Motivos da baixa sindicalização

O movimento sindical brasileiro está sob um desmonte enorme, por conta de sua estrutura corporativizada de molde fascista, uma herança do governo Getúlio Vargas que é excludente e desmobilizadora por si só, mas não é o bastante, há mais!

Houve uma enorme redução da filiação das pessoas trabalhadoras aos sindicatos, mesmo sendo aqui no Brasil um processo impositivo. Em 1975, a sindicalização era de 33%, quando que em 2018, diminuiu para 16% (fonte estudos da OCDE). Passados 6 anos, é visível o maior agravamento desse processo.

Elementos possíveis para essa diminuição sindical: a globalização, mudanças demográficas na força de trabalho, desindustrialização, encolhimento do setor manufatureiro, queda do emprego no setor público, disseminação de forma flexíveis de contratos e mudanças normativas e institucionais.

Uma restrição a ampliação da capacidade produtiva instalada e a geração de empregos de qualidade, movimentos que atuam para enfraquecer a capacidade de organização e de negociação das pessoas trabalhadoras sobreviventes à globalização, onde há uma enorme pressão competitiva entre empresas e gera dependência de investimentos externos estrangeiros para se sustentarem economicamente. De forma direta, a pressão dos grupos de investimentos globais ditam lucratividade e a lógica local entende redução ainda maior de custos, principalmente de quadro de pessoal, enfraquecendo ainda mais as pessoas trabalhadoras e suas organizações.

Com a globalização temos aumento da imigração que afeta negativamente o crescimento sindical porque as pessoas trabalhadoras estrangeiras se sentem muito vulneráveis se estabelecerem qualquer relação sindical, com medo do desemprego, da denúncia e da perseguição. Ironicamente é o contrário, sua não sindicalização corresponde a sua maior precarização como mão de obra não organizada.

As recentes mudanças na estrutura econômica influenciada pela globalização promoveu o encolhimento dos setores industrial e manufatureiro onde havia grande sindicalização. Em contrapartida houve o enorme crescimento do setor de serviços onde os empregos precários e a menor sindicalização imperam. Isso fica ainda mais evidente diante do fechamento ou encolhimento do tamanho de grandes fábricas. A terceirização é mais um fenômeno da globalização que reorganiza o sistema produtivo e gera exclusão da participação, representação e proteção sindical.

Desde o fim da ditadura, em 1985, o processo de liberalização da economia brasileira nunca parou, em ondas sucessivas de privatizações e concessões de estruturas organizacionais e de serviços, levando a redução do emprego público no qual a estabilidade e o vínculo de longa duração contribuem para uma maior sindicalização, o que contribui para a queda das sindicalizações.

Sequências de processos de dissídios coletivos desvantajosos para as pessoas trabalhadoras, realizados por diretorias sindicais ineptas ou de má-índole, tem afastado e “ensinado” de forma negativa gerações de pessoas trabalhadoras que em sua vida laboral, tenderá a evitar a sindicalização, porque vê o sindicalismo “atrasado” e “corrupto”, que não mais garante direitos básicos de cada ramo de profissão. Isso leva ao enfraquecimento da própria estrutura sindical que tem por base a união das pessoas trabalhadoras, quando mais, mais forte é a união sindical. É durante a vida laboral, dia após dia, que as pessoas trabalhadoras experimentam, descobrem e aprendem qual é o papel do sindicato. Simples assim.

O intencional afastamento e desqualificação da atuação coletiva gera efeito “bola de neve” no qual a diminuição da força da voz coletiva dos trabalhadores aumenta a desproteção, precariza e gera insegurança, o que acaba afastando ainda mais as pessoas trabalhadoras dos sindicatos, o que reduz ainda mais a capacidade de representação coletiva. Embora isso não seja importante para muitas pessoas sindicalistas, uma vez que um é sindicato legalizado, ele é o representante legal e isso não mudará com adesão ou sem adesão das pessoas trabalhadoras. Nesse ponto, é possível, depois das reformas trabalhistas de 2017,  que um grupo de pessoas trabalhadoras possam se representar, não mais sendo tarefa única e exclusiva do sindicato, porém é uma situação onde o risco de perseguição dessas pessoas trabalhadoras é grande, tanto pela patronal como do sindicato que se sente ameaçado.

O avanço das mudanças nas formas de contratação, as formas atípicas de emprego como o meio período, o prazo determinado, o emprego temporário e de curta duração, os contratos mediados por agências de mão de obra, ou por plataformas e aplicativos, entre outros, que é essa onda de precarização do século XXI, também contribui para a queda da sindicalização.

Rotatividade, informalidade, menor permanência média nos empregos, resultam em menor sociabilidade nos locais de trabalho, o que limita ainda mais as oportunidades de vínculo sindical. É perceptível que as pessoas trabalhadoras contratadas fora do padrão de contrato de prazo indeterminado têm menor sindicalização.

Ameaça e medo são vetores que atuam para a baixa sindicalização. Essa já é clássica desde a Revolução Industrial, mantendo a promoção e pressão de práticas antissindicais, através de discursos motivacionais anti-sindicalização e organização das pessoas trabalhadoras e ameaças de fechamento e demissão contra aquelas que ousam se organizar ou sindicalizar.

O uso de métodos de gestão orientado para medir desempenho individual, a remuneração baseada em incentivos individuais, a desvalorização da negociação coletiva e incentivo às tratativas individuais contribuem para o afastamento das pessoas trabalhadoras dos sindicatos e dos acordos coletivos.

Há também as deficiências nas estratégias sindicais para expandir a base nos setores que ampliam a participação na economia ou para enfrentar os novos métodos de gestão das empresas. Muitas vezes, a competição intersindical e a fragmentação da base de representação são causas que potencializam a sindicalização.

Reformas nas legislações (como a reforma trabalhista de 2017) têm desvalorizado a negociação coletiva, privilegiando a negociação por empresa ou individual em detrimento à contratação setorial. Outras reformas intencionalmente dificultam o trabalho de sindicalização.

