[Bélgica] Sede do partido Vlaams Belang é atacada durante marcha contra a extrema direita

Durante uma marcha contra a extrema direita em Bruxelas, os manifestantes atacaram e danificaram a sede do partido separatista flamengo de extrema direita e anti-imigração Vlaams Belang. Eles picharam o prédio com frases anarquistas e jogaram balões de tinta e ovos.

Segundo a polícia, cerca de 4.500 manifestantes participaram na marcha realizada no domingo (16/06), que foi organizada pela Coordenadora Antifascista da Bélgica (CAB). Os organizadores falam de 10.000 participantes.

Reação aos resultados eleitorais

Os organizadores consideram a vitória de Vlaams Belang nas eleições parlamentares do passado domingo um dos motivos da manifestação. O partido ficou em segundo lugar na Flandres, 1,2 pontos percentuais abaixo do N-VA, de centro-direita. O partido conseguiu um resultado melhor do que em 2019, mas os grandes ganhos que as pesquisas previam não se concretizaram.

Em resposta à destruição, Vlaams Belang diz lamentar “que a extrema esquerda se recuse a respeitar a democracia e invariavelmente use a violência e o vandalismo. Esperamos que a polícia e o judiciário tomem medidas decisivas contra tudo isso e os anarquistas”, disse o partido.

Vlaams Belang é um partido de extrema direita e nacionalista que quer que a Flandres se separe da Valônia. Deter a migração é uma ponta de lança do partido: “Desfazer o erro multicultural” é um dos seus quatro princípios.

A sede do partido é frequentemente alvo de ataques. Em 2019, a fachada do edifício foi diversas vezes vandalizada e danificada.

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agência de notícias anarquistas-ana

na blusa velha,
muitas borboletas –
ele adora tocá-las…

Rosa Clement

[Espanha] Se puder, apoie os projetos anarquistas

O projeto do Ateneo Anarquista remonta a 2016, quando Gabriel foi libertado (o que, na época, acreditava-se ser definitivo). Sem conhecer as intenções de voltar a prender/sequestrar Gabriel, o trabalho foi realizado no Ateneo/moradia até o outono de 2017, quando os companheiros foram forçados a fugir. A partir dessa data, esse espaço voltou a ser um lugar abandonado até o verão do ano passado, quando Gabriel foi finalmente libertado novamente. Havia e ainda há muito trabalho a ser feito; no momento, a estrutura precisa urgentemente de um telhado para impedir a entrada de água. Para concluir o trabalho, são necessários 2.500 euros até o final de julho. Este é um apelo para aqueles de nós que acreditam em moradia decente, autogestão, espaços rurais autônomos e de formação libertária.

Agradecemos seu apoio.

Saúde e Anarquia

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poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos

Marcos Amorim

[Colômbia] Plenária Internacional 2024

A Associação Internacional dos, das e des Trabalhadores (International Workers’ Association – IWA) dá as boas-vindas a todas as suas seções e organizações amigas para a Plenária 2024, que será realizada pela primeira vez na Colômbia.

A Unión Libertaria Estudiantil y del Trabajo – ULET, a seção colombiana da Internacional, recebe com alegria e carinho seus companheiros, companheiras e companheires de todo o mundo na cidade de Bogotá nos dias 29 e 30 de junho.

Em seus mais de 100 anos, a IWA continua a unir de forma fraterna as lutas anarcossindicalistas em todo o mundo e a fortalecer as forças daqueles que lutam por um sindicalismo revolucionário sem hierarquias, com vistas à emancipação econômica, política e moral dos oprimidos do mundo até que o comunismo libertário seja alcançado.

Novas regiões do mundo estão cada vez mais se unindo à luta pela liberdade, justiça social e autogestão plena da vida.

Bem-vindos, bem-vindas e bem-vindes.

uletsindical.org

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uma folha cai
o chão cheio de folhas
o vento distrai

Marcio Luiz Miotto (Pitu)

[Espanha] Crônica: 15J. Jornada de caminhada e memória

No sábado, 15 de junho, juntamente com os companheiros de Nuestra Memoria Nuestra Lucha, fizemos uma rota por algumas das posições do Batalhão Alpino [que lutou durante a Guerra Civil]. O clima estava ótimo para a caminhada e, graças às explicações de nosso companheiro do grupo NMNL, que atuou como nosso guia, pudemos aprender muito sobre o batalhão, a geografia e a história dessa área da Serra de Guadarrama.

Desde o Puerto de Cotos, com um grande grupo de pessoas, caminhamos até Peña Citores e visitamos várias posições e trincheiras do batalhão, iniciando a viagem de volta após o almoço perto da Fuente de los Pájaros.

