[Grécia] Sobre o ataque ao escritório político do deputado H. Theocharis

Na noite de 26 de fevereiro, dois dias antes da greve geral, realizamos a ação mínima de atacar com tinta o escritório do deputado do partido Nova Democracia (ND) e ex-ministro [da economia] H. Theocharis na praça do metrô em Daphne.

Bairros populares como Daphne não têm espaço para papagaios políticos que apoiam e passam pano para crimes capitalistas de Estado.

O que se seguiu dois dias depois, com milhares de pessoas atacando as corjas estatais da polícia de choque-Delta que estavam protegendo o antro de criminosos chamado Parlamento, evidenciou novamente as ruas da metrópole como um campo de conflito social, destruindo a narrativa do governo da “lei e ordem”.

SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES-ANARQUISTAS PRESOS DE 28 DE FEVEREIRO

AUMENTAR OS ATAQUES AO REGIME POR TODOS OS MEIOS

É NAS RUAS QUE A JUSTIÇA SERÁ FEITA

A n a r q u i s t a s

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/03/grecia-25-anarquistas-detidos-em-atenas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/28/o-acidente-fatal-do-trem-tempe-reacendeu-as-ruas-da-grecia-com-algumas-das-maiores-manifestacoes-de-protesto-que-o-pais-ja-viu/

agência de notícias anarquistas-ana

Os banhos agora
Num dia sim, noutro não –
Canto dos insetos.

Konishi Raizan

CCLA lança sua banquinha libertária virtual

O Centro de Cultura Libertária da Amazônia (CCLA) acaba de lançar a sua banquinha virtual. Destacamos a edição do livro “10 Perguntas sobre o Anarquismo” (R$ 52,00). A apresentação do livro diz:

O primeiro lançamento de um livro realizado pelo CCLA (em parceria fundamental com a Editora Monstro dos Mares) aconteceu há pouco.

As “10 Perguntas sobre o Anarquismo” são um livro muito didático sobre a nossa práxis de luta e defende uma visão realmente internacionalista (e não euro-centrada) do nosso movimento.

Se trata da tradução da obra do companheiro francês da UCL, Guillaume Davranche, publicada pela editora francesa Libertalia e que vendeu mais de 12.000 cópias até agora.

Ou seja, é um dos livros sobre o anarquismo mais lidos na França no período atual e desde seu lançamento em 2019.

Escrevendo para diversos públicos, Davranche apresenta perspectiva detalhada das diferentes abordagens do anarquismo sobre temas fundamentais como economia, ecologia, feminismos, democracia, organização e ação. Além disso, fornece um panorama sobre perfis de militantes ao redor do mundo da Coreia ao México, da Argélia à Espanha. Ao resgatar a história de figuras que ajudaram a moldar o movimento anarquista ao longo do tempo, ampliam-se as compreensões das estratégias e impactos do anarquismo em diversos contextos revolucionários.

O texto da edição que apresentamos vem diretamente do original em francês intitulado “Dix questions sur l’anarchisme”, cujos direitos foram gentil e generosamente cedidos ao Centro de Cultura Libertária da Amazônia e à Monstro dos Mares. Desejamos que este livro se torne mais uma ferramenta de expansão do conhecimento político não apenas entre iniciantes com o intuito da autoinstrução, mas também entre quem se dedica à prática de educações abertas às dissidências.

>> Confira a banquinha libertária virtual aqui:

cclamazonia.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

Preso na cascata
um instante:
o verão

Matsuo Bashô

Lula é um burguês!

[Espanha] 8M. Dia da mulher trabalhadora. Criadoras de um mundo novo.

A mulher trabalhadora está sendo, mais uma vez, a grande esquecida da agenda política e dos meios de comunicação. O desemprego feminino aumentou neste janeiro em 32.000 mulheres, um percentual que duplica o dos homens, enquanto seguimos condenadas à parcialidade e à temporalidade dos contratos, sem que, ao que parece, nada disso torne necessário dedicarmos um único desses anúncios de medidas estrela com os quais o governo ocupa os holofotes. Enquanto isso, o sindicalismo e os movimentos sociais continuam sofrendo diariamente a repressão, como no caso de nossas companheiras das seis da Suíça, que enfrentam penas de prisão por fazerem sindicalismo.

Para a CNT, a luta sindical é indissociável da luta feminista, da mesma forma que o sistema capitalista é indissociável do patriarcado. A lógica capitalista faz com que as mulheres sejam destinadas a trabalhos imprescindíveis (limpeza, cuidados…), que atendem necessidades humanas, mas que devem ser realizados de forma não remunerada dentro do âmbito familiar ou em condições de exploração laboral doméstica e que não gozam de nenhum prestígio. Por outro lado, muitos empregos e atividades sem utilidade social ou diretamente antissociais (indústria militar, especulação financeira…) fortemente masculinizados, são realizados com alta remuneração e gozam de grande prestígio social.

Nesse marco capitalista e patriarcal, chega-se até a tentar convencer as mulheres de que a prostituição é uma atividade laboral como qualquer outra e que o proxeneta deve ser considerado um empresário, tentando até disfarçar isso como uma reivindicação sindical. A CNT considera que, em nenhum caso, a exploração do corpo da mulher pode ser considerada um trabalho, mas sim uma forma de violência sexual que, além disso, sustenta uma masculinidade hegemônica onde o desejo dos homens está no topo das relações sociais.

