundo a organização de defesa dos direitos humanos.

Fonte: agências de notícias

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Guardei para você,
num verso de porcelana,
as flores da manhã.

Eolo Yberê Libera

[Holanda] Feira Anarquista em Amsterdam

Todos nós já passamos por isso, o mundo é uma merda, o sistema é péssimo e você quer fazer algo, mas não sabe o que e por onde começar.

Boas notícias: existem alternativas e redes de apoio mútuo e você pode se unir a elas para fazer a diferença.

Começar coisas novas pode ser aterrorizante e o estereótipo do anarquista assustador não ajuda, mas o anarquismo é recuperar o poder que o capitalismo e o sistema tiraram de você. Somos anarquistas: nos organizamos horizontalmente, cuidamos uns dos outros e da comunidade, organizamos nossos próprios espaços. Não esperamos ser salvos por um Estado ou um líder, salvamos uns aos outros e a nós mesmos. Já estamos criando a sociedade que tanto desejamos, já estamos criando espaços onde essa liberdade pode ser encontrada.

A anarquia é uma forma de convivência em sociedade; uma sociedade na qual as pessoas vivem como irmãos e irmãs sem poder oprimir ou explorar os outros e na qual todos têm à sua disposição todos os meios que a civilização da época pode fornecer para que alcancem o maior desenvolvimento moral e material possível. E o anarquismo é o método para alcançar a anarquia, por meio da liberdade, sem governo – isto é, sem aquelas instituições autoritárias que impõem sua vontade aos outros pela força…” (Malatesta)

Portanto, junte-se a nós na quinta-feira, 10 de abril, para nossa próxima edição da Feira Anarquista (é como uma feira de empregos, mas você não será pago). Estarão presentes vários coletivos, desde apoio mútuo até uma gráfica independente, médicos de rua, AG [Grupo Anarquista Amsterdam] e outros coletivos. Venha e engaje-se para seu primeiro (ou próximo!) passo na organização autônoma.

Também teremos zines, adesivos, pôsteres e outras informações gerais sobre como iniciar sua jornada rumo ao ativismo e ao anarquismo.

Se o seu grupo estiver planejando se juntar a nós, envie-nos um e-mail para que possamos aguardá-lo.

agência de notícias anarquistas-ana

Rede à beira-mar.
Embalado pela brisa
gostosa soneca.

Alberto Murata

O livro “Neno Vasco por Neno Vasco: fragmentos autobiográficos de um anarquista”, de Thiago Lemos, já está disponível para ser baixado gratuitamente

Apresentação

A partir de uma perspectiva que tensiona singularidade e totalidade, o autor deste livro discorreu sobre o desenraizamento da classe trabalhadora na mundialização do capitalismo e o consequente recrudescimento do nacionalismo e da xenofobia. Falou sobre as questões de gênero e o patriarcado, a exploração da força de trabalho e a luta de classes; a promiscuidade entre religião e política, a violência dos opressores e a reação dos oprimidos; os significados da Guerra e da Revolução… Todos estes foram os sintomas que Neno Vasco analisou e que Thiago Lemos conseguiu, com um olhar sensível e escrita afiada, perceber como se repetem até os dias de hoje.As suas manifestações podem ser diferentes, mas estão sempre presentes, latentes, no corpo social até o dia em que Capital e Estado deixarem de existir. Thiago, quando traz os textos de Neno, faz ecoar a forma como o anarquista buscou lidar com esses sintomas, quais foram as suas propostas para tal ou mesmo acabar com esses sofrimentos – e talvez essa seja uma das lições mais importantes deste livro“. (Vitor Ahagon)

>> Baixe aqui:


https://www.academia.edu/96069120/Neno_Vasco_por_Neno_Vasco_fragmentos_autobiogr%C3%A1ficos_de_um_anarquista

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/03/resenha-neno-vasco-por-neno-vasco-fragmentos-autobiograficos-de-um-anarquista/

agência de notícias anarquistas-ana

Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo

[Itália] A guerra ou a vida. Políticas bélicas e devastação da natureza

Apesar dos quartéis verdes e das bases militares que “favorecem” a transição ecológica (como foi escrito no primeiro projeto da base prevista em Coltano, na província de Pisa), a guerra verde não existe. Nem qualquer painel solar ou plantação de árvores pode compensar a natureza ecocida da guerra, expressão mais evidente do violento sistema capitalista, patriarcal e colonial em que vivemos.

Hoje, mais do que nunca, é necessário aprofundar sistematicamente a relação entre guerra, apropriação de recursos e crise climática, para compreender como a guerra acelera o processo já em curso de devastação da natureza da qual depende nossa vida, e identificar os elos da engrenagem belicista que podem ser quebrados por meio de lutas e novas alianças.

Há poucas semanas, metade da Itália estava literalmente com a água até o pescoço, com lama nas casas, terrenos inundados, rios cheios de lixo. Poucos dias antes do desastre que atingiu (pela enésima vez) a Toscana e a Emilia-Romagna, a União Europeia lançou o RearmEU, um projeto para o rearmamento maciço dos países europeus no valor equivalente a 800 bilhões de euros.

Não é uma coincidência de datas, é o paradoxo que habitamos e no qual nos movemos. Lama e fuzis.

Neste contexto, a relação entre guerra e meio ambiente é múltipla.

