[Grécia] Greve de fome até à morte pela defesa da vida

Carta à sociedade, à minha família, aos meus amigos

Meu nome é Suzon Doppagne. Sou residente e membro da Comunidade Ocupada de Prosfygika, e hoje, 1º de maio, começo uma greve de fome até a morte, em defesa da vida.

Decidi ficar ao lado do meu camarada Aristotelis Chantzis, que hoje completa 86 dias em greve de fome.

Escolhi este dia de luta em homenagem aos mártires de Chicago em 1886 e aos 200 lutadores de Kaisariani.

O Estado grego e todas as suas instituições não responderam às nossas exigências. Eles escolheram o silêncio e deixaram Aristotelis Chatzis seguir o caminho da morte. A partir de agora, também serão responsáveis pela minha própria morte. Hoje, após 86 dias de greve de fome, ninguém pode alegar que não sabia.

A Comunidade Ocupada de Prosfygika é um exemplo vivo de que outra forma de vida é possível — em ruptura com o sistema capitalista e patriarcal dominante. Em tempos de crise global e de uma guerra mundial, a única maneira de nossas sociedades sobreviverem e criarem um paradigma diferente é através da construção do mundo da Comunidade, da auto-organização e da solidariedade. É por isso que Prosfygika está sob ataque.

Ao longo de todos esses anos, a Comunidade tem dado respostas tanto às necessidades sociais das pessoas quanto à repressão que enfrentou. Dessa forma, nossa força coletiva e nossos laços foram construídos.

Compartilho nossas palavras como estrutura feminina de Prosfygika, com a responsabilidade e o compromisso que tenho como membro dela:

“Essa camaradagem que está sendo construída, molda todo um sistema de valores e atitudes, expressos em tudo, desde como você fala com seu vizinho até como você se posiciona na rua, recusando deixar alguém para trás. Em essência, esses laços são nossa força coletiva — a ferramenta de nossa autodefesa”.

Prossigo com esta greve de fome até à morte com base na nossa decisão coletiva como Comunidade de levar esta luta até ao fim. Com respeito pela vida, e em defesa da Comunidade, de suas estruturas, de seu povo, de suas relações, da justiça e de nossa proposta social mais ampla.

Minha ingestão inclui:

Água, chá, 10–25 gramas de açúcar diariamente, 1,5 colheres de chá de sal diariamente, vitaminas B1, B6, B12, magnésio e potássio.

As exigências desta greve de fome são:

• CANCELAMENTO IMEDIATO DO CONTRATO PELA REGIÃO DA ATTICA
• TODOS OS RESIDENTES DE PROSFYGIKA DEVEM PERMANECER EM SUAS CASAS, NO LOCAL E ÁREA ONDE VIVEM E FORMARAM LAÇOS SOCIAIS, CULTURAIS E ORGÂNICOS
• GARANTIAS CONCRETAS PARA A RESTAURAÇÃO DE PROSFYGIKA PELA ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS “RESIDENTES E AMIGOS DOS PROSFYGIKA DA AVENIDA ALEXANDRAS N.P.C.C.” COM SEU PRÓPRIO FINANCIAMENTO! – NENHUM EURO DE DINHEIRO PÚBLICO PARA A “REDEVELOPMENTAÇÃO” DOS PROSFYGIKA!

Suzon Doppagne

Membro e residente da Comunidade Ocupada de Prosfygika, Avenida Alexandras

01/05/2026
 
Mail: prosfygika-hungerstrike@systemli.org
Instagram: @prosfygika_hungerstrike
Facebook: Prosfygika Hungerstrike
 
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