Por Carolina – Amig@s de Mumia México
Ouviram sobre uma professora que fez chegar ao preso político Mumia Abu-Jamal cartas escritas por seus alunos, para dar-lhe ânimo depois que ele entrou em choque diabético em 30 de março passado? Souberam que a professora foi suspensa de seu trabalho por este ato solidário?
Quem é Marylin Zuniga e o que ela representa?
Marylin é professora do terceiro ano primário na escola Forest Street em Orange, Nova Jersey (EUA), com uma população majoritariamente negra e hispânica.
Em fevereiro passado, ela deu a seus alunos a tarefa de considerar a ideia central da seguinte nota jornalística de Mumia Abu-Jamal: “Enquanto se silencia uma só pessoa justa, não há justiça”.
No princípio de abril, a professora informou a seus alunos da grave crise de saúde que Mumia padece e alguns deles disseram que gostariam de escrever-lhe cartas para desejar uma pronta recuperação.
E o fizeram.
Marylin Zuniga entregou as cartas à professora e ativista Johanna Fernández, que as compartilhou com Mumia durante uma visita em 6 de abril.
A Ordem Fraternal de Polícia, especialista nas táticas de intimidação contra qualquer pessoa ou grupo que simpatize com Mumia, não perdeu tempo em desprestigiar a professora nos noticiários da Fox News e outros meios por haver impulsionado a comunicação entre “um grupo de inocentes” e “um vil assassino de policiais”.
Em 10 de abril, o Superintendente do Conselho de Educação de Orange, Nova Jersey, suspendeu a professora, dizendo que a “atividade não autorizada” do envio de cartas não reflete as atividades ou programas aprovados pelo Conselho.
Ao que parece, o Conselho chegou a uma audiência realizada na noite de 14 de abril, com a intenção de ratificar a suspensão e demitir Marylin Zuniga. De sua parte, a professora chegou com a intenção de demitir-se para proteger sua licença profissional, de acordo com os conselhos que havia recebido dos advogados de seu sindicato.
Mas também chegaram à audiência mais de cem ruidosos integrantes da Organização Popular para o Progresso (POP em sua sigla em inglês), acompanhados por vários integrantes de “Educadores por Mumia” e outros coletivos.
O coordenador da POP Larry Hamm disse que estavam ali para oferecer seu apoio a Marylin Zuniga e opor-se ao término de seu contrato. Pediu que o Conselho ordenasse sua reincorporação ao trabalho para permitir-lhe transmitir aos meninos e meninas “a compaixão que precisam aprender”.
Vários professores, pais de família e pessoas da comunidade de Orange fizeram uso do microfone para destacar seu apreço para com a professora e também para com Mumia Abu-Jamal. Deixaram claro que não estavam dispostos a permitir que a polícia defina a educação de seus filhos.
Enquanto o clamor pela reincorporação da professora se fez mais estridente, a presidente do Conselho anunciou que a audiência terminaria às 9h30 embora faltasse a participação de muitas pessoas presentes e da própria professora Marylin. “Deixem que ela fale!”, gritaram.
Ao sentir o apoio da comunidade, Marylin Zuniga leu uma versão modificada de sua declaração. Destacou, sobretudo, seu amor pelos alunos, suas famílias e a comunidade de Orange e seu desejo de continuar como professora na escola primária Forest Street. “A última coisa que quero”, insistiu, “é pôr em risco meus alunos”. Ela também falou de sua própria infância e da marginalização que sentiu como imigrante peruana-americana de primeira geração. Em seu último ano do bacharelado, tomou a decisão de ser professora e logo se formou com louvor pela Universidade Montclair e obteve sua licenciatura pela Universidade Colombia.
Disse: “Amei a seus filhos e filhas desde o momento que entraram em minha aula. Me dou conta de que meu papel como educadora não se limita à sala de aula e isto inspira meu ativismo em nossa comunidade. Desde que iniciei meu trabalho como professora em setembro passado, tive o privilégio de trabalhar em vários projetos que oferecem grandes possibilidades aos meninos e meninas de nossa comunidade. Por exemplo, ajudei a fundar o projeto Cimarrón, baseado em Newark. Também coordeno o primeiro e único programa em Newark que oferece Livros e Café da Manhã grátis…”.
Disse a professora que estava orgulhosa das cartas que seus alunos escreveram para Mumia, mas sente que cometeu um erro em compartilhar as cartas nas redes sociais, por isso pediu desculpa a seus alunos, aos pais de família e a comunidade. Também disse que ainda que não considera que o incidente justifique seu fim, está disposta a apresentar sua renúncia se o Conselho decidir despedi-la.
As pessoas da comunidade não estavam de acordo com sua desculpa ou com a apresentação de sua renúncia. Gritaram: “Deixem que ela ensine!”.
Depois de terminar a audiência, o Conselho voltou a se reunir em sessão fechada, onde decidiu manter a suspensão com pagamento até tomar uma decisão final em maio.
Enquanto isso, a polícia organizada intensifica sua pressão para que se castigue esta demonstração de apoio a Mumia Abu-Jamal. Mas parece que não será tão fácil desfazer-se de Marylin Zuniga, que tem o respaldo de sua comunidade organizada e também atrai cada vez mais apoio nacional entre educadores, estudantes e ativistas envolvidos no novo movimento contra o terror policial nos Estados Unidos.
Como disse uma senhora da comunidade de Orange, “Aqui queremos uma boa educação para nossos filhos e filhas, e para conseguir isto, não nos fazem falta policiais que abusam da gente. Não. Fazem falta mais professoras como nossa Marylin Zuniga”.
Vídeo da declaração de Marylin Zuniga:
https://www.youtube.com/embed/ysVtGkgzEgU
Tradução > Sol de Abril
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Sérgio Francisco Pichorim

Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!