Em primeiro lugar, a guerra segue uma lógica de competição pela apropriação de recursos considerados estratégicos para os estados e os capitais. Isso é tradicionalmente verdadeiro no que diz respeito à aquisição de recursos fósseis como gás e petróleo, à conquista de bacias hidrográficas, mas também à apropriação de minerais críticos como lítio e cobalto, que se tornaram estratégicos na transição ecológica de modelo capitalista. A competição pelo domínio sobre a natureza e seus recursos é um dos eixos em torno dos quais gira a guerra global e ao redor do qual serão redesenhadas novas geografias do poder. O relatório publicado em 2024 pela Greenpeace, intitulado “Economia a mão armada”, destacou que 60% dos gastos da Itália com missões no exterior estão relacionados à defesa de ativos energéticos estratégicos. Essa tendência nacional reflete uma tendência global de militarização ligada à energia, como se pode ver nas missões militares ou na militarização de áreas para proteger infraestruturas estratégicas, como ocorreu, por exemplo, ao largo da costa salentina, em defesa do TAP após a sabotagem do Nord Stream.

Em segundo lugar, a guerra consome sistematicamente os recursos da coletividade para a reprodução material da cadeia bélica. Isso ocorre sempre que o solo é cimentado para a construção de bases militares, quando florestas e bosques são derrubados para construir corredores logísticos funcionais ao transporte de armas e meios militares, como ocorre entre Pisa e Livorno com as obras de ampliação da estação de Tombolo, que visam aumentar a operacionalidade da linha ferroviária direta para o porto de Livorno, de onde partem e chegam armas, ou quando recursos vitais como a água são retirados para sustentar os assentamentos militares em áreas com constante escassez hídrica, como no caso da base militar siciliana de Niscemi.

Esse tipo de expropriação sistemática a que os territórios são submetidos constitui uma ameaça direta à vida das comunidades, que veem seus recursos fundamentais sendo retirados para o atendimento das necessidades essenciais, como beber, aquecer-se ou comer, já profundamente ameaçadas pela degradação ecológica que nos deixa como herança cursos de água contaminados, salinização dos rios, perda de solo e biodiversidade, exaustão dos recursos ambientais. Assim, enquanto água, energia e comida são transformadas em mercadoria por um mercado predatório que tenta invadir e privatizar cada recurso natural, a cadeia bélica global continua a consumir recursos que – em nome de um suposto confronto entre povos e civilizações, usado para esconder os interesses das elites belicistas – está levando toda a humanidade à ruína. Esse 1% de super ricos que – segundo dados da Oxfam – é responsável por emissões equivalentes ao dobro das do 50% mais pobres do mundo, e que deveria arcar com o custo de uma transição ecológica e social justa, hoje está liderando o projeto de rearmamento global. Mais dinheiro para eles, mais degradação das condições de vida para nós.

Em terceiro lugar, os exércitos usam estrategicamente a alteração dos ecossistemas, a contaminação e a extração de recursos como armas de guerra. O Movimento No MUOS, no folheto intitulado “Universidade e guerra”, destacou, por exemplo, o uso, pelo exército dos EUA durante a Guerra do Vietnã, de técnicas de semeadura de nuvens para aumentar as precipitações, derrubadas massivas de árvores e o uso de substâncias químicas como o agente laranja para dificultar as operações de resistência do Vietcong. O controle de recursos naturais como instrumento de guerra também é central no sistema de apartheid de Israel nos territórios palestinos e no genocídio em curso: Israel, de fato, controla desde 1967 muitas das reservas de água no território e, posteriormente, com os bombardeios maciços dos últimos meses, atingiu os sistemas de dessalinização e as infraestruturas que tornavam a água potável e acessível aos palestinos, condenando-os a uma crise hídrica e sanitária.

Por fim, a cadeia bélica não só se reproduz através do uso da natureza, mas também tem um impacto direto sobre o meio ambiente, os ecossistemas e o clima. Um impacto que foi estudado de muitos pontos de vista, mas que é incomensurável em sua complexidade justamente pela dificuldade de estabelecer o custo ambiental de uma bomba, desde a fase de fabricação até a fase de explosão. Produção de armas e outros sistemas militares, movimento maciço de veículos por terra e ar, exercícios, testes nucleares, acionamento de mega parabólicas para a comunicação via satélite militar, são apenas algumas das atividades diretamente conectadas ao setor militar.

Poluição do ar, contaminação de cursos de água, radiações, ondas eletromagnéticas, desmatamento, erosão da costa, e muitos outros são os efeitos ambientais da guerra que ameaçam as condições de vida de todos os seres vivos.

Não só é difícil ter uma estimativa precisa do impacto ambiental da guerra ou de um único elo da cadeia bélica, mas o impacto de algumas dessas atividades se propaga ao longo do tempo, já que – por exemplo – os metais pesados derivados dos exercícios nos campos de tiro permanecem no subsolo por longos períodos ou as minas anti-pessoal podem explodir anos após seu uso.

Hoje, é impensável viver sem a defesa das condições para sua própria reprodução, e é impossível defender tais condições de vida sem uma luta pela libertação da natureza do capital. Nesse terreno, a guerra – que é um fato total – constitui o primeiro inimigo. Um ecologismo popular, antimilitarista e internacionalista é a única alternativa.

