16/03/2026

Enquanto caem as bombas sobre o Irã desde o exterior, a República Islâmica trava uma segunda guerra contra seu próprio povo, internamente.
O comandante das forças policiais da República Islâmica anunciou a detenção de 500 pessoas, rotulando-as como “espiões” por supostamente enviarem informações a meios de comunicação estrangeiros. A “Guarda Revolucionária” em Lorestán deteve a outras três pessoas por “alterar a opinião pública, difundir rumores e enviar imagens a meios inimigos”. Nos dezesseis dias transcorridos desde que começaram os ataques estadunidenses e israelenses, se registrou detenções quase que diariamente.
A palavra “espião” não requer provas. Silencia através do medo. Sempre foi a arma preferida do regime contra qualquer um que documente, que fale e que se negue a guardar silêncio.
O que mais nos preocupa não é o que sabemos, mas o que não podemos saber.
O bloqueio da Internet já dura mais de 384 horas (dezessete dias) e a situação piora. Durante o último dia se observou uma diminuição da infraestrutura de rede de telecomunicações reservada, o que reduziu ainda mais a disponibilidade das VPN e deixou sem conexão alguns usuários incluídos na lista branca e os serviços essenciais. Não se trata só de uma falha nas comunicações. É um muro de obscuridade deliberada atrás do qual o regime se move com total liberdade, prendendo, detendo e provocando desaparecimentos. Jovens que compartilharam imagens dos bombardeios. Ativistas que documentaram as baixas civis. Jornalistas que rechaçaram a versão do regime. Cidadãos comuns cujo único delito foi dizer a verdade sobre o que viram.
Não sabemos quantos foram detidos. Não sabemos em quê condições se encontram os que já estavam detidos antes que começasse a guerra. Não sabemos o quê está ocorrendo neste momento nas celas, nas salas de interrogatórios, nas bases militares às quais foram transladados os detidos por participar nos protestos.
Essa ignorância é precisamente o cerne da questão. O bloqueio informativo existe precisamente para que o mundo não possa ver e nós não possamos falar.
Estamos profundamente preocupados pela saúde e a segurança de todos os ativistas sociais e políticos que se encontram atualmente no Irã. Preocupa-nos todos os jovens que pegaram um telefone para documentar esta guerra. Também nos preocupam nossos companheiros anarquistas, que enfrentam tanto as bombas imperialistas como a repressão e o encarceramento.
A nossos companheiros dentro do Irã: não os esquecemos. Ao mundo exterior: o silêncio que ouves desde o Irã não é paz. É uma cortina para a repressão. Rompa-o onde podes.
Não à guerra imperialista e ao terrorismo de Estado!
Não à criminosa República Islâmica que governa o Irã!
Não aos mulás! Não ao Xá!
Jin — Jiyan — Azadî![1]
Frente Anarquista
[1] “Mulher, Vida, Liberdade.”
Na fotografia com a qual se abre este comunicado pode-se ler o mesmo lema.
Tradução > Sol de Abril
agência de notícias anarquistas-ana
Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.
Sílvia Rocha
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
Enquanto isso no Brasil...
Espaços como esse são fundamentais! Força compas. Vou contribuir!
A autoridade dos que são contra não é menos autoritária que as outras e encontra, quanto a mim, uma sólida…
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…