Mudanças institucionais que retiram dos sindicatos seu papel na promoção de políticas públicas como na Previdência Social, saúde e segurança, políticas de proteção das pessoas empregadas também motivam movimentos de distanciamento das pessoas trabalhadoras dos sindicatos. Métodos de gestão empresarial de maior participação de um lado e, de outro, políticas públicas mais protetivas e universais (garantia de emprego, salário mínimo, benefícios coletivos e públicos) podem “retirar” atribuições dos sindicatos o que pode contribuir para maior distanciamento dos sindicatos no contato cotidiano com as pessoas trabalhadoras.

Fazer avaliações e entender os motivos que nossa gente trabalhadora tem se tornado, em pleno século XXI, cada vez mais explorada e oprimida em uma constante do aumento exponencial das riquezas mundiais é parte da busca em romper e sair desse processo cíclico de miséria a qual nossa gente é submetida.

A luta das pessoas trabalhadoras como a narrativa temporal nos mostra, é obra exclusiva de sua própria força e energia, e a revitalização dos sindicatos como meios de luta e não meio de vida, é algo que temos que trabalhar.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

Pré-venda do livro “Estado, Piotr Kropotkin”

Enfim o novo livro da coleção Kropotkin, um projeto realizado pela Biblioteca Terra Livre com a Intermezzo editorial, foi para a gráfica!

Estado é um livro que compila conferências, artigos de jornal e brochuras escritas pelo autor para pensar o nascimento e desenvolvimento do Estado Moderno. Para esta edição inédita contamos com o prefácio de Ruth Kinna, uma das principais pesquisadoras da obra de Kropotkin da atualidade.

O livro tem previsão de entrega até o dia 8 de novembro. Para auxiliar os custos de impressão, estamos iniciando hoje a campanha de pré venda com um valor promocional!

São 3 promoções imperdíveis! O livro + marcador, ou o livro + Apoio mútuo e dois marcadores exclusivos, ou os 3 livros da coleção Kropotkin. Tudo no precinho!

Por que tão barato? Porque queremos que as ideias cheguem mais longe e que o livro possa ser um presente para quem quiser disseminar outros mundos e horizontes possíveis!

Não deixe de divulgar essa pré-venda!

Os links para compra são:

Pré-venda Estado: https://livrariaterralivre.lojavirtuolpro.com/pre-venda…/p

Pré-venda Estado + Apoio Mútuo:

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Pré-venda Estado + Coleção Kropotkin: https://livrariaterralivre.lojavirtuolpro.com/pre-venda…/p

Os preços promocionais vão até dia 24 de novembro dia da Feira Anarquista de São Paulo.

Viva Kropotkin!

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Ventos nos umbrais
janelas antigas,
modernos varais.

Sandra Maria de Sousa Pereira

Feira Anarquista no Rio de Janeiro acontece neste sábado

Estamos na contagem regressiva. Será neste sábado, dia 26 de outubro, das 11h às 20h, no Centro de Cultura Social, localizado na rua Torres Homem, 790, no bairro de Vila Isabel.

Crianças são mais do que bem-vindas!

Nenhuma forma de discriminação será tolerada. Saiba chegar e sair. Caso tenha algum problema durante a feira, comunique a organização.

Anarquismo não é bagunça.

Nos vemos na feira!

Organização: Edições Tormenta e Coletivo de Ação Revolucionária Anarquista (CARA)

Apoio: Instituto de Estudos Libertários (IEL) e Federação Anarquista Domingos Passos (FAD)

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sobre os vidros
traços de nariz e dedos
olham ainda a chuva

André Duhaime

[Portugal] Violência policial, terrorismo estatal

Na madrugada de segunda-feira, dia 22 de outubro, a polícia assassinou Odair Moniz, morador do bairro do Zambujal. As forças terroristas do Estado-nação, o braço armado da burguesia, mataram mais uma pessoa pobre e racializada, na longa lista de assassinatos cometidos nos bairros sociais, marginalizados e maioritariamente racializados, do país. Por ser suspeito de tentar furtar o próprio carro e resistir à detenção policial com alegado recurso a uma arma branca, algo que até uma comissária da PSP colocou em causa, Odair Moniz foi executado pelo Estado, através do seu órgão supremacista branco e totalitário de repressão das classes oprimidas: a polícia.

Na mesma semana em que o primeiro ministro do governo da Aliança Democrática apresenta no congresso do seu partido um discurso altamente conservador e uma retórica com contornos fascizantes, mais uma pessoa racializada morre nas mãos da polícia. Na mesma semana em que o primeiro ministro defende o reforço da presença da polícia nas ruas, a polícia volta a matar. O mesmo primeiro ministro que imitou o discurso da extrema direita fascista e racista, atacando o ensino da cidadania nas escolas e defendendo o controle da imigração, pretende agora dar cada vez mais força à polícia que aterroriza diariamente as populações pobres e racializadas nos seus bairros.

Esta é a realidade social com que nos deparamos: Portugal enquanto Estado-nação racista, neocolonial e, como todos os Estados, assassino. A polícia, assim como o Estado de que faz parte, é inseparável do seu legado colonial. Odair Moniz, tragicamente, é mais um nome da lista de pessoas racializadas mortas em Portugal pelo sistema supremacista branco e capitalista que nos domina. O homicida nem sempre surge com a farda policial. Por vezes, surge, sem farda, pelo auto denominado “cidadão de bem”, porém o sistema de dominação sociocultural, político e económico por detrás do homicídio é sempre o mesmo: o Estado-nação capitalista neocolonial.

Consequentemente, a solução não passa por apelos vagos e vazios por justiça ao Estado. Não é à própria instituição estruturalmente racista que oprime, domina, explora e, como vimos novamente, mata o proletariado e as massas racializadas, que devemos implorar por salvação. Ninguém nos vai salvar. Só nós podemos salvar-nos.

Por cada pessoa assassinada, temos de nos levantar em revolta. Por todos os oprimidos que são quotidianamente torturados, alienados e lentamente mortos pelo sistema racista, capitalista e estatal, temos de organizar as nossas próprias forças em autogestão para combater esta dominação e construir um mundo novo.