Paola Imperatore

Fonte: https://umanitanova.org/o-la-guerra-o-la-vita-politiche-belliche-e-devastazione-della-natura/

Tradução > Liberto

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livro aberto gelado
o norte geme no vento
sobre a página branca

Lisa Carducci

[Grécia] A ocupação Exostrefi é um espaço de luta e liberdade, a ocupação permanecerá!

A ocupação Exostrefi enfrenta uma ameaça imediata de despejo, enquanto a Prefeitura de Atenas prossegue com a legalização do edifício não autorizado para fins de exploração comercial. Para que essa legalização ocorra, um pré-requisito é a desclassificação da área como terra florestal. Equipes da EYDAP já apareceram na área, indicando intervenções iminentes.

Como Assembleia Antiespecista Libertária, defendemos as árvores, os animais do morro e a ocupação Exostrefi, que é parte integrante da existência e nossa presença no movimento anarquista. Neste espaço, nós nos organizamos e agimos. Aqui realizamos nossas assembleias toda semana, aqui organizamos eventos, exibições, ações em apoio aos companheiros presos e perseguidos, aqui apoiamos animais humanos e não humanos, aqui promovemos a luta pela anarquia e pela libertação total. E continuaremos a fazê-lo.

A defesa da ocupação Exostrefi não diz respeito apenas à nossa própria assembleia, mas é uma questão mais ampla do movimento e da comunidade do bairro. Manter esse espaço livre e auto-organizado constitui uma barreira à comercialização de espaços públicos e à supressão de iniciativas auto-organizadas. Apelamos a todos os indivíduos que atuam com os valores de auto-organização, solidariedade e resistência à imposição estatal e capitalista, para que estejam vigilantes contra qualquer possível operação contra a ocupação, defendendo a Exostrefi como um espaço de luta e liberdade.

10, 100, 1000 ocupações contra um mundo de poluição organizada!

Contra a mercadorização da Colina Strefi e a conversão do local em lojas!

Ocupação Exostrefi

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Calmo entardecer —
Revoada de beija-flores
alegra o jardim…

Clície Pontes

[Grécia] Tessalônica: Faixa gigante na fachada da ocupação Libertatia no âmbito da campanha #ReclaimLibertatia

Pendurando uma faixa gigante na fachada da ocupação Libertatia no âmbito da campanha #ReclaimLibertatia
 
Abaixo está um trecho do anúncio político da ocupação sobre o lançamento da campanha:
 
[…] Como assembleia da Ocupa Libertatia, estamos lançando a campanha #ReclaimLibertatia. Nosso objetivo é tornar a causa da Libertatia tão amplamente conhecida quanto possível pelo movimento e pela sociedade em geral. Nos próximos dias, continuaremos com ações para destacar a luta em defesa da Libertatia, convocando as pessoas solidárias que nos apoiaram ao longo dos anos a se juntarem aos movimentos que visam recuperar a ocupação. Já deixamos claro no passado que nosso objetivo é reocupar o edifício e devolvê-lo ao seu devido lugar: nas mãos do movimento, dos militantes, de todos aqueles que imaginam e lutam por um mundo sem classes, um mundo de verdadeira liberdade, igualdade, justiça e criação.
 
16 ANOS NÃO É SUFICIENTE, OCUPAÇÃO PARA SEMPRE NA LIBERTATIA
LUTA PELA VIDA E PELA LIBERDADE
 
#ReclaimLibertatia
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/03/grecia-sobre-o-despejo-da-ocupacao-libertatia/
 
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No pensamento
Um esqueleto abandonado –
Arrepios ao vento.
 
Bashô

[Portugal] Lisboa: 1º de Maio Antiautoritário

Por um 1º de Maio antiautoritário e autogerido, pela insubmissão no trabalho e rebeldia popular nas ruas.

Há 139 anos atrás, em Chicago, o movimento operário travava uma dura greve pela jornada de trabalho de 8 horas. Este movimento deu origem a um intenso conflito conhecido como “Revolta de Haymarket”, que culminou num processo político onde o movimento operário e o anarquismo estiveram no banco dos réus, condenando à morte sete operários – os “Mártires de Chicago”.

Os protestos contra este crime do Estado e do Capital ocorreram um pouco por todo o mundo, dando origem ao que celebramos hoje como 1º de Maio, Dia Internacional de Luta dos trabalhadores.

A sociedade pela qual os “Mártires de Chicago” e os milhares de militantes lutaram e sonharam continua tão válida hoje como em 1886. A crise capitalista e a exploração nunca pararam de se intensificar, enquanto as condições de trabalho e vida se deterioram. A necessidade de um 1º de Maio voltado às suas origens torna-se mais intensa.

Porque tal como os “Mártires de Chicago”, carregamos nos nossos corações desejos de justiça e libertação social, lutando contra o Capitalismo e o Estado, no dia 1 de Maio, marchamos do Largo do Camões até ao Martim Moniz, nas Escadinhas da Saúde.

Este será o espaço para todas as organizações de esquerda e de base, anarquistas, socialistas, organizações de trabalhadores, comunidades e pessoas oprimidas e exploradas pelo Estado e o Capital celebrarem e lutarem por um 1º de Maio combativo e revolucionário.

Reivindicamos um 1º de Maio autogerido coletivamente pelos grupos, organizações, movimentos e indivíduos que nele participem, à margem do reformismo, imobilismo, patriotismo e controle exclusivo e autoritário que caracterizam a celebração do Dia do Trabalhador organizado anualmente pela CGTP.

