
Da vaga de mortes na população idosa, o alarme soa agora sobre as prisões portuguesas. Se o Covid-19 entrar em força nas cadeias será a catástrofe. Como noutros países, como França ou Espanha, o Estado Português terá, nestes dias, de avançar com medidas imediatas para a libertação de presos/as. A população prisional já avisou que não vai esperar mais tempo e várias declarações gravadas por presos a partir dos estabelecimentos portugueses têm vindo a apelar a que, perante a falta de respostas, as prisões ardam e os motins a que se tem assistido na Europa e no mundo cheguem a Portugal.
Face ao apelo diário para que façamos escolhas e tenhamos comportamentos que salvaguardem a vida humana, ecoa ainda na sociedade portuguesa a indiferença em relação a quem não tem como fazer essa escolha. Confinados a espaços sobrelotados onde a profusão de doenças infectocontagiosas é uma marca, resta aos presos/as a única forma de comportamento digno da defesa da vida humana: o protesto contra as prisões e o sistema prisional.
Há atualmente em Portugal cerca de 13000 pessoas sob custódia, às quais se somam alguns milhares de profissionais e dezenas de crianças em 49 estabelecimentos prisionais (EP’s). As prisões, na sua máxima lotação ou para lá dela, não garantem o isolamento das pessoas presas, num meio onde a precaridade dos cuidados de saúde tem sido amplamente denunciada. Entre a população prisional há um número significativo de pessoas idosas e de presos declaradamente em situação de risco, doentes crônicos (oncológicos, diabéticos, cardíacos etc.) e infectocontagiosos (HIV, hepatites B e C), mulheres grávidas e crianças, já para não mencionar o quadro de problemas de saúde mental que irão aumentar com a atual situação.
Desde o dia 16 de março, estão suspensas as visitas em todos os EP’s. Durante algum tempo, estiveram também suspensas as entregas de sacos de comida e de roupa pelos familiares, mas, após as orientações da Direção Geral da Saúde (DGS), estas voltaram a ser permitidas. A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) procedeu, somente no dia 17, à transferência de 40 inimputáveis de Santa Cruz do Bispo para o Hospital Magalhães Lemos. A ala psiquiátrica dessa prisão encontrava-se sobrelotada e com condições desumanas, conforme era já manifesto na queixa da Ordem dos Enfermeiros em julho de 2019.
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http://www.jornalmapa.pt/2020/03/31/as-prisoes-sao-um-virus/
agência de notícias anarquistas-ana
briga de gatos
na sala de jantar –
vaso em cacos
Carlos Seabra
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!