Enquanto escrevemos isto, jovens do bairro da Azambuja, de bairros vizinhos e várias zonas da Grande Lisboa levantam-se em revolta e solidariedade contra a violência e repressão policial na sua comunidade. Os mídia burgueses e líderes políticos reacionários da extrema direita choram o trágico sofrimento dos carros e caixotes do lixo em chamas, tal como na Comuna de Paris choravam pela salvação do concreto e do cimento. A destruição da vida humana é relegada para segundo plano perante a destruição da sagrada propriedade privada. A desumanização do proletariado pobre e racializado da periferia urbana exemplificada perfeitamente dentro da lógica alienante e objetificadora do capitalismo, que vê valor não em seres humanos, mas no capital que pode ser explorado.

É importante que este momento de revolta não se desvaneça simplesmente no tempo – que não seja apenas uma breve insurreição esmagada pelo Estado e vilificada pelos mídia. A violência do oprimido é sempre resultado da violência do opressor. É o segundo que dá origem ao primeiro. As comunidades marginalizadas da periferia capitalista moderna habitam um espaço temporal e geográfico que não é descolonizado. Aqui, a realidade é a miséria, a exploração, a falta de acesso ao livre desenvolvimento individual e coletivo. Na periferia, a polícia representa claramente o legado colonialista e imperialista do Estado-Nação português, onde pode, impunentemente, matar, prender, agredir. A violência perpetuada na África durante séculos vê a sua continuação na violência exercida pelos terroristas do Estado nos bairros. A polícia torna-se, também desta forma, no objeto de militarização da sociedade, do controle totalitário e anti-democrático das nossas vidas.

André Ventura também já saiu em defesa do traste que assassinou Odair, pedindo inclusivamente que este fosse condecorado. Ora, se de um lado a direita conservadora, representada no PSD e CDS, anuncia o reforço do poder policial nas nossas ruas, do outro o líder do partido fascista, que marcha com neo nazis, incentiva publicamente o assassinato dos mais marginalizados da nossa sociedade. É a política da morte, que vê certas populações não apenas como capital a ser explorado, mas como coisas descartáveis que devem ser eliminadas periodicamente pelo bem estar da segurança e tranquilidade da sociedade burguesa branca e cispatriarcal. Todas as lutas contra a dominação estão relacionadas. O sistema colonial, imperialista, capitalista e estatal que mata pessoas negras e ciganas em Portugal é fundamentalmente o mesmo que comete genocídio na Palestina e no resto do mundo. A luta é internacionalista.

A luta poderá seguir vários caminhos de aqui em diante, mas alguns pontos devem ser realçados. Qualquer ato de resistência dos de baixo será sempre condenado pelo sistema cada vez mais totalitário e abertamente reacionário governado pela direita e extrema direita. Não podemos fugir do uso da violência revolucionária dos oprimidos, mas abraçá-la. A não-violência protege apenas o Estado e a propriedade privada, dando-lhe legitimidade para continuar a matar sem ser confrontada. A única resposta eficaz contra a dominação do Estado-nação capitalista neocolonial e patriarcal é a violência, aliada à construção coletiva organizada de novas instituições sociais de poder popular. Estes dois elementos devem andar de mãos dadas: o apoio total à autodefesa violenta das comunidades racializadas e do proletariado como um todo, e a construção quotidiana dos órgãos de poder popular que permitirão canalizar esta revolta para formas de luta mais organizadas e coesas. A construção de um movimento social com programa político, estratégia, independência de classe e objetivos a longo prazo.

Enquanto anarquistas e comunistas libertários, apoiamos a libertação total de todos os oprimidos, por todos os meios necessários. Não podemos ficar fechados na torre de marfim. É imperativo estarmos onde estão as massas oprimidas, combater lado a lado com as mesmas, construir um mundo novo com estas em direção à nossa autoemancipação coletiva. Mais do que procurar liderar ou ensinar, devemos aprender com as formas de luta e resistência das comunidades que hoje se levantam do chão para resistir à bota que o esmaga pelo pescoço, explora, mata, e no final diz que está lá para as proteger, em nome da sagrada propriedade, do lucro, da moral, da pátria e do Estado.

Contra a violência racista e supremacista branca

Contra o terrorismo de Estado e policial

Pela construção do poder popular e a abolição de todas as polícias e de todas as prisões

Pela construção de um socialismo verdadeiramente libertador

Fogo a todas as delegacias!

uniaolibertaria.pt

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Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai

[Holanda] 8ª Feira do Livro Anarquista de Amsterdã

Estamos de volta para a 8ª Feira do Livro Anarquista em Amsterdã! A Feira do Livro ocorrerá na sexta, dia 25, no sábado, dia 26, e no domingo, dia 27 de outubro, no Dokhuis (Plantage Doklaan 8). Serão três dias repletos de estandes, oficinas e coletivos anarquistas de todo o mundo. Vai ser incrível!

A feira de livros é uma oportunidade de aprender sobre as lutas políticas perto de casa, na história e em outras partes do mundo.

Vamos aprender e trabalhar juntos por um mundo sem estados, fronteiras, ecocídio, capitalismo e sem a violência que torna isso possível.

Afinal, conhecimento é poder!

Você está procurando por comunidade, conversas aprofundadas ou indivíduos ou coletivos com ideias semelhantes? Venha para a Feira do Livro Anarquista de Amsterdã!

Está procurando livros e zines anarquistas? Teremos tudo isso e muito mais: roupas, bottons, editoras, distribuidoras, oficinas, palestras e comida vegana! Venha nos conferir!

anarchistbookfairamsterdam.blackblogs.org

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quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado

José Marins

[Colômbia] Denúncia contra soluções capitalistas na COP16

Em um encontro em Cali, organizações se reuniram para denunciar as contradições da COP16 [Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que será realizada entre os dias 21 de outubro e 1º de novembro de 2024 na cidade de Cali], apontando que suas soluções capitalistas são insuficientes e marginalizam as comunidades mais afetadas pela crise ambiental.

23 de outubro de 2024

Povos indígenas, quilombolas, camponeses, urbanos e interétnicos se reuniram em Cali em um encontro crucial para denunciar as contradições da COP16, um evento internacional que, embora promovido com grandes expectativas, é apresentado como um mecanismo que perpetua a lógica capitalista em vez de oferecer soluções eficazes para a crise ambiental.

