[Espanha] Ateneu Libertário: Quarenta anos no coração dos bairros de Villaverde

O seguinte texto foi preparado pela Federación Comarcal Sur da CNT em Madrid por ocasião do quadragésimo aniversário do Ateneu Libertário de Villaverde. De fato, os camaradas do sindicato haviam planejado atividades para a celebração deste aniversário que terão que esperar devido à emergência sanitária e social do Covid-19. Para contextualizá-lo, é conveniente saber que na década de 1930, na atual localização do Ateneu, havia a cooperativa El Pan del Obrero, formada por trabalhadores anarcossindicalistas, e que após a vitória dos golpistas na Guerra Civil, foi roubada da organização sindical CNT. Em 1960, após destruir a fábrica existente ali, no local que ficou, foi construído o edifício que serviu de sede do Sindicato Vertical do regime franquista e, após sua dissolução, deixou o edifício vazio e em desuso.

Ao cruzar a Plata e Castañar ou deixando para trás a Colonia Marconi; da estação descendo Espinela, ou da Puente Alcocer cruzando a avenida. Todos os caminhos do distrito levam ao bulevar que encabeça o Ateneu em Villaverde. A Plaza Ágata, talvez um dos lugares mais quentes do bairro, abriga este edifício há quatro décadas. É seguido pelo Paseo, que, devido à sua multidão constante e ao encontro entre um bairro renovado ao longo dos anos, toma a forma de uma etapa onde a vida passa. Um lugar onde a geografia da cidade assume uma importância vital. Demasiadas vezes marcado pela precariedade e abandonado por políticas dedicadas ao mapa mais central das ruas. Tem sido habitual a falta de oferta, não apenas de alguns serviços públicos de qualidade, mas também de uma oferta cultural e uma dinâmica social que assegure o bem-estar de todas as pessoas que vivem ou vêm aqui.

O Ateneu sempre quis ser o contraste com este plano para Villaverde. A casa de todos os vizinhos que, apesar das dificuldades da vida cotidiana, ainda querem se encontrar como um coletivo rebelde para uma vida melhor. Um ponto de encontro para coexistência e apoio mútuo, para desfrutar e aprender. Há inúmeras iniciativas e atividades que foram lançadas neste espaço com este objetivo em mente. Algumas duraram muito tempo, como as salas de ensaio e um projeto musical abrangente, o grupo de mulheres artesãs, a sala de jantar vegetariana e as oficinas de cozinha, ou a creche Pequeñ@ Compañer@, que simbolizou a falta de instalações municipais, e levantou uma experiência que nos uniu definitivamente à realidade mais próxima. Outros foram pontuais e o Ateneu serviu de apoio, como as reuniões para organizar os carnavais no bairro, os mercados de permuta, os grupos de consumo sustentável, a assembleia de paradas ou as aulas de espanhol coincidindo com o confinamento de migrantes contra a lei de estrangeiros. Muitos têm sido uma constante; centenas de concertos com bandas de todo o mundo, outras centenas de palestras, conferências e debates, alguns míticos como o encontro das Rádios Libres ou dos Ateneus Libertários do estado na primeira década, ou uma infinidade de representações artísticas em forma de teatro, circo, pintura ou exposições de fotografia que têm ocupado as paredes do salão de reunião. E todos aqueles que chegaram nos últimos anos: a Despensa Solidária, fruto do movimento local 15M, a companhia de teatro Tarantula, as oficinas de artes plásticas, a academia e as aulas de boxe, a transferência da Rádio ELA, o grupo Mujeres Libres ou o projeto de acompanhamento respeitoso La Tribu.

Este caminho foi tomado com a mesma vontade, com a qual em 1980 uma demonstração da recém legalizada CNT acabou recuperando um prédio que pertencia ao patrimônio sindical que havia sido acumulado durante a ditadura. Desde então, o movimento libertário tomou o Ateneu como referência, sendo uma das ocupações mais antigas do estado. Foi a sede da Fundação Anselmo Lorenzo, que abrigou o arquivo e a biblioteca no terceiro andar, o jornal anarquista Tierra y Libertad, as federações de estudantes libertários, e a solidariedade com os prisioneiros. Assim como uma longa lista de lutas e vozes às quais se responderia que se enraizaram neste lugar, e que hoje eles sentem e cuidam dele como se fosse seu. O sindicato mantém intacto o espírito com que há quarenta anos seus militantes removeram a insígnia fascista da fachada e quiseram projetar luz sobre um bairro industrial e desfavorecido, que ao longo dos anos e os que virão, permanece alegre e combativo.

Nos vemos em breve no Ateneu!

Fonte: https://www.todoporhacer.org/ateneo-libertario-villaverde/

Tradução > Liberto

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