A marcha terminará em festa nas Escadinhas da Saúde, no Martim Moniz, onde haverá microfone aberto, concertos e DJ set para que este dia seja também um momento de apelo ao ócio, preguiça, lazer e ocupação do espaço público que o Capital todos os dias nos priva.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2025/04/04/lisboa-1-de-maio-antiautoritario/

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Dentro da lagoa
uma diz “chove”, outra diz “não”:
conversa de rã.

Eunice Arruda

[França] Acampamento de Praia Libertário

Com “Libertaire plage”, propomos passar uma semana juntos em um acampamento, quase como férias, mas político.

Acontecerá no norte de Lot, perto de Souillac, entre Cahors e Brive, às margens da Dordonha.

Compartilharemos discussões, pensamentos, mas acima de tudo jogos, culinária, faça você mesmo, criatividade…

Queremos FAZER juntos! Vamos compartilhar conhecimento e habilidades!

Todos estão convidados a sugerir uma oficina ou outro momento compartilhado, se desejarem.

Juntos, criaremos uma programação de workshops, exibições, karaokê, fabricação de fogões de galhos e descascamento de batatas…

As refeições serão preparadas em conjunto, num refeitório self-service, coordenado pelos frequentadores. A manutenção do local será gerida em conjunto.

Durante esta semana, queremos vivenciar a anarquia “na vida real”, criando um espaço que realmente queremos que seja inclusivo.

Uma semana coletiva e alegre para todos, durante a qual trabalharemos-abordaremos sistemas autoritários de opressão e mecanismos de dominação, sejam eles quais forem. Daremos atenção especial ao adultismo e ao capacitismo, porque muitas vezes eles são tornados invisíveis.

Estamos oferecendo uma semana o mais livre de álcool possível, durante a qual queremos que todos se sintam seguros. Por esse motivo também, os cães que nos acompanham serão mantidos no local.

(haverá um grande número de pessoas pequenas e muito jovens nesta reunião)

É uma aventura política coletiva, que esperamos que seja rica e alegre, longe do estágio de desenvolvimento… pessoal.

Mais informações em https://rencontre-plage.wolodex.org/

Inscrição necessária antes de 10 de abril de 2025 em: rencontre-plage@proton.me

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Cruzam-se nas ruas
muitas sombras alongadas —
Tarde outonal.

Carlos Martins

16 anos de PT | Uma leitura anarquista, sem dar palco ao moralismo reacionário.

Durante 16 anos, o Partido dos Trabalhadores ocupou a cadeira presidencial do Brasil, mas dizer que “esteve no poder” é outra história. O Estado, com sua engrenagem bicentenária de opressão, exploração e extermínio, jamais entrega as rédeas a quem está fora da lógica dominante. O PT, que nasceu com o punho fechado da luta sindical e com a boca cheia de democracia radical, precisou vestir terno e cortar o cabelo para sentar à mesa com banqueiros, latifundiários, generais, pastores, magnatas da mídia. Na prática, foi convidado a dançar no baile do inimigo, e dançou ao som da conciliação de classes.

Sob a ótica anarquista, que desconfia por princípio de qualquer poder centralizado, o que se viu foi uma aposta na governabilidade às custas da autonomia popular. Os anos petistas trouxeram avanços? Sim, e negar isso seria tão desonesto quanto endeusar o partido. Redução da miséria, expansão do ensino técnico e universitário, políticas de reparação racial e de gênero (ainda que tímidas), e algum respiro para os de baixo. Mas tudo isso dentro dos limites do que o capital permite sem se sentir ameaçado.

O PT não rompeu com o sistema, apenas administrou a crise. E, ao fazê-lo, engoliu o veneno de suas próprias contradições. Manteve, e por vezes aprofundou, o modelo extrativista, a criminalização de movimentos sociais, as mega-obras em territórios indígenas, o encarceramento em massa, o genocídio da juventude negra nas periferias. Tudo isso em nome do “desenvolvimento”.

E o trabalho? O trabalho continuou matando. O Brasil segue entre os líderes mundiais em acidentes e mortes no trabalho. Um acidente a cada 45 segundos. Uma morte a cada 3 horas. Debaixo das promessas de inclusão e progresso, as máquinas continuam moendo corpos como antes. O operário agora tem carro, mas morre esmagado da mesma forma. Tem acesso ao crédito, mas não à cultura. A reforma trabalhista, que o PT não conseguiu barrar nem reverter, institucionalizou a precarização. O sonho da carteira assinada virou o pesadelo dos aplicativos.

O capitalismo mata, e o Estado é cúmplice. O Estado é a máquina que organiza a morte de forma burocrática. E mesmo o PT, ao assumir o leme, não desmontou essa máquina. Reformou aqui, lubrificou ali, mas não tirou ninguém do moedor. Apenas regulou a velocidade da rotação.

A ilusão é essa: que um partido oriundo da luta operária pode “tomar o Estado por dentro” e usá-lo contra o capital. Mas o Estado, como dizia Bakunin, é a igreja do capital. Quem sobe no seu altar reza a missa ou é expulso como herege.

Hoje, muitos à esquerda choram a queda do PT como se fosse o fim da luta. Outros, mais jovens ou desiludidos, nem se importam mais: preferem memes. E talvez aí esteja a fagulha de algo novo. Porque não há saída por dentro da opressão. É preciso construir outra coisa do lado de fora, ou abaixo, no subterrâneo.