Os povos reunidos nessa cúpula popular alertaram que as soluções capitalistas da COP16 para os problemas ambientais são insuficientes e marginalizam aqueles que são realmente afetados pela devastação ambiental: povos indígenas, camponeses e afrodescendentes, que têm sido os verdadeiros guardiões da biodiversidade, não têm voz nessas discussões. Essas comunidades são continuamente afetadas por políticas que não promovem mudanças estruturais, mas beneficiam uma pequena elite econômica, tanto nacional quanto internacional.

Durante a cúpula, foi exposto como os governos, em cumplicidade com as corporações transnacionais, transformaram a crise climática em uma oportunidade de lucro, apresentando iniciativas que disfarçam a exploração de recursos e a destruição de ecossistemas como “soluções sustentáveis”. Essa situação expõe as denúncias dos participantes sobre como o capitalismo não apenas explora os seres humanos, mas também despoja a Terra de suas riquezas, promovendo um modelo de desenvolvimento que coloca o benefício econômico de poucos à frente da sobrevivência da humanidade e do planeta.

A mensagem desde Cali é forte:

Não podemos continuar sustentando que os problemas gerados pelo capitalismo podem ser resolvidos dentro do mesmo sistema. As comunidades exigem a construção de alternativas que superem o capitalismo e que se baseiem no respeito à vida, no fortalecimento da soberania dos povos sobre seus territórios e na proteção dos ecossistemas, considerando-os não como recursos a serem explorados, mas como pilares essenciais para a existência.

Esse encontro paralelo em Cali é um símbolo de resistência e dignidade, onde as comunidades exigem ser reconhecidas como protagonistas na construção de um futuro justo, onde a vida não seja mercantilizada e a natureza seja respeitada. Também destaca a necessidade de uma mudança radical nas políticas globais, em que a luta pela vida, a biodiversidade e o bem-estar e a subsistência das comunidades devem estar no centro de qualquer discussão sobre o futuro do planeta.

Fonte: https://trochandosinfronteras.info/denuncia-contra-soluciones-capitalistas-de-la-cop16/

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Sol de primavera…
Apenas um pardalzinho
Canta…Canta…Canta…

Irene Massumi Fuke

[Espanha] Crônica do ato de apresentação em Villalba

No sábado passado (19/10), realizamos uma apresentação do sindicato na cidade de Collado Villalba com a intenção de nos tornarmos conhecidos na área da Sierra Noroeste de Madri (Sierra de Guadarrama) e, aproveitando a ocasião, debater e refletir um pouco sobre a instituição do trabalho sob o capitalismo.

Abrimos o ato com uma breve explicação sobre o que é a CNT-AIT e depois nos centramos em como nos organizamos em nível local e territorial na Sierra de Madrid. Essa apresentação da assembleia do Núcleo Confederal durou cerca de 45 minutos, dando lugar a oficina organizada por Inés Barbero. Durante cerca de duas horas, por meio de diferentes dinâmicas, conversamos e debatemos sobre como o trabalho, sob o capitalismo, marca profundamente nossa identidade e nossa saúde. Uma influência em grande parte nociva em nossas vidas que a maioria de nós dificilmente questiona e, de fato, reproduz constantemente, mesmo que inconscientemente. O evento contou com a participação de cerca de 30 pessoas, que também puderam colocar as mãos em material de propaganda e divulgação do sindicato (folhetos, adesivos, livretos etc.).

Somos muito gratos a Inés por participar do evento com sua oficina e ao Ateneo Popular de Collado Villalba por nos ceder o espaço e por fazê-lo sempre que precisamos. E, é claro, agradecemos também àqueles que vieram compartilhar esse momento conosco.

Saúde e revolução social!

Fonte: https://sierrademadrid.cntait.org/cronica-presentacion-villalba/

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dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

[Chile] Santiago: 3ª Feira Antiautoritária do Livro – 24 de outubro

Buenas compas, é um prazer compartilhar e divulgar a instância que algumas afinidades do espaço levantaram.

Foi montada a segunda feira do livro anarquista da academia (terceira do mesmo ciclo, anteriormente realizada no peda), um espaço aberto a todos os interessados (interno/externo). Onde haverá a presença de diversas editoras e discussões voltadas para a divulgação do ideal.

Com a intenção de retomar o espaço universitário desde a autonomia do corpo discente, é que fazemos a chamada e o convite para fazer parte da instância. Seja participando da feira e das palestras, seja montando banquinhas.

Nesta ocasião, teremos várias discussões voltadas para a conscientização e problematização da vida cotidiana, do anarquismo e do feminismo, da situação de isolamento a que está submetido o companheiro Francisco Solar, onde finalizaremos com a apresentação de Julio Cortés (advogado do Caso Bombas).

Convocamos você a participar, divulgar e nos apoiar durante a jornada.

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tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

[Colômbia] Indígenas e ativistas marcham em Cali contra a COP16

Com cantos, danças, exibições artísticas e rituais ancestrais, mais de 1.000 pessoas saíram às ruas de Cali nesta terça-feira (22/10) para protestar contra os órgãos mundiais reunidos no âmbito da COP16 (Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade).

Povos indígenas, camponeses e quilombolas, bem como líderes sociais e ativistas, marcharam do Parque de las Banderas até o centro de Cali, onde está localizada a Zona Verde da cúpula.

Foi uma exibição cultural e colorida dos povos indígenas colombianos que se juntaram ao apelo por justiça climática ao som de tambores e instrumentos tradicionais do Pacífico.

Em meio a faixas pedindo o fim das indústrias extrativistas, como combustíveis fósseis e mineração na Amazônia, e apresentações circenses, as vozes dos manifestantes se uniram para exigir mais segurança para as comunidades camponesas e indígenas que protegem seus territórios do desmatamento.

Fonte: agências de notícias

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Bolha de sabão
Flutua como pode
Até se estourar no chão.

Guilherme Mizuho Miura

[EUA] Uma perspectiva para a humanidade

No livro mais recente de Terry Stokes, o teólogo anarquista explora as conexões entre anarquismo e cristianismo.

