[França] “Será um riso que vos sepultará”

O protagonista desta célebre fotografia, provavelmente tirada durante as greves de 1907 em Raon-l’Étape, é Jules Sellenet, mais conhecido como Francis Boudoux. A imagem logo foi transformada em um cartão-postal que primeiro percorreu toda a França e depois se tornou um símbolo do desafio ao poder, frequentemente acompanhado pela inscrição “será um riso que vos sepultará”.

Jules Sellenet nasceu em Saint-Étienne em 18 de julho de 1881. Operário e carpinteiro, desde jovem aproximou-se do anarquismo e do sindicalismo revolucionário. Convocado para o serviço militar, em 1904 desertou do exército e assumiu o nome de um companheiro, o latoeiro parisiense Francis Boudoux. E foi com essa alcunha que, a partir de então, tornou-se conhecido no movimento operário francês. Sua deserção e sua atividade política lhe renderam inúmeras prisões e processos judiciais. Transferindo-se para o leste da França, tornou-se secretário da Union des syndicats de Longwy e participou das agitações operárias de 1905. Dois anos depois, teve papel de destaque na greve de Raon-l’Étape. Na ocasião, durante uma manifestação pacífica, as forças de segurança abriram fogo, matando dois operários. Boudoux discursou no funeral e foi preso por um confronto com um fura-greve, sendo condenado a 6 meses. Sobreviveu à Grande Guerra, onde salvou a vida de um homem, e em 1923 aderiu à Union anarchiste.

Em 1926, participou da construção de uma nova organização sindical: a Confédération générale du travail-Syndicaliste révolutionnaire (CGT-SR), à qual aderiu assumindo um papel no setor da construção civil. Em 1936, com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, foi para a Espanha e juntou-se à Coluna Durruti para lutar contra o fascismo. Dado erroneamente como morto, retornou posteriormente à França, onde continuou sua atividade no movimento sindicalista revolucionário.

Faleceu em Argenteuil em 17 de março de 1941.

Seu rosto sorridente, naquela célebre fotografia, permanece uma síntese perfeita de sua figura: um militante que atravessou quarenta anos de lutas sem renunciar à sua própria ideia de liberdade.

Crônicas Rebeldes

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

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Carlos Seabra

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