A verdade é que temos que admitir que ficamos surpresos com a grande receptividade do evento e lamentamos que algumas pessoas tenham ficado de fora, mas, devido ao número de inscrições, tivemos que estabelecer um limite para que o grupo não ficasse muito grande. Para aqueles que compareceram, obrigado pelo interesse e pela boa companhia. E aos companheiros de Nuestra Memoria Nuestra Lucha só nos resta enviar um abraço fraterno e agradecer por estarem sempre tão dispostos a realizar esse tipo de atividade e por tornarem tudo tão fácil e próximo. Sem vocês, isso não teria sido possível.

Deixamos abaixo algumas fotos tiradas durante o percurso.

Saudações libertárias a todos vocês. Esperamos vê-los novamente em outra ocasião.

Fonte: https://sierra.cntmadrid.org/cronica-senderismo-memoria/

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Amanhece em flor
e anoitece pelo chão
— efêmero ipê

Marba Furtado

Lula admite contradição com transição energética, mas faz questão de explorar combustíveis fósseis na foz do Amazonas

Presidente disse ser natural que órgãos do governo tenham posições diferentes sobre exploração, mas que país não pode deixar de “ganhar dinheiro com esse petróleo”.

A decisão do IBAMA, técnica, tomada com base na legislação ambiental, de negar a licença para a Petrobras perfurar um poço de exploração de petróleo no bloco FZA-M-59, na bacia da foz do Amazonas, virou de vez uma pendenga política. E pela fala do presidente Lula, que se coloca como o “juiz” da questão, o veredito já foi dado. Ao que parece, o meio ambiente e o clima serão mais uma vez sacrificados em prol de recursos financeiros que, além de incertos, não irão beneficiar a população, cada vez mais atingida por eventos climáticos extremos provocados pela justamente pelos combustíveis fósseis.

Lula já havia defendido a exploração da foz do Amazonas na semana passada, mas “respeitando o meio ambiente” – seja lá o que isso signifique em uma região de altíssima sensibilidade e grande risco ambiental, como constatou o IBAMA. E na 3ª feira (18/6), em entrevista à CBN, o presidente reiterou essa posição, deixando claro que a decisão final sobre uma questão técnica será sua.

“O problema é que o IBAMA tem uma posição, o governo pode ter outra posição. Em algum momento eu vou chamar o IBAMA, a Petrobras e o Meio Ambiente na minha sala para tomar uma decisão. Esse país tem governo e esse governo reúne e decide”, disse Lula, em fala repercutida por diversos veículos, como O Globo, g1, Folha, R7, Valor, Agência Brasil e 18 Horas.

As pontuações de Lula sobre petróleo na foz do Amazonas trazem algumas “curiosidades”, para dizer o mínimo. Ele afirmou que “se as pessoas podem ter posições técnicas, vamos debater tecnicamente”, mas não cabe ao presidente da República a avaliação técnica. O órgão capacitado para o tema, no caso, o IBAMA, já fez o diagnóstico, do qual a Petrobras já recorreu, como determina o procedimento legal. Um recurso que ainda está sendo analisado, como já disse várias vezes o presidente do órgão ambiental, Rodrigo Agostinho.

Lula foi questionado sobre a contradição entre o discurso ambiental de seu governo e a exploração de combustíveis fósseis. Mais precisamente, detalha o g1, sobre o desalinhamento entre lamentar o desastre climático do Rio Grande do Sul e investir na exploração de petróleo na foz do Amazonas, quando a ciência já mostrou de forma exaustiva a relação entre a queima desses combustíveis e as mudanças climáticas, causadoras de eventos extremos como o que atingiu o território gaúcho.

A princípio, Lula negou a contradição. Mas acabou admitindo a ambiguidade: “É contraditório? É, porque nós estamos apostando muito na transição energética. Ora, enquanto a transição energética não resolve o nosso problema, o Brasil tem que ganhar dinheiro com esse petróleo”. E completou: “O que não dá é para a gente dizer a priori que vai abrir mão de explorar uma riqueza que se for verdade as previsões é uma riqueza muito grande para o Brasil”.

Assim, Lula parece ainda estar preso em 2006, quando, em seu primeiro governo, foi descoberto o pré-sal, então a maior província petrolífera descoberta no mundo. As imensas reservas foram apontadas pelos entusiastas como a solução para tirar o Brasil da pobreza. 18 anos depois, as desigualdades sociais persistem, e a tal “riqueza” ao qual o presidente se refere ficou nas mãos de poucos. Algo natural em uma indústria concentradora de renda como a petrolífera.

Uma dúvida é saber qual é o “nosso problema” que, para Lula, a transição energética precisa resolver. Ao que parece, a expectativa do presidente é que as fontes renováveis de energia só serão prioridade quando gerarem a “riqueza” que petróleo, gás fóssil e carvão prometem [e não entregam] para a sociedade.

Fonte: https://climainfo.org.br/2024/06/18/lula-admite-contradicao-com-transicao-energetica-mas-faz-questao-de-explorar-combustiveis-fosseis-na-foz-do-amazonas/

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Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] A CGT demonstra sua solidariedade com as três ativistas do SAT de Granada e pede sua absolvição

Do Secretariado Permanente da CGT, queremos expressar nosso apoio às três pessoas do SAT de Granada que foram reprimidas pela “Justiça”.

