Moção do 74º Congresso da Federação Anarquista [francófona] reunida em Rennes nos dias 14, 15 e 16 de maio de 2016
Ainda hoje, homens e mulheres são perseguidos pelo simples fato de que eles atravessaram as fronteiras.
Não somente nega-se a eles o que se permite aos capitais e às mercadorias, mas faz-se de forma sórdida.
Eles e elas são caçados/as, estigmatizados/as, criminalizados/as, fichados/as, espancados/as pelas forças policiais, rejeitados/as pelas instituições, acusados/as de terrorismo pelos indivíduos sempre animados de encontrar um pretexto para maquiar seu racismo, e às vezes conduzidos/as à morte sem escrúpulos pelos governos.
Nós acusamos o Estado de tratar essas pessoas com a última das crueldades, condenando-os à miséria. Nós acusamos o Estado de pôr a vida delas em perigo.
Nós acusamos em particular o Estado francês, pela proclamação do estado de urgência, pela manutenção de vergonhas hediondas outrora reservadas à extrema-direita, por uma repressão cada vez mais violenta, de confirmar abertamente as escolhas racistas que forjam a ideia de nação.
Nós acusamos o Estado de organizar o racismo, criando a confusão entre imigrantes e terroristas jihadistas, e de instrumentalizar para legitimar suas guerras imperialistas e também sua política discriminatória na França contra pessoas suposta ou realmente muçulmanas.
Nós acusamos também todos os cúmplices do racismo, quer seja por ódio verdadeiro, por compromisso egoísta ou ainda por covardia, submetida às ordens iníquas que lhe são dadas.
A Federação Anarquista faz questão de reafirmar de forma clara e definitiva seu apoio incondicional aos/às imigrantes.
Além das ações de campo que nós organizamos ou daquelas em que nós participamos, nós informamos a todas as pessoas que têm coragem de se levantar contra essa crueldade cínica que nós pomos a sua disposição nossa força militante, quer dizer, nossos instrumentos (jornais, rádio), nossos espaços, nossas capacidades de acolhida de pessoas, e que nós estamos prontos a apoiar toda iniciativa de luta ao lado de todos/as os/as imigrantes.
Tradução > Mateus Brandão
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!