[França] “Mumia, la plume et le poing”: cem artistas unem forças para garantir a libertação de Mumia Abu-Jamal

Le Temps des cerises, em parceria com o coletivo de apoio a Mumia Abu-Jamal, e quase uma centena de pintores, artistas visuais, cartunistas e designers gráficos estão unindo forças para exigir a libertação do prisioneiro político injustamente condenado, que está preso nos Estados Unidos há mais de quatro décadas.

Por Cathy Dos Santos

Há mais de quatro décadas, seu único horizonte são as paredes de sua cela. Em abril passado, Mumia Abu-Jamal chegou a apagar suas 70 velas atrás das grades [comemorou seu 70º aniversário]. Sua vida é um confinamento arbitrário. E, no entanto, embora fisicamente debilitado, ele permanece ereto e digno.

Apesar da temível determinação das autoridades judiciais, o famoso ativista dos Panteras Negras não está sozinho nem isolado. “Mumia, la plume et le poing” [Mumia, a caneta e o punho], publicado pela Le Temps des cerises em parceria com o coletivo francês em apoio a Mumia Abu-Jamal e 100 Artistas por Mumia, reúne uma série de artistas da França e do exterior.

O lugar de Mumia não é na prisão

Pintores, artistas plásticos, artistas gráficos, cartunistas e fotógrafos colocaram seu talento a serviço de uma causa nobre: a libertação da voz dos que não têm voz. Seu trabalho está repleto de uma solidariedade que não tem limites; é uma demonstração de uma fraternidade que pode ir além dos muros de sua prisão.

“Nenhuma campanha por mudanças radicais pode ser realmente eficaz sem incluir uma dimensão estética”, diz Angela Davis no prefácio deste livro. Figura de destaque no movimento pelos direitos civis, ela também foi presa nos Estados Unidos como comunista. Na terra do Tio Sam, o espírito subversivo e as batalhas políticas contra um sistema alienante têm um preço alto.

“A arte nos incentiva a levar a sério as criações da imaginação humana. A arte também nutre e sustenta a capacidade de imaginar coletivamente”, afirma a grande feminista. A imaginação é o tema destas páginas, nas quais as características do rosto do prisioneiro indomável são expressas em carvão, colagem, pinturas, fotografias e histórias em quadrinhos.

Ernest Pignon-Ernest, Kiki Picasso, Boris Séméniako, Daniel Paris-Clavel, Fred Sochard e muitos outros estão sacudindo a própria consciência de Mumia Abu-Jamal. Em última análise, suas obras nos dizem que a injustiça já dura há muito tempo, desde que Mumia foi condenado à morte em 1982 pelo assassinato de um policial branco, o que ele sempre negou, ao final de um julgamento desprovido de provas, iníquo e, ainda assim, tão revelador do racismo sistêmico que grassa nos Estados Unidos.

Suas obras também nos dizem que esse prisioneiro político ainda está de pé, que sua voz não perdeu nada de sua força ao castigar as desigualdades deste mundo em crônicas rigorosas cheias de humanidade. O lugar de Mumia não é na prisão; nunca foi. A exigência de sua libertação é um grito compartilhado. Esse é o desejo expresso pelos criadores de “Mumia, la plume et le poing“, que estão convencidos de que a arte perturba, abala e emancipa, assim como as palavras de Mumia. 10 euros de cada livro vendido serão doados ao coletivo.

“Mumia, la plume et le poing”, edição Temps des cerises, coleções la griffe de l’art, 2024, 165 páginas, 35 euros.

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