Três trabalhadoras do sindicato estão sendo solicitadas a cumprir 5 anos de prisão por terem exercido seu direito legítimo de defender os direitos trabalhistas, manifestando-se em frente à sede da Delegação de Turismo do Governo Regional da Andaluzia e tendo desfraldado uma faixa denunciando a demissão de uma trabalhadora de limpeza em 2020. A Junta de Andaluzia, governada pela ala direita repressiva do PP, é a promotora particular, querendo colocar na cadeia pessoas cujo único crime foi denunciar essa demissão.

O SAT denunciou, na época, as ilegalidades cometidas pela Junta de Andaluzia na gestão dos subcontratados e a violação de vários artigos do contrato de limpeza e da Lei de Liberdade Sindical.

Como sindicato, a CGT não pode e não deve virar a cabeça diante de ataques como esse, que são realizados de forma descarada contra trabalhadores e sindicalistas. Como nos casos dos 6 da Confeitaria Suiza em Gijón, dos 6 em Zaragoza, ou dos metalúrgicos, entre outros.

O Estado reprime e oprime a classe trabalhadora quando ela protesta, aplicando impiedosamente a Lei da Mordaça, que deveria ter sido revogada anos atrás, conforme prometido pelo atual governo, mas que ainda está em vigor hoje.

Exigimos a absolvição dessas pessoas, pois uma luta justa, como a denúncia de demissões, não pode ser criminalizada. Pedimos que a justiça seja feita e que a liberdade de associação e os direitos das trabalhadoras não sejam pisoteados, como aconteceu nesse caso, por terem ousado protestar e denunciar as condições de trabalho em regime de semiescravidão. A voz das mulheres que se levantam contra a exploração e a opressão não pode ser silenciada com sua prisão. Não permitamos que isso aconteça.

LIBERDADE E JUSTIÇA PARA AS TRÊS DO SAT

Secretaria Permanente da CGT

Fonte: Secretaria Permanente do Comitê Confederal da CGT.

Tradução > Liberto

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sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

[Portugal] As frases e slogans mais irreverentes e anarquistas da Revolução dos Cravos

“O mais divertido dos livros sobre a revolução de Abril”, 25 de Abril, No Princípio Era o Verbo reúne – ilustradas, lustrosas–, as frases, os slogans, as pichagens, os delírios de ministros, militares, de soldados e freirinhas benza-as Deus.

“Mortos Fora dos Cemitérios, a Terra a quem a Trabalha”. “Abaixo a Foice e o Martelo, Viva o Black and Decker”. “Abaixo os Organismos de Cúpula, vivam os Orgasmos de Cópula”. Este festim resulta da associação espontânea e revolucionária entre o editor e autor Manuel S. Fonseca e o ilustrador Nuno Saraiva. Um partiu em busca das mais loucas frases de Abril e organizou-as, o outro deu-lhes forma e cor, recriando essa madrugada de Depois do Adeus. Um plenário criativo que se enche do louco, desbragado e inebriante florescimento da palavra livre. Uma edição Guerra e Paz que festeja meio século de democracia em Portugal, 25 de Abril, No Princípio Era o Verbo estará disponível na rede livreira nacional no dia 19 de março de 2024.

São dezenas de ilustrações, centenas de frases históricas, e um relato vivo, cheio de surpresas de uma das mais impressionantes algazarras de liberdade, loucura, e inocente destrambelhamento colectivo que o modesto povo português já viveu. 25 de AbrilNo Princípio Era o Verbo veio para festejar esse dia inicial inteiro e limpo que derrubou uma ditadura de 48 anos. Depois de Abril, a liberdade chegou como uma inundação: proliferaram partidos políticos; levantaram-se do chão incendiários educadores do povo; agitaram-se estandartes; colaram-se cartazes; pichagens pintaram paredes; ruas, largos e avenidas entupiram-se com torrentes de gente em loucas manifs. De tudo isso este livro organizado por Manuel S. Fonseca e ilustrado por Nuno Saraiva quer ser a mais despretensiosa – e divertida – testemunha.

Primeiro, num “preâmbulo mansinho, nocturno”, a obra visita e descreve, hora a hora, desde a noite de 24 de Abril, até do dia 25, o percurso, repleto de incidentes e suspense, dos militares que derrubaram o regime. Depois, leva-nos a redescobrir o alucinado desatino das palavras que varreu Portugal durante o PREC, tempo em que os portugueses pareciam estar loucos e sem freios, evocando cartazes, os gritos das manifestações, as paredes e muros pintados. “Nem Mais um Soldado para as Colónias, Nem mais uma Freira para o Céu”, “Abaixo a reacção! Viva o motor a hélice”, “Libertação imediata dos chatos oprimidos”, “Os soldados são filhos do povo. Os generais são filhos da puta”, “Se Deus existe o problema é dele”.

