
Por Maka Makarrita – El Topo
Houve um tempo em que a soberania tecnológica estava no centro das nossas preocupações. Penso nisso agora, escrevendo no LibreOffice, um dos poucos vestígios de software livre que ainda resistem no meu computador, e até me dá uma certa vergonha alheia. Tínhamos o N-1 como rede social, o guifi.net para nos conectar, Raspberry Pis para mexer e brincar. Tínhamos hacklabs, install parties e alternativas livres para quase tudo o que quiséssemos fazer. Em que momento perdemos o rumo e nos jogamos nos braços do Google e do Instagram?
Foi um desgaste devagarzinho. Primeiro veio a plataformização da internet e as redes sociais comerciais nos comeram o juízo. Os movimentos sociais optaram (optamos) por “estar onde está a gente” e abrimos perfis no Facebook na resistência, com ressalvas e contradições, sem ter certeza se estávamos nos apropriando da tecnologia ou se eram as empresas de tecnologia que se apropriavam de nós e dos nossos dados.
Cada vez era mais difícil convencer as pessoas a usar software livre. “É que isso só é usado por quatro gatos pingados”, “já te enviei para um Drive”, “odt, o que é isso?”. As plataformas tornaram tudo mais cômodo, mais rápido e mais fechado. Há alguns anos, um companheiro dizia que as redes e a economia da atenção tinham gentrificado a internet, assim como os gringos gentrificam os nossos bairros. E quando parecia que já tínhamos entregado definitivamente nossa alma ao Google Workspace, eis que a Europa se dignifica e começa a falar em soberania tecnológica.
O Trump deu uma ajudinha, verdade. Não por ideologia, mas por geopolítica: a Europa depende maciçamente das grandes empresas de tecnologia dos EUA para infraestruturas críticas, desde o armazenamento em nuvem até o software cotidiano das administrações públicas.
Nesse contexto, países como a Alemanha estão começando a se mexer: fundos públicos para sustentar software livre, planos de migração institucional para soluções abertas e novas estratégias para reduzir a dependência tecnológica. A própria União Europeia já fala em autonomia digital e propõe instrumentos para financiar infraestruturas abertas.
Coletivos como o Xnet vêm desenvolvendo, há anos, alternativas concretas à dependência do Google e da Microsoft em escolas e instituições públicas. Na nossa terra, têm seguido na luta iniciativas como o OpenSouthCode, reunindo anualmente desenvolvedores, ativistas e curiosos em torno da cultura livre, e também o Escritório de Software Livre da Universidade de Granada.
Talvez o software livre já não tenha a épica dos anos 2000, nem os pendrives com Ubuntu passem de mão em mão, mas ainda há gente se organizando para que a internet volte a se parecer mais com uma pracinha e menos com um shopping center.
Há futuro. E provavelmente será livre.
Fonte: https://acracia.org/el-futuro-sera-libre/
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
A flor do ipê-roxo
cai deixando saudades.
Ah, a moça da tarde…
Anibal Beça
bom texto!
posição lúcida. organização anarquista com marca registrada? pedindo ação do estado contra trabalhadores? opa, pera lá caceta!
Comunistas, Capitalistas e Anarquistas e a servidão voluntária. Mas... A hora mais escura é logo antes do amanhecer. (Provérbio árabe)
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
Enquanto isso no Brasil...