[Chile] Santiago: Bicicletada pela Memória Ácrata – 28 de março

O anarquismo é uma corrente de pensamento e ação que não é nova no território dominado pelo Estado chileno. No início do século XX, a influência ácrata no mundo dos trabalhadores era de vital importância para o desenvolvimento de um sindicalismo revolucionário, organizações afins, coletivos e publicações de vários tipos.

Existem várias experiências que se manifestam nos livros de história no período de 1893-1924, onde os ácratas têm estado presentes nas contínuas greves, comícios e protestos sociais que marcaram o que é conhecido na historiografia clássica como “A Questão Social”, onde os agitadores anarquistas expressavam suas arengas e proclamações nas ruas, bem como em ação direta, percebendo a importância da” propaganda pelo fato”.

O metal feito pena dxs escribas ácratas tornou-se uma adaga contra a burguesia que atacava periodicamente publicações de trabalhadores autogestionadas como “A Batalha”, “Verba Vermelha”, “O Sulco”, “Ação Direta”, “O Semeador”, e tantos outros que foram apresentados como órgãos de difusão de ideias antiautoritárias na época. Tal foi o impacto dos anarquistas no início do século XX, que o Estado não economizou em seus recursos quando lançou a repressão ao movimento libertário, as constantes incursões na sede da IWW, nas casas dos sindicalistas revolucionários e de vários representantes da anarquia marcaram a evolução da época. A prisão política era bastante comum para os editores de jornais e, em geral, para o movimento trabalhista, que não se deixava censurar pela brutal repressão orquestrada pelo Estado. Ao longo da história, corações livres e rebeldes nunca foram silenciados, nem a prisão nem a morte serviram para silenciar xs anarquistas.

Em resposta à perseguição política, à morte e à prisão dxs camaradas, xs anarquistas sedentos de vingança, não hesitaram em agir, usando seus próprios meios para abalar a burguesia. O instinto de raiva dxs rebeldes estava presente em Valparaíso, já em 1903, com a greve dos estivadores, os escritórios do pasquim da burguesia “El Mercurio” foram queimados e uma das maiores greves que a cidade portuária testemunhou foi desencadeada naquela época. Em 1905, a greve de carne mostra o potencial da classe trabalhadora da época, além de todo controle estatal, as escaramuças, manifestações e destruição se estendem por quase uma semana, deixando um número de cerca de 200 trabalhadores mortos. A escalada da violência aumentou a cada momento, e o número de mortos pelo Estado continuou aumentando.

Os anos subsequentes continuaram com a repressão e os massacres dos trabalhadores, que acenderam ainda mais os sentimentos de vingança. Por sua parte, o movimento anárquico e, especificamente, suas individualidades aguardavam pacientemente a oportunidade de atacar e continuar na ofensiva. Os defensores dos oprimidos tinham claro que tantos camaradas mortos não podiam ser deixados no esquecimento, marcando uma era pela violência revolucionária justificada por todos esses massacres.

Mais de 100 anos se passaram desde a influência anarquista neste território, o que torna essencial que resgatemos essa história da maquinaria do esquecimento. Seremos os anarquistas encarregados de reconstruir nossa própria memória sem nenhum oportunismo da academia, mas faremos isso de coração, do mesmo palpitar que os oprimidos tiveram cem anos atrás, de nossos espíritos rebeldes e revolucionários, que procuramos transferir a memória de nossos irmãos para todos aqueles que se sentem relacionados as ideias antiautoritárias.

Essa pincelada pelas vicissitudes da história nos mostra que o anarquismo e as ideias anarquistas não têm apenas 20 anos, como o poder pretende mostrar, mas que possuem uma árdua trajetória invisível pela burguesia. No entanto, aqui estamos novamente para lembrar de nossos camaradas.

Desta vez, faremos isso com um dia histórico cultural que culmina com um piquenique, como os anarquistas fizeram em 1920. A criatividade não tem limites e, pela mesma razão, planejamos um passeio pela memória ácrata de bicicleta por Santiago. Essa iniciativa contempla uma duração de aproximadamente três horas, passando por 8 pontos relevantes, segundo nós e para a história do anarquismo entre 1900 e 1930.

Para este ciclo, entregaremos um material informativo que desenvolvemos através de investigações anteriores que contribuirão para a rota, portanto, é sugerida uma contribuição monetária de mil pesos, uma vez que todos os recursos e insumos investidos nessa iniciativa saíram do bolso dxs realizadores. O que queremos dizer com isso é que a contribuição sugerida se destina apenas a cobrir as despesas do material que entregaremos no dia e também a preparar rotas futuras que resgatem a história do anarquismo no território.

Deixamos claro que a contribuição sugerida não tem o condão de excluir a participação na bicicletada, apenas queremos que nossos esforços e trabalho sejam valorizados por quem comparecer a essa instância que terá mais de uma surpresa durante o dia…

Esperando que nossa iniciativa seja bem recebida, deixamos a todos xs interessadxs em ideias antiautoritárias e anárquicas fazer parte dessa bicicletada pela memória ácrata, enfatizando principalmente o anarquismo de 1900 a 1930.

A convocatória de partida será no Parque Quinta Normal, em frente ao museu de história natural, a partir das 10h30, onde faremos uma apresentação da jornada e iniciaremos o caminho da memória anárquica em Santiago. Quando? No sábado, 28 de março de 2020, a poucas horas de um dia cheio de memória combativa nessa região.

Participe e difunda.

Liberdade para os prisioneiros da guerra social!

Liberdade para Kiwi!

Março 2020

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

por entre as vinhas,
ele abraça mais forte
e beija mais doce…

Rosa Clement

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