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[Espanha] José Antúnez Becerra: Manifesto de uma pausa em minha greve de fome

By A.N.A. on 9 de Abril de 2015

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Começo este manifesto, com a sensação de haver sido derrotado pelo sistema. Agora já não sei se o pacto com a juíza de vigilância obedece à posição enganosa de uma situação. Na verdade, eu tenho que dizer, que sempre que tenho fracassado é porque confio no ser humano, as palavras são só palavras, assim como as promessas. Mas aqui, não há palavras, nem promessas, aqui há um compromisso, que peço-lhes que por mediação da plataforma de direitos humanos, seja divulgado, onde está a minha assinatura e a da juíza; um final às dúvidas, de uma situação que em princípio vantajosa, na teoria, mas depois de falar com a psicóloga chamada Fonsanta, os planos surgidos com a juíza de vigilância, me enchem de tensão e ansiedade, na verdade é que estou desolado. Mas agora tenho que ser forte, porque minha luta é eterna. Eu sei que, nesta luta, não é possível prevenir o fracasso, que tentam diagnosticar, os que não creem na reinserção das pessoas humanas como eu.

Devo dizer a essas pessoas que se equivocam totalmente, pois se acreditam que eu vou me render, eu desafio o sistema e me posiciono na luta, pelo direito a ser considerado um ser humano, sabendo o conceito à posição de alguns a negar-lhe o direito à possibilidade de ser um ser humano, por isso vou lutar contra os que impõem a exclusão. Também devo advertir que não vou ser uma estatística, vou derrotá-los com a razão, ainda que teoricamente o cansaço é o propósito que obedece neutralizar alteração na luta. São os momentos difíceis, quando afronto o horizonte inimaginável, para afrontar o desafio a minha luta eterna, sou capaz de desafiar à própria vida, na luta pelo direito a liberdade, depois de estar 65 dias sem comer e só estou uma semana ingerindo alimentos, penso de novo, na luta, porque tenho a sensação distorcida, por haver me equivocado de novo, porque meu problema radica na confiança no ser humano.

Um dia esta juíza me deu a luz, porque iria duvidar dela. Penso que a justiça não pode ser palavrório, de uma mulher que se aposenta em agosto, mas do que estou seguro, que a administração penitenciária segue pondo diretriz a minha marginalização, caberia sublinhar que nesta situação, são responsáveis a administração penitenciária, que como sempre, não reeducam, senão, que me marginaliza; quando devo ter o acesso ao fenômeno da participação dos direitos básicos, da participação nos benefícios penitenciários. Vivo a agonia subterrânea de assistir à participação da exclusão e segregação dos que dizem ser profissionais do tratamento, destacarei  paradoxo de um rancor maligno, também devo alertar os sintomas de uma intolerância à ideologia anarquista.

Quero que saibam que lhes quero a todos e que vós sois a luz, neste mundo de obscuridade, também que esta batalha é infinita; também minha solidariedade com os companheiros que estão na situação que eu estive, quero que saibam que agradeço vosso apoio, quiçá o estímulo que me dais absorve lucidamente otimismo, quero fazer propósito neutralizar conceito negativo, e ter confiança na solução.

Quero agradecer a todas as pessoas que me apoiaram, tanto a título pessoal ou coletivo e sobretudo ao mundo libertário, não sei como posso agradecer tanta solidariedade, e sobretudo a um sem fim de coletivos e associações, bem a título individual como coletivo, agradeço-lhes com todo meu coração e sobretudo ao mundo libertário, desde logo estou impressionado de ver tanta solidariedade e a todas as pessoas que a título individual me apoiaram, obrigado, como posso agradecer tanta gratidão, dizer que sois a humanidade neste mundo de obscuridade onde vivo, vós haveis conseguido luz neste mundo de obscuridade, obrigado, quero-lhes, minha vida é parte da vossa, gostaria de romper as grilhetas que nos separam; em um mundo de obscuridade me haveis dado luz, agora sei que não estou só, há milhares de corações que batem por um objetivo, por minha libertação, não posso dizer com palavras o sentimento que me enche de satisfação, quero-lhes e agradeço-lhes tanta solidariedade, estou impressionado, nunca jamais havia visto tanta solidariedade, agora sei que sou forte, minha força vem de vossa solidariedade, agora sei que logo estarei com todos vós, quero-lhes, não posso definir com palavras o sentimento e o amor que sinto por todos vós, me haveis dado vida, agora já sei, que é questão de tempo poder abraçar a tantas pessoas, seres humanos, coletivos, associações que me querem livre.

Chegado a este ponto, dizer obrigado, que é uma palavra muito simples, mas, às vezes, muito profunda. Logo verei a luz.

Minha solidariedade com Javi, Noelia e com os processados de Piñata [Operação Piñata].

Prisão de Brians-2

Sexta-feira, 3 de abril de 2015

José Antúnez Becerra

Tradução > Sol de Abril

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