
Um pequeno convite para descobrir um universo extraordinário.
Desde criança, vivo entre a Grécia e a França. Como não sou fã de viagens aéreas, costumo atravessar a Itália, em ambas as direções. De Ventimiglia ao Porto de Ancona, há duas rotas possíveis: a mais rápida pelo Vale do Pó, subindo em direção a Parma e depois Bolonha a partir de Gênova, ou continuando até Pisa e depois Florença. É um pouco mais longa, mas atravessar a Toscana é um prazer.
Principalmente porque Maud e eu temos velhos amigos na Toscana, amigos de 25 anos: a família Ferré. Sem revelar muito, Maud trabalhou quando jovem para um dos intérpretes das canções de Ferré, Gilles Droulez, cujo trabalho foi publicado pela Éditions la Mémoire et la Mer, a editora de Léo Ferré e, posteriormente, de seu filho Mathieu. Foi assim que ela conheceu Mathieu e, depois, Marie-Christine, viúva de Léo, uma mulher extraordinária.
No final da década de 1960, Léo e Marie-Christine deixaram a França para viver na Toscana, um refúgio profundamente desejado por Léo que lhe permitiu escrever novas obras importantes, como continuar a musicar poemas. Ao se estabelecerem na Toscana, compraram alguns vinhedos e olivais. Com o tempo, aprenderam a fazer vinho, estabelecendo parcerias com especialistas em vinhos naturais e orgânicos.
Beba menos, mas beba melhor.
Hoje, este vinho se tornou uma maravilha. Maud e eu não bebemos muito álcool, como alguns de vocês sabem. Mas somos apaixonados por vinho. Preferimos bebê-lo com pouca frequência, mas beber um bom vinho, com o mínimo de aditivos, produzido em condições ideais e respeitosas. Preferimos bebê-lo três vezes menos frequentemente para podermos comprar uma garrafa que custa três vezes mais, em vez de um vinho barato de supermercado, cheio de produtos químicos e que nem serve para vinagre. Além disso, não gastamos dinheiro com cigarros. Apenas uma garrafa por semana? Sem problemas, mas não qualquer garrafa.
“VINICULTOR ANARQUISTA”
Como se pode ler no verso das garrafas, Mathieu se autodenomina um “vinicultor anarquista” e escreveu belos textos nos quais critica a burocracia e as estruturas de poder, tanto na indústria vinícola quanto em outros setores da sociedade. Assim como seu pai, ele é muito rebelde e independente. Seus vinhos se chamam Dissidente, Eretico, Blasfemo… nomes que evocam uma rejeição aos dogmas reacionários.
Mathieu também apoia nossas lutas na Grécia e aprecia particularmente o grupo anarquista Rouvikonas, cuja camiseta ele costuma usar.
Se algum dia tiver a oportunidade de ir à Toscana, visite a propriedade San Donatino em nosso nome. Lá, você poderá degustar vinhos excelentes e escolher alguns que o Mathieu lhe venderá por um preço menor do que encontraria online. Basta mencionar que está vindo a convite nosso.
Nossos vinhos favoritos no Ferré’s:
1- DISSIDENTE. Um vinho delicioso e político, um “vinho da desobediência, da dissidência”, como diz Mathieu. Um Sangiovese sem adição de leveduras e não filtrado. Uma maravilha. É também um dos vinhos favoritos de amigos anarquistas na França. Por exemplo, o escritor Jean-Pierre Levaray.
2- IRREQUIETO. Significa “inquieto”. Por ser um rosé naturalmente espumante (apelidado de “pet nat”). O vinho favorito de Maud. Muito original e saboroso. Também perfeito como aperitivo.
3- POGGIO AI MORI RISERVA. Um Chianti envelhecido por 5 anos. Conserva-se muito bem na adega. Um vinho excelente.
4- ERETICO. Um Cabernet Sauvignon, muito frutado. O favorito de Cyril e Nathalie, da nossa equipe de filmagem, e de vários amigos gregos.
5- BLASFEMO. Um excelente vinho âmbar, com aromas de chá e manga doce. Envelhecido por seis meses. Mais uma criação original. Aqui, novamente, as uvas são colhidas manualmente, com seleção dos cachos diretamente no vinhedo. A fermentação alcoólica é espontânea. E o resultado final é realmente melhor.
6- LIMÃO CINO. Um excelente licor de limão.
7 – A SÉRIE SLEEVE APRESENTANDO 6 DOS ÁLBUNS DE LEO (1 CAIXA COM 6 GARRAFAS DIFERENTES). Originalmente, um Cabernet Sauvignon de 2013, depois uma série lançada em 2016 para o centenário do nascimento de Léo. Restam algumas caixas.
E, no local, também há discos, CDs (às vezes as novíssimas caixas lançadas por Mathieu com a editora La Mémoire et la mer, incluindo muitas surpresas e faixas pouco conhecidas), livros sobre Léo (alguns magníficos) e, claro, pôsteres… Sem esquecer as oliveiras por toda parte, dividindo as colinas com os vinhedos. Então, também há azeite.
UMA SOMBRA
E depois, para os amigos mais próximos, há a grande mesa do outro lado da casa, fotos preenchendo o aparador, amareladas pelo sol poente que ilumina a janela saliente, o rosto de Léo ainda por toda parte nas paredes da sala de estar, e os vestígios do tempo persistindo aqui e ali como sombras. E depois há o piano, o velho piano de Léo, ainda lá, num canto, num lugar de honra. Sem dúvida para que ele possa voltar e tocar algumas notas em noites de vento.
Obrigado, Léo! Muito obrigado, Mathieu, Marie-Christine e a todos os outros! Amamos vocês!
Yannis Youlountas
P.S.: Para aqueles que nunca saem da França, também adoramos o “Ni dieu ni maître ni sulfites” (Nem Deus, nem Mestre, nem Sulfitos) de Corbières. É o vinho natural não filtrado de um vinicultor punk (sim, estamos mudando de assunto!) chamado Alban Michel (que se autodenomina um “pifologista”) e cuja vinícola se chama “Les Sabots d’Hélène” (Os Cascos de Helena). Imperdível! E há outros, ligados ao movimento social (não recomendamos qualquer um), perto de Bordeaux, em Gard, ou até mesmo no Vale do Rhône… Contaremos sobre eles se vocês tiverem interesse.
PS.2: Se você tiver a oportunidade de visitar a Toscana, saiba que Mathieu e Marie-Christine alugam uma casa de campo a 10 km da residência da família. E-mail: info@sandonatino.com
Fonte: http://blogyy.net/2026/02/07/chez-les-ferre-vin-musique-anarchie-et-poesie/
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