Este “mundo ao contrário” é o que a mulher trabalhadora enfrenta diariamente, sendo capaz de se reivindicar e se defender em um sistema profundamente misógino e tendo que lidar também, em muitas ocasiões, com o desprezo e a desvalorização por parte de seus próprios companheiros. A análise feminista reivindica um conceito de trabalho no qual o valor não se coloca na rentabilidade que uma atividade possa ter para o mercado capitalista, mas sim na importância que essa atividade tem para a manutenção da vida e a satisfação das necessidades humanas.

A mulher trabalhadora está criando um mundo novo neste instante, frente a um sistema que se devora a si mesmo. Na CNT, trabalhamos diariamente para ser uma ferramenta útil na luta contra o capitalismo e o patriarcado, contribuindo assim para as legítimas aspirações de emancipação feminina.

VIVA O 8 DE MARÇO

VIVA A LUTA DA MULHER TRABALHADORA

cnt.es

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Jordi Gonzalbo, com valentia e alegria ao pé do canhão até o final

Um entristecido Tomás Ibáñez, Barcelona dezembro 2024

Na quinta-feira, 26 de dezembro [de 2024], quando só faltava uma semana para completar 95 anos, faleceu em Perpiñán [França] Jordi Gonzalbo. Sua figura é um claro exemplo desses companheiros que, desde a modéstia própria de quem evita figurar, sempre está na primeira linha quando o requer a luta libertária.

Havia nascido em 1930 no popular bairro gótico de Barcelona, em um entorno familiar que se caracterizou pelo repetido encarceramento tanto de seu pai como de sua mãe devido a sua militância cenetista. Em 1938 passou a França com sua mãe que se estabeleceu em Perpiñán, a poucos quilômetros da fronteira espanhola. Alguns anos mais tarde Jordi, que havia aprendido um ofício no ramo da construção, se integrou na Federação Ibérica de Juventudes Libertárias (FIJL) e, junto com outros jovens, constituíram um grupo autenticamente de afinidade que denominaram “o grupo de Perpiñán”.

Em 1962, quando a FIJL passou a ser o principal sustentáculo da luta frontal empreendida por Defesa Interior (D.I.) contra a ditadura franquista, a proximidade da fronteira espanhola e o dinamismo do grupo de Perpiñán fizeram que este se constituísse como um dos principais canais de introdução de propaganda libertária na Espanha, e de contatos com o “interior”, assim como de recepção dos companheiros fugidos da Espanha.

Em particular, Jordi e sua companheira Jeanine Lalet empreenderam com certa frequência o que no título de um de seus livros este qualificou como “Itinerários Barcelona-Perpiñán”. Uns itinerários nos quais espreitavam importantes perigos. Foi assim, a simples título de exemplo anedótico, como Jordi e Jeanine interviram na passagem clandestina à França de quem, faz algo mais de meio século, foi ministro de universidades, o sociólogo Manuel Castells.

Mas o perigo não só ameaçava no território espanhol, foi na França onde em 1963 Jordi foi detido pela polícia francesa no marco de um amplo ataque. Esta atuação do Governo francês estava encaminhada a neutralizar a FIJL e os companheiros mais veteranos, tais como Cipriano Mera por sua luta frontal contra o franquismo. Agora bem, essa onda repressiva não fez Jordi desistir da luta contra Franco, assim que o grupo de Perpiñán manteve seu ativismo durante toda a década dos sessenta e recrudesceu a intensa atividade de apoio à reconstrução do tecido libertário no “interior” em princípios dos setenta e durante os primeiros anos da transição.

Um traço que caracterizou Jordi Gonzalbo e que, lamentavelmente, não era muito frequente no exílio libertário espanhol, foi sua participação no movimento libertário galês integrando-se nas fileiras dos “Jeunes Libertaires”.

Outra de suas peculiaridades foi sua assídua colaboração na imprensa francesa nutrindo durante uns quinze anos a coluna do “Correo de los lectores” do jornal L’Indépendant com uns pequenos artigos belamente escritos e não desprovidos de humor.

Adentrado já na casa dos 90 anos, Jordi seguiu apoiando as atividades libertárias indo aos atos culturais e às manifestações reivindicativas, e nunca faltou, por exemplo, ao encontro festivo anual organizado pela CNT francesa em Perpiñán.

Somos muitos e muitas que sentiremos sua falta.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2025/01/02/jordi-gonzalbo-con-valentia-y-alegria-al-pie-del-canon-hasta-el-final/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

[Espanha] Gaza e Ucrânia, mortes paralelas

Por Rafael Cid

<<Putin invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, o mesmo dia e mês em que, em 1920, Hitler fundou o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (nazista)>>

Quando Vladimir Putin agrediu militarmente a que foi a segunda república da antiga URSS (a “Pequena Rússia”), justificou-se dizendo que era para “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia, um discurso que, desde o início, foi ecoado por amplos setores da esquerda. O chocante é que esse alinhamento com o discurso do líder russo agora se complementa com um Donald Trump orgulhoso do proselitismo descaradamente filonazista de seus colaboradores mais próximos. Primeiro foi seu oligarca de confiança, Elon Musk, e depois seu antigo Rasputin, Steve Bannon. Além disso, começa a ser frequente que os trumpistas mais fervorosos encerrem seus comícios com a saudação fascista. “Heil Trump! Heil Putin!”, tanto faz. Uma estranha dialética compensada por uma origem comum homofóbica, xenófoba e teocrática. Como Putin, o presidente americano se considera “escolhido por Deus para tornar seu país grande novamente” e acabar com as políticas de gênero que atentam contra a tradição (“só existem dois sexos: homem e mulher”).