“O 25 de Abril foi um dia polifónico em que da voz de cada português saiu uma palavra, fosse essa palavra exaltante, ridícula, hiperbólica, tímida, ou do mais sublime humor. Dessas palavras se construiu o Portugal que hoje somos. 25 de Abril para ler, sempre!”. Sublinham os autores.

Um livro para revolucionários reumáticos e a reaccionários obcecados, para quem viveu o 25 de Abril de 1974, mas também para quem nem sequer ainda sonhava nascer, 25 de Abril, No Princípio Era o Verbo chega à rede livreira nacional, numa edição Guerra e Paz.

25 de Abril, No Princípio Era o verbo

Organização: Manuel S. Fonseca

Ilustrações: Nuno Saraiva

Não-Ficção / História

168 páginas · 15×23 · 16 €

Fonte: https://www.e-cultura.pt/artigo/32945

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Mal o dia clareia
a passarada
em coro chilreia

Eugénia Tabosa

Lula defende exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas | “O país não pode deixar de ganhar dinheiro com esse petróleo”

O presidente Lula (PT), idiota-hipócrita-desenvolvimentista, afirmou na quarta-feira (12/06), durante evento internacional de mega-bilionários, que o Bra$il “não pode perder a oportunidade” de exploração de petróleo no bloco da Margem Equatorial, na Foz do Rio Amazonas.

A extração, defendida pela Petrobra$, é questionada por ambientalistas, indígenas e anarquistas. No ano passado, o Ibama chegou a dar um parecer que impedia a iniciativa, que depois foi liberada pela AGU (Advocacia-Geral da União), provavelmente por pressão do presidente Lula.

Lula sempre defendeu a exploração: “A hora que começarmos a explorar a chamada margem equatorial, acho que a gente vai dar um salto de qualidade extraordinária. O país não pode deixar de ganhar dinheiro com esse petróleo”.

A extração de petróleo na Foz do Rio Amazonas pode prejudicar o bioma de toda a região. Estudos indicam que as construções e intervenções podem alterar a maré e até influenciar na fauna e na flora ao longo de todo o rio.

FII Priority Summit, encontro internacional capitalista e de farsa “verde e sustentável”

Lula reforçou sua posição desenvolvimentista durante o FII Priority Summit, um evento com graúdos investidores internacionais. “[Não podemos perder a oportunidade] de fazer com que esse país, junto com a Arábia Saudita nos Brics, possa criar uma nova forma de investimento, possa criar um novo sistema de tratamento das pessoas”.

Este foi o primeiro evento aberto de Lula com a nova presidente da Petrobra$, Magda Chambriard. De perfil desenvolvimentista, ela substituiu Jean Paul Prates em maio. “A nossa Petrobra$ está quase disputando com a Aramco”, brincou Lula, em referência à gigante petrolífera saudita que financiou o evento em que o presidente falou, no Rio.

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A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi

[Chile] Ação em solidariedade ao companheiro anarquista Francisco Solar

No âmbito do chamado de solidariedade aos presos políticos condenados há muito tempo. Em Santiago, território ocupado pelo Estado chileno, recebemos e divulgamos.

Ação em solidariedade ao companheiro anarquista Francisco Solar, condenado pelas autoridades a 86 anos de prisão, uma sentença de prisão perpétua disfarçada que busca exemplificar com o companheiro o medo que os poderosos têm das ideias e ações anarquistas, somado a um regime de constante isolamento.

Mural [foto] localizado na periferia oeste dessa cidade, Cerro Navia – Población Herminda de la Victoria.

“Vamos levar as ideias para o terreno do possível. Fim ao isolamento do companheiro Francisco Solar”.

Com amor, um gesto fraterno e cúmplice para você.

Viva a anarquia.

Fonte: Buskando La Kalle

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Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

[Espanha] Diante das declarações de um jogador de futebol milionário

Saúde!

O mundo do futebol está cheio de surpresas, algumas das quais já mencionei, outras estão surgindo pouco a pouco. No entanto, devemos ter em mente que a primeira surpresa é que, na grande maioria das vezes, tanto para muitos de seus praticantes quanto para seus empresários e a mídia, eles se esquecem de acrescentar o substantivo negócio ou, em qualquer caso, o adjetivo comercial. Mas há mais surpresas. Algumas delas são de natureza solidária, para dar dois exemplos: vimos recentemente como o Cádiz Club de Fútbol evitou o despejo de uma senhora de 88 anos ao comprar a casa onde ela mora e fazer um contrato vitalício com ela, deixando um aluguel social acessível à mulher. Outro caso foi o de Carmen Martínez, uma vizinha de Vallekas, mas dessa vez o presidente da Agrupación Deportiva Rayo Vallecano não queria mexer no próprio bolso, mas a pressão das arquibancadas o obrigou a fazê-lo, então ele criou uma linha zero para arrecadar fundos e Carmen permaneceu em sua casa. Gestos de solidariedade, bons gestos.