O legado do PT é ambíguo: mostrou que algum alívio é possível, mas também escancarou os limites da via institucional. Nos ensinou que sem ruptura, o reformismo acaba sendo o fiador do status quo. E, nesse sentido, o petismo pode ser o último suspiro de uma esquerda que ainda acredita no Estado como solução.

Nós, anarquistas, seguimos acreditando naquilo que o estado teme: a organização autônoma, a ação direta e a solidariedade. Sabemos que não basta mudar o gerente. É preciso desmontar a loja.

Porque enquanto houver Estado e patrão, enquanto houver polícia protegendo capital e leis punindo quem ousa sonhar, haverá mortos no trabalho e sangue nas mãos da “governabilidade”, e silêncio nos palácios.

A luta continua, mas não nos gabinetes.

Ela está nos becos, nas ocupações, nas cozinhas comunitárias, nas redes de afeto e nas sabotagens cotidianas.

Sem esperar salvadores.

Contrafatual

contraciv.noblogs.org

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Dentre os arvoredos
Apenas algumas réstias.
Sol aprisionado.

Franciela Silva

[Rússia] Deseje um feliz aniversário ao preso político e anarquista Ilya Shakursky!

Em 10 de abril, o anarquista Ilya Shakursky comemora seu aniversário. Ele faz 29 anos, 7,5 dos quais já passou na prisão. Ilya é um dos réus no “Caso Rede”, no qual o FSB fabricou uma organização terrorista inteira apenas para ganhar estrelas em suas dragonas. Em 2020, um tribunal controlado por Putin condenou Ilya a 16 anos em uma colônia penal de alta segurança.

Apesar da longa sentença, Ilya não desiste. Ele continua a publicar artigos, ensaios e poemas. No ano passado, seu livro “Notes from the Darkness” foi lançado em russo.

Ilya agora está passando seu oitavo aniversário atrás das grades. Você pode apoiá-lo com uma carta ou um cartão de felicitações.

Endereço para correspondência: Shakursky Ilya Alexandrovich, nascido em 1996, IK-17, Edifício 3 Lesnaya Street, 31161, assentamento Ozerny, Distrito Zubovo-Polyansky, Mordóvia, Rússia.

Observe que as cartas devem ser escritas em russo – você pode usar a tradução automática disponível online. Observe: o número de encomendas e pacotes que um prisioneiro pode receber é muito limitado, então certifique-se de que todos os seus itens sejam enviados apenas como cartas.

Fonte: Cruz Negra Anarquista Moscou

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amanhece
sol atrás do prédio
vestindo-se de luz

Alonso Alvarez

Pré-venda do livro “Nunca Mais? – o papel da psiquiatria na colonização e no extermínio do povo palestino”

O preço atual é: R$ 35,00.

Originalmente publicado em inglês pelo grupo Campaign for psych abolition, o livro mapeia o modo pelo qual a psiquiatria funciona como um dos pilares do sionismo seja por meio de técnicas de tortura ou pela patologização da resistência ao extermínio colonial.

TRECHO:

“O massacre de Deir Yassin é amplamente conhecido como uma advertência da iminente Nakba de 1948 – a limpeza étnica na Palestina – com o fim de criar um Estado sionista. Mais de 250 pessoas foram brutalmente assassinadas e enterradas em valas comuns, fazendo com que milhares de sobreviventes fugissem de suas casas aterrorizadas pelo que estava por vir. Neste lugar de violência inimaginável, grupos sionistas tomaram as únicas casas que não tinham destruído e as converteram em instalações psiquiátricas israelenses. Existe uma analogia mais poderosa para a relação entre sionismo e psiquiatria?

O papel da psiquiatria como agente do colonialismo continua sendo obscuro. A ‘autoridade científica’ que declara que o povo colonizado é sub-humano e precisa ser civilizado desempenhou um papel intrínseco no colonialismo de assentamentos ao longo do planeta, o que inclui o projeto sionista.

Neste zine queremos contextualizar a violência psiquiátrica e médica utilizada para consolidar a ocupação israelense e declarar, de forma explícita enquanto abolicionistas da psiquiatria, nosso apoio incondicional à resistência palestina. Também é importante chamar atenção para a ascensão da cultura popular reacionária do ‘bem-estar’ que está encorajando as pessoas do núcleo imperial a se recolherem em sua covardia sob o guia do ‘bem-estar mental’. Nos recusamos a deixar que esta narrativa psiquiátrica generalizada corroa e individualize as nossas lutas”.

Título original: Psychiatry’s role in the occupation of Palestine – critical understanding of psychiatry as a pillar of Zionism, dismantling Western mental health frameworks and depathologizing resistance, por Campaign for Psych Abolition, 2024.

Tradução para o português por edições insurrectas.

outono de 2025.

Coleção de bolso GUERRA À GUERRA

Detalhes: 96 páginas / 17×11 cm

Contato: edicoes-insurrectas@riseup.net

insurrectas.com.br

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Saci Pererê
fuma seu cachimbo
à sombra do ipê

Carlos Seabra

[Espanha] A exposição ‘Viviendo la utopía’ chega a La Fuensanta, Jaén

A exposição Viviendo la Utopía chega ao município de La Fuensanta, em Jaén. A inauguração acontecerá no dia 12 de abril, às 19:00 horas, e poderá ser visitada até 2 de maio. Através dos diferentes painéis, o público poderá submergir no processo revolucionário que aconteceu naquelas zonas onde o fascismo não triunfou durante a Guerra Civil, graças à força do movimento libertário.