Sobre algumas dessas questões tratava o artigo O Mein Kampf de Putin é uma cruzada de gênero, publicado neste veículo em 3 de abril de 2022, que reproduzo em sua essência a seguir. A propósito, aquele texto era precedido por uma citação de George W. Bush sobre Putin que encerrava uma visão de futuro: “Olhei em seus olhos e vi a alma de um homem direto e sincero”. Daqueles ventos…

[Em análises anteriores sobre a invasão da Ucrânia, destacamos as coincidências entre a campanha das tropas alemãs do Terceiro Reich e a atual ofensiva bélica desencadeada pelo Kremlin. Nesse sentido, enfatizamos a teoria dos “grandes espaços” (Lebensraum), proposta pelo politólogo nazista Carl Schmitt (hoje valorizada por pensadores pós-comunistas como Alain Badiou, Slavoj Žižek, Ernesto Laclau ou Chantal Mouffe, e pós-fascistas como Alain de Benoist). Fórmula usada por Hitler para justificar a anexão forçada dos Sudetos e da Áustria por conter “comunidades de língua alemã oprimidas”, e por Vladimir Putin para recuperar a Crimeia e engolir Lugansk e Donetsk na região do Donbass.

Mas foram necessárias duas semanas desde que a tão negada invasão se consumou (uma “reação histérica” do Ocidente, segundo Moscou e os partidos de esquerda nostálgicos do “socialismo real” panóptico, que viam o único risco na agressividade passiva da OTAN) para que esse tandem se complete com outro elemento central. Trata-se de um fator que confere uma dimensão inédita ao paralelismo antes sugerido, mas que serve para apreciar na justa medida a estranha afinidade entre a extrema direita e a extrema esquerda em relação às posições de Putin e sua investida balístico-militar. Falamos de uma dimensão “espiritual” (trascendente e, portanto, dificilmente sujeita a esquemas de racionalidade lógica) que faz com que o que, em um primeiro momento, era a “Guerra de Putin”, se torne a “Cruzada de Putin”.

Precisamente a fé declarada com que o mandatário russo aborda essa contenda (que Donald Trump considerou “a força de paz mais poderosa que já vi”) é o líquido amniótico que envolve e confunde populistas de ambas as heráldicas. A Cruzada do Caudilho Franco era para salvar a católica Espanha da conspiração judaico-maçônica que atentava contra as bases da civilização ocidental. A Cruzada do Czar Putin pretende o mesmo, mas ao contrário: impedir que a ortodoxa Rússia sucumba às mãos da decadente civilização ocidental. Estamos diante de duas “guerras santas” da cristandade pela graça de Deus.

Essa simbiose forneceu uma extraordinária profundidade de campo à refundação geoestratégica da agenda putinista, ungido pela quarta vez como presidente da Federação Russa em 2018 com um esmagador 76,67% dos votos e as bênçãos do patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill. Como lembra Carlos Taibo em um livro de leitura obrigatória, já “em março de 2004, o patriarca Alexis II pediu o ‘voto para o candidato mais justo’, enquanto o metropolita Kirill participava da campanha eleitoral de Putin. Como contrapartida, o presidente – acrescenta – referiu-se frequentemente ao lugar que a ortodoxia representa no processo de construção nacional: ‘Sem a fé ortodoxa, sem a cultura nela fundada, a Rússia não poderia existir'”. (Rússia na era de Putin, pág. 74).

Com esses atributos, meio monge, meio soldado, parece óbvio que a “operação militar especial” com que a máquina de guerra moscovita devasta a Ucrânia por terra, mar e ar também foi planejada como uma missão evangélica. “Para libertar a população do genocídio”, na declaração de Putin diante da multidão que lotou o estádio Luzhniki para comemorar o 8º aniversário da incorporação da Crimeia ao seu medalheiro (cópia e cola escatológica compartilhada pelo escritor Juan Manuel de Prada em sua coluna no ABC em 28 de fevereiro). Metido em seu papel de tele-pregador armado, o mandachuva do Kremlin justificou a carnificina em curso invocando a Bíblia para maior ênfase. Referindo-se às Sagradas Escrituras, afirmou: “Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos”.

A obsessão homofóbica de Putin com as “chamadas liberdades de gênero”, contra o que poderia parecer à primeira vista, não é uma emanação do prurido machista que ele tanto gosta de exibir mostrando suas habilidades de peito aberto no karatê, na caça, no hóquei no gelo e em outros esportes viris. Trata-se, nada mais, nada menos, do devocionário da Grande Rússia que ele pretende erguer por meio de um arsenal baseado em bloqueios mentais e na diplomacia dos mísseis (que podem ser lançados impunemente a 3.000 quilômetros de distância). Ele não é um estadista, nem um político, nem mesmo um guerreiro; é o enviado teocrático do Altíssimo para executar o destino manifesto da Rússia eterna e mostrar à Eurásia uma alternativa à ralé ímpia e materialista do Ocidente. Como previu o patriarca Kirill em 6 de março passado na catedral de Cristo Salvador, em Moscou. Durante seu sermão, o “pontífice” ortodoxo justificou a invasão militar apoiando o relato de Putin sobre o papel de seu exército de salvação. “Durante anos, tentou-se destruir o que existe no Donbass. E no Donbass há uma rejeição, uma rejeição fundamental aos chamados valores que hoje propõem aqueles que se dizem líderes mundiais. Hoje, há um teste de lealdade a esse poder […] O teste é muito simples e, ao mesmo tempo, aterrador: trata-se de uma parada do orgulho gay”. Já em seu tempo, Eric Voegelin nos alertou sobre o enorme potencial oculto da teologia política em momentos de catarse, e o Mein Kampf do discurso de Putin é uma arenga patriotera e mefistofélica destinada à “necessária e natural autopurificação da sociedade”.