Mas a maioria de seus outros gestos, se houver, é de outra natureza: transferências, danças de jogadores, empresários corruptos, malas que dançam no final das temporadas… Raramente houve declarações políticas por parte de seus jogadores, quando é muito provável que, se um jogador de elite, esses que são queridos pelos torcedores, lançasse um slogan a favor da solidariedade, do futebol de base… Enfim, qualquer frase nesse sentido seria ao menos considerada por seus torcedores, pois, sem dúvida, o futebol comercial, tendo sido sequestrado pelo capital, favoreceu a chegada de torcedores que só querem que seu time vença a qualquer custo, o que é uma faísca para um violento foro. É claro que há muitas outras torcedoras que amam seu time e amam o esporte tanto quanto ou mais.

Isso vem de uma declaração feita por um jogador de elite francês, que pediu a seus apoiadores que votassem, mas que não fossem extremistas, porque os extremos são ruins. Dessa forma, ele bota no mesmo saco o que é chamado de extrema esquerda e extrema direita. Qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade sociopolítica sabe que não é assim, que o que as pessoas de direita chamam de extrema esquerda se opõe ao capitalismo, o pior dos extremos, que também é defendido pela extrema direita, pelos fascistas, e também por todo o espectro do que eles chamam de centro, esquerda… Esse senhor, que nada em milhões e, portanto, odeia o que ele chama de extrema esquerda, está a anos-luz de distância do que o futebol de base poderia ser, um esporte de solidariedade no qual todas as pessoas poderiam se envolver. Aqui vale a pena lembrar o jogador de futebol francês, Rino della Negra, que, sem alarde, quando não estava jogando ou treinando, deixava a bola para pegar seu rifle e lutar com a resistência armada contra os invasores nazistas alemães. Ele acabou sendo feito prisioneiro e fuzilado em 1944. Ele lutou de um extremo, o antifascismo, contra outro extremo, o fascismo. Mbappé esqueceu o exemplo desse jogador.

Simón Peña

Fonte: https://www.portaloaca.com/opinion/ante-las-declaraciones-de-un-jugador-de-futbol-millonario/

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paciência de tartaruga
cem anos
em cada ruga

Alexandre Brito

[Grécia] Atenas: Abertura da biblioteca “Total Liberation” na okupação aberta OutsideHill, na colina Streffi, na área de Exarchia

A biblioteca aberta “Total Liberation” é um projeto experimental de solidariedade e leitura coletiva. A visão básica da biblioteca é disseminar as ideias de libertação total pelo prisma do antiespecismo, criar um polo de atração, transmissão e interseção das ideias de libertação dos animais e da terra no contexto da luta anarquista. Nesse estágio, por algum tempo, ela terá um formato móvel com alguns títulos do catálogo disponíveis por algumas horas em um ponto predeterminado em um determinado horário.

O objetivo da mobilidade é aprimorar os empreendimentos coletivos, estar presente em espaços públicos acessíveis, cada vez mais questionadores, e encontros casuais com um mundo ampliado. O objetivo da biblioteca é ter o máximo de características libertárias, sem assinaturas, sem detalhes de contato obrigatórios das pessoas que levarão os livros e sem restrições de tempo para devolução.

Cabe aos seus usuários mantê-la em funcionamento para que haja livros suficientes disponíveis de cada vez. A biblioteca também terá à disposição folhetos e revistas que não precisam necessariamente ser devolvidos. Qualquer contribuição para livros e publicações é bem-vinda, desde que relacionada aos tópicos acima.

Contato: totalliberationxr@espiv.net

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1630323/

Tradução > Contrafatual

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Céu cheio de estrelas.
Manada de capivaras
Degusta o capim.

Josete Maria Vichineski

[Espanha] Defender a terra não é delito: Liberdade para Héctor Llaitul, mapuche e líder da ‘Coordenadora Arauco-Malleco’ (CAM)

A Justiça chilena proferiu, em princípios de maio de 2024, uma sentença condenatória para o líder indígena da CAM, Héctor Llaitul, que estava a mais de 2 anos em prisão preventiva acusado de vários delitos contra o Estado do Chile. A condenação, de 23 anos, privará o “comandante Héctor” de sua liberdade por defender o direito à autodeterminação e auto-organização das comunidades indígenas ou originárias.

Héctor foi espionado pela polícia do Chile e foi acusado de “incitação à violência, uso de armas de fogo, usurpação violenta, furto de madeiras e atentado à autoridade”. Segundo estes informes policiais, Llaitul é a pessoa que se encarregaria de planejar, coordenar e executar ações dirigidas contra os planos do Governo consistentes em dar mais poder a empresários e em detrimento dos direitos do povo mapuche, em conflito contra o Estado por sua negação sistemática a reconhecê-los como comunidades originárias e portanto com legitimidade de organizar-se como tais em determinados territórios, assim como o uso de seus recursos naturais, o uso de sua língua ou dialetos, a defesa de sua cultura, o desenvolvimento de seus costumes, etc.