Trata-se da exposição montada pelos companheiros de Extremadura que, centrada na Revolução levada a cabo nas zonas onde não triunfou o fascismo durante a guerra civil, repassa também os antecedentes e o exílio. Consta de 5 lonas com suporte mais outra lona de apresentação da exposição, todas de tamanho 1,80 x 0,80 m, e 75 painéis tamanho A3, cada um com uma fotografia, título, que o relaciona com cada um dos painéis, e legenda. Todas elas saídas de uma nova seleção dos fundos da FAL do período 1936-39 que repassam diversos aspectos relacionados com a resistência ao fascismo, a guerra, as coletividades agrícolas e industriais, hospitais, colônias infantis, cultura, etc.

Justificação historiográfica

Em 17-18 de julho parte do Exército espanhol se subleva contra o Governo da II República e contra o povo espanhol que armado de um grande arrojo e determinação detém a insurreição em amplas zonas do território peninsular.

Nesta exposição não só vamos falar dos milhares de mortos, desaparecidos, represaliados e deslocados que supôs este golpe de estado falido que acabou convertendo-se em uma Guerra Civil (GCE) de quase três anos. Mas também queremos transmitir a outra cara da GCE, quer dizer, a Revolução Social que acompanhou em todo o território sob o controle da República a luta contra os rebeldes. Ante o titubeio das autoridades republicanas e a fuga de patrões e proprietários, os trabalhadores se lançaram à rua para defender a vida e puseram em marcha uma economia necessária para manter a mais da metade da população espanhola e o ingente esforço bélico. Não só vais descobrir história; estes painéis, cartazes e fotos são reflexos de uma Ideia e um Sentimento. Viviendo la Utopía: Historia sentimental pasada, presente y futura.

Na CNT pensamos que não só devemos recordar a morte e o sofrimento que supuseram a GCE mas também, e sobretudo, mostrar às novas gerações como se organizaram seus avôs e avós; de que modo levantaram a maior rede autogestionária que conheceu a história da Humanidade (sindicatos, ateneus, escolas, cooperativas, coletividades…). Não se pode entender o levante de parte do Exército, da Igreja, os terratenentes e a burguesia contra a maioria da população espanhola sem conhecer o que supunha para o porvir do status quo a revolução social, política e econômica que esta auto-organização obreira e popular propiciava.

Onde? La Fuensanta (Jaén). Sala de exposições. Rua Real, 4ºB

Quando poderá ser visitada? A inauguração acontecerá no sábado, 12 de abril, às 19 horas, e poderá ser visitada até o dia 2 de maio.

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

lua nova
ninja
do espaço

Alberto Marsicano

[Chile] Bloco Anarquista – Memória e Vingança Ativa por Julia Chuñil

Convocamos todos os grupos e coletivos antiautoritários, indivíduos afins, anarquistas de práxis, niilistas destrutivos, para fazer uma demonstração de força em solidariedade a Julia Chuñil¹.

8 de abril, às 19h30, no beco central de Los Héroes.

SOLIDARIEDADE ANTIAUTORITÁRIA COM JULIA CHUÑIL

[1] Julia Chuñil Catricura, liderança mapuche e defensora ambiental, está desaparecida desde 8 de novembro de 2024.

Conteúdo relacionado:

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agência de notícias anarquistas-ana

O rosto do filho –
Com a brancura do talco
o vento de outono.

Kuroyanagi Shôha

Por que a música ‘Bayar Bayar Bayar’ da banda punk Sukatani se tornou a música tema dos recentes protestos na Indonésia?

A música “Bayar Bayar Bayar” [“Pagar Pagar Pagar”] da banda punk Sukatani é considerada uma sátira à instituição policial. Após ser retirada de circulação, a letra da música punk foi usada como tema da ação ‘Indonesia Gelap’ [Indonésia Negra] na sexta-feira (21/02). Sukatani também foi “solicitada” a publicar um pedido de desculpas ao chefe da polícia por sua obra “antipolícia”

Desde a ação da ‘Indonesia Gelap’ [Indonésia Negra], a letra da música “Bayar Bayar Bayar” tem sido frequentemente cantada pelos manifestantes. Com base no monitoramento feito pela equipe da BBC News Indonésia nas ruas, centenas de manifestantes gritaram quando a gravação desta música foi tocada nos alto-falantes e carros de som.

Quem é Sukatani e por que “Bayar Bayar Bayar ” se tornou viral?

Sukatani é uma dupla de música punk de Purbalingga, Java Central, composta pelo guitarrista Muhammad Syifa Al Lufti e pela vocalista Novi Citra Indriyati. Ambos os músicos costumam usar máscaras em suas apresentações.

A música Bayar Bayar Bayar descreve a experiência de alguém que sempre tem que pagar ao lidar com a polícia, o que cria uma percepção negativa da imagem da polícia. A letra da música Bayar Bayar Bayar viralizou em várias plataformas de mídia social.

Na quinta-feira (20/02), Sukatani publicou um vídeo de esclarecimento e pedido de desculpas em suas contas de mídia social. No vídeo de desculpas, a banda, que normalmente se apresenta anonimamente usando máscaras, foi convidada a se apresentar sem as máscaras. Suas músicas também foram retiradas de todas as plataformas musicais.