Por Erik Gunn | 10/09/2024

Em Jesus e os Abolicionistas [Jesus and the Abolitionists], Terry Stokes funde os Evangelhos à teoria anarquista e os considera não apenas compatíveis, mas profundamente simpáticos.

Stokes não é necessariamente a pessoa que você esperaria que escrevesse um livro como esse. Ele cresceu na década de 1990 e na primeira parte do século XXI em um lar burguês negro e em um ambiente cristão evangélico conservador, onde ele admite que se sentia bastante confortável. Depois de se formar em Yale, ele frequentou o Seminário Teológico de Princeton. Foi “o primeiro espaço cristão progressista que já habitei”, escreve ele, onde “fui confrontado com mulheres pastoras, teólogos LGBTQ+ e uma série de pessoas e experiências que me forçaram a examinar minhas crenças sobre gênero e sexualidade, o que levou a questões ainda mais fundamentais sobre Deus, revelação divina e ética cristã”.

Ele se formou no mestrado em 2020 em um mundo no qual a pandemia da COVID-19 havia tirado a máscara das desigualdades sociais e econômicas e uma nova “iteração do movimento pela libertação negra” havia eclodido após o assassinato de George Floyd pela polícia.

Depois de trabalhar em uma igreja progressista, social e politicamente ativa, sua teologia mudou para a esquerda, e sua política logo o acompanhou: abraçou o socialismo, leu W. E. B. Du Bois e Angela Davis, seguindo-os até o comunismo e, finalmente, por meio do livro Ajuda Mútua [Mutual Aid] de Dean Spade e dos escritos de Murray Bookchin e outros, adotou a filosofia anarquista.

Stokes explica exatamente o tipo de anarquismo que ele segue – não violento e fundamentalmente sistemático. O capítulo de seu livro que detalha o conceito descreve uma estrutura social orgânica, centrada em comunidades densamente povoadas, que opera por meio de redes e organizações locais, coletivas e voluntárias, sem os ditames de um estado externo, maior.

“A anarquia tira a economia da esfera privada, como no capitalismo, ou de uma esfera separada, como no socialismo autoritário, e a leva para a esfera pública”, escreve ele. “A política econômica, como todas as políticas, é elaborada por toda a comunidade em relações face a face, trabalhando para o bem comum.”

Stokes considera o anarquismo uma necessidade existencial para sua própria identidade negra: “Estou enraizado na negritude enquanto, entre outras coisas, uma condição de ingovernabilidade ontológica e orientação antiestatal.” Mas o anarquismo também está profundamente entrelaçado com sua fé cristã. Explicando por que ele adota o termo “cristãos anarquistas” e rejeita seu anverso, “anarquistas cristãos”, ele escreve em uma nota de rodapé: “Vejo o cristianismo como sendo anárquico em vez de qualificando o anarquismo”.

Em seguida, ele constrói uma teologia sistemática que considera a Bíblia por meio de uma hermenêutica anarquista. Desde o Gênesis até os Evangelhos, ele desmonta as interpretações tradicionais e as reconstrói a partir de uma perspectiva anarquista. Veja a história de Adão e Eva e sua expulsão do Jardim do Éden (uma alegoria, enfatiza Stokes – não uma pré-história literal). Stokes interpreta o fruto proibido como um símbolo de “autossupremacia”, escolhido em detrimento da solidariedade mútua. (Lembra como, quando são pegos, Adão culpa Eva e Eva culpa a serpente?)

“As ‘maldições’ de Gênesis 3 são representações alegóricas das consequências universais das maneiras pelas quais os seres humanos escolheram agir e construir suas sociedades em torno do valor da supremacia, rejeitando repetidamente os apelos de Deus para que exerçamos nosso próprio arbítrio a serviço do cuidado”, escreve Stokes.

Do Livro dos Juízes – “a demonstração visceral e detalhada do fato de que a descentralização sem ética leva rapidamente ao caos total” – até o pano de fundo do famoso pronunciamento de Paulo sobre o amor em sua carta à igreja de Corinto, Stokes extrai lições discretamente relevantes para sua mensagem anarquista.

Os leitores público-alvo de Stokes são mais provavelmente cristãos curiosos sobre o anarquismo do que anarquistas curiosos sobre o cristianismo. O livro é de leitura rápida, com um estilo descontraído que será bem aceito por alguns, enquanto outros podem achá-lo simplesmente enjoativo. Um risco é que os leitores possam ignorar a complexidade e a sofisticação de suas reflexões teológicas.

Não se engane, contudo; ele leva bem a sério sua afirmação de que a sociedade anarquista que ele descreve – e que ele considera iluminada pelas lições das escrituras – é uma perspectiva genuína para a humanidade, seja ela cristã ou não.

Jesus e os Abolicionistas: Como o cristianismo anarquista empodera as pessoas [Jesus and the Abolitionists: How Anarchist Christianity Empowers the People]

Por Terry J. Stokes

Broadleaf Books, 173 páginas

Data de lançamento: 28 de maio de 2024

Fonte: https://progressive.org/magazine/a-prospect-for-humanity-gunn-20240910/

Tradução > anarcademia

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Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim

[França] Ideias e lutas: Makhno, a epopeia de uma Ucrânia libertária

A Makhnovtchina, entusiasmo entre a população ucraniana

Como Edouard Jourdain aponta em seu livro Makhno, a epopeia de uma Ucrânia libertária publicado por Michalon, os nomes de cidades ou regiões ecoam entre si entre os anos de 1920 e 2022. Mariupol, Kharkiv, Donetsk… Elas já eram palco da luta entre bolcheviques, czaristas e anarquistas liderados por um jovem camponês ucraniano: Nestor Makhno. A Makhnovitchina despertou tal entusiasmo entre a população ucraniana que foi necessário o compromisso do Exército Vermelho liderado por Trotsky, a calúnia de baixo nível para esconder a realidade desta terceira revolução depois da contra o czarismo, da contra o governo burguês, para alcançar a libertação do povo. Na bandeira das tropas de Makhno havia um lema: “Morte àqueles que se opõem à liberdade dos trabalhadores!”

