Declaração sobre a onda de refugiados que vive a Europa
Ao longo deste verão, a Europa começou a ser consciente dos problemas secundários das guerras imperialistas que está instigando. Ondas de refugiados, centenas de milhares, cruzaram o Mediterrâneo desde a Turquia e Líbia, seguindo perigosas rotas em embarcações que carecem frequentemente de medidas de segurança. Em sua busca de um lugar seguro percorrem vários países com destino a Alemanha, onde serão acolhidas e desde onde, presumivelmente, serão distribuídas entre vários estados europeus.
A extrema direita em vários países reage de forma oportunista exigindo o fechamento das fronteiras e a negação da solidariedade e o refúgio aos que chegam a suas terras em situações de extremo esgotamento. Seguindo esta tônica alguns governos conservadores como o da Hungria, da Eslováquia ou do Reino Unido adotam os discursos da discriminação que evocam o ódio. Este ódio, que cresce com a crise econômica e a cínica “guerra contra o terrorismo”, ameaça ampliar-se sem controle.
Embat, organização política libertária da Catalunha, denuncia a hipocrisia com que a União Europeia está enfrentando a insustentável situação das pessoas refugiadas, que é gente que escapa das guerras e dos chamados “estados falidos” provocados pela política internacional que promove a própria UE. Assim, as guerras do Iraque, Síria, Líbia e Afeganistão são consequência da política militarista dos Estados Unidos, secundada pelos membros da União Europeia e o colapso de Eritréia, Sudão do Sul, Somália, Nigéria ou Iêmen são resultado das políticas depredadoras do neoliberalismo: por um lado expoliam seus recursos naturais e por outro se promovem tanto os exércitos nacionais, que oprimem a seus próprios povos, como os exércitos privados, os senhores da guerra ou os mercenários.
A globalização do capitalismo, impulsionada paulatinamente desde os anos 70, se viu retroalimentada pela luta contra o comunismo do chamado bloco oriental. Isto provocou o financiamento e o armamento de todo tipo de fanáticos sob a condição de que lutassem contra o inimigo do Ocidente. As políticas incondicionalmente colaboracionistas com os interesses dos Estados Unidos realizadas pela Europa, agora se voltam contra ela. A reação hipócrita e cínica da União Europeia a estes efeitos não desejados de sua própria incompetência é acusar as “máfias” de estar por trás de parte da atual “crise migratória”. A política de fronteiras da UE (FRONTEX) é responsável direta de que morra tanta gente nos processos migratórios. Deste modo a Europa se blinda contra a migração. A “Europa-Fortaleza” chega a financiar países para que sirvam de polícia fronteiriça sem restrição quando trata-se de migrantes.
A única solução ao problema dos refugiados é que não haja guerras. Desta forma entendemos que os movimentos contra a guerra da década passada são hoje continuados pelo movimento europeu de solidariedade com as pessoas refugiadas. A situação deste verão nos confirma que lutar contra as guerras imperialistas, e paralisá-las é uma necessidade de nossa sociedade. Cada guerra, cedo ou tarde, provoca a ruptura da sociedade, a miséria de pessoas e povos e a destruição material e econômica dos países.
Se queremos que o problema se resolva, devemos atuar sobre sua raiz: devem deter-se imediatamente os conflitos e guerras no Afeganistão, Síria, Iraque, Iêmen, Líbia, Somália, Nigéria, e um longo etcetera, nos quais um dos fatores de sua existência é o imperialismo capitalista europeu. Portanto, as responsabilidades e prioridades a longo prazo do Movimento Popular devem ser:
• evitar que nunca mais um estado europeu participe em uma guerra de agressão contra outro estado.
• exigir a retirada das tropas dos estados europeus em todo o mundo.
• exigir a ruptura dos estados da União Europeia com a OTAN, o TTIP, e outros tratados que instauram as políticas imperialistas em todo o mundo.
• estabelecer mecanismos de controle sobre as empresas europeias que atuam em todo o mundo.
E quanto a medidas imediatas:
• exigir aos governos europeus a acolhida sem condições dos refugiados que chegam a nosso país fugindo dos problemas criados pelo imperialismo e o neoliberalismo. Catalunha tem a obrigação moral de receber refugiados.
• preparar-nos para impedir as expulsões, os ataques da extrema direita contra refugiados e migrantes e a propaganda xenófoba.
Sabemos que os problemas atuais são por causa do imperialismo e do capitalismo. São eles a autêntica ameaça contra a humanidade. Pela fraternidade entre os povos fazemos nossa a mensagem solidária: Refugees are welcome!
Embat
Tradução > Sol de Abril
agencia de noticias anarquistas-ana
alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda
Zemaria Pinto

Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!