A “pandemia” gay e as políticas de gênero “antinaturais” como o novo ópio do povo. Talvez por isso, comunistas pós-modernos como a vice-presidente do governo PSOE-UP, Yolanda Díaz, e a tropa integrista do Hazte Oírmutatis mutandis, vejam um referencial moral no “Santo Padre”, o Papa Francisco, tão radical contra a interrupção da gravidez (“O aborto é um homicídio e quem o pratica mata”) e tão indiferente diante da invasão de Putin. Uma pinça semelhante ocorre na França entre Le Pen e Mélenchon. Enquanto isso, em outro nível, o Estado confessional militarista de Israel se recusa a apoiar as sanções ao Kremlin pela agressão à Ucrânia. A “operação militar especial” de Putin contra a Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022, o mesmo dia e mês de 1920 em que foi fundado o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (desdobramento literal do acrônimo “nazista”). Fim da citação.

Além desses posicionamentos terraplanistas, existe uma dimensão política brutal à qual se incorporou um novo protagonista em Israel. Da mesma forma que a “solução final” proposta para a Ucrânia só foi possível com o retorno de Trump ao poder, a política de extermínio contra Gaza executada impunemente por Netanyahu também não existiria sem a neutralidade cúmplice de Moscou, até pouco tempo militante a favor da causa palestina. Por sua vez, Tel Aviv nunca apoiou as sanções ocidentais contra a Rússia nem forneceu qualquer tipo de armamento a Kiev. Além disso, Netanyahu e Putin estão no radar do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra.

Embora conflitos distintos no espaço e no tempo, hoje Gaza e Ucrânia são vasos comunicantes de uma mesma redistribuição geoestratégica de três vias. Putin fica com os territórios ocupados na Ucrânia, Trump com suas terras raras, enquanto Netanyahu arrasa Gaza para que Trump projete sua Riviera do Oriente Médio sobre um imenso ossário. Por isso, o vergonhoso tratamento diferenciado que nossa esquerda dá à solidariedade com os gazatianos e ucranianos, vítimas da mesma opressão criminosa e totalitária, só alimenta sua múltipla barbárie. Significa colocar um semáforo maniqueísta no genocídio. Ao completar o terceiro aniversário do início da invasão russa da Ucrânia, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução exigindo que Moscou retire “imediatamente, completamente e incondicionalmente todas as suas forças militares”, com o voto contra de Putin e Trump. O trumputinismo é a nova espécie invasora que ameaça a humanidade.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/gaza-y-ucrania-muertes-paralelas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quietude –
O barulho do pássaro
Pisando as folhas secas.

Ryushi

“Não nos iludimos com democracias”

O ENIGMA DA MULTIDÃO

.

Odiamos todas as ditaduras,

mas não nos iludimos com democracias,

liberarismos e humanismos.

.

Não acreditamos na lei e na ordem,

no silenciamento das diferenças

pela demagogia barata da união nacional.

.

Nosso caminho é a revolta,

a insurgência dos pobres contra os ricos.

Ousamos imaginar outros mundos possíveis.

Recusamos a indiferença e a impotência

que nos mantém dóceis e conformados.

.

Somos a multidão que transcende a organização,

que ultrapassa todos os movimentos

e clama por revolução.

.

Carlos Pereira Junior

.

NÃO ACREDITE

.

Não acredite em Deus,

partidos, humanismos,

rebanhos ou Estado.

.

Não se submeta a ditaduras,

nem se iluda com democracias.

Nenhum poder honra o povo.

.

Não acredite

em nada que te ultrapasse.

Pois a vida é incerteza e simulacro.

É preciso, sempre, duvidar do mundo,

questionar a realidade,

recusar toda ilusão de verdade.

.

Carlos Pereira Junior

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/12/24/contra-todo-nacionalismo-o-poder-e-maldito-a-sociedade-contra-o-estado/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/29/contra-todos-os-governos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/04/um-viva-aos-subversivos/

agência de notícias anarquistas-ana

Imenso jardim,
e sobre flores diversas
enxame de abelhas…

Analice

[EUA] “Obrigada por ajudarem a realizar o sonho de uma menina!”

Hoje (18/02) me sentei com meu pai, ouvindo-o falar sobre as memórias de sua infância… Na CASA DELE, à mesa da COZINHA DELE! Sonhei com isso desde que me lembro… Sou imensamente grata a cada um de vocês que rezou por nós todos os dias. Que orou pela liberdade do meu pai. Obrigada por ajudarem a realizar o sonho de uma menina!

Acima de tudo, quero agradecer ao meu pai – obrigada por permanecer forte! Você me enche de orgulho por ser Lakota/Ojibwe!!! É uma honra chamá-lo de meu pai!!

Tehiya Gli Win Peltier-Shields

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/26/eua-leonard-peltier-volta-para-casa-finalmente/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/24/eua-o-que-a-liberdade-de-leonard-peltier-representa-para-o-futuro-indigena/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/06/eua-ele-vai-pra-casa-novo-filme-documenta-a-luta-para-libertar-leonard-peltier/

agência de notícias anarquistas-ana

Insetos que cantam
parecem adivinhar
minha solidão…

Teruko Oda

[França] Um quartel da gendarmeria vira fumaça em Vendée

Em sua corrida desenfreada pela segurança, o governo havia prometido criar 200 novas brigadas de gendarmeria em todo o país, especialmente em cidades pequenas. Em um país onde os correios e as estações ferroviárias estão fechando nas áreas rurais e onde há falta de médicos e escolas, o objetivo parecia tão absurdo quanto indecente.

