
Por Carlos Ferreira de Araújo Júnior
Thomaz Derliz Borche nasceu no Uruguai e ainda jovem veio para o Brasil. Aqui trabalhou como taxista, sapateiro e motorista. Viveu em várias cidades: Florianópolis, Porto Alegre e São Paulo. Nesta última, iniciou sua militância anarquista nos anos de 1920. Borche muda-se para Santa Catarina tempos depois. Após um discurso no Primeiro de Maio de 1924, em Florianópolis, Borche foi preso e enviado para o campo de concentração de Clevelândia, no extremo norte do Brasil. Com a deportação de Borche, a sua companheira Bernardina Amância da Silva, operária, bastante enferma e abalada psicologicamente com a notícia da deportação do seu companheiro para o Oiapoque, cometeu suicídio.
Borche conseguiu escapar da morte certa de Clevelândia. Tempos depois, enviou uma carta de sua autoria para A Plebe, relatando os horrores de Clevelândia. A carta foi em 14 de maio de 1927 e revelava um espírito ainda mais combativo após os horrores de Clevelândia. Nela, Broche diz: Camaradas, tende confiança e perseverança na nossa luta pela causa dos oprimidos, dos explorados, luta essa que um dia há de abater o regime de tirania e de extorsão, estabelecendo a sociedade do homem livre sobre a terra livre.
De volta ao Uruguai, Tomas Derlis Borche adere ao ilegalismo. No dia 27 de maio de 1932, um grupo de anarquistas ilegalistas formado por Tomas Derlis Borche, Gerardo Fontela, Álvaro Correia do Nascimento (Brasileiro), Gonzáles Mintrossi (chileno), Adolfo Carlos Pagani (argentino), Rudecindo Rodolfo Musso (argentino) e Domenico Aquino (italiano) assaltaram a casa de câmbio Fortuna em Montevidéu. A ação de expropriação terminou com a morte de Roque Lecaldare, funcionário da casa de câmbio morto por um dos ilegalistas.
Thomaz Derliz Borche morreu em 1962, em Montevidéu.
REFERÊNCIAS:
KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente. Ed. Monstro dos Mares. 2025.
RODRIGUES, Edgar, Companheiros. Vol.01 e vol.05
PLEBE, A. 14/05/1927.
CELENTANO, Luigi. Sobre a Violência e Os Rebeldes.
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
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luar na relva
vento insone
tira o sono das flores
Alonso Alvarez
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
Enquanto isso no Brasil...
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A autoridade dos que são contra não é menos autoritária que as outras e encontra, quanto a mim, uma sólida…
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