Quem é Makhno? O filho de um camponês muito pobre, recusando a injustiça. Na prisão, ele conheceu anarquistas, era sua universidade popular, ele leu, escreveu, descobriu essa ideia, a anarquia. Libertado, ele voltou para sua aldeia Gulyai Polye, seu quartel-general. Edouard Jourdain refaz esta epopeia com paixão e delicadeza na repetição dos textos, em particular Memórias e Escritos 1917-1932 ou As Estradas de Makhno de Victor e Alexandre Bélach (cf. Des idées et des luttes de 22 de maio de 2022). Muito cedo, Makhno desconfiava do poder totalitário bolchevique e seu encontro com Lenin não mudou nada em vista das traições, prisões e assassinatos de seus parentes. Mais uma vez, como na Espanha, o leitor verá a dificuldade de construir um novo mundo em uma sociedade em guerra.

Makhno usa técnicas de guerrilha. No final, sozinhos contra todos, os brancos, os vermelhos, os nacionalistas. Mas a implacabilidade do Exército Vermelho o forçou ao exílio em 28 de agosto de 1921. Na França, ele concebeu a necessidade de uma organização libertária, que seria a Plataforma. Você encontrará as questões e debates sobre este assunto. Doente e exausto, ele morreu em 25 de julho de 1934 no Hospital Tenon em Paris.

Que sociedade anarquista?

Além dessa biografia, Edouard Jourdain nos dá algumas reflexões extraídas das declarações e textos de Makhno e seus familiares. Em primeiro lugar, a organização de uma sociedade anarquista e, mais particularmente, em uma sociedade rural. Deve-se ler o projeto de declaração do exército revolucionário insurrecional da Ucrânia, adotado em outubro de 1919. Como administrar a questão agrária?

Outro aspecto interessante é a afirmação de Victor Belach de que, para os anarquistas ucranianos, “a história não é governada pela luta de classes como os bolcheviques afirmavam, mas pela luta entre aqueles que desejam o poder e aqueles que desejam ser livres”. Eles queriam sovietes livres e não sob as ordens do partido, do Estado. Da mesma forma, eles mantêm as liberdades do cidadão: liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, de organização. Estamos longe da ditadura do proletariado. Pelo contrário, a rejeição da autoridade dos partidos, o apelo à autogestão e Edouard Jourdain destacam alguns exemplos.

Em um período tão difícil, as tropas de Makhno tiveram que se adaptar. Eles já haviam experimentado conflitos, particularmente durante a Primeira Guerra Mundial, mas aqui eles tiveram que integrar uma estratégia partidária. A análise deve ser comparada com a de Karl Schmitt, um dos primeiros a refletir sobre essa questão. Destacamos a flexibilidade das manobras das tropas, a rede de informantes que permite a Makhno se deslocar muito rapidamente em “um espaço aberto, com um movimento turbulento cujo efeito pode surgir a qualquer momento”.

Esse épico foi possível em outro lugar da Rússia? Como aponta Pyotr Arshinov, um amigo próximo de Makhno, não havia partido poderoso na Ucrânia e a tradição da volnitza, a vida livre dos cossacos zaporozhianos, ocupava a mente das pessoas. Makhno foi capaz de catalisar, como um indivíduo carregado por um coletivo, o que fazia parte de uma cultura propícia a uma revolução libertária?

Podemos estabelecer uma relação com as notícias ucranianas? Deixo a Edouard Jourdain a tarefa de tratar da questão tal como ele propõe. Podemos concluir com ele e Arshinov que “a Makhnovshchina é constante e imortal”?

Edouard Jourdain

Makhno

A epopeia de uma Ucrânia libertária

Ed. Michalon, 2024

Fonte: https://monde-libertaire.net/?articlen=8041&article=Des_idees_et_des_luttes:_Makhno_Lepopee_dune_Ukraine_libertaire

agência de notícias anarquistas-ana

Um ventilador
espalha o calor
e as notas da sinfonia

Winston

[Chile] Entrevista ao Coletivo Awana, agrupação de mulheres organizadas da Selva amazônica do Equador

Por La Zarzamora.

Nesta quinta-feira passada, 26 de setembro, entrevistamos Gabriela Garcés, de 24 anos, pertencente à organização Pakiru do povoado Quichua e também integrante do coletivo Awana. Esta agrupação atualmente se encontra na Amazônia, especificamente na comunidade de Unión Base, Equador.

Foi na comunidade de Unión Base, por volta de 2019 que se cria entre cinco mulheres a iniciativa Awana que significa ”construindo” ou ”tecendo”. Este coletivo surge faz quatro anos principalmente pela necessidade econômica de sustentar os lares de cada família. Na atualidade são por volta de 22 mulheres.

O coletivo foca em três eixos de trabalho, cultural, econômico e a vida em harmonia com a Natureza; neste último eixo, Gabriela nos comenta que são conscientes da problemática da contaminação. O coletivo oferece serviço de refeições desde uma visão Amazônica, com produtos orgânicos, diretos das comunidades para elaborar comidas do território. Propõem uma economia local, já que vão às hortas ou chácaras das mesmas mulheres da localidade para apoiarem-se mutuamente.

Desde o eixo cultural, usam colares inspirados na natureza, elaborados pelas mesmas mulheres artesãs da comunidade.

Perguntamos a Gabriela o que significava para ela pertencer à comunidade de Unión Base e nos comentou que:

“Ser parte de Unión Base, ser parte de uma nacionalidade, ter uma cultura e uma identidade é bastante importante para mim como Jovem neste tempo”. Eu estudei em três colégios, e muitas vezes eu sentia vergonha de dizer que sou indígena e que vivo em uma comunidade, mas, no transcurso do tempo vais entendendo que a luta de nossos avôs e nossas avós, a luta pela terra e pela identidade, porque há que levar em conta que naqueles anos atrás eram bastante discriminados (…) até agora estou muito orgulhosa de minhas raízes, de minha terra Unión Base que como dizia é uma terra de gente valente, de gente de muitas histórias, aqui foi como o início da primeira marcha para Quito, para a Capital, por seus territórios, justamente lutando por sua terra e por sua identidade. Então eu estou muito orgulhosa, muito feliz de pertencer a isto, à comunidade de Unión Base e de ser uma mulher indígena Quichua.”