Em Vendée, a comuna de Bois-de-Céné obedeceu às instruções e gastou 400.000 euros para converter uma casa antiga em um quartel da gendarmeria. As instalações de 160 metros quadrados eram novas, o trabalho tinha acabado de ser concluído e 10 gendarmes deveriam se mudar para as novas instalações. Mas no sábado, 22 de fevereiro, a gendarmeria foi completamente incendiada. A polícia acredita que o incêndio foi deliberado.

Nota:

Uma gendarmaria, gendarmeria ou simplesmente guarda é uma força militar, encarregada da realização de funções de polícia no âmbito da população civil. Os seus membros são designados “gendarmes”.

agência de notícias anarquistas-ana

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!

Ôshima Ryôta

[Estado Chileno] Semana de agitação em memória do companheiro Javier Recabarren, de 11 a 18 de março de 2025

E mesmo que a morte não chegue em pleno confronto, somos nós quem devemos reviver cada história, devemos construir a memória combativa de nossos irmãos e irmãs, que sua lembrança não se transforme em um memorial cidadão, que seu rosto não seja o de algum ídolo, que a guerra que travaram em vida seja parte do impulso revolucionário, que seus relatos, suas certezas e contradições nos acompanhem em cada ação, em cada noite de sabotagem, em cada impulso destruidor da sociedade de misérias, em cada gesto de rebeldia“. – Belén Navarrete

Escrito em memória do companheiro Javier Recabarren. Novembro de 2015.

UM RUGIDO ENTRE ANIMAIS

No dia 18 de março de 2015, morre o companheiro anárquico e antiespecista Javier Recabarren, após ser atropelado por um ônibus do Transantiago nas ruas Radal com Alameda, em Santiago.

Javier, com apenas 11 anos de idade, já participava de diversas iniciativas antiautoritárias, atividades solidárias, comícios, manifestações, encapuzando-se e enfrentando a polícia bastarda. Dessa forma, esbofeteando qualquer um que acredite que exista uma idade determinada para escolher o caminho do conflito.

A 10 anos de sua morte, voltamos a fazer um chamado para uma semana de agitação em memória do companheiro, incentivando a extensão das ideias e práticas antagônicas ao poder, as quais Javier, em seus poucos anos de vida, buscava e encontrava com fome de conhecer para a ação.

De 11 a 18 de março, vá às ruas, faça parte desta iniciativa aberta, todos que se sentirem chamados podem contribuir; crie e divulgue propaganda, aja em consequência.

Não nos esquecemos do urso Polar Taco e dos milhares de animais assassinados, encarcerados, violentados e coisificados dia após dia.

Não nos esquecemos de nossos mortos que, em vida, percorreram caminhos de confronto ilegal pela Anarquia e pela Liberação Animal.

Saudamos nossos presos e fugitivos que se mantêm íntegros com sua opção de vida em conflito, resistindo à prisão política e, em condições adversas, continuando com uma alimentação vegana.

A 10 ANOS DE SUA MORTE, JAVIER RECABARREN PRESENTE

…NA AÇÃO ANÁRQUICA E PELA LIBERAÇÃO ANIMAL 

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2025/02/21/estado-chileno-semana-de-agitacion-a-la-memoria-del-companero-javier-recabarren-del-11-al-18-de-marzo-2025/

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/03/27/chile-folheto-uma-vida-curta-de-revolta-vale-mais-do-que-cem-anos-de-submissao-javier-recabarren-presente/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/25/chile-recordando-o-companheiro-javier-recabarren/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/22/chile-em-memoria-do-anarquista-javier-recabarren/

agência de notícias anarquistas-ana

sob a folhagem amarela
o mundo repousa enterrado…
exceto o Fuji

Buson

[França] “Mumia, la plume et le poing”: cem artistas unem forças para garantir a libertação de Mumia Abu-Jamal

Le Temps des cerises, em parceria com o coletivo de apoio a Mumia Abu-Jamal, e quase uma centena de pintores, artistas visuais, cartunistas e designers gráficos estão unindo forças para exigir a libertação do prisioneiro político injustamente condenado, que está preso nos Estados Unidos há mais de quatro décadas.

Por Cathy Dos Santos

Há mais de quatro décadas, seu único horizonte são as paredes de sua cela. Em abril passado, Mumia Abu-Jamal chegou a apagar suas 70 velas atrás das grades [comemorou seu 70º aniversário]. Sua vida é um confinamento arbitrário. E, no entanto, embora fisicamente debilitado, ele permanece ereto e digno.

Apesar da temível determinação das autoridades judiciais, o famoso ativista dos Panteras Negras não está sozinho nem isolado. “Mumia, la plume et le poing” [Mumia, a caneta e o punho], publicado pela Le Temps des cerises em parceria com o coletivo francês em apoio a Mumia Abu-Jamal e 100 Artistas por Mumia, reúne uma série de artistas da França e do exterior.

O lugar de Mumia não é na prisão

Pintores, artistas plásticos, artistas gráficos, cartunistas e fotógrafos colocaram seu talento a serviço de uma causa nobre: a libertação da voz dos que não têm voz. Seu trabalho está repleto de uma solidariedade que não tem limites; é uma demonstração de uma fraternidade que pode ir além dos muros de sua prisão.

“Nenhuma campanha por mudanças radicais pode ser realmente eficaz sem incluir uma dimensão estética”, diz Angela Davis no prefácio deste livro. Figura de destaque no movimento pelos direitos civis, ela também foi presa nos Estados Unidos como comunista. Na terra do Tio Sam, o espírito subversivo e as batalhas políticas contra um sistema alienante têm um preço alto.

