“Por favor, ajude-nos a que o mundo saiba o que acontece no Equador”

Estimados amigos e amigas de outros países que andam por aqui. Por favor, ajude-nos a que o mundo saiba o que acontece no Equador, necessitamos com muita urgência romper o cerco midiático.

Em meio de um Estado de Exceção, declarado no primeiro dia de greve, nos encontramos mobilizados a nível nacional ante as medidas econômicas apresentadas por Lenín Moreno [presidente do Equador], que em pacto com a ultradireita do país, decidiu realizar um empréstimo com o FMI. O empréstimo foi feito por 4600 milhões de dólares, apesar de que meses atrás o governo decidiu perdoar corporações e empresas no montante de 4000 milhões de dólares em impostos. O endividamento poderia ser evitado, mas preferiram submeter-nos às regras sinistras do FMI.

Como povos latino-americanos, compreendemos o que significa pactuar com aquele organismo, essa história de miséria se conta só agora na Argentina, México e Colômbia.

O governo quis vender como positiva e valente a decisão de retirar o subsídio dos combustíveis. O mais utilizado, diesel, aumentou seu preço em mais de 120%, e como em uma cascata se viu chegar à subida das passagens e com isso o encarecimento do custo de vida.

Apesar de que a cesta básica alcança um custo de $700, ainda que o salário básico seja de $394 e que em Quito a maioria das pessoas deve tomar no mínimo dois ônibus para chegar a seu trabalho, a proposta das empresas de transportes é subir a passagem a $0.60. Por favor, façam as contas… e imaginem estas pessoas com seus filhos, os quais devem enviar à escola.

Sem uma razão abertamente divulgada, mas que resulta óbvia, os trabalhadores do setor de transporte que haviam aderido à greve no primeiro dia, decidem no dia seguinte abandonar a greve nacional, deixando para trás estudantes secundaristas e universitários, professores, sindicatos, mulheres, povos e nacionalidades indígenas, entre outros setores.

A ministra do interior María Paula Romo, que condenava a criminalização do protesto social exercida pelo governo de Correa, declara que os estudantes da universidade pública são “toscos violentos”, o presidente acusa os manifestantes de “vagabundos, vândalos e delinquentes” e a isto se une a imprensa mais medíocre da América, que desde o início insistiu em chamar “greve de transportistas” à GREVE NACIONAL, e agora mobilizam a ideia de que sem os trabalhadores do setor de transporte, a greve terminou e isso é absolutamente falso.

A imprensa equatoriana, completamente vendida aos interesses da direita, busca mostrar um país que retorna à calma e não que os empresários perdem cada vez mais, por cada dia de greve, segundo eles, isto afeta à massa laboral e ao país em geral.

O certo é que homens e mulheres de povos e nacionalidades indígenas de todas as partes do país estão marchando até a capital para DERRUBAR O GOVERNO E TODO SEU GABINETE. Esta ação, em rechaço a retirada de subsídios, ao encarecimento da vida e a forma na qual nos querem inserir em um modelo econômico abertamente neoliberal, que vulnera nossos direitos laborais ao flexibilizar e precarizar as condições de trabalho.

Aos trabalhadores do setor público, lhes anunciou que os contratos ocasionais seriam renovados com 20% a menos de salário. Ao resto lhes tirariam 15 dias de férias e deviam “doar” um dia de salário mensal ao Estado. Esta última medida vai contra o Art. 328 da Constituição, no qual se assinala que o salário não pode ser diminuído nem descontado salvo prévia autorização do trabalhador.

À luta se somam novas bandeiras como o livre ingresso na universidade, já que milhares de estudantes não podem continuar estudando, ao não contar com meios econômicos para ir a universidades privadas, enquanto o Estado os rechaça através de um exame de admissão.

Nos aproximamos de um momento complexo, a repressão policial foi terrível, em dois dias de greve há 350 detidos e um estudante que perdeu seu olho pelo impacto de uma bomba. A CIDH fez declarações sobre o uso excessivo da força no Equador, nos disparam bombas, balas e munições, há blindados com alto-falantes que atemorizam a todo o mundo, mas também há gente farta que não está disposta a retroceder. Os direitos foram conquistados com sangue e assim nos obrigam a defendê-los. Na praça onde está localizado o palácio presidencial há centenas de militares armados até os dentes, sabemos que dentro do palácio de governo há boinas vermelhas, e (especializados em combate terrestre) isso é o que o governo preparou para o povo equatoriano.

Responsabilizamos María Paula Romo, Lenin Moreno e todo seu gabinete, a assembleia e os altos mandos do exército por todos e cada um de nossos feridos e todas as consequências nefastas que traga esta situação que se pode evitar. Mas Moreno declarou que não dará o braço a torcer.

A IMPRENSA DE NOSSO PAÍS: TELEAMAZONAS, ECUAVISA, TVC, RTS, CANAL UNO, OROMAR, EL COMERCIO, EL UNIVERSO e todos os meios MENTEM DESCARADAMENTE SOBRE A SITUAÇÃO E NÃO PODEM SER CONSIDERADOS REFERÊNCIAS INFORMATIVAS PARA NENHUM CASO.

Afortunadamente sim, há canais de informação confiáveis: Voces, Revista Crisis, Desborde Ecuador, Nuestroamericano, Política com manzanas, Indymedia Ecuador, Inredh Derechos Humanos, Wasi Media, Wambra Radio.

V.C.

Fonte: https://www.facebook.com/vale.cordova.1426/posts/1439760609511421

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Venerável
É quem não se ilumina
Ao ver o relâmpago!

Bashô

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