>> Para escutar a entrevista completa entre em:

https://archive.org/details/entrevistas-a-colectiva-awana

Fonte: https://lazarzamora.cl/?p=13082

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Coruja voa
Espreitando o rato
Que passeia só.

Ze de Bonifácio

[Espanha] Guerras causam quase 21.000 mortes por fome por dia

A fome induzida por conflitos está em um nível mais alto de todos os tempos, ceifando entre 7.000 e 21.000 vidas por dia em todo o mundo. Esses confrontos são a principal causa de deslocamento forçado, com um número recorde de mais de 117 milhões de pessoas deslocadas à força.

Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, a Oxfam Intermón publicou o relatório Food Wars (Guerras Alimentares), que analisa 54 países afetados por conflitos que afetam cerca de 231,6 milhões de pessoas que sofrem de fome aguda.

O relatório argumenta que a fome não é causada apenas pelo conflito, mas que as partes em conflito também estão usando a comida como arma, lançando ataques à infraestrutura de alimentos, água e energia e bloqueando deliberadamente a ajuda alimentar.

“Em um mundo devastado por conflitos, a fome se tornou uma arma letal que as partes estão usando em desafio à lei internacional, causando um aumento alarmante de mortes e sofrimento”, disse Emily Farr, chefe de segurança alimentar e econômica da Oxfam Intermón.

De acordo com a organização, meio milhão de pessoas em Gaza – onde 83% da ajuda alimentar necessária não está chegando – e mais de 750.000 pessoas no Sudão “estão passando fome por causa dos efeitos mortais das guerras por alimentos, que provavelmente durarão por gerações”.

O relatório também observa que 34 dos 54 países têm recursos naturais abundantes e que suas economias dependem principalmente da exportação de matérias-primas. Por exemplo, 95% das receitas de exportação do Sudão provêm do ouro e do gado, 87% das receitas do Sudão do Sul provêm de produtos petrolíferos e quase 70% das receitas do Burundi provêm do café. No caso da América Central, a violência decorrente das operações de mineração forçou o deslocamento da população.

As fontes da Oxfam Intermón argumentam que a construção da paz e a reconstrução pós-conflito “com muita frequência” buscam incentivar o investimento estrangeiro e impulsionar economias baseadas na exportação. Entretanto, “as tendências econômicas liberais geram maior desigualdade e sofrimento e podem, na verdade, reacender o conflito”.

De fato, eles afirmam que “não é coincidência que sejam os países ricos em recursos naturais que frequentemente sofrem com guerras, deslocamentos e níveis de fome que, combinados, são letais”. O Diretor de Segurança Alimentar e Econômica da ONG afirma que “o investimento privado em larga escala – tanto estrangeiro quanto nacional – exacerbou a instabilidade política e econômica nesses países, onde os investidores assumem o controle da terra e dos recursos hídricos, forçando as pessoas a fugirem de suas casas.

Os conflitos geralmente agravam outros fatores, como eventos climáticos, instabilidade econômica e desigualdades, destruindo os meios de subsistência das pessoas. O relatório cita a crise alimentar no leste e no sul da África, que foi agravada por eventos climáticos, como secas e inundações, juntamente com o aumento dos preços globais dos alimentos. Esse aumento está associado a fechamentos durante a pandemia de covid-19 e outras interrupções na cadeia alimentar relacionadas à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Cooperação internacional

Muitos dos deslocados são mulheres e crianças. Esse é o caso de Aisha Ibrahim, 37 anos, que teve que caminhar por quatro dias com seus quatro filhos de sua casa no Sudão até Joda, do outro lado da fronteira com o Sudão do Sul. Ela deixou seu marido para trás para proteger sua casa. “Eu morava em uma casa de verdade. Nunca poderia imaginar estar nessa situação”, disse ela.

Diante dessa situação, o compromisso da comunidade internacional de atingir a meta de “fome zero” até 2030 continua irrealista. A Oxfam Intermón está pedindo aos Estados e às instituições globais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU, que responsabilizem aqueles que cometem “crimes de fome” de acordo com o direito internacional.

Para romper o ciclo vicioso da insegurança alimentar e dos conflitos, os líderes mundiais “devem enfrentar de frente as condições que os geram: legados coloniais, injustiças, violações de direitos humanos e desigualdades, em vez de oferecer soluções rápidas que funcionam apenas como band-aids”.

O diretor de Segurança Alimentar e Econômica conclui: “Os esforços para alcançar a paz devem ser acompanhados de investimentos em proteção social e promoção da coesão social. As soluções econômicas devem priorizar o comércio justo e os sistemas alimentares sustentáveis”.

Fonte: https://www.antimilitaristas.org/Las-guerras-causan-cerca-de-21-000-muertes-al-dia-por-hambre.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Parou de chover:
No ar lavado, as árvores
Parecem mais verdes.

Paulo Franchetti

[Espanha] Matar e matar, matar mais e matar melhor, sem descanso

Esse é o discurso (e a linha de ação) de nossos governos: estar armados até os dentes, estar em todas as frentes de guerra, ser “aliados fiéis”, participar de desfiles de vitória, comprar armas, continuar a proteger as bases dos EUA na Andaluzia, apoiar o escudo antimísseis, gastos militares multimilionários, forças armadas até na sopa….

Esse é o discurso de nossos governantes: prontos (e os primeiros) para estar presentes (não eles, mas nós) em todas e cada uma das guerras que o mundo está travando.

Pelo contrário, esses dois oportunos artigos do economista Juan Torres vêm refletir, denunciando, sobre isso mesmo: a opção militarista (carnificina) de nossos governos que está nos levando a um abismo.

OS ESTADOS UNIDOS COLOCAM AS ARMAS E ISRAEL APERTA O GATILHO:

https://juantorreslopez.com/estados-unidos-pone-las-armas-e-israel-aprieta-el-gatillo/

O COMÉRCIO INTERNACIONAL COMO ARMA DE GUERRA:

https://juantorreslopez.com/el-comercio-internacional-como-arma-de-guerra/

Fonte: https://noviolencia62.blogspot.com/2024/10/matar-y-matar-matar-mas-y-mejor-sin.html

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/23/em-mundo-em-guerra-gastos-militares-batem-recorde-e-superam-us-24-tri/

agência de notícias anarquistas-ana

ipê amarelo
até a calçada
floresce

Ricardo Silvestrin

AGRO X agro

Nesses curtos 5 séculos de existência, o enorme território que chamamos de Brasil se transformou de um extenso ambiente equilibrado e exuberante, de enorme fartura para uma paisagem decadente, empobrecida com entrada a passos largos em um colapso ambiental irreversível.