“A arte nos incentiva a levar a sério as criações da imaginação humana. A arte também nutre e sustenta a capacidade de imaginar coletivamente”, afirma a grande feminista. A imaginação é o tema destas páginas, nas quais as características do rosto do prisioneiro indomável são expressas em carvão, colagem, pinturas, fotografias e histórias em quadrinhos.

Ernest Pignon-Ernest, Kiki Picasso, Boris Séméniako, Daniel Paris-Clavel, Fred Sochard e muitos outros estão sacudindo a própria consciência de Mumia Abu-Jamal. Em última análise, suas obras nos dizem que a injustiça já dura há muito tempo, desde que Mumia foi condenado à morte em 1982 pelo assassinato de um policial branco, o que ele sempre negou, ao final de um julgamento desprovido de provas, iníquo e, ainda assim, tão revelador do racismo sistêmico que grassa nos Estados Unidos.

Suas obras também nos dizem que esse prisioneiro político ainda está de pé, que sua voz não perdeu nada de sua força ao castigar as desigualdades deste mundo em crônicas rigorosas cheias de humanidade. O lugar de Mumia não é na prisão; nunca foi. A exigência de sua libertação é um grito compartilhado. Esse é o desejo expresso pelos criadores de “Mumia, la plume et le poing“, que estão convencidos de que a arte perturba, abala e emancipa, assim como as palavras de Mumia. 10 euros de cada livro vendido serão doados ao coletivo.

“Mumia, la plume et le poing”, edição Temps des cerises, coleções la griffe de l’art, 2024, 165 páginas, 35 euros.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/06/suica-mumia-livre-ja-no-70o-aniversario-de-mumia-abu-jamal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/23/24-de-abril-de-2024-70-aniversario-de-mumia-abu-jamal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/22/alemanha-bicicletada-e-comicio-para-o-aniversario-de-70-anos-de-mumia-liberdade-para-mumia-liberdade-para-todos/

agência de notícias anarquistas-ana

O tempo virou
Apressam o passo as saúvas
Onde o guarda-chuva?

Chico Pascoal

[Espanha] CGT insiste que a ABAI continua destruindo postos de trabalho devido à deslocalização

A CGT vem denunciando há meses que a empresa de telemarketing ABAI está destruindo centenas de postos de trabalho na Espanha com o objetivo de prestar serviços de atendimento ao cliente para grandes companhias, como Telefónica e Endesa, a partir de países onde as condições trabalhistas são mais precárias.

No passado mês de novembro, a CGT convocou concentrações em frente às lojas da Movistar por esse motivo e, há mais de um mês, divulgou que a ABAI havia aberto um novo centro de atendimento telefônico na cidade colombiana de Pereira, de onde são atendidas as consultas dos clientes da Movistar. “O objetivo é claro: reduzir drasticamente o número de trabalhadoras na Espanha para desviar a carga de trabalho para outros países onde nossas colegas sofrem condições ainda piores que as nossas”, afirmam fontes do sindicato. “A direção da ABAI busca criar um clima de terror e incerteza para que nos vejamos obrigadas a deixar a empresa”, acrescenta a mesma fonte.

O sindicato insiste que a estratégia da ABAI conta com o apoio das grandes empresas às quais presta serviço, como Movistar e Endesa. “A ABAI e a Telefónica desativam de maneira arbitrária as chaves que nós, teleoperadoras, precisamos para trabalhar em suas campanhas; dessa forma, buscam justificar medidas tão prejudiciais como os ERTE (Expedientes de Regulação Temporária de Emprego), como o que atualmente afeta o centro de Madrid”, declara uma delegada da CGT.

A CGT ressalta que tanto a ABAI quanto as empresas que contratam seus serviços utilizam a deslocalização para aumentar exponencialmente seus lucros às custas da precariedade. “É vergonhoso que uma empresa como a Telefónica, que foi pública e tem o Estado entre seus acionistas, possa destruir impunemente centenas de postos de trabalho com a deslocalização dos serviços”.

A CGT exige que a direção da ABAI ponha fim a essa situação e garanta as condições das equipes. “Não vamos permitir que brinquem com nosso futuro dessa maneira; temos o direito de trabalhar em condições dignas”. “Não é possível que queiram obter ainda mais receitas esmagando e humilhando as trabalhadoras de todo o mundo”, indica a mesma fonte.

Fotografia de uma das concentrações em frente a uma loja da Movistar

Fonte CGT na ABAI Coruña: https://rojoynegro.info/articulo/cgt-insiste-en-que-abai-continua-destruyendo-puestos-de-trabajo-por-la-deslocalizacion/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra
nada pergunta ao rio
sobre água e tempo.

Yeda Prates Bernis

[Grécia] 25 anarquistas detidos em Atenas

25 membros do Rouvikonas, um coletivo anarquista, foram presos em Atenas na sexta-feira (28/02) durante a greve geral de 24 horas. Embora eles devessem comparecer ao tribunal no sábado (01/03), o julgamento foi adiado. Em uma ação sem precedentes, os ativistas serão mantidos na prisão até terça-feira, quando o julgamento continuará.

