[Grécia] Sobre o julgamento do recurso por uma ação de solidariedade durante a greve de fome de G. Michailidis

Os verões de 2022 e 2023 foram marcados por duas grandes lutas travadas de dentro da prisão por nosso companheiro anarquista Yannis Michailidis. Tendo como principal reivindicação sua libertação, que o Estado negou de forma vingativa apesar dos anos que ele já havia cumprido, G.M. intensificou seu protesto por meio de uma greve de fome, alcançando uma condição de saúde crítica em ambas as ocasiões. No 30º dia de sua segunda greve de fome, decidiu elevar ainda mais o nível de sua luta iniciando também uma greve de sede, o que acabou resultando na vitória de sua mobilização e em sua posterior libertação.

Nessa batalha, o movimento anarquista apoiou a luta do grevista convocando assembleias centrais várias vezes por semana, escrevendo textos e organizando ações em escala nacional. Em Atenas, o movimento de solidariedade, reunindo diferentes correntes de luta, fez tudo o que estava ao seu alcance para demonstrar apoio à luta de nosso companheiro. Foi nesse contexto que a “Assembleia de Solidariedade ao Grevista de Fome Anarquista Yiannis Michailidis” procurou trazer a questão para o centro do debate público, conscientizar a sociedade, destacar a postura vingativa do Estado em relação aos presos políticos e pressionar as autoridades para impedir o assassinato do companheiro.

Uma das intervenções da assembleia, realizada em 13 de junho de 2023, teve como objetivo destacar a responsabilidade das autoridades judiciais que tinham a vida do grevista em suas mãos. Especificamente, os juízes da cidade de Amfissa, que, em consonância com a estratégia estatal, vinham adiando por meses os procedimentos para sua libertação sem sequer analisar seu pedido. Com a saúde do grevista em estado crítico e já tendo iniciado a greve de sede, cinco companheiros da assembleia foram até Amfissa, onde realizamos uma ação denunciando o assassinato estatal e judicial de nosso companheiro, utilizando tinta spray nos muros do fórum local e distribuindo panfletos.

Após o término da intervenção, quando estávamos deixando o local, fomos presos pela polícia local. Algumas horas depois, fomos levados ao tribunal de Amfissa, onde comparecemos diante de uma promotora, explicando os motivos de nossa ação. Ela zombou do grevista de fome G. Michailidis e nos “preparou” para a condenação que viria. Na audiência que se seguiu, enfatizamos o estado crítico de saúde de nosso companheiro, a gravidade histórica que representaria sua possível morte e a responsabilidade assumida pelo Estado e, em particular, pelos juízes de Amfissa. Defendemos o grevista de fome e sua luta, conduzida por meio do uso do próprio corpo e da própria saúde para exigir sua libertação. Por fim, destacamos a importância da solidariedade aos presos políticos e nossa oposição geral à instituição prisional. Sem qualquer representação jurídica, fomos condenados por dano qualificado ao patrimônio e por desobediência, devido à recusa em fornecer impressões digitais.

Fomos sentenciados a 30 meses de prisão com suspensão da pena e a uma multa de € 3.600 para cada um. Tanto a severidade das penas quanto o alto valor da multa evidenciam o tratamento vingativo que recebemos por parte do tribunal.

Consideramos a solidariedade às lutas dos prisioneiros como parte integrante de nossas próprias lutas contra o Estado e a autoridade. Defenderemos nossas ideias e princípios no tribunal de apelação, que ocorrerá em 29 de setembro de 2026, em Lamia, buscando reduzir ao máximo o caráter claramente vingativo das sentenças de primeira instância.

Julgamento do recurso: Tribunal de Apelação de Lamia, 29 de setembro de 2026

NINGUÉM SOZINHO NAS MÃOS DO ESTADO

LUTA ATÉ QUE A ÚLTIMA PRISÃO SEJA DEMOLIDA

POR UM MUNDO DE LIBERDADE, IGUALDADE E SOLIDARIEDADE

Os presos pela intervenção de 13/06/2023 no tribunal de Amfissa.

>> Apoie aquihttps://www.firefund.net/amfissaintervention

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

o jornaleiro espantado
que eu queira comprar
o jornal de ontem

André Duhaime

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