Assim como na Ilha de Páscoa entre tantos outros ambientes degradados, a principal causa do colapso ambiental que vivemos, foi e ainda é a ganância e ambição das pessoas colonizadoras que aqui chegaram e por aqui enraizaram gerações de pessoas gananciosas, ambiciosas, ou no jargão do momento, “empreendedoras”.

De imponentes florestas e matas exuberantes, de uma biodiversidade imensurável, século após século, o avanço do agronegócio, ditado por um grupo inescrupuloso, como qualquer grupo de poder, buscam sempre as maiores vantagens em todas as áreas e detestam questionamentos ou caminhos que saiam de suas curtas rédeas.

O agronegócio de enormes proporções está vinculado principalmente à produção de commodities (que são produtos de origem agropecuária ou de extração mineral, em estado bruto ou pequeno grau de industrialização, produzidos em larga escala e destinados ao comércio externo). Esse grande AGRO não coloca diretamente comida nos nossos lares e nem nos favorece com seus exorbitantes ganhos.

Mas como isso, se dizem que se o campo não planta a cidade não janta?

Entendamos: a cadeia produtiva de commodities não é pensada para satisfazer diretamente as necessidades básicas de nossa gente, que é comer, trabalhar, morar em um teto decente e usufruir de saúde e lazer. A grande lucratividade do agro é voltada para sua própria existência e propósito, deixando de lado as nossas necessidades básicas, nosso bem estar. Esse é o grande e enorme AGRO que tem feito enormes estragos nas terras brasileiras, devastando florestas e matas para colocar seus latifúndios (grandes extensões de terra, que podem ser produtivas ou improdutivas), conseguem acesso a empréstimos a perder de vista, influenciar as pessoas legisladoras, executivas e até na esfera judiciária que vive passando pano para os mandos e desmandos das grandes pessoas do agronegócio.

O Brasil é um grande produtor e exportador agrícola (agronegócios, o grande AGRO), possui vários tipos de monoculturas (plantio de uma única cultura realizada, comumente, em latifúndios)  e nelas usa técnicas que se tornaram tradicionais: uso intenso de venenos (usa 4 vezes mais veneno em hectare de lavoura do que os USA ou 5 vez em hectare de lavoura do que a China, que também são grandes países agrícolas), desmatamento sistêmico com uso do fogo, uso intenso de fertilizantes químicos, uso de implementos agrícolas de alta tecnologia e caros. Essas práticas agrícolas podem aumentar a produção, mas o preço desse aumento de produção nos é caro!

Pense que a lucratividade não é compartilhada, mas os problemas dessa produção em larga escala são compartilhados e estão aí: desmatamento, envenenamento, concentração de renda e de propriedades, agravamento das mudanças climáticas e adoecimento generalizado da população por conta de uma enxurrada de produtos ultraprocessados.

Então de onde vem nossa janta?

Desse grande AGRO, certamente que não!

Nossa janta ainda é produzida pelos pequenos sitiantes, da agricultura familiar, a qual, diferente do grande AGRO, são reféns das variações do mercado interno e até mesmo de processos de importação de produtos que não mais temos aqui ou são produzidos abaixo da procura, por não mais compensarem financeiramente.

Apesar de tudo jogar contra este agro “menor”, é ele o responsável direto em ainda termos hortaliças, frutas e legumes em nossas mesas.

Esse agro é o que tem maior engajamento com técnicas e métodos de produção mais ecológicos, com uso menor de produtos tóxicos e uma consciência e comprometimento ambiental maior. Interessante ver que muitas novas técnicas de produção agrícolas que atendem as necessidades de conservação ambiental, já apontam grande produção e de quebra fornecem recuperação das áreas degradadas. Sistemas de agroflorestas e técnicas sustentáveis de cultivo consorciado têm mostrado uma produtividade aliada com a proteção ambiental.

Então, por que o grande AGRO não tem aderido a essas tecnologias de forma ampla?

Embora alguns “agronegociantes” tenham aderido de alguma forma a essas tecnologias, o grande AGRO pop só muda quando essa mudança seja de garantia de sua lucratividade, mas só gerar lucro não é o suficiente, querem o domínio total desses processos de forma que garantam o controle de toda a produção e não terem surpresas. Em muitos casos preferem a manutenção da lucratividade desmatadora, envenenadora e desastrosa, do que ter que inserir mais “players” no jogo que ocasione a divisão de sua enorme lucratividade.

Essa ganância e ambição se mantém desde a invasão dessas terras, uma situação de permanente degradação, da qual é importante manter uma resistência ambiental e busca de mais união de luta contra esse grande AGRO destruidor.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

agência de notícias anarquistas-ana

este papel de parede
ou ele se vai
ou eu me vou

Oscar Wilde

Francisco Ferrer e A Pedagogia Libertária

Quais são as propostas anarquistas para a questão educacional? O que a pedagogia libertária e a educação racionalista ainda podem oferecer para a comunidade escolar?

Venha participar desse debate público na Cinemateca de Santos, no dia 27 de outubro, Domingo, às 17 horas, onde recordaremos a memória de Francisco Ferrer, exibindo o documentário “Viva A Escola Moderna”, (TVE, 1997, Duração: 1h e 23 minutos) + Seguido de debate com a Biblioteca Terra Livre, sobre o tema.

DATA: 27 de outubro de 2024 (Domingo), às 17 horas

LOCAL: Cinemateca de Santos

ENDEREÇO: Rua Min. Xavier de Toledo, número 42 – Campo Grande – Santos/SP

ENTRADA GRATUITA!

agência de notícias anarquistas-ana

o coqueiro coqueirando
as manobras do vermelho
no branqueado do azul

Guimarães Rosa