Na sexta-feira, enquanto toda a polícia monitorava a maré humana na capital, o coletivo subiu ao topo do prédio da “Hellas Train”, uma empresa de trens privatizada que busca obter o máximo de lucros às custas da segurança dos passageiros. Eles desfraldaram duas faixas na fachada do edifício em conexão com o desastre ferroviário de 28 de fevereiro de 2023, que custou 57 vidas, uma com a inscrição “Assassinos” e a segunda “Iremos até o fim Koulis” (Koulis é a abreviação do primeiro-ministro grego Mitsotakis). Depois de ouvir a decisão do tribunal, a multidão que tinha vindo para apoiá-los se revoltou em voz alta e foi imediatamente atacada pela polícia de choque.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/28/o-acidente-fatal-do-trem-tempe-reacendeu-as-ruas-da-grecia-com-algumas-das-maiores-manifestacoes-de-protesto-que-o-pais-ja-viu/

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

O acidente fatal do trem Tempe reacendeu as ruas da Grécia com algumas das maiores manifestações de protesto que o país já viu

Manifestações em massa ocorreram nas ruas de Atenas, Tessalônica e outras cidades da Grécia no segundo aniversário do acidente de trem de Tempe. Cinquenta e sete pessoas morreram quando o trem de passageiros colidiu com um trem de carga em 28 de fevereiro de 2023, e a raiva pela tragédia cresceu junto com uma série de falhas na melhoria da segurança dos trilhos, na entrega dos resultados de um inquérito judicial formal ou na condenação de qualquer pessoa por seu papel na viabilização do acidente.

Com centenas de milhares de pessoas participando em 200 cidades, vilas e aldeias e uma greve geral que fechou a infraestrutura, os protestos assumiram o caráter de uma dissidência mais geral contra o governo de Mitsotakis, após o protesto generalizado de janeiro.

As reportagens da mídia grega têm se concentrado consistentemente nos tumultos que se espalharam em Atenas ao longo do dia. Porém, contra as tentativas generalizadas de apresentar os tumultos em grande escala no centro da cidade como trabalho de agentes provocadores, os grupos anarquistas gregos avaliaram a situação. A Void Network, em um comunicado, disse:

Os maiores protestos de todos os tempos neste país provaram, de certa forma, que a grande maioria social está exigindo uma vida muito diferente daquela que nos é imposta por políticos corruptos e empresários canalhas. Estamos, aos milhões, lutando por uma vida de solidariedade, igualdade, liberdade e justiça.

Se as alas mais radicais da esquerda e do anarquismo têm algo a oferecer, além da nossa participação e do fortalecimento de um movimento que exige “Justiça” para o crime de Tempe, é justamente substituir essa ideia por uma expectativa de Justiça Social, capaz de exigir direitos sociais e públicos básicos, independentemente e além da identidade nacional, além dos limites estabelecidos e impostos pela soberania.

Para fazer isso, no entanto, é necessário que as forças radicais ultrapassem os slogans cansados que simplesmente afirmam sua identidade e a tendência de idealizar a margem social que prevaleceu dentro delas. Porque, no final das contas, qual é o limite do tipo de multidão que apareceu nas praças? Seu caráter clássico de maioria social é, ao mesmo tempo, seu verdadeiro poder. Uma força coletiva que busca não apenas provocar mudanças institucionais significativas em nível político, mas, a longo prazo, alcançar uma transformação radical de nossas vidas e do modo de produção.

No ambiente histórico e global sombrio que está se formando, essa demanda por Justiça Social, essa perspectiva “temporária”, talvez seja a coisa mais atual que existe.

A justiça não é apenas um objetivo, mas um processo que se desenvolve por meio da liberdade, da igualdade e da solidariedade. A justiça não pode ser imposta por uma autoridade central ou por um sistema hierárquico. Em vez disso, ela deve emergir das comunidades, dos esforços coletivos das pessoas que agem livre e conscientemente para o bem comum.

Os crimes do Estado são obscurecidos para proteger os mecanismos que sustentam a desigualdade e a exploração sistêmicas, os privilégios dos poderosos, os dias e as noites de labuta e agonia de todos nós.

A Justiça Social, que gritamos nas ruas, não é uma igualdade na opressão, mas a capacidade de cada pessoa de viver com dignidade, sem exploração, sem medo. Trata-se de criar uma sociedade em que os recursos sejam distribuídos de forma justa, em que o trabalho seja livre e criativo e em que as relações entre as pessoas sejam baseadas na confiança e na solidariedade.

A justiça não pode existir sem igualdade e liberdade.

A justiça social não é apenas uma teoria, é uma ação que exige esforço constante e revolução contra toda forma de opressão. Precisamos abolir as hierarquias em todos os aspectos da vida, destruir os sistemas que perpetuam a desigualdade e construir uma sociedade baseada na autogestão, na ajuda e no cuidado uns com os outros.

Em uma sociedade assim, a justiça não estará nas mãos de políticos corruptos, mafiosos e canalhas, não será uma ideia abstrata, mas uma realidade vívida desenvolvida por meio da experiência e da participação igualitária de todos. Será uma sociedade em que ninguém será rico enquanto outros passam fome, e em que ninguém terá poder sobre os outros.

Justiça social é a liberdade de viver, criar e colaborar sem medo e sem opressão. É a promessa de uma sociedade baseada no amor, na solidariedade e no respeito por todos os seres humanos. E essa sociedade não virá do céu, mas nascerá do coração e das ações de todos nós.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/27/grecia-todos-para-a-marcha-de-greve-contra-o-crime-capitalista-estatal-em-tempe/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/27/grecia-apelo-a-greve-de-28-02-dois-anos-desde-o-assassinato-estatal-e-capitalista-em-tempe/ 

agência de notícias anarquistas-ana

gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado

Rosa Clement

[Alemanha] Berlim: Sabotagem de linha ferroviária e antena de telecomunicações

Exatamente um ano atrás, a área de Grünheide foi ocupada para impedir a expansão da Gigafactory da Tesla. Após quase nove meses de existência, a ocupação foi evacuada em novembro passado, sob o pretexto ridículo de uma busca por bombas, no momento em que escavadeiras encomendadas pela Deutsche Bahn, que construirá as instalações ferroviárias e a estação de carga para a expansão da Gigafactory, chegaram e abriram um caminho de destruição na floresta. Hoje, a Tesla, contra a vontade dos moradores de Grünheide, recebeu permissão para expandir a fábrica e um novo contrato, que permite à empresa despejar ainda mais resíduos tóxicos no esgoto.

