
29 de novembro de 2019
VIVA OS IRREDUTÍVEIS INIMIGOS DO PODER!
“Estamos diante de um inimigo poderoso e implacável, que não respeita nada ou ninguém. Que não respeita a vida dos seres humanos, que não respeita nossos heróis”. A frase é repetida várias vezes pelo Presidente da República, desta vez em uma ação prévia da polícia.
O MEDO é uma das armas mais poderosas do poder, por isso eles continuam promovendo um clima de paranoia para desmobilizar e dividir os oprimidos.
O Estado redobrou seus esforços para aprovar sua “lei anti-encapuzados”. Piñera aponta para os anarquistas, os Barras Bravas e os traficantes de drogas como uma tríade coordenada para desencadear a violência, tentando misturar água e óleo, mas isso é quimicamente impossível.
O plano de comunicação é exceder os saques de pequenas lojas, oferecendo uma grande cobertura jornalística. Eles batem na tecla das lágrimas dos proprietários ao ponto de exaustão para aumentar o drama, ou seja, a imprensa do capital lança uma poderosa carga emocional para deslegitimar a Revolta Social.
Existe uma cumplicidade óbvia (por ação ou omissão) entre a polícia, “domésticos” e traficantes, indivíduos sem códigos que não estão interessados naqueles que prejudicam suas ações.
Sem dúvida, a propriedade privada faz parte do que desejamos destruir, mas hoje nossos objetivos estão cheios de simbolismo estratégico. Se o ataque a qualquer local precisa de explicação, não é simbólico o suficiente.
Uma solução provisória seria “comitês de autodefesa”, mas nossa inexperiência e ineficácia nessas práticas deixam o caminho pronto para os “coletes amarelos” que começam a se armar com um inegável hálito fascistoide. “Que os milicos voltem às ruas!” é o discurso repetido pelos amantes do sistema neoliberal, embora nos seus bolsos o dinheiro sempre tenha brilhado por sua ausência.
A triste realidade é que o capitalismo é tão internalizado em uma porcentagem de oprimidos e explorados que a mercadoria e seus locais de abastecimento são mais importantes que a vida de outros seres. O trabalho, o dinheiro e o consumo são um bem superior, bem mais que cem pessoas com olhos mutilados.
Mas outra parte da população já se deu conta do plano do Estado e o denuncia cada vez que tem a oportunidade na televisão, incomodando cada soberano ao vivo.
Pessoalmente, não me lembro quantas vezes chorei assistindo a vídeos de adolescentes baleados ou sem olhos. Não me lembro de um dia sem a angustiante sensação de saber que em algum momento no Chile alguém sofre de brutalidade policial ou que, dentro de uma delegacia, eles estão torturando e estuprando.
Na sétima sexta-feira de Revolta, e após dois dias com baixa adesão, a “Praça da Dignidade” voltou a encher e a performance feminista “Um estuprador no seu caminho” foi realizada de maneira massiva na zona zero. A performance se expande nacionalmente, globalmente e se torna viral nas redes sociais. Tanto que consegue ofuscar o discurso governamental do medo. Uma faixa gigante é aberta pedindo a renúncia de Piñera e da ministra da Mulher e Igualdade de Gênero Isabel Plá.
Desconhecidos incendeiam a estátua do “Negro Matapacos”, ícone da Revolta. Nas suas fundações, manifestantes constroem outra com flores.
Os confrontos entre lacaios e encapuzados continuam com muitos fogos de artifício. Em Concepción, a polícia usa bombas de efeito moral que desorientam por causa dos flashes de luz que emitem quando ativadas, e o barulho alto da explosão afeta temporariamente a audição. Na mesma região, a etapa do Mundial de Rali é cancelada.
O sindicato dos trabalhadores do Scotiabank e os clientes pressionam o banco e demitem o gerente Antonio Benvenuto, que agrediu manifestantes no shopping La Dehesa.
O ministro da Saúde é achincalhado e seu carro arranhado em um hospital, ele teve que ser protegido pela polícia. A ministra Plá também foi vaiada por manifestantes.
Um manifestante é detido em Vina del Mar por carregar e lançar bombas molotov, ele é investigado por posse de material explosivo. Ontem houve uma concentração em solidariedade com os presos e presas da guerra social nos arredores do centro de (in)justiça. Policiais protegeram e fecharam o local.
Se sente o cansaço, mas não desistimos.
Que a propaganda insurrecional permaneça presente em cada barricada!
ICEM A BANDEIRA REVOLUCIONÁRIA!
N.T.
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/29/chile-santiago-40o-dia-de-revolta-social/
agência de notícias anarquistas-ana
A sensação de tocar com os dedos
O que não tem realidade –
Uma pequena borboleta.
Buson
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!