A BBC entrou em contato com o pessoal da Sukatani para pedir confirmação, mas a pessoa em questão não quis fornecer informações.

Por meio de sua história no Instagram, Sukatani relatou que eles estavam bem e em um local seguro.

“Também gostaríamos de informar que nossa condição melhorou e estamos em um lugar mais seguro”, escreveu Sukatani em seu Instagram, sábado (22/02).

Sukatani expressou gratidão pelo apoio e solidariedade que várias partes lhes deram recentemente. “Nós da Sukatani gostaríamos de expressar nossa mais profunda gratidão pelo apoio e orações de todas as partes nos últimos dias”, escreveu Sukatani.

“Nós realmente apreciamos a solidariedade dos nossos amigos que nos mantém fortes”, continuou Sukatani. A hashtag #wewithsukatani virou destaque no X depois que Sukatani postou um vídeo de esclarecimento e pedido de desculpas ao Chefe de Polícia.

Muitos músicos apoiam a banda, mas muitos internautas criticam a polícia que estaria silenciando a liberdade de expressão nas artes. “Neste mundo, não há uma única pessoa que se desculpe voluntariamente por ter sido gravada em vídeo e retire seu trabalho sem coerção”, escreveu Okky Madasari, escritor e sociólogo, por meio de sua conta nas redes sociais.

Vocalista da banda Sukatani é demitida como professora

A Escola Primária Mutiara Hati IT em Banjarnegara, Java Central, confirmou que Novi Citra Indriyati, vocalista da banda Sukatani, já foi registrada como professora na escola e agora foi demitida.

O diretor da Escola Primária Mutiara Hati IT, Eti Endarwati, disse que a demissão de Novi não se deveu à canção de Sukatani intitulada “Bayar Bayar Bayar”, que se tornou viral nas redes sociais.

Ele disse que a demissão de Novi ocorreu muito antes do vídeo de esclarecimento de Novi ou da música “Bayar Bayar Bayar” se tornarem virais nas redes sociais.

“É verdade que ela foi demitida, mas o problema não é a música e o incidente viral”, disse Eti Endarwati. Eti revelou que Novi Citra Indriyati foi demitida do cargo de professora desde quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025.

Segundo ele, Novi, que leciona na Mutiara Hati desde 2022, não é mais contratada como professora na escola porque violou o código interno de ética. “Relacionado à lei islâmica”, disse Eti.

Eti enfatizou que todos os professores da escola são obrigados a cumprir o código de ética. “Portanto, há regras que se aplicam a todos e há um código de ética para nossos professores. A violação mais fundamental do código de ética é a exposição das partes íntimas do professor”, explicou ele.

“O código de ética foi socializado no início do registro e desde o começo ela já sabia das consequências. Então, descobrimos nas redes sociais dela que havia partes de suas partes íntimas que estavam expostas”, disse ele.

Eti disse que Novi tinha sido professora titular. Novi também se comportava bem e tinha competência adequada.

Quais são as respostas dos músicos e ativistas?

O vocalista da banda de punk rock MCPR, Alby Moreno, acredita que a música “Bayar Bayar Bayar” “encontrou seu lugar” em meio à polêmica em andamento.

“Como compositores, definitivamente escreveremos e gravaremos todas as formas de ansiedade que sentimos. Essa também é uma forma de honestidade do músico em relação ao seu trabalho”, disse Alby.

A música “Bayar Bayar Bayar” pareceu “encontrar seu lugar” como grito de guerra para os protestos.

Segundo Alby, isso é indissociável dos resultados do trabalho que é feito “de coração”, de modo que atrai o interesse de muitas pessoas que têm “as mesmas preocupações”.

Alby disse que a questão Sukatani foi compartilhada por tantas contas nas redes sociais que sua música “representa perfeitamente que todos nós estamos ansiosos sobre a liberdade de expressão e opinião”.

“Especialmente como músicos, para nós [liberdade] é algo que absolutamente precisamos ter”. Alby aprecia que tanto os músicos da cena quanto os ouvintes estejam conectados através da música “Bayar Bayar Bayar”. “Ainda estamos na mesma sala. Ambos sentimos que compartilhamos o mesmo destino”, disse ele.

Enquanto isso, o Diretor Executivo da Anistia Internacional Indonésia, Usman Hamid, lamentou o incidente de remoção de obras de arte de espaços públicos sofrido por Sukatani.

Usman disse que “seria impossível para o grupo musical Sukatani fazer um vídeo de desculpas dirigido ao Chefe de Polícia e sua equipe” se não houvesse “pressão”.

“A Anistia pede que o Chefe de Polícia tome imediatamente medidas corretivas em relação à suposta pressão de qualquer forma sobre o grupo musical Sukatani”, disse ele na sexta-feira (21/02).

“A polícia deve revelar quem são as partes que supostamente pressionaram Sukatani a fazer um vídeo de desculpas e retirar a música Bayar Bayar Bayar do espaço público.”

Em dezembro de 2024, a abertura da exposição individual de Yos Suprapto foi cancelada porque várias obras do pintor de Yogyakarta foram consideradas muito críticas ao governo.

‘Como um déjà vu, de repente o espírito da Nova Ordem está de volta’

O observador musical e ex-editor da edição indonésia da revista Rolling Stones Wendi Putranto disse que o que aconteceu com a banda Sukatani foi “absolutamente” uma “repressão à liberdade de expressão e discurso que, ironicamente, veio dos próprios policiais”.

