[O “3º Encontro Sem Fronteiras de Cooperativas Integrais” aconteceu entre 30 de abril e 4 de maio, no Centro Social Okupado Kike Mur de Zaragoza.]
Do que são, de donde veem e aonde vão
As páginas centrais da publicação pela autogestão “Rebelaos!” que veio à luz em 15 de março de 2012, fazia o chamado ao primeiro encontro sem fronteiras de cooperativas integrais, que aconteceria em Vinyols (Tarragona) no final desse mesmo abril. Iniciava-se desta maneira uma fase de reconhecimento mútuo entre pessoas implicadas em diversos processos de auto-organização integral que haviam começado a emergir em diversos territórios, ao calor das inquietudes autogestionárias que haviam aflorado nos meses posteriores ao 15 de maio de 2011 (15M).
Desta maneira começou a tecer-se uma rede de pessoas revolucionárias, desobedientes e autogestionárias, com vontade de superar as margens do sistema atual e avançar na construção de processos de auto-organização à margem do Estado e dos poderes econômicos capitalistas. Uma transição até uma sociedade autogestionada de base assembleária.
As cooperativas integrais são pois, iniciativas de transição que partem e nascem na sociedade heterônima atual, mas transitam até uma nova sociedade baseada na autonomia das pessoas, os povos e as comunidades humanas. São desobedientes, porque reconhecem os limites estabelecidos pelo sistema atual, e desenvolvem uma estratégia para superá-los, de maneira organizada, redistribuindo o maior número de recursos do sistema atual e protegendo-se de maneira consciente e coletiva para defender-se de sua ação punitiva.
São revolucionárias porque apostam em uma transformação radical da sociedade atual (desde a raiz, desde baixo, por e para os de baixo), e porque o caminho para ir de um lado a outro é aprendizagem e imagem de a onde vão. Apostam também na abolição das fronteiras, e na cooperação livre entre pessoas, mais além dos limites estabelecidos pelos estados e suas administrações centrais, federais ou locais. São assembleárias, abertas e de participação voluntária, porque esta é a base para garantir um sistema de reflexão, deliberação e decisão verdadeiramente democrático, baseado em direitos e deveres, que cada qual assume de maneira responsável, para construir o comum. São cooperativas e autogestionárias porque crescem e se desenvolvem por si mesmas, em colaboração e cooperação com outras iniciativas do mesmo caráter, à margem das subvenções do Estado e o suborno de outras instituições comerciais.
As pessoas, os projetos e os diferentes processos de auto-organização (nós da rede) cooperam entre si, porque a rede é o sistema de organização mais sólido e robusto, que garante a retroalimentação mútua sobre princípios de interdependência e autonomia, que mantem conectados os nós à rede mediante uns princípios comuns (protocolo de comunicação da rede). Finalmente, construir em rede o comum e alimentar a autonomia, de maneira integral e em todos os âmbitos da vida, aqueles que nos permitem reproduzir a vida, simples e complexa ao mesmo tempo.
Sobre este contexto, se constitui a rede de cooperativas integrais, sobre as bases da revolução integral e sobre a experiência de um número crescente de processos de auto-organização no território. O potencial é alto, mas as debilidades que afloram sobre a experiência o são ainda mais; por isso se encontram, por isso compartilham, para aprender uns com os outros, e avançar caminhando e planejando no caminho.
Vídeo: vimeo.com/94006435
Mais infos: radi.ms
Tradução > Sol de Abril
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A estrela cadente
teima, se enrosca, se queima.
Quer o sol nascente.
Flora Figueiredo

Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!
Vida longa à uaf! Vida longa ao anarquismo!