Llaitul, comuneiro mapuche, é um defensor convencido da autonomia dos territórios de seu povo, e defende a auto-organização de sua gente, por isso trabalha na reconstrução destes lugares onde sempre viveram, desde seus ancestrais até seus filhos e netos. Suas palavras, após conhecer a sentença que vai mantê-lo encarcerado durante mais de duas décadas, foram contundentes e não mostraram arrependimento, mas uma enorme dignidade e esperança ante a adversidade e a incerteza. Ele considera que, preso ou não, – vivo ou morto-, o conflito do povo mapuche continuará sendo uma realidade, precisamente porque foi criminalizado por parte do Estado, e ante a opinião pública –tanto nacional como internacional-, sua legítima luta a defender-se dos ataques do sistema colonial que impera nesta parte do planeta”.

As causas contra Héctor Llaitul

Héctor, de 56 anos, foi à Universidade de Concepción (cidade de Concepción do Chile, na zona de Biobío). Ali estudou para formar-se como trabalhador social. Foi durante estes anos quando Llaitul toma consciência e começa a militar nas fileiras do Movimento de Esquerda Revolucionário. Mais tarde fará parte do Partido Comunista do Chile, durante os anos duros da ditadura militar de Pinochet (1973-1990).

Mas a maior parte de sua atividade a realizou através da ‘Coordenadora Arauco-Malleco’ ou ‘CAM’ por suas siglas. É considerada, segundo os meios burgueses e do sistema, a primeira organização de origem mapuche que começou a utilizar a “violência” na luta por suas reivindicações. Mas de novo, aqui, haveria que se propor a reflexão sobre o que é ou não é “violência” ou “violento”. São os assassinatos de comuneiros indígenas “violência”? É “violência” o saque constante dos recursos e dos territórios de centenas de comunidades indígenas que vivem em harmonia com a natureza desde séculos? É “violência” impor leis e normas a pessoas que estão a décadas organizadas em função de seus costumes e culturas em paz com suas comunidades e as de seu redor? Acaso é “violência” expulsar centenas de pessoas indígenas de seus territórios para que determinadas multinacionais disponham dos mesmos para aumentar seus lucros enquanto acabam com a fauna e a flora destes entornos?

O debate sobre o “uso da violência” em defesa do direito à autodeterminação dos povos pode ser longo e dar para muitos artigos, mas desde nossa organização, Confederação Geral do Trabalho, talvez fosse mais correto chamá-lo “ação direta”. Porque quando te despojam de tudo, para poder viver, também o fazem do medo e, portanto a luta tem outro significado.

Desde a Secretaria de Relações Internacionais da CGT exigimos ao Estado chileno a libertação do comuneiro mapuche Héctor Llaitul, e animamos a toda à sociedade civil, assim como a todas as organizações que defendem os direitos dos povos à autodeterminação e auto-organização, a conhecer a história das comunidades indígenas assentadas nestas zonas do planeta, se unido na defesa do sentido comum e contra a ditadura do capital.

Liberdade para Héctor Llaitul e Justiça para o povo mapuche!

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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Suando, o ferreiro
larga o malho quente, ao canto
rival da araponga.

Douglas Eden Brotto

Abecedário da Greve

Um glossário para compreender a greve.

Por Voz Rouca nas Federais

A de ANDES

Sindicato composto por base que em sua grande maioria ajudou a eleger Lula. Apesar do ceticismo generalizado na categoria, conseguiu deflagrar uma greve à qual aderiram 60 instituições de ensino superior, fato inédito na história das greves do setor, sendo por isso acusado de querer enfraquecer o governo. Afinal, “aumento só para policiais, senão volta Bolsonaro, né!?”. Nas disputas internas ao sindicato as correntes se debatem apresentando distintas saídas, mas sempre envoltas no enredo petista: matar o pai (“fora governo de frente ampla!”); sair de casa mas recebendo mesada (“autonomia, pero no mucho”); ou “renovar” os laços da família petista (retomar as raízes numa fantástica guinada à esquerda). Ah sim, e tem os filhos desgarrados, que sem alternativa se aglomeram em torno das tribos em voga. Como todo sindicato, tem uma certa tendência ao corporativismo, o que lhe impede fortalecer a unificação das lutas educacionais e com outros setores federais (como os da área ambiental).

B de Bolsonaro

Não é apenas o candidato derrotado nas eleições passadas e inelegível para as próximas. Bolsonaro é também “espantalho gestor” do governo atual, o qual, em nome do anti-bolsonarismo, leva adiante a mesma política fiscal do mito. A continuidade do sucateamento da educação ocorre ao mesmo tempo que a premiação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Protagonista dos bloqueios golpistas em 2022, a categoria ficou de fora do arcabouço fiscal de Haddad, ganhando 27% de aumento salarial. De Bolsonaro a Lula, o aparato repressivo do Estado segue sendo o maior beneficiário da política orçamentária.

