[Canadá] Lançamento: “Veganwashing: A instrumentalização política do veganismo”, de Jerônimo Segal

Descrição

O veganismo está em ascensão, mas quando a Tesla oferece interiores de couro à base de plantas ou quando os antiespecistas se aliam à extrema direita, essa causa é usada para esconder os aspectos menos glamorosos de certos grupos. Inspirado no greenwashing, que denuncia estratégias de comunicação que permitem que empresas poluidoras melhorem sua imagem, o termo “veganwashing” denuncia uma recuperação semelhante. Ele apareceu pela primeira vez em Israel em 2013, em resposta a uma campanha em apoio ao governo de Netanyahu por seus avanços relativos nos direitos dos animais – um protesto que ressoou ainda mais fortemente quando, dez anos depois, o Estado-Maior israelense chamou os palestinos de animais para justificar seu genocídio.

Quais são as características que fazem do veganismo, que não deixa de ser uma emergência real, um movimento tão vulnerável à recuperação política? Para que a causa animal não seja mais, a lavagem vegana deve ser desmascarada, e é para isso que este livro tenta contribuir.

VEGANWASHING: L’INSTRUMENTALISATION POLITIQUE DU VÉGANISME

Jérôme Segal

Número de páginas: 168

€15,00

luxediteur.com

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Quietude na sala
Apenas rompida
Pelo perfume da rosa.

Ignez Hokumura

[França] Que mundo realmente queremos?

Nossa civilização é o ponto culminante de um longo e prodigioso processo cósmico, provavelmente iniciado há 13,8 bilhões de anos com o Big Bang, que possibilitou a formação do espaço-tempo – chamado de universo – e de tudo o que nele existe, bem como o surgimento – há cerca de 3,5 bilhões de anos – da vida em um dos cem a um bilhão de planetas do universo.

Mas, ao massacrar milhões de seres humanos em guerras e genocídios, nossa civilização não é apenas a mais assassina de todos os tempos, mas, além desse delírio criminoso, já exterminou a maioria dos insetos, animais selvagens e árvores de nosso planeta.

Um delírio de guerra e extermínio biológico que, além de ilógico e eticamente falido, nos obriga a nos perguntar por que, como adultos, os seres humanos podem ser tão inconscientes a ponto de querer matar uns aos outros e destruir os ecossistemas que tornaram e tornam possível a vida no planeta Terra.

É por isso que é tão urgente refletir sobre as causas dessa inconsciência coletiva e fazer a nós mesmos esta pergunta existencial: que tipo de mundo realmente queremos?

Perpignan, julho de 2024.

Octavio Alberola

Tradução > Liberto

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o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga

Carlos Seabra

[Espanha] Vídeo completo da apresentação do Fundo Jesús Lizano, com o Grupo de Trabalho da Delegação da FAL em Aranjuez

Já está disponível a gravação em vídeo da apresentação do Fundo Jesús Lizano. Podes conhecer a experiência do Grupo de Trabalho da Delegação da FAL em Aranjuez, encarregado da catalogação do arquivo do poeta anarquista; um fundo imprescindível para aproximar-se à vida e obra deste artista único.

Jesús Lizano (Barcelona, 1931 – Barcelona, 2015) é autor de uma obra comprometida com o ideal de liberdade, sempre em luta contra o poder e as estruturas —físicas e mentais— que contribuem para subjugar a liberdade pessoal. Seu arquivo pessoal, que reflete a vastidão de suas leituras e interesses, foi doado à Fundação Anselmo Lorenzo após seu falecimento em 2015.

>> Veja o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=LAeCRdWPczk

Tradução > Sol de Abril

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Ontem, caju.
Hoje, castanha.
Amanhã, suco.

Luz

[Espanha] Gijón forma uma corrente humana para solidarizar-se com ‘Las Seis de La Suiza’

  • O Muro de San Lorenzo foi o ponto de encontro para que centenas de pessoas mostrassem seu apoio às condenadas pelo Supremo por coações a um empresário denunciado por assédio.

O Muro de San Lorenzo em Gijón era o ponto de encontro para formar uma corrente humana e encenar que ‘Las Seis de La Suiza’ não estavam sós. A convocatória conseguiu reunir ontem (25/07) centenas de pessoas para mostrar seu apoio às seis pessoas que foram condenadas pelo Tribunal Supremo (TS) a uma pena individual de três anos e meio de prisão por protestar diante da confeitaria La Suiza ante o assédio denunciado por uma de suas trabalhadoras, em uma mobilização que o Alto Tribunal qualificou como um delito de coações.

A concentração estava convocada às sete e meia da tarde, mas minutos antes já se começavam a ver ao longo do Muro de San Lorenzo as primeiras bandeiras e cartazes de cor laranja com os slogans: “Sindicalismo não é crime”, “Liberdade às 6 de La Suiza” e “Não estão sós”.

A ideia era formar uma grande corrente humana para exigir que a sentença não se execute e as condenadas possam continuar em liberdade.

Os fatos remontam a junho de 2016, quando a trabalhadora de La Suiza, que estava grávida, denunciou o proprietário como suposto autor de um delito de assédio. Seu parceiro sentimental se apresentou em seu posto de trabalho e manteve uma altercação com o empresário e este o denunciou por ameaças e danos em seu local.