Wendi avaliou que “as tentativas de reprimir” Sukatani eram como “despejar gasolina em uma pilha de palha seca que nos últimos dias se tornou muito inflamável”. Isso, disse ele, “escapou dos cálculos da repressão policial”.

Wendi acredita que o grupo Sukatani reflete a verdadeira “alma punk”. Aos olhos do observador musical, a identidade do grupo era “autêntica”, “rebelde” e “anárquica” tanto em termos de vestimenta quanto de letras de músicas.

“Quer eles tenham percebido ou não, até mesmo o esforço de retirar a música e o vídeo de desculpas foi muito tático para desencadear uma resistência generalizada”, explicou Wendi.

Wendi acrescentou que a última vez que ocorreu um incidente de repressão severa contra a liberdade de expressão na música, como o sofrido por Sukatani, foi durante a era da Nova Ordem, especificamente na década de 1980.

“Então é como um déjà vu, de repente o espírito da Nova Ordem está de volta com a repressão contra Sukatani”, disse ele.

Fonte: BBC News Indonésia

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agência de notícias anarquistas-ana

Na brisa da tarde
penugens de um passarinho
cada vez mais longe.

Tânia D’Orfani

[EUA] Suprema Corte da Pensilvânia nega a Mumia Abu-Jamal permissão para apelar

Essa negativa encerra a contestação judicial de Mumia no estado da Pensilvânia para anular sua condenação.

por Rachel Wolkenstein, advogada

1º de abril de 2025 – Em setembro de 2024, o Tribunal Superior da Pensilvânia negou o sexto pedido de Mumia Abu-Jamal ao estado para reverter sua condenação de 1982. Um pedido à Suprema Corte da Pensilvânia por permissão para apelar foi negado em 26 de março de 2025. Na Pensilvânia, apelar à Suprema Corte estadual não é um direito automático; é necessário apresentar um pedido específico de “autorização” (permissão). Essa negativa da Suprema Corte encerra a contestação de Mumia à sua condenação no sistema judiciário do estado.

A juíza Lucretia Clemons assumiu o caso de Mumia em dezembro de 2021 e, sem realizar uma audiência, emitiu uma negativa em 31 de março de 2023. Esse sexto pedido se baseava em novas evidências corroborativas de má conduta da promotoria, violações do caso *Brady*, por incentivos não revelados dados às testemunhas Cynthia While e Robert Chobert; além de novas evidências de viés racial na seleção do júri, uma violação do caso *Batson*.

Esse sexto pedido não incluiu as substanciais evidências já presentes nos registros das audiências realizadas entre 1995 e 1997 diante do infame juiz Albert Sabo, nem as volumosas provas recém-descobertas da inocência de Mumia e da falsificação de provas contra ele por parte da polícia e da promotoria, que foram apresentadas aos tribunais estaduais e federais entre 2001 e 2003.

Nenhuma dessas novas provas de inocência foi considerada pelos tribunais. Todos esses documentos foram rejeitados com o argumento de que foram “apresentados fora do prazo”. No entanto, nenhuma das provas descobertas entre 1995 e 2003 foi incluída no sexto pedido, o que era necessário para fundamentar o argumento legal de que as novas evidências apresentadas em 2021 eram “materiais” e justificavam a anulação da condenação de Mumia.

A prisão, condenação e sentença de morte de Mumia foram politicamente motivadas e racialmente enviesadas. As evidências reveladas ao longo das décadas seguintes à sua condenação comprovam que Mumia é inocente e foi incriminado. A militância e as futuras ações, assim como novos desafios legais para conquistar a liberdade de Mumia, devem partir do entendimento de que ele é inocente e foi vítima de um complô envolvendo a polícia da Filadélfia, a promotoria, os tribunais da Pensilvânia e o FBI/Departamento de Justiça dos EUA.

A *Mumia Freedom Tour* (Turnê Pela Liberdade de Mumia), que acontecerá de 21 a 25 de abril, na semana do aniversário de 71 anos de Mumia, ocorrerá em diversas localidades da Área da Baía de São Francisco – incluindo Oakland, San Francisco e San Jose. Essa campanha é liderada por Jamal Ibn Mumia, filho mais velho de Mumia. Jamal falará sobre o impacto das crenças e ações de seu pai como integrante dos Panteras Negras, jornalista lendário, autor prolífico e combatente pela liberdade encarcerado, na vida dos filhos e netos de Mumia. Ele discutirá o objetivo da turnê: construir uma campanha renovada e vigorosa para lutar pela liberdade de Mumia e conquistar sua libertação incondicional da prisão.

Rachel Wolkenstein também participará dos eventos, destacando as evidências da inocência de Mumia e da armação contra ele.

Rachel Wolkenstein atua como advogada de Mumia desde 1987; foi coadvogada entre 1995 e 1999 durante a tramitação de seu primeiro pedido de revisão pós-condenação (PCRA); responsável pela investigação das provas; e chegou a ser presa no tribunal pelo juiz Sabo, em agosto de 1995, por se opor à negação da intimação de uma testemunha que deporia sobre os métodos de seleção de júri que resultaram em painéis racialmente segregados.

Fonte: https://sfbayview.com/2025/04/pennsylvania-supreme-court-denies-mumia-abu-jamal-permission-to-appeal/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Um sopro de brisa —
A barra da cortina
suave, ondulando…

Guin Ga Eden