C de Centrão

Entidade mitológica da política brasileira que é capaz de abocanhar parcela significativa dos recursos do fundo público. Temido por fura-greves, grevistas e militantes da educação, passou a ser o totem na greve docente que justifica os 0% de aumento para os professores e técnicos em 2024. Afinal, “o conservador centrão nunca iria aprovar isso”, portanto, pressionamos em greve, mas sem ilusões e com uma boa pitada de derrotismo.

D de Docentes [das universidades e institutos federais]

Agora em greve (à duras penas). Categoria é empurrada à paralisação pois vê naufragar suas condições de vida. Não à toa, os mais jovens na carreira pareciam povoar as assembleias Brasil afora. Um futuro sombrio os aguarda: todos sobrecarregados de trabalho – uns beirando burnout com ostracismo intelectual, outros coach instagramer e vendendo seu peixe nos mercados de pesquisa financiados pelo exclusivo interesse empresarial. Ambos os grupos se aposentarão com 70 e tantos anos sem garantia de salário integral. Governo Lula, negocia! (e tira o pé das minhas férias!)

E de Estudantes

A maioria dos estudantes universitários de hoje eram os secundaristas na pandemia, e quiçá estão entre suas maiores vítimas políticas, mais por “depressão” que por “repressão”. Muitos, alheios às práticas dos movimentos sociais juvenis das gerações passadas, têm expressado medo, estranhamento e individualismo. Uns tantos chegam a fazer pressão para garantir as aulas, constrangendo professores em greve. Entidades burocráticas e partidarizadas se solidarizam à greve, mas só em palavras. Greve com ocupação é a grande ausente. Felizmente, houve pequenas exceções aqui e acolá, como na UFSCar, UFG e UFABC, em que pequenos grupos fazem barulho e buscam resgatar o poder da revolta da juventude.

F de Fura-Greve

Figurinha carimbada em toda e qualquer greve. Só que de lá para cá mudaram de qualidade. Parafraseando o filme Eles não usam black-tie, não temos apenas “fura-greves por covardia”, mas também “fura-greves por convicção”. E qual seria a convicção? De um lado a do lulismo, que se justifica em nome do espantalho Bolsonaro (“não podemos fragilizar o governo, senão o inominável volta”); e de outro a do bolsonarismo, que propõe furar a greve em nome do ódio à esquerda, identificada no próprio Lula (“chora e faz o L”).

G de Greve

Tática de luta, um dia radical, hoje “só” institucional. Um recurso escasso visto que a maior parte dos trabalhadores estão desempregados, têm vínculos precários ou são seu próprio patrão. A greve é do funcionalismo público, devido às suas particularidades contratuais, mas também porque não atrapalha a produção de lucro. Ainda mais na educação, já que governos de esquerda e de direita não a consideram prioridade e então não veem porque atender reivindicações. Para o governo (com vasta experiência sindical no currículo) deve ter data de início e fim.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2024/06/153199/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/22/greve-da-educacao-federal-o-momento-exige-radicalizacao-do-movimento-paredista/

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dia após dor
após dia, luz após
dor após lua

Claudio Daniel

[Espanha] Identificado e proposto para sanção por uma camiseta

Esta manhã (17/06), vários companheiros do Sindicato de Ofícios Vários da CNT-AIT de Murcia foram, individualmente, a uma manifestação em El Palmar em apoio aos trabalhadores do CPD López Ambit.

Nesse contexto de concentração e protesto pacífico, a polícia identificou e propôs uma sanção administrativa a um de nossos companheiros do sindicato, por usar uma camiseta com os dizeres “ACAB. Todos os policiais são (não) bonobos”.

Desde este sindicato, consideramos que o que aconteceu esta manhã foi um ataque à liberdade de expressão, mais um entre muitos que aconteceram e estão acontecendo, sob a égide da Lei da Mordaça, nem mesmo revogada pelos partidos políticos que afirmam lutar contra o fascismo. Hoje foi nosso companheiro e amanhã pode ser qualquer um de nós e qualquer um de vocês.

Além disso, queremos divulgar e visibilizar o que aconteceu, e informamos que as ferramentas de solidariedade já estão sendo implantadas entre vários coletivos e indivíduos em Murcia para ajudar e acompanhar o companheiro e se organizar contra todo esse tipo de injustiça.

Posteriormente, daremos mais informações sobre esse assunto e sobre as ações que serão realizadas, conforme solicitado por nosso companheiro.

Nesse meio tempo, gostaríamos de agradecê-los por divulgarem a notícia para dar visibilidade ao que aconteceu e por sua solidariedade com nosso companheiro.

Chama-nos a atenção o fato de que, mesmo com todos os seus capacetes, seus uniformes, suas armas, sua impunidade, sua força e seu poder, o Corpo de “Segurança” do Estado possa se sentir tão ameaçado a ponto de multar um companheiro por causa de uma mensagem escrita em uma camiseta em tom humorístico.

Juntos somos mais fortes! Nossa maior ferramenta é a solidariedade!

Companheiro, você não está sozinho!

Fonte: https://murciacntait.wordpress.com/2024/06/17/identificado-y-propuesto-para-sancion-por-una-camiseta/

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Caquinho de Lua
Sorri pra mim lá no céu
retribuo daqui

Ada Gasparini

Anarquismo e campesinato no nordeste do Brasil

No dia 20 de agosto de 2023, meu amigo Alexandre, editor da Terra sem Amos, enviou-me um recorte do jornal paulista A Plebe, do ano de 1935. Nele constava o anúncio de fundação de um grupo anarquista na cidade de Teresina, Piauí. O mesmo foi nomeado de Grupo Libertário Sacco e Vanzetti, referência aos anarquistas executados pelo Estado, na cadeira elétrica, em 23 de agosto de 1927, nos Estados Unidos da América.

O que mais me tomou a atenção, em tal anúncio, assinado por alguém chamado de J. Neves, foi o projeto do grupo em realizar o que eles chamaram de “excursões” ao interior do Estado, “especialmente às regiões camponesas”, onde levariam a “doutrina anarquista”. Isso porque um enfoque doutrinário direcionado ao campesinato foi raro nos agrupamentos anarquistas existentes no Brasil durante o século XX.

Nesse sentido, esse recorte enviado a mim provocou uma dupla surpresa. A primeira, que existiu um agrupamento anarquista em Teresina durante a Era Vargas. A segunda surpresa foi que a sua intervenção estava orientada para o segmento social do campesinato piauiense, o que me fez pensar que esses camaradas buscavam uma ação condizente com o contexto socioeconômico em que se encontravam. Não passou despercebido para mim que isso, de alguma maneira, contornava o urbanocentrismo de grupos anarquistas das regiões sul e sudeste do Brasil.

Posso ainda evocar uma terceira surpresa, a da vocação internacionalista desse agrupamento piauiense, intitulando-se com os nomes de dois mártires da classe trabalhadora mundial.

Voltando ao anúncio, é mencionada uma sede provisória para o grupo libertário, contudo, sem número e localizada na rua Campos Sales, que, atualmente, é uma das avenidas da cidade de Teresina.

Uma imensa curiosidade instalou-se em mim após o contato com esse recorte de jornal, de 89 anos. Quem foram esses camaradas? A essa altura, todos mortos. Quais os seus nomes, profissões, onde residiam? Que ações almejavam realizar entre o campesinato piauiense? Quanto tempo durou o grupo? Que cidades chegaram a visitar? Se é que iniciaram as suas “excursões”. Que concepção política possuíam a respeito do campesinato? Perguntas essas as quais a atual disponibilidade de documentos não permite responder objetivamente, apenas imaginar.

Raphael Cruz

Professor de sociologia, militante do Comitê Sindicalista Revolucionário do Piauí. Escreve no Ciências do Social: um blog de sociologia e anarquia

https://cienciasdosocial.blogspot.com/

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A serra silencia
só se ouve agora
o grito do pardal

Rosalva

[Espanha] CNT apresenta um ciclo cultural libertário

Começa nesta quarta-feira (19/06), em sua sede na Plaza Obispo Acosta, com a apresentação de ‘No tengan miedo a la libertad’, livro que pretende desmistificar mitos que envenenam as ideias anarquistas.

Com a apresentação do livro ‘No tengan miedo a la libertad’, a CNT Aranda inicia nesta quarta-feira uma série de atividades programadas para este mês e o início do próximo em sua sede na Plaza Obispo Acosta, em Santa Catalina.

Hoje, às oito horas da noite, estará presente Javier Sánchez, autor dessa publicação, que define as ideias anarquistas e pretende demonstrar os aspectos que o autor considera serem a base do ideal, para que o leitor possa perceber que não deve ter medo da liberdade, e também que a anarquia é a única força criativa e nela reside a base de toda evolução e progresso.

O próximo evento será no domingo, 30 de junho, ao meio-dia e meia, com uma palestra do historiador arandino Ramiro Cabañes, que falará sobre o que é a história, como ela é construída e os clichês que a cercam. No final, haverá um vermute e um aperitivo.

E no dia 3 de julho, às oito da tarde, este local acolhe a apresentação do livro ‘Las sin amo. Escritoras silenciadas y olvidadas de los años treinta’. Por Antonio Orihuela. O poeta e ensaísta de Moguer apresenta esta publicação que compila as vozes de escritoras anarquistas esquecidas a partir da análise de seus romances na ‘La Revista Blanca’.

>> Foto em destaque: Imagem de arquivo da última manifestação da CNT no dia 1º de Maio no bairro Santa Catalina, onde fica sua sede / CNT Aranda

Fonte: https://cadenaser.com/castillayleon/2024/06/19/cnt-presenta-un-ciclo-cultural-libertario-radio-aranda/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/29/espanha-as-sem-mestres-escritoras-esquecidas-e-silenciadas-dos-anos-trinta-de-antonio-orihuela/

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morro alto
sobre o som do mar
o som do grilo

Ricardo Portugal