Em consequência desses fatos, aconteceram as concentrações ante o estabelecimento que se desenvolveram sem detenções, nem altercações. Finalmente, o caso chegou até o Tribunal Supremo que confirmou uma condenação de três anos e meio de cárcere para as seis pessoas acusadas dos delitos de coações e obstrução de justiça.

Desde que o Supremo publicou a sentença condenatória aconteceram os atos em apoio das condenadas. Entre outros atos, houve manifestações e concentrações. A última mobilização foi a convocada ontem em San Lorenzo onde os globos, as bandeiras e uma corrente humana mostraram a ‘Las Seis de La Suiza’ que não estão sós.

Fonte: https://www.eldiario.es/asturias/gijon-forma-cadena-humana-solidarizarse-seis-suiza_1_11550465.html

Tradução > Sol de Abril

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briga de gatos
na sala de jantar
vaso em cacos

Carlos Seabra

 

[EUA] Lançamento: O Movimento Anarquista Judeu nos Estados Unidos | Uma Revisão Histórica e Memórias Pessoais

Leitura essencial sobre a história, a cultura, e o radicalismo do trabalhismo judeu

Os imigrantes judeus da Europa Oriental uma vez constituíram o maior segmento do movimento anarquista nos Estados Unidos. Num livro que é parte escavação histórica e parte livro de memórias, Joseph Cohen narra eventos bem conhecidos e conflitos de bastidores entre radicais, bem como perfis de personalidades famosas como Emma Goldman e Alexander Berkman e dos radicais menos famosos que sustentaram o movimento anarquista em toda a América do Norte entre as décadas de 1880 e 1940.

The Jewish Anarchist Movement in America [O Movimento Anarquista Judeu nos Estados Unidos] traz pela primeira vez para um público de língua inglesa o insubstituível estudo de Joseph Cohen, escrito em iídiche em 1945, sobre os anarquistas judeus dos Estados Unidos. Ele continua sendo o exame mais detalhado dessa negligenciada história.

O livro também contém as reflexões do próprio Cohen sobre tática e teoria anarquista, baseadas em suas experiências e observações ao longo de quatro décadas. Editada e integralmente comentada, esta edição inclui uma variedade de informações suplementares sobre as pessoas, os locais e os eventos centrais da história anarquista nos Estados Unidos.

Resenhas positivas sobre o livro:

“Uma publicação de referência na história do anarquismo judeu nos EUA. Este grande e animado volume – há tanto tempo aguardado – reúne a história original escrita por Joseph Cohen, as habilidades de tradução da confiável anarquista Esther Dolgoff, e os hábeis comentários de Kenyon Zimmer. Cohen escreve como historiador e participante. Ele defende o anarquismo enquanto navega por suas divisões internas e dá vida a seus personagens, muitos deles perdidos nos relatos existentes.” – David Roediger, professor de Estudos Americanos e História na Universidade do Kansas, autor de The Wages of Whiteness [Os salários da branquitude] e coeditor de Haymarket Scrapbook [Livro de Colagens de Haymarket].

“Este livro monumental, porém humilde, oferece o melhor da história vista de baixo. Melhor ainda, ele o faz por meio de uma série de encantadoras e empolgantes reminiscências de um participante que viveu e ajudou a fazer essa história, permitindo-nos, nas palavras de Cohen, “olhar de volta para o futuro” como inspiração para nossa busca do “grande ideal [de] liberação completa” no presente. Graças às edições e comentários meticulosos de Kenyon Zimmer, as histórias de Cohen, ao mesmo tempo tão cativantemente anarquistas e tão judaicas, ganham vida, juntamente com os nomes, as vidas e as ações de centenas de rebeldes judeus de outro modo esquecidos. Um verdadeiro trabalho de amor, The Jewish Anarchist Movement in America preenche um enorme capítulo perdido da história anarquista e é um kaddish que honra o belo legado de (nossos) ancestrais anarquistas judeus.” – Cindy Barukh Milstein, editora de There Is Nothing So Whole as a Broken Heart [Não há nada tão completo quanto um coração partido]

“Esta tradução há muito esperada do livro de memórias de Cohen abre uma janela única para o mundo vibrante dos agitadores, educadores e organizadores que animaram o movimento anarquista americano no início do século XX. Transmitido com fluência e minuciosamente comentado, ele merece a atenção dos ativistas contemporâneos, que estão cada vez mais se voltando para a rica herança de seus movimentos em busca de insight e inspiração.” – Uri Gordon, cofundador da Anarchist Studies Network [Rede de Estudos Anarquistas] e coautor de Anarchists Against the Wall: Direct Action and Solidarity with the Palestinian Popular Struggle [Anarquistas Contra o Muro: Ação Direta e Solidariedade com a Luta Popular Palestina]

Joseph Cohen (1878-1953) foi uma figura central do anarquismo americano do século XX. Ele nasceu na Bielorrússia e emigrou para os Estados Unidos em 1903 com sua esposa, Sophie, e se estabeleceu primeiro na Filadélfia, onde criaram dois filhos. Durante doze anos, Cohen editou o famoso jornal iídiche Fraye arbeter shtime (Voz Livre do Trabalho). Durante toda a sua vida, ele participou de várias instituições anarquistas, como a Radical Library [Biblioteca Radical], o Francisco Ferrer Center de Nova Iorque e as colônias Stelton e Sunrise. Cohen é autor de dois livros anteriormente publicados, The House Stood Forlorn [A Casa Estava Lá Abandonada] (1954) e In Quest of Heaven: The Story of the Sunrise Co-operative Farm Community [Em Busca do Céu: A História da Cooperativa e Comunidade Rural Sunrise] (1957).

Kenyon Zimmer é professor associado de história na Universidade do Texas em Arlington. É autor de Immigrants Against the State: Yiddish and Italian Anarchism in America [Imigrantes Contra o Estado: Anarquismo Iídiche e Italiano nos Estados Unidos] (2015) e coeditor de Wobblies of the World: A Global History of the IWW [Wobblies do Mundo: Uma história global do IWW] (2017), Deportation in the Americas: Histories of Exclusion and Resistance [Deportação nas Américas: Histórias de Exclusão e Resistência] (2018) e With Freedom in Our Ears: Histories of Jewish Anarchism [Com a Liberdade em nossos Ouvidos: Histórias do Anarquismo Judeu] (2023).

Esther Dolgoff (1905-1989) foi uma anarquista que cresceu em Ohio e depois se estabeleceu na cidade de Nova York com seu marido, Sam Dolgoff, que foi uma figura central do anarquismo americano durante toda a sua vida adulta.

The Jewish Anarchist Movement in America

A Historical Review and Personal Reminiscences

Editora: AK Press

Páginas: 600

ISBN-13: 9781849355483

$24.00

akpress.org

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

início das chuvas
perto da estação
vagalumes acendem as luzes.

Maria Marta Nardi

[Chile] Semana internacional de agitação e solidariedade contra o regime de isolamento do companheiro Francisco Solar – 10 a 17 de agosto

O companheiro anarquista Francisco Solar foi detido e acusado em 2020 por diversos ataques explosivos contra poderosos e repressores. Em março de 2024 é ratificada sua condenação a 86 anos de prisão, a qual sem dúvida representa uma condenação perpétua encoberta.

Não contentes com a vingança judicial, a administração penitenciária decidiu impor um castigo sobre esta condenação, perpetuando um isolamento que na prática é um dos regimes mais duros de cumprimento carcerário.

Ante esta vingança do poder que busca sepultar em vida o companheiro, não podemos ficar indiferentes e é aqui quando a solidariedade anárquica e anticarcerária deve fazer-se presente com força e desde sua multiplicidade de expressões. O chamado é que nesta semana de agitação se intensifiquem os gestos e ações solidárias em todos os territórios, deixando claro que não cessaremos até tirar o companheiro Francisco Solar do isolamento.

Solidariedade anárquica com quem golpeia os poderosos e repressores!

Presos Anarquistas e Subversivos à rua!

Francisco Solar à rua!

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Até mesmo o céu
Embriagado pelas flores?
Nuvens cambaleantes.

Nonoguchi Ryûho

[Chile] Rede de Luta e Propaganda: O legado de Luisa Toledo se mantêm | Auto-organização e barricadas!

Na madrugada de sábado, 06 de julho, enquadrados em uma investigação sobre a colocação de artefatos explosivos, são invadidos vários domicílios em diversas comunas da região metropolitana, assim como também a rádio Villa Francia e o espaço comunitário Pablo Vergara Toledo. As invasões concluem com um saldo de 14 pessoas detidas, dando um golpe repressivo aos espaços autônomos e comunitários e como um claro gesto de perseguição e tentativa de amedrontamento à luta, se escolheu a data em que faleceu nossa amada e incansável companheira Luisa Toledo e onde esse mesmo dia, se realizaria sua comemoração em Villa Francia.

Desde um primeiro momento, individualidades solidárias se aproximaram do espaço comunitário Pablo Vergara Toledo, sem assustar-se com a numerosa e aparatosa presença da bastarda polícia. No espaço se encontrou com os destroços deixados pelos lacaios. Sua crueldade e indolência que nunca surpreende, mas que sempre indigna um pouco mais, chegou ao ponto de arrebentar a sede “os anos alegres” de vovozinhos que está localizada atrás do mesmo espaço, onde adultos idosos realizam atividades recreativas. O espaço alberga diversas iniciativas autogestionadas e comunitárias como o Comedor Popular Luisa Toledo, várias oficinas e sempre é sede de incontáveis atividades solidárias para a autogestão de muitas e diferentes instâncias, como com os presos anarquistas, subversivos e mapuche, sempre desde a autonomia. Este espaço foi um bastião fundamental no tecido social e na auto-organização que se manteve, apesar de todas as adversidades, ao longo do tempo em Villa Francia, território que carrega uma resiliente história, que se mantêm no fogo das barricadas a cada data combativa.

Esse dia, apesar de seu show policial/midiático, apesar da forte presença dos lacaios uniformizados e civis, se realizou uma bela atividade comemorando uma vez mais a cativante Luisa, gente de toda a região metropolitana, cruzou a forte instalação das forças da ordem, para aproximar-se do espaço. Esse dia apesar da raiva e da dor pelas pessoas detidas, o poder não pode dobrar a vontade rebelde, sua indolência não pode silenciar os que carregamos sangue nas veias. Na noite, e como a cada 6 de julho desde sua partida, ainda com o tenso ambiente desse dia, se realizou o cortejo, culminando em ataques com fogo e chumbo da polícia na avenida 5 de abril, terminando um zorrillo [veículo antidistúrbio] completamente em chamas, fatos que curiosamente não se nomeiam na mídia. Tratam de mostrar uma vitória quando não ganharam.

No dia de hoje fazemos um chamado a manterem-se firmes e atentos aos devires deste novo golpe, à solidariedade anticarcerária permanente com os detidos, e a manterem os laços e a presença nos espaços afetados pela repressão.

Com a memória de Pablo, Eduardo e Rafael!

Com o fogo de Luisa Toledo sempre ardendo em nossos corações!

Auto-organização, Luta e Ação Direta!

Rede de Luta e Propaganda

Julho de 2024

Tradução > Sol de Abril

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Uma libélula –
À frente da bicicleta
Onde quer que eu vá.

Shôko Inomori

Cinco Provocações Sobre a Inexistência de Deus

Abertamente inspirado pela releitura do livro Doze Provas da Inexistência de Deus, de Sebastien Faure, resolvi discorrer sintética e provocativamente, sobre as cinco provas da inexistência de qualquer entidade deísta – parodiando Tomás de Aquino e sua obra “Cinco Vias que Provam a Existência de Deus”.

De início, sabemos que a existência de Deus é um dos temas mais debatidos ao longo da história humana, com argumentos tanto a favor quanto contra sua existência. Nestas parcas linhas, abordaremos cinco provas da inexistência de Deus, explorando, sem qualquer intenção de esgotar o tema, algumas proposições que contestam a crença em uma entidade divina. Este exercício não visa desrespeitar crenças pessoais de ninguém, mas sim fornecer uma análise crítica com base em argumentos racionais e empíricos.

O Problema do Mal

O problema do mal é um dos argumentos mais antigos e debatidos contra a existência de Deus, questionando como um Deus onipotente, onisciente e benevolente pode aceitar a existência do mal no mundo. Pensadores como Epicuro e David Hume defendem que a presença do mal, seja moral (ações humanas) ou natural (desastres naturais), é incompatível com a existência de um Deus bom e todo-poderoso. Por consequência, se Deus fosse capaz de impedir o mal e quisesse fazê-lo, o mal não deveria existir.

A Incoerência dos Atributos Divinos

Esta ideia indica que os predicados tradicionalmente associados a Deus são logicamente incoerentes. Por exemplo, a onipotência (poder ilimitado) e a onisciência (conhecimento absoluto) podem entrar em conflito. Se Deus sabe tudo que vai acontecer, ele não pode mudar o futuro, o que limita sua onipotência. Filósofos como J.L. Mackie exploram sagazmente essas incoerências, questionando se um ser com esses atributos pode realmente existir.

A premissa da Causalidade

O argumento da causalidade, também conhecido como o argumento cosmológico (ou ainda argumento da causa primeira), afirma que tudo que existe tem uma causa. Todavia, este argumento pode ser usado também contra a existência de Deus, já que se tudo precisa de uma causa, Deus não escaparia dessa lógica e precisaria igualmente. Postular Deus como a “causa não causada” (defendida por Tomás de Aquino) cria uma exceção especial sem justificação. Richard Dawkins e outros ateus argumentam que a existência de Deus não resolve o problema da causalidade, mas apenas o adia furtivamente.

A Tese da Evidência Insuficiente

Bertrand Russell e outros críticos argumentam que não há evidências suficientes para justificar a crença em Deus, comparando, por exemplo, a crença em Deus com a crença em outras entidades não comprovadas, como o unicórnio ou o dragão invisível na garagem. A ausência de evidências tangíveis e verificáveis coloca a existência de Deus no mesmo campo das crenças infundadas e supersticiosas.

O Argumento do Naturalismo Científico

O naturalismo científico sustenta que tudo no universo pode ser explicado por leis naturais e fenômenos físicos, sem a necessidade de postular um ser sobrenatural. Avanços em cosmologia, biologia evolutiva e neurociência, apesar de estarem em sua maior parte embebidas de Capitalismo, ajudam a fornecer explicações naturais para a origem do universo, a diversidade da vida e a consciência humana. Cientistas, como o finado Stephen Hawking, argumentam que a ciência, gradualmente, elimina a necessidade de um Deus para explicar o mundo que nos cerca.

Concluindo…

As cinco provocações acima oferecem uma análise crítica (e que merece ser aprofundada pelo leitor) de algumas das razões para duvidar da existência de uma entidade divina. Embora esses argumentos não possam definitivamente provar a inexistência de Deus, eles levantam questões importantes e desafiam as crenças teístas, fornecendo material argumentativo para um debate necessário sobre a natureza da fé e da razão.

Recordo, derradeiramente, o inesquecível Mikhail Bakunin, para quem a existência em Deus implica necessariamente a escravidão de tudo abaixo dele. Ele dizia que se Deus existisse, só haveria um meio de servir à liberdade humana: seria o de deixar de existir.

Liberto Herrera

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Algo de dança
nas algas,
quase canção dos corais.

Yeda Prates Bernis

 

[Espanha] Gênova 2001: Ninguém morre para sempre

Voltamos a recordar, um ano mais, a Carlo Giuliani em outro aniversário de seu assassinato nas mãos de um policial. De sua morte, no contexto da contra cúpula organizada pelo Movimento Antiglobalização por causa da reunião do G-8 na cidade italiana de Gênova, passaram já 23 anos.

Um jovenzinho Carlo, de tão somente 23 anos, se encontrava participando e colaborando nos protestos e mobilizações que se prepararam durante aqueles dias na cidade. Na sexta-feira, 20 de julho, Giuliani decidiu ir à manifestação (previamente autorizada) de “Os Desobedientes”. Em algum momento da mesma, e após horas de duros enfrentamentos com a polícia, os manifestantes decidiram entrar na zona “Rossa”, que estava cercada por ser o lugar mais próximo do qual ia dar o encontro nesse dia dos dirigentes dos países mais poderosos do mundo.

Aqueles enfrentamentos foram agudizando-se e deram lugar a momentos de muita tensão entre manifestantes e forças de repressão do Estado italiano. Em algum momento da tarde, e no transcurso daqueles distúrbios, justo na Rua Caffa e perto da Praça Alimonda, escutaram-se dois disparos que saíram de um veículo “land rover” militar.

Carlo estava no solo em um grande charco de sangue. Um policial lhe tinha disparado desde muito poucos metros na cabeça, ferindo-o de morte. Estando ainda no solo, seu condutor (outro policial) não duvidou em passar por cima dele até em duas ocasiões, produzindo mais dor e agonia. Carlo faleceu quase no ato. Seus companheiros e os médicos que o atenderam no mesmo lugar onde foi ferido não puderam fazer absolutamente nada para evitar aquele injusto final. A raiva era imensa e as imagens de seu corpo inerte no solo, com um lençol por cima, rodeado de policiais, deu a volta ao mundo.

A polícia teve, tem e sempre terá licença para assassinar e para seguir impunemente entre nós depois de fazê-lo. Mario Placanica, o carabineiro que assassinou Carlo Giuliani, foi absolvido por um tribunal que alegou que o agente “atuou em defesa própria ao enfrentar o manifestante e que não o matou de maneira premeditada, nem empregando uma força excessiva”. Mas as imagens daqueles momentos mostram outra realidade, e o crime contra o jovem anarquista genovês segue sem resolver-se.

No dia seguinte da morte de Carlo, a polícia entrou na Escola Díaz. Este era um espaço que tinha se habilitado pelos movimentos sociais para receber os ativistas que chegaram de diferentes partes do mundo, mas também acolheu a imprensa internacional. O que aconteceu na Escola Díaz durante umas horas daquela noite serviria perfeitamente para escrever qualquer filme de terror. As forças policiais italianas irromperam no edifício, arrasando literalmente tudo o que encontraram em seu caminho. Pegaram e torturaram a todas as pessoas que estavam dentro naqueles momentos, a maioria delas só dormiam, pelo que a resistência aos antidistúrbios foi nula. Ninguém teve a menor possibilidade de fugir, esconder-se ou defender-se.

Quem morre lutando vive para sempre. Por isso, todos os dias são 20 de julho.

A Carlo.

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Tradução > Sol de Abril

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Funazushi –
Sobre o castelo de Hikone
paira uma nuvem

Buson

Chamado à solidariedade com o Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA de Cuba.

Desde Cuba companheiras e companheiros do Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA nos manda mensagem para solicitar apoio solidário do anarquismo internacional para acondicionar seu local e poder seguir com suas atividades.

Não se pode omitir a importância de um centro social anarquista em plena ditadura, pelo que é de suma importância que nos solidarizemos na medida de nossas possibilidades.

Mensagem do Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA:

O Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA, único espaço explicitamente anarquista em Cuba vai completar 6 anos de adquirido e fundado, graças à solidariedade internacional anarquista. 

Nestes momentos algumas partes da casa de dois pisos estão sofrendo problemas de rachaduras e infiltrações, o qual necessita uma reparação para a qual não contamos com recursos próprios para realizar e para isso recorremos a vossa ajuda.”

Para contribuir com o Centro Social e Biblioteca Libertária ABRA enviar dinheiro para a seguinte conta no México:

Beneficiário: Felipe Matias Reyes

CLABE: 646069206840161874

Número de cartão: 5428780122809395

Instituição: STP

Pode se colaborar desde qualquer país, só pôr em referência “”Solidaridad” para ter um controle preciso do apoio solidário que se credite.

A solidariedade é nossa melhor arma.

Tradução > Sol de Abril

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Orquestra mágica
Balanço sussurrante das árvores
A maestria do vento.

Clície Pontes

[Colômbia-Venezuela] Inscreva-se no Festival de Cinema Anarquista 2024

Está sendo preparada a segunda versão do Festival de Cinema Anarquista, que será realizado em Medellín, Bogotá e Caracas.

Por isso, se você é apaixonado por cinema, estamos abrindo a chamada para cineastas que tenham documentários ou curtas-metragens com conteúdo relacionado ao anarquismo em geral.

Temas específicos como antifascismo, feminismo, antiautoritarismo, antiespecismo, entre outros, também podem participar.

Datas: O material será enviado para mentesendisturbio@gmail.com até 30 de setembro – Saiba mais em mentesendisturbio.com.

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um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

Flecheira Libertária 771 | “Não há política que prescinda da obediência dos súditos. Isso é a política.”

para os que clamam por direitos

No Caribe, na ilha que, um dia, foi o farol para muitos de esquerda na América Latina, assiste-se ao aumento do pauperismo no dia a dia. Uma situação similar a de localidades vizinhas, chamadas, ao longo do século XX, de “Terceiro Mundo”. Os velhacos pressupostos dos socialistas, com seus diagnósticos e projeções de futuro, foram para o bueiro, assim como muitas das experiências às quais defendiam com unhas e dentes. Isso pode ser constatado no cotidiano das pessoas que vivem na ilha. Para além da falta de alimentos, medicamentos, energia, combustível etc., companhias do setor açucareiro correm atrás de mão de obra – barata, é claro. Em mais um contexto no qual muitos ultrapassam, pelo mar, as arbitrárias fronteiras impostas pelas forças de segurança, burocratas do Estado convocam presos para trabalhar nas colheitas de açúcar. É o tal do direito ao emprego…

em direção ao bueiro

Há mais de 50 anos, os campos estavam repletos de pessoas cuja “esperança” era construir o paraíso terreno por meio da revolução. Hoje, as mesmas funções estão sendo executadas por algumas das inúmeras pessoas que, ao longo dos anos, foram encarceradas pelo Estado revolucionário, seja pela tal da “traição à pátria” ou quaisquer outras ações classificadas como criminosas. Para os que não sabem ou fingem ignorar, os revolucionários profissionais sempre gostaram de prender. Nisso, foram “eficientes”. E a “esperança”, não é novidade, também pode ir em direção ao bueiro ao lado das teorias de outrora.

algumas caricaturas

Nos próximos dias, em um país próximo e com grandes reservas de petróleo, caricaturas dos profissionais da revolução de outrora convocam o “povo” para o que chamam de um dos acontecimentos mais importantes da história da Venezuela: a eleição (sic). O caudilho de plantão, ao exercitar sua interminável retórica e seu caricato rebolado, pede mais empenho ao que restou de seu rebanho, mesclando reggaeton e homenagens a Simón Bolivar. Essa é à esquerda latino-americana do século XXI. Enquanto isso, muitos, provavelmente, buscam, como podem atravessar as fronteiras. Afinal, em situações como essa, cada um encontra os seus meios para sair das terras classificadas pelos Estados como território.

os que perderam o gps

Os progressistas funcionais ao crescimento dos reacionários se mostram preocupados diante do crescimento da ultradireita nos EUA. Após os tiros no comício Republicano, não hesitaram em se pronunciar em suas redes sociais em defesa da moderação, do repúdio à violência e da democracia. Enfim, trata-se do velhaco discurso político de sempre. Os de ultradireita, por sua vez, saíram melhor na foto, colocando-se como aqueles que travam uma batalha e colocam a vida em risco em prol do rebanho. Para os que se dedicam ao negócio da política, o importante, nesse caso, é se projetar como o melhor pastor possível. Como os candidatos a pastor do “progresso” não encontram o GPS, as ovelhas marcham em direção ao outro lado. No final das contas, não há política que prescinda da obediência dos súditos. Isso é a política.

lucratividade proibicionista

Sob a moral dos imbecis, a proibição às drogas permanece e o mercado é ampliado, cada vez mais lucrativo. Depois da heroína e do fentanil malhados, chega ao mercado livre ilegal governado pela polícia, o tribunal e a moral dos imbecis com imbecis, o opioide malhado mais-mais: NITAZENO.

Fonte: https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/07/flecheira771.pdf

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a cigarra canta
enquanto orquídeas florescem:
cada um na sua

Gustavo Felicíssimo

[Alemanha] “Destruição ambiental, exploração, condições coloniais” – é isso que os cruzeiros significam

Em 7 de julho de 2024, ativistas do grupo de ação “Smash Cruiseshit” bloquearam dois navios de cruzeiro no Canal do Mar Báltico com caiaques. Há agora uma entrevista de rádio atual falando sobre isso.

No porto de Kiel, o navio de cruzeiro AIDA Bella foi impedido de zarpar por várias horas. Outros ativistas ficaram no telhado da usina de energia em terra. De acordo com os ativistas, o protesto faz parte de uma ação direta em toda a Europa contra a indústria de cruzeiros. Alguns dos manifestantes foram presos provisoriamente pela polícia.

Em uma entrevista para a Radio Dreyeckland, um dos ativistas envolvidos na ação de 7 de julho forneceu informações sobre os motivos e o curso da ação de bloqueio.

>> Escute a entrevista aqui:

https://rdl.de/beitrag/umweltzerst-rung-ausbeutung-koloniale-verh-ltnisse-das-bedeuten-kreuzfahrten

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/24/franca-icone-dos-mares-simbolo-de-um-mundo-em-colapso/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/08/30/grecia-cruzeiros-a-exploracao-turistica-absoluta/

agência de notícias anarquistas-ana

O gato Nako
no telhado
namora a lua

Yara Darin

[Argentina] Atividade Anticarcerária em La Plata

Vamos tirar o companheiro Francisco Solar do isolamento!

Francisco Solar Domínguez, um prisioneiro anarquista condenado a 86 anos de prisão pelo Estado chileno por atacar aqueles que sustentam e gerenciam a repressão. Ele está atualmente sob um regime prisional excepcional que exacerba sua prisão.  O regime de isolamento dentro do confinamento é uma política repressiva por parte do Estado para separar os companheiros; e para atacar os setores organizados em lutas concretas, que hoje se manifesta no encarceramento em massa: prisioneiros da revolta, prisioneiros mapuches, anarquistas, subversivos e antiespecistas, somando os últimos 14 prisioneiros em Villa Francia.

Nessa situação, entendemos que o caso de Francisco não é isolado, é uma ação política definida por governos democráticos que utilizam as prisões como meio de repressão não só no Chile, mas também no território dominado pelo Estado argentino, que utiliza os mesmos mecanismos repressivos contra aqueles que se rebelam.  Por isso, desde a autonomia e do horizonte da ação política concreta em nosso território, propomos a discussão: “Prisão política, regime carcerário e a situação do companheiro anarquista Francisco Solar”, que posição tomamos quando um companheiro é preso, aqui e em outros territórios, o que entendemos por solidariedade?

O dia escolhido é sábado, 27 de julho, a partir das 15h00 (Consultar local por interno). Teremos uma pequena feira de livros e fanzines, uma mesa de difusão anticarcerária, cartazes e comida. Esperamos pontualidade, pois temos um limite de tempo com o espaço.

P r o g r a m a ç ã o

15h00 – Abertura e apresentação

16h00 – Apresentação do caso de Francisco Solar

Tópicos da conversa: Situação atual do caso de Francisco Solar, Prisão política no Chile: presos políticos mapuches, anarquistas, subversivos e antiespecistas, prisão política – prisão social, reflexões sobre solidariedade com os companheiros.

17h00 – Discussão “Prisão política, regime carcerário e a situação do companheiro Francisco Solar”

19h00 – Almoço e compartilhamento (se você puder trazer algo)

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/18/chile-poster-vamos-tirar-o-companheiro-francisco-solar-do-isolamento/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/19/chile-a-gendarmaria-quer-que-o-companheiro-francisco-solar-cumpra-sua-pena-em-um-regime-excepcional-de-seguranca-maxima/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/29/chile-poder-judiciario-ratifica-prisao-do-companheiro-anarquista-francisco-solar/

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Olho, alarmado;
E se a vida for
Do outro lado?

Milôr Fernandes

[Espanha] O Antipoliticismo Anarquista

Por Laura Vicente

Há poucos dias, tentei me distanciar dos conceitos de “libertário” e “anarquista” que a extrema direita usa com uma desfaçatez irritante. Tentei enquadrá-los em nossa genealogia, que nos custou sangue e fogo (sem querer soar transcendental ou intensa), nunca com intenção de propriedade. O anarquismo é movimento, e está longe de mim a ideia de que haja conceitos ou ideias imutáveis e graníticas, mas também não sou a favor da volatilidade e do “líquido” (como dizia Bauman), porque por trás de nós existem experiências, pessoas, propósitos e emoções que nos enraízam a um projeto que continua vivo, mudando e se adaptando aos novos tempos.

O antipoliticismo, entendido como rejeição à política institucional, à democracia liberal e neoliberal delegada e representativa que nos condena a cada quatro anos aos que nos abstemos sem nos preocupar, ou enviando as “forças da (des)ordem” quando exercemos outros direitos dos quais nunca fazem campanhas publicitárias, tem sido anarquista.

Não quero entrar no debate se é um desses traços invariáveis do anarquismo ou não, entendo que nossa rejeição à democracia delegada e representativa como elemento de dominação pelo Estado é uma posição que faz parte do compromisso ético de não fazer como “meio” o que se contradiz com os “fins” que pretendemos. Não podemos votar e defender, ao mesmo tempo, a democracia direta. Pode haver exceções, remendos, votar “contra” e não “a favor de”, confiar que é possível “assaltar os céus” a partir das instituições, etc. Quando essas exceções acabam se tornando cotidianas, é preciso pensar no que se está fazendo, reconsiderar…, ou não, cada um é muito livre.

Mas, enfim, não estou escrevendo estas linhas para fazer campanha pela abstenção ou para insistir que a política não é apenas política institucional, que a política é “a coisa pública” e disso o anarquismo sempre fez muito. Escrevo estas poucas linhas para mostrar minha estupefação porque agora a bandeira do antipoliticismo e das posições anti-sistema também é erguida pela extrema direita.

Não escolhem um momento ruim, as pessoas estão de saco cheio da política institucional que ficou despojada e com as vergonhas expostas num momento em que quase ninguém tem maiorias absolutas e se coligam direitas e esquerdas, supostamente irreconciliáveis, pelo bem da “democracia” e da estabilidade (e pode adicionar todos os eufemismos que essa política nos oferece continuamente). Dizer ou prometer algo e fazer o contrário é moeda corrente, pactuar com qualquer um que ofereça os votos necessários para governar também. A incomodidade e o mal-estar dos eleitores fiéis vão se espalhando e enraizando, algo que vemos no crescente voto da extrema direita que se posiciona como um farol orientador questionando o sistema e o “establishment”, ou seja, os grupos de poder profissionalizado que manipulam o sistema institucional.

É desnecessário dizer que a extrema direita não se dá mal com o “sistema” e que aspira criar outro “establishment” que assegure ainda mais seus privilégios e sua ordem tradicional sem fissuras: a masculinidade patriarcal, a branquitude, a heteronormatividade, a família tradicional, a sociedade de classes, o individualismo darwiniano, etc.

Ao âmbito anarquista, o que cabe fazer nestes momentos? Como focamos o descontentamento e a despolitização? Votando ou construindo antipoliticismo anarquista?

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/07/14/antipoliticismo-anarquista/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/03/espanha-a-direita-nos-rouba-os-moveis-anarquismo-e-libertario/

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serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

Chamada para a Semana Internacional de Solidariedade com os Prisioneiros Anarquistas 2024 // 23 – 30 de agosto

Drones militares zumbem entre as estrelas e as nuvens. A milhares de quilômetros de distância, um soldado procura alvos para matar, as emoções estão muito distantes das vidas que estão tirando. Um entorpecimento crescente em face da brutalidade atual e da propaganda estatal invocada em nossas telas. A água e a terra são objetos a serem depredados. Como o poço cavernoso da mina de carvão, estamos sendo esvaziados e escavados para sustentar a cultura do vazio do capital. A empatia, o cuidado e o amor que mantêm nossas comunidades unidas estão sendo atacados por uma vida individualizada sob o capitalismo, em que cada um cuida de si mesmo.

O que mudou desde o ano passado até o momento em que nos debruçamos sobre este texto?

Houve um aumento da vigilância, endurecimento da repressão e criminalização das comunicações criptografadas, nos apelos à guerra e ao genocídio, bem como na contínua profanação da Terra. O mundo assiste com uma mistura de horror e apatia ao aumento do número de mortos em Gaza, enquanto a invasão da Ucrânia entra em seu terceiro ano. Cerca de 10.000 prisioneiros palestinos são amarrados a camas, torturados e espancados até a morte, mantidos em condições brutais nas prisões israelenses. No Sudão, dezenas de milhares de pessoas estão mortas e milhões estão desabrigadas, enfrentando fome extrema à medida que a guerra civil entra em seu 16º mês. A resistência militante ao golpe militar em Mianmar, que na verdade foi bem-sucedido, está sendo transformada pelos militares em uma guerra civil com um número crescente de vítimas civis, à medida que as tropas do regime recorrem cada vez mais a táticas de terra arrasada.

Espera-se que aqueles de nós que vivem sob a fragilidade da “paz” neoliberal adotem posturas políticas desprovidas de sentimento humano ou ações significativas. Como romper esse véu artificial construído para fazer com que as “zonas de guerra” pareçam um mundo distante, quando os carregamentos de armas e as redes de diáspora contam uma história diferente? Como recuperar nossa humanidade e nossa capacidade de ação, compreendendo a urgência e deixando espaço para sentir, lamentar e agir, lado a lado, contra essa monstruosidade? E como manter esse tecido de resistência que desafia os ciclos de notícias e a política dos Estados-nação, reconhecendo as lutas pela sobrevivência e pela libertação contra a colonização e a extração contínua de recursos naturais que estão se materializando em todo o mundo fora dos holofotes das notícias?

O que deve ser feito? Essas são as perguntas. A empatia e a solidariedade são os remédios mais fortes contra as realidades atuais que enfrentamos. Empatia e solidariedade são as razões pelas quais estamos aqui: nossos corações abraçam essas palavras. Escolhemos compartilhar o peso da dor e entrar em ação nesta teia de resistência que foi tecida ao longo do tempo nesta Terra. Não é o nosso anseio pelas forças do cuidado, da criação e da destruição que nos reúne em torno de nossas fogueiras? Não é porque desejamos entender e saudar a dor dos outros e buscar a libertação da opressão que demonstramos solidariedade com nossos companheiros que carregam o duro fardo da repressão?

Há muitas atrocidades, muitos espíritos bonitos arrebatados deste mundo para que possamos chorar por todos eles. Em meio ao derramamento de sangue, vivem os espíritos daqueles que decidem resistir a essa ordem hegemônica, contra as engrenagens do genocídio e do colonialismo. Há pessoas em todo o giro da Terra que decidiram não ignorar as forças que atacam a vida livre. Muitos optaram por cumprimentar essas forças com os punhos cerrados e um sorriso na bochecha. Tenho certeza de que vocês também compartilham isso, talvez sem sorrir, mas estamos aqui novamente. Com o tempo, com força e paciência, aprofundaremos nossas constelações, fortaleceremos e teceremos novas teias, pois junto com os ciclos da Terra mudamos, crescemos e aprendemos.

Com força, fazemos este chamado à ação para uma semana de solidariedade com os prisioneiros anarquistas. Que nossas palavras não morram em nossas bocas, mas que nossas ideias e ações se tornem realidade.

Organize eventos de solidariedade, exibições de filmes, mostrar faixas, rodadas de discussão, ações diretas, programas de rádio, redação de cartas… seja criativo!

Vamos nos lembrar daqueles que lutaram contra essa injustiça e pagaram com suas vidas.

Não vamos nos esquecer de nossos companheiros presos e vamos mostrar o calor da solidariedade.

Ninguém será livre até que todos sejamos!

Envie-nos suas ações para tillallarefree@riseup.net

solidarity.international

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As cebolinhas
Lavadas e tão brancas —
Que frio!

Bashô