[Chile] 12ª Jornadas Libertárias em Concepción

Em julho, realizaram-se as 12ª Jornadas Libertárias, uma iniciativa que se desenvolve desde o ano de 2002. Em suas primeiras versões, foram organizadas pela Coordenadora Regional Anarquista, dando continuidade a essa experiência, posteriormente, o Grupo Anarquistas Germinal. Nesta oportunidade, o eixo temático foi “Identidade, Território e Cultura Anarquista”.

O objetivo dessas jornadas foi gerar um espaço de encontro, reflexão e construção coletiva em torno das identidades libertárias, das experiências territoriais de organização e das expressões culturais do anarquismo no Chile e na América Latina. Para isso, contamos com o espaço social Eskombr@, um lugar que há 19 anos desenvolve um importante trabalho territorial e libertário no setor de Lorenzo Arenas.

As jornadas realizaram-se nos dias 8, 15 e 22 de julho. Previamente, elaborou-se a propaganda e prepararam-se os materiais e insumos necessários para cada encontro. A metodologia consistiu em uma exposição inicial de aproximadamente vinte minutos, seguida de um espaço de conversação aberto a todes os presentes, promovendo a troca de experiências e a reflexão coletiva.

A primeira jornada abordou o tema “Como habitamos nossos territórios?”, iniciado por Tadeo, integrante do grupo Mawizako e membro do SOV Fronteira do Biobío. Sua exposição realizou um percurso histórico sobre como o capital tem transformado os territórios, usando a utilização dos mapeamentos coletivos como forma de recuperar o controle dos mesmos, incorporando também a ideia dos corpos como territórios em disputa. Posteriormente, Fito, do Grupo Germinal, facilitou uma conversa guiada por perguntas sobre os distintos conflitos ambientais presentes na região.

A segunda jornada coincidiu com um intenso temporal de chuva. Apesar de muitas pessoas terem perguntado se a atividade seria suspensa, ela foi realizada igualmente e, de maneira inesperada, a assistência aumentou. A conversa foi guiada por Carlos, que apresentou o tema “Psicanálise e psicologia: seu papel na sociedade de controle”. Tratou-se de uma exposição que, desde uma perspectiva crítica, abriu um interessante debate sobre saúde mental, subjetividade e esquizoanálise, gerando uma reflexão ampla e participativa.

A terceira e última jornada centrou-se na pergunta “O que é ser anarquista hoje?”. A conversa transitou por diversos temas, entre eles o estallido social (a explosão social), as contribuições de David Graeber e a proposta de uma antropologia anarquista, bem como as relações entre liberdade e poder. O diálogo estendeu-se por um longo tempo, demonstrando o interesse de todes os participantes em aprofundar esses debates.

Durante a jornada, também foi feita uma pausa musical a cargo de Desorden Habitacional, companheiro do SOV Fronteira do Biobío, que interpretou canções muito alinhadas com o espírito das jornadas. Esse momento foi acompanhado por sopaipillas (bolinhos de abóbora fritos) recém-fritos, preparados pelos companheirxs do Eskombr@, além de alguns biscoitos que uma companheira levou para compartilhar, fortalecendo o ambiente fraterno e comunitário do encontro.

Após a pausa musical, retomou-se a conversa, voltando à pergunta “Como estamos habitando nossos territórios?”, permitindo que os assistentes relacionassem as discussões dos três encontros com suas próprias experiências organizativas, comunitárias e cotidianas.

Em termos gerais, as jornadas foram avaliadas de forma muito positiva. Apesar das condições climáticas adversas, a participação foi crescendo em cada sessão: começou-se com cerca de 18 pessoas no primeiro encontro e finalizou-se com 25 participantes na última jornada, que demonstraram grande interesse em dialogar, compartilhar experiências e construir reflexão coletiva. Embora as atividades estivessem programadas entre as 19h e as 21h, as conversas geralmente se prolongavam até perto das 22h, refletindo o entusiasmo e o compromisso de quem compareceu.

Estas 12ª Jornadas Libertárias reafirmaram a importância de manter espaços autônomos de formação política, diálogo e construção comunitária. Da mesma forma, abrem a possibilidade de continuar ampliando as atividades de reflexão, debate e difusão das ideias anarquistas, fortalecendo o trabalho territorial e os vínculos entre aqueles que buscam construir alternativas antiautoritárias a partir da prática cotidiana.

solidaridadobrera.ch

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

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