
A crise sanitária motivada pelo Covid-19, mas ampliada pelo projeto genocida de Bolsonaro/Mourão, aumentou as contradições e desigualdades sociais. A classe trabalhadora está sob risco de morte pela doença ou fome, enfrentando o desemprego, redução parcial ou total dos salários, desestruturação familiar, violência, exposição ao vírus, estresse, ansiedade, entre outros.
O vírus não escolhe hospedeiros, mas governos e patrões cumprem a missão de expor e matar através das divisões de classe, raça e gênero. O número de casos em Goiás ultrapassa 40 mil, com outros 100 mil casos suspeitos, sem considerar subnotificações. A letalidade é maior em regiões periféricas. Em Goiânia, o Conjunto Vera Cruz, Jardim Nova Esperança, Residencial Vale dos Sonhos, Vila Finsocial e Parque Atheneu são os cinco bairros com maior índice de mortes por casos confirmados. Entre os cinco em número de casos, estão Jardim Guanabara e Jardim Novo Mundo.
Longe de ser uma “tempestade” passageira, a pandemia de Covid-19 está em ascensão em Goiás, pela postura conservadora, negligente e antipopular de patrões e governos. Na primeira quinzena de julho, o estado registrou aumento de 106% em número de casos e 310% em mortes, em relação as duas primeiras semanas de junho. Em quinze dias uma pessoa morreu a cada 43 minutos.
Em meio ao caos, Caiado/DEM, Iris Rezende/MDB e outros governos municipais estão cedendo aos interesses empresariais para abertura total do comércio e retorno às aulas presenciais nas escolas públicas e privadas. Ao invés de investir em políticas de assistência e saúde como garantias para o isolamento social, patrões e governos “lavam as mãos” e obrigam a retomada dos postos de trabalho através da ameaça “escolham o vírus ou morram de fome”.
Nos CMEIs, escolas e universidades a tragédia é anunciada. Estudantes e trabalhadores da educação serão obrigados a se abarrotarem em ônibus, salas de aula, áreas administrativas, cozinhas e outros espaços que favorecem a propagação do vírus. Ademais, a tendência é que o retorno presencial ocorra simultaneamente ao trabalho remoto, sobrecarregando professores e estudantes. O trabalho será dobrado, mas sem garantias sociais e trabalhistas.
De forma oportunista, patrões e governos utilizam os impactos educacionais em tempos de pandemia como “justificativa” para o retorno das aulas presenciais. “Esquecem” – ou fingem esquecer – que as contradições educacionais possuem origem nas desigualdades sociais. Pouco foi feito para dar garantias de saúde, alimentação, segurança e moradia para alunos e suas famílias. A única ação levada a cabo pelas redes de ensino foi a imposição do trabalho remoto, enxugando investimentos na educação e conciliando com os interesses patronais das empresas/plataformas digitais. Um modelo de formação que desconsidera a realidade social dos estudantes, sobrecarrega o trabalho dos profissionais da educação e amplia as desigualdades educacionais.
Diante desse cenário, a Federação Autônoma dos Trabalhadores – FAT/GO se posiciona contrária ao retorno das atividades presenciais. Em meio à crise sanitária, reivindicamos o direito ao isolamento social de estudantes e trabalhadores da educação, assegurando empregos e direitos. Exigimos que o processo de acompanhamento pedagógico em tempos de pandemia seja definido por estudantes e trabalhadores, em espaços democráticos das categorias, sem ingerências e decisões vindas “de cima” de secretarias e sindicatos de estado. Ademais, reivindicamos a criação e ampliação de políticas de assistência que ofereçam condições dignas de alimentação, saúde e segurança aos alunos e suas famílias. Os direitos acima só serão assegurados através de mobilização popular. Convocamos estudantes, categorias da educação e demais trabalhadores para uma GREVE GERAL PELA VIDA, com paralisação das atividades escolas e ações de boicote contra a retomada das aulas presenciais.
PELA VIDA! GREVE GERAL NA EDUCAÇÃO!
agência de notícias anarquistas-ana
meio dia
dormem ao sol
menino e melancias
Alice Ruiz
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!