Resumo curto: tudo está bem para o tecnofascista e fã do AfD Elon Musk.

Contudo, não permaneceremos inativos diante desses acontecimentos. A luta contra a Tesla já criou muitos momentos maravilhosos e rebeldes e mostrou que, com o uso combinado de vários métodos, até mesmo uma das empresas mais poderosas do mundo pode, pelo menos temporariamente, ser forçada a recuar. Queremos continuar nessa direção.

Esta manhã (12/02), interrompemos a linha ferroviária pela qual milhares de funcionários da Tesla são transportados de Berlim para Grünheide todos os dias, bem como o transporte comercial de petróleo e gás do Leste para o Oeste, e incendiamos uma antena de telecomunicações perto do poço de cabos da linha ferroviária. Essa sabotagem é direcionada contra a Deutsche Bahn e a Tesla, as duas principais culpadas pelo desmatamento e derrubada da floresta, bem como contra a infraestrutura que é a força vital do domínio e controle digital.

Percebemos que as intervenções dessas empresas em Grünheide são apenas uma pequena parte da destruição causada pelo complexo tecnoindustrial e pela produção de veículos elétricos em escala global. A grilagem de terras, o esgotamento dos recursos naturais, a poluição e a exploração violenta do trabalho humano estão sempre ligadas à extração de matérias-primas e à infraestrutura de transporte necessária. Minerais como lítio, cobalto, cobre, etc., usados ​​na fabricação de baterias de automóveis e outras tecnologias-chave para a transição energética, são limitados e o acesso a eles está sujeito a uma competição acirrada. Da mesma forma, produtos de alta tecnologia, como microprocessadores, encontrados em todos os dispositivos tecnológicos e produzidos no mundo todo por apenas algumas empresas, podem levar a tensões geopolíticas que podem transformar guerras comerciais existentes em conflitos armados sérios. A notória transição “verde”, que segue teimosamente o mantra capitalista de “mais rápido, mais alto, mais longe”, não só amplifica as mudanças climáticas e os desastres que as acompanham, mas, em combinação com outros fatores, também tem o potencial de levar a humanidade de volta à beira de uma guerra global. Esta guerra corre o risco de se tornar tão permanente quanto as crises capitalistas.

A Deutsche Bahn e a Tesla/SpaceX estão entre as empresas que se beneficiam tanto do desastre ecológico quanto de uma possível guerra. Por um lado, porque a narrativa da “economia verde” persiste teimosamente e atua como um amplificador de seus negócios com falsa sustentabilidade. Por outro lado, a infraestrutura e as aplicações tecnológicas dessas empresas desempenham um papel importante na logística dos países da OTAN, que estão constantemente aumentando a tensão global para defender a hegemonia ocidental e continuar a subjugação colonial do Sul global sem perturbações. Tudo isso, se necessário, mesmo com guerra.

Não permitiremos isso – Não há paz para os exploradores da guerra e do crime ecocida!

Saudações aos incendiários antifascistas da Tesla, dos EUA a Dresden!

Amor e força aos presos e procurados!

P.S. e outras empresas que participaram da evacuação por meio de aluguel de máquinas ou estão envolvidas na expansão da Gigafactory, certamente ficarão felizes em receber visitas: 

  • Matthäis Bauunternehmen GmbH & Co
  • STRABAG
  • Boels
  • HKL Baumaschinen

Fonte: https://switchoff.noblogs.org/post/2025/02/12/berlin-gruenheide-bahnstrecke-und-funkmast-sabotiert/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/10/16/alemanha-acao-contra-a-ampliacao-da-megafabrica-da-tesla/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/20/alemanha-disrupt-tesla-carros-eletricos-incendiados-no-oeste-de-leipzig/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/13/alemanha-manifestantes-tentam-invadir-fabrica-da-tesla-perto-de-berlim/

agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Buson

[Grécia] Atenas | Passeata pela memória e luta pelo companheiro anarquista Kyriakos X.

Companheiros e companheiras da comunidade anarquista se reuniram no Propileu no sábado, 08/02, para homenagear a memória do companheiro anarquista Kyriakos Xymitiris, que morreu em uma explosão num apartamento na Rua Arkadias em Ampelokipi.

A passeata percorreu as ruas centrais da capital ateniense com um pulso particularmente dinâmico e os slogans que foram ouvidos expressaram solidariedade à muito traumatizada companheira Marianna M. bem como aos companheiros detidos que foram presos após a explosão.

A maior parte da manifestação foi parar na Rua Messolonghi, onde uma placa memorial foi colocada em homenagem ao companheiro anarquista morto Kyriakos Xymitiris.

KYRIAKOS X. SEMPRE PRESENTE NAS LUTAS PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/12/04/grecia-para-meu-companheiro-kyriakos-x/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/19/grecia-a-companheira-marianna-manoura-foi-transferida-para-a-prisao-de-korydallos/

agência de notícias anarquistas-ana

Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu