
YOGYAKARTA, Indonésia – O principal festival de arte contemporânea da Indonésia, o ARTJOG 2026, foi inaugurado em 19 de junho no Museu Nacional de Jogja, em meio a uma onda de protestos em todo o país contra o regime ditatorial de Prabowo Subianto. A controvérsia gira em torno do patrocínio do festival pela Fundação Didit Hediprasetyo (DHF), organização fundada por Didit Hediprasetyo — filho único do presidente indonésio Prabowo Subianto.
Artistas, coletivos e movimentos anarquistas em Yogyakarta apontaram que o festival estaria envolvido em “artwashing” — prática que os críticos descrevem como o uso da arte e da cultura para polir a imagem pública de entidades controversas. Alguns foram além, alegando que o patrocínio representa uma cooptação política das artes. A reação negativa levou à desistência de vários parceiros, à remoção do nome da DHF dos materiais oficiais e ao cancelamento, por parte de Didit, de sua participação programada como palestrante de abertura do evento.
O ARTJOG é o maior festival anual de arte contemporânea da Indonésia, realizado em Yogyakarta — cidade amplamente considerada o coração artístico e cultural do país. A edição deste ano, com o tema “Ars Longa Generatio”, vai até 30 de agosto e apresenta 96 artistas sob a direção curatorial de Farah Wardani. A exposição inclui obras de 25 artistas convidados, 19 jovens artistas selecionados por meio de uma chamada aberta e 52 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos, por meio do programa ARTJOG Kids. O festival também apresenta exposições colaborativas de galerias regionais e internacionais.
O conceito curatorial da edição deste ano do ARTJOG baseia-se na obra do falecido antropólogo David Graeber (1961–2020), um pensador anarquista cujas críticas ao poder, à dívida e à burocracia remodelaram a teoria social contemporânea. O ARTJOG incorporou o texto “Another Art World” (Outro Mundo da Arte), de Graeber, ao seu conceito curatorial.
Por outro lado, o ARTJOG 2026 foi patrocinado por Didit Hediprasetyo, filho único do presidente Prabowo Subianto. Além disso, Didit Hediprasetyo tornou-se pessoalmente consultor da empresa proprietária do festival: a PT. Artjog Matra Nusantara.
O protesto eclodiu nos dias que antecederam a abertura do festival. Um pôster digital anunciando Didit Hediprasetyo como orador de abertura circulou nas redes sociais, mas desapareceu após intensa reação pública. O pôster foi substituído por outro indicando GKR Bendara, chefe do Departamento de Cultura e Patrimônio do Palácio de Yogyakarta, como a pessoa encarregada de abrir o evento.
Na noite de abertura, as tensões se intensificaram quando nossos colegas artistas jogaram tinta vermelha sobre uma obra de arte encomendada e espalharam flores de uma maneira que lembrava um ritual fúnebre. O pessoal de segurança e uma agência de segurança privada detiveram nossos amigos, com relatos de violência física contra eles. O diretor de programação do ARTJOG, Gading Paksi, pediu desculpas posteriormente pelas detenções e confrontos físicos, afirmando que eles violaram os regulamentos internos do festival.
O diretor do ARTJOG, Heri Pemad, reconheceu que a fundação era uma das várias patrocinadoras e sustentou que sua posição era equivalente à de outros apoiadores. No entanto, os organizadores do festival acabaram removendo o nome da Fundação Didit Hediprasetyo tanto do site oficial quanto dos cenários do evento.
Até o final de junho, o ARTJOG não havia emitido nenhum comunicado à imprensa sobre a violência cometida contra nosso colega artista em relação à ação direta na noite de abertura do ARTJOG, nem divulgado uma declaração oficial sobre o envolvimento de Didit Hediprasetyo — seja como patrocinador ou como consultor da empresa organizadora. A ação direta que realizamos representa nosso protesto contra a apropriação das ideias do antropólogo anarquista David Graeber, bem como contra a industrialização capitalista e extrativista da arte.
Escrito pelo Forum Kuratorial Anarkis (Fórum Curatorial Anarquista), com sede em várias cidades da Indonésia.
Tradução > Reno Moedor
agência de notícias anarquistas-ana
tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis
Rosa Clement
Viva a revolução espanhola e viva a anarquia!
bom texto!
posição lúcida. organização anarquista com marca registrada? pedindo ação do estado contra trabalhadores? opa, pera lá caceta!
Comunistas, Capitalistas e Anarquistas e a servidão voluntária. Mas... A hora mais escura é logo antes do amanhecer. (Provérbio árabe)
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.