[Espanha] Guia Didática do 90º Aniversário da Revolução Libertária (1936-2026)

APRESENTAÇÃO
 
Companheiras, companheiros, este guia da exposição comemorativa da Revolução Libertária desenvolvida pelo povo espanhol, por seus trabalhadores e trabalhadoras a partir de 19 de julho de 1936, foi publicado no ano de 2008. Agora o reeditaram em 2026, celebrando 90 anos dos acontecimentos, diante de um povo em armas contra o golpe militar fascista e o início dos projetos transformadores da Revolução Social de 1936.
 
Dentro da pluralidade do Movimento Libertário, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), organização sindical libertária herdeira do Ideário Ácrata, continua trabalhando pela recuperação da memória histórica e uma amostra disso é a exposição da Revolução Libertária, 90º aniversário.
 
O Guia pretende ajudar a ampliar conhecimentos históricos do passado, e sua aplicação ao presente, para construir um futuro de Liberdade e foi pensado como ferramenta de trabalho para explicar conceitos e iniciar investigações, para facilitar o trabalho educativo tanto do professorado como dos formadores e formadoras. É um recurso que oferece ideias, sugestões, atividades e propostas metodológicas que permitem compreender e adentrar a transcendência, complexidade e grandeza que significou para a humanidade o trabalho, criativo e construtivo, da Revolução Social Libertária levada a cabo por mulheres e homens honestos e livres durante os anos de 1936 a 1939.
 
Nessa época se tornaram realidade alguns dos sonhos e ilusões que a classe trabalhadora vinha preparando há mais de um século. Foram muitas as experiências prévias, muita a formação que os homens e mulheres operárias, camponesas e jornaleiras foram adquirindo nos ateneus, nos sindicatos, nas escolas. A posterior ditadura e a passagem do tempo apagaram parte dessas tarefas coletivas, anônimas; por isso, as trazemos à luz clara do século XXI.
 
Para a CGT-ML, é importante que a nossa juventude conheça a realidade do que significou e representou esse trabalho coletivo que se desdobrou durante a Revolução Libertária. Em 2008, o SG da CGT foi Jacinto Ceacero Cubillo; hoje é Miguel Fadrique Sanz. Com esta edição, incentivamos a sociedade e a juventude a adquirir e desenvolver seu próprio pensamento crítico.
 
A Liberdade, individual e coletiva, e a Justiça Social são possíveis e alcançáveis; já conheceis o lema: O bem mais precioso é a liberdade, é preciso defendê-la com fé e valor.
 
COMISSÃO MEMÓRIA LIBERTÁRIA CGT
 
1936: DIANTE DO GOLPE MILITAR FRANQUISTA, UM POVO EM ARMAS.
2026: 90 ANOS DA REVOLUÇÃO SOCIAL
 
Companheiras e companheiros
 
No próximo mês de julho de 2026 completam-se 90 anos do golpe militar do fascismo franquista contra as liberdades, coletivas e individuais, que o povo operário do nosso país ansiava há séculos, juntamente com a transformação social que, timidamente, se iniciava com a Segunda República a partir de 1931. Pequenos avanços e reformas sociais haviam começado. O Movimento Libertário, através da CNT e da FAI, majoritariamente aglutinava a classe operária, junto com a UGT, sem esquecer o papel relevante das Mulheres Livres.
 
Havia tanto a mudar, na cultura popular, na saúde pública, nos direitos trabalhistas, na reforma agrária, na igualdade social. Havia tanta necessidade na maioria proletária que se fundiram, em certos territórios, dois conceitos semelhantes e complementares: ganhar a guerra contra o golpismo fascista e realizar a Revolução Social. Ideia e lema coletivo do Movimento Libertário: Guerra e Revolução de mãos dadas. Povo a povo, comarca a comarca, suas gentes passaram de espectadores a atores diretos. E geraram-se projetos e ideários que surgiam desde a base, sem necessidade de líderes governantes. A chama igualitária foi se estendendo, até surgir um experimento social único e inovador: chegava a posta em prática de teorias de anos atrás, do Ideário ácrata de um tempo presente e real.
 
Coletividades no âmbito econômico e coletivizações do setor produtivo tornaram-se realidade. Criar uma Nova Sociedade, lutar por uma Nova Humanidade, era possível. Nem exploradores nem explorados. Nenhum governo nem autoridade a que acatar, foi um fato. Nenhuma religião imposta, repressora, tinha sentido algum e a igualdade de gênero foi consequentemente aplicada. Também o partidarismo político deveria desaparecer, para evitar os choques e favorecimentos. Havia tanto a mudar, e tantas resistências à mudança, e tantos inimigos da mudança, que a luta era múltipla e em muitas frentes, era 1936.
 
Não houve tempo de aprender com os erros; já não era só o conflito na Espanha, era a Europa ameaçada pelo fascismo, eram umas democracias que temiam mais a nossa Revolução do que aos golpistas, era uma luta de poder interna, entre o antifascismo, que acabou com aquele sonho do curto verão da Anarquia. Não houve mais tempo de experimentar. Talvez, algum dia, uma nova geração realize aqueles grandes princípios igualitários, num mundo em que o sol e a chuva sejam iguais para todos. Saúde.
 
Joan Pinyana Mormeneo
Coordenador de Memória Libertária CGT
 
>> Para baixar o PDF do Guia, clique aqui:
 
https://memorialibertaria.org/wp-content/uploads/2026/05/Guia-revolucion-libertaria_2026.pdf   
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/espanha-90-anos-da-revolucao-social/  
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Um dia de outono –
Caminhando entre as lembranças
Do outono passado.
 
Edson Kenji Iura

Leave a Reply